Jairo Marques

Assim como você

 

Almofadinha

Tem situações que eu vivo que, quando paro para pensar, custo a acreditar que é de verdade e acabo “se rindo” todo... Rindo a toa

Os ‘minino’ malacabados das pernas, como eu e toda a turma que é parão (sem os movimentos das pernas), tetrão (prejudicadinho geeeeraaaal Tonto), e demais rapaziadas que precisam de usar cadeira de rodas, geralmente, precisam de uma almofadinha confortável para acomodar o popô.

Quando a gente compra os “cavalos”, os bichos não vêm com esse arreio Muito triste. A almofada que os fabricantes oferecem, em geral, é bem básica, daquelas que chega no final do dia a bunda da gente tá pedindo a lua para olhar... Bobo

Afora a questão do conforto, parte importante dos matrixianos tem sensibilidade restrita nas partes glúteas (o que não libera ninguém para sair passando a mão!) e é preciso um cuidado especial para não contrair as danadas das úlceras de pressão. (Quem não sabe o que é isso, clica no bozo).Brincalhão

A solução que a gente encontra, então, é ampliar os gastos comprando uma almofadinha mais preparada para acomodar o nosso bumbum delicado (tá meio biba esse post, né? Com vergonha). As danadas podem ser infláveis, com gel, com espumas mega ultra blaster sensíveis e que tais.

Como o que tudo que toca aos estropiados para ter mais qualidade de vida impõe, os custos desses acessórios são ‘pacabá.com.br’. Alguns modelos importados, e isso não é exagero, chegam bem perto dos R$ 2.000, vulgos dois mil contos de réis.

Fala sério, gente, acho que nem as almofadas da casa de gente rica, feitas com pé de burro, pena de anda, pena de urubu, sei lá Em dúvida, são tão caras. O problema todo é porque esse material mais sofisticado é importado e aí ‘ceitudo’ já sabem: imposto na lomba, falta de competição, falta de sensibilidade do poder público para resolver.

Pois bem, dito tudo isso, num é que o raio da almofadinha do tio num para nunca mais de furar?! Sem jeito. E olha que não tenho espinhas no popô para provocar esses acidentes.

O transtorno que uma almofada furada provoca é de chorar pelado no asfalto. Ela não murcha integralmente, vai enganando a gente de pouquinho. Noto porque parece que um lado meu vai afundando mais que o outro, que fico mais descompensado do que naturalmente sou... Triste

A minha almofadinha nem é tão velha. Tem pouco mais de dois anos, mas a borracha da bicha, acredito eu, já está com a língua de fora. E haja esparadrapo e outras “ganbis” para ver se fecham os furinhos...

Pois nessa semana, fui novamente surpreendido pela danada da almofada liberando ar por onde não devia... Insatisfeito. Eu e a patroa caçamos o raio do furo até quase ficarmos estrábicos e nada.

“Deve ter murchado só de capricho, meu bem”... Toca encher, toca eu montar na cadeira e dali meia hora tá o tio Zairo pelejando para se equilibrar na cadeira com a almofada se esvaindo beeem lentamente.

Vida, porca, né, meu povo?! Mal humorado. Tem que batalhar por acesso, tem que batalhar por inclusão, tem que batalhar por ser cidadão e tem que batalhar pelo conforto da bunda também... pode isso, Arnaldo?!

O resultado foi que a mulher se enfezou toda e comprou uma almofadinha nova pra mim (uso uma mais básica, cara, mas não um saco de ouro!)...

Num dá pra um menino cheiroso, malhado, passado e bem lavado como eu, ficar arriscando o bumbum assim, né?!

Beijos nas crianças e bom final de semana!

*Imagens do Google Imagens

Escrito por Jairo Marques às 00h00

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Pedacinhos de um grande projeto

“Zente”, começa hoje aqui em Sampa, depois de já ter passado pelo Rio e Brasília, o grande festival “Assim Vivemos”, que junta um bocado de filmes sobre o povo sem perna, sem braço, que puxa cachorro, que é meio lelé, que não ouve a novela, que anda montada em cadeira de rodas.

 

Os filmes são todos daqueles “pacabá”: pacabá de chorar, pacabá de pensar sobre a vida, pacabá de achar bão até, pacabá de causar transformação, pacabá de incentivar novas reflexões sobre a vida.

 

O pessoal da organização mandou pro tio vários pedacinhos de filmes que vão estar em cartaz. Coloquei tudo nos ‘intube”, como diz aquela moça do filme do Brumo Mazzeo Bobo, e disponibilizei aqui proceis tudo.

 

As películas vêm de várias partes do mundo e abordam a deficiência em diversos aspectos. As exibições rolam no Centro Cultural Banco do Brasil e possuem os recursos para que todo malacabado consiga curti-la: legendas, tradução em libras, folhetos em braile, audiodescrição.

