Jairo Marques

Assim como você

 

Os sabichões

Nesta semana, o tio esteve em um encontro que debatia e expunha novas tecnologias para o povo deficiente. Em várias partes do Brasil e do mundo, tem gente pensando em formas para fazer a labuta desses meninos que dão um trabaaaaaalho danado seja menos hard.

Pois bem, um dos grupos que tá passando sebo nas canelas para agitar projetos específicos para melhorar o dia a dia dos matrixianos são os universitários… mas não aqueles ‘burraldos’ que iam no programa do seu Sílvio Ra-Raê Santos e não acertavam uma Muito triste… é gente batuta!

Há poucos dias, aqui em Sampa, rolou a feira Eureka, do Instituto Mauá de Tecnologia e não é que lá estavam iniciativas para atender o povo que não anda, não vê, não escuta (…) Rindo a toa. O evento reúne os Trabalhos de Conclusão de Curso dos alunos.

A primeira criação das ‘crianças’ eu torço para ser adotada loooogo pelas grandes redes de supermercado. Os alunos Felipe Barboza Magalhães de Araújo, Felipe Fernandes de Assis Jeferson Allegretti Bomfá e Leandro Afonso Ramos criaram…. gôndolas acessíveis!!!

“Ah, Zairo, mas para que raios serve isso?”

Poxa, zente, isso é demais! Eu mesmo passo maus bocados para alcançar os ‘trem’ que quero quando eles ficam no alto. Então, há vezes que vou ao mercado e deixo de comprar alimentos fundamentais como: balas sete belo, bolacha bonno ou aquela que tem uns bichinhos desenhados, enfim…

Os estudantes fizeram uma espécie de gôndola que vai girando e, o que tá no alto, fica baixinho apenas girando uma roldana. Legal, né?! Bem humorado

Eu já passei muuuita ‘reiva’ por não ter autonomia de comprar o que eu quero sem ficar pedindo “tio, ajuda eu?”

A segunda invenção dos moleques sabidos do Instituto Mauá foi projetar um plano de negócios completinho para uma academia voltada só para matrixianos, olha que luxo!!! Bem humorado

Sabem que eu já sonhei com essa ideia? Uma academia onde os povo malacabado pudesse fazer o remelexo dos músculos com total acessibilidade?

Sei que o lance “exclusivo” não é assim tão bacana, mas um lugar que atenda as necessidades totais de um cadeirante, por exemplo, é beeeeem legal de imaginar, heim?

A ideia foi dos aluninhos Fernanda Cioccia Sastre Redondo, Lenita Torrao Vidigal, Lucas Silveira Costa Silva, Mayara Costa Lima e Thais Guzzardi, que pensaram na infraestrutura, no investimento necessário, no número de funcionários, numa possível localização….

Eles pensaram também no tipo de equipamento que a academia poderia contar (isso já existe no mercado, né?!) e como as atividades físicas poderiam ser aplicadas…

Com uma academia assim, eu acho que minha pança não resistiria, heim, meu povo?! Carente

Bom final de semana e beijo nas crianças!

*Imagens de divulgação

Escrito por Jairo Marques às 00h31

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Para ler, tocar e sentir

Sempre digo que o mundo ideal é aquele feito para todos. Que todos os lugares e coisas estejam pensadas e preparadas para receber o diverso. Fico todo pimpão Bem humorado quando me deparo com iniciativas que buscam olhar com bastante carinho (ai, que mimoso Apaixonado) e possibilitam uma inclusão efetiva das pessoas sem braços, sem pernas, que puxam cão-guia.

Uma série de livros – a Coleção Adélia - tem tentado vencer esse desafio e integrar, em uma só publicação, as necessidades de quem vê e de quem não vê. São livros que inovaram na leitura em braile, com um método 100% inclusivo... aêeeeeeeeee!!!!!

As responsáveis pelo projeto – viabilizado pela Lei Rouanet – são Lia Zatz (texto). Luise Weiss (ilustrações) e Wanda Gomes (Design gráfico). O novo é que o método permite que um livro publicado para deficientes visuais seja lido e manuseado, com alta qualidade de leitura, por pessoas com e sem deficiência ao mesmo tempo.

O livro “Adélia esquecida” – o segundo da série – explora as texturas dos objetos, de forma visual e tátil. Por exemplo, leitor poderá sentir a trama da malha de lã de Adélia, o zíper da sua roupa. Além de cheiros, como aromas de couro e do jardim da casa personagem. Todos os elementos gráficos do livro foram trabalhados para que ele fosse bacana de forma visual, tátil e olfativa. (huuuuuummm)

Outra coisa é que a impressão em braile não fura o papel. E isso permite tiragens maiores e qualidade de impressão para quem vê e quem não vê... fala aí se não é legalpracaramba.com.br????? Pôxa, fico pensando que legal a criança que tem um livro desses e pode emprestar pro amiguinho que é cego e vice-versa... quer integração maior?

