Assim como você
Assim como você
 

A sua viagem dos sonhos

No começo da semana passada, contei um pouco como foi uma viagem “maraviwonderful” que fiz à Espanha, país que dá exemplo em promover a acessibilidade e que tais...  Mas, não dá pra ficar tomando sorvete na frente de meninos “lombriguentos” sem tomar uma atitude, concordam? surpreso

 

Então, tcha nammmmm... tenho uma surpresa para todo mundo que ficou com vontade de dar uma “viajadinha” ou um “viajandão”, fica a gosto do cliente! Calma, sossega que eu vou explicar, mas só porque eu sou um “minino bão” e viajado (pode dizer, pode dizer que sou “inzibido”).

 

Com diz aquela música da Xuxa, “Imagine...” (gente, to meio surtado, hoje, né? Muito triste) um ‘malacabado’ conseguir fazer um tour com tudo dando certinho, fazer turismo, que é um direito de todo cidadão, de uma forma relax, sem ficar na pilha de que algo não vai dar certo... Tá achando que isso só vai rolar depois da dominação do mundo por parte dos matrixianos?

 

Nem é! Agora, em São Paulo, existe uma agência de turismo que está se propondo a ser especialista em dar aquela “hand” para esse povo sem perna, sem braço, muletante, puxador de cachorro, que não escuta, mas quer viajar pelo Brasil e pelo mundo de uma forma tranquila.

 

 

Os “pessoais” pensam em tudo: nos passeios, no hotel, no translado, nas dicas do que fazer. Muita gente com deficiência nunca viajou com medo de não conseguir sevirar.com.br. E realmente num é fácil encarar um mundo que é hostil às diferenças. “Beleza, véio doido, mas eu sou tetrão, mamulengão e preciso de assistência especial, de alguém do meu lado pra ajudar a tocar os pernilongos. Entorpecido Eu faço o que, choro?”.

 

A agência também dispõe de profissionais que, garante ela, são habilitados para te dar aquele help. Todos os roteiros que eles oferecem foram testados. E, caso você queira ir a um lugar fora da agenda deles, eles irão caçar a forma mais viável pra o “matrixiano” num padecer (muito, porque um pouquinho a gente já tá vacinado Rindo a toa)

 

Agora, senta e fecha a boca pra num babar no teclado. Advinha quem vai criar o slogan da Accessible Tour? Ocê, nego!!! surpreso

 

Calma, calma... quem criar a melhor frase... ai, ai... vai viajar de GRÁTIS!!!! Com os próprio acompanhante!!!!  Serão duas opções a escolha do ganhador: um final de semana no Rio de Janeiro (ai, gzuis, aquelas praias, aquelas ‘minina’ das Ipanema Muito triste), ou um final de semana em Foz do Iguaçu (ôh, pai, as cataratas, o verde, o Paraguai ali do ladinho Muito triste).

 

 

As regras tão aqui em baixo!!!! Desanimado

Escrito por Jairo Marques às 00h01

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Vamos às regras:

 

Quem pode participar? Todo mundo. Matrixianos (pessoa com deficiência física ou sensorial) e infiltrados! (pessoas que não tem nenhuma deficiência, mas se empenha para que o mundo seja mais pleno para todos!)

 

"Infiltrado poooode, tio?" Pode, maaaaas... caso o vencedor seja uma pessoa sem deficiência, NECESSARIAMENTE, o acompanhante precisa ser um “malacabado”. A ideia é fazer esse povo viajar, então, assim, a gente não exclui ninguém, mas mantém o propósito do concurso!

 

Pra concorrer, é preciso criar um slogan de até cinco linhas para a Accessible Tour. Você pode participar com quantas frases quiser.  Mas cada criação deve estar em um email diferente. O título da mensagem tem de ser: “A viagem dos meus sonhos” e precisa chegar impreterivelmente até o dia 31  de julho no email jairo.marques@grupofolha.com.br. Coloque seu nome, endereço e um telefone de contato.

As frases criadas serão enviadas para cinco jurados que estão espalhados pelo país e pelo mundo e só serão conhecidos no final da promoção. Eles irão escolher cinco slogans e um deles será o premiado.

Os diretos da frase ganhadora, que poderá ser modificada, ficarão cedidos para a agência que promoverá a viagem e ficará responsável pelos custos.

Contestações e dúvidas ausentes das regras e dos detalhes da viagem vão ser sanadas pelo blogueiro (o tio mesmo) e  pela agência.

O ganhador fica no direito de transferir sua viagem apenas e exclusivamente para uma pessoa com deficiência, que poderá manter o acompanhante e demais direitos, desde que respeite as datas e critérios estabelecidos.

O acompanhante irá ficar no mesmo apartamento que o ganhador, que deverá usar o prêmio entre 10 de agosto e 30 de outubro (não valido para  feriados , feiras,  congressos e estará sujeitos a disponibilidade). Apos confirmada a viagem não serão permitidas alterações ou cancelamentos, pois isso implicará na perda do premio.

 

Mas o que vai ganhar, direitinho?

Se escolher a viagem para o Rio de Janeiro

 

 

 

 

 

 

Passagem aérea ida e volta em classe econômica promocional 

Duas noites de hotel categoria turística com café e taxas; traslados de chegada e saída (ninguém via ficar perdido que nem cachorro que cai do caminhão de mudança surpreso)

City tour pelo centro histórico e praias;

ingresso para o corcovado e para o pão de açúcar

 Se escolher Foz do Iguaçu:

 

 

 

 

 

Passagem aérea ida e volta em classe econômica promocional.

Duas noites de hotel categoria turística com café e taxas; traslados de chegada e saída.

Passeio pelas cataratas brasileiras, pelo Parque das Aves, pela hidrelétrica de Itaipu e pelas Cataratas Argentinas.

 

 

 

 

Então, "zente", tô contente em promover esse concurso. Deixo claro que não há nenhum acerto financeiro por ele. É mesmo uma forma de fazer esse povo que nunca teve a "oportunidadchi" de viajar a passeiro, sentir o gosto bom de conhecer um lugar novo! Conto com a participarção e divulgação de todo mundo. Uhrúúúú

 

* Imagens retiradas do Google Imagens

Escrito por Jairo Marques às 00h00

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Mais uma chance

Povo, vai rolar mais uma chance para ver um espetáculo “maraviwonderful” que, para mim, é um dos símbolos máximos da dominação do mundo pela Matrix: o Noturno Cadeirantes.

Quem ainda não teve a chance de assistir ao musical precisa agora firmar a ideia de ir! O grupo, cheio de “gatenhas” Rindo a toa, está completando seis anos e promete, como sempre faz, “arrupiar” a platéia com um show de dança, de graça, de beleza, de talento e de emoção.

Pra quem ainda não sabe nada sobre o grupo, é só clicar no bozo que eu, como “minino bão”, explico melhor. Brincalhão

 

As criaturas da noite

 

Eu tenho medo de ver...  As criaturas da noite

 

Estátuas sem rosto me olhando, eu já vi

 

As criaturas da noite. O noturno véu

 

Porcelana, Lua de luz violeta. Brilha de néon no céu.

 

Porcelana, Lua de luz violeta.

 

Quem quiser ir, precisa se apressar, vai bombar e os ingressos já estão acabando! Muita gente me pergunta sobre os espetáculos, então, tá ai a dica! O tio, claaaaro, vai estar todo pimpão!

 

Mai, quando que é? Em julho, dias 3 (sexta), às 21h, e dia 5 (domingo), às 20h

E onde que é? No teatro Dias Gomes, que fica na rua Domingos de Moraes, 348, pertinho da estação Ana Rosa do Metrô. Para quem for de xaranga, há estacionamento em frente, dos lados, atrás..surpreso

E quanto que é? Na hora do show, os ingressos custam R$ 40 (vulgo, quarenta mangos). Se comprar antecipado, com o elenco, paga R$ 15

Quer saber mais? 5575-7472 ou http://menestreis.campogeral.com.br

 

 

* Trecho da música "Criaturas da Noite", de Oswaldo Montenegro

** Fotos de Ricardo Feres / Divulgação

Escrito por Jairo Marques às 00h12

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O meu Baloubet

Como eu já sou um senhor de idade avançada, cheio de dor nos quartos, nos quintos Rindo a toa, resolvi sair catando as moedinhas que tinham espalhadas nos cantos de casa e comprar um cavalo (que os mortais costumam chamar de cadeira de rodas) daqueles “raçudos”, bonitões e caaaaros que só um "diacho". Chega de andar de pangaré estrebuchado, né, não?!

