Jairo Marques

Assim como você

 

A melhor fase da minha vida

Nesta primeira semana da retomada das ‘atividadchis’ do blog, queria trazer pra vocês algo que levasse frescor (ui), que dessa um gás para recomeçar, para tirar a poeira, para agir...

Tenho claro na minha cabeça que um dos grandes motivos que empatam a vida de alguns “malacabados” é um pouco de medo de arriscar, de saber se vai dar certo, se vai ter forças para conquistar.


Fácil, nem abrir lada de massa de tomate é Bobo, mas possível, com vontade, com garra, com planejamento, dá! 

 

Fernandinha, minha conterrânea, é seguramente da escola da inigualável Tabata Contri. Desfila simpatia, sorrisos, belezura, vontade, e vai ajudar muuito a mudar a cara das pessoas com deficiência no Brasil, sil, sil...

Neste momento, ela avalia estar vivendo “o melhor momento da vida”.... mal sabe ela que o ‘maraviwonderful’ da existência sempre está por vir! Mas, saibam a razão dessa felicidade e como ela chegou lá!

 Sorte

“Quando tinha sete anos, sofri um acidente com arma de fogo que me deixou paraplégica. Eu era criança, não tinha noção de como seria minha vida numa cadeira de rodas. Ao longo do tempo fui me adaptando, crescendo, me redescobrindo... toquei em frente.

Cheguei à adolescência e senti necessidade de começar a me virar sozinha, de ser independente, de começar uma nova fase. Meus primeiros paqueras, as baladas, e o meu tão esperado Ensino Médio. Era hora de criar um pouco mais de responsabilidade, levar mais a sério os estudos e escolher minha futura profissão.

 

Sempre tive consciência de que poderia escolher qualquer curso, pois o fato de estar na cadeira de rodas não me impossibilitaria de fazer absolutamente nada. Então, optei pelo Direito, um curso que eu sempre gostei. Fiz vestibular logo que terminei o terceiro ano.

Mudei de cidade e a vida também mudou bastante. Tudo pra mim está sendo novidade. Sendo a única cadeirante do curso, já no primeiro dia de aula eu observava a todo instante olhares curiosos, interrogativos, disfarçados... e vários sorrisos. Sorriam sem graça, mas sorriam!


Algumas pessoas eu já conheciam, outras nunca tinha visto na vida. Uns jovens, outros um pouco mais velhos... Tanto eu quanto os outros calouros participamos do trote e foi aquela loucura, gritaria, farinha, tinta, bebedeira, música, e claro, a descoberta de novas amizades.

 


 

Logo que fiz a matrícula exigi os meus direitos. Tenho acesso ao bloco inteiro, e o banheiro acessível é usado só por quem precisa. Mas...como nem tudo são flores, a Universidade não é totalmente acessível. Por exemplo, se eu quiser ir ao bloco onde ficam os outros cursos, tenho que dar uma volta enorme porque é tudo escadaria.

Mas isso também não é problema, já sou amiga de todos os guardinhas e eles sempre me dão uma mão quando preciso. Pedi também uma rampa na sala de aula, no lugar onde apresentamos os trabalhos. Pouco a pouco as coisas estão melhorando, pretendo sair de lá daqui quatro anos e vê-la completamente acessível.



 

Além da Universidade se adaptar, os colegas da turma também se adaptaram a mim dentro da sala. Hoje não percebo mais os olhares, nem os sorrisos sem graça. Algumas pessoas até hoje acham que os professores são meus “puxa saco” pelo fato de estar na cadeira, mas não me importo.

Estou conquistando meu espaço, mostrando que não sou “coitadinha”, que não estou ali de cabeça baixa em busca de apenas um diploma, e sim da minha realização profissional. 


Já fiz muita amizade nova, fazemos grupos de estudo, saio bastante. Sinto que esse momento que estou vivendo é único, nunca aproveitei tanto como estou aproveitando agora. E sim, dá para um lesado medular conciliar os contratempos do dia a dia com a faculdade, os estudos, e as festas claro.Rindo a toa

Agora, em 2011, estou indo para o meu segundo ano de faculdade. Tenho novos planos, novas expectativas... Cada dia é um novo desafio, eu aprendo mais, estou amadurecendo, crescendo como mulher, como ser humano, e conquistando meus objetivos.


