Jairo Marques

Assim como você

 

Acontece, presidente!

Naquele dia eu botei roupa de ir para batizado, passei “clostora” nos heróis da resistência que insistem em ficar na minha cabeça, e até banho tomei, juro Carente. Era uma situação especial, ia comprar uma charanga nova!

Quando eu botei as quatro rodas dentro da concessionária, estava me achando o último gomo da mexerica Entorpecido, mas mal sabia eu que seria um sufoco para um cadeirante com cara de pobre comprar sua kombi.

Esperei que alguém me atendesse por alguns minutos..... tá, admito, por vários minutos. Com um “malacabado” que se “atreve” a fazer tudo sozinho, que nem o tio, essa situação é sempre comum: acham que você tá perdido, acham que você fugiu da casa de repouso, acham que você tá ali para vender rifa... nunca, para comprar.

“Moço, eu queria olhar essas ximbicas”....

“Fique à vontade...pode olhar”, rebateu o vendedor.

O mais curioso é que os outros potenciais compradores eram acompanhados por “representantes” sorridentes que contavam as vantagens dos carros: “esse tem até freio”... Muito triste

Mas eu vou dizer uma coisa “pro6”: eu sou carudo. “Essa concessionária tá falindo? Num tem quem venda carro pra gente?” Aí, enfim, alguém se dignifica a te atender.

“Esse modelo que o senhor gostou não tem um valor tão ‘aquicessível’, viu?!”.... Naquele momento eu abri a minha carteira na frente daquela múmia e mostrei que eu tinha, sim, três ou quatro ‘roiais’ na carteira e mais umas moedinhas... Rindo a toa

“Zente”, ressalto que durante esse atendimento vip o caboclo também atendia ao telefone celular, ao ramal na mesa, que não parava de tocar, e ele ainda dava tchauzinho para quem entrasse na loja.

Por que eu não fui embora? Porque era questão de honra para mim mostrar praquele ‘logozento’ que eu podia, como qualquer outro ‘serumano’ comprar a minha ‘condução’.

“Eu vou estar avaliando o seu carro velho (uma Brasília abacate Muito triste... mentira, é mentira), tá senhor”?

Como os vendedores sabem que compramos carros com desconto de impostos (IPI e ICMS), como determina a lei, na hora de vender, eles jogam o valor do nosso veículo antigo no subsolo, como se fossemos toupeiras, na cara dura.

Minha sugestão é que vocês ofereçam seus carros antigos nas “internets” ou tentem vender por conta própria. Na concessionária, apesar de ser muito mais prático, ainda mais para quem evita ter de ficar circulando muito, rola uma exploração básica.

“O senhor pretende pagar o carro como”...

“Pagar como? Geralmente a gente paga com dinheiro, né, não, seu vendedor?”  

“Vai financiar? Aí  tem de ter renda, emprego fixo...”.  Eu não perco uma trucada sem gritar SEIS Beijo.

“Ah, eu tenho uma renda de mesa muito bonita que comprei lá na Paraíba antes de virar retirante da seca, viu”....

Caso uma situação semelhante seja vivida por vocês, ‘matrixianos’, chamem o gerente, reclamem. Constranja os caras. Faça uma queixa na montadora.  Garanto que o tratamento melhora. Não é um terno ou uma aparência física que vai determinar a condição social de uma pessoal.

Enfim, escolhido o modelo, o cidadão, me dá o “fatalit”: “O senhor já tem a papelada toda das isenções?”

“Papelada como assim você fala?”

Aqui no Brasil, algo que funciona muito bem são as Receitas Federal e estadual, que garfam os nossos “ricursos”.  O monte de documento que exigem para que você PROVE que é “prejudicado pela guerra” e tem uma deficiência física é ultrajante.

Para quem mora numa cidade grande, o jeito é comer na mão de um despachante... saca aquele povo que põe galinha preta nas esquinas? Muito triste... Aqui, eles cobram uma verdadeira fábula para “resolver” o que você precisa: exercer seu direito legítimo de ter isenções de impostos na compra de um carro, haja vista o transporte público não nos dar condições de acesso.

Com um mundo informatizado, porque não facilitam pra gente, “gzuis”? Porque cobrar imposto é uma delícia, abrir mão deles é um parto de menino de “revestréis” na barriga da mãe. Tonto

Aqui em “Sum Paulo”, a concorrência para vender carros para “malacabos” (depois que você convence o vendedor que não é um pedinte) é tão grande que as concessionárias costumam “pagar” o despachante para você. Vale lembrar que o desconto, de cerca de 25% no valor do carro, só vale para veículos zero bala!

