Jairo Marques

Assim como você

 

Viagem de família

Meu povo, como o calor tá chegando, o ano tá acabando Muito triste, o Natal tá quase aí, nada melhor do que dicas de viagens que rolem “diboa” para os “malacabados”.

Hoje, tem a uma história de uma família toda que foi zanzar! Super bacana saber os detalhes de como é possível. Quem viveu a aventura e conta tudo proceis tudo (rimoou Rindo a toa) é a querida Carolina Ignarra.

Espero que curtam.... bom final de semana e beijo nas crianças...

Sorte

Decidir uma viagem de férias para relaxar, passear se divertir não é uma tarefa fácil para qualquer família. Contentar três pessoas tão diferentes, pai, mãe, criança de cinco anos, não é fácil! E no nosso caso, em que a mãe é cadeirante, as decisões são ainda mais complicadas ainda.

Primeiro, pensamos no premiado Campo dos Sonhos (Hotel Fazenda em Socorro 100% acessível). Lá não teríamos nenhuma dor de cabeça, certeza! Daí, pensamos o quanto ficaríamos separados, pais para um lado, filha para o outro, desistimos.

Na imagem, Carol, abraçada por sua filha e marido

Pensamos então no apartamento do tio em São Sebastião (litoral norte de São Paulo), opção mais acessível no quesito financeiro e menos acessível na questão rodas de mamãe Alegre, mas já é nosso destino de todo Ano Novo. Amamos ir para lá e já estamos preparados para tudo o que não está acessível. Porém, frio na praia nas férias, ninguém merece!

Hummm, lembrei de uma viagem que fiz quando tinha a idade da Clara (minha filha), Foz do Iguaçú, lembrei também de uma reportagem que vi no Fantástico sobre os pontos turísticos acessíveis e comecei a procurar possibilidades por lá.

Na imagem, Clara, filha de Carol

Na agência de viagem ficou muito acima do nosso orçamento, liguei para alguns hotéis e fechei com o Hotel Luz, simples, três estrelas, mas que me ofereceu o melhor atendimento. O atendente do hotel assumiu a falta de sanitário acessível nos dormitórios, mas me garantiu que o quarto era amplo (me mandou a planta do apartamento inclusive). Fechamos por lá também um pacote de passeios e translado. Perguntei: “tem alguma van acessível?” Reposta: “ainda não!”. Vamos lá né?! Casei com um homem bonito, forte e corajoso pra que?

Fomos, dia 6 de julho, 4ª feira. Óbvio que na ida tivemos complicações no check in da Gol. A garota queria me deixar na 1ª fila e marido e filha na 12ª.

“Podem chegar outras prioridades senhora? Tem outro cadeirante?”

“Não, mas podem vir cegos, crianças, idosos!”

“Entendo, então vou ficar na 12ª fila com a minha família!”

 “Mas você não chega lá!”.

“Tudo bem, meu marido, forte, bonitão e corajoso me leva! Quero ficar mais pertinho ainda, poder segurar a mão deles... enfim!”

 “A senhora está complicando!”.

 “Moça, fique tranquila que não está fazendo nada de errado, me coloca junto com a minha família, na 1ª, 2ª, 12ª ou na última, mas disso eu não abro mão!”.

Com aquela super boa-vontade ela atendeu meu pedido: 12ª fileira. Na hora que eu entrei no avião, a comissária com um super bom senso:

“Fiquem na 1ª, negocio com o passageiro daqui”. Agora pergunte se tinha algum passageiro naquela fila? Não, claro que não!

1º dia: Chegamos bem! Direto para o Hotel. E como já sabíamos apartamento amplo, mas sem barras no sanitário (tudo bem não tenho as barras em casa) e áreas comuns acessíveis.

Na imagem, Carol de mãos dadas com sua filha no hotel

Do Hotel para o Duty Free na Argentina, tudo acessível. Os preços também! Show!

2º dia: Parque das Aves e Cataratas do Iguaçu.

