Jairo Marques

Assim como você

 

Barba cabelo e bigode

Tenho verdadeira obsessão em trazer aqui pro blog histórias que mostrem um caminho, uma nova maneira de encarar as pernas finas, o “zóio” torto, o ouvido arruinado, a “mamulenguice” geral do corpo.

Digo isso porque fico bege quando um “malacabado” me diz ou escreve: “Óh vida, óh céus, óh nossa senhora da bicicletinha o que vai ser da minha vida sendo eu assim todo atravessado”? Abismado

Não ligo que me acham uma Polyanna que vê a vida sempre azul..... Tô nem ai... ninguém paga as minhas goiabinhas e minhas maças da Mônica, mesmo.... Bem humorado

Pra mim, sempre depois do vendaval que nos joga na “Matrix”, vem uma brisa gostosa pra dizer: aproveite agora o seu cérebro, aproveite melhor suas mãos, aproveite seus olhos, sua sensibilidade, sua alma...

Esse cara que empresta hoje sua incrível habilidade de viver e de enfrentar a vida, o cabeleireiro Guilherme Souza, de Vila Velha, no Espírito Santo, é um desses “achados”.

Todo o mérito desse post, contudo, é da minha leitora fiel, atenciosa e carinhosa, Mônica Bello, a “Monikita de Vitória”. Apesar de Guilherme cuidar da cabeleira, foi ela quem fez barba, cabelo e bigode para eu ter mais um grande personagem!

Povão, mas, “borá lá”.... cabeleireiro cadeira num é “maraviwonderful”?! Acho espetacular o cara dar as tesouras pra amolar (ou seria a cara para bater?) num ramo que lida com vaidade, com habilidades motoras tão precisas, em encarar uma profissão que, ao meu ver, é bastante inédita para um cadeirante.

“Foram vários estágios de adaptação. Teve momentos em que achei que não poderia fazer mais nada na vida, mas os amigos, minha família, esposa (Fernanda), mãe foram me incentivando e fui pensando como eu poderia fazer no salão. Vi que era possível, sim! Tive de adaptar algumas coisas: acomodar o cliente em uma cadeira mais baixa para que eu não precisasse ficar com os braços muitos levantados, fiz uma rampa na porta de entrada...”

O Guilherme já fazia a cabeça da “muguegada” Convencido antes de ficar estropiado ao cair, há quinze meses, de um parapente. Ele ferrou a vértebra L2 (Para entender a língua das vértebras, clica no bozo que eu explico! Brincalhão

“Tenho um estilo bem humorado tanto no trabalho, quanto na vida. Minha cadeira fica meio que "fixa" quando estou na labuta e fico girando a cadeira do cliente durante o corte. Então, falo que cortar cabelo com "malacabado" é corte interativo” . Rindo a toa

A Monikita, que fez a cabeleira do Zezé lá no Guilherme, descreveu assim o atendimento:

“Hora nenhuma fiquei com receio de cortar o cabelo com um cadeirante, nem achei que ele fosse ter alguma dificuldade. Ele já era um profissional experiente antes do acidente, e o fato de estar sentado, não muda a sua bagagem profissional. Ele usa mãos, braços e a cabeça.”

Pra quem ficou atiçado de vontade de aprender a mexer com madeixas Tonto (há centenas de cursos gratuitos ou bem baratinhos no Sistema S), o rapaz, que é todo “formozurento” e praticante de esportes, dá uma dica:

“Conseguir se dar bem na profissão sendo deficiente, vai depender do esforço e talento de cada um. Eu já era cabeleireiro, e conto com a ajuda de uma pessoa maravilhosa que é minha esposa que está sempre ao meu lado me dando todo suporte que preciso. Mas acredito que outras pessoas poderiam trabalhar com beleza, sim. Ganhar dinheiro ou não vai depender da competência individual.”

Além de se dedicar ao oficio de cabeleireiro, o cara tem um hobby bem tranquilo para desfrutar a bordo de uma cadeira de rodas, vulgo, cavalo veio, jogar frescobol na areia fofinha da praia.... Legal Muito feliz...

