Jairo Marques

Assim como você

 

Entre cadeiras e asas

Vivo me cobrando por não ir ao teatro com a frequencia que minha cabeça inquieta cobra. E não é pela bobagem de a arte da interpretação ser supostamente “cult”, afinal eu sou um jacu do brejo Carente, mas é que tenho um interesse imenso por histórias.

Desconsidero se o lugar será desconfortável, se vai haver degraus... isso já é comum de enfrentar, de reclamar, de tentar mudar. Penso mesmo é nas ideias e nas reflexões que vou ‘roubar’ daqueles que estão no palco....

Costumo dizer pros meus ‘aluninhos’ que a observação, a atenção às atitudes e palavras dos outros é fonte inesgotável de informação e de inspiração para  o jornalismo...

Ontem (19), não é que pula na tela do meu computador um convite para uma peça que, aparentemente, não tem naaaada a ver com um blog de ‘malacabados’... aparentemente....

"Eles não podem se tocar nem se mexer, como se o amor não fosse para essa época, mas o espírito do casal se une em um salto libertador: eles se jogam pela janela e saem voando, transcendendo a paralisia dos tempos, o reino da quantidade superficial. E depois de tudo, como seria o primeiro dia?"

Esse é um trechinho da sinopse de "O Primeiro Dia Depois de Tudo", do dramaturgo Leo Lama, que é filho de Plínio Marcos e da atriz Walderez de Barros.

O cara colocou dois atores _Priscilla Carvalho e Leonardo Ventura_, que não são ‘matrixianos’, em cadeiras de rodas, mas ... com asas. É tudo o que as pessoas com deficiência de bem com a vida vivem falando.

O corpo é muito mais do que o senso comum avalia que é, e para o autor da peça, ele tem sofrido “um massacre” com o excesso de movimentos e com essa falta de consciência do que representa.

Então, ele botou atores bem paradinhos, em cadeira de rodas, para que o público se prendesse ao texto, à interpretação e, que construísse por si mesmo as imagens... Doido, né, não?! surpreso

O Leo também colocou na roda a discussão do que é ser livre e o que é ser paralisado quando todos, independentemente do tipo de movimento que podemos fazer, estamos sempre achando que é possível ir além do que nossa realidade impõe e permite. (esse parágrafo vai ter de ser relido algumas vezes, eu sei! Rindo a toa)

A estreia do espetáculo para o público é hoje, aqui em São Paulo. Fica o convite pro ‘ceistudo’.

Mais detalhes?

Quando: De 20 de Agosto até 08 de Outubro de 2010; quintas e sextas

Que horas: às 21h30

Onde: Teatro Imprensa – Sala Vitrine. Rua Jaceguai, 400 – Centro. São Paulo

Informações: (11) 3241-4203

Ingresso: inteira R$ 20,00 / meia R$ 10,00

 

* Fotos de divulgação

Escrito por Jairo Marques às 00h00

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Rumo ao Sul

Sou comedor de arroz com feijão, um ‘minino bão’ que ta levando em frente uma meta simples e descomplicada: dominar o mundo e entregar ele pras mãos pro povo ‘malacabado’, os 'matrixianos'.Convencido

Penso que essa ‘dominação’ vai fazer com que todo o mundo tenha oportunidades iguais de ir e vir, de estudar, de trabalhar, de interagir em sociedade de ser um cidadão sem ter de enfrentar olhares desabonadores, obstáculos físicos e comportamentais.

E pra minha imensa alegria, cada vez mais um batalhão de gente se une nessa ideia mais doida do que o ‘veio do saco’ Rindo a toa e quer promover inclusão. Exige que esse universo paralelo em que foram jogados os deficientes acabe de vez e que ‘noistudo’ possamos desfrutar da vida de forma equânime.

Mas nessa ‘guerra’ da dominação, vez ou outra é preciso chacoalhar os soldados, berrar bem algo por ‘alerta’, montar novas estratégias ou, quem sabe, apelar para o sobrenatural, para o mitológico, para os deuses da chuva surpreso.... para a força do... DRAGÃO! Aêêê!!

É com muito orgulho e com muito vigor que chamo o povo do sul, o povo gaúcho (onde eu tenho, ‘di certeza’ pelo menos uns... doooois leitores Inocente) para tomarem, no próximo domingo (22/08), o Parque da Redenção, em Porto Alegre (RS), para a passeata do Movimento Superação!

Será a primeira vez que a capital do Rio Grande do Sul irá abrigar a manifestação dos ‘matrixianos’ que vão cobrar mais acessos, mais cumprimento dos nossos direitos, mais tudodebao.com.br! Beijo

Você num é lascado? Pô, mas mesmo assim vai lá, nego! Mostre que essa causa é justa e o que não falta é gente que a apóie! Bora lá as patricinhas, as loiraças, os marombados, os engomadinhos, os intelectuais, os estudantes, os que juram serem ‘normais’!!!

 Bora lá, o povo que puxa cão-guia, o povo que tem prejuízo no escutador de novela, o povo que é ‘mancueba’, o povo montado em cadeira de roda, o povo que baba um pouquinho, mas é tudo gente nooossa!!! Bem humorado

O Movimento Superação agora finca sua bandeira por um mundo mais justo em São Paulo, no Rio de Janeiro, na Argentina... e em Porto Alegre!!!!

