Jairo Marques

Assim como você

 

F123.org

Fico bege com o poder das tecnologia tudo em conseguir mudar a vida das pessoas, na maioria das vezes, para melhor.

Foi as internets que facilitou o contato e a interação entre pessoas de todo canto, foram os computadores que permitiram acomodar informações aos quilos e guardá-las lá por milênios...

Arrisco dizer, contudo, que entre os que mais tiraram proveito dos avanços digitais estão os ‘matrixianos’, afinal, para quem limitação de mobilidade, nada melhor do que algo que faça a gente cruzar o mundo num clique, num é não?! surpreso

Uma repórter que trabalha comigo aqui na fábrica de fazer jornal, a Estelita Hass Carazzai, descobriu mais um invento das ‘modernidachi’ que pode auxiliar milhares de pessoas ‘malacabadas’ do planeta e melhor, de grátis! Aêêêê Bem humorado

“Dois pesquisadores brasileiros lançaram, em abril, um programa que faz com que qualquer computador se torne acessível a cegos ou deficientes motores com a simples inserção de um pendrive.

Apelidado de F123.org, foi elaborado pelos consultores Fernando Botelho, que é cego, e sua esposa Flávia de Paula. O software está disponível para download no site www.f123.org, e pode ser instalado em qualquer pendrive que tenha, no mínimo, 1 GB de memória.”

“Uai, tio, mas como que o trem faz sentido?”. Então, quando o pendrive é inserido em um computador (ui Beijo), ele roda um sistema operação que torna a máquina em uso acessível. Para os cegos, ele irá fazer com que todos os programas sejam lidos em voz alta. Para os estropiados das pernas e dos braços, ele cria um teclado virtual que pode ser comandado pelo mouse.

A Estelita conversou com o cabra que desenvolveu o programa: “Eu quis que todos os cegos tivessem a possibilidade de usar o computador", contou Botelho, que é consultor em acessibilidade há dez anos. Hoje, um leitor de tela como o do F123.org, que é a principal forma de acesso dos cegos ao computador, custa em torno de R$ 3.000.

Além do  preço, o F123.org tem ainda a vantagem da portabilidade: uma vez utilizado, o pendrive armazena todos os arquivos e dados produzidos pelo usuário, e pode ser conectado posteriormente a qualquer outra máquina. É ou não legalpracaramba.com.br? Convencido

De tão bacanudo que é o lance, no começo do ano o projeto ganhou um prêmio de US$ 50 mil (dá pra comprar umas 20 kombis.. Rindo a toa) do Banco Interamericano de Desenvolvimento.

O software deve se sustentar com parcerias com governos e entidades privadas, como já ocorre em Curitiba (PR), cidade onde o casal mora. Lá, uma ONG apoia o projeto e está dando aulas a pessoas com deficiência sobre como usar o pendrive.

A partir do segundo semestre, o projeto será implantado em ONGs de seis países da América Latina, com financiamento do BID.

Agora, bora ‘nóistudo’ divulgar a novidade para que mais pessoas possam se dar bem com ela!

* Imagens de divulgação do casal Fernando Botelho e Flávia de Paula

Escrito por Jairo Marques às 00h00

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Que língua você fala?

Dentro desse universo paralelo em que vive o povo com deficiência uma característica impera: a diversidade. O corpo do ‘serumano’ é de uma complexidade formidável, logo, quando a gente se trumbica os reflexos para a vida são diferentes de uma pessoa para outra.

Assim, não adianta um “infiltrado” pensar que um cadeirante tem as mesmas limitações, que um cego tem a mesma falta de sensibilidade à luz, que um surdo se comunica sempre de uma mesma maneira....  nós, os “matrixianos”, somos uma fauna riquíssima de esgualepações... Rindo a toa

Mesmo, por exemplo, os tetraplégicos (que são lascados do pescoço para baixo, grosso modo falando), os tetrões Beijo, possuem diferenciações em suas capacidades de movimento. Uns atuam com os braços com uma determinada desenvoltura outros com menos ou com mais firmeza e por ai vai.

