Jairo Marques

Assim como você

 

Um minuto de comercial!

“Zente”, vamo que vamo?! Sabem aqueles bêbados que andam tropicando a cada cinco passos que dão? Então, parecem com ‘nóistudo’...  uma hora caímos, outra hora levantamos até achar o prumo certo de conquistar o mundo.

Hoje eu tenho uma notícia ‘maraviwonderfull’ para contrabalançar a climão de ontem. Saquem a "news" (novidade para quem não manja dos inglês Legal). Fiquem atentos nos próprio comercial da televisão que, nas próximas semanas, vai chover de gente estropiada vendendo trem! Aêêêê

Se lembram que até o ano passado a gente reclamava pracaramba.com.br da ausência de matrixianos na publicidade? Poi zé. Agora isso começou a mudar.

E uma das figuras que vai dar o ar da graça na telinha é uma leitora top deste blog! Uhhhhrúúú... E ela não vai aparecer sozinha. Vai aparecer... puxando cachorro! Muito triste

“As fotos foram bem cansativas porque muda de pose, cruza a perna, da um passo, muda de roupa, põe a mão na cintura, tira a mão, uuuuuiii! Beijo Tive duas pessoas que mais pareciam minhas mães para ajudar na gravação. Era uma que toda hora vinha ajeitar a roupa para ficar bonita na foto e a outra que além de retocar a maquiagem colocava o cabelo de lado, tacava spray, mudava de posição e por aí vai. Uma tarde de princesa.”

 

Já sacaram quem será a figura?! Não? Eu ajudo: é a Ju e o seu príncipe Charlie, meu povo!!! Riso

Pra quem não conhece, a Ju, Jucilene Braga, é dessas meninas que não se enxergam e também não enxergam é nada na frente Rindo a toa. Dona de um poderoso humor e sorriso imenso, essa moça é da linha de frente da batalha que travamos por um mundo mais acessível a todos.

Ela fechou um contrato de exclusividade, durante um ano, com uma marca ultra mega blaster conhecida e, em breve, vai tá abalando por ai. Quem pegou autografo antecipado durante a festa do blog se deu bem, agora.. amém... surpreso

“A filmagem demorou o dia todo. Foi um tal de mexe daqui, mexe dali e vamos que vamo. Gravamos numa praça na Vila Madalena, aqui em São Paulo, de tudo quanto foi jeito. Charlie ficou tão cansadinho que de novo se rebelou e deitou! Mas depois se refez e terminamos as gravações. Gravamos também dentro de um café, um lugar agradável, mas logo vi que nada acessível para cadeirantes, pois tem um segundo andar que são servidos os almoços, mas não tem outra forma de subir senão escada. Pelo menos eu não vi nada de adaptação por lá.” Muito triste

Ai, ‘pessoais’, essa menina me dá cócegas na barriga de tanto rir. A Ju leva sua cegueira tão de boa que ela deu a deixa pra todo mundo sacanear com ela no dia do rala bucho do blog. Ela pediu em um comentário dos post para ninguém abordá-la assim: “adivinha quem tá falaaaando?” Preciso dizer que toooodo mundo fez exatamente isso ao vê-la arrastando o peludão? Muito triste

“Para mim, foi a realização de um sonho, pois me lembro que quando criança fui em várias agências de publicidade porque eu desejava ser atriz e fazer comercial de TV. Ganhei tanto balde de água fria que acabei optando em escrever alguns contos que nunca publiquei. Tinha como leitores os alunos do colégio onde estudei (Instituto de Cegos Padre Chico). Depois de adulta, comecei a fazer a oficina dos Menestrés e hoje vejo (força de expressão dela, né? Rindo a toa) que não tenho limites!”

É um dia da caça e o outro do caçador, né, não?!. Grande conquista da Ju, grande conquista para todos da Matrix. A gente pode trabalhar em qualquer campo que sentir vontade e tiver talento. A limitação é puramente de quem não consegue valorizar os talentos.

Falando nisso, no domingo, no caderno Empregos, da Folha, uma ampla reportagem coloca o dedo na ferida de um questionamento antigo sobre mercado de trabalho e deficientes: a maioria esmagadora das vagas ofertadas para matrixianos é de baixa qualificação porque somos todos ‘burraldos’ ou porque alguns empresários só querem cumprir um protocolo da lei?

Vai ter um pequeno texto do tio, um texticúlo Embaraçado, dando uns palpites!

Beijos nas crianças e bom final de semana a todos.

