Jairo Marques

Assim como você

 

É só uma grande história de amor

Não posso negar que tenho tido sorte ao longo da vida deste diário. As histórias mais surpreendentes e mais ligadas às temáticas que pretendo abordar vão surgindo como se uma força invisível dissesse: “Agora, veja se inspire nisso”.

 

Fecho a Semana dos Namorados, no dia 12 de junho, com a deliciosa e surpreendente história de amor entre Giuliano e Márcia... Em um mundo em que tudo para quem tem uma deficiência ainda parece complicado e romance é um capítulo cheio de tabus e meias verdades, este casal mostra que para ser feliz, às vezes, é preciso apenas um “olhar” pelo outro... um “caminhar” pelo outro....

 

 

“Na hora em que você menos espera, o amor acontece. Foi assim com a gente. Nunca imaginei que iria conhecer um deficiente visual e me apaixonar. Recomendo que as pessoas da “Matrix” não fiquem isoladas, escondidas em casa. Que conheçam gente, que saiam, abrindo campo para que outros possam se achegar a você.” (Márcia)

 

 

 

 

“Nosso amor é diferente do dito normal, ele se completa. Eu não vejo, ela não anda, ela vê por mim e eu ando por ela, e juntos nos completamos naquilo que nos falta em nosso físico.” (Giu)

 

 

 

“Nós nos respeitamos muito. Um sempre um ajuda ao outro. Todo casal tem suas briguinhas e, as nossas acabam sempre muito rápido. O que nos ligou a ponto de casarmos foi a necessidade de estarmos sempre juntos.” (Márcia)

 

 

“No primeiro dia dos namorados que passamos juntos, fiz uma surpresa: Primeiro dei um presentinho bem simples: alguns sabonetes em uma caixinha, e uma rosa. Falei que estava sem dinheiro e que era só uma lembrancinha.  Passeamos em um parque e, à tarde, quando ela foi tomar banho,  deixei outro presente em cima da cama dela, uma jaqueta vermelha e, ela ficou super contente!  Depois, fomos a um jantar romântico a luz de velas, e lá, deixei tudo combinado com o “maitre”. Quando dei o sinal, ele veio até a mesa com o outro presente, que era um coração grande e vermelho e um cartão que,  no final, eu a pedia em casamento. Ali, coloquei a aliança em suas mãos.” (Giu)

 

 

 

“Quando nós saímos juntos, as pessoas não percebem que o Giu é cego porque os olhos dele são perfeitos. Então, quem o vê, pensa que ele é “normal”, e que está me levando pra passear. Isto sempre acontece. Quando vamos ao shopping, por exemplo, nós andamos de mãos dadas, um ao lado do outro, só que eu vou dando alguns toques na mão dele quando vêm alguém de frete, ou ao lado. Muitas vezes, tenho que puxá-lo mesmo pra ele não trombar com alguém ou com algum obstáculo. Em lugares com  muitas pessoas, aí eu coloco sua mão no meu ombro e peço para ele vir atrás de mim e ele segura na parte de trás da cadeira, como a me conduzir.” (Márcia)

 

 

 

“Sim, eu vejo a beleza dela, mas não externa que todos podem admirar. Eu vejo a interna e sei que ela é linda. Nós não andamos de mãos dadas na praia, porém perto do mar nós caminhamos de corações unidos.” (Giu)

 

 

 

 “O dia do nosso casamento foi lindo, maravilhoso, mesmo. Aconteceu em um sítio em Mairiporã (interior de SP), e fez um dia de sol intenso. Tudo estava perfeito.” (Márcia)

 

 

“Na festa do casamento, durante a sessão de fotos, nós começamos a nos beijar para os fotógrafos tirarem as fotos e, nos empolgamos um pouco e um deles gritou: LAAAAAARGA!” (Giu)

 

Márcia e Giuliano estão juntos há quatro anos. Ela ainda está o convencendo a terem filhos! Ela é analista financeira, ele é assistente operacional. Eles se conheceram fazendo teatro. Detalhe: teatro no famoso grupo aqui deste blog, o "Menestréis Cadeirantes".

