Jairo Marques

Assim como você

 

Agora dominamos os mares!

Sempre me falaram que viajar em um navio era algo super “diboa” para uma “malacabado” como eu. As grandes embarcações possuem cabines acessíveis e saracotear de um lado para outro a bordo da cadeira de rodas é “tranquis”.

Ainda não experimentar essa aventura. O único barco que entrei até hoje foi canoa furada, mesmo... Muito feliz.  Não, pera, pera... teve uma vez, eu estava em Bombinhas, nas Santa Catarina, e fui visitar uma ilha (ui), ai andei num barquinho ruim da gota serena... Não era nada daqueles bonitões, que a gente dá tchauzinho com lencinho na mão, sacam?

Contudo, os meus leitores são mega, ultra, blaster viajandões surpreso e não é que a queridíssima Ludmila Pedrosa pegou o “namo” dela, o André, que é prejudicado das pernas também Rindo a toa e foi com o homi por um cruzeiro “maraviwonderfull”?!

“Me garantiram que as instalações eram boas.  Vi a planta no site, pesquisei fotos, enfim...Me pareceu a opção mais descomplicada. Escolher o destino foi a parte mais fácil (Rio, Angra dos Reis e Ilha Bela). Fechamos por telefone, depois de eu me certificar inúmeras vezes de que a cabine era mesmo a adaptada. Foi até engraçado, porque a primeira opção de navio já não tinha mais a cabine adaptada disponível... Fomos no Grand Celebration, da Ibero.”

Tá ai uma boa dica pra quem não quer ter uma surpresa daquelas do peru. Tem que pesquisar, meu povo, fuçar, se informar se, realmente, há condições de acesso. Porque pra quem é “deficientchi”, uma viagem pode azedar logo na chegada ao hotel, quando o cabra encontra a ex.. ops, a escadaria.... Muito triste

“Uma vez decidida a viagem, preocupei-me com a parte prática...a ida até Santos (onde fica o porto). O André decidiu que iríamos de ônibus mesmo e pronto, pois as outras alternativas eram muito caras e inviáveis! Preocupada com o que poderia ser na rodoviária, entrei em contato com a Secretaria da Pessoa com Deficiência, que não ajudou muito e encaminhou para a Secretaria de Trânsito?!?!?. Fiquei indignada e escrevi para o nosso excelentíssimo presidente J.Marques (olha que fino!!!) contando a saga que seria, mas ele solucionou meus problemas me pasando o contato de uma empresa mega atenciosa que tem uma equipe cuidadosa e simpática...Eles tem um esquemão que leva os cadeirantes da Rodoviária de Santos até o Porto!!!”

Viiiiiram como o tio é um “minino bão?!  Para saber qualé a empresa, clica no bozo que eu digo! Brincalhão

 “No Porto, me surpreendi: tinha elevador, rampas e  banheiro acessível!!! (O mundo num tá de cabeça pra baixo? O que deveria ser regra, surpreende! Tonto) Despachamos a mala, fomos ao mirante e ficamos no saguão...O Porto estava lotado, muita gente mesmo! O lugar é bem mais bonito do que eu imaginei . O grande problema por lá é a precariedade nas rampas da van que nos levou para o navio. Apesar de o motorista ser prestativo, aquela rampinha é bem tosca...graças a Deus também deu certo!

Uma coisa é certa para quem é lascado pela guerra Beijo e resolve viajar, meu povo: haverá sempre pequenos ou grandes desafios arquitetônicos, sobretudo, a serem enfrentados. Isso está no pacote. Não existe uma viagem 100% acessível porque em toda parte existe uma raça chamada “serumano”, que nem sempre colabora.  

“Gente, tudo era muuuuuuuuuito legal. A parte do navio que escolhemos era três estrelas, categoria considerada confortável. De cara fomos para a cabine. Acolhedora, limpa e dava para o André circular tranquilamente. O banheiro me preocupou um pouco. Tinha um degrauzão para entrar. E apesar de ter um banquinho maneiro na ducha, tinha uma divisória no chão entre o box e o espaço da pia. Para sair, o André conseguia sozinho, mas para entrar, eu dava uma ajudinha.”