Uma boa cadeira de rodas, como eu já falei um pouco por aqui, é cheia de frescuras para garantir uma boa postura, um bom posicionamento para tocar os aros e leveza pra facilitar jogar a bicha daqui para acolá.

Ainda vejo muita gente usando cadeiras manuais padronizadas, que custam menos, mas dão menor independência e exigem mais do muque pro “galope”.  As “elétricas” não têm muito jeito. Há alguns ajustes, mas não rola de fazer grandes mudanças.

Mesmo quem é tetrão, mamulengão dos braços Muito triste, pode tocar uma cadeira manual. Vai ser mais custoso, mas dá certo e há adaptações que ajudam! Mas, bora voltar para a minha aquisição (xiki isso, eu sei Legal).

Uma cadeira ideal precisa ter tudo medidinho. A altura e a inclinação do encosto das costas, a altura dos pedais onde descansam as pernas, a largura e a profundidade do acento, a altura em relação ao chão.

Também é preciso determinar um centro de gravidade, pra mode o caboclo num empinar para trás e bater o coco no chão e também para facilitar a impulsão tanto para “andar” como para vencer obstáculos (o que não faltam nas cidades, né, não?).

Tudo isso, na hora que o malacabado (mlkbd, né, Marieli Muito triste) monta na cadeira faz uma diferença enorme de postura, de comodidade e também estética, porque a gente baba um pouquinho, mas quer ser bonitão, ora pois.

O cavalo que comprei é um Baboubet... surpreso Se lembram dele? Era um alazão bonito que saia pulando os pau, os tronco “véio” e ganhava um monte de competição de hipismo mundo afora com o cavaleiro Fernando Pessoa. Ai, nos jogos olímpicos de Atenas, todo mundo querendo ver o galope do bicho, todo mundo esperando as medalhes e ele só fez foi refugar Rindo a toa. "Ingual que nem" o Diego Hipólito, manja aquela “bundada” no chão? Muito triste

Mas ai você me pergunta. “Uai, mas por que o tio num comprou logo um manga larga, um cavalão formozurento?”. “Zente”, ai porquinho onde guardo as moedas não agüentava. Tonto

As melhores cadeiras de rodas, infelizmente, ainda são importadas, feitas em titânio, que custam um caminhão dos grandes lotado de dinheiro. Acho um abuso, um absurdo, pagar R$ 10 mil, isso mesmo, dez mil "renais", por algo básico pra eu colocar a bunda em cima.

E muitos questionam: “O governo num ajuda, num subsidia?” Nada. Os impostos de importação incidem normalmente. É da Matrix, nego?! Tooooma. Cê que se lasque para conseguir algo básico: um meio para se locomover. (óia a brabeza Abismado)

A minha foi bem cara para os padrões brasileiros. É fato. Mas cortei muita lenha e amassei muito barro pra poder comprar, viu, povo. E o que ela tem de especial? Vamos lá:

Coloquei rodas importadas (tô podendo, fala Rindo a toa) chamadas spinergy. São muito, muito leves. Quase a metade do peso das tradicionais. A vantagem é que o peso total da cadeira diminui e facilita demais pra mim (e pra qualquer pessoa, claro) quando preciso desmontar a bicha sozinho pra colocar na kombi.

Os pneus traseiros, juro, são maciços! Uuuuia surpreso. Eu resolvi apostar que o negócio funcionava bem e, me surpreendi positivamente, são ótimos e não dão impacto que machuca o popô (sim, tô Priscila, hoje). É as própria tecnologia, “zimininos”. Sempre tive cadeiras com pneus infláveis, que precisam ser calibrados e furavam, esse de agora (shox), pelo que parece, foi um salto de “qualidadchi”.

Nas rodas dianteiras coloquei umas que se chamam soft holl. As danadas possuem amortecedores que diminuem “di certeza” o atrito com o chão. Então, acredito que meu cérebro irá ‘balangar’ menos e, quem sabe, consequentemente, eu num aprumo na vida? Muito triste

Se eu num vou contar onde comprei e qual o modelo? Olha, “pessoais”, foi numa fábrica lá do Goiás, mas a dor de cabeça para receber o produto (SETENTA DIAS, mais do que um carro), que paguei antecipadamente, foi tanta que me recuso a falar o nome. Sem falar que acho que o dono dá uma explorada básica porque a concorrência no Brasil é muito pequena.

Foi um parto receber o cavalo, mesmo tendo eu deixado praticamente as cuecas na empresa para honrar o pagamento. Só digo que é um lançamento e que, aparentemente, me parece bom. Se acharem muuuito válido, depois eu abro o jogo Convencido nos comentários, fechou?

Por fim, digo que estou mais bonito do que filho de barbeiro desfilando com o meu Baloubet cromado e com detalhes em vermelho. O pessoal da redação do jornal tá dizendo que fiquei mais fashion (ainda). Sei, não... tô achando é que querem darem umas galopadas!  

* Imagens retiradas do Google Imagens

Escrito por Jairo Marques às 00h00

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Minha viagem dos sonhos...

“Zente”, o primeiro desafio para um “malacabado” viajar sozinho é convencer aos outros que ele vai, sim, sozinho. Porque quando estamos na “radoviara” ou no “zoroporto” é uma perguntação da gota serena:

“Uai, cê tá perdido?  Mas vai sozinho como? Num tem ninguém pra te ajudar? Cê num tem medo? Sua mãe sabe? Tá fugindo do hospital? Mas vai fazer como?” Só por Nossa Senhora da Bicicletinha, mesmo, viu... Carente

Cadeira de rodas num é sinônimo de impossibilidade crônica de viver, se divertir e de viajar, “ziminos”. A gente passa uns apertos, uns sufocos, chega perto de dar o “quentão” Muito triste, mas consegue se virar.

Se o deficiente ficar pensando em tudo o que pode ser complicado, todos os empecilhos, tudo o que não estará a contento durante uma viagem, é “di certeza”, ele nunca vai sair de casa.

O maior desafio turístico que encarei até hoje foi a primeira vez que fui pros exterior.  Aqui no Brazil a gente chora e todo mundo acode rapidinho, agora, num lugar onde você fala e ninguém entende, o bicho pega.

Minha mãe começou a chorar um ano antes da viagem Rindo a toa.  E lá fui eu testar mais uma vez os tais limites de ser “malacabado”. Pra onde que eu fui? Pra Espanha! (metiiiido! Insatisfeito).

O impacto a gente sente logo no avião. Dez horas tendo de meditar bastante para abstrair a vontade de dar aquela urinaaaaada. Para tudo. Num tá achando que existe banheiro acessível dentro desses urubuzão, né? Carente

Se a coisa apertar muito, o jeito é xixizar num copinho por debaixo das cobertas.  Para quem faz xixi pelo canudinho, tem de ir com um saquinho amarrado nas pernas, mas, isso a gente tira de letra.

Cheguei a Madrid cedinho.  Aquela mistura de medinho, com ansiedade, com vontade de ir ao banheiro Muito triste. E estrangeiro é tudo igual, nego. Ser cadeirante, muletante, puxador de cão-guia não dá credencial pra se livrar das fiscalizações, não.

O impacto de um país onde costumes, arquitetura, formas de expressão são completamente diferentes do Brasil é muito grande. E eu senti isso logo no primeiro dia.

Fiquei em um hotel bem centralizado e próximo aos principais atrativos da cidade: museus, bares, vida noturna, praças, palácios. Uhrúúú... tava lindo na fota! surpreso

Era verão e fazia um calor de estourar mamona, de fritar ovo no asfalto, de derreter as borrachas da cadeira de rodas.

E lá fui eu, todo “formozurento”, encarar as ruas madrilenhas. O lado “inacreditível” é que em qualquer buraco, juro, qualquer buraco, tinha rampa. E num eram essas rampas estrumbicadas que a gente conhece, não, eram certinhas, de inclinação fácil de ser vencida, com piso tátil, uma belezura.

Povo, e eu comecei a “andar” sem parar. Tava mais feliz do que porco na lama por conseguir transitar de boa pra todo canto. Acontece que o calor da Espanha é seco. O caboclo vai fervendo, vai fritando e não sua (tem malacabado que não sua, naturalmente, mesmo), não percebe que sua energia vai se esvaindo.

Quando eu percebi que num “guentava” mais tocar o cavalo já tava perto de desmaiar. Embaraçado E, um detalhe que fui percebendo: ninguém, mas ninguém meeeesmo oferece aquela “hand”, aquela ajudinha básica, aquela “quer uma carona?”.

“Gzuis, que pessoais mais trapaiado que num ajuda a gente”, pensei. E só fui sacar a razão disso bem mais tarde.

