Jairo Marques

Assim como você

 

A arte descrita

 Este post deveria ter sido escrito antes, uma vez que trata-se de uma “agenda”, mas num rolou... na real, rolou foi uma preguicinha básica de verão, sacam? Sem jeito

 

Mas acho que importa mais o exemplo da iniciativa, que cada vez mais tem se propagado: audiodescrição em exposições de artes, de fotografia... legal demais!

 

Hoje (11/01), às 18h, em Porto Alegre (RS), a fotógrafa Carmem Gamba abre suas imagens ao público e tudo será possível de ser apreciado pelo povo cegão ou por aqueles que pensam que veem, manjam baixa visão? Muito triste

 

 

Na imagem, rapaz com rosto pintado de branco, com manchas avermelhadas e roupas clássicas 

 

 

Na Imagem, pessoas observam um painel com dois homens, um deles tomando chimarrão

 

Um grupo de audiodescritores, o Mil Palavras, estará por lá para dar aquela hand na interpretação da mensagem visual. E mais, haverá vendas para quem quiser experimentar a sensação da narração das fotos! Amei!

 

Em alguns museus importantes do mundo, é possível que os “menino” prejudicado das vistas tenham acesso a um aparelho que não só descreve como as obras foram elaboradas como informa seu período histórico, relevância, quando foi elaborada etc

 

Na imagem, rapaz com óculos espelhado e camiseta listrada

 

 

 

Na imagem, um senhor observa painel onde mãe segura o bebê no colo

 

Iniciativas assim, que deveriam ser básicas, ainda são de vanguarda no Brasil e merecem muito apoio, pois dão a chance de enriquecer a toooodos culturalmente.

 

A exposição conta com 15 painéis e chama-se “Esse Lugar é Minha Cara”, que revela rostos de pessoas que transitam pelo centro da capital gaúcha.

 

 

Na imagem, um homem, vestido com uma camisa branca, de capuz, sorri 

 

Quem for de Poá e quiser conferir o trabalho, é só chegar no “Gradil do Chalé, na praça 15, no largo Glênio Peres. Só hoje! Malacabados não pagam naaaada! Convencido

 

* Imagens de Carmem Gamba

Escrito por Jairo Marques às 00h12

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Tudo muda em um segundo

Achei que jamais iria conseguir decorar o nome da guria: “É Rivka”, professor.”...  Mas não só guardei como se falava como criei estima pela menina, que compunha a primeira turma que eu encarei como “mestre”.

 

Alguns alunos passam pela vida da gente e não deixam muita saudade Carente (sim, admito que alguns professores também), mas a Rivka não foi o caso. Ela tinha de virar capítulo da minha história.

 

 

Não havia uma vez que passava por mim nos corredores que não disparava um sorrisinho gostoso feito de alegria, simpatia e bem-vindo, tudo junto. No começo, era “oi, professor”... depois, descambou pro “oi, Jairinho”.

 

Dois anos antes de se formar, ela já me intimou com uma seriedade rara: “Você é meu orientador de Trabalho de Conclusão de Curso. Não tem como recusar, professor. Metade do que aprendi no curso foi com você (mentira dela!)”.

 

Não recusei e, no ano passado, “casei” academicamente, pela primeira vez, com Rivka Lopes, Lígia Conconi Saleh e Giovanna Möller, minhas três orientandas lá da “Facul” (ah, sim, o tio dá aulas, clica no bozo que eu explico isso melhor Brincalhão). 

 

 

Com um trabalho sobre “mulheres que matam por razões passionais”, as três me encheram de orgulho arrancando nota dez da banca examinadora. No meu “discurso” de orientador, falei justamente sobre a minha plena convicção de ver no trio não mais estudantes, mas minhas colegas de profissão, jornalistas.

 

Na portinha do Réveillon, Rivka, formada e com emprego engatilhado numa grande empresa, embarca para “curtir a vida” numa praia de Florianópolis, com todo o merecimento do mundo para alguém que finalizava uma jornada de vida. 

 

 

 

O ônibus em que ela estava se acidentou gravemente. Rivka luta para sobreviver em um hospital e deixou um montão de amigos de coração na mão. A vida mudou o curso em questão de segundos, como foi para alguns dos meus “cinco ou seis” leitores que acabaram por ter de conviver com uma deficiência.

 

Ainda não dá para dizer como será a realidade futura desta menina, que ficou bastante, bastante machucada, mas o que dá para dizer é que todos nós estamos expostos a momentos de limite, a momentos que toda uma história pode fazer uma grande curva.

