Jairo Marques

Assim como você

 

Um orgulho de mãe

A primeira vez que vi uma mãe cadeirante carregando seu rebento no colo tive aquele fatídico frio que arrepia a espinha e o pensamento imediato: “Mas como é possível?”

Hoje, mais velhinho e com um projeto sutil de conquistar o mundo e sair desse universo paralelo em que foram colocadas as pessoa com deficiência, a minha pergunta mudou: “Me diz o que é impossível?”

 

O “Assim como Você” rende homenagem às mães que enfrentam e enfrentaram os tabus do “será tudo tão difícil para ela”. Rende homenagem às mães que deram as costas aos limites que apenas os outros enxergam, mas que qualquer alma materna apaga.

 

Para as mães “matrixianas”, digo que seus filhos terão a chance ímpar de crescer em um ambiente onde o silêncio pode ser cheio de palavras, onde um suposto breu da cegueira se transforma em uma visão inédita de todas as coisas, onde o não caminhar pode ser substituído facilmente pelo....voar!

 

Sorte

 

  

 Patricia Lopes, 26, e o filho Jhonatan, de 1 ano

  

Mãe, o que me importam hoje os seus passos se, com seu cavalo alado, poderei voar por todo o meu futuro com conforto e segurança? O que me importa a sua ausência do andar se sua presença me conduz com firmeza e exemplo para encarar o mundo?

 

 

Jucilene Braga, 28, o filho Gianluca, de 5 anos, e o cão-guia Charlie

E não se preocupe minha mãe querida, com o “olhar” cuidadoso para o meu caminho na tentativa que eu siga sem cair nos empecilhos ao longo da minha jornada. Sua luz intensa de viver irá, com certeza, fazer isso muito melhor do que qualquer visão apurada do mundo

 

 

Carolina Ignara, 30, e a filha Clara, de 3 anos

 

É meu prazer te acolher quando necessário for, mãe. Que filho poderia ter um privilégio maior que eu, uma dádiva tão bem ornada como a que eu tenho, de ser amparado e também amparar, de ter aprendido a andar contigo, mas também poder abrir o seu caminho?

 

 

Flávia Moraes, 28, e a filha Luana, de 6 anos

 

A sua diferença só me orgulha, mãe. Não ser igual a todas te faz forte e me faz muito forte por consequência. Estamos juntas nessa batalha por um mundo melhor para todos. Te ajudo no quer for preciso em retribuição ao seu cuidado e à formação do meu caráter. Estou contigo, sempre, minha mãe!

 

 

Caroline Marques, 27, e o filho Enzo de 5 anos

 Mãe, como é bom poder sorrir contigo. Um sorriso de satisfação pela minha completude de ser humano. Sorrir por aprender contigo, dia após dia, os valores da igualdade, do respeito ao próximo, ao diferente, àquele que precisa de um pouco dessa energia intensa que você me doou

* Ensaios exclusivos para o blog realizados pela brilhante fotógrafa e parceira Kica de Castro (kicadecastro@gmail.com), que, em breve, parte para a “Zoropa” para uma temporada de trabalhos com modelos “matrixianas” brasileiras!! Aêêêê

 * Para saber mais sobre o trabalho dela, clique aqui

 * Domingo é o último dia da Promoção e Promocinha!

 

Escrito por Jairo Marques às 00h45

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Carta de uma mãe

Logo que botei a kombi “véia” na rua, até então com o objetivo modesto de dominar apenas alguns quarteirões perto de casa Rindo a toa, surgiram as primeiras voluntárias para me ajudar a empurrar essa ideia para a frente e, para a minha surpresa, eram todas ... mães.

Mães de malacabadinhos, de cadeirantinhos de mamulenguinhos, de estropiadinhos e também mães de crianças serelepes sem nenhum prejuízo da guerra. Convencido

Muitas vezes, o blog foi descoberto pela mãe que atormentoooou o filho matrixiano e os vizinhos e os parentes, e os desconhecidos da rua para conhecerem e ajudarem na dominação do mundo (num é, dona Cleide?! Muito feliz);

Outras vezes, foram os filhos que não deixaram as mães em paz até que elas ficassem tronxinhas de vontade de saber dia após dia as maluquices do tio e desse povo que me acompanha (num é, dona Cida? Rindo a toa).

Fato é que muitas mães são minhas leitores (umas duuuas ou três Muito triste). A razão eu não sei dizer ao certo. Talvez pelo fato de eu ter uma grande ligação com a minha “santa” e externar isso vez ou outra, talvez porque queiram evitar que os filhos fiquem desaprumados que nem eu. surpreso 

E, para a minha surpresa ser maior ainda, as mães são as grande “mandadeiras” de cartas para o “Assim como Você”. Uma das primeiras a acionar o meu “correio” foi a Aline Silve, de Recife, que botou o nosso anjo Felipe, o Felipinho, no mundo. Xodadis deles...

