Jairo Marques

Assim como você

 

A seguir cenas...

Meu povo, o ‘grand finale’ da Semana das Mães só será publicado no domingo surpreso. Sei que foge da rotina de ‘cêstudo’, mas não teve jeito...

Peço desculpas a quem falou um “ahhhhh”, agora, porém acho que tô com um crédito de uns doooois reais pelos outros posts, né, não?! Inocente

Tô indo pro Rio "viver a vida" de novo hoje. Depois conto tudo, fechou?!

Ahhh e no sábado, assistam na TV Brasil a repetição do programa "Caminhos da Reportagem", que falou só de mães 'malacabadas'. Tá "mara"!!! Para ver um trechinho, cliquem no bozo! Brincalhão

Beijos nas crianças e nas mães...

* Imagem do Google Imagens

Escrito por Jairo Marques às 00h13

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Tem mãe que é cega!

Dia desses um estrupício de um prefeito que não consegue cuidar nem do próprio quintal da casa soltou lá nos microfone um questionamento: “você deixaria seu filho em uma sala de aula com uma professora cega cuidando dele?”

Se esse país fosse sério, ele estaria preso por prática explícita de preconceito. ‘Qualera’ o contexto? Ele havia negado a nomeação de uma deficiente visual que passou EM PRIMEIRO lugar em um concurso da rede pública...

A repercussão foi tão estrondosa que, no outro dia de ter soltado essa meleca na cara de ‘nóistudo’, ele voltou atrás e fez o que a civilidade de pessoas que não são do tempo das cavernas e não são ‘nádios’ da humanidade fariam: deu posse à professora e perguntou a ela que condições ela precisava para atuar como qualquer outro profissional.

Costumo dizer que as pessoas gostam de jogar na lomba das pessoas com deficiência as incapacidades e limitações que elas têm, não o povo ‘matrixiano’. 

As minhas decisões de vida -e acho que de todo ‘malacabado’ consciente também age dessa forma- são tomadas tendo o vista até onde posso ir, até onde tenho como cumprir minhas responsabilidades, até onde consigo dar conta da vida... 

Imagem vocês, então, quando uma bela moça puxadora de cachorro Bobo resolve dar voz àquilo que a natureza humana pede, suplica e agracia: ter um filho.

O inconformismo alheio, as mãos sujas dos outros, as ideias restritas de quem viu o galo cantar, mas não sabe onde, vem à tona com toda violência. 

Mas a lógica de vida de um, não cabe na realidade do outro. Os desafios de ser mãe para uma mulher, não são necessariamente os de outra. Quem conta tudo sobre isso, é uma mãe que tá mais pop do que pastel na feira Legal, minha amiga, Ju Braga... 

Sorte


É a regra da vida. Desde que nascemos, somos cobrados pela sociedade. Crescemos um pouquinho e vamos à escola, mais um pouco, começamos a namorar e logo nos perguntam quando será o casamento. Quando acreditamos ter encontrado o par ideal e nos metemos “na fria” Tonto de casarmos, começa a cobrança por filhos. O primeiro, o segundo...

No entanto, quando se trata de um malacabado, a coisa fica um pouquinho diferente. As cobranças ainda existem, mas com menor intensidade, afinal, quem imagina que um cego, por exemplo, vá se casar? Como a mulher cuidará de casa? Como vai cuidar e educar seu filho? São tantos questionamentos que vou tentar, por meio da minha experiência,  mostrar para vocês que mãe é tudo igual, só muda de endereço e, não tem jeito, malacabada ou não, é “chata” do mesmo jeito. Assim como filho também é teimoso como uma porta! Insatisfeito

Quando engravidei, muitos diziam na nossa rua: “que bom, ele será o seu guia, vai te ajudar bastante!”. Meu Deus, meu filho nem tinha nascido e já estava designado para várias funções!

