Jairo Marques

Assim como você

 

Naquele batlocal!

“Zimininos”, já voltei! Tô só o pó da goiabeira... Carente. Mas “di certeza” que me resta energia suficiente para, amanhã (05/12), participar do mais importante do ano para a dominação do mundo por parte da “Matrix”: a Passeata do Movimento Superação em São Paulo.

 

Deixem a “pregui” de lado, chamem seus amigos e vamos colocar nossas rodas na rua!

 

Para o pessoal do blog, a nossa concentração (falai se isso num é xiqui pra mais de metrô? Rindo a toa), será na Praça Dom José Gaspar com a avenida São Luís. O tio vai ficar em frente da galeria Metrópole, bate o olho ai no mapinha!

 

 

 

Pontos de referência para a praça: edifício Itália, Edifício Copam, é tudo ali do ladim! Para vir de metrô, há a estação República (que tem elevador e é de boa para cadeirantes) e a estação Anhangabaú.

 

Nós vamos caminhar, galopar, muletar, rastejar Muito triste, até a Praça do Patriarca, onde vai rolar uma “baladchinha”!

 

Para quem gosta de celebridades, “disque” que a Aline Moraes irá gravar uma cena da novela "Viver a Vida" em plena passeata. Será?!

 

É isso, meu povo... espero vocês lá! Todo mundo de uniforme, mais engomado do que filho de alfaiate!  Sobre o evento de Brasília, eu conto na semana que vem, depois que o remédio pro estômago fizer efeito.. Muito triste

 

Adianto, com toooodo respeito ao pessoal megaultrablaster legal que encontrei por lá, que quando mais eu conheço as organizações públicas, mas eu adoro o movimento Superação Beijo...

 

Até amanhã! Beijo nas crianças

Escrito por Jairo Marques às 13h57

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À luta, companheiros!

Em todas as fases da minha vida e em diversos momentos do meu dia, eu tenho de ouvir, aceitar e empunhar como lema a frase: “Você tem de lutar. Você tem de lutar para vencer”.

Logo quando bebê, travei combate contra a poderosa poliomielite, a paralisia infantil, que me abateu um bocado, levou boa parte do meu “território”, mas que, por fim, sucumbiu à minha força de continuar existindo.

Depois vieram as batalhas de tentar arrumar o que sobrou do meu corpo, de me aceitar deficiente, cadeirante, ‘malacabado’.  Veio a grande luta da adolescência, de suportar a suposta feiúra da perna seca, de começar a entender que o mundo pra mim era sempre, sempre torto, jamais havia uma linha reta.

Sem tréguas, vieram outros inimigos: a dureza de morar longe de casa, a quase insuportável dor de, sozinho, todos os dias, enfrentar um caminho escuro, cheio de buracos, para agarrar um tal de diploma. Deficiente formado, estudado? Sim, acredite, é uma luta.

Não sei responder e não sou de dramas, sou realista, sou firme nos meus pensamentos: não sei de onde vinham as tais forças esplendidas para seguir, para querer transgredir a lógica perversa que eu seria uma espécie diferente e mal quista pela rua, pela calçada, pelos bares, pelos restaurantes, pelos ônibus, pelos teatros, pelas lojas do comércio, pelos prédios públicos....

“Vai que você tem que vencer”, dizia a minha velha mãe nos remotos relances de cansaço e de pensamentos de sucumbir aos inimigos.

E lá veio as guerras por um trabalho digno, por manter um trabalho digno, por conseguir escalar um pouco da tal desejada “carreira de sucesso”!

Quando eu observo ao meu redor, quando percebo as grandes lutas que travei, reforço o pensamento e me conformo: ser deficiente é ter como sina estar sempre em campo aberto de tiro.

É, porque eu tenho também a luta contra os olhares tortos e piedosos, a luta por ser visto como ser humano, a luta contra o infeliz que para nas vagas reservadas, a luta pela rampa naquela esquina, a luta para entrar aonde quero, a luta para ter materiais básicos para a minha qualidade de vida.

Até este diário, que tanto me traz prazer, me traz energia, me dá um gosto delicioso de ser mais cidadão, trava comigo algumas batalhas: um pouco de insegurança, um medo de ficar responsável demais, uma cobrança sem fim de buscar ser melhor, resistir o sono da madrugada pelo aconchego de algumas palavras para os meus inigualáveis leitores...

 E poucos sabem a minha luta para acordar quando o galo canta no terreiro.

Mas sou um otimista sem conserto e jamais desisto de buscar o “fatalit”, o golpe final nesta luta de querer ver um planeta mais justo para todos, claro, sobre o comando dos vencedores!

Hoje, 3 de dezembro, é “Dia Internacional das Pessoas com Deficiência”. É mais um dia de luta para quem vê essa causa como justa. Da minha parte, tô indo para Brasília assinar oficialmente a minha adesão à Campanha da Acessibilidade numa solenidade oficial do governo.

Vocês sabem que não deixo nada barato. Com meu nome no rol, levo o de todos os “aliados” a tiracolo, e vou cobrar a parte que cabe aos Poderes, e é imensa, de cuidar dessa frente de guerra.