* Fotos do arquivo pessoal de Jucilene Braga

Escrito por Jairo Marques às 00h00

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Um pouco mais de paciência

Desde anteontem, estou ruminando a história que acho que todos viram ou leram: um pai de uma cadeirante que foi abordar um cidadão escroto que enfiou o carro, sem necessidade, na vaga reservada para os ‘malacabados’. Quem não viu, clique no bozo. Brincalhão

 

Roubando uma expressão da minha amiga Flávia Cintra, “me senti envergonhado” por aquele episódio. E vou além, senti na cara parte do golpe que levou aquele pai para o hospital.

 

Pensei nas inúmeras vezes que incentivei as pessoas a cobrarem seus direitos, pensei na minha menina que anda com um talão de multas morais na bolsa para pregar nos veículos infratores, pensei em quanto isso nos humilha a todos, e a todas essas pessoas do bem que anseiam sem descanso por um mundo mais acessível, mais justo.

 

A notícia até repercutiu bastante na internet e aqui na Folha, enfrentei o “perigo” de ser rotulado como jornalista que só fala de ‘deficientes’ e tentei provocar algum alarde, o jornal deu também a matéria.

 

A repórter Renata Baptista, que relatou o fato, aqui, escreveu o seguinte para mim: “Foi difícil manter o sangue frio e não usar certos adjetivos na hora de escrever a matéria.

 

Imediatamente, me coloquei no lugar dos dois _do agressor e do agredido. Se fosse eu que tivesse parado em uma vaga a que eu não tivesse direito, ficaria no mínimo constrangida se me avisassem sobre o fato. Envergonhada talvez, mesmo porque certamente essa parada seria por descuido. Mas penso o que pode ter levado um cara a não ter tirado o carro da vaga quando foi avisado.

 

Não pode ter sido preguiça. O estacionamento estava vazio, ele nem precisava ir tão longe. E o que fez ele agredir e atentar contra a vida de outro homem por causa disso? Não cabe a mim julgá-lo, mas é impossível não me perguntar o porquê.”

 

Me colocando no lugar do agredido, os questionamentos são ainda maiores. Leo Mainardi, um homem de 49 anos, pai de três filhos _um dos quais uma cadeirante de 24 anos_ não estava na ocasião defendendo o próprio direito ou o da filha (ela não estava com ele).

 

Ele queria educar um cidadão. Que ele deixasse a vaga para quem ela fosse de direito. E por isso, apanhou. Tanto que teve que passar por uma cirurgia de emergência para retirada de um coágulo no cérebro.

 

Se ele xingou ou provocou o agressor não sei, mas se tivesse o feito, seria bem feito. Mesmo assim, não justificaria a brutalidade. Conversando com o irmão dele, o Paulinho, a vontade que tive foi a de abraçar o Leo, que ainda se recupera da cirurgia. "Que mundo é esse que quando uma pessoa reivindica pelo direito de um terceiro pode ser morta?", me perguntou Paulinho. Realmente, está tudo errado. Leo, que já foi presidente da Apae de Sobradinho (RS), conhece bem os problemas enfrentados pelos "malacabados" e já que não existe fiscalização do poder público, tomou para ele a responsabilidade de fazer o papel de fiscal.”

 

Um cidadão ser agredido desta maneira deveria mobilizar o país, deveria provocar uma reação imediata nas autoridades públicas que, para mim, são as primeiras responsáveis por esse ato covarde uma vez que sentam em cima da fiscalização.

 

Em uma semana que eu deveria estar em festa, sinto um ácido dentro da minha “guela” e tá difícil de digerir. A minha pena (ou caneta ou teclado, como preferirem) não tem poder de decisão nenhuma, apenas de gritar, de estrebuchar.

 

O sabor de uma guerra envolve mesmo as pitadas das derrotas que doem, doem, doem, doem... Tem dias que eu tenho muita vontade de largar minha farda de ‘lutador incansável’ e ir pra casa ver Bob Esponja.... Enfim, perdoem por esse novo desabafo, quem sabe, enfadonho... Eu sou assim...

Escrito por Jairo Marques às 00h00

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Por um ministro ‘malacabado’

Certa vez tava eu num desses eventos cheio de gente prejudicada das pernas, que faz uma confusão danada pra falar com as mãos (essa é nova, heim? Rindo a toa), que arrasta cachorro pelas ruas, enfim, os matrixianos, quando um cidadão que, “disque”, representa o nossos direitos ‘politicamentchi’, tascou essa:

 

“Minha experiência em relação à pessoa com deficiência é que quando eu era criança UM AMIGO DO MEU IRMÃO andava na cadeira de rodas e freqüentava minha casa. Aprendi muito com ele que era um cara super legal”.

