Jairo Marques

Assim como você

 

A palavra é: diversidade

Já escrevo faz um queijo e uma rapadura aqui nesse cafofo que parece que estou mesmo na sala de casa falando com velhos conhecidos regado a uma garrafa de pinga e com muito sorriso na cara... Muito feliz
 
Não dá para ter a dimensão exata sobre onde as minhas palavrinhas e meus vários palavrões irão parar e quem irá lê-los. Eu solto o freio das letras e lá se vão elas pra esse mundão de meu Deus...
 
Mas tem um troço que, preciso admitir, esqueço ou deixo de pensar atentamente a cada vez que debulho as frases que saem da minha cabecinha com poucos cabelos Carente aqui neste diário: sou lido por uma diversidade sensorial e física.
 
Ontem, eu meio que cochilava, meio que lia a bula de um remédio, meio que via o jornal na TV (na verdade eu tava era esperando a novela Com vergonha), quando me pipoca uma mensagem na caixa postal.
 
Enquanto eu lia, fazia uma viagem até esse querido e atencioso leitor... pensei nas necessidades dele (que invariavelmente eu peco por não lembrar), na atenção que ele tem comigo (de graça e esforçadamente) e foi brotando um chororô (mais um) nesse véio doido que dirige uma Kombi na humilde missão de tentar dominar o mundo para que ele seja mais pleno para todos...
 
A cada parágrafo, parece que mais eu viajava para o planeta desse colega “malacabado” e mais eu, democraticamente de meia tigela eleito presidente dessa “
Matrix” de gente tudo com defeito de fábrica, sentia que sou falho no intuito de querer agregar os diversos.
 
 Tá bom, vou deixar de suspense.... leiam um trecho da mensagem... depois eu lamento mais... Muito triste
 
“Não apareço muito por aqui, mas quero deixar registrado minha admiração por seu trabalho e dizer, como todos, que sou mais um grande fã.
 
Gostaria de fazer uma sugestão para o blog. Entro diariamente para ver se tem posts e os devoro de primeira! Porém, fica sempre uma sensação de "falta alguma coisa" quando tem muitas imagens (sou deficiente visual).
 
Assim, minha sugestão é que, como tantos outros sites já estão fazendo, que tal colocar uma legendinha nas fotos e imagens?!

Tipo, o post do dia dos namorados com a música do Wando, tem muuiiitas imagens e fiquei super curioso para saber a que se referiam cada estrofe.

Não precisa ser nada muito super ultra detalhado, nós já estamos acostumados com os resumos que ajudam a formar uma imagem legal juntamente com o contexto em que a imagem é inserida.
 
Enfim, é uma pequena sugestão. Sei que nos vídeos não dá para colocar audiodescrição em tudo, mas acredito que nas fotos e imagens dá pra fazer.

Bem, fico por aqui, e mais uma vez, continue esse cara que nos transmite através das histórias do blog, força e principalmente sentido que a vida vale a pena independentemente de qualquer coisa.

Forte abraço
Wander Viana Santos".

 
Não vou escrever aqui que darei conta das demandas diversas desse povo que
 dá um trabaaaaaalho danado, mas acho que o pedido do Wander é simples de ser atendido. Acho que, parte do que ele pede, já é feito nos comentários, mas, é bacana deixar mais explícito, né, não?

Mas admito que continuarei em débito com a diversidade, uma vez que os prejudicados dos ouvidos precisam de legendas _ou de tradução para libras_, há quem reclame do tipo e do tamanho das letras, há quem não curta os vídeos porque a velocidade da internet de casa é “marromenos” e por ai vai...
 
Um dia, quem sabe, terei uma equipe beeeem grandona que me auxilie a levar as mensagens como devem ser: para todos, sempre.
 
Por enquanto, peço que compreendam que o trabalho do blog é solitário, no mááááximo com a nega fazendo cafuné e reclamando que trabalho muito... Contudo, no que eu conseguir melhorar, contem comigo!

