Jairo Marques

Assim como você

 

Parkour além do radical

Quando vi imagens dos primeiros praticantes de “parkour” eu achava que era brincadeira de gente louca.

 

Para quem não sabe do que se trata, é uma modalidade de esporte de aventura que consiste em ficar pulando em obstáculos arquitetônicos.

 

Tipo, de um muro alto para um telhado, subir rampas íngremes a toda velocidade, dar saltos em viadutos, enfim, fazer uma série de macaquices usando a estrutura urbana.

 

Pois bem, uns garotos, que não descobri ainda quem são, resolveram fazer “parkour roulant”... sentaram em cadeiras de rodas e mandaram ver nas ruas de grandes cidades atrás de desafios arquitetônicos...

 

O resultado é sensacional... acho que vão curtir.... a dica é da sempre atenciosa leitora Késia Junqueira!

 

Beijos nas crianças e bom final de semana... Beijo

  

O link direto tá aqui óh: http://www.youtube.com/watch?v=pXupNxywwwg&feature=youtu.be

Escrito por Jairo Marques às 11h02

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Saiu o pacotão

A presidente da República vir a público anunciar uma série de medidas para tentar amaciar a dureza da vida das pessoas com deficiência no Brasil é um marco importante para um país que trata o povo ‘malacabado’ ainda como seres invisíveis.

 

O plano, batizado de “Sem Limites”, cujo conteúdo a Folha já tinha antecipado, me parece bom, apesar de ter frustrado uma reivindicação básica do povo ‘matrixiano’: isenção de impostos sobre produtos importados que facilitam a vida de quem não vê, não anda, não enxerga, não ouve...

 

Sem isso, muita gente vai continuar “cheia de limites” para ter uma boa cadeira de rodas, um excelente aparelho auditivo, um par de muletas levinho, um software que ajuda a futricar no computador.

 

Na divulgação, falou-se em “desoneração” de R$ 160 milhões para a aquisição de tecnologia assistiva, mas ninguém da assessoria de imprensa da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos sabia informar que raios isso significava.

 

Também é preciso dizer que a dona Dilma passou o sarrafo no orçamento do pacotão: a previsão eram R$ 10 bilhões, caiu para R$ 7,6 bilhões. Pelo que apurei, quem perdeu mais grana foi o setor de saúde, que planejava um reforço nos centros de reabilitação no Nordeste, região onde arrumar a lataria dos deficientes ainda é algo muito precário.

 

 

 

Mas tem coisa importante no pacotão. Chamou minha atenção a criação de um setor, em nível federal, para pensar exclusivamente a “acessibilidade” para o desenvolvimento urbano. Essa receita tem dado certo em várias cidades, pois há alguém para encher o saco, oficialmente e com poder, sobre a falta de rampas, elevadores, sinalização tátil e visual etc.

 

Também é bacanudo o anúncio da criação de 17 mil salas multifuncionais em escolas para dar um help na educação da galera que não consegue acompanhar o ritmo normal das aulas. Além disso, vai haver adaptações em 42 mil escolas, o que me parece bem pouco, contudo. Indeciso

 

A educação será contemplada ainda com a contratação de 1.300 intérpretes da Língua Brasileira de Sinal para o ensino superior. Bem, mas aqui ficou de fora o pessoal que é surdo oralizado e fala português. Esses precisam de tecnologia _que já existe_ e de orientação ao professor. E aí?

 

E a promessa de distribuição de dinheirama segue para criação de centros tecnológicos, criação de núcleos de reabilitação (seriam 45 espalhados pelo país), centros de treinamento de cachorro pra puxar cego, casas acessíveis, e tudibão.

 

São tantas as linhas de ações que dá até para acreditar que vamos sair do nível “lamentável profundo” de inclusão para o “razoavelmente razoável”.

 

Contudo, essa multidão de iniciativas também serve para nos perdermos e esquecer que foram anunciadas: é preciso acompanhar a execução, cobrar cada um dos pontos e exigir que aconteçam.

 

Por fim, é preciso pontuar que a presidente não fez um favor para as pessoas com deficiência, que já são suficientes para lotar duas ou três Kombis e tem seus direitos garantidos pela Constituição.

