Jairo Marques

Assim como você

 

Na praia com o Zé!

Muito eu ouço falar sobre uma tal cadeira de rodas ‘anfíbia’ que os malacabados mais prafrentex podem usar para se esbaldar na praia.

A bichinha tem uns rodões grandões que permitem deslizar na areia sem estourar a veia do pescoço de tanto fazer força. Na água, ela flutua de boa, possibilitando o ‘matrixiano’ a curtir o mar...

A realidade de um cadeirante na praia é bem ‘dificulitosa’, pois as rodas atolam na areia com uma facilidade incrível. Mas isso eu já contei várias vezes proceis, né? Clica no bozo quem não se lembra! Brincalhão

Apesar de eu ver várias fotos de gente curtindo com o novo equipamento, eu precisava de um relato de alguém próximo para botar fé de que o trem funcionava.

E o meu querido leitor José Maria, empresário mais bem sucedido que o “Aiqui Batista”, comprou uma dessas cadeiras e deitou o cabelo para a Bahia! Achei legalpracaramba.com.br! Agora, ele conta um bocadim sobre o funcionamento e as vantagens do trem...

Saquem só:

Sorte

No começo do ano, aluguei um apartamento no litoral de Sampa e os cinco dias que passei na praia entrei no mar apenas uma vez, graças aos surfistas  de uma escolinha de que tinha na praia. (Do tio: abraçado com um surfistão até eu ia, né, povo? Rindo a toa).

Fiquei muito chateado por não poder me locomover com minha cadeira pelas areias daquela praia maravilhosa e, naquele momento, decidi que iria comprar a qualquer custo uma cadeira de praia adaptada.

Marquei uma viagem para Ilhéus meio de última hora e se não fosse minha irmã Susana em insistir para que comprasse a “Praiana” (foi assim que a batizei a cadeira) iria ser mais uma viagem sem aproveitar as praias e os passeios lindos que a Bahia tem. 

A novidade chegou um dia antes da viagem e nem da caixa saiu, até agora não sei como coube tudo dentro do carro do meu pai: eu, Susana, nossas bagagens, minha cadeira top e a praiana. (Do tio: o que ele num disse é que o carro é uma jamantinha básica, né?! Tonto)

No aeroporto, check-in ok. Embarque no avião, ok. Chegada em Ilhéus, ok, desembarque.... opa, sem ok. Desci  na minha cadeira com dois funcionários da Gol: um na frente outro atrás, deu um medo.. ( Do tio: eu parei com isso faz alguns anos. Não tenho mais esse ânimo todo, não Sem jeito).

Em Ilhéus não há nem finger, nem ambulift, mas como toda viagem é uma aventura o meu medo logo acabou  ao tocar o solo baiano. A chegada no hotel  foi meio decepcionante, pois no site dizia “apartamentos especiais para pessoas com deficiência”, mas não havia barras na privada e nem cadeira no chuveiro. A suíte, porém, era bem espaçosa e confortável, isso eu não posso negar. Dava para andar legal com a cadeira, para mim estava  perfeito. 

No dia seguinte, era hora de estrear a praiana! Alugamos um palio 4 portas  e por uma estrada linda e cheia de visuais maravilhosos rodamos 70 km ate Itacaré.  É um passeio tão gostoso e uma estrada tão linda que você nem vê passar.

São milhares de coqueiros que beiram a estrada enchendo nossos olhos de belezas naturais que somente a Bahia tem. Escolhemos a praia da Concha para passar o dia e foi  ai que eu senti na pele a liberdade que a cadeira iria me proporcionar:

A bichinha é super fácil de montar e o translado para mim foi fácil do carro para a cadeira. É muito leve para quem  transporta ( Do tio: o malacabado não consegue se virar sozinho no equipamento. Ou tem companhia ou agarra na mão de nossa senhora da bicicletinha Muito triste).

Na cabana (é assim que chamam as barracas de praia na Bahia) o tratamento foi vip, Rauni, o cabra responsável pelo local, um verdadeiro camarada, não deixou minha irmã e minha prima me levarem nem uma vez no mar. Ele fazia questão de conduzir até a água.

