Eu, pornô
Queridos órfãos, ![]()
Como tá todo mundo com ‘xodadis’, coloco hoje um monte de fotas minhas. Assim, as “zimininas” podem ficar beijando o computador e os “zimininos” podem se espelhar na minha belezura
(Tô super lexotan, admito)
Mas esse ensaio, feito pelo excelente “retrateiro” Arthur Calasans, tem uma historinha envolvida, ‘oficorse’ Se lembram da foto que mostrei aqui do cine América, um pornozão aqui do centro de São Paulo que tem banheiro acessível? Não, clica no bozo. ![]()
Enfim, eu fui lá, acompanhando do Calasans, para conferir o pico (Tô super Dalila também, confesso
).
“A gente pode usar o banheiro acessível pra cadeirante aqui do cinema?”
Do outro lado da porta de vidro, cheia de cartazes com mulheres com pouca roupa, bem pouca, mesmo, caras entre o espanto, a surpresa e o “aff, me leva gzuis que tô pronto”.
“Espera um minutinho que eu vou pegar a chave”, disse um senhor que era o mesmo que ver o “Zé Bonitinho”, da Praça é Nossa. ![]()

Ali, eu já gostei. Ele não mandou que eu fosse urinar (ui) em outro buraco e entendeu que “malacabado” tem poucas (ou nenhuma?) opção de xixizar na região central da cidade.
Banheiro público? “Matrixiano” não deve ser considerado dessa classe pelas “otoridades”. Devemos ser tudo privados (as) para quem cria esses espaços.
No que o seu Raimundo abre a porta (o “Zé Bonitinho” se chamava Raimundo, certamente devido a suas origens suecas
), não surge um banheiro, surge uma sala de cinema, totalmente acessível, que tem um banheiro para esse povo abatido pela guerra! Aêêêêê

Povão, saquem essa porta. Não é uma porta, é um abre alas, né, não?
Tirei um monte de retrato no banheiro para um trabalho que o Calasans tá fazendo e que, em breve, conto aqui. Aí, o seu Raimundo “me tirou”. “Vou sair pra vocês ficarem à vontade. Vou sair para fazerem suas coisas sossegados”.
“Não precisa, não, seu Raimundo, a gente quer só mostrar o exemplo que o senhor tá dando pra outros empresários promovendo o acesso pleno.”
“Ah, mas precisa ser tudo na ordem porque se não a prefeitura vem e multa”.
É, “zente”, a prefeitura multa cinema pornô, que é algo de última necessidade pra essa gente sem perna, sem braço, de muleta, de cadeira de rodas, né, não? Mas e as calçadas bagunçadas? E os grandes bares que só fazem uma rampinha mequetrefe? E os restaurantes? E as escolas? E as vagas reservadas irregularmente usadas? É de chorar pelado...![]()
Mas o seu Raimundão foi lá e fez tudo certinho. Ele disse que a procura é pequena. Depois a gente reclama que o povo do mundo real ache que somos assexuados.
![]()
“Vou botar um filminho pra vocês curtirem”. Aí eu num “guentei” e cai na gargalhada. Como eu tenho um compromisso com esse diário, para fins relatoriais e para saber a “qualidadchi” da tela, aceitei, mas não rolou clima com o Calasans.


Percebam o meu ar de indignação diante da película “Meninas Selvagens” (era sobre moças que trabalhavam na selva, sacam, nuas?
). E botem reparo também na quantidade de lugares reservados para os cavalos. É praticamente um Jockey Clube. ![]()

Achei sensacional este espaço, juro. Por que não um cinema pornô acessível? Se é pra dominar o mundo, que seja em todos os cantos. Que tenhamos liberdade de ir e vir onde bem entendermos.

Bom final de semana pra todos e até amanhã, pra quem for na baladadinha da “comunidadchi" dos Orkut. Fiz até ‘bigudinho’ nos cabelos para poder estar de acordo!!! Urhúúú
Escrito por Jairo Marques às 00h53
Ausente
"Zente", vou ficar sem blogar uns dias... tô muito bagunçado das ideias. Quando eu me arrumar, volto.
Té!
Tico, cachorro da minha querida amiga Uisal
Escrito por Jairo Marques às 08h07
O foca
No jornalismo todo “minino” novo que entra na profissão é batizado de foca. Então, o “serumano” que carrega essa alcunha dentro da redação é sinônimo de pouca experiência e merecedor de atenção porque no menor descuido ele faz caca
.
