Assim como você
Assim como você
 

Acontece, presidente!

Naquele dia eu botei roupa de ir para batizado, passei “clostora” nos heróis da resistência que insistem em ficar na minha cabeça, e até banho tomei, juro Carente. Era uma situação especial, ia comprar uma charanga nova!

Quando eu botei as quatro rodas dentro da concessionária, estava me achando o último gomo da mexerica Entorpecido, mas mal sabia eu que seria um sufoco para um cadeirante com cara de pobre comprar sua kombi.

Esperei que alguém me atendesse por alguns minutos..... tá, admito, por vários minutos. Com um “malacabado” que se “atreve” a fazer tudo sozinho, que nem o tio, essa situação é sempre comum: acham que você tá perdido, acham que você fugiu da casa de repouso, acham que você tá ali para vender rifa... nunca, para comprar.

“Moço, eu queria olhar essas ximbicas”....

“Fique à vontade...pode olhar”, rebateu o vendedor.

O mais curioso é que os outros potenciais compradores eram acompanhados por “representantes” sorridentes que contavam as vantagens dos carros: “esse tem até freio”... Muito triste

Mas eu vou dizer uma coisa “pro6”: eu sou carudo. “Essa concessionária tá falindo? Num tem quem venda carro pra gente?” Aí, enfim, alguém se dignifica a te atender.

“Esse modelo que o senhor gostou não tem um valor tão ‘aquicessível’, viu?!”.... Naquele momento eu abri a minha carteira na frente daquela múmia e mostrei que eu tinha, sim, três ou quatro ‘roiais’ na carteira e mais umas moedinhas... Rindo a toa

“Zente”, ressalto que durante esse atendimento vip o caboclo também atendia ao telefone celular, ao ramal na mesa, que não parava de tocar, e ele ainda dava tchauzinho para quem entrasse na loja.

Por que eu não fui embora? Porque era questão de honra para mim mostrar praquele ‘logozento’ que eu podia, como qualquer outro ‘serumano’ comprar a minha ‘condução’.

“Eu vou estar avaliando o seu carro velho (uma Brasília abacate Muito triste... mentira, é mentira), tá senhor”?

Como os vendedores sabem que compramos carros com desconto de impostos (IPI e ICMS), como determina a lei, na hora de vender, eles jogam o valor do nosso veículo antigo no subsolo, como se fossemos toupeiras, na cara dura.

Minha sugestão é que vocês ofereçam seus carros antigos nas “internets” ou tentem vender por conta própria. Na concessionária, apesar de ser muito mais prático, ainda mais para quem evita ter de ficar circulando muito, rola uma exploração básica.

“O senhor pretende pagar o carro como”...

“Pagar como? Geralmente a gente paga com dinheiro, né, não, seu vendedor?”  

“Vai financiar? Aí  tem de ter renda, emprego fixo...”.  Eu não perco uma trucada sem gritar SEIS Beijo.

“Ah, eu tenho uma renda de mesa muito bonita que comprei lá na Paraíba antes de virar retirante da seca, viu”....

Caso uma situação semelhante seja vivida por vocês, ‘matrixianos’, chamem o gerente, reclamem. Constranja os caras. Faça uma queixa na montadora.  Garanto que o tratamento melhora. Não é um terno ou uma aparência física que vai determinar a condição social de uma pessoal.

Enfim, escolhido o modelo, o cidadão, me dá o “fatalit”: “O senhor já tem a papelada toda das isenções?”

“Papelada como assim você fala?”

Aqui no Brasil, algo que funciona muito bem são as Receitas Federal e estadual, que garfam os nossos “ricursos”.  O monte de documento que exigem para que você PROVE que é “prejudicado pela guerra” e tem uma deficiência física é ultrajante.

Para quem mora numa cidade grande, o jeito é comer na mão de um despachante... saca aquele povo que põe galinha preta nas esquinas? Muito triste... Aqui, eles cobram uma verdadeira fábula para “resolver” o que você precisa: exercer seu direito legítimo de ter isenções de impostos na compra de um carro, haja vista o transporte público não nos dar condições de acesso.

Com um mundo informatizado, porque não facilitam pra gente, “gzuis”? Porque cobrar imposto é uma delícia, abrir mão deles é um parto de menino de “revestréis” na barriga da mãe. Tonto

Aqui em “Sum Paulo”, a concorrência para vender carros para “malacabos” (depois que você convence o vendedor que não é um pedinte) é tão grande que as concessionárias costumam “pagar” o despachante para você. Vale lembrar que o desconto, de cerca de 25% no valor do carro, só vale para veículos zero bala!

Tudo resolvido???? Nãaaao.... a gente que é meio torto, precisa esperar meeeses até que a liberação do desconto seja realizada e o carro, enfim, chegue. Pode demorar seis meses, isso mesmo... seis.

Chegou, nego? Agora espera mais um pouco. Vão colocar as adaptações para quem precisa deles. Pra isso, prepare novamente as “carças” porque os equipamentos são caros, o pagamento é à vista e a exploração é fatal. Dois ou três ferrinhos que colocam lá é mil conto, mil e quinhentos contos...

Eu não quero de graça, não. Quero pagar algo que seja justo. E eu sempre saio dessas com uma sensação de que fui muito golpeado, saqueado.

Depois desse périplo todo, digo que vale a pena. O carro dá outra vida pra gente que tem dificuldade de locomoção. Você passa a ter mais condições de viajar, de conseguir interagir em sociedade, de trabalhar com mais dignidade.

A lei das isenções é um tanto distorcida. Há Estados que não concedem o desconto do ICMS para pessoas que não dirigem. É de dar nó na guela de vontade de “gumitar”. Oras, a gente faz o quê com os ‘pessoais’ com deficiências mais agudas? Bota num saco e enterra?

O presidente Lula vive dizendo que estamos entrando no primeiro mundo, que tudo é uma beleza por aqui... ele poderia, a meu ver, dar uma canetada lá no Planalto, como tantas que ele dá, criando uma lei federal abrindo mão de uma migalha de arrecadação que pode dar mais qualidade de vida para milhares de pessoas, acabando com a burocracia e fazendo algo concreto pela “Matrix”.

Tenho muita esperança de que um dia, até o final do mandato, ele vai “comparecer” de tomará ciência de que um grupo social, o dos malacabados, quer ouvir dele um daqueles chavões “nunca antes na história desse país”, se fez algo tão importante...

 

Beijo nas crianças, bom final de semana e bom feriado!  

* Imagens retiradas do Google Imagens

Escrito por Jairo Marques às 00h15

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Compre a sua 'kombi'!

Todos os dias, pela manhã, tomando o meu cafezinho com um seboso pão na chapa Rindo a toa, escuto o meu amigo Valdeci, que manda prender e manda soltar aqui no setor em que trabalho, reclamando da viagem de metrô que fez da zona lost até o centro, onde fica o jornal:

 

“Jairão, quase perdi a minha dignidade hoje de tão cheio que tava o metrô. Tava mais cheio do que caixa d´gua de pobre quando chove...  Fico pensando como é que uma cadeira de rodas entraria no vagão agora pela manhã. Só por gzuis, né?.”

 

E nesses momentos eu fico aliviado pensando no conforto que tenho dentro da minha kombi, que tem ventilador à pilha, motorzão a óleo de cozinha e espaço suficiente pra abrigar a família buscapé tudo... Legal

 

Para um ‘malacabado’ que vive, ou tenta surpreso, numa grande cidade, onde os transportes públicos são indigentes até para andantes e as calçadas um convite para um traumatismo craniano, ter um carro é questão de urgência, de necessidade urgente. Claro que eu sei que as ximbicas poluem, aumentam o trânsito e são uma forma “egoísta” de ir e vir, mas, pra esse povo todo lascado, comprado na loja de R$ 1,99* Muito triste, os carros libertam, ajudam a incluir, a interagir em sociedade, a dar condições para acessar a pouco acessível vida cultura, social e laboral (falei bonito, admitam..).

 

O post de hoje, então, mostra várias opções, entre ela uma bem fresquinha (ui), para cadeirantes e 'deficientchis' quebrados (de grana também Muito feliz) possam sonhar em ter um “tomóvel”. Pra quem não sabe, a gente precisa de carros automáticos ou atomatizados porque eles facilitam muuuito na direção. Imagem vocês que, com a adaptação de freio e acelerador manual, somos obrigados a dirigir com uma mão só, o tempo todo... se tiver que ficar trocando a marcha, tamo na roça... 

 

Vale lembrar que tetrões, pessoas sem os braços, gente pequena podem, perfeitamente, dirigir e tirar carteira de habilitação. Há adaptações pra todos esses "zimininos" dirigir com toda segurança!

 

Quem produziu o texto foi o meu brother Fabiano Severo, que trabalha no caderno Veículos da Folha, e manja tudo sobre ximbicas... Quebrem os cofrinhos, façam rifas, trabalhem mais porque as kombis aumentam a nossa autonomia e dão mais liberdade. Aí, quando tivermos uma cidade acessível, a gente monta um ‘ferro véio’...Rindo a toa

 

Amanhã (ou depois), eu conto a minha aventura para comprar a kombi com os cerca de 25% de descontos a que todo matrixiano tem direito por lei, com as isenções de impostos!

 

Sorte

 A Volkswagen lançará no início de novembro os carros automáticos mais baratos do Brasil. Sem isenções de IPI, ICMS e IPVA, o Gol I-Motion com motor 1.6 "flex" custará a bagatela de R$ 34.605; o sedã Voyage, R$ 37.090. (Com o desconto, os preços pode ficar em cerca de R$ 26.000 e 27.800)

O câmbio I-Motion, porém, não é um automático convencional, e sim automatizado. Usa a mesma mecânica do câmbio manual, mas com sensores que acionam a embreagem e trocam as marchas sem a intervenção do motorista. Só há dois pedais (acelerador e freio). Basta colocar em "D" ("drive", dirigir) e acelerar.

 

A vantagem? Além da praticidade, custa cerca de R$ 2.500, a metade do valor das transmissões tradicionais com conversores de torque. O senão é que, no automatizado, as trocas entre as primeiras marchas são desconfortáveis. O sistema dá trancos e faz o ocupante balançar demais (entenda como funciona o carro automatizado clicando no bozo! Brincalhão)

 

O mesmo ocorre com o câmbio Dualogic, da Fiat _o Palio 1.8 "flex" (114 cv) custa R$ 37.230_, e com o Easytronic, da Chevrolet. A Meriva 1.8 flexível (114 cv) sai por R$ 46.292, mas, no jargão dos lojistas, ganhou o apelido de "Easytranco"...

