Jairo Marques

Assim como você

 

E os monstros se divertem!

Não é segredo para ninguém que sou o maior puxa-saco do trabalho feito na Oficina dos Menestréis e sobretudo do grupo “Mix Menestréis” que mistura gente sem braço, sem perna, que num enxerga, que não ouve, que é toda tortinha e que anda em cadeira de rodas.

Demorou muuuito para quem ainda  não conhece ou nunca foi a uma apresentação do grupo se dar esse presente. A partir de sábado (28/11)  os menestréis que tanto admiro estreiam um novo trabalho, “A Mansão de Miss Jane”, história que envolve uns monstros desparafusados da cabeça em uma casa malacabada.. Muito feliz

Por trás dessa realização (ou seria à frente, bem à frente? surpreso), está o diretor Deto Montenegro, 47, um cara que passei a admirar muito quando vi de perto o trabalho realizado no Teatro Dias Gomes, aqui em São Paulo.

Conversei um pouco com ele sobre a produção artística com esse povo todo ‘cambaliado’ pela guerra Carente, sobre paixão pela arte e sobre a nova peça. Acho que vocês vão gostar do resultado do papo que misturou emoção, com informação, com intensidade.

Para saber mais sobre a temporada de “Miss Jane”, conto tudo no final da entrevista. Peço para o pessoal do elenco que, por ventura, ler o post, deixe nos comentários os emails para que os interessados comprem os ingressos com desconto: R$ 15 (vulgo quinzão, quinze conto! Rindo a toa)

Sorte

Blog - Interpretar num é uma arte só pra gente certinha? Ser deficiente não limita a capacidade de dominar os palcos ou a TV?

Deto Montenegro - De maneira nenhuma,  nunca! Eu sempre trabalhei para promover uma ruptura com a estética perfeita. Eu bebo da diversidade das pessoas, do que ela tem de diferente. Sempre gostei do artista pelo seu tipo. O gordinho tem o seu charme, o seu carisma. O cadeirante tem o seu brilho, o idoso também tem seu diferencial. Todos nós temos um pouco de artista, basta trabalhar esse potencial.

 

Blog - Quando a gente assiste a uma apresentação da oficina, sai com a impressão de ter visto um espetáculo de verdade e não aquelas velhas apresentações beneficentes que, de certa forma ridiculariza o deficiente. Como você conquistou e conseguiu isso?

Deto - Lido muito cuidado com isso. Não quero que venham ao teatro aplaudir você porque você é um coitadinho, mas, sim, te aplaudir pelo resultado da sua atuação, do espetáculo. Sempre me preocupei em não deixar passar no roteiro trechos que transparecessem algum aspecto que pudesse gerar esse pensando. Eu acredito, mesmo, que é possível o cadeirante, o cego fazer um espetáculo como outra pessoa qualquer. Aqui na “Oficina”, cabe a mim descobrir os momentos artísticos das pessoas, com muita espontaneidade. Quando o cadeirante faz o giro com cadeira, por exemplo, é um momento muito charmoso.  Aquilo tem uma energia fantástica. Some isso a um celeiro de pessoas muito talentosas que temos aqui e tá ai o resultado. Costuro esses talentos, esses momentos e não deixo transparecer nada que não seja a arte. Aqui eu procuro uma resposta artística e não terapêutica.

 

Blog - Mas como fazer um cego trabalhar com um o jogo de luz e como fazer um cadeirante saltar diante de uma situação de susto?

Deto - Eu conto muito com a ajuda deles mesmos, que me passam suas necessidades individuais, suas limitações. Vamos descobrindo na hora o que eles precisavam de especial em cada cena. Houve uma situação, com uma menina cega, que na cena ficava uma penumbra total e todos precisam sair do palco naquele momento. Criamos, então,  um código de tato para que ela reconhecesse o momento certo. Vamos criando uma manha para cada momento que vamos vivendo. No começo, eu não sabia que alguns cadeirantes precisam de mais de cinco minutos para fazer o seu o xixi do intervalo  (para saber  o porquê e entender, clica no bozo Brincalhão) . Uma expressão de rosto pode ser mais complicada para uma pessoa do que para outra. Ai, precisamos ir nos adaptando, inventando soluções.