Bom, e hoje, na coluna da Folha, o tio falou sobre formas universais de comunicação. Afinal, como você quem tem o escutador perfeito falaria com uma pessoa de outro país, surdo, que não fala português, não lê lábios e não sabe Libras? Aí só Nossa Senhora da Bicicletinha e muita criatividade, mas rola... clica no bozo para você ver Brincalhão. (só para assinantes Folha e UOL).

*Imagens de divulgação

Escrito por Jairo Marques às 07h34

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

A pastelaria do Amauri

Meu povo, tô achando que agora o Natal chega, heim?! Convencido. É só mais o beiço de uma purga que acaba o outubro e aí é só correr para o Papai Noel...

Mas hoje o assunto aqui no blog é pastel.... ou quase isso... Admito que minha opinião sobre o assunto de hoje está longe da unanimidade, mas bora brigar um pouco para construir um pensamento mais sólido.

Um dos meus leitores mais antigos (mais ou menos do período mesozóico Muito triste) resolveu gastar toda a fortuna que acumulou na vida e abrir uma pastelaria, isso que é ambição, quer ficar mais rico que o Eike Batista...

 

 

Pois bem, esse meu querido leitor se chama Amauri Kravaski e não tem nadica fora do lugar em relação ao esqueleto ou aos sentidos (pelo menos ele jura que não). Apesar disso, ele é um pleno cidadão e é super ligado em tudo que relaciona à inclusão de ‘malacabados’.

 

No momento em que decidiu abrir a pastelaria, o Amauri imediatamente ligou o alerta da “acessibilidade”. Acontece, porém, que ele enfrentou limites para tornar o lugar que escolheu de fácil trânsito para todos.

 

Fez rampas, colocou disponível um cardápio em braile pros cegões, prometeu ter pelo menos uma mesa com mais espaço para o cadeirante ‘estacionar’ com mais conforto e tudo mais....

 

 

 

Acontece, porém que o espaço era pequeno e ele não conseguiu projetar um banheiro que coubesse uma cadeira de rodas. Sugeri, então, que ele fizesse pelo menos uma pia para que os ‘estropiados’ pudessem lavar as mãozinhas...

 

Há situações, muito particulares, em que promover o pleno acesso exige um grande investimento financeiro, um projeto arquitetônico complicado, uma consultoria especializada (por exemplo, prédios antigos).

 

Nesses casos, sinceramente, eu avalio que ter uma boa intenção, saber receber bem a pessoa com deficiência e dizer que ela é bem-vinda, apesar de o ambiente não ser totalmente acessível, é bacana, é aceitável e é, a sua maneira, inclusivo.

 

Estamos em um país em que a integração das pessoas com deficiência na sociedade é um processo relativamente novo. A gente precisa é de aliados, precisa de gente que apoie mudanças substanciais. Não vejo como virar as costas para boas intenções.

 

Dias atrás, contudo, uma leitora me enviou uma mensagem mais ‘braba’ do que cachorro de japonês reclamando da acessibilidade de um boteco que abriu há pouco em Sampa. Trata-se de um investimento grande e badalado. A mesma leitora reclamou pelos twitter e eu, ‘evidentchimente’, a apoiei na causa, afinal, acesso para poder tomar uns gorós é comigo mesmo... Alegre

Um dos donos do ‘pé-sujo’ captou as mensagens pela rede social e enviou uma mensagem para mim e a para a leitora explicando pontualmente as razões das falhas de acesso. Ele mesmo admitiu que o lugar não estava totalmente acessível, mas que tinha toda a disposição de melhorar o ambiente com o tempo.

Algo que ele não conseguiu fazer foi colocar um elevador para que os cadeirantes chegassem até o ambiente superior, onde o bicho supostamente pega... Muito feliz. Ele alegou que o custo era muito alto para um momento inicial do projeto, mas que o investimento está em suas prioridades....

 

Eu, que sou mais animado que lexotan, achei o empresário comprometido, achei muito bacana ele ter a preocupação de querer dar uma explicação, afinal, a realidade que mais se repete é a da omissão.

Minha leitora, por outro lado, não se conformou com a explicação e cobrou do empresário que ele tivesse dado prioridade para o acesso _que, por sinal, está na lei!. Entendo perfeitamente a reação dela, pois foi nela que o sapato apertou, não é mesmo?!

 

Talvez eu seja muito Pollyana, mas gosto de acreditar na boa-fé das pessoas quando elas se manifestam, se sensibilizam e se comprometem. De fato, a gente tem de cobrar nosso direito, não pode se satisfazer com migalhas, mas ‘habemos de tener la ternura’ nesse processo todo... ou não?!

 

Bom, se quiser dar uma chegadinha na pastelaria do Amauri, fica na Rua Marino Félix, 280, na Casa Verde, aqui em Sampa.

*Imagens do Google Imagens

Escrito por Jairo Marques às 00h06

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ver mensagens anteriores

PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 37, jornalista pela UFMS e pós-graduado em jornalismo social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999. É colunista do caderno "Cotidiano".
Twitter Twitter RSS

BUSCA NO BLOG


ARQUIVO


Ver mensagens anteriores
 

Copyright Folha.com. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha.com.