O Parque das Aves é muito legal, tudo acessível, uma boa caminhada de cadeira. E a natureza e os animais bem pertinho. Merece três fotos:

Nas Cataratas foi demais, o ônibus que leva para os pontos de visitação dentro do parque é acessível. Fizemos um passeio chamado Macuco Safári. Chegamos bem perto da famosa “Garganta do Diabo” em um bote inflável motorizado. Porém chegar até o bote não foi tão fácil, descemos de jeep até a beira do rio, mas tive que ser carregada por uma escada de aproximadamente trinta degraus. Mas o atendimento compensou, o bonitão, forte e corajoso nem fez força desta vez! O pessoal do passeio que me carregou. E rapidinho estava sã e salva no bote.

Na imagem, Carol e sua filha de mãos dadas no parque

Na imagem, Carol e Clara dentro do bote

Gente! Ser carregada por 30 degraus não foi nada perto da vista deste local. É uma pena não ter sido eleita uma das “Sete Maravilhas do Mundo Moderno”. Amo o Cristo Redentor, do Rio, mas o que senti sendo batizada pelas águas das Cataratas do Iguaçu é inesquecível e inexplicável!

Na imagem, as Cataratas do Iguaçu

3º dia: compras no Paraguai.

Tudo muito baratinho, boas compras! Mas muita atenção com artigos falsos e assaltos. Nem máquina digital levamos, mas adianto que sem marido forte, bonitão e corajoso e filha obediente, não teríamos sobrevivido a este passeio.

4º dia: Duty Free Argentina (de novo) e Visita à Itaipu.

Voltamos ao Duty Free, pois faltaram alguns regalos. À tarde visitamos Itaipu, foi muito legal, passeio bonito, cultural e acessível.

Na imagem, Carol é abraçada por seu marido e filha em Itaipu

Só que o ônibus era de dois andares e adivinha onde a Clarinha queria ir? Fiquei triste por não poder subir com ela e ganhei um abraço para enxugar minhas lágrimas.

Passou rapidinho, claro! Como não passaria com o carinho de uma princesa e a família tão feliz?!

Na imagem, Carol no ônibus acessível

Na imagem, ônibus turístico de dois andares

Voltamos no domingo (10/07) com nossas “muambas”, presentinhos para a família e amigos, com lindas recordações e vontade de voltar!

Foz do Iguaçu, nós recomendamos!

*Fotos de arquivo pessoal

Escrito por Jairo Marques às 00h01

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Resumão da “matrix”

Lá no tempo em que eu fiz vestibular, era comum que distribuíssem um caderninho bem seboso chamado “resumão”. Nele, havia dicas, bem sintetizadas, das matérias estudadas em todo o colegial.

 

Hoje não tem colegial (é ensino médio que fala, né?), pouco sobrou do vestibular (o que é ótemo!), o resumão deve ter desaparecido e menino não quer saber de estudar ... surpreso

 

Mas um outro tipo de “juntatudo” ainda tem rolado. O Ivo Minkovicius criou uma animação beeeem ‘maraviwonderful’ com dicas sobre como tratar o povo malacabado, o povo que vive nesse mundo paralelo da “Matrix”.

 

Conheci o Ivo quando eu passeava com a primeira dama nos xopim. Ele é leitor da minha coluna no jornal e veio cumprimentar o tio, dizer que ele é um lindo, um fofo, uma coisinha da mamãe... Muito triste

 

Como ele produz várias animações (bate o olho no trabalho dele clicando no bozo Brincalhão, pedi para que fizesse uma sobre os malacabados.

 

Demorou um bocadinho, mas ficou pronta! Eu adorei!! E vocês?!?!

  

O link direto tá aqui, óh: http://www.youtube.com/watch?v=x68-nhx8WZ8&feature=player_embedded

Escrito por Jairo Marques às 00h31

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Prazer à vista

Quando comecei com o blog, lá no tempo em que a mulherada ainda usava anágua Bobo, eram pouquíssimos os relatos sobre sexo e o povo com deficiência. Pairava no imaginário das pessoas que não andar era quase sinônimo de não transar também.
 
De lá para cá, o lance mudou radicalmente. Por todo canto tem gente fazendo relato sobre sexualidade e, inclusive, há quem dê palestras para falar que ‘malacabados’ podem sim juntar aquilo com aquilo... Rindo a toa.


