Jairo Marques

Assim como você

 

A Santa

O post de hoje quebra dois, digamos, paradigmas do blog: faz uso de um material publicado em outro diário e aborda um assunto estritamente religioso.

Mas eu vou tentar justificar. Achei a mensagem e a imagem que encontrei no “Diferente e Eficiente” um tanto interessante, um bocado tocante e, como eles me comunicaram que estavam publicando um texto meu, ficamos quites, né, não? Bem humorado

Sobre o quesito, a religião, o princípio do blog segue o mesmo, evidentemente: é laico, respeitando as crenças de todos. Por essas páginas passam carolas, passam evangélicos, passam agnóstico, espíritas, ateus… e tudibão… Rindo a toa

Contudo, sempre busquei, dentro do catolicismo, um santo (ou santa) que por ventura abordasse a questão da deficiência.

 

Entendo, claro, que vários santos, de alguma forma, ampararam os ‘malacabados’ por meio da caridade, mas confesso que eu nunca havia me deparado com um cuja própria representação guarda relação com a deficiência.

 

Tirando estritamente da discussão o caráter de adoração de imagens, acho interessantíssimo saber que uma Santa, do Camboja, está diretamente ligada à causa maior desse cafofo.

 

“Nossa Senhora do Amor Inclusivo” é produzida por artistas com deficiência, segundo o autor do folheto que segue. A intenção maior da representação, que é cheia de signos, é mostrar a necessidade de uma realidade inclusiva… lindo demais!

Por tudo isso, vale contemplar um pouquinho a imagem e refletir sobre a mensagem muito bem elaborada que a acompanha… bora?! 

 

Escrito por Jairo Marques às 00h07

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1 em 4 milhões

Nunca soube ao certo a razão que me fez ter tido paralisia infantil. Acredito que nem minha mãe foi devidamente informada sobre o que rolou comigo quando eu era apenas um bebezinho... Alegre

 

O que sei é que, até os nove meses de idade, eu havia tomado duas doses da Sabin, as gotinhas que, até o final do ano passado, era a vacina oficial do Brasil. Para estarem devidamente imunizadas, as crianças têm de tomar três doses da vacina mais um reforço.


 

 

 

Há pessoas que não receberam nenhuma gotinha e passaram longe da pólio, há casos de quem tomou todas as gotinhas e acabou por contrair a doença. Isso mesmo. Esse assunto, nunca foi devidamente ampliado para não assustar pais e para não tirar o mérito verdadeiro da vacina.

 

Acontece que a vacina Sabin é produzida com o vírus cambaleante, pra lá de Bagdá, já bem enfraquecido. Então, existe a chance (1 em 4 milhões) de a imunização provocar a doença em algum nível, geralmente, bem leve.

 

É estranho pensar que eu possa ter sido um “sorteado” pelo revés da vacina, mas não deixa de ser uma possibilidade. Muitas e muitas doenças e ocasiões que acabam puxando as pessoas para a “Matrix” de quem tem uma deficiência pega o povo de esbarrão, ‘sorteados’ entre ínfimas possibilidades.

 

Não dá para pirar muito nisso, mas é quase inevitável pensar no “e se o goleiro tivesse agarrado aquela bola”. Carente


 

 

 

O importante disso, contudo, não é simplesmente olhar pelo retrovisor e ver as vítimas que ficaram diante das probabilidades, dos erros, das decisões de última hora. O mais importante é olhar para a frente.

 

No caso da vacina contra a pólio, por exemplo, graças à uma grande mobilização que se iniciou em meados do ano passado, o governo brasileiro resolveu tomar uma atitude: trocar o tipo de imunização no país e fazer o que diversos outros países do mundo já fizeram, que é adotar a vacina injetável, com o vírus morto, chamada de Salk.


 

 

 

“Uai, tio, porque não tinha antes”.... A Salk é bem mais cara que a Sabin....

 

Admito que, no passado, eu e todo mundo ‘lá em casa’ chorou muito sobre o leite derramado. Contrair uma doença tão devastadora sendo que é possível evitá-la mexe com o imaginário a vida toda (e saber que você pode ter sido um ‘sorteado’ do avesso também não é muito legal).


 

 

 

Contudo, penso mesmo que um papel fundamental de uma vítima dos efeitos colaterais da existência humana -como é o meu caso, como são os casos de boa parte das três ou quatro pessoas que passam por aqui todos os dias-, é cobrar condições para cada vez menos pessoas sejam abatidas por situações evitáveis.

 


 

 

*Imagens do Google Imagens

Escrito por Jairo Marques às 00h01

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PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 37, jornalista pela UFMS e pós-graduado em jornalismo social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999. É colunista do caderno "Cotidiano".
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