 (Todos os valores citados até o fim do post são “cheios”, sem o desconto que os “malacabados” tem direito)

Por R$ 40 mil, há a opção do Kia Picanto. Sim, o nome é esquisito, mas o carro é simpático. Pequeno para manobrar e bem equipado. Só há um problema (quer dizer, dois): o porta-malas é tão pequeno que dificilmente caberá a cadeira de rodas recolhida. O outro problema é que a Kia fabrica seus carros na Coreia do Sul. Por lei, o governo daqui só concede a isenção de impostos para carros fabricados no Brasil.

 

Por R$ 47.000, é possível comprar o Peugeot 207 XS automático, já com direção hidráulica, ar-condicionado e trio elétrico (vidros, travas e espelhos elétricos).

 Se você puder pagar esses R$ 47 mil, vale mais a pena investir na família Livina, da Nissan. A marca ainda tem poucas revendas no Brasil, e as minivans não são exatamente bonitas, mas são racionais, espaçosas e econômicas. Enfim, têm a melhor relação custo-benefício do mercado de automáticos.

 A Livina vem com motor 1.8 de 124 cv e câmbio automático _convencional e sem trancos. Já a Grand Livina custa cerca de R$ 7.000 a mais e pode carregar até sete pessoas. Uma verdadeira lotação! (Kombi, kombi.. Muito triste)

 

Na "irmã" maior, o interessante mesmo é que os dois banquinhos da terceira fileira podem ser rebatidos facilmente e deixam um espaço enorme para, por exemplo, acomodar a cadeira de rodas.

 

O assoalho plano e o teto alto permitem levar a cadeira inteira, sem desmontá-la. É algo que só vemos nas minivans mais caras, como a Citroën Picasso (R$ 63,2 mil) e a Chevrolet Zafira, de R$ 70 mil (preço máximo permitido para  malacabados comprarem carro com isenção de impostos).

 O Honda Fit, por exemplo, até tem o teto alto, mas leva bem menos bagagem e tem motores 1.4 ou 1.5 _dependendo do tamanho da família, são fracos para ultrapassagens ou subidas íngremes. Ah, e custa a partir de R$ 57 mil, com câmbio automático. Não vale!

 A família Livina tem volante com regulagem de altura, o que permite adaptar alavancas do tipo "push-pull" (empurre e puxe) sem risco de a barra longitudinal raspar na perna.

* Valeu, Paty!!!

** Imagens de divulgação

Escrito por Jairo Marques às 00h02

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Como é que faz?

Muita gente me pergunta como é que faço para botar a cadeira dentro da kombi. Não é algo muito "complicoso", não. Só requer um pouquinho de paciência, alguma prática e ser sarado com é, lógico... Rindo a toa

Na real, mesmo os tetrões, aqueles pessoal bem prejudicado pela guerra Muito triste, conseguem criar a autonomia e jogar o cavalo na caçamba amarrando umas cordas nele.

Já falei uma vez que existe uma “máquina” que joga a cadeira pra riba do carro, mas custa tão caro e é tão pouco prática que nunca vi alguém usando. Mas, como eu tenho vários leitores barões (ui), deixo a dica.

Para exemplificar melhor como faz o lance, coloquei esse videozinho de um malacabado se aprumando no carro e desmontando a cadeira. A diferença para o que o tio faz é somente uma: eu coloco o quadro da bicha no banco dianteiro, mesmo.

É melhor fazer como o carinha do vídeo e jogar no traseiro, por questões de segurança, mas cada um conhece suas possibilidades e se ajeita como pode (frase de pobre essa, né? Sem jeito). O que importa é criar autonomia.

Ah, sim, quando há alguém para me ajudar ou a patroa (uuuia) tá comigo na ximbica, a cadeira vai no porta-malas, bem mais prático (ai eu num ajudo em nada.. Embaraçado). Amanhã eu continuo falando de carros..

Em tempo: Tem um textinho meu no caderno Cotidiano da Folha de hoje falando sobre o metrô Legal. Quem for assinante do Uol ou do jornal pode acessar clicando no bozo! Brincalhão  

 

Escrito por Jairo Marques às 08h28

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Crônica de uma festa “malacabada”

“Nossa, será que tá tendo encontro dos pacientes do Hospital das Clínicas aqui no xopim? É uma cadeiranda de rodas, um povo tudo sem perna, com aparelho no ouvido, estropiado, né, menina?”...

 

E no pé sujo chique ali pertinho da loja onde se espantava a moça, o forró comia solto. E era mesmo gente de todo tipo por ali celebrando numa balada cujo ritmo da música vinha dos corações arretados de emoção, das risadonas da mesa do “sarado” e de um “muquirana” e também do tilintar dos copos que comemoravam.... a vida.

 

 

 

 

Os garçons do boteco não sabiam se riam, se expressavam espanto ou se serviam aquela gente que, só nossa senhora da bicicletinha pra explicar de onde havia saído: de Goiânia? De Arujá? Da Praia Grande? De Brasília? De Ribeirão? De Jundiaí? Da zona Lost? De um mundo paralelo chamado “Matrix”?

 

E “di certeza” que por ali havia artistas porque os flashs não paravam. E tinha também gente “inzibida” com o nome pendurado no pescoço, tinha uma molecada derramada por todo canto, tinha um monte de lindas, tinha até uns “pessoal” se declarando, de mentirinha, que não eram legalpracaramba.com.br .

 

 

 

 

Rapidinho, rapidinho, o encontro já teve carta: “Acho revolucionário você ter conseguido, em tão pouco tempo, mobilizar tantas pessoas, pessoas com religiões, posições políticas, times de futebol, status e classe sociais diferentes. Nenhum movimento em prol dos deficientes conseguiu essa proeza. Continue sendo simplesmente você, conte-nos suas histórias ou a de algum leitor. Promova discussões do seu jeito bem humorado, descontraído. Não nos abandone.”

 

 

 

 

Quando o fervo já tava “xiqui no úrtimo”, eis que adentra por ali uma família inteira trazendo... é... trazendo um choro incontido ao “Jairo do blog”. Veio pai, mãe, cachorro, papagaio, “cadeira elétrica” e um vulcão de emoções que explodiu em todo mundo após, vejam só que coisa, um DISCURSO!!!!

 

 

 

 

O bailão seguiu com sua gente que leva a causa da dominação do mundo nas garras, seguiu com uma mesa “excrusiva”, vejam só, para o pessoal que nem foi!!!! Seguiu com a perplexidade de quem passava e via aquele mundaréu de gente torta: “Gzuis amado, jogaram uma bomba aqui?”

 

 

 

 

Um encontro cravado na minha história, na história da moça do cerrado de vestido florido, da moça que distribuía sorrisos e fotos, do japonês doido, doido, doido, de quem até ganhou presente, de quem levou presente, de todos, todos que se abraçaram.

 

 

 

 

Se engana quem pensa que esse texto é o relato isolado de uma festa bacana e meio capenga. Pra quem foi, pra quem torceu de longe, para quem planejou, para quem fez, para quem viajou, para quem se arriscou, para quem conheceu, para quem chorou... foi um momento daqueles que a gente crava na memória: “É bonita, é bonita, e é bonita”!

Escrito por Jairo Marques às 17h25

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Uma sereia

Fazia tempo que eu não publicava um post focando em algo que dá um baita ibope: mulher “matrixiana” bonita Língua de fora... Então, hoje eu caprichei e escolhi logo uma sereia para fechar a semana. Como todas da “espécie”, tenho certeza que ela irá encantar, hipnotizar e fazer vocês olharem bem fundo nos próprios mares.

 

A personagem de hoje é a carismática nutricionista e nadadora mineira de Três Marias Letícia Ferreira, 27, que acaba de se classificar para o campeonato mundial de natação em piscina curta, que será realizado em novembro e dezembro, no Rio. Agora que somos um país "Paraolímpico" (Aêêêê), nada mais justo do que eu abrir mais espaço para essa negada que garimpa o nosso ouro, que rala para defender o país e que também "se encontra" na prática desportiva!

 

Bem, mas “campeões” temos aos montes nesse mundo paralelo, não é mesmo? Contudo, a trajetória dessa moça de sorriso inebriante vai fisgá-los pela emoção, pelo bom humor e pela intensidade.  

 

 

Esta deusa das águas subverteu a lógica da realidade que foi imposta a ela após ficar paraplégica num acidente de carro, aos dez anos: abandono e perdas familiares, falta de acesso para tudo na vida, complicações diversas na saúde, dificuldade de aceitação de si mesma, vida louca, louca vida.

 

 

 

Em 2000, ela mudou-se do interior para Uberlândia, no Triângulo Mineiro, onde foi experimentar morar sozinha, foi experimentar grandes paixões. Em 2005, é provido o encontro de Letícia com as águas. A sereia ganhou o mundo e o mundo a ganhou. Não posso contar mais nada. Aconselho os mais sensíveis a pegar aquela guardanapo que sobrou do pão na chapa da manhã Muito triste e deixar bem próximo para conter o aguaceiro.

 

Respirem fundo, e naveguem comigo, junto com essa sereia, num mar de emoções, conquistas e marés rumo a realizações e vitórias.

Sorte

Escrito por Jairo Marques às 00h34

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Blog - Como é que você, de sereia das Minas Gerais, desembocou nos mares do mundo?!

Letícia - Primeiro acho interessante esclarecer que eu era uma pessoa totalmente avessa a regras. Nunca gostei de ter que cumprir horário e ter que me disciplinar para que pudesse obter resultados. Quando entrei para a natação, o intuito inicial era me cuidar, cuidar da minha saúde após um tratamento para me recuperar de uma trombose na perna esquerda, mas acabei descobrindo que ali estava uma grande oportunidade de me tornar uma pessoa melhor, conviver num ambiente e com pessoas muito distintas das quais eu convivia

  

 

 

Comecei nadando alguns dias na semana até o técnico achar que eu já tinha ritmo para treinar com o resto da turma. Eu ainda não tinha parado pra pensar se queria isso ou não, só deixei as coisas acontecerem. Treinei durante três meses até ser levada para a primeira competição, em São Caetano do Sul (SP), em maio de 2006. Lá conquistei uma medalha de bronze e uma de prata, o que me fez querer e acreditar que se eu treinasse mais, poderia conquistar muito mais.

E foi o que aconteceu!  Com um ano de treino, eu fui convocada para os jogos parapanamericanos, no Rio de Janeiro em 2007, em 2008 voltei à Seleção Brasileira para participar de competições na Europa e agora, em 2009, a convocação para o primeiro Mundial de natação em piscina curta, que será realizado também no Rio de Janeiro, no complexo aquático Maria Lenk. Ah...sou a única atleta de Minas Gerais na lista dos convocados!

  

 

 

 Blog - O Rio será a sede paraolímpica, em 2016. Para os atletas de ponta, qual o impacto disso? Avalia que haverá incentivo para que esse povo "malacabado" mexer mais as cadeiras, as bengalas, as próteses, as muletas...?

