Jairo Marques

Assim como você

 

Cuidadores

“Zimininos”, um dos personagens mais importantes desse mundo paralelo em que vive esse povo que não anda, não enxerga, não escuta e é meio torto, preciso admitir, ainda não apareceu nesse espaço “bloguístico”! Uuuuuuia! surpreso

 

“Benzadeus”, tio, mas quem é esse famoso que ocê esqueceu de contar que existe na Matrix?”

 

Na real, não me esqueci, só não consegui, ainda, encontrar um exemplo que desse a dimensão exata da importância desse “serumano” na vida de quem é “malacabado”. Eu estou falando dos cuidadores!

 

Povo, calma, calma que eu explico porque eu sou um “minino bão” demais da conta! Os cuidadores são os “pessoais” que tomam contam, que dão aquele help, aquela hand Legal, pros deficientes que possuem restrições mais severas de movimento, os mamulengões, os tetrões, digamos assim... Muito feliz

 

Os cuidadores podem ser enfermeiros que, por serem mais especializados, cobram caaaaro (e estão certos, é claro); pessoas com habilidades manuais e alguma força física (ou você acha que é fácil levantar a gente do chão? Muito triste) e, em muuuitos casos, são familiares... pai, mãe, irmão, primo e até cunhado, se bobiar... Rindo a toa

 

 

A importância desses cabras na vida de um “esgualepado” é fundamental. São eles que vão ajudar na hora do banho, na hora de ajeitar as pernas secas na cadeira, de fazer algumas transferências de lugar de forma segura, de promover a segurança e dar mais qualidade de vida "pa nói".

 

Eu tive uma “cuidadora” quando eu era novinho (faz teeeeempo! Rindo a toa). Fiz uma cirurgia bem punk na coluna e fiquei imobilizado por meses. Ai, dependia integralmente da minha mãe (a cuidadora) para tudo: dar banho de paninho, limpar o meu bumbum (meigo, eu sei, bem meigo), dar comida, virar de um lado e de outro da cama...

 

Não posso comparar de forma real a situação que eu vivi da que vive um “tetrão” (pessoa tetraplégica, para os iniciados.... aquele sujeito que ferrou os braços, as pernas e o tronco, saca?), afinal, alguns deles precisam de um cuidador para a vida toda.

 

 

Claro que, com treino, dedicação, com adaptação e algum esforço, gente com comprometimento de vários membros consegue criar mecanismos próprios de fazer tudo ou quase sozinho. Contudo, boa parte dos casos necessita mesmo de um acompanhante.

 

Agora, pensem comigo: já imaginaram o que é ter de partilhar da intimidade o tempo todo? Ter uma pessoa pra te ajudar a jogar uma aguinha nas partes Carente, para te auxiliar em pequenas tarefas do dia a dia? É preciso abstrair de uma série de valores para se adaptar bem a essa realidade. Caso contrário, padece a família, padece o “malacabado”, os vizinhos, o médico, a namorada....

 

Contudo, ser um cuidador também envolve algo além, a meu ver, da simples necessidade de ter um ofício, de ter uma atividade pra ganhar uns “reals”. Ser cuidador, pra mim, é ter um certo espírito de fazer pelo outro, de se doar pelo outro, de entender que a dedicação de um pode representar a qualidade de vida do outro.

 

 

Nem sempre a relação entre deficiente e cuidador é bacana. Às vezes, ela é técnica demais. O que faz sentido. Assim, todo mundo mantém seus limites e o lance se torna uma mera “prestação de serviço”, por mais que seja um serviço diferenciado, como eu já disse.

 

Mas, há muitos casos também de essa relação se tornar um laço de amizade, de confiança, de cumplicidade. Há casos de cuidadores que ficam com o deficiente por toda a vida. Caraca, sensacional, num acham? É de um caso desses que estou atrás! (Sugestões, por favor, serão bem-vindas pelo email!!!)

 

Então, meu povo, é importante saber também que além de rampas, de calçadas, de respeito aos direitos da acessibilidade, de cães guia, de aparelhos auditivos, de legendas, de libras ou de sinais, muitos de nós, aspirantes do domínio do mundo Inocente, precisamos também de apoio humano. E, ainda bem, ainda bem, que temos os cuidadores...

 

Bom final de semana e beijo nas crianças

 

* Imagens retiradas do Google Imagens

Escrito por Jairo Marques às 20h36

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Curta um curta

Povo, adoro gente que rompe paradigmas, gente que mostra a cara e diz ao mundo que tudo aquilo que você achava, ou te faziam achar, que era o certo, estava errado, estava incompleto, estava mal explicado, estava meio torto ...

 

Quem ainda não viu este curta metragem, “Zona Desconhecida”, pare ai uns minutinhos para se emocionar, para pensar um bocadinho sobre sensualidade (há cenas picantes, heim?! surpreso), sobre redescoberta de si mesmo, sobre o gostar, sobre ser diferente....

 

A protagonista é a “unânime” Mara Gabrilli... Como eu já havia dito em outro post, “bela, poderosa, e da ‘matrix’!

Escrito por Jairo Marques às 08h03

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Uma história de independência

Eu sei, eu sei que os dia que o dom Pedro declarou as independência do Brasil e transformou isso aqui um país liberto Insatisfeito foi ontem, mas, como era feriado, cabulei o post e falo hoje sobre esse valor tão importante para qualquer pessoa.