 

As fotos extasiantes do casal, só poderiam ter sido feitos pela minha querida amiga Kica de Castro (kicadecastro@gmail.com)

Escrito por Jairo Marques às 00h00

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No outro Lado da Matrix!

Minha leitora há muuuuito tempo, a Su Melo, lá das Minas Gerais, pediu uma pequena “assessoria” pra mim quando se apaixonou e se aproximou de um cadeirante.

 

Desde que comecei o blog, pedidos de “dicas” para dar aquela namoradinha básica com um “estropiado” são frequentes. Talvez isso queira dizer que tamo abalando, será, não?! Convencido

 

 

Eu dei uma "hand" a ela e, em contrapartida, pedi para que me relatasse como foi esse romance, como era o "outro lado da Matrix" quando se relaciona com um deficiente. O resultado eu publico hoje, seguindo a semana dos namorados. 

 

 

É um texto emotivo, divertido e “maraviwonderful”, agora na perspectiva feminina, sobre como “garrar” um “malacabo”! Quem quiser ler o texto do Rapha Bathe, sobre o olhar masculino, é só clicar no bozo! Brincalhão

 

Boa leitura, e volto na sexta, porque amanhã é feriado! Uhrú

 

 

Sorte

Escrito por Jairo Marques às 00h39

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Um dia acordei e percebi que no mundo existiam degraus demais e rampas de menos, isso por que no dia anterior olhei de maneira diferente para alguém que não era compatível com degraus! E sabem de uma coisa, que legal, que feliz poder olhar para uma pessoa e  ver diferenças, sem se perguntar como será que ele faz isso ou aquilo, o bom mesmo da vida é ter coração aberto, aceitar que  somos todos seres únicos, cada qual com suas peculiaridades.

 

As historias sempre acontecem de maneira bem inusitada na minha vida, essa não foi diferente, me deixar cair pelos encantos de um cadeirante foi uma das melhores coisas que me aconteceram, pelo crescimento que isso me proporcionou como pessoa, como cidadã e claro pela paixão que por si já valeu muito a pena! Vai ser feliz lá longe!! Rindo a toa

 

Hoje em dia o apelo estético é “imposto” pelos mais variados meios de comunicação, a beleza cada dia mais agrega o conceito de perfeição. Mas eu vivo me perguntando o que é perfeição? Seriam as mulheres com nomes de frutas, seriam certos batalhões de homens mostrando em calendários os seus músculos definidos, será mesmo que isso é perfeição, quem disse que beleza é perfeição?! Meu namorado é super bonito (modesta demais) e é perfeito aos meus olhos, me apaixonei pelo jeito sincero, pelo “cara boa praça” que ele é, pela gargalhada boa que ele tem, pela boa companhia que ele se faz com seu jeito inteligente, pelo seu olhar que me desconcerta..Vou parar de falar se não as meninas vão querer o endereço dele!! Carente

 

 

 

Não pensem, meninas, que namorando um cadeirante a concorrência é menor, pelo contrario, os cadeirantes “desencanados” tem um charme todo especial, podem espalhar seus encantos em pouquíssimo tempo, é exatamente ai que mora o perigo! Existem algumas coisinhas bem básicas que acontecem de maneira diferente, mas nada que seja um bicho de sete cabeças, alias, quando se convive com pessoas com alguma deficiência percebemos que nada é um bicho de sete cabeças!

 

Agora, uma coisa é fato para “infiltrados” como eu: nesse mundo “Matrix”, é preciso cuidado, pois se você não convive com uma pessoa com deficiência e acha que o “google” te contou tudo, engano seu, cada caso é um caso, as pessoas tem um jeito muito pessoal de fazer as coisas, de reagir em cada situação, é preciso entender que nem sempre a pessoa vai precisar de ajuda e se precisar você vai ser solicitado, isso não é falta de amor, orgulho, é apenas independência e aquilo que por ventura você jurava ser muito difícil, vai ver que no final, não é nada disso!

