Jairo Marques

Assim como você

 

“Bom Bini”, Aruba

Meu povo, agora é sério. Faz dois dias que o sol aparece e, pelo jeito, vai ter mesmo verão neste ano... Bobo. E se tem calor na pele, tem tanga, tem queijo coalho, tem praaaaaia, tem o Cariiiibe!

Nos últimos meses, recebi vários pedidos de informação sobre como um “malacabado” pode viajar ‘diboa’ pela Zoropa. Isso quer dizer que a moçada tem botado sebo nas canelas e óleo de peroba na cara e encarado o mundo, o que é ‘maraviwonderful’!

Agora, porém o povo ‘matrixiano’ tem ampliado suas fronteiras e viajado para outros lugares, ‘excrusível’ para os paraísos litorâneos, insulares e dos sucos de cevada em geral, ahhhhhh  beleeeeeza! Rindo a toa

Um dos meus leitores quietinhos (desses que me amam, mas nunca declaram nos coments Carente), o Fábio Valente Gomes, 37, que é médico em Porto Alegre, catou a mulher e o filhinho de dois anos e deitou o cabelo para... Aruuuuuuba!!!! Aêêêê!

O doutor Valente é dos meus. “Parão” (paraplégico, ou seja prejudicado das pernocas) há dez anos, depois de um mergulho de cabeça em um lugar de águas rasas (algo muuuuito comum, então, sempre pule em pé!!!!!!), ele conta direitim pra ‘nóistudo’ como ele visitou esse paraíso sem passar stress, tudo com acessibilidade!

O texto tá dilicioso e as imagens são ótemas! Bora viajar?!      

Sorte

Inicialmente cabe esclarecer o título do post, que significa “bem-vindo” em Papiamento, uma das línguas faladas em Aruba (derivada do português) lá se fala também holandês, inglês e espanhol.

Na chegada a esta pequena ilha de 30Km de extensão, localizada no Caribe, próxima à Venezuela, o que mais se escuta é “Bon Bini”, desde os atendentes do aeroporto, funcionários do hotel e até impresso nas placas dos carros, confirmando que a hospitalidade Caribenha, sempre vendida é verdadeira, pelo menos em Aruba.

 

Na imagem, uma paisagem das mais lindas do mundo. Um coqueiro, um marzão e, lá no fundo, um barquinho.... ai, ai

Nossa viagem começou em Porto Alegre - digo nossa pois fomos eu (cadeirante), minha esposa (andante) e nosso filho bebê - fazendo uma pequena escala em Caracas até o destino.

 

 

Na imagem, mapa localizando Aruba, o mar do Caribe, Caracas

O Aeroporto de Aruba dispõe de “fingers” (passarelas suspensas) para o desembarque, no departamento de imigração as filas são relativamente grandes e não dispõe de atendimento preferencial.

Não recomendo contratar transfer previamente, pois os veículos disponibilizados nos pacotes pelas operadoras brasileiras ônibus não-adaptados que não são aceitos cadeirantes pelo risco de acidentes.

O táxi para a praia de Palm Beach, onde ficam os melhores resorts, fica em torno de 20 dólares e na sua grande maioria são caminhonetes muito espaçosas tendo como único problema a altura para o embarque. (Nota do tio: abraça o taxista e vai no colinho, delícia! Bem humorado)

 

Na imagem: um mapa detalhado das praias caribenha, um luxo

No caminho para a praia de Palm Beach, já são vistos os resorts que se localizam entre a via principal e a praia; no lado direito ficam centros comerciais. Optei por ficarmos no Hotel Radisson, uma das opções com quarto adaptado e cadeira de rodas para praia (Nota do tio: aquelas anfíbias, lembram? Clica no bozo Brincalhão), qualificado como um dos melhores ou o melhor e com preços equivalente aos demais de mesmo nível.

Apesar de ter resolvido tudo um pouco em cima da hora, enviei e-mail confirmando o quarto adaptado. Não senti muita firmeza, e portanto levei comigo a minha cadeira de banho desmontável.

 

 

Na imagem: a cadeira higiênica dobradinha na mala

Pois é, chegando lá, a suspeita se confirmou, pois o quarto totalmente adaptado estava ocupado, assim como os parcialmente adaptados. A gerente-geral foi chamada e se mostrou muito receptiva, assim permanecendo durante toda hospedagem, nos acomodou num quarto superior ao nosso na primeira noite e prometeu que adaptariam um quarto no dia seguinte.