Invariavelmente a imagem de um “malacabado” está ligada à total dependência de outra pessoa e, quando não, de todas as pessoas, não é mesmo? De certa maneira, a gente precisa sim de ajudinhas diárias para poder defender o nosso peixe e pegar uma aguinha gelada Riso, porém, cada um de nós, “matrixianos”, estamos criando meios para nosvirar.com.br !

Um expoente bem forte disso é o meu amigo Leandrão. Para quem não conhece, ele é um dos meus leitores mais tops e mais antigos e “anda” para cima e para baixo desse mundão montado numa “cadeira elétrica”, tomando choque, 'oficorsi'... Muito triste

Para um desavisado, ver o Leandrão pela rua pode parecer corriqueiro e “fácil”, afinal, o motorzinho elétrico o conduz para todo canto. Para quem conhece um pouquinho da realidade deste país, sabe o quando esse cara tem garra, tem coragem e faz o mundo acontecer.

Digo isso porque ele enfrenta condições adversas todos os dias e em qualquer lugar. As cadeiras motorizadas são muito mais pesadas e menos ágeis, no sentido de mobilidade, do que as manuais. Imaginem vocês, então, entrar com esse cavalão num bumba? Num trem? Enfrentar a buraqueira dessas ruas? Entrar nas lojas, nos prédios públicos?

Mas o cara tá sempre lá. Nas passeatas por melhores condições, no mercado de trabalho, no cinema, nos espetáculos, na vida... Ver o Leandrão na rua me faz pensar muito na minha própria condição...

“A cadeira motorizada me dá muita liberdade; Não fico muito na dependência de outras pessoas para estar ir a alguns lugares. Mas essa "independência" nunca é 100%. O maior problema que enfrento é na questão de transporte. Por se tratar de uma cadeira pesada e grande, com vários acessórios, muitas vezes se torna praticamente impossível de levá-la em um carro com porta malas pequeno. Mas isso não me impede de sair porque tenho sempre uma "galerinha"que não tem tempo ruim. Eles ajeitam dali, puxam banco daqui, espremem dali.”

O Leandrão se tornou cadeirante aos 14 anos, quando foi abatido surpreso pela Amiotrofia Espinhal do tipo 3, que é degenerativa, ou seja, vai estropiando o cabra de pouquinho. A dele, felizmente, estagnou! Aêêêêirei essa foto (na real, a Debis!!) numa loja lá nos Miami, nos “Estadusunidos”, pra mostrar pra todo mundo o quando somos explorados e usurpados aqui no Brasil.

Outro perrengue enfrentado por quem tem dificuldades mais severas de movimento e precisa de uma cadeira motorizada é o valor que esses “trem” são vendidos aqui no Brasil. Uma bem boa, com autonomia para que o cadeirante fique tranquilo, com velocidade razoável, com força para subir rampas, pode custar até R$ 16,5 mil... juro. Já imaginaram a quantidade de amendoim dá pra comprar com isso? E quantos salários do tio Jairo dão pra pagar??? Tonto

T

 

Viram o preço? Isso mesmo... menos de quinhentos dólares... vulgo milão Rindo a toa. A mais cara lá custava menos de dois mil dólares...

O meu “brodi” Leandro “ganhou” a dele faz cinco anos (tá veeeia já!!!), que tem vários acessórios de posturas feitos pela AACD, da Prefeitura de Barueri... claro, não fizeram mais do que a obrigação.

Quem precisa de um equipamento assim, tem de entrar na Justiça e conseguir, caso o poder público relute em comprá-lo. 

“Quando vou pegar um trem, em alguma estação que não tem elevador e muito menos escada rolante, os funcionários passam o comunicado para os guardas virem me ajudar. Quando eles vêem que a cadeira é "elétrica" já mudam a fisionomia. Devem pensar:  ‘é hoje que vou precisar de uma cadeira também"de tanta dor nas costas...’Muito triste ! Mas, fazer o que néh, ficar em casa é que não vou.”

 

Às vezes, eu faço uma autocrítica e acho que jogo muita purpurina nos perrengues que os “estropiados” passam.... mas ai, vem um cara que nem o Leandrão e me diz uns troços assim:

“As vantagens são sempre maiores que as desvantagens. A falta de praticidade da cadeira motorizada em comparação com a manual é compensada na maior facilidade que o cadeirante tem como vencer alguns obstáculos, as calçadas esburacadas, as rampas fora do padrão. Pode ir também pelo meio da rua, entre os carros, quando não há a possibilidade de andar no passeio. Mas assim, claro, corremos o risco de ser atropelados. Uma vez eu quase fui,mas graças a Deus o motorista conseguiu desviar Sem jeito. Aquele dia gelei.”

Pode parecer delírio meu, mas, tenho visto mais gente usando cadeira de rodas nas ruas. Aqui no entorno do jornal, tem um monte!! É o domínio do mundo acontecendo, será? Mas, o povo das “cadeiras elétricas” também precisam ajudar nisso... E a palavra final, é do Leandrão:

“As dificuldades existem para quem usa cadeira manual, usa muleta, cão guia. Enfim, o que não podemos é nos entregar e deixarmos de viver, e sim procurar aproveitar a existência como qualquer outro ser humano.  Colocar nossa cara na rua e mostrar que estamos aqui!”.

* Fotos do arquivo pessoal de Leandro Ribeiro, o nosso Leandrão Kdeira

Escrito por Jairo Marques às 00h01

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ver mensagens anteriores

PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 37, jornalista pela UFMS e pós-graduado em jornalismo social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999. É colunista do caderno "Cotidiano".
Twitter Twitter RSS

BUSCA NO BLOG


ARQUIVO


Ver mensagens anteriores
 

Copyright Folha.com. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha.com.