Jairo Marques

Assim como você

 

Rodeia a fogueira Iá Iá, rodeia a fogueira Iô Iô

Quando eu era moleque, as festas de São João mais gostosas aconteciam no bairro em que eu morava, mesmo. Lá era tão longe de tudo que ali era um verdadeiro ‘arraiá’! Muito triste

Juntavam os vizinhos e cada um levava pro arrasta pé o que tinha em casa (milho de pipoca ou gengibre, geralmente Rindo a toa). Era divertido ‘demais da conta’, como diria minha tia Filinha. Todo mundo animado em torno da fogueira.

Como sempre fui um ‘minino bão’, auxiliava na confecção das bandeirolas. Acontece que minha coordenação motora nunca foi assim, confiável. Então, era só olhar pros enfeites mais tortinhos, mais ‘malacabados’, pra saber: “Essas foram o jairim quem fez”. Muito feliz

Mas haviam também as festanças realizadas pela associação de moradores. Essas eram puro creme do milho, eram pra ‘zelite’, uma vez que tudo tinha de pagar. Evidente que eu enchia a cabeça da minha mãe pra ir. Ela não resistia aos meus apelos e liberava lá uns ... doooois cruzeiros pra eu me divertir nas baladas juninas...

O que eu não conseguia entender, à época, era a razão de nunca me prenderem nas cadeinhas que todo moleque ia. Me lembro de ficar perto da “cela” de palha, mas nunca entrar nela. Mal sabia eu que jamais passaria na porta do pequeno quadrado com o cadeirão que usava... Sem jeito

Acho que, além disso, todo mundo achava meio “absurdo” mandar me prender, afinal “ele já tá nessas condições”, né.... surpreso. Sei lá, guardo firme a lembrança de, apesar de adorar tudo aquilo que rolava no São João, no Santo Antônio e no São Pedro ser somente um observador, rodear a fogueira e ser um comedor de pé-de-moleque. 

Hoje em dia, nas escolas, os professores conseguem pensar numa forma de fazer (ou pelo menos deveriam) o ‘matrixianinho’ participar das quadrilhas, por exemplo. Dá certo, sim! Basta boa vontade e um pouquinho de adaptação para que todos possam se divertir. No meu tempo, eu só olhava e me balançava na cadeira... Beijo

Correio elegante só ganhei um e guardo até hoje numa caixnha!!! Ahhhhh injusto, vai?! Mas nesse caso eu nem atribuo muito ao fato de ser deficiente, não. Quando esse tio era menorzinho, era pura orelha e nariz... Muito triste

Agora, na vida adulta, não deixei de ser caipira e de participar das festas juninas! Afinal de contas, é agora que posso, livremente, experimentar quentão e vinho quente a noite inteeeeira! Convencido

E tenho um convite ‘maraviwonderfull’ pro ‘ceitudo’! Sábado, dia 26 de junho, o tio, mais a tia, mais a Tabs, mais o Sidão, mais a Selminha, mais a Fravinha Cintra, mais um mooonte de gente tudo doida surpreso vamos estar no “Arraiá da Fundação Selma!” Aêêêêê

A festança, que vai ter espetinho, cachorro quente, ‘mio verde’, bazar de bugigangas, música, docinhos, QUENTÃO Rindo a toa, e tudibom.com.br começa às 19h, no clube Açaí, em São Paulo!!  Para ajudar os pessoais da fundação, cada um ‘morre’ com cincão.. tá fácil, vai!

Acho que vai ser uma cadeirada de rodas danaaaada por lá... sem falar das menina bonitas, do clima delicioso que envolve as pessoas do bem, do QUENTÃO.. Tonto

Pra quem ainda precisa de informações, vamos lá!

Arraiá da Fundação Selma!

Lugarejo: Clube Açaí. Rua Padre Antônio dos Santos,  859, no Novo Brooklin, em São Paulo (SP)

Quando é pra ganhar o beijo do tio: Cinco cruzeiros, vulgo R$ 5, que são pra dar uma hand pra fundação manter suas atividadchis

O sarandeio começa às: 19h... tem de ser cedo pra... tomar bastante QUENTÃO Carente. É dia 26 de junho, sabadão

Onde deixar as carroças: Vai ter lá uns tar de valet. Eles guardam as charretes por R$ 10

Modus operandi: O legal é todo mundo ir paramentado. Num é uma festa de gala, mas arraia tem galinha, né?! Rindo a toa...

