Jairo Marques

Assim como você

 

Ao som de um violino (um post fino!)

Entendo muito pouco de música clássica, apesar de apreciar o gênero, me sentir relaxado quando escuto o som de violinos, flautas, violões, baixos acústicos...

E qual não foi a minha surpresa descobrir, nem faz muito tempo, que um dos maiores músicos eruditos do mundo na atualidade é... malacabaaaado!!! Rindo a toa

Hoje, quem vai contar isso pra “vo6” é o meu rei goiano, o Rogério Veloso, o negão, meu brother e figura mais do que presente no projeto de dominação do mundo! Muito feliz

Boa leitura e bom final de semana a todos.... beijos nas crianças!

 

Sorte

Nos idos de 1998 estava em Porto Velho (RO), a serviço, e hospedei-me no Regina Palace Hotel, cujo slogan deve ser algo como “Onde a Primeira Estrela é Você”. Apesar disso, o hotel oferecia aos hóspedes alguns canais de TV por assinatura, e num fim-de-semana fiquei zapeando até parar num programa da TV Senado cujo nome não me lembro, apresentado por Artur da Távola, que mostrava concertos comentados das grandes orquestras do planeta.

Chamou-me a atenção a apresentação da Filarmônica de Londres, em um concerto de Brahms em quatro movimentos, cujo spalla (1º. Violino) fazia toda a diferença, tanto na pureza e beleza dos sons que arrancava de seu violino quanto pela expressão de absoluto prazer ao tocar.

Impressionou-me o fato de não ter em momento algum necessitado de partitura para executar uma das obras mais complexas do grande compositor alemão. Nas apresentações orquestrais é comum o regente cumprimentar o spalla ao final de cada execução, e isso tem todo um simbolismo por trás: significa um cumprimento a todos os componentes da orquestra.

A questão é que o maestro não só cumprimentava o violinista, mas deixava claro que fazia mesuras sinceras e eivadas da mais absoluta admiração pelo músico.

Ao final do concerto, a platéia em êxtase aplaudindo de pé, estranhei que o spalla tenha permanecido sentado, sorridente, agradecendo o carinho do público, mas não se dignou a levantar-se para fazer os agradecimentos.

Alguns momentos depois descobri o motivo: aquele mago das quatro cordas era paraplégico. Num dado momento, entregou seu violino a uma colega e pegou no chão um par de muletas canadenses, e só então levantou-se e interagiu com a platéia de forma tão doce e respeitosa que o público simplesmente se recusava a parar de aplaudir.

 Virei fã de carteirinha daquele cara, mas sequer sabia seu nome. Artur da Távola me ajudou: o nome da fera é Itzhak Perlman.

A partir daí eu saí em busca de tudo o que se referia àquele monstro sagrado. Itzhak Perlman nasceu em Israel em 1945 e aos quatro anos de idade foi acometido de poliomielite, que lhe rendeu a perda dos movimentos dos membros inferiores.

Por amor, vocação ou simplesmente para compensar a perda dos movimentos, dedicou-se ao estudo da música aos seis anos de idade, ainda em Israel. Sobressaiu-se de maneira tão contundente que aos 10 anos já havia se apresentado com a Israel Broadcasting Orchestra, fato inédito até hoje numa orquestra onde os mais jovens ingressam com no mínimo 22 anos de idade.

Israel de repente ficou pequena para ele, e aos 13 anos emigrou para os Estados Unidos onde, no ano seguinte, foi destaque no programa Caravana de Estrelas e a partir daí não mais parou de fazer sucesso.

 “Ele pode ter perdido o movimento das pernas, mas consegue trazer o público a seus pés”, foi o comentário de Ed Sullivan, apresentador do Caravana.

Itzhak Perlman é conhecido como o maior violinista vivo da atualidade, além de atuar como regente e ser ousado a ponto de ter participado da ópera Tosca, de Puccini, como baixo. Prá variar, foi o primeiro e até hoje único baixo cadeirante da história do Teatro de Milão.

Apesar de abusar do virtuosismo, não deixa cair a peteca nem cede aos encantos das músicas de difícil deglutição, preferindo popularizar a música erudita por meio de apresentações públicas e ao ar livre, frequentemente gratuitas, onde inclui peças mais conhecidas e melodiosas. É o caso de Inverno, da obra Quatro Estações de Vivaldi:

Chegou o dia em que teve a idéia de propiciar aos músicos iniciantes, principalmente àqueles sem recursos materiais, bolsas de estudos (remuneradas). Pelo nome que já tinha, não teve muita dificuldade em arregimentar empresas e governo na empreitada, e em pouco tempo já dispunha de um espaço totalmente aparelhado para tocar o projeto, que hoje conta com cerca de 2.500 estudantes, muitos dos quais hoje já atuam em orquestras de renome e sobrevivem da profissão.

Quando idealizou a realização do filme A Lista de Schindler, o cineasta Steven Spielberg, também judeu, não pensou duas vezes e convidou Perlman para gravar a trilha sonora, composta por John Williams. O resultado é esse que todos conhecem: (tem um pedacinho em Inglês que a Silvetz traduz no coments! Muito triste)

Talvez tenha sido o precursor na iniciativa de exigir que as duas primeiras fileiras de qualquer teatro onde venha a ser apresentar (o que ocorreu, inclusive, no Carnegie Hall), sejam exclusivas para cadeirantes, pessoas com dificuldades de locomoção ou qualquer outra dificuldade física ou sensorial.