 

Foi bonito o gesto de Dilma chorando de emoção por fazer algo pra esse povo que tanto peleja, mas lágrimas não resolvem os problemas e podem gerar uma empatia automática àquilo que se quer seriedade, ação efetiva e ferramentas para que, enfim, possamos ‘dominar o mundo’... Inocente

Escrito por Jairo Marques às 14h14

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Omissão Parapan-americana

O Brasil assumiu ontem (15) o primeiro lugar no quadro de medalhas dos jogos Parapan-americanos de Guadalajara, no México. Os ‘malacabados’ do nosso país são um sucesso nas piscinas, nas quadras, nas arenas em geral, mas o valor dessas conquistas, poucos conhecem ou conseguiram acompanhar de fato por aqui.

 

 

Os meios de comunicação dão as costas para esses representantes da nação. Aqui, eu incluo a Folha. Não há nada no caderno de Esporte sobre os jogos (havia pouco também sobre os jogos tradicionais, pois considera-se a competição menor).  A TV Record, que transmitiu os Pan-americanos, não está nem aí para os paraatletas, que estão garimpando outro atrás de ouro. Um vexame.

 

A diferença quem tem feito mesmo é a Globo, que mandou uma equipe acompanhar o evento e tem dado Jornal Nacional todos os dias, com o competente repórter Renato Peters. 

 

 

 

Outra forma de se informar bem sobre os nossos atletas ‘matrixianos’ é por meio das redes sociais. O twitter do Comitê Paraolímpico Brasileiro atualiza os resultados das competições instantaneamente, ‘mó’ legal!

 

O próprio comitê comprou os direitos de transmissão dos jogos, haja vista que nenhum canal do país se interessou em ter o pacote. Para quem quiser acompanhar, o twitter é o @cpboficial e o site é o www.cpb.org.br, que traz vídeos, notícias, quadras de medalhas, destaques do dia.

 

 

O governo brasileiro está injetando dinheiro nessas pessoas. Os patrocinadores acreditam nessas pessoas. Os que gostam de esportes admiram essas pessoas. O que elas precisam, enfim, para virar notícia? Nadar sem um dos braços? Correr sem nada ver? Levantar peso sentado em uma cadeira de rodas? Bem, tudo isso.... elas fazem.

 

Sinto-me um pouco envergonhado -como jornalista e como cidadão- ao ver toda essa omissão que, para mim, beira ao preconceito de quem aponta os paraatletas como competidores “menores” no poderoso mundo dos campões de marcas e recordes.

 

Como mudar a cara de um país em relação à necessidade de sermos mais inclusivos, de sabermos atuar diante das diferenças se os meios que deveriam informar ao público ignoram os atores que padecem dessa divisão social?

 

 

Os ingressos para os jogos Paraolímpicos de Londres, no ano que vem, já estão praticamente esgotados. Os europeus, sobretudo, idolatram seus atletas tetrões, parões, pczões, cegões, mamulengões, pois são igualmente representantes de suas bandeiras.

 

Enquanto os nossos paraatletas tupiniquins não tiverem um reconhecimento midiático importante, do tamanho que seus esforços, de suas dedicações ao esporte, vai ficar difícil envolver o público e ter uma Paraolimpíada do Rio 2016 com o charme e o calor que só a torcida brasileira sabe dar, pode dar e quer dar.

 

Para mim, é já se tornou indiscutível o valor do esporte paraolímpico e de seus praticantes, que dedicam horas de treinamento e de aperfeiçoamento para fazer o melhor pelo país. Agora falta a imprensa fazer o seu papel, independentemente de seus julgamentos viciados, unilaterais, enviesados, arrogantes e pouco engajados com o anseio social.  

Uma opção para quiser acompanhar mais de perto o desempenho brasileiro, ao vivo, está no bozo... é em espanhol, mas dá para entender direitinho. Brincalhão

 

Escrito por Jairo Marques às 00h26

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PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 37, jornalista pela UFMS e pós-graduado em jornalismo social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999. É colunista do caderno "Cotidiano".
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