Acreditou, não? Bate o “zoio” na fota!

Eu também vou comprar uma tanga pra jogar esse trem nas própria praia. Que vocês acham? Entorpecido.

“E ele não se adaptou só na profissão. Em alguns esportes que praticava, também. O Guilherme montou uma academia de musculação dentro de casa... O mais legal é o carisma dele, uma bsimpatia, ele cativa a gente” (Monikita).

Bom final de semana e beijos nas crianças!

 

Escrito por Jairo Marques às 00h18

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A história do gato

Não tenho como negar pra vocês que fico muito pimpão, todo glamuroso (seja o que isso signifique surpreso)  por ter uma grande frequência de comentários aqui nesse blog de gente que não anda, que manca, que tem o escutador de novela prejudicado e que num enxerga um palmo em frente do nariz...Carente

Meus leitores conseguiram fazer do “Assim como Você” um dos blogs mais populares das internets, sorry para que não gosta, mas é fato. E o que é mais ‘doidivano’ nisso tudo é esse povo infiltrado (vulgo, os ‘normais’, que não tem deficiência nenhuma) que vai aumentando cada vez mais sua participação e dedicação a nossa humilde causa de dominação do mundo por parte da Matrix Muito triste.

Como faz tempo que não publico uma carta, hoje tem uma! Aêêêêê ... a língua usada pelo ‘serumano’ escritor é algo que só se fala lá no sítio da tia “Crementina”, na Camiranga... Rindo a toa. Se eu colocasse aspas em cada palavra nova ou, digamos, reinventada dele, daria um trabaaaaalho! Então, é cada um por si... Muito triste

Esse cara, o Amauri kravaski, é empresário e, teoricamente, não teria nada a ver com a nossa batalha de dominação do mundo por parte dos “matrixianos”, mas ele me enche de orgulho de tê-lo como leitor, como parceiro de batalha para tornar esse país mais justo e acessível para todos.

Fiquem com o relato hilário e inteligente, como sempre faz nos comentários, desse "bambi" queridão e cativo desse nosso cafofo!

 

Sorte

 Bom, çabe, fiquei pensano e resolvi escreve antes que algúem me pergunte. Como é que eu, um cara bunito, intiliginti, curto, rico e modesto Convencido foi se infiltrar num blog desse aqui.

Bom, começassando do comesso, é que eu tava sem fazer nada e procurano algum site que não fosse de put.........z (quase saiu), digo de moças que o tio Jairo vai ver lá no cinema com o Calazans e o UOL nesta época estava divulgando um site novo.

           

Bom, como eu sou curioso, entrei pra ver do que se tratava pois o nome me fagulhô nas idéia...Assim como você...como assim? Como eu como,  cara pálida? Vou entrar e ver: peraí deixa eu ver se não tem ninguém do meu lado pra não passar vergonha...Muito triste

 

Bom, entrei e ............................... FATALIT. Sei lá como, sei lá porque, mas o primeiro post que li, pensei: xiiiiii mais um que baba na cabeça que nem eu...Rindo a toa, pronto era o fim do meu soçego, o fim dos dias que eu não fazia nada e ficava procurando sarna pra me cossar.....tinha achado a mais nova sarna na minha looooooonga vida de trabaiadô.

 

 Bom, até aí morreu Neves (só fiquei sabeno traisdanteonti disso, Chorão), me perguntei-me depois porque continuava lendo todo dia os post do malacabado do tio Jairo. Poderia aqui (se ele tivesse me pago o combinado Beijo), descrever um monte de qualidades que vi no blog mas não farei isso. Ahá...peguei vcs né? (ele não  me pagou Muito triste).

 

 Bom (de novo), então fiquei pensando em resumir numa só explicação o fato de eu gostar de estar todo dia aqui com vcs, e descobri que entra na explicação uma historinha que tudo mundo conhece: a da pessoa que recebeu um gato de presente. Quê? Vc não conhece? Ta bom, eu conto....