 

A declaração acima não é “sem tirar nem por”, mas tenho testemunhas de que o que foi dito é maaais ou menos isso... Legal

 

O tal cabra num tem deficiência nenhuma, mas tá à frente de um cargo importante em relação à trupe dos abatidos pela guerra.

 

Não acho que, necessariamente, para administrar os interesses dos “malacabados” é preciso ser lascado também. Contudo, num país em que os empresários vivem justificando que não empregam o deficiente porque “nóistudo” é “burraldo”, avalio que seja importante o poder público dar o exemplo e mostrar que, sim, há muitos ‘dificientes’ com ampla capacidade técnica e, sobretudo, que não falam besteira como uns que estão no poder...  

 

No último sábado, um dos pré-candidatos à Presidência da República (este blog é apartidário e, por isso não vejo necessidade de citar o nome) ‘excrusível’ chegou a prometer que, se eleito, vai criar um ministério extraordinário para as questões do povo estropiado, mas não prometeu que o ministro ou ministra que irá mandar na “bagaça” será da Matrix...

 

Penso que, para reforçar a nossa identidade como ‘serumano’ como qualquer outro, em princípio, tínhamos de ter um “igual” lá mandando prender e mandando soltar Inocente. Volto a repetir o exemplo dos negros: alguém acharia “super natural” botar um loirão no ministério da Igualdade Racial ou botar um homem para gerir a secretaria da Mulher?

 

Povo, para arrematar essa ‘falação’ Tonto, trago um exemplo ‘maraviwondefull’ de evolução consolidada da inclusão, quando a condição física não mais se sobrepõe ao caráter e as capacidades de uma pessoa.  Na real, quem vai contar o ‘causo’ é minha amiga Danielle Naves, que mora na Alemanha, quinto país do mundo que mais lê o blog do tiozão doido! Aêêêê.

 

A Dani foi minha veterana na “facul” de jornalismo e uma das pessoas mais inteligentes que eu conheço. Embarquem nesta valiosa informação e me digam, depois, o que acham de um ministro ‘malacabado’

 

Sorte

 

 

A Alemanha não é nenhum paraíso para cadeirantes. Aqui, as dificuldades são parecidas com as que existem no Brasil, com variações igualmente parecidas: nas grandes cidades, claro, há mais acessibilidade do que nas pequenas. Em Berlim ou Frankfurt, as estações de trem, metrô, restaurantes, teatros, banheiros públicos, estão plenamente dispostos a receber o público com deficiência. Porém nas cidades menores, mesmo que turísticas, as coisas são difíceis, com ruas cheias de degraus, vielas, caminhos medievais estreitos. Certamente existem alguns elevadores e soluções improvisadas, mas não dão conta do recado.

 

O que chama a atenção neste país, de fato, não é a estrutura, mas sim a participação dos deficientes no amplo espectro da sociedade. Integração de verdade é algo que só acontece quando a gente esquece que o outro é diferente. É nesse momento que o talento fala mais alto do que os limites e as fronteiras que nos separam uns dos outros. Tal é o caso de Wolfgang Schäuble, ministro alemão das Finanças, usuário de cadeira de rodas há vinte anos.

 

 

Político competente e polêmico, conduz seu trabalho da mesma forma que seus colegas, segue o protocolo, dá entrevistas, frequenta os meios de comunicação. Em nenhum momento sua imagem liga-se à de uma pessoa limitada, vitimizada ou incapaz. Tampouco o oposto: ele não é bajulado nem carregado de lá para cá como um paxá; não é poupado por seus opositores políticos nem por eleitores eventualmente decepcionados com suas medidas ministeriais.

 

E isso não é um caso isolado, mas reflexo de uma mentalidade nacional: em linhas gerais, o alemão é pouco dado aos sentimentos de falsa piedade (chegando muitas vezes a uma franqueza dura de engolir), dotado de uma invejável autodisciplina e capacidade historicamente comprovada de se refazer após a catástrofe.

 

Para Schäuble, portanto, o sucesso político e pessoal não veio naturalmente. É resultado de muito esforço cotidiano e de uma estratégia minimamente calculada. Afinal, sobreviver à catástrofe é uma coisa; mas manter-se inteiro depois dela, é bem diferente.

 

O ministro Schäuble sempre fez questão de mostrar aos outros quando é que ele precisa de ajuda, quando  não, quais são suas necessidades e seus direitos. É casado e pai de quatro filhos. Pratica esporte nos fins de semana.