Bem, mas a minha história de foca aconteceu quando eu já tinha um bom tempo trabalhando na Folha e já sabia bastante sobre a arte de fabricar parágrafos. ![]()
Estava numa apuração muito custosa junto com dois outros repórteres que são meus grandes amigos, Eduardo Scolese e Rubens Valente. O objetivo da gente era provar que funcionários de deputados, pagos com o nosso dinheiro para “trabalhar” em Brasília, nos gabinetes, estavam, de fato, nos redutos eleitorais dos políticos pelo Brasil afora e que Brasília mesmo só conheciam aquele carro que é um luxo, sabe qualé? ![]()

Uma das minhas funções dentro da reportagem era flagrar uma situação dessas aqui pertinho de São Paulo, em Osasco. Para a missão, foi comigo um fotógrafo que é uma verdadeira lenda aqui no jornal, o Luiz Carlos Murauskas, o nosso Luizão.
Chegamos a Osasco cedo e logo achamos o escritório político do tal deputado. Ali, pelo bem da moral, ele deveria manter seus funcionários com dinheiro do próprio bolso ou com dinheiro do partido, mas não usando a estrutura que a gente arca pagando impostos, em Brasília.
Paramos em frente ao escritório e, para a minha aflição, para chegar até a porta havia uma baita escadaria, estreitinha e com degraus pequenos. Eu tava na roça pra subir aquilo montado na minha cadeira de rodas
. A ideia era flagrar o povo lá e, por isso, nem liguei antes para me certificar das condições de acesso!
Bem, eu estaria na roça se não tivesse ao meu lado o Luizão, que enquanto os comuns estão fervendo a água ele já tá é colocando o molho na macarronada
. Como já expliquei, quando estou cumprindo minhas funções profissionais, não posso desistir de uma missão devido às condições de acessibilidade, afinal, é o nome da empresa que está em jogo.
“Fica aqui na calçada que eu vou lá resolver isso. Vou explicar do que se trata a matéria pra eles e vai dar tudo certo. Num sai aqui da calçada, não.”
Passaram-se uns vinte minutos quando avisto o Luizão descendo a escadaria acompanhado de dois homens sorridentes e com ares de “somos super bonzinhos”!
“Ôh Jairo, eles vão subir você lá para o escritório e você faz sua entrevista sossegado”, disparou o fotógrafo bonachão.
Eu olhei pra ele meio perplexo, afinal, a conversa ia ser tensa com os dois cidadãos. Mas, quem tá na chuva é pra pegar resfriado
. Os cabras pegaram na cadeira e foram me subindo naquela escadaria. Os bichos suavam mais do que moringa de água fria.
O Luizão? Ele só ficou olhando e rindo, no canto da boca. “Eu num posso fazer esforço porque tenho uma dor nas costas.... mas vocês são jovens e nem precisam de ajuda!”.
Povo, imagem minha tensão. Eu tinha flagrado dois funcionários que ganhavam pra trabalhar na Câmara dos Deputados, em plena segunda-feira, no escritório do deputado, em Osasco city, iria colocá-los na parede (ui), mas estava sendo carregado por eles.
Antes de começar a entrevista, o Luizão tomou conta do pedaço. “Primeiro eu faço as fotos porque depois você vai cansar a beleza deles com suas perguntas”.

Fotos de Luiz Carlos Murauskas; percebam a expressão tranquila, antes da entrevista
Quando chegou a minha vez, foram só torpedos pra cima dos caboclos que, aos poucos, iam murchando os sorrisos:
“Se vocês são pagos pra trabalha em Brasília, o que fazem em plena segunda-feira aqui em Osasco? Aqui vocês fazem claramente atividades pessoais do deputado, não acham uma imoralidade serem pagos com dinheiro público?” Quem quiser ler a reportagem, clica no bozó, mas tem que ser assinante do Uol e da Folha. ![]()
Quando o clima esquentou de vez, o Luizão interveio: “Num tem um cafezinho, não?” Os dois saíram e me deixaram sozinho com o fotógrafo na sala.
“Luizão, que raios você disse para os caras? Eles tavam todos sorridentes quando foram me pegar lá embaixo e agora tão fervendo!”
“Ah, eu disse que você era repórter foca e que por isso não tinha ligado e marcado nada antes. E falei que se eles não dessem a entrevista, que era pra falar bem do trabalho do deputado, você ia até perder o emprego. Ah, e eu disse pra eles ajudarem um ‘malacabado’ pra irem pro céu.”