* Fotos de arquivo pessoal de Tabata Contri e Jairo Marques

Escrito por Jairo Marques às 00h01

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A rampa e a rua

Começo hoje, na coluna na Folha e aqui no blog, a divulgar iniciativas bacanudas e atrasos de vidas em relação à acessibilidade. É o “acessômetro”. Para saber mais detalhes, basta clicar no bozo! Brincalhão

Pra começar, o troféu “É Ridiculable”. Batam o olho nessa rampa “inacreditível” de tão tosca, que fica em frente a uma igreja, lá nas “Minas Geraldas”:

Sacaram que ela tem degraus? surpreso O lascado do cadeirante sobe um pouquinho pensando que vai conseguir entrar na igreja pra contar seus pecados e toooma... tem que descer porque surge, do nada, um degrau...

Quem será o gênio da arquitetura que fez isso ai, heim?! A intenção pode até ter sido boa, mas o resultado só por nossa senhora da bicicletinha....  Beijo

A dica e o flagrante foram da mineirinha Brunna Melazzo, de Uberlândia, mas conhecida mesmo como “Berlândia”, né, não?! Muito feliz “Conseguiram atrapalhar todo mundo com esse projeto de rampa. Acabaram com a calçada e não solucionaram o problema de acesso”.

É um pé de jaca, mesmo, né?!

Agora uma iniciativa que merece o  troféu “É maraviwonderfull” porque ajuda no humilde projeto de dominação do mundo por parte da “Matrix”:

 

Isso mesmo, meu povo, é uma ‘refoima’, como diria uma tia banguela minha Rindo a toa. Se lembram de um texto que escrevi chamado “Mães que empurram”? Não? Clica no bozo. Brincalhão

Eu narrava lá a dificuldade que flagrei de uma mãe atravessando o filho, cadeirantinho, pela rua Amaral Gurgel, aqui no centrão de São Paulo. Pois bem, a prefeitura resolveu fazer aquilo que dá sentido a ela: cuidar da cidade....Beijo

Todas as calçadas da rua estão sendo refeitas e padronizadas. Vai ficar um luxo! O lugar é bem feiozão. Por cima dali passa o minhocão, mas, agora, pelo menos os passeios serão mais digno!

Como o local também é famoooso por ser um dos principais pontos de trabalho dos travestis da city, muuuitos saltos serão economizados, né, não?! Muito triste

Assinantes Uol e da Folha podem ler a coluna clicando aqui!

* Fotos de Brunna Melazzo e Apu Gomes

Escrito por Jairo Marques às 00h23

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Seguuura, peão

Pelo interior onde nasci, quando se fala em exposição ninguém tá pensando nas obras de Tarsila do Amaral, de Di Cavalcanti ou mesmo numa mostra de esculturas ou arranjos de materiais diversos. Exposição, lá nas ‘Trelagoa’ é exibição de vaca, de cavalo, de touro, de porco!  Pra completar, tem shows musicais, geralmente, de dupla caipira, um luxo. Beijo

Quando moleque, enchia os pacovas (essa eu fui fuuundo, heim?) da minha mãe pra ir à exposição, que sempre casa com o mês de aniversário da cidade.

Mesmo morando a quilômetros do local onde rolava a festa, não sei como, geralmente, eu ia! E nem sei porque raios eu ia naquilo. Tudo era muito ruim. Tonto. Areia fofa por todo lado, estrume de bicho por todo canto, um montão de gente circulando e música daquelas.

Porém, vai entender cabeça de moleque, né, não?! E pior de tudo é quando eu cismava em ficar até a hora dos espetáculos musicais.

Imagem vocês, eu, ‘mirradinho’, numa cadeirinha de rodas, querendo ver um show com centenas de pessoas na minha frente? Claro que eu nunca via nada, só tinha uma vaga ideia. Não tinha essa de dar prioridade e me deixar passar na frente de todo mundo... mas isso tudo foi no século passado.. hoje em dia.... tudo mudou... não?!

“Já tive muitas dificuldades de acesso por falta de infraestrutura. Mas o ocorrido ontem foi absurdo, me "traumatizou". A Ingrid, muito fã do cantor Luan Santana, soube que ele ia se apresentar no rodeio de Americana e pediu para que eu a levasse. No inicio relutei, pois já imaginava que rodeio não seria um lugar muito apropriado para deficientes, ainda mais sendo criança. Mas acabei cedendo.

Um mês antes, liguei para os organizadores do evento (Clube dos Cavaleiros de Americana) e me informei sobre acesso. Me disseram que havia um lugar apropriado para cadeirantes com vista privilegiada para o palco. Pensei: ótimo, perfeito. Ela vai adorar.”