 
Apesar de ainda haver muita dúvida sobre possíveis “broxiamento” de quem não anda, sobre capacidade de ser mãe e ter prazer da mulherada “matrixiana”, avalio que a coisa mudou de forma significativa.
 
Porém, tem um aspecto da vida sexual desse povo torto que ainda é rodeado por tabus e, por isso, queria aqui discutir ‘qualé’ o pensamento de ‘ceitudo’ sobre o fato. (ui, quanto mistéééério).

 
A inspiração dessa conversa veio de um programa de TV que assisti recentemente. Nele, um rapaz beeeem prejudicado das faculdades de andar, morador de Londres, resolve ir até um famoso bordel da Holanda, especializado a atender gente estropiada.
 
O programa partia do principio de que “é muito difícil” um deficiente conseguir um parceiro para brincar na cama e, por isso, algumas pessoas optam por “serviços” oferecidos em casas da luz vermelha... Muito feliz


 
O rapaz de Londres optou ir até a Holanda porque em seu país de origem as casas de prostituição são proibidas (no Brasil, em tese, também são). Acompanhado do pai, que deu o maio “rapoio” para a ideia do filho, o rapaz viveu esperados momentos de glória sexual lá nos países baixos...
 
Já ouvi relatos também de mulheres cadeirantes que optam por “comprar” algumas horas de prazer com garotões, uma vez que elas tinham seus desejos, mas faltava aquela pessoa para botar lenha no fogão... Muito triste
 
Sou mais para frente do que nariz de palhaço, como grande parte dos meus leitores já sabem, e, sinceramente, acho que quando há acordo entre as partes e todo mundo sai ganhando, tá tudo certo...
 
Acontece, porém, que a partir do momento que o deficiente se abre mais para a vida, está mais dentro dos acontecimentos sociais, se impõe mais como “serumano”, como cidadão, ele amplia mais sua capacidade e seu potencial de atrair gente pro... pro... pro.. abate... Com vergonha

O programa de TV não contou muito sobre a realidade do jovem londrino. Se ateve apenas no fato de, como ele era muito ‘complicoso’ dos aparelho locomotor, era difícil de conseguir uma mina...
 
Acho que pode haver, sim, casos em que o tempo vai passando e o povo não arruma um toco para amarrar a égua, mas com um mundo tão global, tão interligado, tão ‘internético’, as possibilidades de fazer a dança do acasalamento com alguém que não cobrará nada e ainda te dará amor, carinho e mimos Carente aumentou um bocado.
 
Longe de mim querer julgar aqui o certo ou o errado de quem vive vendendo “sexo”. E se o meu projeto de dominação do mundo passa por igualar a imagem da pessoa com deficiência com o cidadão “comum” (guardadas as devidas adaptações e peculiaridades), como posso escrever que “não vale” para os ‘matrixianos’ nhanhar pagando?
 
Acho até que “moçoilos e moçoilas” peritos em atender gente atravessada pode ser um nicho de mercado. Saber algumas peculiaridades da nossa “raça” é bom, ué! ‘Evidentemetchi’ que isso pode ter um “quê” de exclusão, mas prefiro, nesse caso, tratar como “bussiness”. 
 
Nos meus tempos de pegador (ai como eu tô bandido Apaixonado), as meninas ficam ligeiramente aflitas na primeira vez que a gente brincava de médico, com medo de “quebrar” algo em mim...


 
O debate que quero fomentar nem é do “pode ou não pode”, mas sim algo sobre estima, sobre afirmação como pessoa, sobre potenciais, sobre capacidade de sedução e, também, sobre necessidades biológicas, físicas, sobre desejo, enfim...
 
Qual a visão de “vo6” sobre isso tudo, heim, meu povo?! A sua opinião é fundamental para enriquecer esses rabiscos.

*Imagens do Google Imagens

Escrito por Jairo Marques às 07h27

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PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 37, jornalista pela UFMS e pós-graduado em jornalismo social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999. É colunista do caderno "Cotidiano".
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