Eu não sabia se eu ria ou se eu chorava. Eu só fiquei pensando como seria a descida daquela escadaria toda. Tava me preparando pra descer rolando. ![]()

Concluídas as perguntas, os dois funcionários, de cara fechada e mais brabos do que cachorro de japonês disparam: “Vamos te ajudar a descer”.
Naquele momento eu só pensava: “Minha nossa senhora da bicicletinha, dai-me equilíbrio*” ![]()
![]()
E a dupla, com a “filosofia” fechadas (saca assim a filosofia do rosto?
), ‘di certeza’ com muita vontade de me largar escadaria abaixo, me desceram certinho. Confesso que eu fiquei mais parado do “zóio” de santo na cadeira. ![]()
Em tempo: A falta de acessibilidade dificulta muito o pleno exercício de qualquer profissão que exige algum tipo de deslocamento. Porém, é fundamental fazer de tudo para que a deficiência não seja empecilho para o trabalho.
Assim, o ideal é não se “jogar” que nem eu fiz com o Luizão (que Mona isso
). Quando sair da “firma” para algum trabalho externo, certifique-se que há condições de trânsito com seu cavalo. Caso vá precisar de auxílio em escadas ou desnível, ‘garre’ fé em Nossa Senhora da Bicicletinha. ![]()
* Essa eu devo ao meu repórter Gustavo Hennemann, vulgo 'Capaz'!
** Imagens retiradas do Google Imagens
Escrito por Jairo Marques às 08h03
Eu "ando" pelo mundo
Tô numa “lezera” que parece que puxei dois caminhões de banana sozinho nos últimos dias...
Mas, bora concluir a semana! Hoje eu queria falar sobre algumas “curiosidadchis” do blog que “vo6” desconhecem. Como esses últimos dias foram de balanço/enrolação
, acho legal dividir as informações com todo mundo.
Países: esse blog cheio de gente sem perna, sem braço, que não vê, que não escuta, que usa cadeira de rodas já foi acessado a partir de 121 países! Uhrúúú . Como o nosso projeto é dominar o planeta, falta pouco para termos um representante em cada canto do globo (vai, fala, fala que eu sei que você ta pensando: “inzibiiiido”!
) A temática desse diário, exclusivo para “estropiados”, é inédita entre os grandes meios de comunicação do mundo. Isso ajuda a puxar gente pra cá.
“Ofi corsi” (pra tu que é burraldo e não fala inglês = é claro), porém, que o fato de ter brasileiro em toda parte da terra, afinal, a gente invade, mesmo
, é o que determina isso! E quais são os top 10 countries? (country num é aquele chapéu véi que você na festa de exposição, não, é país, viu?!).
Puxado pela Silvetz, pela Debis, pela Diefani, pela Celia... os “Estadusunidos”, depois do Brasil, “craro, né, cróvis”, são o país que mais acessa o “Assim como Você”. Aêêê Em seguida vem a Alemanha, Portugal (onde eu sou bem entendido
), Inglaterra, Itália, Japão (acho um luxo ser lido de ponta cabeça. Como será que se escreve “malacabado” com pauzinhos?
), Argentina (Pilaaaar, óia ocês ai!!!), França, Espanha e Canadá.
Cidades: A primeira colocada bem que poderia ser “Trelagoa”, né, não?! Mas as “internets” tá chegando aos poucos lá.
. São Paulo é o lugar que mais acessa o nosso blog com larga vantagem diante de qualquer lugar do planeta! Uuuuuia. É gostosa a sensação de saber que saí de uma cidade que se você piscar quando tiver passando por ela é capaz de nem ver
e chegar aqui onde se pisca, pisca, pisca e ninguém te dá vez pra entrar na via
(geeente eu tô meio lexotan hoje, né?) e conseguir atenção de tanta gente, ser reconhecido!
Bem, “mas e as outras, tio”?! Que rufem os tambores!!! Acho que essa ninguém acerta! Rapai... a segunda cidade que mais acessa o “Assim como Você” é “Belzonte”!!!! Aêêêêêê Brigado ai, Max, Carol, Virgis, Hermano e uma galera toda comedora de pão de queijo!!! Eu fico impressionado com a penetração (ui!) do blog em todo o Estado de Minas!