 

 

Muitas vezes você vai ficar com algumas duvidas martelando na sua cabeça igual ressaca pós baile de formatura, mas para isso uma boa DR (discussão de relação) resolve!! Os homens adooooooram!surpreso Agora cabe à pessoa com deficiência, ser aberto, deixar o outro a vontade para perguntar, conversar sobre suas limitações, a PACIÊNCIA deve ser usada ao ensinar ao outro como ajudá-lo e até mesmo como não atrapalhá-lo!

 

É comum que a pessoa “normal” queira fazer algumas “coisinhas” na frente para tentar facilitar a vida do “malacabado”, isso acontece até de forma automática ou ao contrario também, pode deixar varias coisas espalhadas no meio do caminho, simplesmente por esquecer ou não se dar conta que pode atrapalhar.

 

Contudo, isso contribuiu para que o “infiltrado” fique mais à vontade com todos os detalhes, dando segurança inclusive para responder quando se é questionado o fato de estar com uma pessoa que tem alguma deficiência, e é certo que todos vão te perguntar: família, amigos até o pedreiro que você contratar para dar aquele “up” no banheiro da sua casa e torná-lo mais amplo, acessível. Com um jeitinho todo especial fazemos as pessoas entender que ser diferente todos somos, que o fato de poder andar ou faz diferença sim, diante uma escada, nada além!

 

Meninas, não pensem que aquela famosa “prova de fogo” com a família dele vai ser diferente não, sogros, cunhadas, primas, amigos, veterinário do papagaio da vizinha! Muito triste Não importa, se você é andante, se é cor de rosa, amarelo ou vermelho é milionário ou pobre, família é tudo igual, inclusive a sua!

 

Aahhhh... tem “aquele negocinho” que os casais fazem, que chamamos de sexo!! Engraçado que quando conto a alguém que meu namorado é cadeirante, intimas ou não as pessoas sempre perguntam: Mas funciona!?!?! E eu sempre dou muita risada e respondo: - Dizem que sempre paramos no melhor e se depender de mim eu parei! Bem, como em toda relação é necessário uma boa dose de sinceridade, o famoso dialogo “cartas na mesa”, talvez em um casal que envolva alguma deficiência essas conversas tenham que ser um pouquinho intensificadas no começo, afinal o mapa para chegar até o tesouro pode ter uns “morrinhos” a mais!

 

Conversem, brinquem, se desenhem, se descubram e no final vão constatar que chegar ao paraíso é bem mais fácil que se imagina e depois de descobrir isso vocês vão querer ir lá muuuuuuuuuuuuitas vezes e nessas idas e vindas perceberão que as paginas do kama Sutra que tiveram que ser arrancadas não fizeram a menor diferença, porque no final vocês acrescentaram vaarias outras paginas e para isso é preciso apenas intimidade e IMAGINAÇÃO!

 

 

 

Me lembro que em uma de nossas conversar, perguntei se tínhamos como dormir de conchinha, ele respondeu: Acho que dá sim!! Na prática descobrimos que realmente dá, o problema é que não conseguimos dormir! Embaraçado Seja de conchinha ou de qualquer maneira e ele te jurar “que não vai fazer nada”, é puuuura mentira, meninas nessas coisas os homens não mudam! Tonto

 

Se você não consegue enxergar o outro como igual, então veja graça nas diferenças! E você vai ver que felicidade, paixão, amor, estão além do que podemos conceituar, isso podemos apenas sentir e para isso SE PERMITA! Permita se deixar levar pelas coisas que realmente fazem seu coração vibrar!

