Jairo Marques

Assim como você

 

Sinta a música

Não sei ‘qualé’ o raio que esses programas de “reality” musicais têm que me fazem ficar em frente da televisão por hooooras.

 

Afora uns dois ou três candidatos que escapam, o resto manda uns urros que só por ‘gzuis’ pra salvar os tímpanos surpreso. Mas admito que nas fases iniciais, dou boas risadas lá em casa com a avacalhação que os jurados fazem com algumas 'vítimas'.

 

“Mas esse blog é agora é sobre música, véio doido?”

 

Nem é, nem é, meu povo! Acontece que, não vou mentir, torço mais do que 'curintiano' pra ganhar a Libertadores (o que, cá pra nós...dexa pra lá) quando vejo um ‘malacabado’ concorrendo. Admito um certo bairrismo para a minha classe, admito.. Inocente

 

E sempre tem um cego, um surdo, um cadeirante, um ser se equilibrando nas muletas nessas competições soltando o gogó. O que me deixa ‘nelvoso’ é que, na maioria das vezes, a deficiência passa uma mensagem maior do que a música aos jurados.

 

Faz parte do jogo? Acho que sim. O primeiro “impacto” da presença de um ‘matrixiano’ limpinho, seja onde for, é invariavelmente o de “puuuxa vida, olha que exeeeemplo. Tá aqui, vivendo, não entregou os pontos!”

 

Acontece que, numa dessas, o talento pode ficar ocultado pelo “espírito da superação” tão somente. Não me lembro de nenhum caso que tenha havido uma mega injustiça com um ‘malacabado’, mas percebo que quando ‘somos’ eliminado rola uma passada de pano do tipo: “sua voz é linda, sua garra é show, mas cantar...”

 

O caso que está no videozinho abaixo, realizado por “Silvetz Dutra Production”, contudo, me deixou de coraçãozinho partido... Beijo

 

A única coisa que entendo de dança é aquela máxima de um desses funkeiros (é funkeiro que fala?) “se ela dança, eu danço” , mas achei taaaao legal o que essa moça fez no palco... torci tanto pra ela.... (Tá, num vou contar o que aconteceu... Rindo a toa)

 

Em resumo, uma linda loira (motivação para os marmanjos verem o vídeo Legal), com o escutador de novela totalmente prejudicado, dança que é uma beleza... e vai participar de um desses realities lá nos “Estadusunidos”.

 

Ela não ouve, mas sente... enfim... é lindo...

 

 

Escrito por Jairo Marques às 00h35

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A casinha

Não sei se quem me acompanha há muito tempo este espaço já reparou, mas escrevo pouquíssimo sobre como foi o meu processo de “malacabamento” e a minha reabilitação de um serzinho totalmente tortinho pra esse ‘minino bão’ e corado que vos pede um tempinho de leitura quase todos os dias. Sem jeito

 E as razões para isso não são somente para afastar da mente um período dolorido, dolorido.... Acho que tem também motivação de memória fraca Rindo a toa. Lembro de pouca coisa do período punk que passei, mesmo eu tendo terminado meus tratamentos à beira da adolescência.

E também tem o fato de que de lá para cá a velocidade dos acontecimentos foi tão frenética que nem sei o que foi, só o que é, o que está sendo... (está frase ficou parecendo o Zilberto Zel falando, né? Muito triste)

Mas de vez em quando, não nego, me vem uns relances do tempo que eu dava uma sofridinha devido ao corpo engessado, às cirurgias de horas e horas, de hematomas, de fisioterapia hard num corpinho pequeno, de remédios ruins demais da conta, de choros....

Um dia ainda relato aqui isso de forma mais detalhada. Sei que fico saltitante que nem a Alice no País das ‘Magavilhas’ ao falar sobre ser da ‘Matrix’, mas o tio já padeceu um bocadinho, viu? Carente

Dentro desses lances de lembranças, durante as minhas férias, como é rotina, passei alguns dias na minha terra natal, as “Trelagoa”, pra ver os amigos, os cachorros e a ‘famiage’.

Pra minha surpresa, dando uma voltinha pela city com minha mama, me deparo com uma casinha amarela, toda lascada, de esquina, bem velinha.

 

“Mãe, foi aqui que eu fiquei doente, num foi?” (pra quem não sabe, fui vítima da paralisia infantil, aos nove meses de idade, que levou movimentos das pernas e prejudicou meu braço esquerdo)

“Não, filho, foi em outra casa, ainda mais simples que essa. Mas nós moramos aqui por vários anos. Lembrou?”

A casinha, lá no tempo do epa, tinha uma varanda, que agora foi fechada. Ali, pra mim, começa a minha história como ‘serumano’ não andante. Lembro de ficar num balancinho, com os cambitinhos finiiinhos indo de um lado para o outro, lembro de me arrastar pela varanda, lembro dos meus irmãos correndo...

Costumo brincar com meus amigos dizendo que “se eu fui pobre algum dia na vida, eu num lembro” Muito triste. Mas, só sei que, de relance, busquei na mente o tempo da casinha e do meu comecinho como deficiente...

De novo, não sei qual a razão deste post. É um lance meio íntimo, reflexivo... Sei lá, talvez sirva para vocês pensarem um pouco sobre "o começo" de si próprios também!

* Imagem de arquivo pessoal

Escrito por Jairo Marques às 00h45

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PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 37, jornalista pela UFMS e pós-graduado em jornalismo social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999. É colunista do caderno "Cotidiano".
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