Não acreditamos muito, mas para nossa surpresa fomos colocados em um quarto maior no outro dia (o que estávamos já era imenso) e após o meu OK sobre a circulação o banheiro foi totalmente adaptado com colocação de barras ao redor do sanitário e do chuveiro, pia sem armário, banho com opção de chuveiro com acesso para cadeira e banheira. (Nota do tio: é esse o estágio que eu sonho que cheguemos um dia, putz)

 

Na imagem: a vista do quarto do dr. Valente. Uma lindeza, com coqueiros, piscinas e o mar ao fundo...

A não ser este percalço, o hotel é realmente muito bom, fica na beira da praia, conta com uma área extensa, bonita e bem cuidada de piscinas, café da manhã farto, vários restaurantes, cassino, lagos com peixes e lagartos, araras, e o que é mais importante, acessível. O acesso para praia é por trilha cimentada que leva até um guarda-sol reservado para cadeirante, localizado bem próximo à água. (Nota do tio: Não preciso de mais argumentos, vou pegar um “consignado”, catar a nêga e ir pra esse lugar!!! Tonto)

 

Na imagem: o acesso à praia para cadeirante, que dá direto para um guarda-sol de palha, chique no úrtimo

O hotel disponibiliza uma cadeira de rodas para praia (razão principal da escolha) que fica disponível para os hóspedes sem custo adicional. Suas piscinas foram feitas com entrada tipo praia, iniciam com profundidade zero aprofundando gradualmente o que permite a entrada com a mesma cadeira praiana. Para o caso de hospedagem em outro hotel, existe na ilha um serviço de aluguel de cadeira de rodas para praia com valor em torno de 50 dólares por dia. (Nota do tio: Caaaaaro!)

 

Na imagem: a piscina com entrada tipo praia + cadeira praiana

As dependências do hotel como restaurantes, locais onde são servidos o café da manhã, sala de internet e cassino são acessíveis.

Na praia de Palm Beach para que entendam bem, o mar é cristalino, a extensão de areia é curta, e os resorts ocupam toda a beira-mar, entre a areia e a área interna dos resorts existe um calçadão plano que permite o passeio por toda orla.

 

Na imagem, o calçadão da orla na praia de Palm Beach

A meu ver, o que diferencia Palm Beach das demais praias onde ficam os bons resorts – geralmente instalados em áreas distantes sem gastronomia e comércio próximo - é que ao sair do hotel e atravessar a rua, estão: lojas de conveniência (preços de bebida e lanches rápidos bem acessíveis), restaurante das demais variadas nacionalidades, redes de fast food (Mac, Burger King, Domino's, Hard Rock), lojas comerciais e ainda, supermercado a 300m, farmácia a 800m e um centro comercial grande com franquias de grife a 400m.

Na Imagem: um lagartão verde, um mimo

Apesar de haver lojas nestes centros comerciais locais, o centro da ilha chamado Orangestad, fica a cerca de 10Km (15 dólares de táxi) e dispõe de lojas das maiores franquias internacionais com preços realmente convidativos ao consumo.

Quanto ao mergulho, a ilha possui um dos melhores pontos da prática do mundo, com destaque para os locais de naufrágios. Fui determinado a mergulhar, mas não consegui, pois mesmo tendo o certificado de mergulho adaptado pela HSA (Handicap Scuba Association), as operadoras exigiram que fizesse uma reciclagem na piscina antes de ir para o mar, uma vez que fazia mais de três anos que não mergulhava.

Locais com grande volume de mergulhadores, levar um cadeirante é sempre considerado um risco e um problema para eles, então...... Mas fica a dica que a operadora “um pouco mais preparada” é a Red Sail Sports Aruba.

De pontos negativos, destaco a falta de rampas e faixa de pedestre tanto no centro comercial de Palm Beach, como em Orangestad, bem como a falta de banheiro adaptado na maioria dos restaurantes.

Portanto, fica aqui a minha contribuição, gostei muito de Aruba, acho que a viagem teve mais aspectos positivos que negativos em relação à acessibilidade, recomendo!

Obs: não tenho nenhum conflito de interesse com os locais especificados no texto; (Nota do tio: nem eu!!!!)