Claro que tinham os que me perguntavam como aquilo tinha acontecido comigo. Caramba! Será que eles pensavam que eu ainda acreditava na cegonha? No meu caso, não era a cegonha a carregar um bebê, mas a “cegona” Rindo a toa. O comentário mais absurdo que ouvi foi: “nossa, nem as cegas eles perdoam”. Perdoar o que, hein?

Aos 23 anos de idade, no dia 15/03/2004, às 15h54, no hospital São Luiz, em São Paulo, eu dava à luz a um menino que pesava 3 kg e media 48 cm. Gianluca era o nome da ferinha infiltrada que viria para transformar a minha vida.  


Desde o começo, cuidei dele. Imagino que os temores que tive foram os mesmos dos que o de qualquer mãe de primeira viagem: tinha aflição em mexer em seu umbigo, medo de não ser suficientemente boa, enfim, tudo o que passa pela cabeça de uma mãe que tem seu primeiro filho.

Antes de o meu filho nascer, fiz um curso de gestante, mas um pouco diferentes dos tradicionais. A professora me deu aulas individuais e era acostumada a lidar com malacabados. Aprendi desde trocar fralda, a fazer curativos quando o pimpolho achar que é um super herói e tentar voar. Comecei a cuidar dele sem nenhum receio assim que seu umbigo caiu. Trocava suas fraldas, tive noites mal dormidas, fazia mamadeiras. É... como meu leite secou cedo (prova de que tamanho não é documentoaborrecido), passei várias horas na cozinha preparando mamadeiras.

Teve uma vez, que fomos num encontro de um grupo da internet, formado por pais de crianças com síndrome de down. Uma das mães, meio que não acreditando que eu iria trocar a fralda dele sozinha, foi me espiar! Depois, fiquei sabendo por ela que após comprovar com seus olhos que eu fui capaz de fazer tudo sozinha, foi correndo contar para todos!!!Em dúvida

Acho que fazer parte da Matrix e ter um filho infiltrado ajuda bastante no entendimento dele sobre as diferenças. Hoje, meu filho tem seis anos e vivemos muitas coisas juntos. Quando ele tinha um ano, pegava sua fralda de pano, colocava na frente do rosto e andava com as mãozinhas na frente para se proteger. Sem saber que tipo de brincadeira era aquela, imitava seus pais e, à sua maneira, compreendia que dentro de casa tinham pessoas diferentes. Desde muito cedo, lhe ensinamos que os seus brinquedos deveriam ficar no lugar e, se por acaso estivessem espalhados, teria que nos avisar. 

Na rua, é muito engraçado quando comento com ele que vou pedir alguma informação. Ele fica de olho para que sua mamãe não pague mico e avisa quando vou a uma direção que não tem ninguém. Depois dele, não pergunto mais nada para os postes e orelhões da vida...Bem humorado

Quando pergunto se ele está de chinelo, ele arrasta os pés no chão para que eu perceba que não está descalço. 

Outro dia, ele abusou da minha confiança e fez uma arte. Moramos em condomínio de prédios e como fazia uma tarde ensolarada, me pediu para descer e brincar um pouco. Acontece que no dia anterior choveu e havia várias poças d’água.  Pedi para que ele não pisasse nas poças, porque poderia ficar doente e blá blá blá. O malandrinho desobedeceu e, além de se molhar inteiro, não me respondeu quando eu fui procurá-lo. Nem preciso dizer que fiquei muito brava, não só pela desobediência, mas principalmente por ele não ter me respondido. Nervoso

Sempre pedi que ele me respondesse todas as vezes e, daquela vez, ele se escondeu por ter feito “arte”. Sabia que não poderia ficar a tarde toda lá embaixo, então resolvi subi e aguardar que ele perdesse o medo e voltasse para casa. Quando ele chegou, não lhe dei chineladas como sentia vontade no momento em que lhe procurava, mas falei duramente com ele. Fiz com que refletisse sobre sua ação, e ele chorou de uma maneira sentida ao perceber que havia feito bobagem, como se tivesse “enganado sua mãe”. Triste

Outro dia, ele pegou minha mão, colocou bem perto de seu nariz, e me perguntou: “mamãe o meu nariz tá crescendo”? Quando vai me mostrar onde tem lugar para sentar, já sabe que precisa colocar minha mão no acento da cadeira, e não me empurrar como muitos adultos fazem.  Na rua, ele parece um papagaio de plantão. Sem que eu peça nada, ele vira o próprio audiodescritor nato. Fala tudo o que vê e, se bobear, até a cor dos carros.  

