Jairo Marques

Assim como você

 

A terra em outro sentido

Na coluna de hoje, na Folha (assinantes Uol e do jornal é só clicar no trevo Sorte), o tio aborda a necessidade de haver uma TV para quem não vê. Afinal, o povo surdo dá uma ‘sofridinha’ para entender tudo o que rola nas telenovelas, jornais e tudomais.com.br

 

O recurso para que o povo que puxa cachorra consiga ‘ver’ televisão de forma bacana é a “audiodescrição”, que também ajuda um bocado os pessoais que tem deficiência intelectual. surpreso

 

 Aqui no blog, já passaram alguns exemplos do uso do recurso narrativo, que tem sido “esquecido” de ser implantado pelas grandes redes de TV. Insatisfeito

 

De qualquer forma, proponho que ‘ceistudo’ deem um play no vídeo abaixo e só se concentrem no áudio, fujam da imagem, mudem de página... É uma experiência sensorial bem bacanuda! Borá tentar?!

 

Para quem precisa do link direto, é só clicar no bozo! Brincalhão

 

Escrito por Jairo Marques às 07h07

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A aluninha...

Fui pego de surpresa. Totalmente de surpresa. E olha que tenho, apesar da dificuldade óbvia de rebolar Rindo a toa, um bom jogo de cintura para situações novas.

 

Aconteceu na semana passada, a primeira de volta às aulas. Acho que a maioria dos leitores sabe, mas o tio, além de quebrar pedra no jornal Muito triste, também é metido a professor. Quem quiser saber mais, clica no bozo...Brincalhão


 

Neste semestre, estou dando aulas para turmas iniciantes, aquele povo verdinho, cheio de curiosidade em relação ao futuro, em relação àqueles que estão ensinando, em relação a tudo e qualquer coisa.


Cheguei na sala (um laboratório, cheio de computadores, na real) cedinho, fiquei pensando na morte da bezerra e, aos poucos, a turma nova foi entrando, ressabiada e ligeiramente confusa: “É esse homi de cadeira de rodas o professor?”. E era...


Lá pelas tantas, eu já naquela adrenalina de solteirona para pegar buquê de noiva Bobo, levo um baque. Na porta da sala, uma cadeira de rodas, daquelas elétricas, mas que não dão choque, sacam?


À bordo, uma garota com não mais de 17 anos, se valer de algum coisa minhas impressões sobre aparências. Muito bonita, ligeiramente tímida, mas segura, atenta. Talvez já soubesse alguma coisa de mim, pois não esboçou a mínima sensação de “grande novidade”, como é para parte importante dos alunos.


Por alguns momentos, não posso ocultar isso, desmontei. Segurei firme a água do zóio, fechei a boca para o coração não saltar, mas meus pensamentos e a concentração foram impossíveis de manter em ordem.


O professor cadeirante, algo muito novo para um país ainda imaturo no acolhimento às diferenças, teria uma aluna também cadeirante. Tá chegando o domínio do mundo? Um pedacinho de um projeto ambicioso se cristalizando ali, na minha frente.

 

Porém, mais do que um idealismo maior de conjunto das pessoas com deficiência, a menina ‘malacabada’, minha aluna, me levou a uma viagem íntima, me levou a um espelho imenso de minha própria trajetória de vida.

Pensei no tempo que eu comecei a enfrentar essa nova e decisiva fase da vida, a universidade. Claro que eu morria de medo de tudo, da agressividade da estrutura urbana, do preconceito, da distância dos cuidados da minha mãe, mas eu sabia que era o meu único caminho.

 

Vendo a ‘menina’ cadeirante, ali, na minha sala de aula, senti um arrepio forte de trazer com tudo para a minha cabeça o tanto de obstáculos que -desculpem a falta de modéstia e um ar de melindre- tive de enfrentar, sozinho.


Depois de controlar a tempestade emocional inicial _afinal era preciso começar a ‘ditar regras e começar a aula_ fui tomado de euforia. Caprichei na “sedução” aos novatos como meu arsenal de graça, temperado com algum conhecimento do ofício de fabricar parágrafos. Não tenho dúvida que presenciei e vivi uma pequena, mas importantíssima revolução pela inclusão, pelo direito ao respeito ao diverso naquele momento.


 



 

Não sei nada da aluninha, nem o nome. Claro que torço para que ela goste do curso de jornalismo, goste das minhas broncas (eu sou mais bravo que cachorro de japonês como professor Convencido), que tenha uma brilhante carreira. Mas aí são outros quinhentos...


Independentemente disso, de mim, nunca mais ninguém tirará aquele momento histórico da minha vida e também para meus amigos, meus ‘seguidores’ e ‘perseguidores’, apoiadores, admiradores, leitores...


Ao final da aula, já parecendo que havia captado meu ‘gingado’ emocional, a aluninha, linda, linda, se despede de um jeito pueril e com um sorrizinho no canto da boca: “Tchau, professor”...


Em tempo: Zente, o blog, cada vez mais entrando nas 'modernidadchi', agora tem as própria comunidade no Facebook. O link está na coluna das direita. Também já é possível 'ceitudo' colocarem o link deste post diretamente nas suas contas de twitter, do Face e dos Orkut. É só clicar nos 'recursinhos' que estão logo aqui abaixo!

 

*Imagens do Google Imagens

Escrito por Jairo Marques às 00h03

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PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 37, jornalista pela UFMS e pós-graduado em jornalismo social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999. É colunista do caderno "Cotidiano".
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