 

Blog - Qual a sua ideia com a adaptação de  “A Mansão de Miss Jane”?

Deto - Este é o nosso sexto musical. Cada um tem suas características distintas Alguns, nos falamos da questão da deficiência outros não. Em “A Mansão”, eu queria um roteiro que não falasse de cadeira de rodas, mas o roteiro fala de um monte de gente estranhas Muito triste. É uma casa habitada por monstros. Imagine um monte de cadeirantes, de cegos, de gente sem braço, de muleta. Evidentemente que ninguém é monstro Muito triste, mas eles representam muito a diversidade.

Blog - Em "Noturno", o público se emociona e se impressiona, em "Good Morning", a risada é certa. O que esperar da Mansão?

Deto – Acho que vocês vão voltar a rir muito. O espetáculo está muito engraçado e tem uma ótima qualidade musical. A veia de  humor de alguns no palco é muito grande. E alguns do elenco vão tocar instrumentos musicais diferentes e, tenho certeza, eles vão surpreender vocês. É uma diversão garantida...

Blog - Pessoalmente, promover a arte para todos, te dá que tipo de satisfação?

Deto - É o sentido da minha vida A partir década de 90, quando comecei a trabalhar com os cadeirantes, eu quis muito popularizar a ideia de que todo mundo tem sua arte: uns trabalham mais, outros trabalham menos. É minha paixão  mostrar que o palco é para qualquer um. É importante o preparo físico, o preparo intelectual, mas também o artístico. Eu sou irmão de uma grande estrela da MPB (O cantor e compositor Oswaldo Montenegro),  mas te digo que sou apaixonado pela constelação que são todas essas pessoas que trabalho.

 

Parece que eu conheço essa moça.. Rindo a toa

A Mansão de Miss Jane

Quando que é? De 28 de novembro a 6 dezembro. Sábados às 21h e domingo às 20h

Mai onde que é? No Teatro Dias Gomes, R. Domingos de Morais, 348, Vila Mariana. Do ladim tem metrô e, em frente, tem estacionamento.

E  quando que custa? Inteira R$ 40, meia R$ 20, com o elenco R$ 15

Que mais tio? Ai você liga no 5575-7472 ou vai no site WWW.oficinadosmenestreis.com.br

 

Bom final de semana, bom espetáculo e beijo nas crianças! Beijo

* Fotos de Gui Correa/Divulgação

Escrito por Jairo Marques às 08h30

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Entre o cult e o pop

Meu povo, a partir de segunda-feira, vulgo dia 30 de novembro, a TV Cultura vai reapresentar uma série legalpracaramba.com.br chamada “Vida em Movimento”, em homenagem ao Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, que é 3 de dezembro! Aêêê

 

Serão seis programas, de meia hora cada um, que contam como esse povo que dá um trabaaaaalho danado Convencido pode e deve praticar atividades físicas, participar de atividades recreativas, se inserir no mercado de trabalho e também aborda tecnologia que ajuda “nóis tudo” a se virar!

Os programas, exibidos a partir das 8h, são uma adaptação de um montão de vídeos do SESI e da Confederação Nacional da Indústria e foram realizados pelo Amankay Instituto de Pesquisas (muuita gente já copiou as charges deles, ‘excruvel’ eu... Rindo a toa).

Um dor protagonistas dos vídeos é o meu chapa e companheiro Billy, líder do Movimento Superação. Para saber mais, assistam o vídeo abaixo, que teve um tapinha nas legendas e edição feito por ninguém menos do que a internacional Silvetz Dutra!