Sem querer puxar a sardinha para o lado da Matrix, tenho notado que crianças de pais malacabados crescem com bem menos preconceitos. Normalmente, as crianças querem saber o que aconteceu com meu olho, porque não enxergo, e os pais quase sempre ficam desconcertados. No nosso prédio, nenhuma criança mais pergunta, porque Gian já se encarregou de explicar para eles que seu papai e sua mamãe não enxergam. 

Procuro não impor ao meu filho qualquer responsabilidade extra , pois quero que ele seja apenas uma criança e que tenha preocupações de criança.  Sempre digo pra ele que se alguém disser que ele tem que cuidar de mim, para ele responder que quem cuida dele sou eu, e não o contrário. 

O que posso dizer, tranquilamente é que, quando estou com ele minha visão fica bem apurada. Vejo além de todas as visões, através de sua pureza de criança, que me faz perceber muito mais ao meu redor. Aprendo muito com ele a cada dia.Apaixonado

Eu poderia escrever páginas e páginas sobre essa experiência de ser mãe matrixiana de um pequeno infiltrado, mas para não ficar cansativo, deixo meu e-mail à disposição para que perguntem à vontade. Não se acanhem! Para dominar mundo, temos mesmo é que esclarecer e trocar experiências.

Vamos lá, estou preparada para a sabatina!!!!!!

contandohistorias@domvirt.com.br

* Imagens do arquivo pessoal de Jucilene Braga

Escrito por Jairo Marques às 00h30

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“Tô aqui, mãe!”

“Zimininos”, essa é do tempo que a gente chupava aquele pirulito que enfiava num saquinho de pó que tinha um sabor medonho de ruim, mas que parecia o manjar dos deuses, alguém ai lembra será qualé? Carente

Lá nas ‘Trelagoa’, onde nasci, o diacho do avião ainda não chegou, não. E mesmo os ‘buzões’ mais confortáveis, daqueles que esticam as poltronas, é praticamente novidade.. 

Então, quando eu era um ‘mininim bãozim’, pra poder fazer a minha reabilitação daquilo que a pólio deixou sobrar, deitava o cabelo com minha mãe pra Brasília, mas, para isso, era preciso fazer três baldeações.

Será que alguém ainda sabe o que é baldeação? É conseguir chegar a algum lugar viajando de pedacinho em pedacinho, sacam?! A gente pegava a jardineira com os nossos molambos todos e íamos até Araçatuba. De lá, catava outro fumegante até Rio Preto onde, enfim, a gente entrava na marinete que levava até o Planalto Central.

 

 

O detalhe é que muitas vezes, apesar de eu ser magrinho, miudinho, estava todo engessado, uma pobrezinha de uma múmia paralítica, de verdade!!!! Inocente E a batalhadora da minha mãe, no intuito firme de arrumar minha funilaria, me colocava debaixo do braço ou na cacunda e bora subir e bora descer desse monte de condução.

Se de avião a mesma viagem duraria, quem sabe, umas duas horas e meia, de buzão eram vinte e quatro horas, mesmo.... Pra mim, passavam até rápido porque sempre fui muito curioso e ficava vendo os “desenhos” exibidos pela janela do ônibus,  pra ela, certamente, era intermináveis porque a ansiedade de chegar logo, resolver minha vida no Sarah, e  “vorta pa tráis’ era profunda.