Em vários países mais desenvolvidos que nós, tipo quase todos Rindo a toa, o costume é não ficar tocando nas pessoas, sobretudo quando elas não pedem. A lógica é: tem tudo acessível, ruas, transporte público, bares e restaurantes, então, sevira.com.br.

Caso o “matrixiano” precise de ajuda, então, é o próprio “esgualepado” quem tem de pedir auxílio. Caso contrário, vai ficar lá curando no sol, viu?! Emotion. E não tem nada a ver com falta de educação, com formação.

Depois de recuperado da insolação Abismado, toca passear mais. Fui a um palácio mega ultra blaster bonito, a igrejas, a outros museus. Na Europa, construções históricas, com arquitetura muito antiga são mais “compricosas” de ter acessibilidade, mas, mesmo assim, em algumas partes sempre é possível entrar com a cadeira. Se há três degraus, eles colocam ali um elevador.

Museu do Prado, que é totalmente acessível, em Madrid / Imagem de divulgação

A Espanha é cheia de “plazas de toro”, que são locais onde rolavam as touradas (ui). Atualmente, são só locais de lazer rodeados de botecos. As ruas no entorno das “plazas” são todas de paralelepípedos que fazem o cérebro de um cadeirante virar um mingau de tanto que balanga. Tonto

Mas, eles pensaram na gente! Uhrúúúu! Em toda rua antiga há sempre, uma espécie de caminho, no centro, bem lisinho, onde dá pra transitar super tranquilamente.

Bem, mas nessa de ir pra lá, ir para acolá num é que me fura o raio do pneu da cadeira? Para tudo. Num sabia que os nossos pneus arriavam? Agora, me diz, como é que eu ia explicar em espanhol que eu precisava de uma "hand" pra consertar o bicho?

Olha que eu até engano bem em Espanhol, mas dizer que o pneu estava furado era broca! (Para os curiosos é algo do tipo: El neumático se pincho, la rueda esta pinchada). Não me lembro bem (é a idade, é a idade Sem jeito), como resolvi o problema, mas, deu tudo certo.

E tive outras dezenas de perrengues lá pela Espanha. O banheiro que tinha banheira dentro do box e tive de tomar banho de copinho; entender que “autobús de planta baja” é um ônibus que, podem acreditar, murcha dos lados, é, ele “murcha” Rindo a toa, e fica mais baixinho pra mode a gente entrar com o cavalo e aprender que “salir de copas” era algo básico pra mim: encher os canecos de pinga. Muito triste

Contudo, acho que até hoje aquela foi a minha viagem dos sonhos, a que eu mais me expus, mais consegui aprender a me virar (uuuia) e a que mais me senti livre e independente em diversos sentidos.  

Enfim, é impossível, penso eu, prever todas as situações que vamos passar como matrixianos em outros países. E cada um tem uma "necessidadchi" diferente. Contudo, quando há informação, há alguém especializado para nos dar dicas e nos avisar do que poderemos ter de enfrentar, nos expor, fica mais fácil.

Os “normais” procuram assistência em uma agência de turismo e, nós, os “malacabados”? É, “zimininos”, quando digo que acham que vivemos num mundo paralelo num é sem razão. Turismo acessível ainda é algo muuuito recente no Brasil... mas tá mudando... tá mudando... até o final de semana, eu devo dizer a vocês o porquê!

* Imagens do Google imagens 

Escrito por Jairo Marques às 00h01

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No cheque especial

Pessoal, nesta semana fiquei em débito com o blog, praticamente entrei no vermelho, né, não? surpreso

Mas tá broca, viu?! Tô "gribado", provas da molecada na facul, palestra, enfim.... tô realmente bem "malacabado"! Muito triste

Bom final de semana pra todo mundo e espero que segunda eu consiga trazer algo "bacanudo"

Beijos nas crianças...

* Imagem retirada do Google Imagens

Escrito por Jairo Marques às 08h59

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Quando a ficha não cai

“Arô, Márcia?! Cê tá boa, fia?! Ai ‘minina’  tô no zorelhão porque o celular tá sem crédito. Só no dia 5, agora. Mas dá pra falar bastante com ficha. O duro é que acho que vou ficar com dor nos quarto porque essa casinha aqui é baixinha demais da conta.”

 

 

“Zimininos”, então.  Telefone público acessível já é uma raridade (os especiais para surdos, praticamente inexistentes) e quando tem um a nega se “dipindura” e nunca sai nunca mais? Ah, gzuis me leva que eu to pronto, né?! Tonto

Mas eu já descobrir porque as pessoas adoram usar o orelhão dos “malacabados”. Como ele é mais baixo, as pessoas aproveitam para se escorar no aparelho. Saca um povo com amarelão que não pode ver um canto que já tá se encostando? Então Rindo a toa.  Bota reparo que vocês vão comprovar o que tô dizendo.

Moço, espera ai que é rapidinho. Vou só passar a receita de frango da Zana Maria Brega pra minha cunhada”... Pô, rapidinho é o demônio da tasmânia Rindo a toa. E fica  lá o cadeirante esperando “a vez” dele para dar uma ligadinha.

 

 

Não sou radical em achar que o telefone acessível tenha de ser exclusivo. O que é dose de leão é ver que as pessoas têm outras opções públicas para ligar, mas optam pelo mais cômodo, o que vê primeiro. Acredito que haja também desconhecimento... gente que ache que o símbolo universal da acessibilidade seja um enfeite, um "grafite"... Entorpecido

Contudo, se liguem no caso da fota acima, que é do meu brother Arthur Calasans, feita no centrão de São Paulo . Há um orelhão convencional vago do ladinho da moçoila.

Pra cadeirante e gente pequena as opções são em menor número do que para os não “matrixianos”, logo, um pouquinho de bom senso ajuda, né?!

Escrito por Jairo Marques às 00h00

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Mais cachorrada

Povo, agora vejam na prática como se faz o "au au" trabalhar pra esse povo sem braço, sem perna, cadeirante e mais folgado do que colarinho de palhaço! Convencido

Está semana tá puro sufoco pra mim, mas tô fazendo de tudo para que na sexta, tenha uma "novidadchi" bacanademais.com.br por aqui.

A tradução e a legenda do filminho cachorrudo é da Silvetz Dutra!

 

 

 PS: Pessoal, como a janela do vídeo é muito grande, deem dois clicks que ele irá abrir em outro local e poderão ver direitinho, tá bão?!

Escrito por Jairo Marques às 08h05

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Bote seu cachorro pra trabalhar!

“Zimininos”, podem acreditar, cachorro não é só para abanar o rabo, criar carrapato e puxar o povo cego na rua atuando como cão-guia. Rindo a toa

 

É possível ensinar ao seu tomba lata que tá se coçando por ai a fazer pequenas atividades do dia a dia como apagar a luz, buscar objetos, abrir portas e até dar uma puxadinha na cadeira quando bater aquela “lezeira” básica. Muito feliz

 

A minha leitora Maria Carolina, aqui de São Paulo, dá umas dicas “supimpas” de como fazer o “lulu” quebrar seu galho. Muita gente havia me perguntado de os próprio cachorros podem ajudar cadeirantes, além dos cegos, então, a resposta começa hoje!

 

As ilustrações são do parceirão Marcio Baraldi!

 

 

Sorte

Para que serve um cão? Se você respondeu que é para buscar bolinha, fazer carinho e te lamber quando você chega, saiba que você está completamente, redondamente e totalmente certo. Mas ele não serve só para isso...

 

O seu super Tabajaracão pode também aprender a acender e apagar a luz, trazer objetos específicos como controles da TV, roupas e seu chinelo ou até chamar algum "infiltrado".

 

E olha que ele nem precisa ser assim um gênio-cão... Basta que você ou o infiltrado ao seu lado tenha paciência e petiscos interessantes.

 

Como fazer isso? Anote aí tudim: Convencido

 

Primeiro ache o cão, tire a meia suja da boca dele Muito triste, arrume uns petiscos e prepare-se para a aula. Os petiscos podem ser salsichas de frango (porque não têm corantes), petiscos para cães tipo bifinhos desidratados, pedaços de frutas ou a própria ração, se ele for esganadinho.

 

Corte a salsicha ou as frutas em pedaços beeeeem pequenos. Os petiscos servem só para motivar e, se forem muito grandes, ele vai ter que parar para comer e perderá o interesse logo. Não use bolachas para cães porque elas esfarelam e o aluno-cão vai perder um tempão até pegar todas as migalhas. Alguns alunos podem precisar de outros estímulos como carinhos ou um “pega a bolinha”. Use o que ele mais gosta.

 

 

Para facilitar a vida, vamos usar um negócio chamado target. Pode ser uma varinha, um post-it (aqueles bilhetinhos que colam) ou um pedaço de papel (escolha somente um e use sempre o mesmo).