Tudo resolvido???? Nãaaao.... a gente que é meio torto, precisa esperar meeeses até que a liberação do desconto seja realizada e o carro, enfim, chegue. Pode demorar seis meses, isso mesmo... seis.

Chegou, nego? Agora espera mais um pouco. Vão colocar as adaptações para quem precisa deles. Pra isso, prepare novamente as “carças” porque os equipamentos são caros, o pagamento é à vista e a exploração é fatal. Dois ou três ferrinhos que colocam lá é mil conto, mil e quinhentos contos...

Eu não quero de graça, não. Quero pagar algo que seja justo. E eu sempre saio dessas com uma sensação de que fui muito golpeado, saqueado.

Depois desse périplo todo, digo que vale a pena. O carro dá outra vida pra gente que tem dificuldade de locomoção. Você passa a ter mais condições de viajar, de conseguir interagir em sociedade, de trabalhar com mais dignidade.

A lei das isenções é um tanto distorcida. Há Estados que não concedem o desconto do ICMS para pessoas que não dirigem. É de dar nó na guela de vontade de “gumitar”. Oras, a gente faz o quê com os ‘pessoais’ com deficiências mais agudas? Bota num saco e enterra?

O presidente Lula vive dizendo que estamos entrando no primeiro mundo, que tudo é uma beleza por aqui... ele poderia, a meu ver, dar uma canetada lá no Planalto, como tantas que ele dá, criando uma lei federal abrindo mão de uma migalha de arrecadação que pode dar mais qualidade de vida para milhares de pessoas, acabando com a burocracia e fazendo algo concreto pela “Matrix”.

Tenho muita esperança de que um dia, até o final do mandato, ele vai “comparecer” de tomará ciência de que um grupo social, o dos malacabados, quer ouvir dele um daqueles chavões “nunca antes na história desse país”, se fez algo tão importante...

 

Beijo nas crianças, bom final de semana e bom feriado!  

* Imagens retiradas do Google Imagens

Escrito por Jairo Marques às 00h15

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Compre a sua 'kombi'!

Todos os dias, pela manhã, tomando o meu cafezinho com um seboso pão na chapa Rindo a toa, escuto o meu amigo Valdeci, que manda prender e manda soltar aqui no setor em que trabalho, reclamando da viagem de metrô que fez da zona lost até o centro, onde fica o jornal:

 

“Jairão, quase perdi a minha dignidade hoje de tão cheio que tava o metrô. Tava mais cheio do que caixa d´gua de pobre quando chove...  Fico pensando como é que uma cadeira de rodas entraria no vagão agora pela manhã. Só por gzuis, né?.”

 

E nesses momentos eu fico aliviado pensando no conforto que tenho dentro da minha kombi, que tem ventilador à pilha, motorzão a óleo de cozinha e espaço suficiente pra abrigar a família buscapé tudo... Legal

 

Para um ‘malacabado’ que vive, ou tenta surpreso, numa grande cidade, onde os transportes públicos são indigentes até para andantes e as calçadas um convite para um traumatismo craniano, ter um carro é questão de urgência, de necessidade urgente. Claro que eu sei que as ximbicas poluem, aumentam o trânsito e são uma forma “egoísta” de ir e vir, mas, pra esse povo todo lascado, comprado na loja de R$ 1,99* Muito triste, os carros libertam, ajudam a incluir, a interagir em sociedade, a dar condições para acessar a pouco acessível vida cultura, social e laboral (falei bonito, admitam..).

 

O post de hoje, então, mostra várias opções, entre ela uma bem fresquinha (ui), para cadeirantes e 'deficientchis' quebrados (de grana também Muito feliz) possam sonhar em ter um “tomóvel”. Pra quem não sabe, a gente precisa de carros automáticos ou atomatizados porque eles facilitam muuuito na direção. Imagem vocês que, com a adaptação de freio e acelerador manual, somos obrigados a dirigir com uma mão só, o tempo todo... se tiver que ficar trocando a marcha, tamo na roça... 

 

Vale lembrar que tetrões, pessoas sem os braços, gente pequena podem, perfeitamente, dirigir e tirar carteira de habilitação. Há adaptações pra todos esses "zimininos" dirigir com toda segurança!

 

Quem produziu o texto foi o meu brother Fabiano Severo, que trabalha no caderno Veículos da Folha, e manja tudo sobre ximbicas... Quebrem os cofrinhos, façam rifas, trabalhem mais porque as kombis aumentam a nossa autonomia e dão mais liberdade. Aí, quando tivermos uma cidade acessível, a gente monta um ‘ferro véio’...Rindo a toa

 

Amanhã (ou depois), eu conto a minha aventura para comprar a kombi com os cerca de 25% de descontos a que todo matrixiano tem direito por lei, com as isenções de impostos!