Meu pai fez o favor de morrer muito cedo aborrecido e meus irmãos eram pequenos também para ajudá-la nesta missão de carregar daqui para ali aquele fardinho de feijão que eu era... Nessas viagens, na maioria esmagadora das vezes, éramos mesmo eu e ela...

Evidentemente que, para a vida ficar mais prática, as jamantas das cadeiras de rodas que eu tinha, naquele tempo, não viajam, não.

O veículo que me conduziria para todo canto eram mesmo os braços da ‘minha véia’ que, jamais esqueço, invariavelmente, ficavam vermelhos, inchados de tanto esforço. Nessa labuta toda, eu não era mais um bebê, era um molequinho de nove anos (e até os 15, foi dessa maneira custosa).

E lá fomos nós rumo a mais uma das viagens. Mas vejam só: os horários entre uma e outra baldeação eram bem apertados! Caso desse uma diarréia no ‘motora’ de algum dos trechos iniciais, a gente tava na roça (ou mais na roça, né?!) Rindo a toa

 

 

Chegando nas ‘radoviara’, minha mãe me amontoava no meio das malas, perto das plataformas, pedia pra alguém “dar uma olhadinha” (até parece que eu ia sair andando, né? Muito triste) e saia em disparada para comprar os bilhetes do novo trecho a ser seguido...

Claro que, uma hora ou outra, isso não ia sair bem, né, não?! Fizemos a primeira etapa da viagem super tranquilo: Três Lagoas (MS) até Araçatuba (SP). O segundo momento, também foi de boa, sem sobressaltos: Araçatuba (SP) até Rio Preto (SP). Mas a terceira baldeação virou um verdadeiro pé de jaca... Tonto

Quando o bumba encostou na rodoviária onde pegaríamos a condução rumo ao destino final, Brasília (DF), o ônibus já estava encostado e o motora “açulerando”, pra fazer aquela pressão nos mais enrolados e poder seguir viagem...

Dona Marli, assustada com a possibilidade de perdemos a última “conexão” daquela maratona, não pensou duas vezes. Me agarrou, junto com a ‘malaiada’ toda, e foi se enfiando dentro da marinete.

“Vou deixar ele aqui dentro já, seu motorista, e vou lá comprar a passagem! Volto loguinho, segura ai...”

Sim, sim, ‘cêistudo’ já acertaram o que vai acontecer... Muito triste “Benzadeus” que aquela rodoviária já tenha sido demolida porque era a imagem do apocalipse aquilo. Um monte de escadas, uma sujeira sem fim, um mundo de gente’ zambetando’ de um lado pro outro.

Não deu outra, minha mãe, por motivos óbvios, demorou além da conta, o motorista esqueceu ou ‘disque’ esqueceu do trato, e lá ia eu, aquela coisinha fofa, viajando sozinho rumo ao intenso cerrado...

Claro que eu notei que algo estava errado quando o motora deu a partida e foi saindo da plataforma, afinal, sempre fui ‘intiligentchi’... Beijo. Porém, era difícil crer que minha mãe não estava no bumba. Pra mim, ela havia se sentado num poltrona bem na frente e me deixado no fundo, normal, sei lá...

 

 

Mas, aos poucos, fui criando fé de que algo estava errado e comecei a pedir às pessoas próximas que procurassem minha mãe pra mim, dentro do ônibus. Nem preciso dizer que criança ‘malacabadinha’ é sumariamente ignorada, mesmo perdida, né, não?!

O ônibus saiu da cidade, pegou a estrada, e eu já estava realmente aflito. “Perdi minha mãe!”. Mas sempre fui muito contido, tímido (mentiiiira Rindo a toa) e não conseguia abrir o berreiro, gritar, sei lá. Tava colado naquela poltrona, sem mãe e sem destino...

De repente, o ônibus para no acostamento. Um ‘zum zum zum’ toma conta do local e adentra pelo corredor apertaaaado uma mulher descabelada, chorando que nem bezerro novo e cega, sim, ceguinha!