Letícia - Te digo que desde já, coisas boas visando 2016 estão acontecendo!  Menos de uma semana depois do anúncio da cidade sede dos jogos eu recebi a notícia do interesse da ORTOBRAS, empresa fabricante de cadeiras de rodas e equipamentos para acessibilidade, em me patrocinar já pensando nos resultados que posso obter até lá. Estou super feliz e confiante de que sendo a primeira atleta a ser patrocinada pela empresa, estou abrindo portas para outros atletas; além disso, poder contar com um patrocínio anual me deixa tranquila em saber que posso me dedicar com maior exclusividade aos treinos, sem a preocupação se vai ser possível ou não o custeio de viagens, suplementação alimentar, material para treinamento e competição, etc. Quando uma empresa deste porte e com a credibilidade que tem mostra que acredita no meu trabalho, a sensação é de que vale a pena todo o esforço dia após dia.

 

 

  

Além de nós, atletas em atividade, sermos beneficiados pela mídia, acredito que muitos “malacabados” que não sabem o que fazer da vida (como era o meu caso) vão se interessar pelo esporte adaptado e, também, os profissionais da área de educação física vão se atentar para o potencial enorme que têm as pessoas com algum tipo de deficiência. 

 

 Muitas vezes, até entrar em contato com o esporte de alto rendimento, uma pessoa não tem noção da força (física e psicológica) que guarda dentro de si. 

 

 Blog -  Se para um atleta "certinho" conseguir arrumar uns "reaus" para conseguir competir já é uma peleja, é de se esperar que para os meios tortinhos a labuta seja ainda maior. É assim mesmo? Esporte paraolímpico é bacana, mas falta grana? Como você sevira.com.br?

Letícia - É de se esperar sim. Isso se deve ao fato de que o espaço disponível em mídias para o esporte paraolímpico é muito restrito, algo compreensível quando se pensa no investimento feito por federações (como a de futebol, por exemplo) para que os jogos sejam transmitidos em horários nobres da TV. Mas como prefiro sempre ver o lado bom das coisas, percebo que, desde que entrei para este mundo 'paraolímpico' a divulgação das modalidades cresceu substancialmente principalmente após o Parapanamericano e ainda mais após as Paraolimpíadas de Pequim com nossos recordistas mundiais em várias modalidades. 

  

 

 

 

Mas acredito que muito disso tem que partir de nós mesmos, divulgando nossos resultados onde for possível (inclusive no blog do JAIRO), convidando amigos para assistirem as competições, incentivando a iniciação esportiva entre jovens e até mesmo entre adultos visto que no esporte paraolímpico não existe uma regra ou limite de idade para um atleta apresentar bons resultados; o ponto determinante é a dedicação aos treinos e saber avaliar, com a ajuda de um profissional, em que modalidade você poderá render mais

 

Blog - Sereia também se afoga de vez em quando?

Letícia - A sereia aqui já se afogou algumas vezes dentro e fora d' água, em lágrimas inclusive... Rindo a toa. O fato mais marcante na minha vida foi quando, aos dez anos de idade, após um acidente de carro eu me vi num hospital, rodeada por pessoas da família, recebendo a notícia de que minha mãe e minha irmã de 15 anos haviam morrido no acidente e que meu pai estava mal na UTI; além disso, que eu não conseguia me virar na cama pra dormir de barriga para baixo porque eu havia perdido o movimento das pernas, que por isso eu me sentia tão pesada.

 

Pra piorar um pouco mais, alguns dias depois, meu pai não conseguiu resistir aos ferimentos e também se foi. Eu só conseguia pensar que não havia nada de pior pra acontecer, que não dava pra piorar aquela situação. Mas eu estava enganada, pois pior que perder meus pais e entrar pra Matrix, foi perder a referência familiar, não ser aceita naquela condição pelo meu irmão mais velho que tinha vergonha de mim por eu estar na cadeira de rodas. Mas enfim, como diz Almir Sater: “ hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe/ só levo a certeza de que muito pouco eu sei/ eu nada sei”.

 

 

Blog -  Além de ser uma nadadora reconhecida, você chama muito atenção pela sua beleza e sensualidade. Cada vez mais, me parece que a mulher cadeirante está rompendo aquele estigma de que a deficiencia leva, além dos movimentos, a feminilidade, não é?

Letícia - Concordo com você, estamos rompendo sim com aquela imagem da cadeirante que se escondia, jogava um lençol nas pernas e ficava na porta da casa vendo a vida passar sem se dar conta de que o mundo espera por nós.  

 

 

 

 

 

A geração de mulheres com algum tipo de deficiência que hoje ‘beira’ os 30 anos tem valorizado mais suas formas porque  aceitam melhor a mudança que a deficiência causa no seu corpo e, com isso, ousam no seu modo de vestir e abusam de seus predicados femininos (modéstia à parte, acho que faço isso muito bem!!! Convencido)...

 

 

Acredito que precisamos mesmo mostrar que mulher é mulher independente de como se locomove, se falta ou sobra um pedaço, se enxerga ou não, etc.  A vaidade é algo que me acompanha desde criança e isso para mim se tornou uma arma importante para, inclusive, obter espaço na mídia e conseguir assim divulgar o meu trabalho e resultados na natação. Temos que tirar proveito do que temos de bom, saber usar a beleza é algo importante e que pode nos render bons frutos.

 

 

 

Blog - A única coisa que tenho sido campeão ultimamente é de partidas do videogame Wii. O que é ser uma campeã? Ser a melhor? Vencer quando todas as águas te empurram de volta para a margem?

Letícia - Para mim, ‘ser a melhor’ está muito relacionado a minha evolução como ser humano. Eu tento sempre ser O MELHOR que posso, luto constantemente para aceitar que posso e devo ser melhor comigo, com meus amigos e com as pessoas com as quais me relaciono. Ser uma campeã é superar as limitações que impomos a nós mesmos, é deixar a preguiça de lado e ir trabalhar ou treinar (como é o meu caso) todos os dias enfrentando cada pensamento de que hoje não é um bom dia porque está frio, porque está chovendo ou porque o sol está muito forte, a água está muito fria...

 

Bom final de semana, beijo nas crianças e até amanhã para dois ou três de vocês, lá na baladinha!  

 

* Imagens de arquivo pessoal e de Kica de Castro

Escrito por Jairo Marques às 00h32

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Pezinho de anjo

Se tem uma piadinha sem graça e que me deixa “nelvoso” é uma assim: “Ah, o bom de estar nessa sua situação (de malacabado, oficorsi) é que seu sapato num gasta, né?”
 
Eu respondo o que pra um ‘serumano’ sem assunto desses? “É... se ocê quiser emprestado um dia pra não passar vergonha com esse mulambo que você usa, tamo ai”.
 
Mas tá certo, admito que nossos sapatinhos demoooram pra acabar. Mas eles se sujam, ficam encardidos porque esbarram nas rodas, porque a gente arrasta de vez em quando no chão, enfim...
 

O lance mais “complicoso”, contudo, nem é a pergunta infame, mas sim o fato de achar sapato pra esse povo dos cambitos finos. “Uai, tio, mais causo de quê? Vocês só usam sapatilhas de cristal?” Insatisfeito.
 
O problema, meu povo, é que cadeirantes em geral, sobretudo aqueles que se lascaram logo na infância, que nem eu Piscadela, tem o pezinho de anjo, mesmo sendo já marmanjo.. num é um luxo? Um guti guti? Inocente
 
O meu pé, “perexempi”, é do tamanho 33, 34. Quem pensou “pé de moça tá ferrado comigo na saída” Nervoso. A minha “tioria”  de botequim é que, como a gente não pressiona a sola no chão, o desenvolvimento fica prejudicado. O pé num atarraxa (eu não sei o que quis dizer com isso Carente).
 
Mesmo os “pessoais” que entraram para a matrix mais tarde, noto que os pés têm uma leve retração de tamanho (isso pode ser bobagem, mas é uma impressão que tenho).
 

Bem, ai  vai a gente nas lojas tudo tentar comprar um coturno para usar com as calças pula-brejo, comprar um tênis pra ir no baile ou mesmo uma sandália pra ir à missa:
 
“Moça, eu queria aquele tênis ali, que tem os próprio leopardo bordado em vermelho (marca chique porque se eu foi pobre algum dia eu não lembro Convencido)”
 
Depois de me olhar com aquela má vontaaaade danada, a vendedora, que fica escorada na vitrine para não cair de preguiça, dispara: “O senhor usa que número, no caso?” “Ah, mas aqui a numeração desse tênis começa no 38..... num serve um chinelo?”
 
Pô, chinelo, “zente”? Imaginem eu nas reuniões aqui do jornal com aqueles chinelinhos de vô, cor de burro quando foge?!  É de chorar pelado. Sapato social, então, pode esquecer. Homens com compromissos executivos, necessariamente, são tudo pezudos, tudo usuário de sapatão! Muito triste

Quando eu era mais jovem (na década de 60, por ai, Embaraçado) nem ligava e entrava menos nas lojas de sapatos pra criança mas, depois de véio, é de lascar a goiabeira fazer isso. Contudo, não tem muita solução não, e tenho de optar pelas “tico tico”, “lambe lambe” “pezinho de açúcar” da vida.

As fábricas de sapato do Brasil, que tão tudo em crise porque a China manda bala na sapatada Bobo, alegam que a demanda é muito pequena para números menores e, por isso, the life is hard (para quem não é manja, o vulgo “a vida é dura”).
 
Para as meninas, a situação é tão ou mais complicada do que a dos meninos. Sabem aquelas sandálias que a mulherada usa pra dizer: “Te piso e te faço meu tapete” Tonto, então, dificilmente existem números pequenos. As anãs e as mulheres cadeirantes, então, tem de usar o quê? Saco plástico de supermercado?

 


Eu gosto do meu pezinho de anjo Apaixonado e queria poder comprar os sapatos que mais acho bonito para ornamentá-lo. Será que tô errado? Tá certo que vira e mexe, quando a gente se transfere da cadeira para o carro, para a cama (ui) ou seja lá pra onde for, é quase regra o calçado se enganchar e ficar pelo caminho... mas tá valendo! Rindo a toa
 
Ah, sim, só pra fechar essa história de sapato, lembro a vocês que, nos casos de pessoas que não possuem sensibilidade sensorial nas pernas, é muito comum os pés ficarem inchaaaaados porque o “esgualepado” esquece dele ali pendurado. Quando você, infiltrado, vir essa situação, pode dar um aviso, de boa!

