Jairo Marques

Assim como você

 

É só um degrauzinho!

“Jairinho, pode vir tranquilo que aqui tem só um degrauzinho. Dá pra subir facinho, facinho, filho!”

Essa frase foi da minha tia Olga, que muita gente chama de “Orga”, que se mudara para Curitiba e me chamou para passar uns dias por lá, em umas férias passadas. Como sou viajandão Tonto, lá fui eu pra capital das mulheradas boniiiitas!

Chego em frente do prédio da tia, que fica no centro da cidade, aperto o botãozinho do interfone, e lá vem correndo um tiozinho bigodudo e barrigudo, todo esbaforido, me recepcionar!

“Você vai na casa da dona ‘Orga’, né?! Deixa comigo que eu te ajudo”! Na portaria do edifício, realmente, era só um degranzinho ‘diboa’, mas, para a minha surpresa: “Tchanannnn... para acessar os elevadores, tinha uma escadinha com uns sete infinitos degraus”.

O tiozinho nem quis saber se queria ou não seguir rumo ao apê da titia. Como se tivesse feito doutorado em ‘empurração’ de cadeira de rodas, ele me botou de costas, deu uma empinadinha na bicha e me lá estava eu, acima dos degraus, já dentro do elevador.

Ah, durante toda essa função, acham que a tia Olga apareceu lá em baixo? Naaaaada.. Rindo a toa. Fiquei na casa dela por uns quatro dias. Era eu apontar na portaria, lá estava o tiozinho de prontidão pra me dar aquela “hand”.

Tenho a nítida impressão, apesar de nunca ter perguntado, que minha tia molhou a mão do porteiro pra ele me fazer esquecer da escadaria.... surpreso

“Zente”, eu num entendo direito porque raios os “mortais” nunca dizem, de fato, a real situação que vamos encontrar! Essa eu tenho certeza, ‘malacabos’ do Brasil, sil, sil... quem nunca ouviu “é só um degrauzinho” e, quando chegou no destino, é praticamente a escadaria do senhor do Bonfim? Muito triste

Uma das primeiras leitoras e “fãs” (ui) deste blog, a Gi Azevedo, também fez uma dessas com o tio. Ela insistiu, insistiu e acabei indo filar bóia na casa dela. Como sou mais precavido do que gato perto de piscina, perguntei pra ela se havia muito obstáculos...

“Que naaaada, é só um degrauzinho para entrar na sala, mas eu te ajudo!” . E eu, então, deitei o cabelo pra Sorocity, onde mora a moça. Já imaginaram, né?! Era escada pra todo canto que vocês podem imaginar!!! Rindo a toa

E a Gi ria que se desmanchava do meu medo de ela num aguentar me subir nos degraus todos da casa e me esborrachar por lá! Apesar das emoções e do frio na espinhela, foi super mega blaster divertido.

Evidentemente que eu não nego fogo (frase de machão essa, heim?! Beijo) e não deixo de ir em locais quaisquer por falta de acessibilidade. Tenho pra mim (expressão cafooona essa Abismado) que é preciso se expor para que alguém tome uma atitude em prol dos “matrixianos”. Porém, eu gosto de saber, bem antes, pra me preparar psicologicamente, o que vou encontro no meu destino, né, não?

Confesso a vocês que, agora, já na terceira idade Muito triste, eu tenho um certo temor, tá, tá, tá.. um pânico, de ser carregado escadas acima. Podem ser dois BRANCÕES saradões, dois JAPONESÕES lutadores de sumô, que eu fico mais aflito que a aquela moça que perdeu o sapatinho de cristal no baile... Carente

Bem, e diante dessa aflição toda, saquem só a ‘situation’ que eu entrei faz pouquíssimo tempo. Depois de muuito enrolar (uuia!), fui até a casa dos meus sogros me apresentar, dizer que eu era um “minino bão” que tava namorando a “minina booooa” deles Inocente.

“Lá é sussa! Tem um degrazinho na entrada, mas eu tô acostumada e te ajudo, meu formoso!” Já ecolado, eu sabia que não seria beeeem assim, mas, tinha que conhecer os pais da patroa, ‘oficorsi’.