“Cadê meu fiiiiilho, cadê meu miniiiino. Eu botei ele aqui!!! Jaaaaaairoooooo, cadê você. Vocês roubaram meu filho. Ele num tá aqui, ele sumiu, ele foi raptado. A carrocinha levou.”

 

E ela passava por mim desarvorada e não me via. Ia e vinha no corredor, eu a fitava e ela não via. De repente, percebendo que ela ia desistir da procura e descer do bumba, eu disparei: “Tô aquiiii mãe!”

Nem sei como ela fez para pagar o táxi que perseguiu o buzão por vários quilômetros, afinal, o dinheiro que a gente não tinha era contado.

Apesar de ter sido ‘punk’, é óbvio, lembro dessa história sempre com muito amor. Nesta semana, em uma das ligações pra ela, relembramos juntos os detalhes, rimos um bocado, como sempre fazemos.... Sim, meu povo, tenho uma grande e iluminada mãe...

* Imagens retiradas do Google Imagens 

Escrito por Jairo Marques às 00h01

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Mães “carrinheirantes”

“Zente”, é incrível, mas na semana passada foram pousando lá no aeroporto de Congonhas que é a minha caixa de emails (cheio de chegadas e partidas Rindo a toa) mensagens que eu lia e pensava “num querdito”... vou conseguir fazer uma “Semana das Mães” com tantas histórias sensacionais.

 

Hoje já estou mais habituado, mas no começo eu ficava de queixo caído ao saber que tantas mães ‘garravam’ simpatia com um blog de um véio doido que fala esquisito e dirige uma kombi. surpreso E uma das razões clássicas de conseguir colar o ‘zóio’ das mães aqui neste diário é que, parte muito importante delas já empurrou seus filhos para o “domínio do mundo” e outras tantas seguem empurrando para que eles o encontre.

 

E tem também aquelas começando a entender que para a segurança e conforto de seus rebentos que, quando novinhos estão todos a bordo de carriolinhas para ir de lá para cá - ‘ingual que nem’ esse povo cadeirante depende de suas carriolonas Muito triste-,  é preciso que muito do espaço onde vivemos se torne... acessível!

 

O post de hoje, então, fica a cargo de uma leitora que veio pro “Assim como Você” chutando a porta (uuuia Convencido). Super participante, atuante e já devidamente equipada com um estilingue para ir à frente de batalha dessa luta por um mundo mais juntos para todos.

 

Divirtam-se, e muuuuito, muuuito mesmo, com o brilhante texto da Karen Ferreira, uma mãe “carrinheirante” conduzindo sua pequena Maria pelas ruas e calçadas nossas, esburacadas, de todos os dias...

 

Sorte

 

Como dizia o Raul, “mas é que se agora pra fazer sucesso, pra vender disco de protesto, todo mundo tem que reclama”,  aqui estou!

 

Sou portadora de carrinho de bebê, como o título sugere, uma carrinheirante nestas calçadas, ruas e todo o resto inacessível mundo afora, ufa! Embaraçado

 

E lá vou eu com a Maria em seu carrinho, lindas e cantantes pela estrada afora. O ‘veículo’ dela, coitado, um tanto estrupiadinho, mas ainda rodando, quando, de repente, ao atravessar uma rua (travessinha da rua da Mooca, na zona lost de SP surpreso), a roda do carrinho cai num buraco sem vergonha que ninguém daria nada por ele, porém do tamanho suficiente para empacar ‘nóistudo’.

 

 

 

Então, faço um esforço enorme   pra tirar o carrinho do lugar, empurro pra frente, pra trás, pros lados, pra cima e nada. Puxo pra cá e pra lá e… naaaadaaaaaaa!!! “Inferno de buraco!”

