Jairo Marques

Assim como você

 

Ahh não! (Dez perguntas cretinas pra os pequenos)

“Zimininos”, apesar de eu falar muito pouco sobre o pessoal pequeno, uma vez que tenho pouco conhecimento sobre nanismo e não sei muito sobre o universo paralelo deles, considero que os anões são da Matrix.

 

Claro que são. Eles também padecem, “ingual que nem” o povo sem perna, sem braço, que não vê, que não enxerga e que baba um pouquinho Sem jeito, com um mundo que os exclui, que os esquece e um ponto a mais, debocha deles o tempo todo.

 

Um querido colega meu, dia desses, desabafava que a questão não é fazer piada da condição física. Isso os “malacabados” também estão expostos e eu mesmo sou um tirador de sarro das nossas canelas finas. Acontece que muitos desses “pessoais pequenos” são ridicularizados, humilhados e são alvos de piada... O TEMPO INTEIRO!

 

Aquelas palavras do meu coleguinha (olha eu já tirando uma onda Muito triste), me deixaram muito reflexivo. Se eu, por andar sobre um cavalo, tenho de encarar olhares durante várias vezes ao dia, imagine você encarar isso durante todas as horas do dia?

 

Enfim, esse espaço, esse cafofo, também é dos anões! E hoje eu coloco aqui dez perguntas cretinas que esse povo pequeno vive recebendo!

 

O autor é o meu amigão Claudinho Castro, universalmente famoso pela Dança do Quadrado. Ele também é um ator extraordinário e, faz pouco tempo, lançou o blog: “Ahnão”, que eu recomendo uma visita!

 

Então, vamos dar sequência à nossa série dez dicas (para ver as outras, clica nos bozos Brincalhão Brincalhão Brincalhão Brincalhão).

Mais uma vez, agradeço ao meu parceiro, parceirão, mesmo, Marcio Baraldi, que deu um show nos desenhos que ilustram esse post! Valeu, meu nego!!!

Dez perguntas cretinas para fazer a um anão

 

1 - Quanto você tem de altura? (Poxa não tem algo melhor para perguntar como por exemplo: Você é formado em quê? Será que chove hoje?)


2- Na sua casa é só você de pequenino? (Não tem meu cachorro que gosta tanto de mim que resolver ser anão também)


3- Seus pais são primos? (Quando que provaram que primos quando casam tem filhos anões? Onde tem isso?)

 


4- Na sua casa tudo é pequeno? (Por quê? quer ir brincar de boneca lá na goma?)

5- Anão não morre? (Não, somos todos highlanders...)


6- Você já foi a enterro de anão (Se a gente não morre, né?!....)

 


7- Você é ator? Qual Peça? Ahh já sei Branca de Neve e os Sete Anões? (Nem tem comentário para essa pergunta)


8- Você já ficou com uma anã? (E você ficou com uma anta? Sim, as espécies têm que sempre estar juntas)

 


9- Mas assim: na sua família inteira só tem você de anão? (sim eu vasculhei até a chegada da minha família em 1500 ao Brasil e olha que coisa não tinha ninguém)


10- Você tem namorada normal? (Não eu só namoro namoradas anormais um exemplo foi sua prima que eu peguei semana passada dispensei ela me parecia um pouco normal)

Escrito por Jairo Marques às 00h31

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Equilíbrio

Vocês tão carecas de saber que eu sou “cachorreiro”, né, não?! Sempre adorei ter esse bichos em casa, inclusive aqueles rabugentos, pulguentões... Rindo a toa 

 

O que me intriga até hoje e, talvez, alguém tenha uma explicação para isso, é o porquê de os cães simplesmente adorarem ficar em baixo da cadeira de rodas. Gente, juro, é verdade!

 

Como lá em casa minha mãe também tem fascínio pelos “au au”, sobretudo os grandões, desde criança eu vivo a experiência de ter pastores alemães, vira-latas, “hot vailers” repousando entre as minhas rodas...