Sites úteis:

É só clicar nas palavras que ‘vo6’ serão redirecionados!

- Hotel Radisson

- Hotéis com quarto acessível

- Restaurantes wheelchair friendly

- Operadora de mergulho

- Aluguel de cadeira de rodas para praia (adapted happy wheels) + hotéis com quarto acessível

- Aluguel de cadeira de rodas para praia

Escrito por Jairo Marques às 00h00

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O pacotão dos “estropiados”

 “Zimininos”, a Folha de hoje traz com exclusividades detalhes de um plano nacional que o governo federal, por meio da dona Dilma, a presidente, vai apresentar ao Brasil, sil, sil para atender demandas sempre ignoradas pelos governos desta nação.

O plano visa atender o povo sem perna, sem braço, que puxa cachorro, que anda de cadeira de rodas, que tem o escutador de novela avariado, que é todo torto, despinguelado... Muito triste.

Desde que me entendo por gente, jamais houve um conjunto de medidas e empenho financeiro (R$ 10 bilhões, até 2014) tão grande como agora. Para saber detalhadamente do que se trata, clica no bozo Brincalhão (só para assinantes UOL e do jornal).

O tio avalia que mesmo se fosse péssimo, o pacotão seria ótimo... Bobo. É um momento importante para as pessoas com deficiência, é um compromisso público da direção central do país, é um exemplo para os demais setores sociais, é dar a cara para bater diante de um público ávido por acesso, por condições de igualdade, por condições de cidadania.

“Evidentchentchi”, o rascunho do programa, que vai ser anunciado oficialmente pela Dilmona em breve, possui buracos, possui abertura para a gente dar umas espinafradas... Mas, em sua essência, as iniciativas atacam tudo o que é necessidade básica do povo “matrixiano”.

Para ler a análise (ai, como eu tô sabido) que o tio fez para o jornal, clica na florzinha (mas, de novo, tem que ser assinante, tá?). Sorte

Os “malacabados” mais privilegiados, como é parte importante dos leitores desse blog, vão achar que faltaram medidas que os contente, sobretudo no que diz respeito às condições urbanas das grandes cidades, mas, para quem precisa, com urgência, sair de seus cafofos e não consegue, o pacotão lança um olhar.

Há iniciativas em todas as áreas, de vários ministérios: trabalho, educação, saúde, economia, ciência e tecnologia, transportes, infraestrutura. Quando a gente olha apenas as palavras, parece bonito de ver. Agora é saber se há disposição para incrementá-lo, redirecioná-lo, aplicá-lo.

Tô botando fé que “agora vai”, mas a gente não pode se desmobilizar nunca. Se o governo se mexeu para atender parte de nossas eternas reivindicações é porque somos fortes, somos eleitores, somos consumidores, somos brasileiros munidos de direitos. (fico bonita essa frase, né? Convencido).

Para quem não tiver acesso a cada ponto do pacotão (acho que loguinho tá tudo nas internets, é só procurar), prometo voltar ao tema em breve. Mas, para quem tiver acesso, é legal que externe suas críticas e sugestões nos comentários. Como não tem mais bobo no futebol, as sugestões de vocês acabam chegando no ouvidinho da presidente.

É importante, repito, pensar nas medidas como atendimento urgente a todos e não há grupos específicos. Estamos falando de um Brasil onde há crianças que não andam que nem consegue chegar à escola.

Ainda falta um queijo e uma rapadura para termos um país ligeiramente mais inclusivo para eventos espelhos para o mundo, como a Copa e as Olimpíadas. Mas fico verdadeiramente contente de saber que algo começou, que a “dominação do mundo” por parte dos “matrixianos” está de vento em popa!

Ah, e falando em mundo dominado, na coluna de hoje, no caderno Cotidiano, o tio conta uma novidade ultra, blaster, máster, hiper bacanuda sobre esse nosso mundo paralelo. Um antigo freqüentador desse blog (clica no choppinho para saber quem é), vai ser galã das televisão tudo!!! Bêbado

Para ler o texto, é só apertar no sanduba! (assinantes Folha e UOL). Com fome

Escrito por Jairo Marques às 08h02

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As cartas dos cachorrinhos

Em todo o mundo, as instituições rebolam para conseguir grana e, assim, sobreviver e conseguir levar suas causas adiante. A diferença entre o que rola por aqui e em países mais desenvolvidos é que, lá fora, é mais fácil para se conquistar adeptos para as iniciativas.

