Jairo Marques

Assim como você

 

É todo mundo na onda!

Já tinha lido alguns relatos e visto muitas imagens do trabalho dos ‘pessoais’ da Ong Adaptsurf, que bota o povo estropiado sobre pranchas de surf e o faz sentir o gosto das manobras dentro da água do mar, além de dar condições a todos a curtir uma praia. Mas o impacto que tive quando pude acompanhar de pertinho o ‘trampo’ deles foi inesquecível. Parecia que eu estava em outro planeta, juro...


Como muitos de vocês já sabem, a Adpat ganhou anteontem o prêmio Empreendedor Social de Futuro, promovido pela Folha, e que reconhece práticas promissoras junto à sociedade ou ao ambiente. Para saber mais, clica no bozo. Brincalhão

Eu já conhecia o resultado, no meu íntimo (ui .. Rindo a toa) no momento em que enfiei minhas rodas na areia da praia da Barra, no Rio, para acompanhar um dia da realidade desse inovador, inclusivo e ‘legalzudo’ projeto e produzir um perfil de seus líderes: Henrique, Luana e Phelipe.


Ali não rola preguiça e muito menos corpo mole (só o dos malacabados Muito triste) para que todo mundo desfrute da emoção de dar piruetas em ondas. Os voluntários põem a mão na massa, literalmente, carregando tetrões, PCzões, mamulengões para posicioná-los sobre pranchas.

Sinceramente, tinha gente tão prejudicada dos movimentos que cheguei a pensar que seria piada que aquele ‘serumano’ iria, de fato, participar da atividade.  Obviamente, estava enganado.


A estrutura da Adpatsurf é bem humilde, comparada a algumas barracas de praia de gente rica Tonto: eles possuem duas cadeiras anfíbias (para quem não sabe o que é, clica na florzinha Sorte, algumas esteiras para fazer a cadeira deslizar na areia da praia, vários uniformes, uma barraca, algumas quinquilharias e um caminhão lotado, até as tampas, de boa vontade e espírito de igualdade.


Como pra mim é um perrengue poder freqüentar o mar com alguma dignidade, imagino que sabor de vida não tem para os alunos da Ong poderem aprender surfar, poderem ter essa experiência de vida.

“Oh tio, ocê surfou com essa pança toda?”


Tá, tá bem, confesso que lambi os beiços de vontade, mas o clima estava meio nubladinho e era dia de competição dos alunos, então, deixei para o verão, que hei de voltar para lá.

Não vou negar também que torci muito para que eles fossem sagrados campeões desse prêmio e vibrei com a vitória, que acolho como a de todas as pessoas com deficiência do Brasil.


Agora, é torcer para que o projeto avance para outros pontos do país, ganhe musculatura financeira, administrativa, para que ninguém fique fora da bela onda que é poder “ser igual nas diferenças”.

Bom final de semana, bom feriado e beijos nas crianças!

*Fotos de divulçgação

Escrito por Jairo Marques às 07h14

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Casa famosa

Eu estava em casa, de boa, num final de semana quando a na TV começou um programinha que mostrava casas de pessoas famosas. Sou fascinado por arquitetura, mesmo que eu viva brigando com arquitetos por causa da falta de acessos... Insatisfeito

Gosto de saber de novos projetos, novos materiais, novas possibilidades das formas construídas. Até programa sobre casas de fazenda eu gosto, não perco de jeito maneira, como se diz lá na minha terra... Rindo a toa

Pois bem, naquele dia tive uma agradável surpresa com o “tema” da casa e com as surpresas que ela teria a revelar de sua morada: era a atriz Marisa Orth, mostrando para o grande público os segredos de seu aconchego.

Já que na segunda-feira eu tratei de casa de praia, hoje eu trago para ‘ceistudo’ uma casa famosa.

“Uai, tio, mas o que isso tem a ver com o povo ‘malacabado’. É porque a Magda não conseguia juntar lé com cré”?

A resposta vocês só vão ter se assistirem ao vídeo, que guarda uma surpresa ‘maraviwonderful’, uma lição para todas as pessoas, artistas ou não!! Está bem no meio do filminho, mas vale a pena ver tudo para dar uma babadinha na casa da ‘divina’!

Deem um look e me digam o que acharam do pensamento da consagrada Marisa Orth!