 

Ai, dia desses, eu recebo essas fotos “maraviwonderfulls” da doçura da Inês Cunha, minha leitora faz teeeempo, e “matrixiana”!!! Bate o “zói”, “ziminos”.

 

 

 

Essa coisa mais catita do mundo é o “Bandit” (apesar de ele ter mais cara de Lulu, mesmo, né? Beijo).

 

 

“É meu companheiro! Como fico a tarde toda sozinha, ele esta do meu lado o tempo todo. O engraçado é a maneira dele se portar diante de mim e do meu marido e do filho: completamente diferente. Com eles, as brincadeiras são de "brucutu", como dizemos aqui, e comigo ele vem todo calminho, parece que entende as minhas limitações. Quando ele apronta algo coisa ou está com medo de algo, vem se esconder debaixo da minha cadeira,...eu adooooro...”

 

O Bandit tem 1 ano e oito meses e, reparem só, ele foi adotado na infância!!! Abismado Segundo me contou a Inês, que entrou para turma faz dez anos após uma inflacção na medula (essa danada dessa medula num é brinquedo, não), ele foi deixado na porta da casa dela quando era bebê... Demais de bacana...

 

 

Agora, uma dica que achei bacana! Hoje (quinta, 23), no Caderno Equilíbrio, da Folha, é abordado um tema que muitos de vocês me perguntam: a infância de um “malacabado”! Eles vão discutir as preocupações de mães de crianças com deficiência na criação dos filhos. Os riscos de superproteger e os de cuidados essenciais com os moleques!

 

O tio escreveu um textinho lá também e vocês poderão encontrar figuras bem conhecidas aqui do blog dando seus depoimentos! Uhrúúúú. Quem é assinante do jornal ou do UOL pode acessar o conteúdo livremente. Quem não é, pode acessar a versão digital “de grátis”, por 30 dias. Clica no bozo que eu te coloco lá! Brincalhão

 

* Fotos de arquivo pessoal de Inês Cunha

Escrito por Jairo Marques às 00h22

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Piriri...

Meu povo, eu nem contei pra vocês, mas a minha última quarta-feira (16) parecia que não ia acabar nunca mais... É que resolvi comer aquele bifão mal passado no almoço e, junto dele, certamente, veio um salmon... opa... quero dizer... uma salmonela... surpreso

 

Oia, a bicha começou a se manifestar ali pelo final da tarde, quando eu me preparava para ir pra faculdade. Mas ai, eu fui lá na casinha e achei que havia resolvido a questão...

 

Peguei a kombi véia, joguei a cadeira de rodas no porta-malas e deitei o cabelo lá pros São Bernardo do Campo, todo glamuroso Legal. E nem demorou muito, digamos, algumas quadras, pra eu sentir a nova manifestação do Alien dentro de mim....

 

Mas ai, pensem comigo: eu ia parar onde pra mode conseguir me livrar daquilo? E eu ia reparando no caminho algum lugar que houvesse a mínima chance de ter um banheiro acessível: posto de combustível? Nem pensar... Oficina mecânica? Nem por decreto. Lojinha de cacareco? Vai sonhando...

 

 

E tem outra, né, gente, imagem a cena. Eu paro em frente a uma restaurante, estaciono da kombi e chamo alguém pra ajudar: “Moço, moço, me ajuda aqui a tirar a cadeira do carro, mas vem ligeiro que eu tô que dá dando dó”... Sem jeito

 

O negócio era meditar. Pensar firmemente em coisas leves, tipo o meu contra-cheque, que não pesa naaaaada Muito triste. Pra dar uma complicada, além do departamento dos países baixos, eu estava sendo acionado pela maldita salmonela também pelos departamentos de cima.... tava querendo “gorfá”, “zente”... tava podre, gente, admito, eu tava podre... Tonto 

 

E quem diz que eu tinha um saquinho, uma sacolinha, um trem qualquer dentro da xaranga para dar vazão àquela emoção adversa? Eu suava que era uma beleza de ver...

