Jairo Marques

Assim como você

 

Óia o jegue!

Meu povo, e esse Natal que não chega nunca, heim?! surpreso Tá bom, vai, vamos trabalhar que agora este ano começa de vez! E desculpem ai os branquelos, mas agora eu tô no bronze! Fui lá pras Fortaleza, no Ceará, passar o Carnaval.

Se a cidade é “malacabada friendly” (vulgo amiga desse povo sem perna, que puxa cachorro-guia, que usa cadeira de rodas)? Então, ‘zente’, num é muito não. Para ‘sevirar’ sozinho lá é bem ‘compricozo’. Dei um trabaaaaalho lascado pra pratoa que me ajudou em rampas íngremes, ruas esburacadas, calçadas infames.

O que me chamou bastante atenção na cidade, sobretudo na orla, onde mais fiquei, é que em bares, restaurantes e no comércio existe a vaaaaga lembrança de que há uma raça chamada “matrixiana” e, em geral, há acessos, quer dizer, tentativas de acessos.... Sem jeito Batam o ‘zóio’ nessa rampa de uma churrascaria...

É quase uma regra, sem exageros. As rampas por lá, em geral, seguem o posicionamento das escadas e, por isso, são íngremes, não, não.... são intransponível sem a ajuda de um muque mega, ultra, power,  blaster poderoso!

Na praia em si, o que me chamou bastante a atenção é que, a seu modo, elas são acessíveis. Em barracas da praia do Futuro, umas das principais da city, existem, além de piscinas (juro, tem piscina nas barracas), ‘praigraud’ pras crianças e banheiros com portas mais largas para cadeirantes. Eles não são perfeeeeitos, mas dá pra fazer um xixo de boa. Os garços e seguranças ajudam com simpatia a chegar até a beira do mar num esforço lascado, uma vez que a faixa de areia é grande.

E pra quem acha que o tio num é um ‘minino’ corajoso, caiu do cavalo! Beijo... Fui até a praia de Cumbuco, onde existem dezenas de dunas, e andei de bugue.... com emoção! Aêêêêê.

No tempo do epa, eu já havia experimentado o passeio e jurei que nunca mais faria, mas, como eu arrastei a mulher comigo, é claaaaro que ela, toda destemida, queria sentir o gostinho do coração quase sair pela boca!

“Zimininos”, é punk! Os bugues descem em dunas que parecem que tão indo rumo a um abismo, juro, acaba a terra, acaba tudo e só resta trancar o ‘resistro’ pra não passar vergonha em público! Rindo a toa

O passeio nas dunas, a meu ver, exige que o ‘malacabado’ tenha um mínimo de equilíbrio porque o carro ‘véio’ é jogado de um lado para o outro sem parar. Talvez, amarrando bem um tetrão na poltrona, role de boa, mas não vi e nem me informaram se os bugueiros estão preparados para isso. Eu que sou “parão”, quase que “avuo” pra fora do trem.

O passeio “sem emoção” pode ser tranquilo para os mamulengões, mesmo assim, é preciso dar uma amarradinha básica nos cabras... Convencido

O Carnaval em si, eu curti pouco. Ficava mesmo era de preguiça nas areias das praias. De todo modo, vi vários blocos mais animados do que usuários de lexotan Muito triste e acompanhei alguns shows na orla da praia de Iracema, que tem um calçadão novinho e super bom pra tocar a cadeira. Detalhe, há sinalização tátil para o pessoal prejudicado da visão por todo o percurso!

Uma coisa é fato: vi pouquíssimos ‘matrixianos’ curtindo a praia ou mesmo a folia por lá. Nos festejos do Carnaval, eu era sempre o filho único e, com isso, era fuzilado por todos os lados com olhares do tipo: “ai, gzuis, o que esse ET tá fazendo aqui?!” Como eu tenho namorada bonita (metiiiiido Inocente) chamava mais a atenção ainda e era óbvio que boa parte pensava que ela era minha enfermeira, né, não? Muito triste

Senti claramente que precisamos reforçar as trincheiras da batalha pela dominação do mundo no Nordeste. Tenho convicção que, por lá, há muuuitos ‘malacabados’ com medo da rua ou mesmo, de certa forma, expulsos do convívio social...