 

* Imagens gentilmente cedidas pelo meu amigo Evandro Bonocchi. Estampas da "Legal Camisetas"

Escrito por Jairo Marques às 00h28

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Adolescência

Nesta semana dos namorados, vou começar falando de um momento que, “di certeza”, é o mais complicado para quem é “malacabado”: a adolescência.

 Nesta fase da vida, os grupos se dissolvem um pouco, o corpo muda muito e quem tem algum tipo de deficiência tente a ser ligeiramente deixado de lado no processo de “caça” por uma namorada.

Recebo muitas mensagem de meninas e meninos da “Matrix” narrando aflição com esse tempo da vida, entre o fim da infância e o começo da juventude, com dúvidas do tipo: será que nunca vão olhar pra mim? Nunca vou conseguir um namorado (a)? Por que eu não me dou bem como meus amigos?

“Zente”, para me ajudar a falar sobre isso, chamei reforço Entorpecido. A deslumbrante Carina Queiroz, da Bahia, ficou “mamulenguinha” justamente quando era uma legítima “teen”, aos 18 anos.

 Ela vai escrever em vermelho e eu em azul, ao longo do texto. Boa viagem.

 

    Sorte

Escrito por Jairo Marques às 00h46

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Sofri um acidente de carro que me deixou paraplégica aos 18 anos. Final da adolescência e início da fase adulta, cheia de planos, milhões de expectativas, querendo sugar tudo que a vida estava me oferecendo. Nessa época, já estava no 2º semestre da faculdade de enfermagem. Até então tudo “normal”, uma vida comum como qualquer outro adolescente... De repente, uma mudança radical. Saí de casa andando e depois de mais ou menos um mês voltaria conduzindo uma cadeira de rodas. Precisava me adaptar aquela nova vida, a minha nova forma de andar, a uma nova maneira de viver. Sempre procurei ter a maior independência possível.

 

Nisso o tempo foi passando e a adolescência indo embora, mas como qualquer pessoa da minha idade, paquerava, namorava e esse assunto pós-lesão era o mais difícil de pensar em como resolver. Tinha apenas 18 anos, não tinha maturidade e experiência como “matrixiana”, além das dúvidas e questionamentos típicos da adolescência. Será que eu poderia paquerar um garoto? Será que iria despertar interesse em alguém mesmo numa cadeira de rodas? Será que numa cadeira de rodas eu iria ter um namorado? Como os garotos iriam olhar pra mim? Como seria paquerar, namorar e tudo mais sem ter um corpinho “perfeito”? Talvez a área sentimental tenha sido o maior desafio. Eu não tinha namorado quando fiquei paraplégica e nem pretendia fica solteira o resto da minha vida.

 

 

 

 

Comigo foi bem diferente, como quem é meu leitor há muito tempo já sabe. Entrei na adolescência já montado no meu cavalo. E foi difícil pra mim entender como o meus grandes amigos da infância já não me chamavam mais para ir ao cinema, como as meninas do bairro, muito ligadas a mim, não se aproximavam mais. E tudo foi ficando mais complexo à medida que novos termos começavam a circular nas rodas de conversa: sexo e namoro. Os meninos, aos poucos, iam contando que havia “pegado” a gatinha tal, que haviam beijado a fulana, que haviam “arrastado” cicrana para não sei onde.

 

De “minino bão”, confesso que fui ficando um “minino triste”. Não há rodeios, meu povo, adolescência é cruel para o deficiente uma vez que independência para ir onde quiser, sobretudo nas festas onde rolam a paqueras, e aspectos físicos “bacanas”, o que não é nosso forte, falam mais alto... se é que não gritam, né, não?!

 

A mudança física é complicada. Vivemos numa sociedade que nos cobra um corpo perfeito. Ao me tornar uma cadeirante, sofri mudanças principalmente em minhas pernas que afinaram e a musculatura se tornou flácida. A comparação com as meninas que não eram da matrix era inevitável. Elas andavam, eram consideradas “normais”, podiam dançar, correr, não dariam o mesmo trabalho que eu podia dar com minha limitação. Sempre fui tímida e as paqueras ficavam na troca de olhares, mas sempre receosa por não ter certeza se a paquera era comigo ou não. Meus amigos me cercavam o tempo inteiro numa forma de demonstrar carinho e cuidado e até isso dificultava uma aproximação. Sempre procurei seguir adiante sem criar muitos questionamentos sobre minha vida amorosa e minha condição física, acredito que isso tenha me ajudado.