 

 

Tudo em miúdos:

Ahã? Como assim cê fala? Primeira Passeata do Movimento Superação em Porto Alegre

Onde que é o trem? Concentração na Av. Setembrino, próximo ao portão da Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Que hora que é? A partir das 13h30. A saída será às 14h30

E o que tem lá? Um montão de gente de cadeira de rodas, um monte de sorrisos, trio-elétrico, e tudibom.com.br!

Pra que eu vou lá? Pra um mundo melhor, mais inclusivo, mais acessível para todos!

Escrito por Jairo Marques às 00h02

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Para uma ajuda perfeita!

Tô sempre colocando aqui dicas de como o povo “infiltrado” (aqueles que não tem deficiência nenhuma, mas apóiam o nosso projetodos matrixianos de dominar o mundo Muito feliz) pode fazer para dar aquela hand pra ‘nói’, os ‘malacados’.

A gente tá sempre dando um trabaaaalho danado Rindo a toa, mas nem vem que não é de qualquer maneira que podem ir pegando (ui) no nosso corpinho, na nossa cadeirinha de rodas, puxando nosso cão-guia. Tem que ser com carinho, com jeitinho (nossa, acho que bebi uma água esquisita ontem Beijo)

Esse vídeo que segue abaixo é um exemplo de... como urinar fora do penico surpreso. Tá bem, vai... vou escrever certinho.... como não acertar no gol! Agir de forma desastrosa com uma pessoa que tem os ‘zóios’ prejudicados, os cegos.

Eu já fiz uma relação de dicas para ajudar esses meninos. Quem não viu (ou leu, né Muito triste), basta clicar no bozo Brincalhão. Mas esse pessoal da “Dona Filmes” dá um show. Tá engraçado demais essa passagem e deixa bem claro os erros que cometemos no trato com um cego e, melhor: mostra como fazer o certo! Aêêê

Acho que vão gostar e dar boas risadas! Ah, e hoje tem o tio no jornal (fico buzinando isso sem parar agora, né?! Me gueeenta! Legal)

 

Escrito por Jairo Marques às 00h03

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Falta de Censo

Sei que tô mais atrasado do que ônibus na periferia para entrar nesta discussão, mas antes à tarde do que de madrugada, ainda mais com esse frio que tem feito em São Paulo, né, não?Abismado

No começo deste mês de agosto, que, dizem por ai, ser o mês do cachorro louco, os ‘pessoal’ do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) começaram a apertar a campainha ou a bater palmas na frente da casa de ‘nóistudo’ pra mode contar quantos gatos pingados tem nesse país e suas características... Muito triste

O Censo não serve ‘difinitivamente’ apenas pra fazer aqueles gráficos cheios de números que a gente fica todo ‘trapaiado’ pra ler nas aulas de geografia.

É com base nas descobertas que ele revela é que os governantes (alguns, é claroInsatisfeito ) elaboram políticas públicas e ações que vão nortear a vida das pessoas (falei bonito, admitam!).

Um país que não sabe ao certo quantas pessoas com deficiência tem vai sempre ignorá-las, afinal, qual o registro oficial da presença dessa “gente”? O que temos atualmente é uma estimativa que me parece mais furada que os bolsos das minhas pula-brejos: 10% da população brasileira.

E a perguntação dos recenseadores é um catatau de coisas que não acaba mais: “Quanto que cê ganha? Quantos anos 6 têm? Que cor 6 são? Quantos anos 6 têm?”, mas nada sobre sua realidade física ou sensorial.

Pra que vão querer saber que neste país existe uma multidão de gente sem braço, sem perna, que puxa cachorro, que tem o escutador de novela prejudicado, que anda montado em cadeira de roda?

Imagine se “descobrirem” comprovadamente que somos tantos que é capaz de lotarmos uma Kombi, uma Variant, um Corcel e mais um Chevette Indeciso.

Que não estamos nas ruas porque a rua nos rejeita. Que não vamos à escola porque ela é cheia de degraus e não tem professores que saibam lidar com uma criança cega. Que nos furtamos do lazer porque parques públicos e não são acessíveis pra ninguém.

Para o Censo 2010, os ‘malacabados’ vão continuar num mundo paralelo, vão continuar não existindo oficialmente. Vão continuar sendo uma “estimativa” de gente. 

“Ahhh, mas vai rolar uma contagem por amostragem dos dificientes. Para de ser ingrato, seu, seu, seu... bobo!” Bobo

Se amostra fosse bom, ninguém mais comprava perfume, nem sabão em pó. Amostra é um exemplo, é uma pequena parcela do todo. A gente precisa é de saber qual é a realidade, sem remendos.

Houve um monte de protesto por essa atitude do IBGE: o Ministério Público tentou interceder, argumentos e mais argumentos foram postos para que o instituto fizesse a contagem detalhada, mas, nem ‘tchum’. Vai continuar a “amostragem”.

E pensar que o nosso presidente teria de ser o número UM a defender e cobrar por essa contagem, pois ele tem movimentos limitados em uma mão. Mas, como a pesquisa já está na rua, pelo jeito, teremos de ser “ninguém”, invisíveis, por mais dez anos. Pelo menos nas estatísticas oficiais, pois eu e “minha turma” vamos continuar no projeto de DOMINAR O MUNDO e somos muitos... muuuuitos!!! Nervoso

Em tempo: Amanhã (17) tem coluna do tio no caderno Cotidiano, na Folha! Dá ibope panóis, heim!? Bem humorado

*Imagens do Google Imagens

Escrito por Jairo Marques às 00h04

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PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 37, jornalista pela UFMS e pós-graduado em jornalismo social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999. É colunista do caderno "Cotidiano".
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