Tô indo à convite do Conade (Conselho Nacional  dos Direitos da Pessoa com Deficiência) e da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, ou seja, a custa do dinheiro público.

Contudo, avalio que é legítimo. Podem estar certos, tô indo porque sou brigão, e não fujo a uma luta...    

Escrito por Jairo Marques às 01h05

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Mary Help

Meu povo, e esse Carnaval que não chega? A cidade aqui já parecendo um carro ‘aleglórico’ de tanta luz! Bobo.

 

Falando em luz, quero contar hoje um bocadinho sobre como é para um ‘malacabado” enfrentar uma casa de shows e curtir um espetáculo. Na real, algumas casas de show mais parecem barracos de fuzuê, de tão apertadinha que são... Carente

 

Na última sexta-feira (27/11), fui ver uma apresentação da cantora Maria Irrita... ops.. Maria Rita... Rindo a toa. Olha, ‘vo6’ não vão acreditar, mas eu não tenho QUASE nada do que reclamar... mas eu disse QUASE, não se animem tanto... Com vergonha

 

 

“Ingresso de ‘deficientchi’ a gente não vende aqui, não, senhor. Só lugares normais.”

 

“Lugar normal como assim você fala?”

 

“Os lugares para cadeirantes são travados no sistema e o senhor vai ter que estar indo até a bilheteria da casa para estar comprando.”

 

Naquele momento, o meu sangue aguado latino ‘freveu’ foi tudo. Nervoso Esse diálogo eu tive em um ponto de vendas em um shopping com a vendedora.

 

“Mas, moça, então a senhora me venda, por favor, um ingresso de gente normal. Eu não quero ficar sem ir ao show”.

 

“Ah, mas então eu vou ter que estar falando com o meu supervisor que supervisiona, né?”

 

Comprei os ingressos, meu e da patroa, mas numa mesa de difícil acesso, haja vista que corredores nesses locais são inexistentes porque o que vale é encher tudo de mesa!

 

“Zimininos”, saí dali espumando mais do que cachorro em frente do açougue. Por que em vez de facilitarem a nossa vida eles complicam de uma forma que a gente acaba desistindo de fazer as coisas?

 

A mocinha vendedora tentou explicar: “É pra evitar que pessoas que não precisam comprem os locais”.... Sei... então eu ia comprar uma cadeira de rodas ou pedir emprestada para alguém mais “véio” que eu só pra comprar um ingresso de um show num lugar de fácil acesso?

 

Mas eu não fiquei quieto, não. Fiz uma queixa formal à organização do HSBC Brasil, onde rolou o rala-buxo e causei, viu?! Reclamei, liguei, cobrei uma solução... Insatisfeito

 

A organização da Casa entrou em contato comigo, reconheceu o erro, ajoelho no milho surpreso e informou que vai mudar o procedimento nos pontos de vendas e facilitar a vida desse povo ‘estropiado’! Aêêê.

 

Eles avaliaram que, realmente, pedir pro ‘malacabado’ ir até o local do show (que é longe de tudo e de qualquer coisa) era de chorar de tanga chupando manga... Muito triste

 

“Mas ôh ‘Zairo’, e ai? Como foi no dia?”. Bem, fui tratado que nem a princesa do Marrocos, viu, meu povo... Convencido. Nada como ter um blog com dois ou três leitores, né, não?!

 

Mas não tive nenhuma regalia, não. O que me deram foi o tratamento que a gente, ‘matrixiano’, precisa em algumas situações: atenção um pouco diferenciada para que  possamos nos divertir como qualquer pessoa.

 

A minha kombi véia foi estacionada num lugar de fácil acesso, bem em frente ao teatro, um bombeiro, o Flávio, nos acompanhou da entrada da Casa até os nossos lugares cuidando para que eu não passasse sobre o pé de ninguém! Carente

 

Ah, sim, a minha mesa foi mudada de lugar. Nos colocaram bem no gargarejo onde deu até pra ver as calçolas da cantora (Uiiii). O valor do local era o mesmo que eu havia pago, contudo, com acesso mais fácil.

 

 

Quando o show estava pra acabar, aconteceu o de sempre: a galera pobre lá do fundão Tonto, se libera geral e vai tudo pra frente do palco. Neste momento, eis que surge o bombeirão para evitar que o povão me atropelasse.

 

Bem, mas essa realidade que eu vivi, não é a regra. Geralmente, os lugares reservados para cadeirantes estão sempre esgotados e, quando conseguimos comprar, é um sufoco chegar até a mesa, pois é tudo muito apertado.

 

Mas a minha teoria vocês conhecem: é preciso ir, mostrar a cara, mostrar que a gente “não quer só comida e rampa”, a gente quer ter acesso à cultura. Esse teatro do HSBC, conforme dá pra ver na fota, até um guichê para atendimento de matrixiano fizeram. Achei legalpracaramba.com.br!

 

Ah, para quem está pensando: “Gzuis, o tio ficou louco. Por que esse post se chama Mary Help se não tem nada a ver”?