Tá ai um ponto importante. Se o “malacabado” for sozinho, então, ele tá na roça. Será que naqueles cruzeiros de solteiros é mais fácil pra entrar no banheiro? Porque, se não for, tem que se arrumar rapinho ou vai ficar na mão do marujo... Muito triste

“Havia mais dois cadeirantes no navio. O primeiro embarcou em Santos. E o outro, no Rio de Janeiro, que foi nossa parada no segundo dia. Íamos de elevador para todos os lugares, menos para o deck com cabines externas, que só era acessível de escada. O único ponto planejado errada foi que no restaurante em jantávamos (têm vários no navio!), a mesa que nos era reservada tinham sofás em vez de cadeirsa. Mas contornaram a situação e nos colocaram numa mesa muito animada com piracicabanos adoráveis e engraçados.”

Pra morar em Piracicaba, com aquele mundo de ladeira, tem mesmo de ser muuuito animado, né, não? Carente

“Fomos aos bares, ao cassino, e o teatro também era acessível. As festas eram boas pra caramba (incluindo uma à fantasia)! O André não quis entrar nas piscinas, mas os outros dois cadeirantes subiram nas jacuzzis sentados. As piscinas e jacuzzis têm degraus.”

Ahhh, mais eu gosto dessa ‘tali’ de jacuzzi, viu?! Botaria a mulher pra me carregar, mas eu ia fazer um escalda pé nesse trem... Rindo a toa Como eu já contei, tô numa fase meio aquática (baleiudo aborrecido) e não perderia por naaaada!

“Foi uma viagem maravilhosa, esqueci do mundo. No primeiro anoitecer, ficamos no deck e me emocionei com aquela imensidão de mar, me fez para pra pensar o quanto realmente somos pequenos diante desse mundão de Deus! Foram cinco dias e quatro noites inesquecíveis! Foi romântico, divertido, foi tudebom.com.br. Recomendo, queria mais e não vejo a hora de voltar!!!”

Duviiiiido se todo mundo num lembrou da cena do Leonardo “Ticapo” e da “Kaiti Wuiskeis” nos Titanic, com aquela música breeeega, dando um beijão gostooooso!!! Convencido...

Bem, agora não tenho mais dúvida, quero andar num naviozão desses..... Bora ‘nóis tudo’?? Ótimo final de semana e beijo nas crianças!

* Imagens do arquivo pessoal de Ludmila  Pedroso

Escrito por Jairo Marques às 00h01

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Acende a luz!

“Zimininos”, há quase um ano abri o espaço para que vocês dissessem que tipo de assuntos gostariam de encontrar  aqui no blog pra gente discutir, discordar, concordar, quebrar o pau surpreso, aprender, relaxar.

 Foram 47 comentários naquela ocasião dos quais: vinte eu consegui atender integralmente as sugestões e pedidos de post.. aêêê!!! Convencido... Em nove casos, eu fui “meia sola” Carente, rolou de atender parcialmente a dica deixada.

 Em catorze casos, o povo escreveu, escreveu, escreveu e não deixou sugestão nenhuma.. Rindo a toa... E em quatro casos, eu não consegui postar nada sobre o assunto sugerido.

Queria hoje, então, abrir uma nova rodada de ideias vindas de vocês. Quem quiser também pode deixar críticas sobre assuntos que não foram bem abordados e que precisam ser retomados ou mesmo escrever que me ama, que eu 'gostcho muicho'.... Muito triste

Vamos lá, meu povo, bota a cachola pra rodar e me dá uma ‘hand’ para avançarmos rumo à dominação do mundo neste ano! Acende a ‘luiz, gzuis’ Inocente... Conto com tudomundo.com.br!

Escrito por Jairo Marques às 23h00

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Rio 2016, me aguarde...

Botem fé, esse ‘veio’ condutor de um kombi doida, sem freio, rumo à dominação do mundo, voltou com tudo para as “atividadchis” físicas. Tô nadando, assim, quase nadando, mais boiando, soltando bolha n`água que nadando, mas tá valendo... Convencido 

Como diz a minha tia Filinha “difinitivamente” eu precisava fazer algo para conter a manifestação desenfreada da minha pança sobre o meu corpinho... Rindo a toa. Tô perdendo a agilidade, tô muito molão e precisava mexer o doce. E aí, comecei ontem, a frequentar uma academia bem bacanuda... aêêêê!

Olha, “zente”, nem era a preguiça que me fazia ficar paradão (mentiiiira Muito triste), era mais a falta de achar um local onde eu me sentisse à vontade,  incluído, bem-vindo e, sobretudo, que fosse totalmente acessível. E vou contar, achei!