Para acessar o link direto, é só clicar no Bozo. Brincalhão

Escrito por Jairo Marques às 00h23

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Assunto de família

Desde quando cheguei em São Paulo, retirante da seca lá da minha terra Carente, sempre recebi um apoio firme de um grupo daqueles “parentes” que a gente nem sabe direito qual o grau, mas que é parente mesmo, sacam? Rindo a toa

 

É muito difícil chegar por aqui sozinho de tudo, ainda mais quando você tá montado em uma cadeira de rodas e precisa enfrentar um monte de obstáculos arquitetônicos.

 

Minha prima Vilma e minha tia Leda fizeram além do possível para que eu tivesse um mínimo de comodidade por aqui. Ficavam preocupadas comigo, um matuto, solto na cidade grande, mas, ao mesmo tempo, sempre respeitaram os meus voos e meu espaço.

 

Eu também nunca quis ser “peso” ou responsabilidade pra ninguém. Sempre enfrentei o mundão com minhas possibilidades, com meus jeitos. Só pedia alguma ajuda quando era realmente alguma situação que eu não me virasse sozinho.

 

Essa ‘famiage’, por mais distante que estivesse na tal árvore ‘genecológica’ Muito triste, ficou muito próxima de mim.

 

Classe média, todos trabalhadores, eles tinham um apartamentinho na praia, bem providencial para o verão, para férias, para qualquer situação de vontade de ver o mar. O tal era tão famoso que era usado até pelos vizinhos de conhecidos... Convencido

 

Pra mim, porém, o cafofo era quase inútil, pois para chegar nele, era preciso vencer lances e mais lances de escadas. Acessibilidade passou loooonge de lá. Até fui algumas vezes, no colinho, mas não era algo confortável, usual.

 

 

 

 

Aquela situação nunca me incomodou, juro. Tá certo que faltei a várias reuniões do povo por lá e por mais que insistissem, pra mim, não rolava usar o lugar.

 

Quando um cadeirante “trepa” num ambiente cheio de escadas, é natural que fique numa angustia danada porque não terá autonomia para descer. É uma sensação esquisita, incômoda. Mesmo em um ambiente cheio de pessoas conhecidas, a falta de autonomia pega pesado no nosso coraçãozinho. Sem jeito

 

Pois bem, muitos anos se passaram, muitas praias eu conheci, muitas rampas o mundo já criou, muito mais acessível as cidades estão.  E há duas ou três semanas atrás, recebo um email da minha prima querida dizendo mais ou menos assim:

 

 

 

 

“Oi primo, tudo bem?

Acabamos de assinar a escritura de um apartamento que compramos. Juntamos todo mundo, cada um se esforçou um pouquinho, mas deu certo. Da sacada dá para ver um pouco do mar e uma parte da montanha. Ele é de fundo, quarto andar. Na direção do estacionamento de um prédio bem alto de sacadas de vidro na esquina.

Há algum tempo que estamos procurando apartamento. Nós estávamos querendo algo com: elevador, sacada, garagem "livre", condomínio não muito alto,  prédio baixo e meio simples, "preço bom", dois banheiros, dois dormitórios, tamanho acima de 60 metros, sem área de lazer, perto da praia e se possível vista p/ o mar... Só isso, simples demaiiiiis... Muito feliz.

 

Precisa ainda de uma reforma, uma limpada e uma arrumada. Assim que tudo estiver pronto, aviso você e a Thaís para irem para lá. Espero que gostem, primo querido.”

 

Fui a primeira pessoa da família a ser avisado do novo cafofo. Até água do meu ‘zóio’ saiu quando li a mensagem. Não por causa do apê, afinal hoje em dia eu já tenho uns trocado para ficar num camping, com a barraca armada... Bobo, mas pela preocupação dos meus ‘parentes’ durante todos esses anos, querendo que pudesse curtir o que todos curtiam...

 

 

Imagino que muitas e muitas situações assim se repitam em casas de amigos, de conhecidos, de irmãos, de primos de pessoas com deficiência. A gente é bem quisto, evidentemente, mas não há condições de acesso, não há condições para que exploremos a moradia, a casa no campo, a fazenda ou seja lá onde for.

 

Diante disso, acho que o que vale é mesmo demonstrar ao máximo que os sentimentos ultrapassam as condições arquitetônicas. Que quando for possível, quando as condições foram favoráveis, a sua ‘prioridade’ não será esquecida...

 

Em tempo: Amanhã tem coluna do tio na Folha. Tá caprichada nas emoção tudo!

 

*Imagens do Google Imagens

Escrito por Jairo Marques às 00h01

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PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 37, jornalista pela UFMS e pós-graduado em jornalismo social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999. É colunista do caderno "Cotidiano".
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