Jairo Marques

Assim como você

 

Eu, pornô

Queridos órfãos, Muito triste

Como tá todo mundo com ‘xodadis’, coloco hoje um monte de fotas minhas. Assim, as “zimininas” podem ficar beijando o computador e os “zimininos” podem se espelhar na minha belezura  Entorpecido (Tô super lexotan, admito)

Mas esse ensaio, feito pelo excelente “retrateiro” Arthur Calasans, tem uma historinha envolvida, ‘oficorse’ Se lembram da foto que mostrei aqui do cine América, um pornozão aqui do centro de São Paulo que tem banheiro acessível? Não, clica no bozo. Brincalhão

Enfim, eu fui lá, acompanhando do Calasans, para conferir o pico (Tô super Dalila também, confesso Beijo).

“A gente pode usar o banheiro acessível pra cadeirante aqui do cinema?”

Do outro lado da porta de vidro, cheia de cartazes com mulheres com pouca roupa, bem pouca, mesmo, caras entre o espanto, a surpresa e o “aff, me leva gzuis que tô pronto”.

“Espera um minutinho que eu vou pegar a chave”, disse um senhor que era o mesmo que ver o “Zé Bonitinho”, da Praça é Nossa. Rindo a toa

Ali, eu já gostei. Ele não mandou que eu fosse urinar (ui) em outro buraco e entendeu que “malacabado” tem poucas (ou nenhuma?) opção de xixizar na região central da cidade.

 Banheiro público? “Matrixiano” não deve ser considerado dessa classe pelas “otoridades”. Devemos ser tudo privados (as) para quem cria esses espaços.    

No que o seu Raimundo abre a porta (o “Zé Bonitinho” se chamava Raimundo, certamente devido a suas origens suecas Muito feliz), não surge um banheiro, surge uma sala de cinema, totalmente acessível, que tem um banheiro para esse povo abatido pela guerra! Aêêêêê

Povão, saquem essa porta. Não é uma porta, é um abre alas, né, não?

Tirei um monte de retrato no banheiro para um trabalho que o Calasans tá fazendo e que, em breve, conto aqui. Aí, o seu Raimundo “me tirou”. Vou sair pra vocês ficarem à vontade. Vou sair para fazerem suas coisas sossegados”.

“Não precisa, não, seu Raimundo, a gente quer só mostrar o exemplo que o senhor tá dando pra outros empresários promovendo o acesso pleno.”

“Ah, mas precisa ser tudo na ordem porque se não a prefeitura vem e multa”.

É, “zente”, a prefeitura multa cinema pornô, que é algo de última necessidade pra essa gente sem perna, sem braço, de muleta, de cadeira de rodas, né, não? Mas e as calçadas bagunçadas? E os grandes bares que só fazem uma rampinha mequetrefe? E os restaurantes? E as escolas? E as vagas reservadas irregularmente usadas? É de chorar pelado...aborrecido

Mas o seu Raimundão foi lá e fez tudo certinho. Ele disse que a procura é pequena. Depois a gente reclama que o povo do mundo real ache que somos assexuados. Muito triste Muito triste

“Vou botar um filminho pra vocês curtirem”. Aí eu num “guentei” e cai na gargalhada. Como eu tenho um compromisso com esse diário, para fins relatoriais e para saber a “qualidadchi” da tela, aceitei, mas não rolou clima com o Calasans. Rindo a toa 

Percebam o meu ar de indignação diante da película “Meninas Selvagens” (era sobre moças que trabalhavam na selva, sacam, nuas? Convencido). E botem reparo também na quantidade de lugares reservados para os cavalos. É praticamente um Jockey Clube. Muito triste

Achei sensacional este espaço, juro. Por que não um cinema pornô acessível? Se é pra dominar o mundo, que seja em todos os cantos. Que tenhamos liberdade de ir e vir onde bem entendermos.

Bom final de semana pra todos e até amanhã, pra quem for na baladadinha da “comunidadchi" dos Orkut. Fiz até ‘bigudinho’ nos cabelos para poder estar de acordo!!! Urhúúú

Escrito por Jairo Marques às 00h53

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Ausente

"Zente", vou ficar sem blogar uns dias... tô muito bagunçado das ideias. Quando eu me arrumar, volto.

Té!

Tico, cachorro da minha querida amiga Uisal

Escrito por Jairo Marques às 08h07

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O foca

No jornalismo todo “minino” novo que entra na profissão é batizado de foca. Então, o “serumano” que carrega essa alcunha dentro da redação é sinônimo de pouca experiência e merecedor de atenção porque no menor descuido ele faz caca surpreso.

Bem, mas a minha história de foca aconteceu quando eu já tinha um bom tempo trabalhando na Folha e já sabia bastante sobre a arte de fabricar parágrafos. Rindo a toa

Estava numa apuração muito custosa junto com dois outros repórteres que são meus grandes amigos, Eduardo Scolese e Rubens Valente. O objetivo da gente era provar que funcionários de deputados, pagos com o nosso dinheiro para “trabalhar” em Brasília, nos gabinetes, estavam, de fato, nos redutos eleitorais dos políticos pelo Brasil afora e que Brasília mesmo só conheciam aquele carro que é um luxo, sabe qualé? Muito feliz

Uma das minhas funções dentro da reportagem era flagrar uma situação dessas aqui pertinho de São Paulo, em Osasco. Para a missão, foi comigo um fotógrafo que é uma verdadeira lenda aqui no jornal, o Luiz Carlos Murauskas, o nosso Luizão.