* Imagens retiradas do Google Imagens

Escrito por Jairo Marques às 00h00

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Pra quem vem lá de longe

Meu povo, as própria organização do nosso sarandeio de sábado... Para tudo, vão me dizer que não sabem o que é “sarandiar”? Saca rela-bucho? Furdúncio? Quizumba? Dançar um vanerão? Nadinha disso?... aff... povo antigo, credo ... Muito triste... A balada, "zente", a balada do blog que vai rolar no sábado!!!! (Mais detalhes, clica no bozo Brincalhão ) Então, me informaram que já tem gente confirmada suficiente para lotar uma van e ainda vamos precisar de um ‘fuca’ bege pra rebocar o resto dos cachorros, das bengalas, das muletas, dos cavalos... 

 

Pra mim, isso é motivo de muita alegria, de muita satisfação por saber que meu humilde e fácil projeto de dominar o mundo Carente tem conquistado lá seus dois ou três adeptos. E o mais “doido” pra mim, é saber que vem um pessoal lááááá de longe, que já tá preparando as “malmita” tudo pra aguentar tantas léguas de viagem dentro de uma marinete, um jegue ou mesmo de um desses ônibus que “avuam”. Rindo a toa Penso demais nas razões de tanta demonstração de carinho, de aceitação de uma ideia, de abraçar um espírito tão inusitado como o que eu imponho aqui no blog (de porco Muito triste).

 

Nunca chego a nenhuma conclusão... Pra me ajudar, então, hoje eu publico a carta da Adriana Moraes, uma das leitoras que travo longos debates intelectuais por trás de alguns posts... Ela, “zimininos”, vai vir lá do Goiás (sim, o Rogério também!!!!) pra prestigiar a festa programada pelo povo das “comunidadchi” dos Orkut. Confesso que meu “zóio de véio” sensível (ui) num aguentaram a pressão das palavras da Dri... Emoção demais, pensamentos demais.  Ainda dá tempo de avisar a Bibi, pelo email arquiteta_bia@yahoo.com.br , que você também quer ir na “Fuzarca” Rindo a toa ... Boa leitura!  

Sorte

 

Há mais de um ano frequento o Assim como Você. Não por acaso, desde então minha vida muda um pouquinho a cada dia. Cheguei aqui  fisgada por uma chamada inocente do UOL. Nunca mais fui embora. Mil vezes me perguntei sobre o porquê desse vínculo.  A mesma pergunta eu ouvi dos filhos, do meu marido e dos amigos com os quais divido minhas alegrias e descobertas. Dificuldade nunca tive para responder. Motivos nunca me faltaram, mas vejo que eles se multiplicam, conforme o tempo passa e a vida acontece.

Sim! Tenho uma relação direta com o tema central do blog! Casada há 20 anos com o pai da Isadora, que tem paralisia cerebral, a questão da deficiência nunca me foi indiferente.  Pelo contrário. Mas os motivos do meu apego não se resumem a isso:

1º Aqui eu aprendo: Aprendo não só sobre o universo da Matrix. Aprendo a beleza e o mistério da diversidade humana. Observo a sabedoria dos que sabem ouvir, me maravilho com o exercício diário e cotidiano daqueles que não se permitem a acomodação, descubro a força dos afetos, o poder da superação, os enigmas e os encantos do mundo virtual.

2º Aqui eu me divirto: Quem é que nunca rolou de rir, logo de manhã, ainda na madrugada ou bem cedinho, com as travessuras, as molecagens, o jeito manso e debochado do Jairo? Quem é que numa segunda-feira cinzenta, num dia de azedume não desanuviou o espírito com o humor, com a irreverência e com a crítica aguçada do nosso malacabado mais ilustre? 

 

3º Aqui eu desabafo: Inúmeras vezes me angustio quando vejo a malacaba daqui de casa sendo ignorada ou ameaçada em seus direitos. Nessas ocasiões, aqui busco e encontro abrigo. Aqui declaro minha indignação e sinto que meu desabafo, diferentemente de outros ambientes, ecoa. Um eco muitas vezes silencioso, mas reconfortante. Aqui vejo que minha família não está só.

4º Aqui eu partilho experiências: No blog nunca senti que estivesse falando sozinha, como já senti tantas outras vezes ao tratar do tema da deficiência. Não por falta de interesse dos meus interlocutores, mas o fato é que alguns diálogos, para acontecerem de verdade, exigem vivência mútua. Nunca me esqueço do dia em que, quase numa brincadeira, sugeri que a exemplo de outros posts, o Jairo fizesse um dedicado para quem não quisesse “pagar mico com um PC”. Qual não foi minha surpresa ao ver que ele topou. A Denise Crispim abraçou a idéia, e sem nunca termos nos visto, dividimos nossas angústias, partilhamos experiências e numa parceria inusitada, ainda que de lugares diferentes e distantes, soubemos falar a mesma língua.

5º Aqui eu perdi parte dos meus medos: Estou aprendendo a enfrentar meus medos.  O de me mostrar e de me aproximar das pessoas. Ensaiei muito para deixar o primeiro comentário. Com a receptividade do Jairo - que sempre reserva pelo menos uma piscadinha matreira para cada um de seus leitores – isso se transformou num hábito diário. Depois, fui me permitindo visitar outras “casas”, cujos endereços encontrei aqui.  Vou assiduamente à varanda da Sinhá e ao cafofo do Negão, visito a Lak, já estive em São José dos Campos com a Marly e o Fábio Cassiano, ando lendo a Thais Naldoni no Portal da Imprensa, passeando no blog da Gisele e me deliciando com seus comentários que, invariavelmente, envolvem uma bunda seca ou a frieira de um pé. Tem coisa mais gostosa?

Já pensei em visitar a Denise e a Sofia em São Paulo e, apesar disso não ter acontecido, ainda não perdi a esperança.  Com o Rogério, o encontro das famílias já está agendado e em breve vai rolar. Estou até pensando em contratá-lo como empresário do meu filho. Afinal, o “Assim...” também é um portal de negócios. Muito triste  O talento da Tabata, a beleza do Leandro Kdeira, as camisetas do Evandro, a delicadeza da Glória, os projetos de acessibilidade da Bia, o trio Dulce e suas princesas, a gentileza da Naty,  o trabalho inovador da Kica de Castro e do Leonardo Feder, enfim, esse povo todo já faz parte da minha história.

Infelizmente, o tempo é curto e alguma timidez ainda persiste. Do contrário, já teria ido atrás da Maysa, da Elisabete, da Su, do Amaury, do Thiago, da minha xará que é mãe do João Lucas, da Paulinha Pavan e de tantos outros que, silente, acompanho quase todos os dias.  Mas dia 24 de outubro está chegando. Tem encontro marcado e a galera está se organizando lá no orkut (até nessa maluquice estou me aventurando, só pra ficar mais perto dessa turma!). Seguindo o exemplo de outra leitora do blog, pedi meu alvará de soltura e ele já foi concedido.  Vou me aventurar na cidade grande. Dessa vez eu estarei lá! 

Enfim, eu poderia passar horas listando os motivos da minha paixão pelo “Assim como você”. Se um dia essa paixão foi pelo Jairo – Não! Não me entendam mal, nem fiquem com ciúmes, afinal até o meu “diretor já assimilou esse fato - hoje declaro o meu “amor” por todos os leitores do blog.  Não que eu seja santa ou leviana que ama a todos indistintamente. É que mesmo os “nádios” da vida têm algo a me dizer: eles reforçam minha certeza de que há muito por fazer, dentro e fora de mim. É aqui que eu encontro o caminho.

Escrito por Jairo Marques às 22h16

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Devotees

“Zente”, talvez o post de hoje seja o mais polêmico já divulgado neste blog. Ele tem potencial de provocar e também causar uma “reivinha” em certas pessoas, ligeiramente mais conservadoras. Acontece que o tema faz parte dos assuntos desse universo paralelo em que vivem os “matrixianos”, então, tem de aparecer!

 

Há tempos tenho tentado fazer um texto sobre os devotees, os “pessoais” que sentem atração (uiiia) pelo povo “malacabado”. Eles, em geral, são muito, muito hostilizados socialmente. Particularmente, repito, particularmente, sou contra isso. A grande crítica que já li sobre os devotees é que eles fazem os “malacabos” se apaixonarem por eles, mas, só querem mesmo sexo e sentem os “tezão tudo” apenas pelo lance físico (gostam de cambitos finos, a falta de uma perna, de um braço surpreso).

 

Também já vi manifestações de um certo “horror” pelo fato de haver pessoas que se atraem por alguém numa cadeira de rodas, como se fosse um pecado, algo feio. Penso, com tranqüilidade, que o ser humano pode ter seus fetiches numa boa, desde que não prejudique ninguém. Não estamos falando de um pedófilo que, ai sim, tem um distúrbio, fomenta uma anomalia. Estamos falando de alguém que sente atração por um determinado aspecto físico.

 

 

O deficiente, claro, pode ser mais fragilizado emocionalmente (conseqüência da exclusão social) e pode se entregar a alguém com intenções apenas sexuais, tudo bem, isso é fato. Mas daí a achar que o devotee é um mostro, eu não concordo, não. Como diz minha mãe, quando um não quer, dois não brigam... Rindo a toa Qualquer pessoa pode ser seduzida por um bonitão, uma bonitona, com objetivo apenas de “fazer coisinha”, independentemente da condição física, então, porque com os mamulengos tem de ser diferente? 

 

Não me lembro ou nunca percebi que alguma devotee jogou seu charme sobre mim, que sou um “minino bão e inocente” Inocente, mas, desde que não faça algo que me agrida, que respeite se eu não tiver afim, ta valendo. Bem, o Leonardo Feder fez um trabalho jornalístico brilhante para o “Assim como Você” revelando muita coisa sensacional sobre os devotees. Vale a pena a leitura e, lá em baixo, o coments com sua opinião sobre o assunto!!! 

 

Sorte

 

Kronos, 50, lembra que, desde os seis anos, interessava-se, sem conotação sexual, por pessoas com deficiência. “Eu as incorporava em minhas brincadeiras. Sempre havia uma princesa cadeirante para salvar...” Aos dez anos, ao se apaixonar por uma “defi”, apanhou dos pais. “Diziam: ‘O que você quer com essa moça?, ela não pode casar!’”. Depois, teve sua primeira experiência sexual com uma professora com deficiência.

 

Fernanda Visintin, 25, acha que tinha preconceito quando via um homem com deficiência. “Talvez por medo de não ser um homem que pudesse me satisfazer. Dizia: ‘Que rapaz lindo... pena que é deficiente’”. Mas, aos 22 anos, mudou-se para Vitória (ES), passou a trabalhar em uma instituição filantrópica e ter contato com as dificuldades e discriminação que as pessoas “especiais” enfrentam. Mudou sua visão. Até que... “Através da Internet, conheci um rapaz paraplégico por quem me apaixonei perdidamente, e, através dele, conheci o termo ‘devotee’. Então me descobri uma... Ele não aceitou, tampouco entendeu esse meu sentimento, e terminou o namoro comigo” Carente.