Hoje, então, nada melhor do que publicar uma carta de mãe nesta semana especial para elas. E é uma daquelas mães que deixam a gente “bege” Carente com a dedicação, com o amor e com vontade de dar ao filho o melhor.

Fiquem então, com a Maria do Carmo, minha querida leitora de Brasília, que me fez dar uma choradinha insistente ao longo de mais uma noite trabalhando, agora, pelo domínio do mundo...

Sorte 

Jairo, leio seu blog esporadicamente, não é todo dia que arrumo um tempo para entrar na internet. Sei que nunca comento.

Hoje senti vontade de te escrever. Minha família sofreu um trágico acidente de carro e me restou meu sobrinho como presente.

Meu sobrinho teve graves traumatismos e hoje tem cegueira e um déficit cognitivo importante, vive com cuidados diários de enfermagem. Ele me foi o melhor presente de Deus.

Vinícius que me faz rir e sentir o prazer da vida a cada dia. É por meio de Vinícius que pessoas abençoadas aparecem no meu caminho, como você.

Cheguei ao seu blog pela condição dele e admiro sua atitude e sua garra. Você foi uma benção, hoje me faz  ler boas experiências e valorizar sempre meu "filho".

Outra grande benção que recebi nos últimos meses, é a nova médica dele. Linda, cuidadosa, competente, me jogou na cara que conquistar um futuro independe de sua condição.

A médica de Vinícius é cadeirante, pouco convencional no mundo dos deuses (era a doutora Natália, que já passou por aqui, né, não? Atualmente, ele é atendido por outro médico).

À primeira vista, travei, questionei, duvidei e quebrei a cara. Cada visita que recebo vem em troca carinho dedicação e uma baita competência. Tem um sorriso no rosto incomparável acalmando todos os anseios.

Hoje posso dizer: meus horizontes se ampliaram e enxergo em vocês capacidades além das naturais. Meu filho não pode traçar o mesmo caminho pelas limitações próprias. Em contrapartida, cada vitória dos outros me faz vibrar demais.

Só tenho a agradecer a Deus por essas duas pessoas que surgiram nos últimos meses em nossas vidas. Pelo cantinho que você dedica a nós e me faz sentir melhor.

Obrigada, Jairo

Abraço carinhoso

Maria do Carmo

* Imagens retiradas do Google Imagens

Escrito por Jairo Marques às 00h00

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Ele pode dar esperanças

"Pessoais", hoje coloco a segunda parte do video do Nick Vujicic. Quem não viu a primeira, é só clicar no bozo! Brincalhão

Agora, ele fala sobre como uma pessoa supostamente cheia de limitações pode representar esperança ao mundo e sobre a necessidade de se valorizar seja qual for a sua situação de vida.

Tô "apetrechado" hoje, por isso escrevo pouquinho, tá?! Carente

Os créditos das legendas são da Silvetz Dutra, "ofi corsi"!

 

Escrito por Jairo Marques às 08h16

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Telefone pré-pago

Desde moleque eu tenho a mania besta de beber água durante a noite. E se eu inventar de dar uma manguaçada, ai é coisa de um dois litros pra mais durante a madrugada inteira. Muito triste Agora, já ‘véio’, eu coloco uma garrafa (quase um tonel) ao lado da cama, mas quando era criança, o lance era mesmo berrar “ôhhhhhhhh mãeeeeee quero áááááguaaaaa”.

E eram todas as noites, todas. Às vezes, minha mãe até deixava um copinho ao lado do bercinho Carente, mas nunca resolvia, não. E toca chamar a dona Marli. Que tire a primeira peça de roupa (mudei um pouquinho o ditado pra ficar mais "emocionantchi") o “esgualepado” que não tenha preguiça de pular da cama pra cadeira de rodas no meio da noite.

“Zente”, na cabeça dos “matrixianos”, pedir pequenos favores do dia a dia funciona mais ou menos como gastar créditos do telefone pré-pago, juro!

 

 

É um troço que um infiltrado vai ter um pouco de “dificulidade” para entender e aqueles que “não se diz o nome” surpreso jamais vão juntar “cré com lé”. Mas o tio é um “minino bão” e vai tentar explicar. Uhrúúú! Saca quando você tá rico e tem lá seus cinco “renais” de crédito nos próprio cartão do telefone? Ocê num fica se controlando pra saber a melhor hora de torrar essa fortuna em ligações?