 

Mostre ao cão. Curioso como eles são, vão cheirar o objeto. Imediatamente, diga “MUITO BOM, ISSO MESMO” e dê um pedacinho do petisco. Repita isso umas 3 ou 4 vezes e pare. O segredo do adestramento é deixá-lo sempre motivado. E aulas grandes são chatas pra caramba! Tonto

 

Repita o mesmo treino mais tarde ou no dia seguinte. Você pode fazer várias aulas por dia, desde que elas sejam sempre curtas e o cão esteja motivado (babando pelo petisco). Pode começar a variar a posição do target também. Ponha em lugares mais baixos, mais altos, na parede, em você mesmo. O cão estará “pronto” quando ele for sozinho até o objeto e encostar o nariz nele. Esse é o objetivo.

 

Para ensinar a acender e apagar a luz: coloque o target um pouco acima do interruptor e deixe que o cão pule para alcançá-lo. Se ele bater no interruptor diga MUITO BOM e premie. Quando ele estiver “craque” passe a dar o comando “LUZ” (ou outro que você escolher) antes de colocar o target no interruptor.

 

Logo ele entende o que significa a palavra e se adianta ao target. Parabéns! Ele aprendeu... Não se esqueça de sempre “pagar” pelo serviço - funcionário motivado sempre trabalha melhor. Muito triste Mas só premie quando ele obedecer o comando. Se ele fizer SEM que você tenha usado o petisco ou o comando, ignore...

 

 

Se ele tiver dificuldades para entender como alcançar o target, comece com o objeto encostado na parede, mas embaixo, de forma com que ele consiga encostar o nariz sem esforço, e vá subindo até ele entender o que precisa fazer.

 

Cães pequenos podem ser ensinados a usar um sofá ou cadeira como apoio. A parte de pular no interruptor não é recomendada para cães acima do peso, com mais de oito anos, problemas de coluna e cães das raças Teckel (o salsichinha) e Basset Hound. Ensine a parte do target que será bem útil nos próximos treinos.

Escrito por Jairo Marques às 07h53

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É só uma grande história de amor

Não posso negar que tenho tido sorte ao longo da vida deste diário. As histórias mais surpreendentes e mais ligadas às temáticas que pretendo abordar vão surgindo como se uma força invisível dissesse: “Agora, veja se inspire nisso”.

 

Fecho a Semana dos Namorados, no dia 12 de junho, com a deliciosa e surpreendente história de amor entre Giuliano e Márcia... Em um mundo em que tudo para quem tem uma deficiência ainda parece complicado e romance é um capítulo cheio de tabus e meias verdades, este casal mostra que para ser feliz, às vezes, é preciso apenas um “olhar” pelo outro... um “caminhar” pelo outro....

 

 

“Na hora em que você menos espera, o amor acontece. Foi assim com a gente. Nunca imaginei que iria conhecer um deficiente visual e me apaixonar. Recomendo que as pessoas da “Matrix” não fiquem isoladas, escondidas em casa. Que conheçam gente, que saiam, abrindo campo para que outros possam se achegar a você.” (Márcia)

 

 

 

 

“Nosso amor é diferente do dito normal, ele se completa. Eu não vejo, ela não anda, ela vê por mim e eu ando por ela, e juntos nos completamos naquilo que nos falta em nosso físico.” (Giu)

 

 

 

“Nós nos respeitamos muito. Um sempre um ajuda ao outro. Todo casal tem suas briguinhas e, as nossas acabam sempre muito rápido. O que nos ligou a ponto de casarmos foi a necessidade de estarmos sempre juntos.” (Márcia)

 

 

“No primeiro dia dos namorados que passamos juntos, fiz uma surpresa: Primeiro dei um presentinho bem simples: alguns sabonetes em uma caixinha, e uma rosa. Falei que estava sem dinheiro e que era só uma lembrancinha.  Passeamos em um parque e, à tarde, quando ela foi tomar banho,  deixei outro presente em cima da cama dela, uma jaqueta vermelha e, ela ficou super contente!  Depois, fomos a um jantar romântico a luz de velas, e lá, deixei tudo combinado com o “maitre”. Quando dei o sinal, ele veio até a mesa com o outro presente, que era um coração grande e vermelho e um cartão que,  no final, eu a pedia em casamento. Ali, coloquei a aliança em suas mãos.” (Giu)

 

 

 

“Quando nós saímos juntos, as pessoas não percebem que o Giu é cego porque os olhos dele são perfeitos. Então, quem o vê, pensa que ele é “normal”, e que está me levando pra passear. Isto sempre acontece. Quando vamos ao shopping, por exemplo, nós andamos de mãos dadas, um ao lado do outro, só que eu vou dando alguns toques na mão dele quando vêm alguém de frete, ou ao lado. Muitas vezes, tenho que puxá-lo mesmo pra ele não trombar com alguém ou com algum obstáculo. Em lugares com  muitas pessoas, aí eu coloco sua mão no meu ombro e peço para ele vir atrás de mim e ele segura na parte de trás da cadeira, como a me conduzir.” (Márcia)

 

 

 

“Sim, eu vejo a beleza dela, mas não externa que todos podem admirar. Eu vejo a interna e sei que ela é linda. Nós não andamos de mãos dadas na praia, porém perto do mar nós caminhamos de corações unidos.” (Giu)

 

 

 

 “O dia do nosso casamento foi lindo, maravilhoso, mesmo. Aconteceu em um sítio em Mairiporã (interior de SP), e fez um dia de sol intenso. Tudo estava perfeito.” (Márcia)

 

 

“Na festa do casamento, durante a sessão de fotos, nós começamos a nos beijar para os fotógrafos tirarem as fotos e, nos empolgamos um pouco e um deles gritou: LAAAAAARGA!” (Giu)

 

Márcia e Giuliano estão juntos há quatro anos. Ela ainda está o convencendo a terem filhos! Ela é analista financeira, ele é assistente operacional. Eles se conheceram fazendo teatro. Detalhe: teatro no famoso grupo aqui deste blog, o "Menestréis Cadeirantes".

 

As fotos extasiantes do casal, só poderiam ter sido feitos pela minha querida amiga Kica de Castro (kicadecastro@gmail.com)

Escrito por Jairo Marques às 00h00

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No outro Lado da Matrix!

Minha leitora há muuuuito tempo, a Su Melo, lá das Minas Gerais, pediu uma pequena “assessoria” pra mim quando se apaixonou e se aproximou de um cadeirante.

 

Desde que comecei o blog, pedidos de “dicas” para dar aquela namoradinha básica com um “estropiado” são frequentes. Talvez isso queira dizer que tamo abalando, será, não?! Convencido

 

 

Eu dei uma "hand" a ela e, em contrapartida, pedi para que me relatasse como foi esse romance, como era o "outro lado da Matrix" quando se relaciona com um deficiente. O resultado eu publico hoje, seguindo a semana dos namorados. 

 

 

É um texto emotivo, divertido e “maraviwonderful”, agora na perspectiva feminina, sobre como “garrar” um “malacabo”! Quem quiser ler o texto do Rapha Bathe, sobre o olhar masculino, é só clicar no bozo! Brincalhão

 

Boa leitura, e volto na sexta, porque amanhã é feriado! Uhrú

 

 

Sorte

Escrito por Jairo Marques às 00h39

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Um dia acordei e percebi que no mundo existiam degraus demais e rampas de menos, isso por que no dia anterior olhei de maneira diferente para alguém que não era compatível com degraus! E sabem de uma coisa, que legal, que feliz poder olhar para uma pessoa e  ver diferenças, sem se perguntar como será que ele faz isso ou aquilo, o bom mesmo da vida é ter coração aberto, aceitar que  somos todos seres únicos, cada qual com suas peculiaridades.

 

As historias sempre acontecem de maneira bem inusitada na minha vida, essa não foi diferente, me deixar cair pelos encantos de um cadeirante foi uma das melhores coisas que me aconteceram, pelo crescimento que isso me proporcionou como pessoa, como cidadã e claro pela paixão que por si já valeu muito a pena! Vai ser feliz lá longe!! Rindo a toa

 

Hoje em dia o apelo estético é “imposto” pelos mais variados meios de comunicação, a beleza cada dia mais agrega o conceito de perfeição. Mas eu vivo me perguntando o que é perfeição? Seriam as mulheres com nomes de frutas, seriam certos batalhões de homens mostrando em calendários os seus músculos definidos, será mesmo que isso é perfeição, quem disse que beleza é perfeição?! Meu namorado é super bonito (modesta demais) e é perfeito aos meus olhos, me apaixonei pelo jeito sincero, pelo “cara boa praça” que ele é, pela gargalhada boa que ele tem, pela boa companhia que ele se faz com seu jeito inteligente, pelo seu olhar que me desconcerta..Vou parar de falar se não as meninas vão querer o endereço dele!! Carente

 

 

 

Não pensem, meninas, que namorando um cadeirante a concorrência é menor, pelo contrario, os cadeirantes “desencanados” tem um charme todo especial, podem espalhar seus encantos em pouquíssimo tempo, é exatamente ai que mora o perigo! Existem algumas coisinhas bem básicas que acontecem de maneira diferente, mas nada que seja um bicho de sete cabeças, alias, quando se convive com pessoas com alguma deficiência percebemos que nada é um bicho de sete cabeças!