 

Embora esteja diretamente ligado à criação de medidas para melhorar a vida dos deficientes na Alemanha, não fala disso publicamente. Prefere ligar sua visibilidade aos assuntos do ministério, pois dizem respeito a todos os cidadãos da república.

 

Assim, a imagem de homem público discreto e sério predomina. Sempre que possível, dirige a cadeira de rodas sozinho, apesar de contar com o apoio de ajudantes e vários seguranças. Aliás, segurança foi o motivo de sua catástrofe.

 

 

Em 1990, ano da reunificação alemã, o então ministro do Interior (responsável pela segurança nacional interna) sofreu um atentado atribuído a terroristas da extrema esquerda. Mais tarde, descobriu-se que o responsável era um paciente psiquiátrico diagnosticado como esquizofrênico. Dois tiros atingiram respectivamente a mandíbula e a coluna vertebral, deixando-o paraplégico. Após o período de reabilitação, retomou normalmente a atividade profissional e política.

 

Hoje, paralelamente ao Ministério das Finanças, Schäuble, ao lado da mulher Ingeborg, está à frente do apoio aos atletas paraolímpicos alemães, além de ser membro curador da Fundação Alemã de Paraplegia e do Instituto Internacional de Pesquisas da Paraplegia sediado em Zurique.

 

* Este post foi escrito com informações disponíveis na imprensa alemã e no site do próprio ministro Schäuble, assim como a foto, de domínio público. Gostaria de tê-lo entrevistado pessoalmente, mas a assessoria me respondeu que eu teria de esperar um tanto que nem tenho coragem de confessar. Agradeço ao Jairo pelo espaço no Blog mais popular da Folha, da Matrix, do mundo surpreso

Escrito por Jairo Marques às 00h00

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Um milhão de amigos

Nada que eu diga aqui vai dar a vocês a dimensão real que foi o terceiro encontro dos leitores deste blog teve na minha vidinha... Embaraçado

Gente de todos os cantos do Brasil, gente doida para abraçar e sentir outras ‘gentes`. Foi uma confusão de emoções, de flash, de muletas, cachorros, cadeiras de rodas e felicidades...

Os meus dois ou três leitores se multiplicaram de forma que deixaram minhas emoções em polvorosa. Meus dois ou três fieis leitores já não cabem mais em salões dos maiores botecos dos ‘xopim’...

Meus dois ou três leitores se tornaram.... um milhão de amigos....

Sorte

 

Eu quero apenas olhar os campos,

Eu quero apenas cantar meu canto,

Eu só não quero cantar sozinho,

Eu quero um coro de passarinho,

Quero levar o meu canto amigo,

A qualquer amigo que precisar

Eu quero ter um milhão de amigos

E bem mais forte poder cantar

Eu quero ter um milhão de amigos

E bem mais forte poder cantar

Eu quero apenas um vento forte,

Levar meu barco no rumo norte

E no caminho o que eu pescar

Quero dividir quando lá chegar

Quero levar o meu canto amigo

A qualquer amigo que precisar

Eu quero crer na paz do futuro,

Eu quero ter um quintal sem muro

Quero meu filho pisando firme,

Cantando alto, sorrindo livre

Quero levar o meu canto amigo

A qualquer amigo que precisar

Eu quero amor decidindo a vida,

Sentir a força da mão amiga

O meu irmão com sorriso aberto,

Se ele chorar quero estar por perto

Quero levar o meu canto amigo

A qualquer amigo que precisar

Venha comigo olhar os campos,

Cante comigo também meu canto

Eu só não quero cantar sozinho,

Eu quero um coro de passarinhos

Quero levar o meu canto amigo

A qualquer amigo que precisar

Este post não seria possível sem coloboração artística dos fotógrafos Arthur Calasans, que tem autoria da maior parte das imagens, e Lak Lobato. Compõem ainda Maysa Maskarin e Cybelle Varonos. Para ver outras dezenas de imagens é só clicar no bozo! Brincalhão

O sucesso do encontro foi promovido por: Débora Martins (a Debis), José Maria, Maysoka, Bianca (a Bibi), Ronaldo Caparroz e Rogério Veloso (o Negão)

* Música "Eu quero ser", de Roberto e Erasmo Carlos

Escrito por Jairo Marques às 02h25

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PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 37, jornalista pela UFMS e pós-graduado em jornalismo social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999. É colunista do caderno "Cotidiano".
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