 

Fernanda diz que sua atração por homens com deficiência é tanto sexual quanto espiritual: “Pois são pessoas de uma força tremenda, que, mesmo entre tantas dificuldades, não se deixam abalar, e estão sempre em busca da superação”. Por um rapaz tetraplégico que conheceu em Americana (SP), fez, segundo ela, sua maior loucura de amor: saiu de Vitória e mudou-se para a cidade paulista. Mas o caso não foi para frente.

 

Kronos conta que, uma vez, ficou admirando uma mulher, que percebeu e comentou à amiga, mas esta não acreditou: “Imagine! Você, na cadeira de rodas, ele nem vê”. A mulher aproximou-se e pediu um cigarro; ele, que nunca fumara, ofereceu um drops . Saíram por um tempo, mas perderam o contato, e ele se casou com uma mulher sem deficiência. Anos depois, separado, reencontrou a antiga paixão e passaram a sair toda semana.

 

"Recebi muita agressão e hostilidade, afinal, deixara uma andante para me unir a uma cadeirante”. Tiveram três filhos e ficaram juntos por dezoito anos, mas se separaram. “Meus familiares até brincam com o fato de eu ser devoto [termo em português para devotee], apostam se estarei com uma cadeirante. Os amigos de meus filhos também sabem; no inicio, ficam perturbados. Ele afirma ser o primeiro brasileiro a se assumir publicamente devotee na Internet, onde publicou um manifesto em 1997. Era chamado por algumas pessoas com deficiência de “doente, pervertido, anormal”.

 

“Muitas ‘defis’ não aceitam a idéia de que possamos ter atração por ela toda, inclusive com as sequelas da deficiência. Outras adoram os jogos e brincadeiras, mas até a relação acabar, aí voltamos a ser psicopatas.” “Às vezes nos comparam a aproveitadores, mas é fruto de preconceito, pois os ‘defis’ têm discernimento para optar por fazer sexo”. Segundo ele, foi demitido do trabalho quando uma mulher com deficiência de um antigo caso seu, “que dizia odiar devotos”, ligou para seu chefe e disse que ele a perseguia. Desde então, adota o apelido Kronos.

 

Fernanda diz que também foi discriminada por homens com deficiência que “não se conformam que alguém se atraia por eles”, caso de seu primeiro namorado, que terminou com ela. “Ele disse: ‘não quero que gostem de mim por minha deficiência, mas pela pessoa que sou’”. Ao contar à mãe que namorava um homem cadeirante, ouviu: “Filha, pelo amor de Deus, não mexe com isso, não, você vai carregar uma cruz pelo resto da vida!”. Ela, então, contou das superações dele, das atividades que exercia, como se portava diante da vida, e a mãe virou fã doo rapaz.

 

Jacqueline Huber, 28, tricampeã brasileira de natação, descobriu o devoteísmo aos 20 anos em sala de bate-papo em que iam pessoas com deficiência. Tem o membro inferior esquerdo amputado, após um acidente de moto aos 16, e parou de nadar devido a uma lesão no joelho. “Conversei com um homem que confessou ser devotee. Minha primeira reação foi dar muita risada e pensar: meu Deus!!! Que mundo louco! Mas resolvi conhecer melhor o assunto”.  Ela decidiu encontrá-lo. “Ele é muito bonito, inteligente, simpático, e me senti atraída por ele”. Começaram a namorar, mas não deu certo. Acha indiferente que o homem que esteja conhecendo diga de antemão que é devotee. “O que importa é o que sinto por ele”.

 

 

 

A SBRASH (Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana) classifica o devoteísmo como um fetiche não-patológico. O devotee é chamado de pretender, quando finge ser deficiente e utiliza equipamentos como cadeira de rodas, muletas, bengalas ou órteses. Ou de wannabe, quando deseja tornar-se deficiente e chega a se mutilar. A antropóloga Alison Kafer (2000) reitera: “Se classificamos os devotees como ‘doentes’, o que estamos dizendo a respeito da ‘desejabilidade’ de mulheres deficientes?  É patológico achar atraente uma?” Assim, constata que há uma construção cultural das mulheres com deficiência como assexuadas e sem atrativos – o que as impele a disfarçar e a se envergonhar de sua condição -, mas os devotees, parecendo ignorar os ideais dominantes de beleza, valoriza-as e aumenta-lhes a auto-estima.

 

A jornalista Lia Crespo (2000) explica que o devoteísmo ficou mais visível quando veio a internet, mas, segundo artigo de Richard L. Bruno, doutor do Instituto de Pós-pólio do hospital de Englewood, de Nova Jersey (EUA), está documentado na literatura médica desde 1800. Ela percebeu que, geralmente, a descoberta do devoteísmo pelas pessoas com deficiência é seguida por cinco fases:

 

“Primeiro, a incredulidade: ‘Não é possível. Isto não existe’. Depois, vem o medo do desconhecido: ‘O que é isso? O que significa? Deve ser perigoso’. Em seguida, a perplexidade: ‘Então é isto o que me resta? Todas as pessoas que já se interessaram ou vão se interessar por mim foram ou são devotees?’ Posteriormente, é a vez da raiva: ‘Como eles se atrevem a sentir tesão por uma condição que, em algum momento da vida das pessoas deficientes, representou, representa ou representará perda, dano, dor, sofrimento, discriminação, exclusão?’ Por fim, advém a fase da aceitação/ fascinação: ‘Isto existe. É inusitado e muito interessante! Preciso saber mais’”.

Escrito por Jairo Marques às 00h00

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Juju vai à praia

“Zente”, coisa boa demais da conta é tomar a fresca na praia, né, não? Atolar as rodinhas da cadeira tudo naquela areia fofinha... ai vem a onda, o cabra ali afundado e dá-lhe água salgada na lomba! Êh, delícia... que "dêli"! Rindo a toa

 

Quem foi recentemente se “desbundar” no mar (rimou, olha que luxo!) foi a Juju, a Juliana Carvalho, que faturou o prêmio do concurso mais “belezera” das internets tudo, o “A minha viagem dos Sonhos”. Num tá se lembrando de como foi? Clica no bozo que eu dou um refresco pra sua cuca! Brincalhão

 

Então, ninguém melhor do que a própria moça praiana, que é lá dos Rio Grande do Sul, das Porto Alegre, contar como foi o final de semana que ela faturou criando o slogan da Accessible TourVamos ver se agora a agência dá uma viagem pra gente ir pras “Zoropa”, pros “Estadusunidos”, pras lonjuras, né, não? Muito feliz

 

Antes do texto, aviso que amanhã, vou estar todo pimpão, todo glamuroso, na Câmara Municipal de São Paulo que, a partir das 14h, vai abrigar um evento todo voltado à educação de malacabados. “Vamo nóis tudo”? Bem humorado

 

Beijo nas crianças e bom final de semana!

 

Sorte

 

Quem me acompanhou na viagem à cidade maravilhosa foi minha mana chamada Luciana, a Lu. Ela recém se formou em Agronomia e achei que era um presente legal ir para o Rio com tudo pago, oba! E pelo visto foi! Ela não conhecia ainda a cidade e adorou. Perdeu o medo e o preconceito que tinha e se rendeu aos encantos da beleza natural, bem descritos por Tim Maia: “do Leme ao Pontal, não há nada igual... sem contar com Calabouço, Flamengo, Botafogo, Urca, Praia Vermelha...”

 

 

 

Chegamos à antiga capital do Brasil (ou atual, na cabeça da maioria dos gringos) sexta no final da tarde. Um táxi específico para transportar cadeirantes, já nos aguardava. Nunca tinha utilizado um parecido, mas foi tranqüilo entrar pela plataforma elevatória. Só não gostei muito do negócio porque fiquei muito alta, e assim perdia a vista. Pedi para utilizar um carro comum no dia seguinte, o que foi feito.

 

O “motora” gente fina nos deixou no belo Royal Rio Palace Hotel, na rua Duvivier, a três quadras da Av. Atlântica. Quando fomos faze o check-in o hômi da recepção informou que todos os quartos adaptados (dois pelo que entendi) estavam ocupados. Pediram mil desculpas e nos colocaram numa suíte gigante até que o imprevisto fosse resolvido.  A Lu e eu largamos nossas tralhas na suitona e saímos para jantar.

 

 

Ai, misericórdia, nenhum cadeirante merece calçamento com pedra portuguesa, aquela miudinha que fez o desenho ondulado da orla de Copacabana, sabe? A maioria das calçadas da Zona Sul do Rio por onde circulamos são feitas de pedra portuguesa. Toda hora tenho que dar uma paradinha pra conferir se não perdi um é no caminho.

 

A passito, chegamos no clássico Manuel e Juaquim (assim com U mesmo) que o pessoal do hotel havia nos indicado. Caipirinha, camarão com alho. Delícia! Falando em alho, sempre que como alho acabo beijando na boca de algum sortudo, parece ímã, nada que um chicletinho não resolva! Mas, a profecia não funcionou desta vez... Carente

 

Voltamos de táxi comum para o Royal e o quarto adaptado já estava liberado. Trocamos nossas tralhas de lugar e fomos para o terraço, curtir a vista e tomar uma coca cola. Quando a porta do elevador abriu no último andar, me surpreendi ao dar de rodas numa escadaria. Que mania de por degraus em tudo meu Deus! Com o auxilio de um funcionário chamado Guaraná, muito gente boa, mais uma hérnia de disco de brinde pra Lu, consegui chegar na área da piscina. 

 

Ficamos ali pitando e conversando com o Guaraná e ele provou que a tchurma da matrix está em todos os lugares. Ele tem um filho com mielo e paralisia cerebral. O pequeno Artur já fez consulta no Sarah Rio. Deve ser bom fazer AVP (atividades da vida prática) em Copacabana!

 

No outro dia, o guia Emílio nos levou pro Pão de Açúcar, cuja acessibilidade é impecável no quesito arquitetônico. Plataformas elevatórias para todos os ambientes, banheiro adequado, show de bola mesmo!  E a vista, espetacular.

 

 

De lá, fizemos um city tour pelo centro velho da cidade, sempre escutando atentas as histórias e peculiaridades que Emílio ia narrando, até chegarmos na base do morro que abriga o Cristo Redentor. Ali pegamos o trem do corcovado que tem uma rampinha amiga, novamente o Rio impressiona com sua riqueza natural. O trem corta a floresta da Tijuca e é possível sentir aquele frescor de mata. Conforme avançamos, novamente uma vista exuberante enche os olhos. Acesso para cadeirante também tranqüilo no Corcovado, que tem elevadores e escada rolante. Falta banheiro acessível e acesso à lancheria.

