Jairo Marques

Assim como você

 

Mais uma chance

Povo, vai rolar mais uma chance para ver um espetáculo “maraviwonderful” que, para mim, é um dos símbolos máximos da dominação do mundo pela Matrix: o Noturno Cadeirantes.

Quem ainda não teve a chance de assistir ao musical precisa agora firmar a ideia de ir! O grupo, cheio de “gatenhas” Rindo a toa, está completando seis anos e promete, como sempre faz, “arrupiar” a platéia com um show de dança, de graça, de beleza, de talento e de emoção.

Pra quem ainda não sabe nada sobre o grupo, é só clicar no bozo que eu, como “minino bão”, explico melhor. Brincalhão

 

As criaturas da noite

 

Eu tenho medo de ver...  As criaturas da noite

 

Estátuas sem rosto me olhando, eu já vi

 

As criaturas da noite. O noturno véu

 

Porcelana, Lua de luz violeta. Brilha de néon no céu.

 

Porcelana, Lua de luz violeta.

 

Quem quiser ir, precisa se apressar, vai bombar e os ingressos já estão acabando! Muita gente me pergunta sobre os espetáculos, então, tá ai a dica! O tio, claaaaro, vai estar todo pimpão!

 

Mai, quando que é? Em julho, dias 3 (sexta), às 21h, e dia 5 (domingo), às 20h

E onde que é? No teatro Dias Gomes, que fica na rua Domingos de Moraes, 348, pertinho da estação Ana Rosa do Metrô. Para quem for de xaranga, há estacionamento em frente, dos lados, atrás..surpreso

E quanto que é? Na hora do show, os ingressos custam R$ 40 (vulgo, quarenta mangos). Se comprar antecipado, com o elenco, paga R$ 15

Quer saber mais? 5575-7472 ou http://menestreis.campogeral.com.br

 

 

* Trecho da música "Criaturas da Noite", de Oswaldo Montenegro

** Fotos de Ricardo Feres / Divulgação

Escrito por Jairo Marques às 00h12

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O meu Baloubet

Como eu já sou um senhor de idade avançada, cheio de dor nos quartos, nos quintos Rindo a toa, resolvi sair catando as moedinhas que tinham espalhadas nos cantos de casa e comprar um cavalo (que os mortais costumam chamar de cadeira de rodas) daqueles “raçudos”, bonitões e caaaaros que só um "diacho". Chega de andar de pangaré estrebuchado, né, não?!

Uma boa cadeira de rodas, como eu já falei um pouco por aqui, é cheia de frescuras para garantir uma boa postura, um bom posicionamento para tocar os aros e leveza pra facilitar jogar a bicha daqui para acolá.

Ainda vejo muita gente usando cadeiras manuais padronizadas, que custam menos, mas dão menor independência e exigem mais do muque pro “galope”.  As “elétricas” não têm muito jeito. Há alguns ajustes, mas não rola de fazer grandes mudanças.

Mesmo quem é tetrão, mamulengão dos braços Muito triste, pode tocar uma cadeira manual. Vai ser mais custoso, mas dá certo e há adaptações que ajudam! Mas, bora voltar para a minha aquisição (xiki isso, eu sei Legal).

Uma cadeira ideal precisa ter tudo medidinho. A altura e a inclinação do encosto das costas, a altura dos pedais onde descansam as pernas, a largura e a profundidade do acento, a altura em relação ao chão.

Também é preciso determinar um centro de gravidade, pra mode o caboclo num empinar para trás e bater o coco no chão e também para facilitar a impulsão tanto para “andar” como para vencer obstáculos (o que não faltam nas cidades, né, não?).

Tudo isso, na hora que o malacabado (mlkbd, né, Marieli Muito triste) monta na cadeira faz uma diferença enorme de postura, de comodidade e também estética, porque a gente baba um pouquinho, mas quer ser bonitão, ora pois.

O cavalo que comprei é um Baboubet... surpreso Se lembram dele? Era um alazão bonito que saia pulando os pau, os tronco “véio” e ganhava um monte de competição de hipismo mundo afora com o cavaleiro Fernando Pessoa. Ai, nos jogos olímpicos de Atenas, todo mundo querendo ver o galope do bicho, todo mundo esperando as medalhes e ele só fez foi refugar Rindo a toa. "Ingual que nem" o Diego Hipólito, manja aquela “bundada” no chão? Muito triste

Mas ai você me pergunta. “Uai, mas por que o tio num comprou logo um manga larga, um cavalão formozurento?”. “Zente”, ai porquinho onde guardo as moedas não agüentava. Tonto

As melhores cadeiras de rodas, infelizmente, ainda são importadas, feitas em titânio, que custam um caminhão dos grandes lotado de dinheiro. Acho um abuso, um absurdo, pagar R$ 10 mil, isso mesmo, dez mil "renais", por algo básico pra eu colocar a bunda em cima.