Ahh, qual a razão de este post se chamar “Óia o jegue”?! Seguinte, todo mundo que vai bater um retrato lá, para a pessoa sorrir, solta a frase “Óóóóia o jeeeegue!”. Impossível não cair na gargalhada. Perguntei a um nativo o motivo da brincadeira, no que ele respondeu: “rapai, o passarinho aqui não agüentou o calor, não e foi embora!” Muito triste

“Uai, tio, dessa vez você não passou nenhum perrengue forte, daquelas desgraceiras boas pra gente dar risada?”. ‘Oficoursi’ que sim, né, meu povo! A minha viagem de volta para São Paulo foi ‘inacreditível’ plus, com direito a eu, sozinho, conseguir rebocar um avião com 150 pessoas, juro! Mas isso eu conto amanhã ou na segunda-feira! É imperdível!

* Fotos de arquivo pessoal

Escrito por Jairo Marques às 13h47

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Acessibilidade... nota... 10!!!

“Zimininos”, ainda estou curtindo o meu ‘ziriguidum’, mas dei um intervalo para vir aqui mostrar pra todo mundo que a escola de samba Gaviões da Fiel (afff) apesar de não ter ganhado o Carnaval de São Paulo, deu um show no quesito acessibilidade (tô desconsiderando a bagunceira de alguns, que foi feio demais).

Quem pode comprovar foi o meu amigo Evandro Bonocchi, o Bob, que desfilou na ala das Baianas... Rindo a toa... não, não, mentira... ele foi rainha da bateria ... Muito triste... Tá bom, vai... ele desfilou pela escola, e foi só felicidade de tanto que se sentiu incluído! Aêêê

“Foi sensacional!!! Desde de a chegada, com uma estrutura de deixar a Marquês de Sapucaí no chinelo. Com vagas no estacionamento (cobertas) para os ‘mamulengos’, serviço de van (gratuito) para nos levar até o local da concentração ou setor de arquibancadas, banheiros acessíveis e um carinho da escola disponibilizado para todos os foliões ‘malacabados’.”

Demais isso. Com um pouquinho de atenção, a gente faz váááárias crianças felizes, né, não? Riso. Mas, acho que a Gaviões leva ao pé da letra o dito de que o Carnaval é a festa do povo. Se é do povo, tem de ser todos!

“Cada ‘malacabado’ um tinha o seu ‘cuidador de apoio’, no meu caso foi a Fá, minha esposa. Ela ‘não sofre dessa patologia chamada CORINTHIANS, mas quem mandou casar com um doente??”

Fazer o quê, né, Bob, sua mulher estudou, é inteligente, agora, você.... bem, deixa pra lá... Muito triste

 

“Nada se compara ao que vivi na noite de sábado para domingo (de 13 para 14/02). Desfilei no canto direito, bem próximo do público. Ao ver e interagir com a arquibancada, me emocionei pra caramba. Devo ter chorado por todos os 540 metros do Anhembi. Acho que pela primeira vez fui olhado sem aquela coisa se surpresa, tipo ‘eles vêm até ao shopping??’, muito pelo contrário, eram olhares de admiração que emocionaram também a minha esposa.”

É, quando eu insisto com vocês que, aos poucos, as coisas estão mudando, eu não estou brincando, não! E esse relato do Bob é um elemento importante de prova disso.

“Mas o ponto alto foi quando passei pelo recuo da barteria e, ao me ver, Sabrina Sato me agarrou (entenda-se pegou na minha mão). Beijo Éramos 16 mamulengos na Ala 17, que, por coincidência ou não, era denominada ALEGRIA. Todos vibrando, felizes por estarem na avenida e principalmente, por estarem exercendo um direito comum a qualquer brasileiro, brincar o carnaval!”

Eu nem queria que aquela japoranga feiosa me pegasse, viu, Bob?! Carente. E esse fato é demais porque mostra ao mundo, que fica de olho na festa, que não temos apenas mulheres gostosas rebolando e luxo, tem acesso para todos!

“É bom destacar que muitas escolas de SP reservaram algum espaço para os cadeirantes, mas, naquele dia de desfile, apenas a Gaviões tinha uma ala com matrixianos fantasiados. Nas outras, as pessoas vinham por último, com os representantes de suas escolas. Para quem quiser saber um pouco mais sobre como desfilar, acesse http://www.gavioes.com.br/"

A Portela, do Rio, também tem uma ala só de ‘malacabados’ bem famosa. E tomara que no Carnaval do ano que vem eu tenha aqui histórias de diversas escolas que resolveram mostraram, de verdade, a diversidade do nosso Brasil, sil, sil!!!

Loguinho eu volto pra contar pra vocês um pouco do meu “Carna”...

* Fotos do arquivo pessoal de Evandro Bonocchi

Escrito por Jairo Marques às 19h25

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PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 37, jornalista pela UFMS e pós-graduado em jornalismo social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999. É colunista do caderno "Cotidiano".
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