 

Sorte

 A Volkswagen lançará no início de novembro os carros automáticos mais baratos do Brasil. Sem isenções de IPI, ICMS e IPVA, o Gol I-Motion com motor 1.6 "flex" custará a bagatela de R$ 34.605; o sedã Voyage, R$ 37.090. (Com o desconto, os preços pode ficar em cerca de R$ 26.000 e 27.800)

O câmbio I-Motion, porém, não é um automático convencional, e sim automatizado. Usa a mesma mecânica do câmbio manual, mas com sensores que acionam a embreagem e trocam as marchas sem a intervenção do motorista. Só há dois pedais (acelerador e freio). Basta colocar em "D" ("drive", dirigir) e acelerar.

 

A vantagem? Além da praticidade, custa cerca de R$ 2.500, a metade do valor das transmissões tradicionais com conversores de torque. O senão é que, no automatizado, as trocas entre as primeiras marchas são desconfortáveis. O sistema dá trancos e faz o ocupante balançar demais (entenda como funciona o carro automatizado clicando no bozo! Brincalhão)

 

O mesmo ocorre com o câmbio Dualogic, da Fiat _o Palio 1.8 "flex" (114 cv) custa R$ 37.230_, e com o Easytronic, da Chevrolet. A Meriva 1.8 flexível (114 cv) sai por R$ 46.292, mas, no jargão dos lojistas, ganhou o apelido de "Easytranco"...

 (Todos os valores citados até o fim do post são “cheios”, sem o desconto que os “malacabados” tem direito)

Por R$ 40 mil, há a opção do Kia Picanto. Sim, o nome é esquisito, mas o carro é simpático. Pequeno para manobrar e bem equipado. Só há um problema (quer dizer, dois): o porta-malas é tão pequeno que dificilmente caberá a cadeira de rodas recolhida. O outro problema é que a Kia fabrica seus carros na Coreia do Sul. Por lei, o governo daqui só concede a isenção de impostos para carros fabricados no Brasil.

 

Por R$ 47.000, é possível comprar o Peugeot 207 XS automático, já com direção hidráulica, ar-condicionado e trio elétrico (vidros, travas e espelhos elétricos).

 Se você puder pagar esses R$ 47 mil, vale mais a pena investir na família Livina, da Nissan. A marca ainda tem poucas revendas no Brasil, e as minivans não são exatamente bonitas, mas são racionais, espaçosas e econômicas. Enfim, têm a melhor relação custo-benefício do mercado de automáticos.

 A Livina vem com motor 1.8 de 124 cv e câmbio automático _convencional e sem trancos. Já a Grand Livina custa cerca de R$ 7.000 a mais e pode carregar até sete pessoas. Uma verdadeira lotação! (Kombi, kombi.. Muito triste)

 

Na "irmã" maior, o interessante mesmo é que os dois banquinhos da terceira fileira podem ser rebatidos facilmente e deixam um espaço enorme para, por exemplo, acomodar a cadeira de rodas.

 

O assoalho plano e o teto alto permitem levar a cadeira inteira, sem desmontá-la. É algo que só vemos nas minivans mais caras, como a Citroën Picasso (R$ 63,2 mil) e a Chevrolet Zafira, de R$ 70 mil (preço máximo permitido para  malacabados comprarem carro com isenção de impostos).

 O Honda Fit, por exemplo, até tem o teto alto, mas leva bem menos bagagem e tem motores 1.4 ou 1.5 _dependendo do tamanho da família, são fracos para ultrapassagens ou subidas íngremes. Ah, e custa a partir de R$ 57 mil, com câmbio automático. Não vale!

 A família Livina tem volante com regulagem de altura, o que permite adaptar alavancas do tipo "push-pull" (empurre e puxe) sem risco de a barra longitudinal raspar na perna.

* Valeu, Paty!!!

** Imagens de divulgação

Escrito por Jairo Marques às 00h02

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Como é que faz?

Muita gente me pergunta como é que faço para botar a cadeira dentro da kombi. Não é algo muito "complicoso", não. Só requer um pouquinho de paciência, alguma prática e ser sarado com é, lógico... Rindo a toa

Na real, mesmo os tetrões, aqueles pessoal bem prejudicado pela guerra Muito triste, conseguem criar a autonomia e jogar o cavalo na caçamba amarrando umas cordas nele.