E me mandei pras Minas Gerais pra conhecer o povo dela. Cheguei bem tarde e a sogra tava esperando com um rangão daqueles típicos, deliciosos!! Maaaaasss....  A casa ficava, “zimininos”, no alto, não, não, beeeem no alto, era o Himalaia, praticamente Muito triste. Havia um portãozinho e depois??? Uma meeeeega rampa, íngreme, e, no final dela, mais e mais degraus..

Naquele momento eu quase perdi o futuro casamento que eu nem marquei Sem jeito. Mas a namorada nem titubeou! “Papaaaaai, ajuda a gente aqui!!!”

Só eu, só eu mesmo que, na primeira vez que vai à casa da mulher, fica nas mãos do sogro.... e do cunhado, que foi rapidinho ajudar também!

Se eles tiraram uma casquinha do tio? Claaaaro, que sim... Apesar de tamanha emoção, o jantar tava delicioso e me receberam muito bem.  O duro foi ficar dependendo de sogro e cunhados... se pelo menos fosse pra eu pedir dinheiro emprestado, ainda vá lá, né, não?! Muito triste

“Zente”, o tio parte amanhã rumo à gandaia carnavalesca! Talvez, eu apareça pra mostrar pra vocês o meu estado etílico e a fantasia rasgada Legal, mas, talvez eu volte mesmo só depois que o samba acabar, depois de puxar a cabeleira do Zezé, depois de ver Chiquita Bacana, depois de atravessar o deserto do Saara!!!

Beijos nas crianças, bom feriado!

* Imagens retiradas do Google Imagens

Escrito por Jairo Marques às 01h31

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Por Beyoncé, eles deram um show

Hoje (10/02), é o último dia dos show da Beyoncé no Brasil. Desta vez, ela irá se requebrar e “balangar” os próprio esqueleto em Salvador.

Para uma pessoal comum, ir a um mega evento como esse é relativamente simples: compra o ingresso por um bocado de dinheiro surpreso, aprende a cantar “au de singou laidis”, um dos maiores sucessos da moçoila, fica na fila para entrar no local do show por algumas horas e, depois, é só curtição.

Mas, meu povo, imaginem como é a logística de levar DOIS malacabados, mamulengões daqueles que dão um trabaaaaalho danado Rindo a toa para um espetáculo desses. Pensou? Foi pouco... , é muito, muito mais emoção na pele do que podem imaginar.

E  vejam só: quem vai contar para vocês como isso foi possível, além de narrar a emoção de participar de um dos maiores show do mundo na atualidade, são Fábio e Marli Cassiano, filho e mãe, ambos cadeirantes.

Para quem não conhece a história dos dois, eu conto tudo se você clicar no bozo Brincalhão, para quem já conhece essa formidável dupla, se prepare para ler um relato fantástico, intenso, emocionante e inesquecível.. Em vermelho, escreve a Marli, e em azul, o poeta Fábio.

Sorte

Escrito por Jairo Marques às 00h02

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Seis de fevereiro, 14:30 horas, já estamos no carro, a caminho de mais um sonho. Chegou o grande dia. Dirigindo, o Caio, meu filho, e eu na frente (com toda parafernália para eu conseguir ficar sentada e encostada no banco por pelo menos duas horas, assim espero).

 

No banco de trás, estava eu e minha cunhada (Nádia), que ao longo da viagem foi ajeitando o cinto que de tempos em tempos caía em meu pescoço. Quanto mais nos aproximávamos de São Paulo (Saímos de São José dos Campos), maior ia sendo minha ansiedade e empolgação. Para contar mais essa aventura, preciso voltar no tempo. A gente já era super fã da Beyoncé havia uns quatro anos, quando a vimos pela TV se apresentando num Grammy. Ela apareceu com um super vestido, meio transparente, e cantou “Listen”, uma das músicas preferidas. Acabávamos de ir Ao show da Ivete Sangalo e comentamos: ‘quando ela vier ao Brasil, nós vamos nem que contratemos um negão para empurrar as cadeiras’. Muito triste

 

Voltando ao presente, em dezembro, anunciaram a turnê da nossa Diva. Imediatamente me deu a doideira de ir para São Paulo, enfrentando o caos por causa das chuvas, mas de toda forma queríamos vivenciar o inimaginável: IVETE e BEYONCÉ – juntas? Seria demais.

