Jairo Marques

Assim como você

 

Bahia.... terra da felicidade!

Um monte de relatos de viagens já passaram aqui pelo blog. Algumas minhas (na maionese Bobo) e outras dos leitores ‘malacabados’ que encararam o mundo carregando sua muletas, seus cachorros-guias, suas próteses, suas cadeiras de rodas.

 

O diário de bordo de hoje, porém, é muito especial sob diversos aspectos: é feito por um ‘matrixiano’ que tem limitações de movimentos bem severas, ou seja, é bem mamulengo Tonto; a viagem não foi para um lugar todo cheio de ‘gramur’, acessível. Além disso, o cabra usa ‘cadeira elétrica’, que tem uma dinâmica bem menor que as manuais.

 

Meu querido amigo Leandro Kdeira deitou o cabelo, de férias, no mês passado, para o interior da Bahia. As imagens e as palavras dele vão fazer todo mundo viajar junto no drible das “dificuldades”, do “impossível”.

 

 

Para quem vive no mundo paralelo da Matrix, pegar um bumba, desbravar terras, enfrentar o desconhecido carece de muita coragem, de muita vontade, de um bocado de determinação. O post de hoje, tem tudo isso... O Leandrão, 'di certeza', fincou mais uma estaca de marcação de território para o domínio do mundo

 

Boa leitura... ótimo final de semana e beijo nas crianças!

 

Sorte

 

Como em São Paulo só chove, nessas férias, resolvi pegar um bronze lá na Bahia, mas logo vou dizendo, não fui para cidades de grande agito, como, Salvador, Porto Seguro, fui para casa da minha avó, bemmmmm no interior do Estado. A cidade se chama Sitio do Mato, é esse mesmo o nome, põe no Google que você acha. Muito triste

 

 

 

Antes de falar da cidade, registro que para chegar lá enfrentei, juntamente com a minha tia  Val, mais de 20 horas de viagem dentro de um busão. Detalhe: eu não descia do ônibus para nada (xixi era na garrafa.. Com vergonha), pois como se sabe, os ditos ônibus de viagem que tem o símbolo de acessibilidade são pura enganação. As portas são estreitas. Para que eu pudesse entrar (no colinho) foi um “deunusacuda”, mesmo eu sendo magrinho Carente.

 

 

 

Passado o perrengue da viagem e chegando a Sitio do Mato, (gravem bem esse nome), cidade com cerca de 13 mil habitantes, notei que todo mundo se conhecia e as pessoas quando passavam sempre diziam “bom dia”, mesmo sem nunca terem me visto. Encontrei ali belas paisagens naturais, como o rio São Francisco e suas ilhas.

 

 

 

 

 

Locais acessíveis na cidade? Lóóóóóógico que NÃO EXISTEM! (O único lugar que eu vi com acesso lá foi na casa da minha vózinha querida, que mandou rebaixar um degrau da porta para que eu pudesse transitar livremente).

 

Agora se acham que eu fiquei entocado dentro de casa, se enganaram !"Andei" foi muito viu, mesmo as ruas sendo feitas daquelas pedras em formato de paralelepípedo, que faziam com que a cadeira pulasse que era uma beleza, eu não sossegava.

 

Nos lugares mais complicados, sempre havia vários amigos para me ajudar, exemplo disso, foi o dia que fui com uma galera para uma fazenda. O primeiro obstáculo que surgiu foi no transporte, pois o Busão era bem velho e para entrar tiveram que me erguer com cadeira e tudo para dentro!

 

 

 

 

No local, era mato, pedra e barro pra todo lado. Para chegar a um determinado ponto da fazenda, tínhamos que fazer o trajeto “a pé”.  E parodiando Carlos Drummond de Andrade, “e no meio do caminho tinha lama, tinha lama do meio do caminho”.

 

 

 

Naquele lamaçal todo pensei: “e agora?”. Quando já estava desistindo de continuar, juntaram-se uns seis "homi" forte (ui), me ergueram junto com a cadeira, entram na lama até o tornozelo e atravessaram. Pena que não deu pra tirar foto desse momento!

 

 

 

 

 

Foram dois pneus furados, um parafuso da roda quebrado, mas os momentos prazerosos de intensa alegria que vivi ali são impagáveis.

 

* Imagens de arquivo pessoal

Escrito por Jairo Marques às 00h01

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Anúncio na lomba?

Calma, meu povo. O tio ainda não endoideceu de tudo e nem tá fazendo propaganda pra vender os espaço editoral do blog, não....

Acontece que, na semana passada, recebi uma mensagem de um empresário que me deixou com a vó atrás do toco (conhecem essa? Muito triste). Em principio, achei que era brincadeira, mas depois, vi que era ‘di certeza’ o negócio....