Escrito por Jairo Marques às 00h00

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A odisseia de um banheiro

Não sei quantos emails já troquei com esse garoto. O danado é novinho, mas leva com ele ingredientes fundamentais para a alma de quem almeja ser bom jornalista: um pouco de angústia diante das agruras da vida, um bocadinho de descontentamento com tudo e com qualquer coisa,  um montão de vontade de tentar melhorar o mundo.

 

E eis que dia desses, pipoca na tela do meu computador uma mensagem urgente de Raphaelzinho Preto, o tal do garoto. Ele me relatava uma situação absurda, indignante que estava passando na escola em que estuda, aqui em Sampa.

 

A situação não cabia no blog. Eu tinha de encaminhar de outra forma, tamanha era a vergonha que eu sentia por morar num país que faz tal situação ser vivida pelo povo ‘malacabado’.

 

O garoto, que é cadeirante, foi até o fim com uma denúncia que vai mudar a realidade dele, dos companheiros ‘matrixianos’ e de futuras gerações da escola Buenos Aires...

 

Tomara que eu ainda não esteja caduco quando o Raphael se tornar repórter graaande, talentoso, para poder recebê-lo aqui na Folha ou onde quer que for...

 

Deixo que ele mesmo explique toda a história para vocês. Tenho certeza que vão aplaudir esse querido aprendiz de ‘fabricante de parágrafos’!

 

Sorte

 

Por Raphael Preto.

 

Acompanho o Jairo  desde antes do blog , pois  a primeira vez que o vi foi numa palestra que ele deu para alunos do Centro de Reabilitação UNIBAN, no final de 2007, e desde então, sou seu grande fã.    

 

Como todo bom jornalista, apesar de ainda não ser um, vou tentar começar do começo.

 

Tarde gelada, frio de trincar os dentes. Dia 9 de junho, o “Tio” me liga:

 

(ao telefone)

 

Eu:  Alô?

 

O tio: Raphael?

 

Eu: Isso

 

Tio: E aí, Rapá! Jairo Marques, da Folha, tudo bem?

 

(achei que era trote, palhaçada, pensei em mandar aquele ‘malacabado’ catar coquinho, mas resolvi embarcar na brincadeira)

 

Tio: Você fez um barulho cara!

 

Eu:  É, foi até corregedor na escola, hoje.

 

Tio:  Então parece que vão resolver o problema, né?

 

Eu : É, acho que sim!

 

Tio:  Então agora vou querer uma coisa em troca.              

 

(Como se tratava de um assunto de governo, achei que ia ter que rolar um “por fora”, mas logo o” tio” me explicou.)

 

Tio:  Quero que  você escreva um texto pro blog. Explique como se deu todo o processo, como foi o “barulho”.

 

 

Do tio: (Essa é a reportagem, se você quiser ler, clica no Bozo: não precisa ser assinante da FOLHA nem do UOL.Brincalhão)

 

Se você teve preguiça de clicar, eu explico!

 

Estudo na EE Buenos Aires desde 2007, uma escola adaptada onde a inclusão só funciona pelo esforço e determinação da direção, funcionários, professores e alunos que são muito solidários. 

 

Em 2009, (essa não é a informação passada pela Diretoria de Ensino e pela Secretaria da Educação, mas que eu me lembre foi sim, nesse ano), a parede do banheiro dos cadeirantes, que sustentava a porta caiu, deixando os cadeirantes sem nenhuma privacidade pra fazer aquilo que todo mundo faz.

 

A partir daquele momento, a direção da escola tomou todas as providências necessárias para reconstrução da parede: existe uma pasta com ofícios solicitando a solução do problema.

 

Por dois anos reforma foi protelada. Mas depois que o Jairo ligou “pros homí”, no dia 7/6/2011, os alunos foram reunidos no pátio da escola e comunicados que haveria uma grande reforma: rampas, vidros, portões e o BANHEIRO.

 

No dia 8, dia da reportagem, não vi nenhuma movimentação no período da manhã.

 

No dia em que a reportagem saiu na FOLHA. – quinta-Feira, dia 9, dois oficiais da Corregedoria da Secretária de Educação do Estado foram na escola de manhã.