 

 

 

Comecei a ligar para os responsáveis pela venda dos convites e perguntava: ‘olha, eu gostaria de saber qual o tipo de convite que devo comprar, considerando que irão dois cadeirantes.  Haverá um lugar especial próximo ao palco? A única resposta que obtinha era que poderia escolher os lugares ao meu gosto, teria vaga para cadeirantes em todos eles. Aí eu respondia: você conhece o estádio Morumbi? Imagino que deve ter uma escadaria e não rampas de acesso para arquibancada, tem alguém que tire essa dúvida?´

 

Como somos cadeirantes bem mamulengos Sem jeito, cheios de detalhezinhos, não podemos sair de casa sem ter certeza da segurança. Resolvemos mandar e-mails para várias lojas de venda, para o estádio, para o blog da Beyoncé, para a Mara Gabrilli, até para o Jairo. E ninguém conseguiu nos passar essa informação concreta e necessária.

 

Isso de dezembro até a última terça-feira (02/02), quando nosso HERÓI entrou em ação. Pela manhã, indo para o trabalho, meu filho Caio falou ter um compromisso e ia demorar um pouco. Fiquei no escritório e nada dele aparecer e atender o celular. Costumo ficar direto no trabalho e almoço por lá mesmo, mas quando ele chegou, pediu que eu fosse para casa (para ir ao banheiro), mas na realidade era para revelar a GRANDE SURPRESA.

 

Quando vi minha mãe chegando em casa com o Caio, percebi algo diferente. Vi nos olhos dos dois uma energia nova e logo meu irmão pediu para eu ver alguns vídeos, que, na verdade, eram a surpresas: ele gravou a busca dele pelos ingressos, mostrando os bastidores de seu bate-volta de São José até o Morumbi, em São Paulo. Em seguida, ele colocou em minhas mãos um presente maravilhoso, os ingressos que tanto sonhávamos em ter para ir ao show. Esse foi um momento incrível, que representa um gesto que jamais esqueceremos.

 

Neste momento pude ver a alegria, não só nos olhos do Fábio, mas também no Caio. Um sentimento de realizar, concretizar para o outro e receber de volta a admiração, o respeito que somente os que se doam incondicionalmente conseguem.

 

Desculpem interromper, mas... falai... quem já tá chorando? Chorão

 

 

 

Tem mais um segredinho, eu e o Fábio temos metas pessoais escritas e uma delas, tipo “The Secret”, eu repetia todo dia: EU VOU AO SHOW DA BEYONCÉ... E tem muitas metas que pretendemos realizar neste ano – funciona gente...

 

Quase 16 horas, chegamos ao Morumbi, conforme combinado com vendedor dos ingressos. Entramos pelo portão 17, onde encontraríamos SETEEEE vagas para pessoas com deficiência. Embicamos o carro no portão e o segurança já falou que não tinha vaga, e tomaríamos multa, pois estávamos do ladinho da van dos policiais.

 

Mas como todos, acometidos por aquela emoção “tipo novela”: Dois cadeirantes descendo num sol estonteante, primeiro eu, minha cadeira mais fácil de montar e depois, muito depois que o Caio conseguiu montar a cadeira do Fábio, ficamos ali na calçada, esperando ver onde guardar o carro.

 

Mas como a gente não é fraco não, alguém atrás, tipo um anjo enviado, que fazia parte da diretoria do São Paulo, perguntou para minha nora, se éramos irmãos (gostei dessa parte, o Fábio com 20 e eu com 50, com carinha de 49). Muito feliz  

 

Sei que minutos depois, veio o segurança e pediu para guardar o carro lá dentro, onde deveria ser. E nós seguimos por uma entrada, organizada, com aquelas barras fazendo um caminho até o local de acesso à área reservada.

 

 

 

 

 

De repente, lá estava a arquibancada especial dos malacabados e seus acompanhantes. Era tudo adaptado, com espaço para o movimento das cadeiras, bengala e de todo mundo. Descendo as rampas, podíamos escolher o melhor lugar para apreciar o show.

 

Resolvemos ir ao banheiro. O feminino até estava “de boa”, a não ser por um detalhe, o segurança deixava as “moçoilas lindinhas” das outras áreas entrarem para usar. No dos homens, além dos poucos mamulengos que ali estavam, o povo todo que vende bebida e salgado no estádio inteiro é que usava. Não fossem esses detalhes, o local seria absolutamente seguro e controlado.