Em terceiro, graças à dona Cleide, certamente, que faz “publicidade” do blog até pra menino recém-nascido
, vem Brasília, seguida do Rio de Janeiro, onde a gente demorou a decolar, mas, agora, “tamo bombando” (empurrem ai, Carlão e Lene!); Em quinto vem Campinas, depois Curitiba; São José dos Campos (só o Bob acessa ‘mir veiz’ por dia); Goiânia, porque a Adriana e o Rogério não fazem outra coisa a divulgar o projeto de dominação do mundo e, por fim.... tchanannnnn.... Bora voltar pra baladaaaa!!! Salvadoooorrr e Ribeirão Preeeto!!! ![]()
Comunidade: Pra acabar, quero agradecer a uns “pessoal” doidinho de pedra que faz parte de uma comunidade do blog nos próprio “Orkut”, trem que o tio num entra porque tem medo de acharem meus podres
. A criadora é a Talitinha Godoy e parece que já tem ali duuuas ou três pessoas cadastradas
. Para acessar, é só clicar no bozo!![]()
Eu fico demais de contente de saber que há mais essa espaço como extensão do blog. E o povão da “comunidadchi” “di certeza” que programou uma festa de “verdadchi” pra comemorar um ano de blog!!! Uhrúúú. Anotem ai as instruções para quem quiser ir. Vou até mandar fazer trança nos cabelos pra ir bem gato! ![]()
Quando que é? No dia 30 de maio, mais conhecido como sábado. Onde qui é, heim?! Cervejaria Braugarten (você num achou que ia ser numa sorveteria, né? Mai comé que faz pra xegá? O xopis fica bem próximo às estação Brigadeiro e Paraíso, do Metrô. Quem for de xaranga o endereço é Treze de Maio, 1947, Bairro Bela Vista. Tem estacionamento vip pros “matrixianos”. Que hora que é? A partir das 18h, como eu durmo às 19h30 devido à idade avançada, “fafavor” de chegar cedo! Pra que a gente tenha mais conforto, quem firmar fé de que irá, por favor, mande um email para glorianeg@hotmail.com e debora_filhos@hotmail.com falando: “eu vô”! Bom final de semana pra todo mundo e beijo nas crianças! * Imagens retiradas do Google Imagens
), no Shopping Paulista, em São Paulo (SP) ![]()
Escrito por Jairo Marques às 00h28
Dez blogs
Desde que pari
o “Assim como Você”, passei a frequentar vários outros diários para me inspirar, para me divertir, para incentivar outros trabalhos. Tenho prazer em palpitar em alguns textos, dar sugestões.
O mais louco é que algumas pessoas ficavam surpresas de um jornalista de um grande meio estar “zambetando” em blogs
. Como eu sempre digo, sou comedor de arroz com feijão, meu povo, e jornalista que não se intera com o mundo não tem condições, a meu ver, de ser um bom profissional.
Hoje, elenco dez blogs que considero “maraviwonderful” e que, de certa forma, me sinto padrinho! Há muitos outros que adoro e os blogueiros sabem disso, aqui, estão apenas os que têm uma ligação direta com a questão da deficiência ou mesmo com a minha história!
http://oglobo.globo.com/blogs/maonaroda/ (Eduardo Camara e trupe): Sem dúvida, o melhor blog de aspectos técnicos sobre tudo que envolva a deficiência física. São pioneiros nas “internet” e de muita qualidade
O Mão na Roda surgiu de uma necessidade danada que eu tinha de buscar - e compartilhar! - informações sobre o dia a dia de um cadeirante, como eu. Montamos uma espécie de equipe multi-disciplinar, com direito a cadeirante, especialista em acessibilidade e namorada de cadeirante, mas com o mesmo objetivo em comum: passar adiante tudo o que sabíamos e aprender um bocado com os leitores. De lá pra cá a equipe cresceu, o blog ganhou ritmo e também parceiros importantes, como o Tio Jairo. Rumo à dominação do mundo, o "Assim Como Você" faz aniversário. Mas o presente nós ganhamos todo dia, quando viemos aqui e encontramos um novo post! Parabéns!
http://otempoqueexisteemnos.blogspot.com/ (Marli Cassiano): Pela delicadeza, pela coragem, pela emoção e por eu ser puxa-saco da Marli, que é xará da minha mãe ![]()
Num desses dias achei o blog do Jairo e me identifiquei na hora com seu modo de abordar temas tão sérios de forma bem-humorada, muito parecido com as brincadeiras que faço no dia a dia e veio a vontade de escrever sobre as emoções, o que não tenho coragem de falar abertamente. Assim, com a ajuda do Fábio e surrupiando o nome de uma de suas poesias (tem tudo a ver comigo), criei esse diário contando minhas aventuras, de como é difícil ter dois “malacabados” na mesma família, de como não existe a menor possibilidade da gente desistir por conta disso. Muitas pessoas próximas só tiveram noção do que passamos através da publicação de um texto nosso no “Assim Como Você” e a partir daí deixamos de ser “aqueles seres de luz” para ser simplesmente nós.