Batam o ‘zóio’ em um cartaz que existe bem na entrada da ‘morombaria’ Beijo e percebam se, de cara, não se sente uma motivation... vulgo motivação, para os ‘anarfa’ em francês .. surpreso

 Para o pessoal prejudicado da visão, tá escrito: "Sim, nós todos podemos". Desde o primeiro contato, o povo me tratou ultra mega blaster bem. “Ahhh tio, mas deve ser academia de bacana, que vou ter de vender bala no farol pra pagar”... É, num é baratinha, custa mais de ‘derreal’ Carente, mas achei o preço justo. Se gasto com pinga, tenho de gastar também pra manter a minha funilaria razoavelmente em ordem, né, não?

E os ‘povo’ de lá, até agora, é craro crovis, não mediu esforços para me fazer sentir num lugar em que sou visto como qualquer outro ‘serumano’. Chego na portaria com a komboza, eles me dão aquele help com o cavalo e tá feito. Falta uma rapinha entre o estacionamento e a calçada que dá acesso à entrada da academia, mas disseram que vão resolver ‘rapidamente’.

Para chegar às piscinas e aos vestiários, é preciso ir pelas escadas ou.... usar um elavador de malacabados! Uhrúúú.... antes de eu começar, eles fizeram testes no equipamento pra ver se tava tudo ‘oquei’. Falem se, antes mesmo de começar, já não exibo músculos de César Chinielo? surpreso

 

Diferentemente de outras academias, os corredores dos vestiários são largos e permitem até quem tem aqueles cadeirões elétricos, igual ao do meu brother Leandrão Kdeira Muito triste , passar sem muitos transtornos.

Há também box de ducha mais largos e com barra de apoio, para mode eu me escora e não tomar um capote na hora de transferir da minha cadeira para a cadeira do banho!

 

Como o meu tipo de treinamento é intensivo, meu ritmo tá muito forte, pedi pra começar treinando na piscina dos... é... das... assim... coméquieudigo.... é... das criança... Beijo. Mas calma, num tem ‘zimininim’ nenhum na hora que eu to fazendo aulas, só um pessoal de altíssimo desempenho, que nem eu, que fica... tipo... batendo perninha e soltando borbulhas na água... Muito tristeMuito triste

Vou me dedicar bastante pra virar um peixe na água e disputar o ouro nas Paraolimpíadas de 2016..... "Em qual ‘modalidadchi’, tio?" Então, categoria dos peixe-boi, sacam? Rindo a toa

Para quem quiser saber qualé a 'marombaria' é só clicar no bozo. Num digo aqui porque só faço publicidade de graça e puxo o dos meus amigos! Brincalhão

Escrito por Jairo Marques às 00h01

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O “acaso” de oito minutos

“Pessoais”, acho que pouca coisa irrita mais esse povo da cadeira de rodas que nem eu como o fato de enfrentar, muitas vezes, uma dificuldade medonha de aliviar a bexiga, de encontrar o “iury ney” Muito triste, de botar o xixo pra fora...

O que é algo absolutamente comum e pontual para os “mortais”, é uma tarefa que precisa ser planejada, estudada e desafiada para diversos “matrixianos”. Para exemplificar, publico hoje um texto inédito que chorei de rir, da minha amiga gata, Carolzinha Ignarra.

Meu povo, ajude a gente a fazer um “mix” com mais tranquilidade e a nos deslocarmos libremente também em prédios. Cobrem banheiros acessíveis por todo canto e, quando eles existirem, que sejam respeitados. E ‘teje’ dito.. ui... Beijo

 Sorte

Todo fim de ano é igual, faço meus planos para o ano que está para chegar: família, trabalho, saúde, amigos... e sempre desejo ser mais tolerante com os imprevistos e acasos na vida de uma cadeirante.

Na quinta passada , 07 de janeiro de 2010, foi oficialmente meu primeiro dia de trabalho do ano, tive duas reuniões e um almoço e resoluções diretas com os clientes, já me deparei com duas situações que se não fossem tão trágicas, seriam engraçadas, ou melhor: se não fossem engraçadas, seriam trágicas...

Cheguei, 11h50 a um conhecido conjunto de edifícios empresariais onde tinha um almoço marcado às 12h e uma reunião às 14h. Estava “em cima da hora” e corri para um sanitário no piso térreo do conjunto que eu já conhecia e sabia que era adaptado.