 

Agora, uma coisa é fato para “infiltrados” como eu: nesse mundo “Matrix”, é preciso cuidado, pois se você não convive com uma pessoa com deficiência e acha que o “google” te contou tudo, engano seu, cada caso é um caso, as pessoas tem um jeito muito pessoal de fazer as coisas, de reagir em cada situação, é preciso entender que nem sempre a pessoa vai precisar de ajuda e se precisar você vai ser solicitado, isso não é falta de amor, orgulho, é apenas independência e aquilo que por ventura você jurava ser muito difícil, vai ver que no final, não é nada disso!

 

 

Muitas vezes você vai ficar com algumas duvidas martelando na sua cabeça igual ressaca pós baile de formatura, mas para isso uma boa DR (discussão de relação) resolve!! Os homens adooooooram!surpreso Agora cabe à pessoa com deficiência, ser aberto, deixar o outro a vontade para perguntar, conversar sobre suas limitações, a PACIÊNCIA deve ser usada ao ensinar ao outro como ajudá-lo e até mesmo como não atrapalhá-lo!

 

É comum que a pessoa “normal” queira fazer algumas “coisinhas” na frente para tentar facilitar a vida do “malacabado”, isso acontece até de forma automática ou ao contrario também, pode deixar varias coisas espalhadas no meio do caminho, simplesmente por esquecer ou não se dar conta que pode atrapalhar.

 

Contudo, isso contribuiu para que o “infiltrado” fique mais à vontade com todos os detalhes, dando segurança inclusive para responder quando se é questionado o fato de estar com uma pessoa que tem alguma deficiência, e é certo que todos vão te perguntar: família, amigos até o pedreiro que você contratar para dar aquele “up” no banheiro da sua casa e torná-lo mais amplo, acessível. Com um jeitinho todo especial fazemos as pessoas entender que ser diferente todos somos, que o fato de poder andar ou faz diferença sim, diante uma escada, nada além!

 

Meninas, não pensem que aquela famosa “prova de fogo” com a família dele vai ser diferente não, sogros, cunhadas, primas, amigos, veterinário do papagaio da vizinha! Muito triste Não importa, se você é andante, se é cor de rosa, amarelo ou vermelho é milionário ou pobre, família é tudo igual, inclusive a sua!

 

Aahhhh... tem “aquele negocinho” que os casais fazem, que chamamos de sexo!! Engraçado que quando conto a alguém que meu namorado é cadeirante, intimas ou não as pessoas sempre perguntam: Mas funciona!?!?! E eu sempre dou muita risada e respondo: - Dizem que sempre paramos no melhor e se depender de mim eu parei! Bem, como em toda relação é necessário uma boa dose de sinceridade, o famoso dialogo “cartas na mesa”, talvez em um casal que envolva alguma deficiência essas conversas tenham que ser um pouquinho intensificadas no começo, afinal o mapa para chegar até o tesouro pode ter uns “morrinhos” a mais!

 

Conversem, brinquem, se desenhem, se descubram e no final vão constatar que chegar ao paraíso é bem mais fácil que se imagina e depois de descobrir isso vocês vão querer ir lá muuuuuuuuuuuuitas vezes e nessas idas e vindas perceberão que as paginas do kama Sutra que tiveram que ser arrancadas não fizeram a menor diferença, porque no final vocês acrescentaram vaarias outras paginas e para isso é preciso apenas intimidade e IMAGINAÇÃO!

 

 

 

Me lembro que em uma de nossas conversar, perguntei se tínhamos como dormir de conchinha, ele respondeu: Acho que dá sim!! Na prática descobrimos que realmente dá, o problema é que não conseguimos dormir! Embaraçado Seja de conchinha ou de qualquer maneira e ele te jurar “que não vai fazer nada”, é puuuura mentira, meninas nessas coisas os homens não mudam! Tonto

 

Se você não consegue enxergar o outro como igual, então veja graça nas diferenças! E você vai ver que felicidade, paixão, amor, estão além do que podemos conceituar, isso podemos apenas sentir e para isso SE PERMITA! Permita se deixar levar pelas coisas que realmente fazem seu coração vibrar!

 

* Imagens gentilmente cedidas pelo meu amigo Evandro Bonocchi. Estampas da "Legal Camisetas"

Escrito por Jairo Marques às 00h28

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Adolescência

Nesta semana dos namorados, vou começar falando de um momento que, “di certeza”, é o mais complicado para quem é “malacabado”: a adolescência.

 Nesta fase da vida, os grupos se dissolvem um pouco, o corpo muda muito e quem tem algum tipo de deficiência tente a ser ligeiramente deixado de lado no processo de “caça” por uma namorada.

Recebo muitas mensagem de meninas e meninos da “Matrix” narrando aflição com esse tempo da vida, entre o fim da infância e o começo da juventude, com dúvidas do tipo: será que nunca vão olhar pra mim? Nunca vou conseguir um namorado (a)? Por que eu não me dou bem como meus amigos?

“Zente”, para me ajudar a falar sobre isso, chamei reforço Entorpecido. A deslumbrante Carina Queiroz, da Bahia, ficou “mamulenguinha” justamente quando era uma legítima “teen”, aos 18 anos.

 Ela vai escrever em vermelho e eu em azul, ao longo do texto. Boa viagem.

 

    Sorte

Escrito por Jairo Marques às 00h46

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Sofri um acidente de carro que me deixou paraplégica aos 18 anos. Final da adolescência e início da fase adulta, cheia de planos, milhões de expectativas, querendo sugar tudo que a vida estava me oferecendo. Nessa época, já estava no 2º semestre da faculdade de enfermagem. Até então tudo “normal”, uma vida comum como qualquer outro adolescente... De repente, uma mudança radical. Saí de casa andando e depois de mais ou menos um mês voltaria conduzindo uma cadeira de rodas. Precisava me adaptar aquela nova vida, a minha nova forma de andar, a uma nova maneira de viver. Sempre procurei ter a maior independência possível.

 

Nisso o tempo foi passando e a adolescência indo embora, mas como qualquer pessoa da minha idade, paquerava, namorava e esse assunto pós-lesão era o mais difícil de pensar em como resolver. Tinha apenas 18 anos, não tinha maturidade e experiência como “matrixiana”, além das dúvidas e questionamentos típicos da adolescência. Será que eu poderia paquerar um garoto? Será que iria despertar interesse em alguém mesmo numa cadeira de rodas? Será que numa cadeira de rodas eu iria ter um namorado? Como os garotos iriam olhar pra mim? Como seria paquerar, namorar e tudo mais sem ter um corpinho “perfeito”? Talvez a área sentimental tenha sido o maior desafio. Eu não tinha namorado quando fiquei paraplégica e nem pretendia fica solteira o resto da minha vida.

 

 

 

 

Comigo foi bem diferente, como quem é meu leitor há muito tempo já sabe. Entrei na adolescência já montado no meu cavalo. E foi difícil pra mim entender como o meus grandes amigos da infância já não me chamavam mais para ir ao cinema, como as meninas do bairro, muito ligadas a mim, não se aproximavam mais. E tudo foi ficando mais complexo à medida que novos termos começavam a circular nas rodas de conversa: sexo e namoro. Os meninos, aos poucos, iam contando que havia “pegado” a gatinha tal, que haviam beijado a fulana, que haviam “arrastado” cicrana para não sei onde.

 

De “minino bão”, confesso que fui ficando um “minino triste”. Não há rodeios, meu povo, adolescência é cruel para o deficiente uma vez que independência para ir onde quiser, sobretudo nas festas onde rolam a paqueras, e aspectos físicos “bacanas”, o que não é nosso forte, falam mais alto... se é que não gritam, né, não?!