Anabi, Amauri e Beni

 

 Bom, tinha uma pessoa que vivia se metendo na vida de tudo quanto é cabra que ela conhecia e na vida dos que não conhecia tumém. Palpitava em tudo, reclamava de tudo que faziam, achava que tudo tava errado, achava que a certa era só ela (inda bem que nunca conheci ninguém ançim), tava sempre com cara de ...bom deixa pra lá. Inté que um dia alguém teve uma idéia e chegou com um gato como presente pra pessoa. A pessoa sem entender nada perguntou o porquê daquele presente e a explicação foi que: O Gato tendo sete vidas e ela sendo muito intrometida, ela poderia cuidar das sete vidas do gato e deixar os outros em paz.

 

 Bom (é o último, prometo), então o fato de o tio Jairo tratar tudo mundo igual, de querer igualdade de condições pra tudo mundo, de fazer isso com bom humor e sarcasmo, de saber e fazer entender aos outros que não há deficiências (ou se há todos nós temos as nossas, malacabados ou não) e sim diferenças, de não se intrometer na vida de ninguém, dando a cada um o seu gato, é o que me leva a voltar todos os dias aqui pra dividir com vcs a alegria de estar aqui.

 

  Jairo, beijos no seu coração, nos corações de todos os amigos que já fiz aqui e outro naqueles que ainda farei. Brigado Jairo por me permitir estar aqui e desfrutar da sua amizade.”

Escrito por Jairo Marques às 01h04

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Endereço errado

“Zente”, já coloquei aqui nesse nosso boteco que tem as portas permanentemente abertas diversas fotas que saquei no supermercado Extra que fica na Marginal Pinheiros, aqui em São Paulo.

Juro “proceis” que não fico só fazendo book das esparrelas que acontecem lá, não. Eu chamo o gerente, reclamo, e passo um sabão (o duro é que haja Omo pra lavar tanta roupa suja... Tonto).

“Moço, tão passando a mão na minha bunda aqui nesse supermercado. As vagas dos “esgualepados” tão todas tomadas por madames, por pitboys, por gente que não tá nem ai pra paçoca. E aí?.”

“O senhor pode estar ficando tranquilo que nós vamos estar providenciando uma solução. Uma pessoa irá ficar permanentemente fiscalizando o uso das vagas!”

E essa é a resposta padrão e inútil do tiozinho que me escuta e me ignora há dois anos.

Beleza, eu também vou criar um padrão pra eles, esse grupo comercial tão carente, que arrasta centenas de milhões de dólares do nosso bolso, mas que não resolve uma questão de cidadania, de dignidade, de direito.

Vou intensificar os flagrantes por lá, assim, ajudo no marketing deles!!! Adoooro... Convencido Eu não vou deixar de comprar a minha “mortandela” e meus danets lá. Mas também, não vou deixar de mostrar o quando eles não estão nem ai para garantir o pleno direito de ir e vir de todos.

A foto de hoje, vejam só que beleza.... Até os “Correios”, que é do “guverno”, se acha na razão de enfiar o pé na jaca dos outros...

É “di certeza” que esse carteiro parou ali pra comprar (mais) pinga Rindo a toa. Não é possível... Porque carta, se ele entregou, foi no endereço errado. Muito triste

Fiz uma queixa formal na ouvidoria do órgão entregador de sedex e a resposta veio depois de alguns dias, lacônica, 'oficorsi':

A ECT agradece pelo seu contato e pedimos escusas pelos transtornos causados. Informamos que tomaremos as medidas administrativas cabíveis para que tal fato não mais ocorra.”

 Sei... “Ai, veio ranzinza, o que você queria?” Queria que eles fizessem algo concreto e me dessem uma resposta mais digna. Algo do tipo. "Lindo senhor, o paredão de fuzilamento já está... "Muito triste

Funcionário público que “mija fora do pinico”, minha gente, tem que ser enquadrado no rigor da lei porque se nem gente que pagamos com nossos impostos nos respeitam, ai ‘tamo’ na roça geral..

