Jairo Marques

Assim como você

 

Enrolado!

Meu povo, nesta semana o tio está mais enrolado do que fumo de corda e vai ficar ausente.

Segurem o choro e deixem uma mensagem motivacional ai nos coments pra me dar as energias tudo, vai Rindo a toa.

Na semana que vem, eu e minha equipe imensa de UMA pessoa (minha deusa Carente), prometemos post de encantar o coraçãozinho de 'ceistudo'!

 

Por enquanto, vão lendo os arquivos, beijando o meu retrato ali no cantinho direito, mandando sugestões de textos que vocês gostaria de ler por aqui, fechou?!

Escrito por Jairo Marques às 10h46

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O passaporte

“Zente”, como todo cidadão viajandão, na semana passada, fui nas próprias Polícia Federal para mode renovar o meu passaporte. Tenho planos seríssimos de visitar o, o, o Paraguay, a Bolívia, o Voceksabistão, o país da Alice e tudomais.com.br.

 

Pra um cadeirante, toda vez que é preciso fazer um programa fora da rotina é um parto. É preciso pensar se no local aonde você irá tem acesso, tem lugar para parar a Kombi, se será possível rodar pelas calçadas, se vai haver alguém para dar uma ajudinha, caso seja necessário.

 

 

Parece muito louco isso para quem é “normal”, quem apenas aperta o cinto das calças e vai, né?! Mas, para parte dos “matrixianos”, ter de fazer algo diferente do “tododia” é motivo de tensão sempre.

 

Mas, eu tinha de ir à sede da PF para tocar o piano das impressões digitais e fazer o novo documento (isso depois de ter esperado quase dois meses da consulta agendada. Acho que nem o meu geriatra tem tanta restrição de atendimento Muito triste).

 

E lá fui eu. Peguei um “tx” e deitei o cabelo para a sede da PF. Chegando lá, foi tudo de boa. Quem é malacabado pode deixar a charanga dentro do estacionamento e há vagas reservadas (aparentemente não ocupadas por quem não precisa) bem sinalizadas e próximas às entradas.

 

Aí começou a aventura! Na recepção havia detector de metal, ‘oficorsi’. Nessas situações, nunca sei como agir: espero a orientação do seu guarda? Sigo em frente? Levanto a mão e provo que passei avanço? Rindo a toa.

 

 

Do outro lado do time, parece que as pessoas também não sabem o que fazer e fico com a impressão de ser o homem invisível, faço o que bem quero... Insatisfeito. Me identifiquei, tirei retrato e lá fui eu pro andar onde, finalmente, eu renovaria o passaporte.

 

Quando desembarquei no andar indicado, senti até ‘arrupio’ na espinhela de tanta gente que havia no local. E, onde tem muvuca de gente, cadeirante fica sempre por baixo, não enxerga nada além de ... glúteos, vamos dizer assim.. Tonto

 

Fui dando canelada no meio do povo e procurando algum canto que me informasse o guichê exclusivo pros véio e dificiente. Não tinha! Fiquei bege.... como assim, não tinha?

 

O que tinha, beeeem grande, era um cartaz escrito mais ou menos dessa forma: “NÃO FICA REVOLTADINHO NÃO PORQUE, SE NÃO, VAMOS TE ENQUADRAR EM CRIME DE DESACATO”. Com uma receptividade assim, quem não fica à vontade para cobrar seus direitos? Triste

 

O meu horário de atendimento estava marcado para às 16h e eram 16h10. Mas logo eu relaxei porque as pessoas que haviam agendado para às 15h15 ainda estavam aguardando ser chamadas no meio da maçaroca toda.

 

E bota maçaroca nisso. Havia meia dúzia de cadeiras para a espera de centenas de pessoas, entre elas idosos, gente sem perna, gente capenga, mulher barriguda de menino, mulher carregando menino. Eu me senti num campo de refugiado de guerra, sem eira nem beira.

 

 

Fui dando canelada no povo até chegar pertinho da porta de atendimento. Fiquei ali esperando alguma informação, com cara de “meu Deus, o que será isso?”. De repente, passa um senhor por trás de mim -eu estava atrapalhando a passagem dele, na real-, que dá uma ordem para alguém que estava, supostamente, tentando organizar a zona:

 

“Atende esse rapaz aqui. Tira ele aqui do meio do caminho e bota num cantinho”.

 

Graças à minha cadeirinha discreta e por eu estar atrapalhando a multidão, tive o ‘privilégio’ de passar na frente de todo mundo. Coisa mais esquisita do mundo. A seleção de atendimento especial seria feita pelo “olho”, então?! Como eu estava morrendo de medo de ter de ir pra cadeia por ‘desacatar’ alguém, fiquei sem perguntar.

 

Entro na sala de atendimento (tudo certinho, com rampa, assim como todos os outros locais da sede da PF) e o seu moço pede meus documentos. “Esse aqui não vale não.. num tem data”. Gelei.... entreguei outro papelzinho e passou.

 

“Caiu todo o sistema!”, gritou a mocinha em outro guichê. Aí eu já tava quase desistindo de ser cidadão e ter o “mardito do dicumento” que permite ir daqui para aculá sem ser clandestino.

 

Mas, rapidamente, voltou (e caiu mais duas vezes). Bati um retrato (não foi preciso sair da minha cadeira. Fizeram lá uns ajustes na câmera e acho que pelo menos a partir da testa aparece na foto Bobo). Tudo pronto, e eu quase livre daquilo...

 

 

“Agora é só imprimir o comprovante!”, disse o rapaz do atendimento. E, é claro, para completar a novela, “deu pau” na impressora, o papel ficou preso. Chama o seu técnico, olha daqui, olha dali... não tem jeito.

 

“Leva só o número do protocolo” e volta aqui para buscar o passaporte daqui a uma semana. E tem de ser você mesmo, heim?!

 

Ainda não voltei para o segundo capítulo. Tô fazendo uma novena para nossa senhora da bicletinha me ajudar... e vamo que vamo!

 

* Imagens do Google Imagens

Escrito por Jairo Marques às 00h03

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PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 37, jornalista pela UFMS e pós-graduado em jornalismo social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999. É colunista do caderno "Cotidiano".
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