Tudo isso na maior facilidade desse mundo.  Bebemos, comemos e nadamos muito. Fizemos amizade com os nativos e quando fomos embora já estava anoitecendo.  Uma nota para a praiana? Nota 1.000! ( Do tio: sei não esse negócio de ir pro mar com um caboclo com nome de índio e ainda beber e comer sem parar, heim? surpreso)

Daí pra frente continuou a alegria, praia de Itacarezinho, praia de Momoá, praia de Batuba  e todas elas acessíveis graças à praiana, e ao povo baiano que estão sempre prontos a ajudar! 

E minhas dicas de viagem são as seguintes:  não tenham medo de experimentar novas aventuras. É claro que não foi tudo fácil e pratico, nas cabanas, por exemplo, não têm banheiro acessível ( Do tio: a sugiro que urinem na frauda... numa ‘basilha’ de óleo...na cabeça do prefeito...).

Na cidade de ilhéus, as calçadas são piores que as de Sampa e as condições de ir e vir para um cadeirante são precárias. Mas, com tudo isso, posso garantir que foi uma das minhas melhores viagens! (Do tio: é isso mesmo, meu povo. A falta de condições estruturais não podem barrar a nossa vontade de se divertir, de fazer turismo, de aproveitar a vida. Claro que é punk, é difícil e a gente fica com calumdum de raiva, mas o caminho para melhorar o mundo é mostrar o tempo todo que estamos nele e que precisamos de condições para explorá-lo!) 

Quero agradecer a minha irmã e a minha prima que me deram uma “hand” nos traslados, ao povo baiano sempre prestativo e alegre e à  praiana, é claro, que me fez sentir na pele a natureza baiana.”
 
Em tempo: Algumas prefeituras aqui do litoral sul de São Paulo estão comprando essas cadeiras para o uso dos malacabados. Ainda são poucas, mas é um começo. Também há projetos sociais que colocam os matrixianos para molhar as partes no mar...

Seria muito legal que os vereadores país afora aprovassem leis que obrigassem hotéis, grandes quiosques, restaurantes, além do poder público a ter também equipamentos que permitam pessoas com deficiência a explorar a praia, que é de todos!

 *Fotos de arquivo pessoal

Escrito por Jairo Marques às 07h38

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Até breve, James

James Durbin tem autismo leve e levou o rock and roll para os palcos do reality "American Idol", dos Estados Unidos. Além do talento nato do garoto, sua explosão emocional incontida, chama demais a atenção.

Na real, chamava. Durbin caiu da competição na última semana surpreso, já quaaaase no finalzinho. Mas o sucesso já é consequência para ele. Na semana anterior à eliminação, ele se debulhou em lágrimas ao interpretar uma canção chamada “Without You”.

 

Olhem só que vontade de dar uma choradinha, ele deixa “nóistudo”, com a intensidade da interpretação:

Acho que em momentos de extrema pressão, as pessoas que passaram por algum tipo de ‘dificulidade’ árdua na vida tendem mesmo a dar uma ‘tremidinha’. No caso de James, que é permanentemente ‘vigiado’ por seu 'comportamento esquisito', ter de segurar a emoção e aparentar o máximo de 'normalidade' se torna ainda mais ‘complicoso’.

 

A gente pensa no caminhão de melancia que teve de descascar para provar que podia, pensa nos inúmeros julgamentos que passamos na vida, pensa que estamos diante de uma chance para que a história tome um rumo diferente da do preconceito, da exclusão, da visão distorcida sobre nós...

 

Em sua música de despedida, o rapaz não segura mais a peteca. Talvez pensando que teve “mais um fracasso”, mesmo ele já sendo um mega sucesso...

 

 

 

Para ler a coluna na Folha, que falo mais sobre o James, é só clicar no bozo! Brincalhão (link para assinantes UOL e Folha)

Escrito por Jairo Marques às 00h04

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PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 37, jornalista pela UFMS e pós-graduado em jornalismo social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999. É colunista do caderno "Cotidiano".
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