 

A mudança física é complicada. Vivemos numa sociedade que nos cobra um corpo perfeito. Ao me tornar uma cadeirante, sofri mudanças principalmente em minhas pernas que afinaram e a musculatura se tornou flácida. A comparação com as meninas que não eram da matrix era inevitável. Elas andavam, eram consideradas “normais”, podiam dançar, correr, não dariam o mesmo trabalho que eu podia dar com minha limitação. Sempre fui tímida e as paqueras ficavam na troca de olhares, mas sempre receosa por não ter certeza se a paquera era comigo ou não. Meus amigos me cercavam o tempo inteiro numa forma de demonstrar carinho e cuidado e até isso dificultava uma aproximação. Sempre procurei seguir adiante sem criar muitos questionamentos sobre minha vida amorosa e minha condição física, acredito que isso tenha me ajudado.

 

Meu primeiro namorado após a lesão ocorreu mais ou menos dois anos depois. Foi muito legal porque tudo aconteceu naturalmente. Houve a fase da paquera, da gente se conhecer. Nós dois trabalhávamos na mesma empresa e nos conhecemos lá. Ele e a família dele nunca me trataram como alguém diferente, mas o relacionamento não durou muito. O namoro acabou, mas não por eu ser uma cadeirante. Pra mim o mais difícil foi iniciar a relação sexual. Não sabia como seria, como deveria agir, de que forma teria prazer, se eu seria capaz de dar prazer ao meu parceiro e isso sim demorou bastante tempo pra que eu me sentisse preparada.

 

 

 

 

Apesar de me sentir sozinho, as pessoas gostavam de CONVERSAR comigo, sobretudo a mulherada, que queria me contar... dos outros meninos Carente. Nesta época, minha mãe me chamava “carinhosamente” de “pé de santeiro” Rindo a toaEu me apaixonava demais, mas era sempre preterido pelos meninos que jogavam bola, pelos “pé de valsa” dos bailinhos. A minha vida, então, era ler... lia tudo, romances, aventuras, história, bula de remédio. E estudava também. Algo me dizia que o meu “momento do amor” iria tardar mais, mas, com paciência, ele iria chegar.

 

Não vou mentir. Foi barra, foi angustiante. Eu achava que jamais conseguiria atrair alguém com meus cambitos finos, com um jeito meio torto de ser. Contudo, me preparando intelectualmente, sem noção, fui formando minha personalidade que, mais tarde, me ajudaria a ter, digamos assim, um bocadinho de namoradas que dariam para lotar um fusca Convencido

 

Claro que podemos e vamos conseguir ter um relacionamento mesmo sendo da Matrix. Quando eu me tornei cadeirante eu não sabia como iria ser um relacionamento, mas deixei o tempo passar e a vida me conduzir. O preconceito existe, o desconhecimento também. Tem muita gente por aí que, às vezes, se interessa por um de nós e por não saber como agir não se aproxima. Cabe a nós também não tomarmos a posição de vítima e mostrar a todos que somos normais como qualquer outro ser humano deste mundo.

 

Não é uma tarefa fácil o início de um relacionamento entre uma “malacabada(o)” e um “infiltrado(a)”, por exemplo. Precisamos apresentar a eles nosso mundo e provar que podemos ser um pareceiro(a) à altura de alguém que não faz parte da Matrix. Existem ainda os amigos e familiares do “candidato” (a), que, na maioria dos casos, são pessoas que não estão acostumados a conviver conosco. São pessoas que, geralmente, tem a imagem do deficiente ineficiente, que fica em casa se lamentando sem pôr a cara no mundo sem mostrar nossa capacidade. São pessoas ignorantes a nosso respeito.

 

Paciência, talvez essa seja a melhor palavra pra esse momento. Somos alguém que eles consideram diferente, o que não quer dizer que não seremos bem-vindos. Procuro não perder tempo pensando se fulano ou beltrano não concorda com o relacionamento, se meu parceiro me aceita nada mais importa. Esse é outro ponto, o parceiro, se ele não é da Matrix isso quer dizer que nós somos novidades e mais uma vez a paciência é fundamental. Um bom papo, disponibilidade, sinceridade e boa vontade podem ajudar bastante.

Escrito por Jairo Marques às 00h44

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E a minha primeira namorada veio quando eu já era um “senhor”, com 21 anos Muito triste. Para tirar o atraso, na boa, minha gente, ela era uma das mais lindas e cobiçadas garotas da faculdade de jornalismo. E aprendemos muito da vida juntos. Ah, sim, não fui eu quem chegou nela, ela é que praticamente me agarrou. 

 

Acho que conquistei a “Lu” com o que eu tenho até hoje de melhor: papo furado, criatividade, romantismo e intensidade. Aquela garota levou minha estima para a estratosfera. Sofri muita resistência por parte da família dela em me “aceitar”, sobretudo do pai, o que se repetiria outras vezes, com outras namoradas.

 

O homem deficiente, muitas vezes, é visto como alguém que não pode “proteger” a donzela. O que é uma balela, uma vez que ser protetor nada tem a ver com ser parrudo, com ser uma pessoa “andante”. Pra mim, com inteligência, com dedicação, com atenção se garante muito mais aconchego do que com porte físico.

 

De lá para cá, acho que aprendi o “caminho das pedras” e tirei o atraso Muito feliz. Sei bem o que posso e o que não posso. Sei o quando o gostar, o amar, o se envolver tem muito pouco a ver com características apenas físicas. Atualmente, com a internet, com as redes de relacionamentos, acho que tudo está um pouco mais fácil. Em toda parte tem chinelo velho para pés cascudos. O que não dá é pra se vestir de impotente, de “óh céus, óh vida” nunca terei ninguém. Todo mundo quer amar, todo mundo quer ter alguém. Basta a gente “se preparar” para merecer grandes amores. 

 

 

Penso que um relacionamento não pode ser baseado na condição física de um ou de outro. Namorar, casar, conviver com alguém vai muito mais além do ser ou não “perfeito” Aceitar-nos exatamente como somos deve ser o primeiro passo. Ninguém vai se sentir feliz ao lado de outro que não se aceita. Podemos e somos lindos e por que não dizer sexy usando uma cadeira de rodas, muletas, bengala, tendo ou não um braço, uma perna ou qualquer outra deficiência?

 

Estar disposto a se mostrar pro outro vale a pena. Vai sem medo, sem receio de quebrar a cara, afinal sendo ou não da matrix sofrer uma desilusão amorosa faz parte da vida. Procurar encarar as situações desagradáveis, que inevitavelmente irão acontecer (e elas acontecem mesmo, não importa se você é ou não um malacabado) como amadurecimento ameniza mais a dor.

Nunca se colocar na posição de vítima, seja em relação ao coração ou a qualquer assunto das nossas vidas. Penso que um relacionamento vai longe se existir afinidade, respeito, lealdade, desejo e admiração. E despertar desejo é possível...criatividade é tudo!

 

 

 

No dia em que tomei consciência do que eu era, do meu potencial como homem, como amante, como um cara capaz de fazer uma mulher feliz, tudo ficou mais fácil. A adolescência e começo da juventude podem ser menos complicados se a gente conseguir acalmar a expectativa de que tudo aconteça de imediato e se a gente tiver a noção de que precisamos ter “diferenciais” em relação aos fortões, aos loiros de olhos azuis, as dançarinos natos, aos surfistas bronzeados.

 

Porém, o pior que pode acontecer é se travestir de coitado eterno. As pessoas se escolhem, se acham, se atraem e se desligam, independentemente da condição física. E esteja preparado para ser o “pé” ou ser a “bunda” na sua vida amorosa. É assim com tudo mundo. Mas também se prepara para viver grande amores... basta você querer e fazer por onde ser amado.

* Como não sou bobo, só coloquei fotas da gatíssima da Carina ilustrando post o lustrando nos "zóio"! As imagens foram feitas pela minha amiga querida Kica de Castro (kicadecastro@gmail.com) e também são do arquivo pessoal da Carina Queiroz

Escrito por Jairo Marques às 00h43

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Onde o mundo já foi dominado!

Povão, se eu tivesse mais de dez “roiais” no banco ia me atrever a abrir uma quitanda e encheria de “malacabado” pra vender as couve, os tomate, os pepino comigo Rindo a toa. Não que eu ache que esses arruinados sem perna, sem braço, puxadores de cachorro, com aparelhado dos “zuvidos”, arribado numa cadeira de rodas sejam melhores, mas quem tem alguma deficiência, em geral, procura se dedicar bastante para que não venham achar que ele é menos do que ninguém.

“Oficorsi” que existem os sem eira nem beira, mas costumamos deixar poucas brechas e temos garra, sem sombra de dúvida, pra mostrar que somos “inteligentchis” e profissionais como qualquer um.