Já falei uma vez que existe uma “máquina” que joga a cadeira pra riba do carro, mas custa tão caro e é tão pouco prática que nunca vi alguém usando. Mas, como eu tenho vários leitores barões (ui), deixo a dica.

Para exemplificar melhor como faz o lance, coloquei esse videozinho de um malacabado se aprumando no carro e desmontando a cadeira. A diferença para o que o tio faz é somente uma: eu coloco o quadro da bicha no banco dianteiro, mesmo.

É melhor fazer como o carinha do vídeo e jogar no traseiro, por questões de segurança, mas cada um conhece suas possibilidades e se ajeita como pode (frase de pobre essa, né? Sem jeito). O que importa é criar autonomia.

Ah, sim, quando há alguém para me ajudar ou a patroa (uuuia) tá comigo na ximbica, a cadeira vai no porta-malas, bem mais prático (ai eu num ajudo em nada.. Embaraçado). Amanhã eu continuo falando de carros..

Em tempo: Tem um textinho meu no caderno Cotidiano da Folha de hoje falando sobre o metrô Legal. Quem for assinante do Uol ou do jornal pode acessar clicando no bozo! Brincalhão  

 

Escrito por Jairo Marques às 08h28

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Crônica de uma festa “malacabada”

“Nossa, será que tá tendo encontro dos pacientes do Hospital das Clínicas aqui no xopim? É uma cadeiranda de rodas, um povo tudo sem perna, com aparelho no ouvido, estropiado, né, menina?”...

 

E no pé sujo chique ali pertinho da loja onde se espantava a moça, o forró comia solto. E era mesmo gente de todo tipo por ali celebrando numa balada cujo ritmo da música vinha dos corações arretados de emoção, das risadonas da mesa do “sarado” e de um “muquirana” e também do tilintar dos copos que comemoravam.... a vida.

 

 

 

 

Os garçons do boteco não sabiam se riam, se expressavam espanto ou se serviam aquela gente que, só nossa senhora da bicicletinha pra explicar de onde havia saído: de Goiânia? De Arujá? Da Praia Grande? De Brasília? De Ribeirão? De Jundiaí? Da zona Lost? De um mundo paralelo chamado “Matrix”?

 

E “di certeza” que por ali havia artistas porque os flashs não paravam. E tinha também gente “inzibida” com o nome pendurado no pescoço, tinha uma molecada derramada por todo canto, tinha um monte de lindas, tinha até uns “pessoal” se declarando, de mentirinha, que não eram legalpracaramba.com.br .

 

 

 

 

Rapidinho, rapidinho, o encontro já teve carta: “Acho revolucionário você ter conseguido, em tão pouco tempo, mobilizar tantas pessoas, pessoas com religiões, posições políticas, times de futebol, status e classe sociais diferentes. Nenhum movimento em prol dos deficientes conseguiu essa proeza. Continue sendo simplesmente você, conte-nos suas histórias ou a de algum leitor. Promova discussões do seu jeito bem humorado, descontraído. Não nos abandone.”

 

 

 

 

Quando o fervo já tava “xiqui no úrtimo”, eis que adentra por ali uma família inteira trazendo... é... trazendo um choro incontido ao “Jairo do blog”. Veio pai, mãe, cachorro, papagaio, “cadeira elétrica” e um vulcão de emoções que explodiu em todo mundo após, vejam só que coisa, um DISCURSO!!!!

 

 

 

 

O bailão seguiu com sua gente que leva a causa da dominação do mundo nas garras, seguiu com uma mesa “excrusiva”, vejam só, para o pessoal que nem foi!!!! Seguiu com a perplexidade de quem passava e via aquele mundaréu de gente torta: “Gzuis amado, jogaram uma bomba aqui?”

 

 

 

 

Um encontro cravado na minha história, na história da moça do cerrado de vestido florido, da moça que distribuía sorrisos e fotos, do japonês doido, doido, doido, de quem até ganhou presente, de quem levou presente, de todos, todos que se abraçaram.

 

 

 

 

Se engana quem pensa que esse texto é o relato isolado de uma festa bacana e meio capenga. Pra quem foi, pra quem torceu de longe, para quem planejou, para quem fez, para quem viajou, para quem se arriscou, para quem conheceu, para quem chorou... foi um momento daqueles que a gente crava na memória: “É bonita, é bonita, e é bonita”!

Escrito por Jairo Marques às 17h25

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PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 37, jornalista pela UFMS e pós-graduado em jornalismo social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999. É colunista do caderno "Cotidiano".
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