 

 

Depois de curtir o visual incrível, visita às praias: São Conrado, Leblon, Ipanema e pitstop em Copa. Já eram cinco da tarde quando nos despedimos do Emílio. Água de coco e mais camarão. Quero mais prêmios como este! Passeamos pela feirinha, fomos a pé para o hotel, brigando com as pedras portuguesas Rindo a toa. Chegando no nosso apê, a Lu tomou um banho e desmaiou. Eu fiz o tipo 2, e tomei uma ducha na privada mesmo. Aí fica uma dica e um pedido aos hoteis: vocês têm que disponibilizar cadeiras higiênicas, aquelas que parecem uma privada com rodinhas! Pô, o cara vem de outro país, de outro estado, muitas vezes não tem como trazer a casa junto, né?

 

Depois de uma epopeia Tonto para achar um banco, já com dindin no bolso, fomos pra orla de Copacabana onde encontrei minha querida amiga Denise Menchen (Neca, pros íntimos). Jornalista gaúcha, que trabalha na Folha de S.Paulo, no Rio, foi ela que me apresentou o "Assim como Você"Legal. Mais tarde, a Lu e eu pegamos um táxi para Ipanema. Um rapaz gente boa que alugava guarda-sóis e cadeiras por ali, mais um maluco que estava passando e a hérnia de brinde da Lu me carregaram na cadeira até bem pertinho do mar. Faz falta acesso na praia! Mamulengo também gosta de se bronzear e tomar banho de mar!

 

 

Sentei numa cadeirinha de praia e fiz uma das coisas que mais me dá prazer nessa vida: sentir a brisa do mar e observar a paisagem tomando uma caipirinha. Encontrei outra amiga querida, a Talita Werneck. Botamos as fofocas em dia, fiz uma sondagem na camufla usando uma canga. Estava sem saco coletor, fui obrigada a calibrar o coco que a Lu tinha tomado! Logo já estava mais que na hora de voltarmos para o hotel, arrumar as tralhas e deixar a vida de bacana. Quero mais!Bobo

 

 

Chegamos no aeroporto em cima da hora e não pude fazer um mix antes de embarcar. Acreditem, eu fiz xixi no banheiro do avião. Sim... aliás, não sei porquê tem o símbolo da acessibilidade na porta. Mal cabe um par de rodas de uma cadeira! A aeromoça veio com uma cadeirinha que fica no avião. Uma poltroninha com rodinhas minúsculas. Ela me levou até o ‘banheiro’ e óbvio que não entrou toda a cadeira.Insatisfeito Também não tinha espaço para eu fazer uma transferência para o vaso. Expliquei que eu ia me sondar e que por isso não precisava sentar no vaso. O desfecho da história foi a aeromoça segurando aquela cortina, que eles fecham para preparar nosso lanche, tentando tapar a cena grotesca: eu fazendo pipi, me equilibrando na nádega que cabia na cadeira, com metade do corpo no banheiro e a outra metade obstruindo a cabine do ‘only crew’. Sobrevivi.

 

Foi isso! A viagem foi mara, o atendimento da Fátima Accessible Tour  foi ótimo, tenho certeza que eles fizeram o melhor que podiam e sabiam.  Cabe a crítica construtiva, que na verdade não é para agência, mas para toda a engrenagem do turismo. Porque apenas dois quartos adaptados? Se houver uma excursão de cadeirantes, a turma vai ficar separada! Sugiro que os próximos empreendimentos hoteleiros tenham não só uma cota de ambientes acessíveis, mas todos seus quartos e áreas de lazer contemplados com o desenho universal, que não é exclusivo às pessoas com deficiência e sim pensado para todos. E, aos fabricantes de aeronaves, pelo amor de Deus, obesos e cadeirantes também tem o direito de mijar no vôo!Muito triste

 

Beijos em todos e aguardo o próximo concurso!

Escrito por Jairo Marques às 00h14

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Seja relax

Me pedem pra divulgar de tudo aqui no blog, desde cachorro perdido porque caiu do caminhão de mudança até sorteio frango em bingo. Muito triste

Mas eu gosto mesmo de mostrar iniciativas que são diferentes, que são inéditas para esse povo que vive num mundo paralelo onde acham que a gente que é meio torto não tem desejos (ui), não curte se divertir, não tem necessidade de interagir em TUDO dentro das própria sociedade.  

Hoje, então, eu mostro algo que, “particularmentchi”, eu nunca tinha visto. Se liga, “zimininos”, yoga para malacabados!!! surpreso surpreso

Eu até já havia lido no blog da minha leitora catita Isa Grou que ela, “matrixiana”, estava fazendo exercícios de relax que estavam fazendo ultra mega bem pra ela, mas, eu não tinha os detalhes.

As aulas de yoga para cadeirante estão rolando em Indaiatuba, mas acho que o exemplo do “Estúdio Cena” vale para incentivar academias do Brasil todo! Saquem só, quem já passou por lá: O Augustaaaao, meu leitor top!!! Rindo a toa

 

A dinâmica de uma aula de yoga para cadeirante é a mesma. “As minhas turmas são mistas. E é dessa forma que tanto os andantes, como os cadeirantes, podem aprender um do outro. Fica mais fácil para cada um deles entender melhor os movimentos”, disse a professora Maria Fernanda Senger,

Falai, meu povo, é ou não é legalpracaramba.com.br, num é maraviwonderful? Imagina o tio, com essa pança que eu tenho, meditando, relaxando, yogando tudo? Muito triste

Bate o olho nessa feiúra de moça que também tem curtido as aulas. Num é uma "deli?"! Vai ser bonita assim lá na Vila Maria, viu?! Muito feliz

Existem duas maneiras principais de conduzir a aula. Uma é com o cadeirante deitado no chão. Nessa posição ele passa a imitar os gestos das posturas que o professor está fazendo em pé. A outra forma é utilizando a própria cadeira de rodas, mas ele deve estar preso a um cinto para não haver o risco de tomar um capote.

 “Ôh véio doido, pra que serve isso ai, heim?” A yoga pode provocar diminuição das tensões do corpo, dos distúrbios do humor, como depressão e ansiedade. Então, pra quem tá nas “fervuras”, o resultado pode ser sensacional!

Como há um repertório de movimentos novos, a prática pode auxiliar também a prevenir a formação de coágulos sanguíneos, e os machucados na pele, pelo fato de parte do seu corpo estar ‘sempre’ na mesma posição.  

“Vão existir aulas boas e ruins, porque é um processo, no qual você precisa de um tempo para entender a organização interna do seu corpo. Você não vai à aula para julgar, ser julgado, nem copiar, nem fazer nada alucinadamente. Precisa primeiro sentir, entender, prestar atenção, antes de fazer”, explicou a profa!

Bom, e ai, né?

Quando que é?  De segunda a sábado, com diversas opções de horários

Quanto que custa? Uma vez por semana: R$ 60,00; Duas vezes por semana: R$ 90,00; Três vezes por semana: R$ 120,00

 

E onde que é? Rua 11 de junho, 335, Vila Almeida, Indaiatuba, São Paulo

Ainda quer saber mais? (19) 3894-3860

 

* Imagens do meu brother Rapha Bathe/Incom 

** Agradecimento à Incom Comunicação inclusiva

Escrito por Jairo Marques às 07h07

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Estica e puxa

Como diz a minha tia Filinha, “difinitivamente”, quando eu era moleque, não gostava de ir às sessões de fisioterapia. Aquele estica e puxa das minhas perninhas Carente, aquele rala e rola sobre uma bola, aquele força daqui, força dali para ver se eu ficava em pé, pra ver se eu aprumava.

 

Eu fazia verdadeiros pampeiros porque não queria aprender a me equilibrar no aparelho ortopédico, porque achava ruim estimular os meus músculos, porque odiava ficar cozinhando num troço chamado “turbilhão” (será que ainda existe isso?).

 

Mal sabia eu que aquela atividade toda seria fundamental para ajeitar de vez a minha funilaria que ficou toda prejudicada pela paralisia infantil. Em geral, tendemos a dar mais crédito e “honra ao mérito” aos médicos do que aos fisioterapeutas, mas isso tá errado, meu povo!!! O fisioterapeuta é responsável demais, demais pela reabilitação desse povo “malacabado”. Ele é que vai nos ensinar (ou re-ensinar?) a lidar com a nova realidade do corpo, com as novas possibilidades de fazer um movimento, de reconquistar posturas, de reaprender a rebolar (ui) diante da deficiência.

 

Hoje (13 de outubro), é dia do fisioterapeuta! Legalpracaramba.com.br, né, não?! E pra comemorar, a Renatinha Lambertini, que é uma mega profissional preparada e engajada na causa da dominação do mundo, e, “offcorsi”, é “fisio”, preparou dicas pra esse povo todo estropiado mexer os esqueleto tudo! Muito feliz 

 

Bom proveito e “bora” dar parabéns aos físios!!!

 

Sorte

Escrito por Jairo Marques às 23h31

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Com esse aquecimento global, que uma hora o tempo está muito quente e outra hora está muito frio, não há corpo que aguente, hein?! E para quem tem dificuldade de locomoção, isso piora ainda mais. Quando está mais frio, ficamos mais “travados”, enrijecidos, encolhidos, encurtados... e quando está mais quente, nossa circulação fica mais prejudicada, ficamos mais inchados, nos sentimos mais pesados.

 

Algo muito fácil e barato que podemos fazer para ajudar na nossa saúde é beber bastante água. Sei que para quem tem dificuldades para ir ao banheiro ou que tem que fazer o “cat” (clica no bozo que eu explico o que é Brincalhão), esse aumento da frequência ao banheiro complica tudo, mas também diminui o risco de infecção urinária, quando fazemos nosso sistema urinário, circulatório e vascular acelerar um pouco. Quanto mais a urina estiver clara, melhor.

 

Há três pontos que podemos fazer diariamente ou semanalmente que podem auxiliar bastante nossos membros inferiores, tanto no verão quanto no inverno: mobilização, alongamento e drenagem / massagem.