 

Lá pelas 17 horas, raios, trovões e muuuuuuita água caíram sobre o estádio. No começo a galera tava até gostando, mas uma hora depois, o povo ficou amuado, quem tava na pista procurou se esconder e quem estava na pista premium – aquela que eu queria, engoliu água mas não desgrudava do lugar batalhado por dias, o palco molhou todinho, os dois telões laterais caíram e a gente ali assistindo de camarote.

 

Quase 20 horas e de repente, as luzes do palco se acendem e surge nossa diva brasileira, linda, com um vestido brilhante. Quando ela começou a cantar, o estádio tremeu e era isso que a gente queria sentir...

 

Bem, no nosso “camarote” pudemos ver o povo de muleta, cadeirante de diversos tipos, gente pequena, pessoas com deficiências intelectuais, idosos e acompanhantes carinhosos, tudo junto e misturado. O ambiente era muito tranqüilo.

Escrito por Jairo Marques às 00h01

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Às 22:20, após uma hora de tentativas de secar o palco, todas as luzes se apagam, o estádio estremeceu, as pessoas gritavam extasiadas pelo nome dela, meu coração dispara e ela surge no telão “...Looking so crazy in love's Got me looking, got me looking so crazy in love...”. Eu só sei a parte do “Oh, oh, oh, oh, oh, oh, oh, oh”... Muito triste

 

A sensação de ver e ouvir uma diva internacional ao vivo e com telão é fascinante, pois pude admirar a essência de sua voz, as coreografias harmoniosas e o som da banda tocando no coração das pessoas. Fiquei encantado com mais uma realização em nossa vida.

 

Nessa hora, eu queria estar lá na pista premium, como fizemos em outros shows aqui em São José. A cada música você percebe os detalhes de perfeccionismo que complementam seu canto e sua performance. Gostei especialmente quando cantou “Ave Maria”, rolou uma lágrima e quando ela fez uma capela de “Listen” eu realmente choquei, ela canta com a alma.

 

 

 

“Hi Sao Paulo”, ela disse emocionada para 60 mil fãs e nisso os aplausos tomaram conta do lugar a cada frase dela. Ela sentiu a vibração dos brasileiros e considerou aquele instante um dos melhores shows de sua vida. Quando o show acabou, eu não queria ir embora. Queria ficar com aquele momento para sempre e deixar esse êxtase penetrar em nossos corações.

 

Pudemos ver quase todos indo embora, a gente sempre espera um pouco para não participar da muvuca inicial e o nosso carro estava bem ao lado da nossa saída.

 

Meia hora desmontando as cadeiras e estávamos a caminho de casa, lá pelas duas da manhã. Já haviam se passado 16 horas que estávamos sentados e o cansaço começou a bater. Não tenho o hábito de dormir, para ficar de olho no Caio. A viagem de volta foi ótima.

Cochilo vai, cochilo vem e achamos melhor parar para o Caio voltar para o corpo. Ele estava tão cansado, que quando chegamos em casa, do outro lado da rua, ele precisava acionar o controle remoto do portão, mas simplesmente parou o carro e dormiu. Bom, até ele pôr esses mamulengos para dormir, já passavam das 4h30. Apaguei.

 

 

 

Claro que o nosso objetivo aqui não é relatar simplesmente a aventura de um dia em que duas pessoas com deficiências, no caso, progressivas, foram assistir um show de um ídolo. Não tem nada de anormal ou espetacular em fazer isso.

 

A questão é lembrar aos cuidadores, ao próprio portador seja lá do que, que a gente precisa e deve continuar sonhando. Querendo as coisas importantes, mas querendo também as coisas simples, como ir ao cinema, na volta do médico, ir ao parque, à pracinha. Temos que dar voz à vontade de pedir alguma coisa fora do script, algo além de dar uma ajeitada na cadeira, um pouco de água, um refri (ops, já foram dois pedidos de uma só vez)...