E muitos questionam: “O governo num ajuda, num subsidia?” Nada. Os impostos de importação incidem normalmente. É da Matrix, nego?! Tooooma. Cê que se lasque para conseguir algo básico: um meio para se locomover. (óia a brabeza Abismado)

A minha foi bem cara para os padrões brasileiros. É fato. Mas cortei muita lenha e amassei muito barro pra poder comprar, viu, povo. E o que ela tem de especial? Vamos lá:

Coloquei rodas importadas (tô podendo, fala Rindo a toa) chamadas spinergy. São muito, muito leves. Quase a metade do peso das tradicionais. A vantagem é que o peso total da cadeira diminui e facilita demais pra mim (e pra qualquer pessoa, claro) quando preciso desmontar a bicha sozinho pra colocar na kombi.

Os pneus traseiros, juro, são maciços! Uuuuia surpreso. Eu resolvi apostar que o negócio funcionava bem e, me surpreendi positivamente, são ótimos e não dão impacto que machuca o popô (sim, tô Priscila, hoje). É as própria tecnologia, “zimininos”. Sempre tive cadeiras com pneus infláveis, que precisam ser calibrados e furavam, esse de agora (shox), pelo que parece, foi um salto de “qualidadchi”.

Nas rodas dianteiras coloquei umas que se chamam soft holl. As danadas possuem amortecedores que diminuem “di certeza” o atrito com o chão. Então, acredito que meu cérebro irá ‘balangar’ menos e, quem sabe, consequentemente, eu num aprumo na vida? Muito triste

Se eu num vou contar onde comprei e qual o modelo? Olha, “pessoais”, foi numa fábrica lá do Goiás, mas a dor de cabeça para receber o produto (SETENTA DIAS, mais do que um carro), que paguei antecipadamente, foi tanta que me recuso a falar o nome. Sem falar que acho que o dono dá uma explorada básica porque a concorrência no Brasil é muito pequena.

Foi um parto receber o cavalo, mesmo tendo eu deixado praticamente as cuecas na empresa para honrar o pagamento. Só digo que é um lançamento e que, aparentemente, me parece bom. Se acharem muuuito válido, depois eu abro o jogo Convencido nos comentários, fechou?

Por fim, digo que estou mais bonito do que filho de barbeiro desfilando com o meu Baloubet cromado e com detalhes em vermelho. O pessoal da redação do jornal tá dizendo que fiquei mais fashion (ainda). Sei, não... tô achando é que querem darem umas galopadas!  

* Imagens retiradas do Google Imagens

Escrito por Jairo Marques às 00h00

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Minha viagem dos sonhos...

“Zente”, o primeiro desafio para um “malacabado” viajar sozinho é convencer aos outros que ele vai, sim, sozinho. Porque quando estamos na “radoviara” ou no “zoroporto” é uma perguntação da gota serena:

“Uai, cê tá perdido?  Mas vai sozinho como? Num tem ninguém pra te ajudar? Cê num tem medo? Sua mãe sabe? Tá fugindo do hospital? Mas vai fazer como?” Só por Nossa Senhora da Bicicletinha, mesmo, viu... Carente

Cadeira de rodas num é sinônimo de impossibilidade crônica de viver, se divertir e de viajar, “ziminos”. A gente passa uns apertos, uns sufocos, chega perto de dar o “quentão” Muito triste, mas consegue se virar.

Se o deficiente ficar pensando em tudo o que pode ser complicado, todos os empecilhos, tudo o que não estará a contento durante uma viagem, é “di certeza”, ele nunca vai sair de casa.

O maior desafio turístico que encarei até hoje foi a primeira vez que fui pros exterior.  Aqui no Brazil a gente chora e todo mundo acode rapidinho, agora, num lugar onde você fala e ninguém entende, o bicho pega.

Minha mãe começou a chorar um ano antes da viagem Rindo a toa.  E lá fui eu testar mais uma vez os tais limites de ser “malacabado”. Pra onde que eu fui? Pra Espanha! (metiiiido! Insatisfeito).

O impacto a gente sente logo no avião. Dez horas tendo de meditar bastante para abstrair a vontade de dar aquela urinaaaaada. Para tudo. Num tá achando que existe banheiro acessível dentro desses urubuzão, né? Carente

Se a coisa apertar muito, o jeito é xixizar num copinho por debaixo das cobertas.  Para quem faz xixi pelo canudinho, tem de ir com um saquinho amarrado nas pernas, mas, isso a gente tira de letra.

Cheguei a Madrid cedinho.  Aquela mistura de medinho, com ansiedade, com vontade de ir ao banheiro Muito triste. E estrangeiro é tudo igual, nego. Ser cadeirante, muletante, puxador de cão-guia não dá credencial pra se livrar das fiscalizações, não.

O impacto de um país onde costumes, arquitetura, formas de expressão são completamente diferentes do Brasil é muito grande. E eu senti isso logo no primeiro dia.