Dificuldades sempre irão surgir, estou disposta a enfrentá-las, aproveitar, dar o máximo de mim e continuar seguindo em busca do meu sonho, afinal, essa está sendo a melhor fase da minha vida!

* Fotos de arquivo pessoal de Fernanda Willeman

Escrito por Jairo Marques às 00h03

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Um cego no BBB?

Já recebi muita mensagem de gente perguntando o que eu acho de ter um ‘malacabado’ nessa bobagem que é o Big Brother.

 

Um leitor, surdo, até se candidatou ao BBB e me mandou uma mensagem assim:

 

“Sei que você é cadeirante. Eu tenho deficiência auditiva e gostaria que soubesse que sou candidato tentado uma vaga ao BBB e meu objetivo é representar os deficientes de todo o Brasil nessa casa tão vigiada.

 

Então, pensei que poderia ser algo que possa se interessar, pois jamais um representante deficiente entrou naquela casa. A produção diz que a casa não está preparada. Estou lutando muito por isso.”

 

Meu povo, pra mim, ter uma pessoa sem perna ou sem braço, ou que arraste cachorro, ou que anda de cadeira de rodas, ou que seja estropiada em geral naquele castelo de narcisos (falei boniiiito, heim Entorpecido) não tem a menor relevância e passa longe da minha ideia defender que haja pluralidade de perfis físicos naquilo....

 

 

 

Acho que uma pessoa com deficiência dentro da tal casa seria, em pouco tempo, alvo preferencial de chacotas dos que se acham a última bolacha do pacote. Sem falar que, uma fragilidade física poderia também representar uma vantagem do competidor diante do público que adora um ‘coitadinho’.

 

“Ah, vou torcer pra esse minino capenga... tadinho, ele merece, já sofreu tanto.”

 

Não consigo me convencer que um ‘matrixiano’ no roll das ‘celebridadchis’ de araque que formam o programa seria um estandarte da defesa da causa da acessibilidade, da inclusão.

 

O público liga a TV naquilo pra ver umas bundas Embaraçado, pra ver briga, intriga, futrica... não para se tornar mais consciente da realidade do país, né, não?!

 

Acho que o debate do “estarmos juntos” não pode ser radical ao ponto de querer controlar roteiros, conteúdos, formas e intenções. Me dá urticária que o avanço do debate da inclusão esbarre na liberdade da expressão.

 

Claaaaro que eu não estou defendendo que role uma “proibição” da presença de gente deficiente no programa, o que seria um absurdo. Porém, também não me apetece defender a diversidade a qualquer custo.

 

Se um dia um candidato malacabado tiver as características esperadas pela produção do programa (vou me conter e não citar nenhuma Rindo a toa), naturalmente, talvez, veremos um cegão, um tetrão se esbaldando lá naquela piscina... caso contrário...

 

 

E uma casa só de gente abatida da guerra, como já rolou na Inglaterra ou na Alemanha, não me lembro, já faz um tempinho, seria uma iniciativa bacana?!

 

Pelo que me lembro, foi sucesso de audiência e os conflitos que aconteceram foram bem parecidos aos da casa dos “certinhos”... Não seria estranho levantar a bandeira que um programa assim seria excludente?!

Escrito por Jairo Marques às 16h15

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Cadeirantes e guarda-chuvas

“Zente”, rolou uma ‘xodades’? Convencido Mas estou de volta! Aêêê.. e com as novidadchis tudo! Nem preciso falar muita coisa.. ta tudo explicado ai no vídeo abaixo!

 

Quase não tem edição, foi pá pum! Então, vão desculpando os erros! 

 

Nem quero virar ‘celebridades’ dos vídeos… é só mesmo pra dar uma diferençada nos posts! Rindo a toa

 

Depois contem nos coments o que acharam!

 

 Em tempo: Pra quem não consegue visualizar o vídeo aqui, clica no bozo que eu levo pro link direto! Brincalhão

Escrito por Jairo Marques às 00h00

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PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 37, jornalista pela UFMS e pós-graduado em jornalismo social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999. É colunista do caderno "Cotidiano".
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