Chegamos a Osasco cedo e logo achamos o escritório político do tal deputado. Ali, pelo bem da moral, ele deveria manter seus funcionários com dinheiro do próprio bolso ou com dinheiro do partido, mas não usando a estrutura que a gente arca pagando impostos, em Brasília.

Paramos em frente ao escritório e, para a minha aflição, para chegar até a porta havia uma baita escadaria, estreitinha e com degraus pequenos. Eu tava na roça pra subir aquilo montado na minha cadeira de rodas Carente. A ideia era flagrar o povo lá e, por isso, nem liguei antes para me certificar das condições de acesso!

Bem, eu estaria na roça se não tivesse ao meu lado o Luizão, que enquanto os comuns estão fervendo a água ele já tá é colocando o molho na macarronada Muito triste. Como já expliquei, quando estou cumprindo minhas funções profissionais, não posso desistir de uma missão devido às condições de acessibilidade, afinal, é o nome da empresa que está em jogo.

“Fica aqui na calçada que eu vou lá resolver isso. Vou explicar do que se trata a matéria pra eles e vai dar tudo certo. Num sai aqui da calçada, não.”

Passaram-se uns vinte minutos quando avisto o Luizão descendo a escadaria acompanhado de dois homens sorridentes e com ares de “somos super bonzinhos”!

“Ôh Jairo, eles vão subir você lá para o escritório e você faz sua entrevista sossegado”, disparou o fotógrafo bonachão.

Eu olhei pra ele meio perplexo, afinal, a conversa ia ser tensa com os dois cidadãos. Mas, quem tá na chuva é pra pegar resfriado Rindo a toa. Os cabras pegaram na cadeira e foram me subindo naquela escadaria. Os bichos suavam mais do que moringa de água fria. Muito triste

O Luizão? Ele só ficou olhando e rindo, no canto da boca. “Eu num posso fazer esforço porque tenho uma dor nas costas.... mas vocês são jovens e nem precisam de ajuda!”.

Povo, imagem minha tensão. Eu tinha flagrado dois funcionários que ganhavam pra trabalhar na Câmara dos Deputados, em plena segunda-feira, no escritório do deputado, em Osasco city, iria colocá-los na parede (ui), mas estava sendo carregado por eles.

Antes de começar a entrevista, o Luizão tomou conta do pedaço. “Primeiro eu faço as fotos porque depois você vai cansar a beleza deles com suas perguntas”.

Fotos de Luiz Carlos Murauskas; percebam a expressão tranquila, antes da entrevista

Quando chegou a minha vez, foram só torpedos pra cima dos caboclos que, aos poucos, iam murchando os sorrisos:

“Se vocês são pagos pra trabalha em Brasília, o que fazem em plena segunda-feira aqui em Osasco? Aqui vocês fazem claramente atividades pessoais do deputado, não acham uma imoralidade serem pagos com dinheiro público?” Quem quiser ler a reportagem, clica no bozó, mas tem que ser assinante do Uol e da Folha. Brincalhão

Quando o clima esquentou de vez, o Luizão interveio: “Num tem um cafezinho, não?” Os dois saíram e me deixaram sozinho com o fotógrafo na sala.

“Luizão, que raios você disse para os caras? Eles tavam todos sorridentes quando foram me pegar lá embaixo e agora tão fervendo!”

“Ah, eu disse que você era repórter foca e que por isso não tinha ligado e marcado nada antes. E falei que se eles não dessem a entrevista, que era pra falar bem do trabalho do deputado, você ia até perder o emprego. Ah, e eu disse pra eles ajudarem um ‘malacabado’ pra irem pro céu.”

Eu não sabia se eu ria ou se eu chorava. Eu só fiquei pensando como seria a descida daquela escadaria toda. Tava me preparando pra descer rolando. Tonto

Concluídas as perguntas, os dois funcionários, de cara fechada e mais brabos do que cachorro de japonês disparam: “Vamos te ajudar a descer”.

Naquele momento eu só pensava: “Minha nossa senhora da bicicletinha, dai-me equilíbrio*” Muito tristeMuito triste

E a dupla, com a “filosofia” fechadas (saca assim a filosofia do rosto? Rindo a toa), ‘di certeza’ com muita vontade de me largar escadaria abaixo, me desceram certinho. Confesso que eu fiquei mais parado do “zóio” de santo na cadeira. Abismado

Em tempo: A falta de acessibilidade dificulta muito o pleno exercício de qualquer profissão que exige algum tipo de deslocamento. Porém, é fundamental fazer de tudo para que a deficiência não seja empecilho para o trabalho.

Assim, o ideal é não se “jogar” que nem eu fiz com o Luizão (que Mona isso Beijo). Quando sair da “firma” para algum trabalho externo, certifique-se que há condições de trânsito com seu cavalo. Caso vá precisar de auxílio em escadas ou desnível, ‘garre’ fé em Nossa Senhora da Bicicletinha. Rindo a toa

* Essa eu devo ao meu repórter Gustavo Hennemann, vulgo 'Capaz'!

** Imagens retiradas do Google Imagens

Escrito por Jairo Marques às 08h03

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PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 37, jornalista pela UFMS e pós-graduado em jornalismo social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999. É colunista do caderno "Cotidiano".
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