 

Meu primeiro namorado após a lesão ocorreu mais ou menos dois anos depois. Foi muito legal porque tudo aconteceu naturalmente. Houve a fase da paquera, da gente se conhecer. Nós dois trabalhávamos na mesma empresa e nos conhecemos lá. Ele e a família dele nunca me trataram como alguém diferente, mas o relacionamento não durou muito. O namoro acabou, mas não por eu ser uma cadeirante. Pra mim o mais difícil foi iniciar a relação sexual. Não sabia como seria, como deveria agir, de que forma teria prazer, se eu seria capaz de dar prazer ao meu parceiro e isso sim demorou bastante tempo pra que eu me sentisse preparada.

 

 

 

 

Apesar de me sentir sozinho, as pessoas gostavam de CONVERSAR comigo, sobretudo a mulherada, que queria me contar... dos outros meninos Carente. Nesta época, minha mãe me chamava “carinhosamente” de “pé de santeiro” Rindo a toaEu me apaixonava demais, mas era sempre preterido pelos meninos que jogavam bola, pelos “pé de valsa” dos bailinhos. A minha vida, então, era ler... lia tudo, romances, aventuras, história, bula de remédio. E estudava também. Algo me dizia que o meu “momento do amor” iria tardar mais, mas, com paciência, ele iria chegar.

 

Não vou mentir. Foi barra, foi angustiante. Eu achava que jamais conseguiria atrair alguém com meus cambitos finos, com um jeito meio torto de ser. Contudo, me preparando intelectualmente, sem noção, fui formando minha personalidade que, mais tarde, me ajudaria a ter, digamos assim, um bocadinho de namoradas que dariam para lotar um fusca Convencido

 

Claro que podemos e vamos conseguir ter um relacionamento mesmo sendo da Matrix. Quando eu me tornei cadeirante eu não sabia como iria ser um relacionamento, mas deixei o tempo passar e a vida me conduzir. O preconceito existe, o desconhecimento também. Tem muita gente por aí que, às vezes, se interessa por um de nós e por não saber como agir não se aproxima. Cabe a nós também não tomarmos a posição de vítima e mostrar a todos que somos normais como qualquer outro ser humano deste mundo.

 

Não é uma tarefa fácil o início de um relacionamento entre uma “malacabada(o)” e um “infiltrado(a)”, por exemplo. Precisamos apresentar a eles nosso mundo e provar que podemos ser um pareceiro(a) à altura de alguém que não faz parte da Matrix. Existem ainda os amigos e familiares do “candidato” (a), que, na maioria dos casos, são pessoas que não estão acostumados a conviver conosco. São pessoas que, geralmente, tem a imagem do deficiente ineficiente, que fica em casa se lamentando sem pôr a cara no mundo sem mostrar nossa capacidade. São pessoas ignorantes a nosso respeito.

 

Paciência, talvez essa seja a melhor palavra pra esse momento. Somos alguém que eles consideram diferente, o que não quer dizer que não seremos bem-vindos. Procuro não perder tempo pensando se fulano ou beltrano não concorda com o relacionamento, se meu parceiro me aceita nada mais importa. Esse é outro ponto, o parceiro, se ele não é da Matrix isso quer dizer que nós somos novidades e mais uma vez a paciência é fundamental. Um bom papo, disponibilidade, sinceridade e boa vontade podem ajudar bastante.