 

É por causo de que eu vivo cantando uma música da Maria Rita chamada Maria do Socorro, que é uma dêli. Num sabe qualé? Clica no bozó e ‘escuita’... Brincalhão Aiiii, e Sô e Lak, me perdoem.. Sem jeito!

 

“Zente”, para acabar, no meu findi eu ainda fui ver a peça dos menestréis e, mais uma vez, vibrei total, me emocionei e ganhei a minha noite!

 

Para quem é cadeirante e pretende ver o espetáculo nos próximos sábado e domingo, mande um email para Letícia, a Let´s, que vai tentar garantir locais bacanudos dentro do teatro! letícia@acogel.com.br

 

 

Escrito por Jairo Marques às 00h10

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Sem golpes baixos, heim?!

Quando eu era menino, me lembro de passar várias vezes em frente a uma academia de judô e ficar morrendo de curiosidade para saber o que rolava e ralava lá dentro... surpreso

 

 

 

Adorava ver os moleques de quimono, achava imponente, e me imaginava usando também, mas, lutar arte marcial em cadeira de rodas? Broca demais, né, não?! Nããããão... Legal

 

 

Meu povo, por mais doido que pareça, já possível aprender essas artes de defesa pessoal e equilíbrio sendo ‘estrumbicado’! Aêêêêê

 

Quem vai contar pra vocês tudo certinho é o queridão Chico Lopes, lá dos “Estadusunidos”, que “excrusível” fez uma edição de um vídeo mostrando matrixianos praticando. É imperdível!

 

Sorte

 

Os praticantes de Artes Marciais conhecem bem seus principais benefícios: disciplina e autocontrole, pensamento e decisões rápidas, preparo físico, confiança, alivio de tensões, autodefesa, e muita diversão.

 

 Pode parecer que sua prática é restrita apenas àqueles sem nenhuma forma de deficiência física ou mental, mas a história é bem outra. Várias formas de artes marciais, como Taekwondo, Tai Chi Chuan, Judo, Aikido e Karate foram adaptadas para deficientes e podem ser extremamente úteis não só para defesa pessoal, mas também ajudando na reabilitação, integração social e autoconfiança.

Quanto à prática pelo pessoal da Matrix, existem várias instituições que adaptaram os treinamentos para grupos com limitações semelhantes. Por exemplo, dá prá praticar Taekwondo em cadeira de rodas, substituindo movimentos de pernas por movimentos de braços, ou substituir movimentos de braços por golpes com as pernas, para quem não tem os membros superiores.

 

Há praticantes de Taekwondo no Brasil que são cegos, há praticantes de Aikido, Karate, Esgrima, etc, que são cadeirantes, ou tem Síndrome de Down, ou deficiências de aprendizado.

Taekwondo (TKD) vem sendo recomendado em terapias para crianças diagnosticadas com a  ADD (Sindrome do Déficit de Atenção) e com ADHD (Hiperatividade e Déficit de Atenção).  Crianças com essas desordens apresentam enormes dificuldades de concentração, organização.

 Meu filho tem ADHD e tinha muita dificuldade de autocontrole, de aguentar provocações de outros adolescentes, até que ingressou numa academia de TKD. A mudança foi da água para o vinho, hoje ele faixa-preta e se mantém longe de problemas.

Aikido é recomendado para pessoas surdas ou com deficiência auditiva. A prática possui um grande apelo visual, seus instrutores enfatizam o aspecto de não-resistência (há um fluxo continuo dos movimentos, onde se usa o esforço do oponente como vantagem num confronto).

 

 

 Judo é recomendado para pessoas cegas por ser um esporte em que o contato visual não é um pré-requisito. É comum o uso de vendas mesmo pelos praticantes avançados não-cegos, pois isso aumenta os reflexos e a percepção do ambiente ao redor.

Não se pode esquecer também do povo da Matrix que apresenta a última forma de limitação: a velhice! Para eles, Tai Chi Chuan (TCC) é ótimo, ajuda no equilíbrio, na flexibilidade. Os movimentos são suaves, e promovem algo fundamental: convívio social. Embora tenha sido considerada originalmente uma forma de defesa pessoal, seus movimentos suaves como uma dança têm ajudado na reabilitação de pacientes com artrite, pessoas idosas com maior risco de desequilíbrios e quedas, pacientes com esclerose múltipla e com traumas severos de cabeça.

 

Qualquer que seja a Arte Marcial que se deseja praticar, no entanto, é fundamental escolher uma academia que enfatize o respeito ao próximo e autocontrole, em vez da agressividade. Frequentar durante algum tempo apenas para assistir aos treinamentos é uma boa forma de avaliar a filosofia de ensino dos instrutores.

 

* O Chico começou a praticar o Taekwondo aos 44 anos e um dos treinadores foi o filho! Hoje, cinco anos depois, ele já é faixa preta (ui)!

Escrito por Jairo Marques às 10h46

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PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 37, jornalista pela UFMS e pós-graduado em jornalismo social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999. É colunista do caderno "Cotidiano".
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