 

Aquela ligadinha pro seu amigão pra pedir um dinheirinho emprestado (pra colocar crédito Entorpecido) ou aquela pro seu namorado pra dizer pra ele: “Tô com poko crédito, liga pra mim?!”. Ou ainda pro seu chefe pra dizer: “Olha, hoje eu num posso ir trabalhar causo de que... ih, num vai dar tempo de explicar, ta acabando o ...” tútútútú.

 

 

Esse povo tetrão, “mamulengão”, meio abatido pela guerra que nem eu, necessita de uma hand para tarefas, às vezes, bem simples, como suspender as calças que tão batendo no joelho Com vergonha ou com um pouco mais de complexidade, como entrar e sair de uma xaranga.

 

Eu fico com lâmpadas da minha “goma” queimada por diiiiias seguidos. É que eu não posso desperdiçar créditos com os meninos do prédio por isso (eu moro sozinho, já contei aqui? Assim, não soziiinho, com uma tartaruga chamada Cecília. Hummmm). Na minha cabeça, eu posso ir quebrando um galho com uma luminária, uma velinha (uuuia) e não ter de pedir esse favor. Ai, quando o bicho pega, algo do tipo a porta do guarda-roupa cai em cima de mim, aciono o Roberto (porteiro amigo) e ele já apruma a porta, já troca a luz, já faz um carinho...  Sem jeito

 

É muito raro um “matrixiano” folgado que nem colarinho de palhaço. A gente evita ao máximo ficar pedindo coisas porque, inevitavelmente, a gente já precisa de um tiquinho de auxílio durante todo o dia. Os “pessoais” que precisam de muita ajuda (pra tomar banho, pra comer, pra ser transferido da cama pro cavalo, ‘perezempe’), aqueles que dão um trabaaaaalho danado, são os que mais economizam seus créditos.

Como eu sempre digo, nenhum “malacabado” que se preze quer caridade. Ele quer é ter um mínimo de condições iguais para poder atuar como cidadão, para viver como qualquer “serumano”. Por isso eu que sempre digo a “vo6” que são infiltrados, clareou na área, chuta pro gol (isso ainda é resquício do final de semana). Calma, vou falar em português. Muito triste Quando for possível, ofereça você ajuda!

 

Vai na “padoca” tomar aquele cafezinho gostoso com pão na chapa bem seboso? Pergunte pro “mamulengo” que trabalha contigo se ele quer um copinho! Muitas vezes, atravessar uma rua pra um cadeirante pode ser uma tarefa complexa. Vai lá na cozinha pegar uma pinga pra tomar junto com a pipoca? Muito feliz Olhe pro seu irmão estropiadinho e pergunta se ele quer algo.  Quando a “mãozinha” é oferecida, pra gente, funciona como bônus e não gastamos os créditos na hora que o bicho pega e realmente vamos precisar acionar alguém.

 

Mas esse movo “esgualepado” é esperto também! (Aêêêê). Geralmente, quando a gente vai queimar um crédito a gente aproveita e faz logo ligação pros exterior. Muito triste “Vai no “xopis? Então trás pra mim uma calça de elástico das lojas ‘Martiriza’, passa nos ‘Amor aos bagaço’ e compra um daqueles bombom de cachaça também na papelaria e compra um cartão lindo pra eu mandar pra um blogueiro bonitão”. Assim, mesmo, tudo de uma vez.

 

Em tempo: “Ziminos”, a inspiração deste post e os “CRÉDITOS” dele são todos para uma das figuras mais incríveis que já conheci na vida, e foi no final de semana, a Marli Cassiano. Tem gente que paga uma nota violenta pra “se encontrar” indo pra Santiago de Compostela ficar caminhando numa estrada esburacada, eu fui mesmo ali pra São José dos Campos, comprar o livro do poeta Fábio Cassiano e também ter um dedo de prosa com a mãe dele, com o pai, com os irmãos (e filar uma bóia, porque eu também sou "genchti" Rindo a toa).

 

 

Não consigo evitar a pieguice de dizer que Fábio e Marli e toda a família deles estão a anos luz de entendimento da vida que eu e muitos que conheço temos. Eles vão além de qualquer análise sem graça de supostos líderes espirituais. Eles são reais, eles provocam uma reação imediata na existência de qualquer pessoa que tenha o privilégio de passar meia hora ao lado deles.

 “Ah, tio, cê é exagerado!” Posso até ser, mas toda vez que olho o meu exemplar de “Amores em Alguém” (ele já conseguiu se organizar! Manda email pro homi e bora dominar o mundo), me recordo de uma impressão forte, muito forte: Qual sensação? De ter tido a oportunidade de olhar, mesmo que num relance, a expressão divina que sustenta a vida. A força que fica nos nossos ouvidos diante dos perrengues mais "compricosos" dizendo: "vai em frente, você consegue... vai em frente".