Bem, e num é que uma empresa lá dos Rio de Jameiro (tinha uma professora no colégio que falava assim, de Jameiro, mesmo Muito triste) tá apostando na dominação do mundo por parte da Matrix de quem tem alguma deficiência e tem contratado um monte de “mamulengo”?! Aêêêêê

Claro que eles não estão fazendo um favor, estão, sim, cumprindo a lei de cotas que obriga as empresas com mais de cem funcionários a reservarem vagas pra “nói”, mas eles não estão simplesmente empregando: tão mostrando que somos capazes de fazer a diferença no ambiente de trabalho e dando condições plenas para que isso aconteça.

Achei bacana demais da conta isso e convidei a Flavinha Gallo, que quebra pedra por lá Tonto, a contar o que tem rolado. Eu passei uma maquilagem, um batonzinho e penteei os cabelos do texto dela, tá bão?! surpreso. Mas, saquem só que exemplo “maraviwonderful”:

   Sorte

A empresa que eu trabalho  aqui no Rio, a Chemtech, cresceu absurdamente nos últimos anos (passou de cem pessoas para mil em menos de 4 anos!) daí veio a necessidade de cumprir a cota do “malacabados” num curto espaço de tempo.

E eles fizeram isso de maneira que considero muito eficiente e nem um pouco apelativa... A gente sempre acha que as empresas fazem isso só por obrigação e tudo o que fazem acaba sempre sendo mais um apelo de marketing do que realmente uma iniciativa para garantia dos direitos de todas as pessoas “Assim como Você”, assim como eu, de serem produtivas, incluídas e atuantes...

Mas no fim das contas fiquei admirando a forma com que tudo foi conduzido por aqui e principalmente os resultados obtidos que foram bem expressivos, e inclusive ultrapassaram o número de contratações que a lei impõe, e transformaram esse processo de captação em algo contínuo e não apenas pontual. Uhrúúú Convencido

Antes a empresa tinha apenas cinco pessoas deficientes, hoje já são 42. E eles escritórios em seis estados do país, e destes, quatro têm “matrixianos”.  E saca só, eles não se limitaram a selecionar pessoas com “uma deficiência bem levinha” e para trabalharem em funções “administrativas” (boys, auxiliares, secretárias, etc.).

Aqui foram contratadas 35 pessoas para o quadro operacional e técnico, preenchendo vagas já existentes e atendendo a necessidades dos gerentes de projeto. Apenas sete foram para funções gerais, inclusive dois massoterapeutas estropiados dos “zóios” Rindo a toa.

Para exemplificar que a dominação do mundo começou por lá e que a empresa não apresentou restrição quanto às deficiências, temos um rol de “malacabados”: o Ricardo Gonzalez, que é tetraplégico, o João Rabelo, que tem surdez profunda (deficiência auditiva bilateral), o Bruno Moreira, que tem hemiparesia e até um com Síndrome de Gilles de la Tourette (que provoca movimentos involuntários no cabra), o Rafael Carvalho.

E por lá também “trampa” a Cris Costa, cadeirante, blogueira do Mão na Roda, junto com o Eduardo Câmara, e que  é formada em comércio exterior.

“Trabalhava numa empresa na qual fiquei dez anos como analista de sistemas júnior, sem nenhuma promoção. Quando vim pra cá, já me contrataram como pleno. O que e achei mais legal foi que criaram um ambiente especial pra mim colocando acolchoados na minha mesa para que eu não me machucasse com os meus movimentos involuntários e fizesse menos barulho também” (Rafael Carvalho).

O João Rabelo já era desenhista quando veio trabalhar na Chemtech. Ele tem surdez profunda e não lê lábios, mas isso não foi problema para a integração dele com a equipe. “Vir trabalhar aqui foi ótimo pra minha auto-estima. No começo houve alguma dificuldade, mas logo vi que tinha espaço pra eu crescer”.

O Ricardo Gonzalez é tetraplégico e formado em ciências biológicas com especialização em análise de risco. Para trabalhar ele utiliza um software que o permite utilizar o computador por meio de comandos de voz, o que dá total autonomia para ele enquanto trabalha.

 “Quando eu terminei a faculdade, fiquei preocupado pensando como seria meu desempenho no trabalho e como seria para arranjar um ‘job’. Fiz algumas entrevistas, mas era comum quererem apenas ‘deficiências leves’. Aqui tá rolando muito bacana a integração.”

Durante este crescimento do domínio da “matrix” na Chemtch, TODOS os funcionários foram envolvidos. Na intranet da empresa, as vagas em aberto eram constantemente divulgadas, solicitando indicações dos funcionários. Foram feitos “treinamentos” para toda a galera aprender a lidar com as diversas deficiências dos novos integrantes da equipe:

Recebemos o “Manual de Convivência”, escrito pela Mara Gabrilli, participamos de conferências sobre gestão de pessoas com deficiência, seminários internacionais sobre o tema, os gerentes receberam muita informação e treinamento.

O Bruno Moreira, que tem hemiparesia, entrou na empresa como boy. Fez um curso de AutoCAD oferecido pela Chemtech e foi promovido para desenhista cadista.

 “Fiquei bastante tempo procurando emprego e ficava me perguntando o que estava errado comigo. Então fiz um curso de orientação profissional e cadastrei meu currículo no site da Chemtech por orientação do instituto. Fui entrevistado e entrei. Agora quero pegar as oportunidades e aproveitar cada uma delas”.

Lógico que para tudo isso ser viável, a sede da Chemtech, aqui no Centro do Rio, teve que ser adaptada e foram feitas obras para acessibilidade nos antigos e novos andares.Foram alterações simples na infraestrutura, como rampas e banheiros acessíveis, e que até hoje continuam sendo feitas porque ainda não são todos os andares prontos e, como a empresa não tinha cadeirantes antes, são eles próprios que levam suas demandas e pedidos de melhorias aos gerentes e assim tornam o processo de adaptação contínuo.

A empresa também oferece um auxílio-transporte que varia de acordo com a necessidade de cada pessoa. A Chemtech também oferece desconto de 20% para a compra de aparelhos auditivos para funcionários e familiares. Todas as nossas reuniões e encontros corporativos hoje contam com a “atuação” de uma intérprete de libras para atender aos “matrixianos” que possuem qualquer deficiência auditiva.

A empresa promove também, periodicamente, um café da manhã com os funcionários deficientes para promover a integração e garantir que o processo de inclusão nas suas equipes está sendo eficaz.

Foi maravilhoso pra mim, poder ver que tanta gente está mais feliz e realizada profissionalmente por conta de uma “obrigação” que a Chemtech está cumprindo, por conta de algo que não deveria ser exceção na nossa sociedade, mas sim uma regra.

 Todas estas pessoas das fotos estavam prontas, só esperando uma oportunidade de mostrarem sua capacidade, seus talentos, independente de suas limitações... Todas elas queriam ser vistas por tudo que podem realizar, como qualquer outra pessoa, e não pelo rótulo da deficiência que possuem.

Tudo isso o que eu escrevi não foi pra festejar o cumprimento de uma lei, mas sim pra mostrar pra vocês que uma empresa, um grupo de pessoas aqui nesse Rio de Janeiro, decidiu se empenhar de verdade e fazer a coisa direito.

Não dá pra se satisfazer com metade, como muitos empresários por aí decidem fazer, de um jeito “torto”, inadequado e sem continuidade, fazendo com que as pessoas se sintam sem utilidade, apenas “tapando um buraco” imposto pela lei...

Bom findi, meu povo! Beijo nas crianças!

* Fotos de Flávia Gallo

Escrito por Jairo Marques às 01h09

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A carne

Disseram por ai que o tio adora um pedaço de carne! E é a mais pura “verdadchi” Uuuuuia surpreso. Lá na roça onde nasci, nas “Trelagoa”, num tem esse negócio de só comer folha, não, lá a gente ranga é bife, mesmo. Rindo a toa

 

Claro que, como eu era “carentchi” a gente comia mais carne quando mordia a língua Muito triste, mas rolava um colchão duro, uma maminha e um churrasquinho de gato, às vezes.

 

O “compricoso” pra mim, até hoje, é a hora de cortar a vaca no prato. Meu braço esquerdo é meio arruinado, devido à “malacabação” provocada pela pólio, e fico trocando o 'galfo' e a faca de mão o tempo todo pra mode conseguir serrar o filé de trapo. Carente

 

Agora, o desafio maior, sem dúvida, é comprar a tal carne nos próprio açougue. Ai é só por Nossa Senhora da Bicicletinha, mesmo, pra dar equilíbrio Muito triste. Bate o olho nesta fota feita pelo nosso novo ajudante de empurração da kombi veia rumo ao domínio do mundo, o Arthur Calasans:

 

 

Conseguiram sentir o drama? Fica o “mamulengo” de um lado do balcão, que mais parece a muralha da China, de tão alto, gritando:

 

“Rapai do bife, rapai do bife!!! Me vê ai cem gramas de boi ralado!”