É comum também, nos países europeus e nos EUA, que gente de muuuita grana repasse sempre parte de suas fortunas para causas sociais. No Brasil, Ongs ainda trabalham na cara e na coragem de voluntários (afora aquelas que fecham esquemas com políticos e amelham dinheiro público... Carente)

Mas, seja aonde for, as ações de instituições sem fins lucrativos precisam apostar em criatividade para convencer as pessoas a se associarem, ajudarem, acreditarem e doarem.

O povo malacabado é alvo frequente de ações de Ongs, o que é ótimo. De Norte a Sul do país, tem gente apoiando causas de acessibilidade, de garantia de direitos, de educação, de capacitação, de trabalho....

“Tio, tá na hora de parar com a falação Muito triste. Qualé a desse post de hoje, heim?”

A leitora Marcia Riederer, da Austrália (ai cômo eu tô universal Convencido) mandou para o blog uma iniciativa ‘maraviwonderful’ que uma Ong de lá encontrou para fazer os “pessoais” ajudarem a manter a “Seeing Eye Dogs”, que treina a cachorrada para os meninos cegos, no futuro, puxar!

A instituição, que se mantém de doações, manda periodicamente uma carta “escrita” pelo próprio filhotinho adotado, que conta sobre o seu dia a dia de treinamento, de crescimento, de aprendizado.

Olha, zente, duvido que alguém desista ou deixe de ajudar um cachorrinho pidão tão simpático e comprometido...

A querida Marcia traduziu algumas cartinhas ‘proceis’ e reproduzo aqui... Legal demais da conta e a gente fica louco para adotar uma iniciativa dessas também!!!

Sorte

Carta 1 (Para convencer o coraçãozinho de que foi uma boa ajudar o bichinho)

Olá, meu nome é Tawni e eu sou a mais recente recruta da “Seeing Eye Dogs Australia” (cães olhos que veem) . Muito obrigada por me patrocinar! Eu sou uma labradora creme de seis semanas. Sou muito sortuda porque com uma cachorrinha patrocinada vou te escrever e te contar sobre meu treinamento. Vou mandar fotos, assim você pode me ver crescer!

Minha mãe, Porsche, foi escolhida pra ser parte do programa de reprodução do Seeing Eye Dogs. Isso foi uma grande honra pra ela, pois foi considerada a melhor das melhores. Eu vim de uma ninhada de quatro filhotes, nossa família é muito especial porque todos os quatro filhotes fazem parte do programa de treinamento, isso não é o máximo?

As coisas que mais gosto de fazer são: brincar com minhas duas irmãs e meu irmão – isso é tão divertido. Eu também amo explorar coisas novas e já comecei a me aventurar fora de casa. Acabei de aprender a comer comida sólida, mas ainda adoro ser alimentada pela minha mãe.

Em alguns dias eu vou ao veterinário, pra ter certeza que eu estou em boa forma pra começar meu treinamento. Cachorrinhos têm que tomar as vacinas e examinar os olhos pra ter assegurar que estão saudáveis e prontos pra fazer o melhor durante todo o treinamento.

Minha mãe me explicou que durante o treinamento eu vou ter que me vestir adequadamente. Quando eu for um pouquinho mais velha e for sair em público, vou vestir um casaco azul, pra todo mundo saber que eu estou em treinamento. Não vou poder receber carinhos, comidas e nem vou poder ir ao banheiro quando eu estiver com meu casaco azul.

Vou ter que me comportar muito bem, mas quando eu tirar o casaco eu posso me comportar como qualquer outro cachorro. Esse casaco é para eu praticar como devo me comportar quando eu me formar na escola de cães-guia. Eu mal consigo esperar pra ter meu casaco azul, eu vou me sentir tão importante!

Logo eu vou conhecer a família que vai cuidar de mim, nem consigo esperar! Eles vão cuidar de mim por mais ou menos um ano e vão me ensinar coisas básicas como sentar, deitar e comandos pra comer e ir ao banheiro.

Eu também vou aprender a andar calmamente na coleira e a diferenciar o lado esquerdo do direito. Vou te escrever logo e te contra tudo sobre essa família. Muito obrigada por ser meu patrocinador especial, é muito importante eu ter alguém para dividir minhas experiências!

Até a próxima, abraços e lambidas.