http://thaisfrota.wordpress.com/ (Thaís Frota): Serviço, informação, curiosidade e arquitetura acessível da melhor qualidade
Há um ano comecei a acompanhar o blog do Jairo e me identifiquei muito, a forma didática de como é tratada a questão da pessoa com deficiência é única! Eu sou arquiteta e trabalho com Acessibilidade, e me senti intimada a ter um blog que fale de descasos arquitetônicos e soluções de acessibilidade, e o Jairo "maraviwonderful" me incentivou muito! Parabéns Jairo! E que seu blog permaneça tocando o coração de muita gente por muitos anos!
http://causosdavidalheia.zip.net/ (Tia Crê): Fonte de inspiração, de diversão, de gargalhadas, de tudo!!!
Tem gente que fala que eu sô Hilária, mas esses tão inganado: Hilária é irmã da Hilda e da Hemengarda, um dia ainda conto uns causos delas procês. Sou Clementina da Camiranga, Sinhá pros amigos. Tenho um brog nas vereda do virtuar, uma varanda, onde reúno os amigo pra contá causos da vida alheia. Meu subrinho e afilhado, o Jairinho, tá sempre lá, causo de que ele tomém gosta de deitá na rede e relaxá ouvindo as estórias do povim. Se ocê gosta de rir de gente e com gente ansim feito ocê, pode se achegá que minha varanda é inguar carro de pobre: sempre cabe mais um.
http://esclerosemultiplaeeu.blogspot.com/ (Bruna Rocha): Um tema cheio de conceitos desconhecidos e com visões erradas é desanuviado com inteligência, bom humor e ótimo texto
Conheci o Jairo vendo o Programa do Jô, e, assim como ele, me sinto vivendo na Matrix. Tenho Esclerose Múltipla (EM) desde meus 14 anos, e há pouco tempo, mantenho um blog sobre a doença na minha vida. Como já falei pro Jairo, a EM tem o super-poder da invisibilidade, porque olhando para um portador ninguém diz que a criatura tem alguma coisa. Mas esse super-poder acaba sendo também sua “desgraça”. O blog tem o objetivo de difundir pro mundo que diabos é essa doença xaropinha e quais são as dificuldades e obstáculos que ela coloca na minha vida. Parabéns, Jairo por manter esse blog mariwonderful “no ar”. Temos mesmo que nos unir para mostrar que ser diferente é a coisa mais normal desse mundo.
http://www.vnews.com.br/blog.php?id=27 (Luis Daniel): Um novo jornalista “malacabado” entrando no pedaço chutando a porta... tem talento, é dedicado e está ganhando terreno!
O Reflexo sobre rodas no VNews (Ligado à Rede Vanguarda) é a versão mais recente do Reflexão sobre rodas, que nasceu em 2006 como um diário de estudante de jornalismo, que por um acaso anda de cadeira de rodas. Nos ultimos tempos, ele decidiu, digo, eu decidi, que escreveria somente sobre "malacabados" até pra ele ter uma identidade própria. Claro que essa definição tem a ver com quando eu comecei a acompanhar o "That's like you" (o "Assim como você"
). A escolha deste tema me trouxe um grande crecimento pessoal e profissional.
http://desculpenaoouvi.laklobato.com/ (Lak Lobato): Pela abordagem inédita, bem sacada e totalmente dentro da dominação do mundo
Qual a diferença entre "ouvir" e escutar" ? Sob um narrativa poética e delicada da autora, surda desde os 10 anos e maravilhada com a criativa e divertida abordagem do "Assim como você", o blog "Desculpe, não ouvi!" convida a um mergulho silencioso, traduzido sob a ótica de quem tem deficiência auditiva. O texto faz as vezes de ponte entre dois universos distintos com a intenção de desmistificar o preconceito e aprender que é possivel, através da sensibilidade, escutar com o coração.
http://compulsaoporpalavras.blogspot.com/ (Fernanda Pereira): Delicadeza em abordagens sobre a vida, sobre amores, sobre dissabores...