Mobilização nada mais é do que movimentar uma articulação. Há três tipos de mobilização. Mobilização articular passiva: quando o fisioterapeuta ou outra pessoa realiza os movimentos passivamente; mobilização ativo-assistida: quando a própria pessoa faz o exercício e há auxílio; mobilização ativa: a própria pessoa realiza os exercícios, sem ajuda. Há alguns exercícios de mobilização que são muito importantes como: dobrar e esticar o tornozelo (dorsi e planti flexão), movimento de bombeamento, auxiliando também na circulação

 

* Fazer movimentos circulares do pé e tornozelo, girando primeiro para um lado e depois para o outro

 

* Nos dedos do pé, com uma mão estabilizamos (seguramos) a base do dedo, e com a outra mão fazemos um movimento para frente e para trás

* No quadril podemos dobrar e esticar a perna e fazer movimentos circulares, e para quem conseguir, pode fazer movimento em formato de “8”

 

 

Alongamentos são exercícios voltados para o aumento da flexibilidade muscular que promovem o estiramento das fibras musculares, fazendo com que elas aumentem o seu comprimento. Quanto mais alongado um músculo, maior será a movimentação da articulação comandada por aquele músculo e, portanto, maior sua flexibilidade. Devemos realizar cada movimento e ficar segurando durante 20 a 30 segundos:  Dobrar o tornozelo, segurando na planta do pé em direção a perna, com a perna esticada (sozinho: realizar sentado / com outra pessoa: pode ser deitado ou sentado); realizar este mesmo movimento acima, porém com o quadril dobrado (deitado: perna em direção ao teto)

 

 

 

* De barriga para cima, abraçar a perna em direção ao peito, ou outra pessoa dobrar o quadril, joelho e tornozelo, e ficar segurando

 

 

 

* De barriga para baixo, dobrar o joelho em direção ao glúteo (mais chamada de bunda surpreso), uma perna de cada vez

 

Drenagem linfática manual é um tipo de massagem desenvolvida e aperfeiçoada por fisioterapeutas, sendo descrita por movimentos efetuados com suavidade, baixa intensidade de pressão e ritmo constante, com o objetivo de tratar diferentes doenças reabsorvendo edema / inchaço. A técnica deve ser realizada por fisioterapeuta capacitada (o), com conhecimento da anatomia e fisiologia do sistema linfático, visto que, existem contra-indicações. Para pessoas que ficam sentadas por muito tempo, é muito importante fazer a drenagem linfática, pois podemos evitar os inchaços, ou diminuí-los, e também evitar o risco de trombose. Então, sempre que os membros inferiores estiverem muito inchados e /ou frios, preste atenção, pois o sistema circulatório está comprometido.

 

 

 

* Sempre que for massagear sua pele ou passar um creme, passe sempre de baixo para cima, por exemplo: da direção do pé para o joelho, do joelho para a coxa.

 

* Imagens de Renata Lambertini renatalambertini@hotmail.com

Escrito por Jairo Marques às 23h30

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Tudo pelos “maluquinhos”

Em uma semana em que o forte foi falar sobre a importância de aproveitar muito bem o espaço do viver, mesmo à custa de algum esforço, só posso fechá-la com um pouco mais de…. VIDA!

 Aposto as minhas fichas todas de hoje em um país e em um planeta melhores para que a molecada “malacabadinha” desfrute no futuro. E vamos com tudo, empurrar a kombi “véia” rumo ao domínio do mundo enquanto eles simplesmente…. BRINCAM!!!

 O meu feliz Dia da Criança para todos os ceguinhos, surdinhos, cadeiranteinhos, mamulenguinhos vai ser dado, mais uma vez, explorando o talento, a dedicação e o ânimo da minha incrível amiga Kica de Castro!

 Bom feriado e muitos, muitos beijos nas crianças!!!!

 Sorte

O Menino Maluquinho

 

Vida de moleque é vida boa

Vida de menino é maluquinho


Barra manteiga, rouba bandeira

Tudo que é bom é brincadeira

O menino é dono do mundo

E o mundo não é mais que uma bola


O menino não conhece perigo

Tem um anjo da guarda na cola

Vida de moleque é vida boa

Vida de menino é maluquinho

 É bente-altas, rouba bandeira

Tudo que é bom, é brincadeira

O tempo do menino maluquinho

É um tempo que existe só na infância

Mas ele é eterno em todos nós

Ele gruda em nós feito esperança


Vida de moleque é vida boa

Vida de menino é maluquinho

* Fotos de ensaio exclusivo de Kica de Castro (kicadecastro@gmail.com)

* Modelos mirins: João Lucas, Luiz  e Emilly

* Música “O menino maluquinho”, de Milton Nascimento

Escrito por Jairo Marques às 00h33

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Só pra constar...

Muita gente já viu, já tem outros blogs, nos orkuts, em sites, mas, acho que é legítimo eu colocar aqui também, né?! Embaraçado

 

Escrito por Jairo Marques às 10h20

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Prepare sua pipoca!

“Zente”, começa hoje (7) em São Paulo o Festival Assim Vivemos, que apresenta um montão de filme cuja temática é esse povo estropiado, que dá um trabalhaaaado danado!Tonto

 

O barato rola de 7 a 18 de outubro, no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil). E olha que “maraviwonderfull”, vai haver debates, todos os dias, sobre temas que envolvam a “Matrix”, “exclusível”, um dos bom da boca das discussões será o Leozinho Feder, meu chapa aqui do blog.

 

Detalhe: as entradas para todas as sessões são de graaaaça!!!! Legal

 

Um dos filmes da mostra (são 24 ao todo) e que vou tentar ver é o “Mundo Alas”, das Argentina! Povo, o cineasta Leon Gieco rodou todo o país filmando personagens “malacabados” que desenvolvem atividades ligadas à arte: música, dança, pintura, forrobodó... Rindo a toa

 

O resultado, eu mostro um trechicho para vocês no vídeo abaixo, mais uma Silvetz Dutra Production.... surpreso

 

 

Escrito por Jairo Marques às 08h14

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O tal do caminho...

“Zente”, pobre só aparece nas própria televisão quando o barraco explode ou quando a enchente entra nos quarto tudo, né? Ai, o cabra se desespera e é a imagem do dia! Rindo a toa Ai, “gzuis”! E ai, gostaram do tio véio chorando na “Grobo”? Quem não viu, clica no bozo! Brincalhão

Mas, eu vou explicar a minha choradinha para mode que vocês não achem que tenho o sebo do rim derretido ou que me beliscaram lá na hora da gravação. Muito triste

Eu me emocionei (ui), quando me lembrei de um danado de um caminho que eu fazia tooodos os dias pra conseguir chegar à universidade.  Num era bolinho, não, viu, meu povo.

Bate o olho nessa foto do lugar que, passado quase um século de eu ter deixado a instituição, afinal eu sou do tempo do guaraná com rolha Abismado, e que permanece o mesmo, o mesminho, até hoje!

Quem tirou os retratos foi a minha queridíssima Fernanda Pereira, que resolveu contrariar os pais, que nem eu, e optou pelo jornalismo e por ser pobre a vida inteeeeira! Sem jeito

Falai, se não é de chorar, ter de passar por esse lugar, à noite, com chuva na lomba, a bordo de uma cadeira de rodas, muitas vezes, sozinho... Eu e minha cara de “meldeus que será isso?!" Rindo a toa

Naquela época, eu tinha uma “cadeira elétrica” que facilitava um bocadinho, mas, vencer essa escuridão que mais parece o breu que se encontra a minha carteira Muito triste, era broca.

 E quando a danada da cadeira arriava a bateria? Ai era apelar para Nossa Senhora da Bicicletinha para que surgisse alguém para me ajudar... e, como meu santo é forte, sempre surgia!

Para não desanimar e enfrentar esse buraco negro, eu fincava o pensamento em algo que a minha mãe sempre me dizia: “Vai valer a pena, Jairo. Não desiste e siga firme.” Ela lá longe, nas “Trelagoa”, com toda certeza, me acompanhava em pensamentos para me “empurrar” e ajudar a vencer, dia após dia, esse descaso do poder público.

Saquem essa rampa, que fica  bem no final do caminho:

 

Para explicar um pouco melhor, esse trecho, feito dessa pedra hexagonal  que só serve pra prender a rodinha da cadeira aborrecido, corta uma reserva ecológica que fica dentro da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, em Campo Grande, onde “disque” eu me formei. surpreso

Esse “muquifo”, onde basta ventar no Japão para que a energia elétrica suma, diminuía em mais da metade o percurso que eu tinha de fazer entre a pensão dos vampiros que eu morava Muito triste, e a faculdade de comunicação, onde eu enganava os professores que era “inteligentchi”.

Fui um dos primeiros “matrixianos” a estudar lá e, antes de eu chegar, juro, não havia poste de luz nenhum nessa “budega”. Pra não dizer que nada mudou, eles agora colocaram um portãozinho, cor de burro quando foge, que não sei pra que serve.

 Pra quem é 'malacabado' como eu, tudo é sempre mais custoso. Até algo que é simples, como chegar à escola pode se tornar uma tarefa complexa e que exige uma baita estratégia e paciência. E foi com a concentração do "Pai Mei" que passei quatro anos indo e vindo nesse caminho. "Tenderam" a choradinha?! Embaraçado

Tomara que o reitor de lá leia esse post e experimente montar num cavalo e passar pelo caminho, às 23h, e, depois da "emoção", mudar aquilo... Tomara que ele saiba que uma legião de gente sem perna, sem braço, que não escuta,  quer logo dominar o mundo e precisa de condições básicas para habitá-lo!

* Imagens de Fernanda Pereira

Escrito por Jairo Marques às 22h24

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Vivo a minha vida

É mesmo algo além de mim. Tenho uma força interna de viver que, literalmente, me empurra com muita energia para frente. Não importa se o terreno é acidentado, se meus interlocutores me observam ressabiados, se ali adiante há um obstáculo com cara de intransponível.

Escuto, permanentemente, uma voz dentro de mim que me diz pra “ir além”, que aceite dia após dia o desafio de viver com um pouco mais de dificuldade que os outros mortais, mas com possibilidade de alegria exatamente igual a qualquer um.

Quando ouso olhar para trás, me assusto, admito. Já senti, nessa intensa trajetória de viver, dores íntimas inesquecíveis, pequenos desesperos, grandes angústias, imensos desafios de romper amarras, porque para os “diferentes”, pequenos prazeres exigem muitos esforços.

Vivo a minha vida a cada vez que percebo que, sem caminhar, dei um passo adiante. Vivo a minha vida a cada vez que mostro aos incrédulos que eu posso, sim, ter vitórias, ter conquistas, ter méritos... e com a minha dedicação, não com o meu passaporte com visto eterno da deficiência.

Se sou exemplo para alguém, fico envaidecido. Mas quero mesmo é ser um cara que vive a vida. Que se emociona em chegar até o fim da corrida, que erra um bocado na tentativa desesperada de sempre mostrar que “pode tudo”, que tenta arregimentar, sem pudores, aliados para... dominar o mundo para que TODOS, vivam suas vidas!

Hoje à noite (segunda, dia 5 de outubro, exatamente um mês de eu fazer 35 verões) , o tio conta um bocadinho mais para vocês, na novela das 20h, na TV Globo, o que considera.. “Viver a Vida”... assiste eu?!  Carente

Escrito por Jairo Marques às 00h01

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Boa sorte, Lak...