 

O bacanudo é saber como cadeirantes seviram.com.br em Moçambique,  quais os desafios dos deficientes intelectuais em países da Europa, como é a realidade de acesso nos “Estadusunidos”!

 

Já disse várias vezes por aqui que quem vai ao cinema amplia muito seus horizontes de vida, não é?! Eu ‘praticamentchi’ tenho poltrona cativa em algumas salas. Vou mesmo!

 

As apresentações do “Assim Vivemos” vão até o dia 16 deste mês de outubro e todas as sessões são de grátis! Aêêê Entorpecido

 

Vocês podem ver os detalhes da programação, a hora dos filmes, os detalhes todos clicando.... no bozo, ‘oficorsi’! Brincalhão

 

Os patrocinadores do evento são: Ministério da Cultura (Lei de Incentivo à Cultura), Governo do Rio, Prefeitura do Rio, Secretaria da Cultura do Rio.

 

Bora assistir?

Escrito por Jairo Marques às 09h24

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Neuroplasticidade

Assisti a um documentário ontem na TV que me deixou com a “purga atrás dos zuvidos”. O tema era esse nomão do título: “neuroplasticidade”.
 
A intenção do programa era mostrar que vários estudiosos já conseguiram comprovar que o cérebro consegue criar caminhos alternativos quando alguma conexão que ele tem com o corpo é rompida.
 
Um exemplo mais próximo da gente desse barato todo é quando, por exemplo, uma rota principal de uma viagem está interditada e, assim, a gente segue por um atalho, por uma estrada secundária.


 
Muito provavelmente, saindo da via mais importante, poderemos demorar mais para chegar ao destino final, mas vamos chegar. O documentário defendia exatamente isso: a necessidade de estimular o “cabeção” a buscar outras estradas.
 
Não há novidade nenhuma no tema, acho que muitos de vocês já leram algo a respeito, mas o que me chamou a atenção é que os experimentos que estimulam a construção desses caminhos alternativos estão avançando bastante e, ao mesmo tempo, o estímulo para que acreditemos nesse potencial é muito baixo.
 
O povo com deficiência física ou sensorial, em sua maioria, teve arruinadas conexões do corpicho ou de algum sentido com o cérebro. Como os médicos, muitas vezes, dão o diagnóstico de que “foi pacabá”, naturalmente a gente deixa de estimular o que considera “perdido”.
 
Aqui, estou absolutamente incluído. Desde a adolescência, quando decidi que preferia tocar a cadeira a me forçar encontrar maneiras de andar com muletas ou andador, nunca mais dei pelota para querer desenvolver os tais “caminhos alternativos”.


 
Na real, eu nem sabia que isso era possível. Não sou cientista e nem tenho conhecimento de neurociência para dizer que se você se matar de fazer exercício, depois de ter ficado tetrão, você tem a chance de virar um “parão”.
 
O que dá para dizer é que há casos concretos de terapias que conseguem reabilitar o cérebro para desempenhar novas funções, para assumir funções de alguma parte que foi abalada.
 
Porém, para que um cego consiga encontrar um novo caminho para estimular a “visão”, por exemplo, ele tem de ser estimulado, ele tem de ser orientado, ele tem de ser treinado, o que pouquíssimas vezes ocorre na prática médica que temos acesso.
 
No documentário, um dos resultados mostrados é justamente com um homem cego que tem recebido estímulos táteis para formar imagens no cérebro. Os resultados são “maraviwonderful”. O cegão, por meio de uma parafernália, consegue transformar a informação visual em informação tátil e, assim, formar uma figura na cachola.
 
Outro exemplo mostrado foi de um senhor que teve um derrame e ficou com um dos braços paralisados. O “tratamento” consistia em imobilizar o braço que ficou sadio e “força-lo” a fazer pequenas tarefas com o braço ‘malacabado’. Aos poucos, ele estava conseguindo.
 
Não acho que seja forçando a barra que vamos recuperar o que a deficiência surrupiou da gente. Mas tendo a pensar que, no futuro, vai haver mais formas de fazer com que o cérebro reprograme sua atuação e que consigamos “uma nova chance”.
 
Desculpem se esse post ficou meio “viajandão”, mas fiquei super pensativo sobre esse lance desde ontem. Tendo a pensar que, em alguns anos, vamos descobrir que sempre foi possível evoluir, mas que não sabíamos e não éramos instruídos a fazê-lo...

*Imagens do Google Imagens

Escrito por Jairo Marques às 00h10

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PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 37, jornalista pela UFMS e pós-graduado em jornalismo social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999. É colunista do caderno "Cotidiano".
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