 

 

 

 

Confesso que estava só um pouquinho frustrada antes da atitude do Caio de nos presentear com “vida”, mas, gente, ele nos deu um upgrade de energia, de amor pela vida, de vontade de continuar nessa estrada cheia de pedrinhas. Só posso enfatizar à família e aos cuidadores o quanto a comunicação se torna o elo essencial entre o simples cuidar e “o transformar” a vida complexa, às vezes, dolorosa de quem tem alguma deficiência, em uma forma possível e gostosa de se viver, independente de qualquer prognóstico pré-determinado.

 

Por isso a gente decidiu valorizar cada um de nossos dias, pois é com isso que fazemos a nossa vida valer a pena.

 

Quando decidimos abençoar a vida de nosso próximo com algum gesto sincero e carinhoso, a felicidade que se ganha tanto para quem dá como para quem recebe se transforma em uma verdadeira dádiva.

 

* Imagens do arquivo pessoal de Fábio e Marli Cassiano

Escrito por Jairo Marques às 00h00

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Determinação

Eu não acho que, necessariamente, a vida seja que nem aquela musiquinha que tocava no desenho da She-ha, muito linda Beijo, que dizia assim: “O bem vence o mal; espanta o temporal. O azul, o amarelo, tudo é muito belo....” E tinha uma versão criada pela molecada da minha rua que era assim: “A Sheha e o He-man, fizeram um neném”... Muito triste

Tô doido, né, gente?! Tonto Acho que é porque ontem voltaram as aulas na “facul” e retomei aquele ritmo frenético de viver.  

Mas, voltando ao assunto:  não é porque um fulano é prejudicado pela guerra, que ficou todo lascado, que a vida, em seguida, vai dar a ele um monte de presentões e ele será o bom da boca em tudo o que fizer. Ser deficiência não tem nada a ver com, sempre, angariar grandes conquistas, realizar grandes feitos. 

Porém, o que não dá pra negar em um “malacabado” legítimo, daquele bem tortinho, bem surdinho, bem ceguinho Legal, é uma enorme gana de querer fazer melhor, isso, é inegável.

O vídeo de hoje, dica do queridão Léo Feder e produção/legendação Muito feliz da Silvetz Dutra, mostra um pouco disso, de determinação. Acho que vão gostar!

Ah, botem reparo que, pela primeira vez, a Silvia testa fazer áudio descrição, pra ajudar os “pessoais” com os ouvidos prejudicados... Eu achei “mara”!!!

Escrito por Jairo Marques às 00h01

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Esquenta

Êh, meu povo, tá quase na hora de rasgar a fantasia, heim? Aquele monte de cadeira de rodas no salão passando em cima dos pés do “zoto”! Inocente

 

Já contei que eu fui um folião daqueles de ir todas as noites pra folia, né?! Era uma “deli”. O duro era aguentar os bêbados caindo em cima de mim ou me rodopiando pelo salão... Para saber como foram meus carnavais passados, clica no bozo! Brincalhão

 

Neste ano, o tio vai de mala, cuia, patroa e serpentina pro Nordeste. Vou experimentar um pouco da folia de rua. O bom é que é na rua porque calçada nesse país todo mundo sabe, é uma buraqueria sem fim.. Carente

 

Bem, mas eu pedi para a minha querida baiana e loirona gata Carina Queiroz, que já é escolada de sambar nas ruas soteropolitanas, dar umas dicas e falar um pouco pra “nóis tudo” como é carnavalizar a bordo de uma cadeira de rodas. Ficou mara!  Neste ano, quero ver esse povo torto tomando conta das ruas e soltando a franga nas avenidas, heim?! Beijo Este post, pode ajudar a dar coragem e aprender como fazer boniiito nas passarelas do samba!

 

Sorte

 

Sempre fui fã do Carnaval, desde que me entendo por gente saio às ruas para curtir a festa. Como uma boa soteropolitana eu não podia deixar de brincar o carnaval de Salvador. A cidade se transforma, os foliões aguardam ansiosamente por esta época do ano. Vocês podem estar se perguntando, mas como uma cadeirante sai às ruas numa multidão de mais de dois milhões de pessoas? surpreso Pois então, contarei um pouco das minhas “andanças” por aqui.

 

Me tornei cadeirante aos 18 anos, portanto já experimentei ir ao carnaval antes e depois da cadeira de rodas. Aqui existeM algumas formas de curtir a festa, na rua, o que chamamos de folião PIPOCA, dentro dos blocos, ou em camarotes, este último o considerado mais seguro, principalmente pra gente da “Matrix”.