 

E o açougueiro, certamente, do outro lado, pensa:

 

“Ai, Gzuis, preciso parar com a cachaça que eu já tô é ouvindo vozes”. Muito triste

 

É, meu povo, adorar o pedaço de carne é fácil, o duro é conseguir levar ele pra casa...

Escrito por Jairo Marques às 08h12

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No “paraíso” das compras

“Zente”, o “xopi centi” certamente é um dos paraísos para esse povo que não para em pé e vive arribado em cima de um cavalo, que nem o tio Muito feliz. Ali, na muvuca enlatada das compras, tudo parece que funciona bem e o mundo paralelo de quem tem alguma deficiência fica perto de desaparecer...eu disse: perto.

 

Nos próprio ‘xopim’ não há ruas em desnível, todo mundo é limpinho e “xeroso”, há banheiros acessíveis por todo canto (mesmo, algumas vezes, isolados das casinhas do mortais, conforme lembrou a bela Carina Queiroz, da Bahia, que criou a teoria interessantíssima de que “matrixiano” parece ter o terceiro sexo. Ou seria, ser sem sexo definido? Carente);

 

Lá tem elevador, tem banco pros muletantes tomarem “a fresca”, tem vaga reservada nos estacionamentos, os “pessoal” que é cego podem entrar com sua cachorrada, tem um monte de mulher bonita e charmozuda (vocês me conhecem: adoooro!. Pura provocação isso, né? Entorpecido).

 

 

Os “infiltrados” devem estar pensando: “Puuuxa, enfim o tio vai cantar aquela música do finado Renato Russo: ‘Quando tudo está perdido, sempre existe o São Longuinho.Muito triste Mas, num vai ser desta vez, “disfelizmente”. A real, é que quando a gente vai ao “xopim”, acontece sempre alguma lasqueira dessas aqui, oh:

 

- Tem vaga reservada? Várias!! Legal, mas tá lá o ‘praiboy’ enfiando seu carrão porque ele acha que ali é “ingual que nem” zona, todo mundo entra, todo mundo sai e ninguém manda, nem fala nada.

 

- Tem elevador?! Uhrúúúú. Vai lá e disputa um espaço com umas moças de coxas grossas boas de arar uma roça, mas são incapazes de ceder espaço porque são azedas de preguiça de subir uma escada. Quando veem um cadeirante, vão logo se apertando, se apertando e olhando com aquela cara de: “ih, num vai te caber”. Se o cabra estiver de “cadeira elétrica”, aí é coisa de meia hora para conseguir vaga na caixa metálica.

 

 

- Tem um monte de loja sem nenhum degrauzinho para mode entrar?! “Beleeeeeza kapião”!!! Agora é só os vendedores se convencerem de que você, “malacabado” tem lá seus dez “real” pra comprar aquela calça furada da “Li”, aquela “bruzinha” colorida da “Dízeu”.

 

- A vendedora com cara de Paquita te atendeu e você vai comprar a pula brejo?! Delííícia!!! Vai experimentar onde, meu nego? Aproveita que “estropiado” não tem sexo e tira a roupa no meio de todo mundo mesmo Muito triste. Afinal, o provador num te cabe, cabe?!

 

- Beleza, agora você ‘mamulengo’, quer ir com a sua namorada no cinema ver aquele lançamento “E o vento te carregou” Convencido. Show!! Num ta conseguindo ver a cara da atendente no guichê? Num tá conseguindo pedir a pipoca por que o balcão é muito alto? Relaxaaaa... tudo pela sétima arte!!! O quê? Não, não acredito... muita calma nesta hora... o lugar que jogaram na área reservada do cinema tá dando torcicolo?! Vai, agora diz: “Me leeeeeva gzuis que tô pronto e de cabelo penteado!!!” Rindo a toa

 

- Bem, mais ainda tem duas outras coisas “maraviwonderful” para serem feitas no xopim: ‘rangar’ gordura nos “mataodonalds’ e se divertir nas áreas de lazer!!! Aêêêêêêêê Para tudo... puxa a cordinha que eu vou descer do bumba surpreso. As mesinhas da praça da ‘começão’ são muito altas? Não tem nenhuma que caiba a cadeira direitinho? Você compra a bóia e ninguém se toca que você precisa de um pequeno auxílio com a bandeja? Respira... respira fundo e evita o enfarte, vai... Convencido

 

Agora vai jogar pra ficar “frescão” da cuca. O quê? Não acredito... não, não... num é possível. Eles acham que “deficientchi” só joga pedra na cruz e por isso ficou ‘malacado’ e não joga naquelas máquinas de luta pra dar o “fatálit”? Não consegue brincar no simular de voo (agora sem acento)? Não tem como sentar na cadeira do joguinho de corrida??? Bem-vindo... você está na Matrix...Brincalhão

 

 

É, meu povo, o paraíso, então, pode ser, dependendo do ângulo, um inferno. O meu dinheiro é tão furado quando o seu, mas o consumo do “matrixiano” nem sempre é pensado. Pra quem está achando que eu ainda estou sobre o efeito da pinga da festa do final de semana (o que é quase verdade Rindo a toa), eu explico a razão deste texto mais eufórico do que menino comendo areia.

 

O tio foi convidado para ser “palestreiro” para um monte de donos de marcas de lojas famosas, para os bacanas donos de shopping, para executivos de empresas e todo uns “zimininos” que lidam com comércio. Imagem o tanto de mentira que não vou contar? Muito triste Quem quiser conhecer o evento, é só clicar no bozo! Brincalhão 

 

Normalmente, eu nego pedidos de fazer falação porque, afinal, o meu negócio é escrever (errado) e contar piada! Convencido Mas esse evento resolvi aceitar porque acho que vai ser bom pra dominação do mundo. Quero apavorar aqueles ricos! Muito triste Os temas serão basicamente estes dos post, quem tiver mais sugestões, não se acanhe não e escreva nos coments!

 

* Imagens retiradas do Google Imagens

Escrito por Jairo Marques às 00h00

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Um encontro "malacabado"

O primeiro encontro do blog, que rolou no último sábado, foi um momento de intensa emoção para todos que estavam lá. Abraços, sorrisos, e uma vontade gigantesca de fazer o mundo um lugar definitivamente para qualquer “serumano”.

Pensei em como trazer um pouco daquele instante que rechiou para sempre a história daquele povo cadeirante, mulentante, cego, surdo e “infiltrado” que saiu de Santos, São Sebastião, São José dos Campos, Brasília, Mogi, Ribeirão, zona “lost” de São Paulo Rindo a toa, avessos a qualquer dificuldade em relação à distância ou ao comprometimento físico, para falar “estou contigo, Jairão”.

Então, pensei em mais uma sinfonia. Espero que gostem.

 

 

Eu fico com a pureza da resposta das crianças: É a vida, é bonita, é é bonita...

 

Viver! E não ter a vergonha de ser feliz. Cantar e cantar e cantar, a beleza de ser um eterno aprendiz...



Ah meu Deus! Eu sei, eu sei. Que a vida devia ser bem melhor e será, mas isso não impede que eu repita: É bonita, é bonita e é bonita...



E a vida! E a vida o que é? Diga lá, meu irmão. Ela é a batida de um coração. Ela é uma doce ilusão. Hê! Hô!...



E a vida. Ela é maravilha ou é sofrimento? Ela é alegria ou lamento? O que é? O que é? Meu irmão...


Há quem fale que a vida da gente é um nada no mundo, e uma gota, é um tempo que nem dá um segundo...

 


Há quem fale que é um divino mistério profundo. É o sopro do criador numa atitude repleta de amor...


Você diz que é luxo e prazer, ele diz que a vida é viver. Ela diz que melhor é morrer, pois amada não é e o verbo é sofrer...

 

 
Eu só sei que confio na moça e na moça eu ponho a força da fé. Somos nós que fazemos a vida como der, ou puder, ou quiser...


Sempre desejada por mais que esteja errada ninguém quer a morte, só saúde e sorte...


E a pergunta roda e a cabeça agita

Eu fico com a pureza da resposta das crianças: É a vida, é bonita e é bonita...

 

* Dedico este post especialmente à querida Débora Martins, que não mediu esforços e dedicação para organizar esta festa

** Música “O que é, o que é”, de Gonzaguinha

*** Fotos de Lak Lobato, Débora Martins e Bete Araki

Escrito por Jairo Marques às 00h23

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PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 35, é formado em jornalismo pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e pós-graduado em jornalismo-social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999 e é cadeirante.

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