Tudo vai depender dos estímulos que o ‘malacado’ recebeu durante sua reabilitação, do tipo de lesão que sofreu ou da doença que contraiu ou da fase da vida que entrou para o time... Legal 

A diversidade, contudo, não deve ser vista como mais uma barreira para não contribuir com uma sociedade mais plural, mais justa e acessível para todos. Às vezes, escuto gente falando que “não dá pra” pra integrar os “dificientes” porque cada um precisa de algo diferente...

Também não é assim, né? Existem pontos comuns e são nesses pontos que a gente se encontra  e se inclui..

Dentro dessa discussão sobre diversidade, publico hoje mais uma contribuição de Lak Lobato, já famosa nas internets por estar fazendo uma revolução no debate sobre a surdez com o seu diário “Desculpe, não ouvi”.

Lakinha, que tem uma ligação umbilical com o “Assim como Você”, escreve sobre a diferença entre falar por meio de “Líbras” (com aqueles gestos com as mãos Muito feliz) ou ser “oralizado” (que consegue falar por meio da voz, mesmo sendo surdo).  É uma aula e tanto!

 Sorte

Muita gente acha que surdos oralizados são contra a Líbras. Não somos! Ela é essencial no universo da deficiência auditiva. Oralização obrigatória de surdos soa mais ou menos como exigir que todo deficiente físico ande com muletas. Não são todos que têm condições e nem todos que conseguem. E, mais importante, nem todos preferem.

A Líbras ser reconhecida como idioma oficial é uma vitória e tanto para as pessoas com deficiência porque significa, antes de tudo, respeito à compleição individual humana.

Muitos falam que a Líbras é a língua natural do surdo. E ela realmente é, mas a maneira como propõem isso, soa equivocado. Não é a Líbras com sua morfologia, sintaxe, conjugação que é universal e natural, mas a linguagem através dos gestos. Isso é natural e comum de parcela significativa dos surdos de nascença ou perilinguais (quando perde-se a audição em fase crítica de aquisição da fala) não oralizados.

O problema é que a ordem das frases, o significado dos gestos, varia conforme o idioma (leia-se Libras = Língua Brasileira de Sinais, ASL = American Sign Language, LSF Langue des Signes Française, etc). Portanto, é natural, mas não universal. E, por mais que ouvinte cisme que deveria ser universal, soa absolutamente utópico exigir que gente que nunca se viu e nunca terá contato fale exatamente igual. Mesmo os gestos tidos como "universais" variam muito.

O problema é que nem todo deficiente auditivo é surdo de nascença. E nem todo deficiente auditivo precisa da língua de sinais somente. E um surdo adquirido também pode abraçar a Líbras e torná-la sua língua usual.

E nem todo surdo ao nascer fala somente por sinais, há famílias que acreditam e preferem a oralização, algo que vem sendo bastante facilitado pela divulgação do Implante Coclear (para saber mais, clique aqui!), embora ele não sirva para 100% dos casos de surdez.

Costumo dizer que eu represento mais os "ensurdecidos" do que os surdos propriamente ditos. Por isso, eu bato sempre o pé quando digo que confundir deficiência auditiva e Libras é parcialmente equivocado. A diversidade dentro da Deficiência Auditiva é imensa.

Muito deficiente auditivo, mesmo profundo, tem o português como primeiro idioma e isso deve ser tão respeitado quanto aquele que tem a Líbras como língua principal.

Achei muito bacana me deparar com uma exposição que, em vez do símbolo internacional da surdez, usou o símbolo da Líbras. Perfeito. Quer dizer que é acessível para os usuários da Líbras, não para todo e qualquer deficiente auditivo - especialmente porque nem todo deficiente auditivo precisa de interprete em exposições, muitas vez, o texto transcrito em português já nos basta.

Existe também um sinal digital que tem uma frequência enviada específica para as próteses auditivas. No Brasil não é muito comum, mas nalguns outros países sim. Por isso, dizer que algo é acessível a deficientes auditivos pode soar mais amplo do que é de fato, quando a única adaptação disponível é apenas a Líbras.

* Imagens retiradas do Google Imagens

Escrito por Jairo Marques às 00h00

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Cuidado com a rua

É muito comum - e também muito perigoso – ver esse povo empurrador de cadeira de rodas e puxadores de cachorros, sobretudo, “zambetando” pela rua em vez de seguir pela calçada.