Para chegar ao sanitário foi um caos, duas portas pesadas e difíceis de transpor, tive que encarar. Minha bexiga super cheia e eu super preocupada com um possível vazamento e o transtorno, pois eu ainda tinha dois compromissos importantes.

Enfim cheguei ao sanitário, um corredor e 3 cabines internas, sendo que uma delas é acessível. Para minha surpresa e o 1º acaso do ano (chamo de acaso, a falta de acesso, de preparo, de respeito, apenas para ser mais sutil). O corredor que dava acesso às três cabines estava interditado por um armário de funcionários. Isso mesmo, a passagem que deve ter aproximadamente um metro de largura está agora com uns 50cm, no máximo. E minha bexiga super cheia!

Depois da tragédia a parte engraçada! Fiquei uns vinte segundos em choque, paralisada, pensando que não podia me atrasar para o almoço e já eram 11h55... olhei para minha esquerda e vi o outro sanitário aberto, logo percebi que era o masculino pelos mictórios, que, na verdade, me salvaram naquela hora.

Não, eu não usei os mictórios, mas por causa deles, mesmo com o armário dos funcionários que também tinha ali, o banheiro do homens era mais largo e a passagem para as cabines possível para mim, não tive dúvida, bati na porta, perguntei: “tem alguém aí?”, ninguém respondeu, entrei rapidinho e me tranquei na cabine.

Enquanto esvaziava minha bexiga, ouvi um barulho, era um homem, quer dizer, acho que era um homem, abriu o armário, pegou algo lá, fez xixi... ouvi tudo... a porta fechou.

Pensei: “estou sozinha novamente”, terminei minha parte, já estava vestida e ouvi barulho de novo... esperei! Não ouvia mais nada quando abri uma frestinha da porta da cabine, vi pelo espelho um homem lá dentro, esperei. Ouvi o barulho da porta, estava sozinha... saí, correndo, lavei a mão cheia de medo de ser flagrada... saí e ninguém me viu! Pelo menos eu acho!

12h08 estava em frente ao restaurante. 8 minutos de atraso pelo acaso!

No almoço conversamos sobre o acaso e surgiu a idéia de escrevê-lo. Mal sabia eu que meu texto ficaria mais completo, outro acaso ainda estava por vir.

14h eu estava na recepção da empresa que tinha marcado a reunião. O rapaz que me atendeu disse que o evento seria em uma sala no andar abaixo, 13º e uma pessoa me aguardava por lá. Ele perguntou: “precisa de ajuda?” Respondi: “É só descer, não se preocupe!”

Chamei o elevador que demorou um pouquinho, chegou, entrei e aí o 2º acaso do ano... o botão do 13º era muito, muito, muito alto, não consegui acionar. O elevador desceu... torci: “vai parar no 13º, vai parar no 13º!” Passou reto!

 

“O que faço agora? Bem que a sala de reunião podia ser no 4º ou 5º andar” Parou no 10º entrou uma senhora, pedi ajuda: “moça aperta o 13º pra mim, por favor?”. A moça me olhou com aquela cara de dó, meio que entendendo o que estava acontecendo e acionou o 13º para mim. “Obrigada!”

Descemos, com algumas paradas nos andares, fomos até o -2  e eu pensando em uma piada, daquelas bem humor encardido sobre anões (o anão mora no 10º andar, mas todos os dias desce no 6º e sobe o restante pelas escadas. Ele só sobe direto em dias chuvosos, por quê? Porque aciona o 10º com a ajuda do seu guarda chuva) Muito triste. Pensei: “bem que podia estar chovendo!”

Agora fora da piada, na vida real, conheço um anão que trabalha em uma empresa que atendo, ele anda com uma antena no bolso (daquelas antenas que professor usava para apontar a lousa, sabe?), ele sobe e desce pelos elevadores acionando os andares com a antena. Ganhou do chefe dele!

Cheguei no 13º, 14h08 minutos. 8 minutos de atraso pelo acaso!

Conviver na sociedade sem acesso é isso, ser tolerante e até achar graça quando a minha necessidade é esquecida.

* Fotos de divulgação

Escrito por Jairo Marques às 00h10

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PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 37, jornalista pela UFMS e pós-graduado em jornalismo social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999. É colunista do caderno "Cotidiano".
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