Uma das minhas leitoras mais cativas é surda. Até muito pouco tempo, segundo ela mesma admite, não se considerava membro deste mundo paralelo onde vivem os “matrixianos”, esse povo que não vê, que não anda, que é pequeno demais, enfim, aqueles que os mortais batizam deficientes.

 

Contudo, quando a Lak teve um estalo e percebeu que, sim, ela era ligeiramente diferente da “massa” e, sim, o universo ao seu redor era duro com sua peculiaridade sensorial, a moça de beleza ímpar e simpatia extrema, iniciou uma pequena revolução “silenciosa”, criando um dos mais importantes e modernos espaços de discussão sobre a surdez no Brasil, o “Desculpe, não ouvi”!.

 

Em poucos dias, porém, a Lak (Lakshmi), tem uma chance concreta e grande de.... deixar a “Matrix”... Uma cirurgia revolucionária que tem tido sucesso em várias partes do mundo pode devolver a quase plenitude do som à alma e ao coração dessa “coisa mais querida”.

 

 

 

É a própria Lak quem explica a vocês e conta mais sobre esse momento tão importante da vida dela e de todos que, como eu, aderiram à causa daqueles cujo som do violino ressoa apenas na imaginação....

 

Agora, é aquele momento em que eu peço para vocês “taparem o ouvido, o escutador de novela Rindo a toa”, pedirem silêncio aos meninos e se permitirem sentir a emoção, se deliciarem com esse incrível relato. Boa sorte, Lak. Torcemos por você!

 

Sorte 

 

Gostaria de escrever uma história bonita, tipo conto de fadas, mas soaria algo meio neocibernetico  e não sei se existe literatura desse tipo. Assim: perdi a audição, dormindo, aos dez anos. Parece romantização de drama, mas não é. Literalmente, fui dormir ouvindo e a minha audição permaneceu assim, adormecida feito a Bela, desde então.

 

No primeiro ano, meus pais queriam uma resposta. Fomos em dezoito especialistas e, na época, nenhum conseguia dar uma explicação satisfatória - e será que existe algo que satisfaça os pais, para explicar que cortaram as asas de um filho? - apenas um deles disse que havia visto um caso similar e em consequência da caxumba, que eu havia tido alguns dias antes. Ok, essa foi a resposta que eles precisavam, mas confesso que, para mim, não fazia a menor diferença, porque a vida continua e a minha tinha que continuar.

 

Os anos foram passando e a esperança de ouvir bem de novo um dia, ia diminuindo. Não porque eu não desejasse mais, mas porque, como diz um texto de Marina Colasanti, ‘A gente se acostuma! Mas não devia.’ Ainda que, durante muitos anos, sempre que eu fazia aniversário, quando assoprava as velas do bolo, pedia: ‘Quero a minha audição de volta.’

 

E tudo bem, a vida seguiu tranquila, porque a deficiência era uma limitação física, mas não pessoal. Estudei e terminei os estudos num colégio tradicional. Fiz faculdade de publicidade e me formei. Aprendi francês, inglês e espanhol. Namorei (muito), noivei, casei. Batalhei para conseguir um bom emprego e mantê-lo. 

 

 

 

Há cerca de uma década, começaram a falar de uma cirurgia que, mesmo que não reparasse totalmente a minha audição, poderia trazer de volta vários sons que a prótese tradicional não alcança. Procurei meu médico, hoje já falecido, que me disse com toda a candura do mundo:

 

“Lakshmi, espera mais um pouco, que essa tecnologia ainda vai evoluir. Você já vive tão bem, já é um exemplo de conquistas, esperar não vai te prejudicar em nada.”

 

O tempo passou, fui conhecendo pessoas que eram implantadas - sim, o termo é esse, porque a cirurgia se chama Implante Coclear - e via os ganhos que essas pessoas tinham. Muitas delas, nascidas surdas. Outras tantas, que perderam a audição cedo. E ainda aquelas que perderam a audição depois de crescidas. Cada uma com seus ganhos, suas conquistas e, certamente, nenhuma delas parecia decepcionada com o resultado obtido, fosse qual fosse.

 

Finalmente, criei coragem de procurar a Fundação de Otorrinolaringologia da USP e começar o processo para o meu retorno ao som. Demorou muito mais do que se imagina, mas não por culpa de dificuldade do maravilhoso trabalho deles, mas porque algo ainda me incomodava e eu quis esperar o momento  certo para poder fazer.

 

O maior dos meus empecilhos era justamente me enxergar como alguém com deficiência, porque veja bem, a minha vida é boa e completa. E sempre que eu considerava fazer a cirurgia, aparecia algo importante, que desviava minha atenção e eu acabava priorizando.

 

Há cerca de um ano, a vida resolveu me pregar uma peça. Eu tinha acabado de entrar na agência que trabalho agora (sou arte finalista) e ainda não tinham me passado grandes trabalhos, portanto eu tinha tempo de sobra pra navegar na internet. Um dia, abri o portal da Folha de S. Paulo e vi um link pro blog “Assim Como Você”.

 

Comecei a ler e fui me tornando cada vez mais íntima do universo da Matrix. E, sem perceber, isso foi me colocando cada vez mais em contato com a minha deficiência, que eu habitualmente deixava meio de lado.

 

Um dia, o Jairo me pediu umas dicas de como falar com um deficiente auditivo. E, por causa disso, tempos depois, criei meu blog "Desculpe, não ouvi!" para falar um pouco mais do meu universo. Compartilhar as dores, as conquistas, dar e receber conselhos cada vez mais me aproximava daquilo que eu queria, mas não me dava conta.

 

No meio disso tudo, encontrei uma amiga, surda desde os 18 meses, implantada há cerca de 5 anos e vi-a falando ao celular. E, naquele instante, meu coração deu um pulo e eu pensei: Nossa, eu quero!

 

Mas como é importante manter os pés no chão, é importante lembrar que o IC não é a cura, ele apenas corrige parte do problema. Trata-se de uma cirurgia, de um aparelho formado por duas partes. Uma interna, há um receptor de referência, de onde sai um feixe de eletrodos que é colocado no interior da coclea (que estimulará eletricamente o nervo auditivo, que  envia os sinais para o encéfalo, onde decodifica e interpreta os sons)  e a parte externa, chamada processador da fala, que possui um microfone, um microprocessador e um transmissor.

 

 

Eu jamais deixarei de ser uma matrixiana, porque quem depende de uma prótese para ouvir jamais seria um ouvinte comum... Os prognósticos são bom, mas os próprios médicos avisam: cada caso é um caso e nenhum resultado é garantido.

 

Quanto a mim, ainda na expectativa da cirurgia, vivo a melhor fase: Aquela de acreditar que todos os sonhos são possíveis. Listo mentalmente todos os sons que gostaria de ouvir. A maioria, são coisas que conheci um dia, nos tempos da inocência da infância, a voz da minha mãe, do meu pai, da minha irmã, as músicas que enchiam os ambientes, naquela época, o barulho da chuva, do mar. Outros, são totais desconhecidos que entrarão na minha vida só agora: a voz do meu marido, do meu irmão, de vários amigos...

 

 

E, como não poderia deixar de ser, cito uma frase que conheço graças ao Rogério - leitor aqui do blog e companheiro de jornada virtual: “E quando tudo mais faltasse, um segredo:  o de buscar no interior si mesmo a resposta e a força para encontrar a saída.” (Mahatma Gandhi)

 

* Imagens de arquivo pessoal de Lak Lobato

Escrito por Jairo Marques às 08h12

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Menino vaidoso

“Zente”, eu tô com uma pança de Genival Lacerda que só Nossa Senhora da Bicicletinha para dar jeito. Carente

 

Sabe quando você veste uma camisa e ela fica coladinha no corpo, igual aquelas de modelos que querem valorizar o silicone? Abismado Então, mas em mim num valoriza nada, não, muito pelo contrário, cria um déficit na minha belezura... Beijo

 

Mas, agora me diz, já repararam nos “muquifos” que são algumas academias? Geralmente, ficam na sobreloja de algum prédio caindo aos pedaços (ai eles botam os alunos pra reformar fingindo que é malhação Rindo a toa), cheio de escada.

 

 

Aqui em Sampa há uma rede de academia “granfina” que “disque” tudo é acessível. Já fui lá me matricular, mas ai eu fiz as contas e vi que teria de vender o meu almoço pra comprar a janta caso todo mês tivesse de pagar aquela mensalidade... Muito triste

 

Geralmente, um lugar bem acessível é bem caro também. É de chorar pelado, né, não?! Pô, a gente num quer só fazer fisioterapia, não (com todo o respeito e relevância da atividade, “oficorsi”). A gente quer poder malhar. Queimar as calorias, eliminar a pança!

 

E cadeirante eu vou te contar, viu, meu povo, atrai gordura pro bucho... A gente tende a ter um bração sarado (ui, delícia Convencido), mas o tronco, se a gente não cuida, vira um tronco de jatobá. Já viram pé de jatobá? É o ó do borogodó de grande...

 

É muito interessante como, algumas vezes, ninguém nem tá ai pra pelota da vaidade dos “malacabados”.

 

“Ah, ele num anda, mesmo, pra que cuidar dos dentes, dos ‘shape’, das cabeleiras do Zezé? O que importa é que ele tá com saúde... ”. Ai, me leva, gzuis...

 

Quando eu estava no hospital Sarah, dando aquele tapa na minha funilaria que ficou toda torta após a pólio me dar uma destruidinha básica, minha mãe ousou pedir um retoque a mais pro médico.

 

“Oh seu doutor. Já que o senhor tá endireitando tudo ele, poderia, por favor, corrigir esse pé torto desse menino?” (tenho o pé direito mais torto que placa de estrada Rindo a toa)

 

O médico respondeu na lapa da minha santa. “Pra que a senhora quer mexer com estética? Pra que essas vaidades? O que importa é corrigir a postura dele, arrumar a lataria mais prejudicada!”

 

Graças àquele doutor (que reconheço a excelência do trabalho, sem dúvida), hoje eu tenho a maior dificuldade pra comprar sapato... mas isso é outra história....

 

 

Fato é que a gente tem o direito de ser vaidoso, sim. E quer entrar nas academia pra ver as meninas levantando peso (uuuuia!).

 

Sem falar que o espaço de uma academia não serve apenas para paquerar as saradas Inocente,  serve para ampliar as relações sociais, para manter a saúde, para ter condicionamento físico.

 

Vamos lançar a campanha: “Abaixo as panças dos matrixianos. Malhação para todos!!!” Muito triste 

 

 

* Imagens retiradas do Google Imagens

Escrito por Jairo Marques às 08h11

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PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 35, é formado em jornalismo pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e pós-graduado em jornalismo-social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999 e é cadeirante.

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