Carta 2

Olá, tudo bom? Sou eu, Tawni! Espero que você esteja bem. Eu tenho feito tantas coisas legais desde a última carta que te mandei – uau, como o tempo voa! Eu já estou bem acostumada com a minha família de cuidadores e nem posso acreditar que eu já tenho seis meses!

Eu amo meu pai e mãe cuidadores – eles me levam pra todos os lugares. Todos os lugares que a gente vai, todo mundo me adora e eu adoro ser o centro das atenções.

Há alguns meses, fui ao Austrália Open de Tênis assistir o Roger Federer, fui ao cinema ver Avatar e Sherlock Holmes (adorei comer todas as pipocas que caiam no chão). Visitei várias praias também. Agora, já me acostumei a nadar no mar e adoro. Eu já fui pra cidade de trem, bonde e de ônibus, fui acampar e fui pra reuniões e treinamentos de trabalho. Minha mãe também vai me levar no barco e no avião logo, logo!

Meu treinamento e socialização estão indo super bem. Eu ainda tenho muito pra aprender, mas já mostro alguns sinais de que serei uma ótima cão guia. Já sei sentar, ficar, deitar, vir, entrar e sair do carro e fazer meus serviços. Também ando muito melhor na coleira agora do que no começo.

Acho bem difícil andar no lado esquerdo da minha mãe e resistir a comer as coisas que acho no chão, mas minha mãe ta em ajudando com isso. Agora estou aprendendo como é diferente quando estou usando meu casaco azul e quando estou sem. Eu já sei que quando estou de casaco tenho que me comportar bem, mas quando tiro posso brincar e relaxar.

Tive uns probleminhas, uns acidentes na hora de ir ao banheiro. Eu sou ótima em ir ao banheiro em casa ou no escritório, mas ainda estou aprendendo como fazer isso quando eu estou ao ar livre. Minha mãe também teve que me lembrar de não latir quando o Roger Federer estava jogando tênis.

Uma parte do meu treino é me acostumar a lugares barulhentos, assim eu não vou me assustar quando eu estiver trabalhando. Já vi relâmpagos e raios, já fiquei perto de cortadores de grama, aspiradores, música alta e ate armas de fogo. Mas eu adoro mesmo quando as pessoas aplaudem, eu sempre acho que elas estão batendo palmas pra mim, então eu fico em pé pra receber os aplausos.

Eu adoro brincar com meus brinquedos! Eu tenho um ursinho cor de rosa chamado Teddy (como o meu irmão) e adoro ele. Minha mãe disse que está surpresa que eu ainda não comi o Teddy, mas eu mostrei a ela que eu amo o Teddy e cuido dele muito bem.

Minha rotina é assim: acordo 6h30 e faço um pouco de barulho pra avisar meus pais de que já estou acordada. Aí, eles me deixam sair pra ir ao banheiro e me dão café da manhã. Dou uma caminhada antes de ir ao trabalho com a minha mãe.  

No trabalho, sento embaixo da escrivaninha dela e fico esperando alguém falar comigo. Na hora do almoço, minha mãe e eu vamos passear e olhar as lojas. E às 5h da tarde nós voltamos pra casa de carro. Adoro o carro. Às vezes, tento sentar no banco e minha mãe acha que eu adoraria dirigir. Eu gostaria mesmo se ela pudesse me ensinar, afinal, sou super esperta! 

Depois do jantar, a gente vai ao parque. Lá, a gente treina o comando de voltar. Adoro correr sem coleira e às vezes prefiro perseguir os pássaros ao invés de voltar quando minha mãe me chama, mas estou treinando isso.

Já fui jantar fora algumas vezes e fui no shopping com a minha mãe. A cada duas semanas eu tomo banho.

Meu treinamento está indo super bem e eu já aprendi tantas coisas novas! Muito obrigada por me patrocinar e fazer possível para que eu seja treinada pra um trabalho tão importante.  Eu mal consigo esperar pra estar pronta e ser um cão guia!

Em tempo: Amanhã tem coluna do tio na Folha! Vou contar uma novidade legalpracaramba.com.br e que vai surpreender muuuita gente!

*Imagens de divulgação

Escrito por Jairo Marques às 00h00

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PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 37, jornalista pela UFMS e pós-graduado em jornalismo social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999. É colunista do caderno "Cotidiano".
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