Quem me mandou esse desabafo foi Paula Rocha, mãe da pequena Ingrid, famosa aqui no blog por bailar de forma inesquecível o “Alecrim Dourado” (Para ver, clica no bozo Brincalhão)

Difícil demais para uma mãe tentar convencer uma criancinha, que é fãzoca do tal do Luan Santana, que eu, como diria Zeca Pagodinho, “nunca vi nem comi, eu só ouço falar”, que o local é de difícil acesso, que ela é uma bagunceira de gente, que pode ser complicado... Para uma menininha, nada disso faz sentido...

“Cheguei mais cedo no local e, ao olhar o lugar reservado, tive um completo desgosto. Era um quadrado 2m por 2m elevado, no máximo, a um metro do chão, do lado oposto do palco. Muito longe mesmo. parecia mais um chiqueiro, sem acento sem nada. Apenas um quadrado.

As pessoas ficavam na frente tapando completamente a visão, pois um cadeirante, mesmo estando em um local mais elevado, fica baixo por estar sentado. Foi horrível. Tive que ficar mais de uma hora com a Ingrid nos braços para que ela pudesse ver ao show. Sem beber nem comer nada, pois não tínhamos como sair de lá pra buscar algo.”

Consigo imaginar com perfeição a cena narrada pela Paula e consigo pensar em tudo o que se passou na cabeça dela. Prioridade para ‘matrixianos’ não é luxo. É questão de dignidade, de igualar oportunidade.

E não basta determinar um espaço qualquer, como que por obrigação, para por os ‘malacabados’. É preciso pensar se eles terão ângulo de visão, segurança, um mínimo de conforto, afinal, o ingresso foi pago!!

“No fim, ela conseguiu curtir muito o show, cantou e dançou bastante. Mas, o pior ainda viria. Ficamos sabendo que a Ingid poderia ser recebida pelo cantor Luan Santana, conseguimos acesso aos camarins e fomos para lá antes mesmo de o show acabar.

Diante de um uma mulherada enlouquecida, um segurança viu a Ingrid e de imediato a colocou para dentro do camarim, onde ficamos esperando a saída do cantor. Eis que ele surgiu, passou na nossa frente, isso mesmo, bem na frente na nossa frente, e não deu sequer um oi ou um tchauzinho pra menina.”

Ruim demais essa parte, né, meu povo?! Estou a anos luz de ser alguém famoso, mas fico super preocupado quando não consigo atender alguma demanda de leitor, quando demoro a responder um email de ‘ceistudo’, quando alguém manifesta um carinho por mim e retribuo, por razões diversas, só com o famoso ;)

Não cabe criticar o tal do cantor que, como já disse, pra mim é tão desconhecido como o paradeiro do Belchior Rindo a toa. Ele deve ter lá suas justificativas para ignorar uma cadeirantinha (tipo, estava com a maquilagem desmanchando Inocente). Contudo, está no pacote de ser uma pessoa pública dar o máximo de atenção possível ao público...

Tô errado? E que ele tenha uma assessoria, uma produção competente para dar conta de retribuir um pouco do que almeja seus fãs: um olhar, um beijo, uma palavra, um aperto de mão, um gloss.. 

“Jairo do céu...ela começou a chorar e foi difícil controlar aquelas lagrimas, mas com muito esforço consegui. A Ingrid é muito bem resolvida e tenho certeza de que esse acontecido não acarretará em problemas mais tarde.

Eu e meu marido escrevemos uma carta para a produção do evento relatando tudo o que aconteceu. A gente espera que o que se passou com nossa filha não se repita com outras crianças. Ela continua gostando do Luan e não vamos deixar de ir aos shows. Tomara que ele nos dê mais atenção numa próxima oportunidade”.

Temos de fortalecer a frente de batalha pelo domínio do mundo também em grande eventos, nas festas caipiras, nos rodeios, em seja onde for. O nosso direito de ir e vir tem de ser universal e irrestrito. Tô certo ou tô errado, como diria Sinhozinho Malta?!

Em tempo: Amanhã (22) tem coluna do tio na Folha e a estreia do "acessômetro". De novo, vai rolar as 'interatividachi'!

* Imagens retiradas do Google Imagens

Escrito por Jairo Marques às 00h21

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PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 37, jornalista pela UFMS e pós-graduado em jornalismo social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999. É colunista do caderno "Cotidiano".
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