 

Isso, “excrusível”, é feito por esse veio doido que comanda essa Kombi desembestada rumo ao domínio do mundo... Embaraçado

 

“Mas causo de que os ‘matrixianos’ se arriscam desse jeito, tio”? A maioria das vezes isso rola porque não há outra forma de transitar, uma vez que os passeios são puro buraco ou são buraco puro. Sem falar da falta de padronização e degraus que surgem do nada no meio das calçadas.

 

Costumo só transitar pela rua quando não me sobram mais soluções. Vou bem no cantinho, próximo à guia, disputando lugar com os carros. Quando eu morava lá nas “Trelagoa”, era bico, afinal, carro lá era o do prefeito e dos Bombeiros... Muito triste, mas aqui em Sampa o bicho pega.

 

As questões do povo “malacabado” e os “perrengues” do trânsito também envolvem formas de atravessar a rua, guias rebaixadas ou não rebaixadas, rampas, maneiras de ajudar o “matrixiano”...

 

A situação é tão séria que o Ari Vieira, meu leitor faz teeeeempo, desenvolveu um curso que visa treinar professores e profissionais que trabalham com o trânsito a lidar e ficar alerta com os “dificiente”.

 

O Arizim listou algumas dicas, que estão no treinamento, aqui pros ‘pessoais’ que seguem o blog e tão a fim de ajudar na dominação do mundo.

 

Para dar aquele ‘gramur’ nas recomendações, meu chapa, brother e ilustrador formidável Jean Galvão fez umas figurinhas “maraviwonderfulls”! Aêêê

 

Então, borá às dicas:

 

1 - Aguardar na calçada o melhor momento para efetuar uma travessia, lembrando que para a pessoa com deficiência o tempo de cruzar a rua será maior

 

2 - É mais seguro para a pessoa com deficiência visual atravessar com ajuda ou cruzar a via logo que perceber que os demais pedestres estão fazendo o mesmo

 

 

3 - Ao cadeirante é importante observar se o local de travessia dispõe de rampa de acesso entre as calçadas. Caso não haja, a travessia vai demandar um tempo maior

 

 

4 - Cuidado para atravessar entre carros ou caçambas, o cadeirante fica numa posição difícil de ser visto pelos motoristas, o ideal é sempre atravessar na faixa de pedestres

 

5 - Caso encontre um deficiente visual parado na calçada, não o puxe nem o empurre, forçando-o a atravessar a rua. Deve-se perguntar antes se ele quer fazer o movimento. Não e porque ele é cego que tenha, obrigatoriamente, que viver cruzando ruas

 

 

6 - Quando você avistar um cego querendo atravessar a rua, não grite para ele avisando que pode fazê-lo. Ele pode se assustar com a situação, ficar desorientado. Ajude com segurança, oferecendo o braço, de forma tranquila

 

7 - Você não precisara avisar o cego que vai virar à direita ou esquerda, que vai descer o meio-fio. Ele consegue percebera e interpretara os movimentos corporais

 

 

8 - Em uma calçada sem guia rebaixada (rampa) pergunte ao cadeirante a melhor forma de ajudar a vencer o obstáculo. Não faça manobras bruscas por conta própria com a cadeira

 

9 - Quando se oferecer de guia para um cego não o confunda, cruzando uma rua em diagonal. Isso pode fazê-lo perder a orientação. Efetue o cruzamento em L; mais seguro para qualquer pessoa

 

 

10 - Para pessoas com deficiência ou sem deficiência, o ideal e correto é sempre atravessar na faixa de pedestres

 

Para ver mais desenhos do Jean vá em http://jeangalvao.blogspot.com

 

Para saber mais sobre o trabalho do Ari, clique aqui

Escrito por Jairo Marques às 00h00

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ver mensagens anteriores

PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 37, jornalista pela UFMS e pós-graduado em jornalismo social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999. É colunista do caderno "Cotidiano".
Twitter Twitter RSS

BUSCA NO BLOG


ARQUIVO


Ver mensagens anteriores
 

Copyright Folha.com. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha.com.