Fiquei em um hotel bem centralizado e próximo aos principais atrativos da cidade: museus, bares, vida noturna, praças, palácios. Uhrúúú... tava lindo na fota! surpreso

Era verão e fazia um calor de estourar mamona, de fritar ovo no asfalto, de derreter as borrachas da cadeira de rodas.

E lá fui eu, todo “formozurento”, encarar as ruas madrilenhas. O lado “inacreditível” é que em qualquer buraco, juro, qualquer buraco, tinha rampa. E num eram essas rampas estrumbicadas que a gente conhece, não, eram certinhas, de inclinação fácil de ser vencida, com piso tátil, uma belezura.

Povo, e eu comecei a “andar” sem parar. Tava mais feliz do que porco na lama por conseguir transitar de boa pra todo canto. Acontece que o calor da Espanha é seco. O caboclo vai fervendo, vai fritando e não sua (tem malacabado que não sua, naturalmente, mesmo), não percebe que sua energia vai se esvaindo.

Quando eu percebi que num “guentava” mais tocar o cavalo já tava perto de desmaiar. Embaraçado E, um detalhe que fui percebendo: ninguém, mas ninguém meeeesmo oferece aquela “hand”, aquela ajudinha básica, aquela “quer uma carona?”.

“Gzuis, que pessoais mais trapaiado que num ajuda a gente”, pensei. E só fui sacar a razão disso bem mais tarde.

Em vários países mais desenvolvidos que nós, tipo quase todos Rindo a toa, o costume é não ficar tocando nas pessoas, sobretudo quando elas não pedem. A lógica é: tem tudo acessível, ruas, transporte público, bares e restaurantes, então, sevira.com.br.

Caso o “matrixiano” precise de ajuda, então, é o próprio “esgualepado” quem tem de pedir auxílio. Caso contrário, vai ficar lá curando no sol, viu?! Emotion. E não tem nada a ver com falta de educação, com formação.

Depois de recuperado da insolação Abismado, toca passear mais. Fui a um palácio mega ultra blaster bonito, a igrejas, a outros museus. Na Europa, construções históricas, com arquitetura muito antiga são mais “compricosas” de ter acessibilidade, mas, mesmo assim, em algumas partes sempre é possível entrar com a cadeira. Se há três degraus, eles colocam ali um elevador.

Museu do Prado, que é totalmente acessível, em Madrid / Imagem de divulgação

A Espanha é cheia de “plazas de toro”, que são locais onde rolavam as touradas (ui). Atualmente, são só locais de lazer rodeados de botecos. As ruas no entorno das “plazas” são todas de paralelepípedos que fazem o cérebro de um cadeirante virar um mingau de tanto que balanga. Tonto

Mas, eles pensaram na gente! Uhrúúúu! Em toda rua antiga há sempre, uma espécie de caminho, no centro, bem lisinho, onde dá pra transitar super tranquilamente.

Bem, mas nessa de ir pra lá, ir para acolá num é que me fura o raio do pneu da cadeira? Para tudo. Num sabia que os nossos pneus arriavam? Agora, me diz, como é que eu ia explicar em espanhol que eu precisava de uma "hand" pra consertar o bicho?

Olha que eu até engano bem em Espanhol, mas dizer que o pneu estava furado era broca! (Para os curiosos é algo do tipo: El neumático se pincho, la rueda esta pinchada). Não me lembro bem (é a idade, é a idade Sem jeito), como resolvi o problema, mas, deu tudo certo.

E tive outras dezenas de perrengues lá pela Espanha. O banheiro que tinha banheira dentro do box e tive de tomar banho de copinho; entender que “autobús de planta baja” é um ônibus que, podem acreditar, murcha dos lados, é, ele “murcha” Rindo a toa, e fica mais baixinho pra mode a gente entrar com o cavalo e aprender que “salir de copas” era algo básico pra mim: encher os canecos de pinga. Muito triste

Contudo, acho que até hoje aquela foi a minha viagem dos sonhos, a que eu mais me expus, mais consegui aprender a me virar (uuuia) e a que mais me senti livre e independente em diversos sentidos.  

Enfim, é impossível, penso eu, prever todas as situações que vamos passar como matrixianos em outros países. E cada um tem uma "necessidadchi" diferente. Contudo, quando há informação, há alguém especializado para nos dar dicas e nos avisar do que poderemos ter de enfrentar, nos expor, fica mais fácil.

Os “normais” procuram assistência em uma agência de turismo e, nós, os “malacabados”? É, “zimininos”, quando digo que acham que vivemos num mundo paralelo num é sem razão. Turismo acessível ainda é algo muuuito recente no Brasil... mas tá mudando... tá mudando... até o final de semana, eu devo dizer a vocês o porquê!

* Imagens do Google imagens 

Escrito por Jairo Marques às 00h01

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PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 37, jornalista pela UFMS e pós-graduado em jornalismo social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999. É colunista do caderno "Cotidiano".
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