Acompanhei o Assim Como Você desde o sigiloso processo de gestação quando você dizia: “tenho um projeto muito legal, vai me consumir muito tempo, mas se a Folha aprovar, vai ser maravilhoso”. E assim eu vi o blog nascer, dei palpite na diagramação, até em texto em tive a audácia de palpitar. Tenho orgulho de ser uma infiltrada, de mostrar os dentes e inflamar o “zóio” de sangue para estar na linha de frente de uma batalha que também é minha. E inspirada na sua coragem em contar os percalços do seu dia a dia, eu me inspirei a contar os meus. Não tão engraçados e nem com causa tão nobre, mas meus e que, nos dias em que meu fusca falha, ele me dá um arranque. Jairo, você é um daqueles caras que eu quero ser igual quando crescer, pessoal e profissionalmente. E o nome, Compulsão por Palavras, é todo inspirado em uma das nossas conversas, quando você me disse: “nós somos dois compulsivos, compulsivos por palavras.”
http://cantodasperdas.blogspot.com/ (Gisele Azevedo): Pela coragem de abordar um tema de interesse para milhões de pessoas, sobretudo os deficientes. Informação de muita qualidade e divertida
Um blog onde são publicados textos explicativos e descontraídos sobre a incontinência urinária, a incontinência anal, as feridas e os diversos estomas. Escrito direto da roça de Sorocity, por uma profissional da área de reabilitação que acredita que "quando se perde o telhado, em troca se ganha as estrelas..." Perdeu-se? Então siga a trilha!
http://tocandoavidasobrerodas.blogspot.com/ (Evandro Bonocchi) – É meu brother, e eu mando nesse troço ... Ele conta histórias diversas sobre o mundo dos matrixianos
No blog escrevo sobre meu amores, minhas conquistas, minhas tragédias, mas sempre tentando fazer com muito humor, coisas sérias são chatas demais para mim. Não tenho pretensão que esse blog seja informativo e correto (para isso existem o "Assim como vc" e o "Mão na Roda"), muito pelo contrário, tento mostrar através dele, o quão normal um cadeirante é, sem fazer tipo de coitadinho, de santo, essas crendices tolas que cercam um deficiente.
Escrito por Jairo Marques às 08h04
"Jativi"
Neste primeiro ano, fui agraciado com centenas de palavras disparadas de várias cidades do Brasil por meio dos comentários. Algumas são de rolar de rir, outras emocionam demais da conta, outras tiraram meu couro.
E também é preciso dizer qque algumas postagens ficaram para a história do blog no período. Pra contar um pouco disso tudo, fui pra cozinha, liguei o fogão, abri a geladeira e preparei um “jativi” pra “vo6”. Para tudo. Não sabe o que é “Jativi”? Alôôôuuu...
Já te vi, saca? Algo que você já viu antes, vulgo “malmita” requentada, vale a pena ver de novo, entre outros.
Viciados: A primeira menção aos sintomas de vício pelo blog, pela turma do “Assim como Você” foi manifestada pela....?! Kassia, da Bahia!! Uhrúúúúú. Dá-lhe dendê pra essa coisa querida que até hoje empurra a kombi rumo ao domínio do mundo!

Seu blog é como "xiclete" gruda e acaba viciando kkkkkk, pois é jairo, matéria muito bem pensada,muita gente não tem idéia de como é ser cadeirante num país sem infra- estrutura alguma, pensa-se na massa e esquece que parte de uma população precisa de adaptações para que suas vidas possam ser vividas em sua totalidade, ainda bem que vc existe e faz uma grande parte dessa população"viciados sem cura" no blog, é claro kkkkkkkk,enxergar com outros olhos a realidade do nosso país,parabéns, excelente tema abordado! Kassia, de Salvador (BA), às 9h32, no post “Cadeira Elétrica", de 09/07/2008
O Campeão: Quem ai chuta qual foi o texto mais lido, em um só dia, de todos os tempos (até parece que tem tanto tempo assim, né, não?