Escrito por Jairo Marques às 00h44

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E a minha primeira namorada veio quando eu já era um “senhor”, com 21 anos Muito triste. Para tirar o atraso, na boa, minha gente, ela era uma das mais lindas e cobiçadas garotas da faculdade de jornalismo. E aprendemos muito da vida juntos. Ah, sim, não fui eu quem chegou nela, ela é que praticamente me agarrou. 

 

Acho que conquistei a “Lu” com o que eu tenho até hoje de melhor: papo furado, criatividade, romantismo e intensidade. Aquela garota levou minha estima para a estratosfera. Sofri muita resistência por parte da família dela em me “aceitar”, sobretudo do pai, o que se repetiria outras vezes, com outras namoradas.

 

O homem deficiente, muitas vezes, é visto como alguém que não pode “proteger” a donzela. O que é uma balela, uma vez que ser protetor nada tem a ver com ser parrudo, com ser uma pessoa “andante”. Pra mim, com inteligência, com dedicação, com atenção se garante muito mais aconchego do que com porte físico.

 

De lá para cá, acho que aprendi o “caminho das pedras” e tirei o atraso Muito feliz. Sei bem o que posso e o que não posso. Sei o quando o gostar, o amar, o se envolver tem muito pouco a ver com características apenas físicas. Atualmente, com a internet, com as redes de relacionamentos, acho que tudo está um pouco mais fácil. Em toda parte tem chinelo velho para pés cascudos. O que não dá é pra se vestir de impotente, de “óh céus, óh vida” nunca terei ninguém. Todo mundo quer amar, todo mundo quer ter alguém. Basta a gente “se preparar” para merecer grandes amores. 

 

 

Penso que um relacionamento não pode ser baseado na condição física de um ou de outro. Namorar, casar, conviver com alguém vai muito mais além do ser ou não “perfeito” Aceitar-nos exatamente como somos deve ser o primeiro passo. Ninguém vai se sentir feliz ao lado de outro que não se aceita. Podemos e somos lindos e por que não dizer sexy usando uma cadeira de rodas, muletas, bengala, tendo ou não um braço, uma perna ou qualquer outra deficiência?

 

Estar disposto a se mostrar pro outro vale a pena. Vai sem medo, sem receio de quebrar a cara, afinal sendo ou não da matrix sofrer uma desilusão amorosa faz parte da vida. Procurar encarar as situações desagradáveis, que inevitavelmente irão acontecer (e elas acontecem mesmo, não importa se você é ou não um malacabado) como amadurecimento ameniza mais a dor.

Nunca se colocar na posição de vítima, seja em relação ao coração ou a qualquer assunto das nossas vidas. Penso que um relacionamento vai longe se existir afinidade, respeito, lealdade, desejo e admiração. E despertar desejo é possível...criatividade é tudo!

 

 

 

No dia em que tomei consciência do que eu era, do meu potencial como homem, como amante, como um cara capaz de fazer uma mulher feliz, tudo ficou mais fácil. A adolescência e começo da juventude podem ser menos complicados se a gente conseguir acalmar a expectativa de que tudo aconteça de imediato e se a gente tiver a noção de que precisamos ter “diferenciais” em relação aos fortões, aos loiros de olhos azuis, as dançarinos natos, aos surfistas bronzeados.

 

Porém, o pior que pode acontecer é se travestir de coitado eterno. As pessoas se escolhem, se acham, se atraem e se desligam, independentemente da condição física. E esteja preparado para ser o “pé” ou ser a “bunda” na sua vida amorosa. É assim com tudo mundo. Mas também se prepara para viver grande amores... basta você querer e fazer por onde ser amado.

* Como não sou bobo, só coloquei fotas da gatíssima da Carina ilustrando post o lustrando nos "zóio"! As imagens foram feitas pela minha amiga querida Kica de Castro (kicadecastro@gmail.com) e também são do arquivo pessoal da Carina Queiroz

Escrito por Jairo Marques às 00h43

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PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 37, jornalista pela UFMS e pós-graduado em jornalismo social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999. É colunista do caderno "Cotidiano".
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