Jairo Marques

Assim como você

 

Perdedores?

Um dos meus leitores mais fiéis me pegou no contrapé hoje pela manhã e, não tenho dúvidas, vai pegar a todos vocês....

 

Minha mãe costuma dizer que, depois que comecei com o blog, virei um chorão... Rindo a toa, mas, me digam, me digam, “zimininos”, se esse presente de Natal garimpado pelo querido Thiago Pellizzaro, de Bento Gonçalves (RS), não é de deixar a gente debulhando em lágrimas...

 

Trata-se de uma cena de um novo seriado da TV paga chamado Glee. Em resumo, o programa mostra os desafios de um grupo de “loosers” (tidos como perdedores por estar fora do padrão dos certinhos) dentro de uma escola...

 

Vejam ou ouçam o que os “perdedores” fazem com o nosso coraçãozinho... Sem jeito. Entre eles, que formam um coral na escola, estão cadeirantes, cegos, surdos e outros malacabados... Todos de verdade... 

 

 

Escrito por Jairo Marques às 12h06

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Aqui da minha “prisão”

Tava assistindo ao Fantástico no último domingo, com aquela preguiça lascada e na chateação de saber que dali a algumas horas o final de semana ia acabar Cansado, quando começa uma reportagem sobre um filme que estreia aqui no Brasil, nesta semana: Avatar.

 

A ‘pegada’ do barato (gzuis, que linguagem é essa? Muito triste), que é de ficção científica, é um bando de “serumano” querendo passar a perna nuns alienígenas por causa de um mineral raro encontrado em seu planeta, Pandora. Para isso, os terráquios criam clones dos ETs para saracutear no outro mundo.

 

Bem, mas o mais legal do filme é que o protagonista, vulgo aquele cara que carrega o enredo nas costas Beijo, é um...malacabado! Aêêêêê

 

O mocinho do “Avatar” é um cadeirante que vai mandar ver nos ETs... ui... surpreso. Vejam o trailler ai abaixo que depois eu converso mais...

Agora, voltemos ao Fantástico. Durante a exibição da reportagem, a repórter Lilia Teles, correspondente em Nova York, solta o seguinte:

 

 “O ator Sam Worthingon interpreta no filme um soldado veterano que vive PRESO a uma cadeira de rodas, mas Jake (o personagem) se livra da paralisia ao encarnar o clone Navi, um guerreiro que vai espionar Pandora.”

 

Meu povo, pode parecer radicalismo da minha parte, mas “preso a uma cadeira de rodas” eu acho muito broca. E mais, essa expressão, em minha opinião, acentua nos “matrixianos” uma visão de incapacidade extrema, de coitadinhos, de gente impossibilitada de viver uma vez que está “trancafiada”, está enjaulada.

 

Claro que não dá pra jogar confetes e dizer que nossos “cavalos” são Ferraris que nos dão status e uma vida de prazeres sensacionais, contudo, a cadeira de rodas me liberta, me possibilita ir daqui para acolá, me leva pelas ruas esburacadas, me dá a possibilidade de interagir em sociedade, de trabalhar, de carregar a mulher no colo Muito feliz, então, num posso considerá-la uma prisão. Como assim, prisão?

 

Qual foi o crime que cometi para estar preso em algo? Que elevador da minha vida fundiu para eu estar preso em algo? Que amarras me botaram pra eu estar preso em algo?

 

Pô, eu sou livre! Se há algo que me “aprisiona” não é a cadeira de rodas, mas sim o desleixo social e político com a minha condição física.

 

Não quero romantizar a deficiência e, ‘logicamentechi’,  vivo escrevendo aqui que é broca ser abatido pela guerra Carente, porém, não admito que me coloquem a crina de prisioneiro.

 

Enfim, só queria colocar esse bode na sala. O que vocês acham disso, heim? É preciosismo da minha parte? Faz sentido? É preciso mesmo falar em preso na cadeira de rodas para que as pessoas fiquem espertas e se cuidem no trânsito?

Escrito por Jairo Marques às 16h30

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Procuram-se bailarinos

Esta menina tão pequenina quer ser bailarina.

Não conhece nem dó nem ré, mas sabe ficar na ponta do pé.

Não conhece nem mi nem fá, mas inclina o corpo para cá e para lá.

Não conhece nem lá nem si, mas fecha os olhos e sorri.

Roda, roda, roda, com os bracinhos no ar e não fica tonta nem sai do lugar.

Põe no cabelo uma estrela e um véu e diz que caiu do céu.

Esta menina tão pequenina quer ser bailarina.

Mas depois esquece todas as danças, e também quer dormir como as outras crianças

 

A Escola Circo e Dança, de Suzie Bianchi, procura cadeirantes que tenham interesse em ser bailarinos.

 

Os candidatos precisam ter mobilidade no tronco, morar em São Paulo e horário para treinar e curtir dançar.

 

As apresentações dos bailarinos recebem cachê! O próximo grande evento será em fevereiro, no SESC de São Carlos. Informações: (11) 5543- 0620 ou www.circodanca.com

 

* Poesia “A Bailarina”, de Cecília Meireles

**  Fotos de Rapha Bathe e Arquivo da Circo e Dança

Escrito por Jairo Marques às 08h25

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PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 37, jornalista pela UFMS e pós-graduado em jornalismo social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999. É colunista do caderno "Cotidiano".
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