 

 

Particularmente gosto da bagunça, de sair em blocos, no meio da multidão, acho mais gostoso de se divertir. Sair pela primeira vez com a cadeira de rodas demorou um pouco a acontecer. A primeira vez que decidi sair no Carnaval após me tornar uma matrixiana foi com um grupo de amigos, cerca de dez pessoas.

 

A chegada foi tranqüila, fomos de carro particular e chegamos cedo pra evitar tanta gente no trajeto até a concentração do bloco. Procurei um lugar mais calmo dentro do bloco que, geralmente, fica entre o carro principal e o carro de apoio ou o final do bloco para que pudesse ficar o percurso inteiro, cerca de 4h30min.

 

É interessante que o matrixiano que tenha dificuldade para se locomover escolher o melhor percurso pra sair. Existem dois aqui em Salvador, o Circuito da Avenida ou Campo Grande, mais longo, com duração em média de 6h  e o circuito Barra-Ondina, o que eu mais prefiro.

 

A energia dentro do bloco é uma delícia. As pessoas olham com admiração, muita gente quer te cumprimentar, parabenizar por ter tido a coragem e alegria de quere sair no carnaval também. Querem também “cuidar” de você, oferecendo bebida, comida, abrindo espaço pra passar. Já saí em blocos, camarote e em cima do trio elétrico. Em 2009, foi o ano que mais experimentei novidades. Fui às três opções.

 

Já existe uma preocupação em construírem camarotes acessíveis, mas nem sempre totalmente adaptados. Eles se preocupam, em sua maioria, com rampas, mas esquecem dos banheiros. Particularmente em um que fui existia banheiro químico, mas o adaptado não é confortável pra um cadeirante, pois existe um batente pra entrar e é bem apertado.

 

Em cima do trio foi muito bom! A subida e descida nele não são muito confortáveis, mas todo o resto compensa. A escada é estreita, por isso o trajeto é mais complicado. Saí no circuito da Avenida, cheguei com tranqüilidade, mas na hora de ir embora tive que ter auxílio dos seguranças do trio pra chegar ao carro. Não tenho experiência em sair na pipoca, por isso não posso dar dicas da melhor estratégia a adotar. Pelas ruas existem banheiros químicos e dentre eles adaptados.

 

Dicas para quem vai à folia:

 

* Para os cadeirantes, não esqueçam de calibrar os pneus, principalmente se sair em blocos ou na Pipoca. Eu já dei trabalho aos amigos, com pneus murchos;

 

* Cuidar da saúde, beber bastante líquido, alimentar-se antes de sair de casa, uma alimentação leve. Cuidado ao ingerir alimentos na rua;

 

* Para quem faz xixi de canudinho, em hipótese alguma esquecer o material, pois fica difícil programar a saída e chegada no intervalo entre um cateterismo e outro. Além de não saber exatamente o local e horário que irá encontrar banheiro acessível e adaptado.

 

 

* Dê preferência para sair de táxi ou ônibus. Além de poder curtir mais à vontade, estacionamento é complicado em relação à acessibilidade e o início do percurso é diferente do final e não recomendo voltar pela rua do circuito, pois irá enfrentar uma grande multidão;

 

* Procurar chegar cedo ao local para evitar muita gente e muitos trios elétricos no caminho até chegar no seu destino;

 

* Se escolher ficar na rua, como folião Pipoca procurar um local mais tranqüilo e de fácil acesso;

 

 

* Saindo em bloco, escolher o melhor percurso dentre os dois disponíveis (Barra-Ondina ou Avenida) lembrando que possuem durações diferentes;

 

* Escolhendo camarote, recomendo certificar-se que existe rampa de acesso, banhiero especial para matrixinao. Se possível escolher um de fácil acesso quando chegar nos circuitos. Existe alguns que o acesso é feito por ruas paralelas ao circuito, portanto de acesso mais tranqüilo.

 

* Imagens do arquivo pessoal de Carina Queiroz e do Google Imagens

Escrito por Jairo Marques às 00h06

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PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 37, jornalista pela UFMS e pós-graduado em jornalismo social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999. É colunista do caderno "Cotidiano".
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