Ah, hoje (quarta, dia 25/11), nas própria Rede TV, também deve ter um especial no Superpop sobre “malacabados”. Eles convidaram o tio, mas eu fiz que nem aquele cavalo “balubê de num sei o quê”, nas Olimpíadas: refuguei. Muito triste

Claro que eu sei da importância de ser pop, mas, eles pretendem levar para o estúdio o governador do Estado, José Serra (PSDB). Bem, ai, iam fazer uma matéria comigo mostrando como eu levo minha vida “de boa” (isso não é novidadchi, né?! Todo matrixiano que se preza tem uma vida de boa”...)

O meu receio era colar a minha imagem (esbelta, de batom e glostora nos cabelos surpreso) a uma propaganda institucional. Apesar de a produção falar que não (foram super bacanas comigo!).

Se fosse pra trocar ideias com o governador no palco, falar pra ele dos perrengues que a gente num aguenta mais sofrer, eu ia... mas, pra “pagarpau”, tô fora... (braaaabo, né? surpreso). O Serra deverá falar sobre o novo centro de reabilitação de São Paulo e como o mundo é lindo..

Eu vou estar na escolinha ensinando meus alunos a escrever mentiras Muito triste, quem assistir (se for mesmo ao ar hoje) conta depois como foi, tá bão?!

 

Escrito por Jairo Marques às 08h45

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O mapa das "mina"

“Zimininos”, e essa semana que não acaba, heim? E esse Natal? Num chega nunca esse Natal... Carente  Final de ano vai dando uma “murrinha” na gente, né? Mas vamos lá, bora tomar catuaba porque... a passeata do Superação vem ai!!! Aêêêêêê

E eu quero abrir o corazãozinho pra vocês, meu povo.. Apaixonado. Todo mundo precisa entender que esse momento, ganhando a rua, mostrando a nossa cara, a nossa força (ui), a nossa vontade de dominar o mundo (uiui), a nossa urgência em ter um país mais acessível, é fundamental.

Pelamor, meu povo, deixe a preguiça de lado, encha os pneus dessa cadeira de rodas velha, troque as borrachas das muletas, prepare os cachorros guias, vista a camiseta do Evandrão ou outra daquelas de dormir, levinhas, de campanha política, sacam Muito triste, e se organizem para estar lá.

 

 

Eu insisto demais com vocês nisso porque não adianta toda essa visibilidade que me deram, vindo todo dia aqui no blog, espalhando o meu nominho, rindo com as minhas papagaiadas, se as coisas não acontecerem de fato... A gente tem que, agora, que sair das "internets", dos encontros confortáveis nos "xópim" e encarar as ruas e as calçadas esburacadas. Legal

A passeata num é só um amontoado de gente sem perna, sem braço, capenga, meio torto, com os cambitos finos e mais seus amigos “normais”, infiltrados. A passeata é um momento em que a gente grita que, como diz a tia “Filinha”, “difinitivamente” não dá mais pra viver na “Matrix”.

Entendo que vai tá sol, entendo que dá trabalho tocar a cadeira, que você mora longe, na zona lost e num tem ônibus acessível, mas, para que um dia tenha, a gente precisa de volume (ui, to muito Priscila hoje! Muito triste). Se você não aguenta mais o descaso com a pessoa com deficiência nesse país, essa é a hora maior de dizer isso.

A concentração será na praça Dom José Gaspar, no centrão aqui de Sampa. Desça nos metrôs Anhamgabaú ou República e sai “pricurando” um povão de cadeira de rodas.... é lá.. Rindo a toa

Batam o olho no mapa de onde será possível encontrar as “mina”, um monte de “gatenhas” que todo ano tem na passeata, e todo o trajeto que vamos percorrer.

 

 

Vamos até a praça do Patriarca, passando pelo viaduto do Chá. Claro, para quem não botar os bofes pra fora antes Muito triste. Não importa se você pode ficar apenas dez minutos ou se só aguenta “caminhar” alguns metros. A sua presença, a sua cara lá, na rua, mostrando que existe é o mais importante.