Escrito por Jairo Marques às 00h05

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Uma pintura

É incrível como a arte auxilia o povo que fica “malacabado”, de repente, a resgatar sua estima, sua capacidade de produção, e, sobretudo, a vontade de voltar a interagir com o mundo. Talvez seja “causo de que” a expressão artística não exija de ninguém, necessariamente, a perfeição para que seja manifestada. Pode-se fazer uma lambancinha aqui, outra aculá e pronto... é arte! Rindo a toa

 

Começo a semana das “Mães” (ainda vem coisa por ai Carente) com essa bela pintura nomeada Mari Sabel, que já se dedicava às telas e tintas mesmo antes de entrar para a Matrix, mas que explorou ao máximo sua capacidade de criação (já tem cerca de 500 trabalhos) após um acidente de carro, ocorrido há 19 anos.

 

 

 

"No início a arte era uma terapia, passatempo mesmo, mas tão logo me apaixonei e ela tomou uma proporção gigantesca; despertando para a idéia de  poder ter como fonte de renda. Pintando, me sinto ilimitada, podendo percorrer lugares infinitos. A arte jamais impõe barreiras! Posso dizer com todas as letras que a arte hoje é a expressão viva da vida que há em mim! Tendo os movimentos das mãos limitados, pinto com a ajuda de manguitos (adaptações para as mãos), pois só recuperei parte dos movimentos dos braços".

 

Ôh, povo, e fala sério, né? Vai ser bonita assim lá em casa, né, não?! Muito triste Apesar de todo o profissionalismo do trabalho da Mari, o artista deficiente ainda é visto muito com benevolência. É comum ouvir “ai que bonitinho aquele ceguinho cantando”, “óia que quadrinho ‘frorido’ aquele cadeirante desenhou”. Mas essa fase da arte do giz de cera, do solzinho, casinha com chaminé e montanha vendida por aquele “mamulengo” suuujo nas feiras livres já era, meu povo.

 

 

"Pelo receio de errar que muitos deficientes físicos têm medo de fazer alguma tentativa ao se deparar com o desconhecido em seu cotidiano, pois acham que são leigos diante do novo, colocando a obra como algo intocável e inatingível. A arte está aí, e juntamente com ela transpasso qualquer olhar de piedade que possa existir. Somos nós mesmos que temos que quebrar esses paradigmas... quem melhor para mostrar o quão capazes somos?"

 

Aos meus olhos de leigo, as telas da Mari parecem de um sabor daqueles que alegram a alma, encantam a mente. Contudo, a pintura de maior vigor realizada por essa loira catarinense é um guri de 12 anos.

 

 

 

“Minha gravidez aconteceu aos 25 anos. Já estava havia sete anos cadeirante. Ser mãe  foi a maior dádiva que poderia ter recebido... sabia que a vida havia me presenteado! O milagre  da vida está  presente no nosso dia-a-dia! Mostrar a todos que gerei uma nova vida sempre foi meu orgulho! Com todas as letras posso dizer que ter um filho é a melhor e maior obra de arte que uma mulher pode realizar, quanto mais uma cadeirante!!”

 

Mas é claro que eu tive de perguntar pra essa deusa sobre aquela velha discussão desse diário que é a: mulher deficiente bonitona? Como assim, heim, nega? Tonto

 

 

"Acredito que, cadeirante ou não, todos temos momentos de fragilidade, de se achar feia ou bonita, gorda ou magra, sensual a ponto de atrair olhares ou não. A beleza e a deficiência física não são necessariamente opostas. Porque não podemos ser ou nos sentir sensuais, belas, charmosas, desejadas? Isso tudo também vem muito do interior de cada um. Da vaidade, da auto-estima e  da capacidade de compreender que a vida não se limita ao que vemos, vai muito mais além. Acima de tudo, ou de qualquer problema físico, a beleza está mais dentro do que fora de cada um. Há muito mais num ser humano do que a perfeição física.”

 

 

E a Mari, para dar aquele “tapa no visu”, tem adaptações para quase tudo: para passar o rímel, delineador, blush, escovas...  Para conhecer mais do trabalho dela, clique aqui!

 

 

Em tempo: Povão, entramos na última semana do "Promoção e Pramocinha". Num vão me perder a 'chancha' de ganhar as 'borsas', heim? E tem pra 'homi'!

 

*Fotos de Susana Pabst e do arquivo pessoal de Mari Sabel

Escrito por Jairo Marques às 00h02

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PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 37, jornalista pela UFMS e pós-graduado em jornalismo social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999. É colunista do caderno "Cotidiano".
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