) nesse diário que tem um monte de gente doida, mas que toma banho quaaaase todo dia? Ele se chama: “Um motel para chamar de meu”, onde o tio conta a já conhecida mundialmentchi história dos perrengues que teve pra levar uma moça pra mode a gente conversar com mais privacidadchi num motel, é claro. ![]()
Uma choradinha incontida: Tem comentário que eu não “guento” de tanto que vocês me mimam ou mesmo mimam o personagem abordado. Esse tipo de retorno, de gente que abre mesmo os próprio coração e derrama emoção no blog, me pega no contrapé. Pra mim, é um impacto danado receber de vocês uma porção de experiências, de apoio, de empurrões, de carinhos. Eu nunca achei, juro, que o blog teria esse tipo de retorno das pessoas. A primeira vez que me lembro de não ter aguentado o impacto de um comentário e ter dado uma choradinha (ultimamente vira e mexe eu to enxugando os “zóio”
), foi no comentário abaixo:
Jairo ,ontem li esta mensagem do teu blog por acaso e vi a linda bailarina. Corri, peguei um laptop, consegui conectá-lo à Internet da forma mais esdrúxula do mundo para que meu pai, um jovem senhor de 78 anos, que está temporariamente sem poder andar por causa de uma cirurgia visse também o vídeo. Na minha frente ele mal olhou, pois está com raiva do mundo, dizendo-se morto e acabado (apesar de todo nosso carinho e esforço para que ele se sinta melhor). Quando eu já ia saindo do quarto, juntando toda a fiarada que havia improvisado, ele disse: "Fia, o computador pode ficar aqui?" "Claro, né." Há dias, ele não se interessava por nada! Hoje cedo, quando cheguei na casa dele para dar um cheiro e um descanso à minha mãe, o encontrei fazendo a barba e cantarolando alecrim dourado. Acredita?! Milhões de beijo à linda bailarina. Parabéns à familia dela por ter uma jóia assim e saber reconhecê-la com tal. Vivi, de Fortaleza (CE), às 17h35, no post “O que sei e o que não sei”, de 19/09/2008

O popular: Por mais que o efeito “Jô” tenha aumentado o público do blog, o que é ótimo porque assim o projeto de domínio do mundo por parte do povo da “Matrix” sai mais rápido, por incrível que parível
, o post mais popular, o mais comentado, foi beeem antes disso...
O post “Um sorriso para Malu”, publicado em 27/07/2008, que conta a história de uma menininha mamulenguinha linda que participou, aos trancos e as barrancos, de um desfile de moda infantil, foi comentado por 166 pessoas. Estou desconsiderando o texto: “Quando o carteiro chegou”, que foi tumultuado demais e vocês viraram um “maribondão preto” pra me defender
. Este seria o recordista de comentário, com 180 recados deixados.
Os infiltrados: O termo infiltrado pegou mesmo aqui no blog. Pra quem ainda não sabe, o infiltrado é a pessoa que não tem nenhum tipo de deficiência, nem parente “malacabado”, mas que aderiu à causa de tornar o mundo mais acessível pra todos. Essa figura, dentro da Matrix, é de uma importância crucial, afinal, são os infiltrados que empurram o cadeirante na subida da ladeira, que atravessa o cego no farol, que dá papinha pros mamulengões?
Hoje o blog já conta com uns dois ou três nessa “catiguria”, né, não? A primeira vez que o termo apareceu no blog foi...
Jairão, desse jeito atraso todo meu serviço, sabe como é, não consigo chegar cedo e até ler seu blog, daí não consigo ficar sem fazer um coments...mas to dentro!!! e por falar nisso, como vc diz :" Ai Gzuis!!! que Doutora Linda essa heim...Ela esta de parabéns, não só pela beleza exterior, mas pela interior, acho muito lindo essas pessoas que abraçam a causa, apesar de não serem "matrixianos"...eu por exemplo, vergonhosamente abracei a causa só depois de ganhar meu "cavalo de aço"...Mas é isso aí, só dominaremos o mundo com todos unidos, os matrixianos e os "infiltrados" (essa é nova,heheheh). Meu querido um grande abraço e cada dia mais fico admirado contigo, isso porque não te conheço pessoalmente, imagina quando te ver cara a cara, acho que me apaixono...(êta bopilossi) O pessoal é brincadeira viu, sou casado e bem casado.hahahaha. Augusto Toledo (quase ninguém conhece esse EMOTION), de Indaiatuba (SP), às 10h34, no post “Sobre leitores e universitários”.
O meu xodó: Se eu conseguir, ainda nesta semana vou contar um pouco sobre o meu processo meio doido de escrever aqui pro blog. Alguns textos, quando eu termino, digo pra mim mesmo: “esse passa de ano; esse vai pra recuperação”
. Mas, há textos que eu curto o resultado final e é muito legal quando sou coroado (ui), com uma boa repercussão de vocês, meus queridos leitores. O xodó pra mim foi o texto: “Na busca de um milagre”, publicado em 14/09/2008, e fala sobre como é para a família de um deficientchi como eu ficar procurando uma solução para o malacabamento.
Escrito por Jairo Marques às 08h03
Os vencedores
“Zente”, dando sequência (agora sem trema) às 'festividadchis' de um ano do "Assim como Você", vamos aos ganhadores da Promoção e Pramocinha, que faturaram um brinde “maraviwonderful” (umas borsinhas inacreditívies de lindas!