Em suas apresentações no palco, frente às câmeras e em aparições pessoais de todos os tipos, fala eloquentemente em nome dos deficientes e sua devoção à causa é parte integrante de sua vida.

Escrito por Jairo Marques às 19h16

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Pro Rio continuar lindo

Meu povo, já preparei a matula, já dei banho nos “minino” e estamos prontos e de cabelo penteado pra pegar a marinete e partir lá pra Cidade Maravilhosa, onde no domingo, dia 20 de setembro,  um montão de gente “malacabada” vai saracotear na orla das Copacabana! Aêêêê Muito feliz

O Rio está se propondo a ser a sede Olímpica em 2016, então, que as autoridades comecem transformando a cidade num lugar onde todos possam transitar e onde as diferenças sejam respeitadas, assim, ela sempre será linda!

Não sei se eu tenho muitos leitores por lá, mas, vou “zambetar” junto com todo mundo para celebrar o “Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência”, vulgo dia desse povo sem perna, sem braço, que não fala, que dá uma babadinha, que dá um trabalho danaaaado, mas é tuuudo genteboa.com.br!

Vamos ver se aparecem os próprio artista das novela, né, não? Afinal, o tema “matrixiano” está sendo abordado pela “Viver a Vida”. Vocês já viram os depoimentos finais? Tô achando um luxo!!!  Beijo

A concentração (aquela hora que a gente já vai tomando um remedinho pros rins Rindo a toa) vai ser no posto 5, em frente ao hotel Othon, a partir das 9h! Se o pessoal aguentar, haja vista que a maioria tem canela fina Muito triste, vamos “caminhar” até o posto 2!

A realização é do Movimento Superação Rio, junto como o Espaço Novo Ser, tudo gente nossa! Tá todo mundo convidado pra integrar e reforçar o projeto de dominar o mundo!!! Uhrúúúú

É nóis, queiróiz!!!! Legal

Escrito por Jairo Marques às 08h05

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Quando a gente cai

Às vezes eu me pergunto se não fico falando muito das “barbuletas” e acabo me esquecendo ou dando pouco valor aos casulos, aos lagartos (ou largartos, com dizia uma tia minha). Ser deficiente também implica ter uma realidade em que levar uns tombos é algo que acontece com alguma frequência.

 

Mas não estou falando dos capotes que tomamos na rua, falo das quedas que acontecem quando a nossa “condição” física fala mais alto e a gente deseja até a última gota poder flutuar. Assim, ser “diferente”, seria muito mais uma grande vantagem do que uma aparente desvantagem.

 

Fazer parte de um “grupo” visto, muito vezes, como mais fraco, como “necessitado”, como meio “exótico”, dá um amargor na boca porque, dentro de cada um de nós, os “malacabados”, reside, como diz a genial Rita Lee, “uma pessoa comum, filho de Deus”.

 

Reafirmo que não sinto absurdamente a vontade e penso pouquíssimo na possibilidade de “virar um ser anandante”, contudo, admito que gostaria de ter uma vida um pouquinho mais tranqüila e justa sendo mesmo.... cadeirante.

 

E quando a gente cai, a gente pensa demais nos tais “porquês” eu, pensa demais no insuportável olhar de piedade e alívio que o outro dispara contra nós, pensa no que mais é preciso fazer para que o mundo entenda que ninguém, ninguém mesmo, é perfeito o tempo todo.

 

Não, gente, não tô querendo ser mimado e sei, muito bem, que tenho uma série de privilégios diante da realidade de muitos outros deficientes do país. Mas, tem hora que eu queria ter de justificar menos a importância das coisas, queria ser menos taxado como “defensor de uma causa social pentelha”, como o “cara batalhador da cadeira de rodas”.

 

E ai, a gente cai. Cai porque quer dançar, mas a nossa música não toca; cai porque quer jogar futebol, mas não nos passam a bola; cai porque ser quer ser charmoso, mas o que importa é ser bem lindo, ser chique, ser elegante.

 

Sei que parte disso que alguns avaliam como “sucesso” desse diário vem do fato de eu “borboletiar” tudo, o que é sincero, é verdadeiro, mas me angustia um bocadinho ter que rebolar tanto para que algo que eu e meia dúzia de pessoas achamos ser fundamental para formar uma sociedade razoavelmente mais legítima apareça...

 

E pensar que, por mais que eu grite, é preciso admitir que a sociedade já evoluiu, afinal, no passado, deficientes eram queimados em fogueira, abandonados em abrigos, tidos como seres realmente inferiores (sim, muitos pensam isso até hoje).

 

Peço desculpas por mais esse desabafo insano num espaço flagrantemente alegre e construtivo, mas, tem dia que é noite e a gente tem vontade e clama a todas as forças pra que nos deem as rédeas do mundo por cinco minutos, pra ver se ele muda um bocadinho...

 

Peço desculpas por divulgar essas ideias meio desconexas, fragmentadas e um tantinho, talvez, radicais. Quem é meu leitor há muito tempo sabe que sou assim, meio amalucado... mas, passa. Até uva passa.  Bem humorado

Escrito por Jairo Marques às 08h07

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Recado

Blogueiro em ressaca pós-plantão. Volto em breve!

Escrito por Jairo Marques às 10h17

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PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 37, jornalista pela UFMS e pós-graduado em jornalismo social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999. É colunista do caderno "Cotidiano".
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