Chamem os amigos, os parentes tudo, os conhecidos. Firmem o pensamento que, tudo só acontece quando a gente tem ATITUDE. Faltam ainda onze dias para se ajeitarem e se convencerem da importância do evento...

O que não resta muito tempo é para quem quiser ir com os próprio “uniforme maraviwonderful” (fazia tempo que eu num usava essa, né? Beijo) do blog. O Bob precisa da confirmação até AMANHÃ ou não haverá tempo hábil para fabricar as camisetas. Quem quiser saber mais, é só clicar no bozo... Brincalhão

* Pra fazer uma criança feliz e me deixar contente, escreve ai nos coments: tio, eu vou tá lá com você e "nóis" tudo! É "di certeza"!!! surpreso

Escrito por Jairo Marques às 22h10

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Caroninha

Acho que a maioria dos cadeirantes, se não todos, já escutaram a frase: “deixa que eu te dou uma carona”. Ai, lá vai o andante dar uma empurradinha, mesmo a nosso contragosto, em algumas situações e momentos.

 

“Uai, tio, não pode empurrar ‘ocês’ tudo?” Pode, meu povo, claro que pode. Mas há situações que a gente num precisa de auxílio ou não quer, mesmo. Para saber mais sobre isso, clica no bozo...  Brincalhão . E para saber como empurrar direitinho, clica no chope (ai vocês aprendem certinho e bora lá tomar umas!) Bêbado

 

O mais engraçado desse lance de carona é que, uma vez que uma pessoa oferece ajuda, ela cria na cabeça dela uma certa “obrigação” e, toda vez que nos vê, já sai doida pra empurrar.

 

Ai, quando avistamos esses “serumanos” ou eles disfarçam que não nos viram, num momento que não tão afim de dar uma mãozinha, ou nós mesmos tratamos de mudar o caminho, tocar a cadeira mais rapidinho... Rindo a toa

 

Aqui no jornal tem um cara super simpático, com uma barba igual a do Matusalém Carente, que quando eu aponto com a kombi na entrada do estacionamento ele já para tudo o que está fazendo (trabalha na parte gráfica) para me ajudar.

 

E a carona dele é completa: vai até dentro do elevador... Beijo. E não adianta eu falar que não precisa, que só até a portaria tá bom... Ele sempre diz: “Não, não, descansa o braço e guarda suas energias”.

 

Mas, vejam que flagrante legalpracaramba.com.br feito pelo talentoso Rapha Bathe, numa rua de Indaiatuba, aqui no interior de São Paulo!

 

 

 

Saquem que, neste caso, foi o “malacabado” que deu a caroninha para a moça bicicleteira. Um luxo, num acharam?!

 

 

Quando eu era moleque, eu tinha um cadeirão doido (triciclo), movido a motor de motosserra Muito triste, que também conseguia “puxar” os amigos mais preguiçosos ou mais íntimos (ui). Claro que a condução não me aguentou por muitos meses...

 

 

“Zente”, não há mal nenhum em oferecer uma “caroninha”, uma ajuda ao povo da “matrix”. Muitas vezes, uma mãozinha ajuda muito! Mas, não tornem isso uma obrigação ou um hábito. Quando tiver afim de ajudar, ofereça, quando não, diboa total!

 

A gente também pode não querer ser empurrado uma vez que estamos precisando de queimar um pouco a gordurinha da pança Tonto ou mesmo porque quer “andar” sozinho. Não tem nada de melindres ou revolta nisso, é só mesmo uma vontade!

 

* Fotos de Rapha Bathe

Escrito por Jairo Marques às 22h22

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PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 37, jornalista pela UFMS e pós-graduado em jornalismo social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999. É colunista do caderno "Cotidiano".
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