 

Pra ser sincero, eu nem me lembro ao certo como cheguei até a faculdade. Naquele momento, eu tinha de abstrair qualquer tipo de concentração que não fosse a de manter a integridade física das minhas calças.... ai, gzuis, como “nóis” sofre.. Carente

 

Quando você anda, sei lá... você pára o carro no meio da rua e vai numa moita, né, não? Mas, e esse povo malacabado, faz o quê? Chora? Não, nem pensar em chorar porque isso relaxa e relaxar pra mim era fatal.... Rindo a toa

 

E eu ainda sou um “privilegiado” da Matrix uma vez que tenho controle total do departamento de se livrar das coisas, mas, e quem não tem? Ai, negada, ai é .... é... fogo, fogos, fogueira... Muito triste. A gente tem de ter muito cuidado com a alimentação para diminuir ao máximo esse tipo de risco.

 

 

A minha aventura continuou quando eu cheguei na facul. Beleza, faltavam poucos metros para a minha liberdade de expressão, afinal, por lá há vários banheiros acessíveis. O duro foi vencer as pedrinhas portuguesas da calçada.... imagem eu, uma bomba ambulante, chacoalhando? Ai, ai, como eu sofro... Carente

 

Não consegui dar todas as minhas aulas e dispensei os meninos. Eles mesmos se manifestaram: “noooossa, professor, ocê ta amareeeelo!”  surpreso

 

A falta que um mundo onde todos possam ir a qualquer lugar, a qualquer momento, tem certos aspectos que muita gente nem imagina, né, meu povo?

 

Agora eu já to sarado, passado e bem lavado, mas a coisa foi feia.... aff...

 

Em Tempo: Vocês me viram na novela ontem? Rindo a toa . Clica no bozo e veja um trechinho da passeata que eles mostraram! Brincalhão

Escrito por Jairo Marques às 08h22

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Dominamos Copacabana

Num domingo de sol, quem resolveu aderir à passeata do Movimento Superação Rio, na orla de Copacabana, acabou levando um banho...

Um banho de emoção, de uma alegria gostosa de estar batalhando por uma causa justa, um banho de coragem por mostrar que, mesmo numa cidade repleta de gente “perfeitinha” por todos os lados, estamos lá, centenas de malacabados, querendo um mundo melhor para todos!

Tudo foi um sucesso, meu povo. Um momento inesquecível e mais um passo importante de uma caminha longa para tomarmos as redes da humanidade... surpreso

Crianças cadeirantinhas, gente sem perna, gente com cachorro guia, gente que num escutava, mas vibrava, gente que ajuda a gente a viver melhor. Todo mundo junto, tudojunto, numa passeata que, sem dúvida, entra para a história da luta por um Brasil mais acessível.

Agora, com vocês, o que realmente, importa.... o samba que fizermos por lá!!! E até São Paulo!!!!

 

  

Chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor

Eu fui na Penha, fui pedir ao Padroeiro para me ajudar

Salve o Morro do Vintém, Pendura a saia eu quero ver


Eu quero ver o tio Sam tocar pandeiro para o mundo sambar

O Tio Sam está querendo conhecer a nossa batucada

Anda dizendo que o molho da baiana melhorou seu prato


Vai entrar no cuzcuz, acarajé e abará

Na Casa Branca já dançou a batucada de ioiô, iaiá


Brasil, esquentai vossos pandeiros, iluminai os terreiros que nós queremos sambar


Há quem sambe diferente noutras terras, noutra gente num batuque de matar


Batucada, Batucada, reunir nossos valores. Pastorinhas e cantores


Expressão que não tem par, ó meu Brasil


Brasil, esquentai vossos pandeiros, iluminai os terreiros que nós queremos sambar

* Música "Brasil Pandeiro" de Assis Valente

** Fotos de Thais Naldoni, sem a qual este post não seria possível

 


Escrito por Jairo Marques às 23h38

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PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 37, jornalista pela UFMS e pós-graduado em jornalismo social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999. É colunista do caderno "Cotidiano".
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