Bem, agora vou tomar um chazinho de erva cidreira que fiquei muito “nelvoso”.. surpreso

Escrito por Jairo Marques às 08h11

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Doce lar

Muita gente fica surpresa quando eu digo que moro sozinho. Tá certo que no meu caso não é beeem sozinho porque eu tenho uma tartaruga de estimação, a Cecília... Embaraçado

Não há grandes truques para um cadeirante viver ‘solito’ em uma goma. O grande problema é mesmo fazer os outros acreditarem e aceitarem que é possível um ‘malacabado’ pode ser totalmente independente também no morar.

“Mas ocê faz como pra viver assim sozinho, rapaz?” “Cê num tem medo?” “E dá pra fazer tudo?” “Sua mãe sabe”? “O governo permite?”

Minha casa não tem nada de muito diferente. Na cozinha, não há armários altos pra colocar as cumbucas da gororoba. Amontoo tudo em locais mais baixos em que posso pegar com facilidade.

O espelho do banheiro fica no baixo e minha roupas são organizadas todas num guarda-roupas com divisões onde consigo pegar tudo sem grandes manobras. O que fica mais para cima são coisas de pouco uso que quando preciso pego com a “mãozinha estiqueitor” (uma espécie de gancho que prolonga, digamos assim, sua mão) que ganhei da Silvetz, lá dos “Estadusunidos”.

Pra dar um jeito na bagunça, tenho uma secretária que tenta botar toda a confusão que faço aqui nos trilhos. Nem sempre ela consegue, é fato... Rindo a toa  

Procuro também ter pouca coisa, nada de muita tralha, para diminuir a possibilidade de eu ficar trombando quando passo de lá para cá...  Carente

Mesmo assim, as paredes, as portas, os pés das mesas são tudo detonados porque acabo por encostar, bater mesmo quando eu chego mais animado com as pingas... Muito triste Já deve haver, certamente, alguma sugestão decorativa ou de arquitetura que solucione isso. Mas, é batata, casa de cadeirante tem marca de rodas nas paredes...

Por segurança, tô sempre com o telefone a tira-colo no caso de acontecer algo que eu precise de apoio.... Vai que me dá um quentão, né, não? Rindo a toa Contudo, felizmente nunca me aconteceu nada e já moro só faz uns seis anos.

Acho que, de certa forma, sempre curti essa possibilidade de fazer o que bem entendo de forma autônoma. Raramente, sinto algum lance de solidão. Vejo TV, navego nas internets, trabalho, namoooooro!!!! Uhrúúúú

Não posso dizer que minha casa é totalmente acessível. É melhor dizer que ela é adaptada as minhas necessidades, mas não de forma certinha, plena.

Ainda tenho um projeto, que devo realizar em breve, em morar num lugar tudo arrumadinho! Atualmente, há fogão, geladeira, armários feitos para se acomodarem as necessidades de alguém com alguma deficiência. Também já há algumas construtoras que projetam os ambientes pensando nos giros das cadeiras de rodas, na altura das janelas e em portas mais amplas (sobretudo no banheiro!).

Gosto sempre de saber e de mostrar que quaaaase tudo é possível para esse povo estropiado. Não é preciso testar limites, mas é gostoso conhecer um pouco do que você pode fazer com independência, mesmo que todos te vejam como alguém fartamente dependente.

Morar sozinho, pra mim, sempre reforçou a minha identidade de “minino bão”, que tem as rédeas da vida em mãos. Certamente que hei de abrir mão dessa minha individualidade no morar quando meu pé calçar, em definitivo, aquele chinelo velho. Resta saber se vai demorar muito.... Será?!  

* Imagens retiradas do Google Imagens

Escrito por Jairo Marques às 08h03

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PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 37, jornalista pela UFMS e pós-graduado em jornalismo social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999. É colunista do caderno "Cotidiano".
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