 

Saquem a polêmica proposta:

 

“Desenvolvemos um pequeno painel publicitário que se adapta a qualquer cadeira de rodas. Nosso projeto está em fase de registro de patente e, em breve, estaremos trabalhando com o mesmo. Nossa direção seria no sentido de parcerias diretamente com o cadeirante, tal qual uma franquia, o cadeirante teria sua própria empresa, registrada no seu município e nossa empresa daria o suporte técnico e a manutenção no equipamento.”

 

 

 

Imaginaram o trem? Uma plaquinha luminosa fazendo anúncios publicitários na cacunda da cadeira de rodas.... Manjam aqueles homens placa que ficam zanzando pelas ruas movimentas das grandes cidades?!

 

A minha impressão inicial foi de espanto total com essa “inovação”. “Como assim, vai transformar o cavalo da gente em lugar pra pender propaganda?”

 

E continuem lendo a carta do empresário...

 

 

 

“Nossa mídia possibilita a inserção de 18 mensagens publicitária de anunciantes a um custo mínimo para este de R$ 150 a quinzena, o que daria um faturamento bruto mínimo de R$ 5.400 ao mês, preço muito bom, pois se pesquisar notara que um outdoor de rua custa aproximadamente R$ 600,00 a quinzena conforme a cidade e a região”.

 

A minha lomba, então, por mês, pode render cinco mil cruzeiros?! “Teressante” demais da conta, né?! Tem lomba ai que eu não pagaria nem um real pegando fogo... Bobo.

 

Contudo, nesta conta, é preciso imaginar que, todos os meses, o ‘malacabado’ conseguiria 36 anunciantes, caso não feche nenhum acordo mais longo. Coisa pouca, né, não?! Bem humorado

 

Quem ainda não conseguiu imaginar como o trem funcionaria, vou desenhar.. Rindo a toa

 

“O painel é composto por uma caixa de componentes que não necessita ser ligada à rede elétrica e que fica fixada na parte traseira da cadeira de rodas e pode ser colocado e tirado com toda facilidade. O painel reproduz imagens e sons como se fosse uma TV. Na tela passariam propagandas de lojas e comércios locais e também campanhas contra a dengue, vacinações e eventos promovidos pelas prefeituras.”

 

 

 

Como já escrevi diveeeersas vezes aqui, a cadeira de rodas, para quem a usa durante muito tempo, passa a ser, praticamente, uma parte do corpo, um órgão fundamental para o nosso bem estar.

 

Imaginem, então, os “infiltrados” pendurando no pescoço _ou tatuando perto da bunda_ uma placa com os inscritos: “Vendo casa de fundos, tratar aqui”.

 

“Ahhh, tio, pagando bem, que mal tem?”

 

“Sinceramentchi”, ainda não tenho opinião completamente formada em relação ao treco. Seria humilhante, indigno ou seria uma maneira de conseguir uma grana para levar a vida?!

 

Os idealizadores do projeto defendem que pessoas com dificuldade de conseguir emprego podem ter uma forma de sustento cedendo espaço na lomba para anunciantes e que a iniciativa é algo que promove a inclusão.

 

Que ‘ceis tudo’ acham disso, heim?!

 

 

*Imagens do Google Imagens

Escrito por Jairo Marques às 00h02

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Exercite a tolerância

Penso que a intolerância, na maioria das vezes, é filha primeira da pressa de ver no outro características que supostamente nos agridam ou que para o nosso mundo (ou mundinho?) sejam inconcebíveis.

 

E quantas e quantas vezes cada um de nós nos enganamos na avaliação precipitada que fazemos da imagem dos outros quando ‘aceitamos’ olhar mais de perto aqueles que julgamos como esquisito, estranho, diferente demais.

 

O que uma pessoa é em sua essência não necessariamente está estampado em suas formas físicas, suas escolhas, suas vontades. Quando a gente é ligeiro demais ao avaliar alguém, a gente de estarmos perdendo uma fortuna é imensa!

 

O curta metragem que trago hoje é um belíssimo exercício para avaliarmos o nosso “nível” de tolerância. É também uma história instigante sobre adolescência e deficiência,

 

A história não nos provocaria tanto, talvez, se o protagonista não fosse um prejudicado das vistas….

 

O vídeo é instigante do começo ao fim… No início, a abordagem vai ao encontro do que discuti na minha última coluna na Folha, sobre ‘malacabados’ e escolas (para ler, clica no bozo! Brincalhão. Ass. Uol e do jornal).

 

Se não der para ver tudo de uma vez, vejam de golinhos…. Vale a pena!

 

Em tempo: A produção do filme, gentilmente, já atendeu a uma demanda dos leitores surdos e colocou legendas. Para acessá-las, vá ao link direto do filme e clique em CC! 

 

Para o link direto, clique aqui!

Escrito por Jairo Marques às 00h06

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PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 37, jornalista pela UFMS e pós-graduado em jornalismo social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999. É colunista do caderno "Cotidiano".
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