 

Convidei a Lígia, que é amiga/irmã inseparável de Rivka, para dividir com a gente as sensações deste tempo que, repito, estamos todos disponíveis a ele, como é possível ajudar nessas situações? Como se portar? Como ser útil? Como ter esperança, força, fé? 

 

 

Vocês irão se emocionar com o texto e engrossar uma corrente que nasceu nas redes sociais chamada #forçaRivka .... do “anônimo”, nasce um exemplo de união da boa vontade, do bem, entre as pessoas... Boa leitura!

Sorte

Após um ano de TCC, chegava a hora de descansar. Fui fazer um cruzeiro com a família de 22 a 30/12. Era jantar pra lá, piscina pra cá, espetáculo todas as noites... um luxo! Uma das paradas foi em Buenos Aires, e comprei dois brincos, um para cada amiga. Somos, as três, filhas únicas, uma só família. Mari e Rivka, essas são as irmãs que eu não tive.

 

 

Era quarta-feira (28/12), eu já estava cansada de tomar Dramin (meu estômago não gostou do alto mar). Meu celular não pegava. Estava disposta a deixar o Facebook de lado até descer do navio, mas no final da tarde, resolvi entrar um pouco.

 

Havia uma mensagem estranha: “Li, me passa o cel da Elaine, mãe da Riv? Fiquei sabendo. Que hospital ela ta? Força!”  

 

 

Não entendi nada. Foi quando meu namorado disse, pelo chat, que a Riv havia sofrido um acidente, e que tinha sido bem grave.

 

Comecei a tremer. Meu coração parecia pesar uma tonelada. Não lembro se peguei o elevador ou se desci os seis andares de escadas, só sei que saí correndo pelos corredores das cabines, juntando a tontura da notícia com a visão embaçada por causa das lágrimas, e pedi um celular emprestado.

 

O ônibus em que ela estava indo pra Florianópolis havia tombado naquela madrugada. Até então, a informação era de que ela havia perdido massa encefálica. Era como se um pedaço de mim estivesse sendo arrancado. Erraram muito nas notícias, em uma emissora de televisão saiu até que ela tinha morrido. Ainda bem que eu não acompanhei toda essa agonia. Depois disso, minha viagem acabou. Eu não parava de pensar nela. Meus pais, que a amam, também tiraram o sorriso do rosto. 

 

 

Depois soubemos que ela não havia perdido massa, mas teve um traumatismo craniano grave. Há um ferimento grave na panturrilha esquerda, quebrou o tornozelo direito, há cortes e hematomas pelo corpo e uma possível lesão na coluna. Ela está inconsciente, mas tem respondido a estímulos auditivos, como “obedecer” quando se pede para ela mexer as pernas, os braços, ou apertar a mão. O rosto está intacto. O sorriso lindo, também...

 

Foi muito difícil vê-la na UTI, sedada, com um tubo na boca para respirar. O cheiro esterilizado da sala de visita chega a arrepiar. Nesse momento, estaríamos escrevendo matérias para o nosso site, que sairia do forno em março. Nós sempre tivemos planos para uma vida juntas.

 

 

Ela melhora um pouco a cada dia, mas ainda corre risco de vida. O quarto da minha mãe está parecendo um altar. Nunca fui religiosa, mas não tenho ao que me apegar, a não ser pedir a todas as forças do mundo para que ela se recupere.

 

A única maneira de aguentar o tranco é acreditar que ELA VAI FICAR BEM. A outra possibilidade eu expulso dos meus pensamentos. Dá umas crises de choro, mas a gente seca as lágrimas e pensa positivo.

 

Ela está presente em tudo, até na minha pele ela está (temos uma tatuagem juntas no pé, que significa “a menina dos meus olhos”). Aquele pé gordinho está coberto por curativos, mas a minha alma está lá, a todo o tempo.

 

 

Tudo ficou pequeno perto disso. A gente reclama da vida, mas em uma situação dessa, nos lembramos de como tudo estava em paz. O pior é que o abraço que me conforta sempre, está a mais de 200 km daqui. Mas estou aprendendo a lidar com a paciência e a ansiedade também...

 

Ela conquista a simpatia até de quem mal conversou com ela. Vou contar um segredo aqui: ela não gosta de algumas pessoas, como todo mundo, haha! Mas nem com essas ela consegue ser rude. Coisa que é rara no ser humano. Logo, a corrente que se formou para que ela fique bem é imensa. Agradeço a todos por isso.

 

“Rivka” significa “a que cativa”. Não existia nome melhor... Melhore logo, minha vida!

*Imagens de arquivo pessoal

Escrito por Jairo Marques às 00h00

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PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 37, jornalista pela UFMS e pós-graduado em jornalismo social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999. É colunista do caderno "Cotidiano".
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