 

Naquele dia, começaram as obras.

 

É importante citar que as mudanças se referem apenas às reformas físicas. Mas e a calçada da escola que coloca em risco a integridade física dos  cadeirantes? É cheia de buracos.

 

Certa vez pedimos à Secretaria de Ensino que a arrumasse, mas ficamos sabendo que a calçada é dever da prefeitura. Já a prefeitura arrumou várias calçadas próximas, mas a da escola é de responsabilidade do Estado (ficou confuso? Eu também.)

 

 

E a assistência aos deficientes? Até 2008 havia na escola UM professor de recursos (maiúsculo mesmo: UM professor para TODOS os deficientes), mas o cargo foi extinto e os deficientes que têm dificuldades no acompanhamento das aulas, não têm a quem recorrer.

 

A escola possui uma rampa que serve apenas ao primeiro andar. Para chegar ao segundo andar, ou ao outro prédio, só elevadores. Quando eles quebram, ficamos sem aula, apesar de eu conseguir andar apoiando em um funcionário, é muito difícil convencer a todos que EU NÃO VOU CAIR.

 

E se acontecer um incêndio na escola, a primeira coisa que para são os elevadores, eu e meus colegas cadeirantes  estaremos lá esperando alguma alma caridosa. É fogo! É bom lembrar  que  o número de funcionários não é adequado para cuidar  dos 42 cadeirantes, apesar de se matarem  pra garantir nossas aulas.

 

Havia também um professor de recursos para ajudar alunos com deficiência visual, o professor foi retirado, e, é obvio, depois disso, os alunos saíram da escola.  O governo alegou que havia poucos deficientes visuais A escola não possui fisioterapeutas  ou terapeutas ocupacionais, a AACD  que fica no mesmo terreno tem, a escola não

 

Existe um problema mais antigo: desde 2007, a escola tenta convencer o DSV a colocar um farol, daqueles que servem de indicação para os pedestres saberem se podem atravessar com menor risco de ficarem “malacabados” (já que a entrada dos alunos é por uma rua bem movimentada) o  DSV disse que não pode colocar um farol ali porque já existe  um a pouco mais de 100 metros.

 

Os cadeirantes que estudam no período da tarde perdem a última aula, porque o último horário do transporte especifico é às 17h30. E a última aula termina às 18:20h. Nas aulas de educação física os cadeirantes de acordo com suas limitações realizam o que é possível, sempre há o incentivo da professora para que isso aconteça, eu treinava basquete até 2008, mas comecei a cair da cadeira (que não era adaptada,) e preocupada com minha integridade física a professora pediu que eu saísse.

 

Queria agradecer a todos que ajudaram: a Talita Bedinelli, excelente reportagem, totalmente imparcial, relatou apenas os fatos.

 

Ao Gabo Morales (fotógrafo, que me deixou bem na foto)  e ao Jairo Marques. Sem eles, na hora do aperto, alguém me pegaria com as calças na mão.

Escrito por Jairo Marques às 00h00

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Cante no “Dia dos Namorados”

Este post será melhor “curtido” se você clicar aqui antes de ver as imagens!



Você é luz ... É raio estrela e luar



Manhã de sol ... Meu iaiá, meu ioiô



Você é "sim" ... E nunca meu "não"




 

Quando tão louca ... Me beija na boca ... Me ama no chão



Me suja de carmim ... Me põe na boca o mel



Louca de amor ... Me chama de céu



Oh! Oh! Oh! Oh! Oh! ... E quando sai de mim ... Leva meu coração



Você é fogo ... Eu sou paixão


ApaixonadoApaixonadoApaixonado

 

Ensaio especial e exclusivo realizado pela fotógrafa Kica de Castro (kicadecastro@gmail.com) com o casal Alan  Mazzoleni e  Priscila Sanchez

* Música “Fogo e Paixão”, letra de Rose e interpretação de Wando

Escrito por Jairo Marques às 01h15

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PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 37, jornalista pela UFMS e pós-graduado em jornalismo social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999. É colunista do caderno "Cotidiano".
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