 

Enquanto isso, uma mini platéia vai se formando. Uns olham e franzem a testa, outros demonstram torcer por mim e por Maria, outros só curiosos, mas ninguém me ajuda. Já os carros que param (ainda bem que pararam e não nos atropelaram Beijo), esses com seus motoristas enfurecidos, se mostram impacientes demais. Alguns já buzinavam, e um deles começou, então, a bater boca comigo…

 

 

Motorista (dentro do seu carro)

“Porra, tira essa bosta daí, minha querida, não vê a fila de carros parados não?”  (Detalhe, a bosta, a qual ele se referia, era o carrinho de bebê com minha filha de apenas um aninho dentro.)

 

Karen

“Meu filho, você não vê que eu não tô conseguindo mover o carrinho, pois tem um inferno de um buraco nessa droga de rua? Ou você acha que eu tô parando aqui  em protesto contra os ‘maleducados’ da cidade? E por que ninguém me ajuda, hein?”

 

Motorista

“Nem pra empurrar carrinho de criança mulher presta mesmo...”

 

 

Bom, não podia ficar naquela discussão com um ser desses no meio da rua. Não quis continuar expondo minha filha, mais do que já estava exposta. Comecei a cantar e brincar com ela pra não passar mais ansiedade, já engolindo o choro, pois sou choroooooooona, e nesses momentos me fragilizo, fazer o quê... Mulheres. Muito triste

 

Então, uma bendita dona que passava me ajudou e rebocamos Maria e seu carrinho do “buraco do demonho” para a calçada, apertadinha! Segui meu caminho, entrei na loja de roupinhas de bebê não acessível, depois fomos comer em um restaurante não acessível, encontramos outros buracos, outras calçadas irregulares e voltamos ainda cantantes para o nosso lar.

 

 

 

No outro dia pensei duas vezes pra sair de casa com a Maria e seu carrinho, desââââââââââââââânimo!

 

Mas, “péra lááááá, o que eles querem é que fiquemos em casa, parados, comigo não “Eu vou botar meu pé da estradae vou entrar tambémnessa jogadae vamos ver agora, Quem é que vai guentar”.  E que sigamos rodando, (rodando não, Ródando, tudo parafraseando o Raulzito!).

 

* Imagens do arquivo pessoal de Karen Ferreira

Escrito por Jairo Marques às 00h11

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Às mães que salvam

Tem algo bem cruel a ser pensado sobre esse universo paralelo onde foi enfiado esse povo sem braço, sem perna, que anda montado em cadeira de rodas, que é meio do avesso: ‘mães’ que abandonam seus filhos deficientes logo ao nascer devido à falta de coragem de encarar a vida criando um ser diferente, um ser deficiente.

Isso é mais comum do que podem imaginar os mais realistas. Orfanatos estão cheio de ‘malacabadinhos’ no aguardo de uma chance para serem felizes e poderem cantar, num dia qualquer, aquela música linda, linda: “lá vem o sol, tchup tchuru, lá vem o sol”!

Este diário, porém, é um lugar que espreme a esperança nos cantinhos onde parece que só sobrou aquela tristeza do jeca! A história que segue abaixo, by Silvetz Dutra Produticion Legal, abre a Semana das Mães aqui no “Assim como Você” no melhor estilo.

A emoção deste vídeo, dica do leitor italiano Cláudio Nakamura Rindo a toa, de São Paulo, é daquelas incontroláveis, mesmo pros mais durões, mais céticos no olhar sobre a existência humana.

Recomendo fortemente que peguem um copinho de água, deem logo o ‘vidogame’ pras esses meninos ficarem quietos, chamem o patrão para assistir também e lembrem de toda a essência que envolve a arte de ser uma mãe de verdade...

 

Para quem não consegue visualizar por aqui, o link direto é o http://www.youtube.com/watch?v=EJQOjD1GAF4

Escrito por Jairo Marques às 00h00

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PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 37, jornalista pela UFMS e pós-graduado em jornalismo social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999. É colunista do caderno "Cotidiano".
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