), da Modus Ateliê, que faz pensando nesse povo 'malacado'! Uhrú
A disputa foi muito acirrada e os jurados (O “Rô” Veloso, a “Silvetz” Dutra, a “Leiloca” Santos, a “Paulinha” Pavan e a “Lulu” Isabel) tiveram de fazer duas rodadas de votação.
Foto de Rapha Bathe
O empate não foi resolvido e eu, como democrata e “minino bão” que sou
, resolvi que teremos três vencedores e não dois!!! Aêêêê
Todos irão receber os trem em casa, enviado diretamente dos “pessoais” da Modus, a quem eu agradeço pelo sucesso da premiação! (Vem outros lances doidos por ai pra matrixianos e infiltrados!)
Agora chega de blá-blá-blá ... And the Oscar goes to.... Opa,
e os vencedores são:

Marcos Camilo, de Telêmaco Borba (PR)!!! Mandou beeeeem, heimmm, nêgo?! ![]()
O que você faz para que a Matrix domine o mundo?
“Faço do meu corpo uma rampa de acesso à liberdade e a felidade. Através dele, expresso todo o desejo de viver de um matrixiano, assim como de sonhar cada dia com mais intensidade, fazendo a diferença no mundo tão desigual.”

Augusto Toleto, de Indaiatuba (SP)!!! “Mai” que rapazinho esperto, né, não?! ![]()
O que você faz para que a Matrix domine o mundo?
“Para dominar o mundo materializo-me diante da sociedade, dando voz aos meus direitos e forma ao meu cavalo de aço, apresentando-me como sou, um MATRIXIANO com direitos e deveres como um ser humano comum.”
Foto de Rapha Bathe
Vera Lucia Alba Reis Dias, de Santos (SP)!! Ufa, pensei que só “homi” ia faturar tuuudo! ![]()
O que você faz para que a Matrix domine o mundo?
“Para que a Matrix domine o mundo, eu sou assim, Assim como você!”
Uhrúúú! Parabéns aos vencedores e muito obrigado a todo mundo que participou com frases "bacanudas", mas que não deram aquele o "fatalit" nos jurados. Então, toca Raul e "Tente outra vez"!!!
E bora seguir a festa.
Escrito por Jairo Marques às 08h21
Um ano depois!
É, ‘pessoais’, hoje o dia se faz mais do que especial para este diário.
Montado numa cadeira de rodas, guiado por um cão guia, usando aparelho nos ouvidos, andando com auxílio de uma prótese, de uma muletinha, dando uma mancadinha, uma babadinha, às vezes
, ou mesmo “perfeitinhos”, chegamos ao aniversário de um ano do “Assim como Você”.
Muita gente me pergunta qual o tempero que uso pra fazer essas “duas ou três pessoas” me acompanharem todos os dias e toparem um desafio singelo
de “dominar o mundo” para que ele seja um lugar melhor e mais acessível pra qualquer “serumano”.
Tendo a achar que esse tal tempero é formado por vários ingredientes: a abertura, sem pudores, das minhas histórias vividas em um mundo paralelo, batizado aqui de “Matrix”, habitado também por outras milhares de pessoas;
A ousadia de abordar um tema tão “duro” (ui
) que envolve essa gente que faz xixi de canudinho, que não vê, mas sente, que não sente, mas ama, que precisa de alguns detalhes especiais para interagir com o mundo, tudo feito com uma linguagem nada conservadora, nada comum, nada pomposa.
Isso aqui é um boteco aberto 24 horas por dia para quem quiser palpitar, para quem quiser traçar novos planos de dominação do mundo
, para quem quiser aprender algo sobre a deficiência, para quem quiser esquecer suas pequenas derrotas cotidianas e começar a armar uma estratégia maior para viver melhor, bem melhor.
Sou extremamente grato aos meus queridos leitores que me fizeram de um jornalista que relatava nuances do mundo em um “presidente” de um outro mundo.

A cada comentário (são cerca de 10 mil, ao todo), a cada email recebido (são cerca de 5 mil) sinto como se vocês me dissessem: “Vai, Jairo, vai que estou contigo”.
Por isso, não me importo de, quando possível, interagir, discutir, dar uma brigadinha
, rir, chorar, abraçar, empurrar e vibrar com cada um de vocês.
Casualidade ou não, neste último ano começou uma revolução pouco silenciosa de um povo “malacabado”. Estamos mais nas mídias, nas “internets”, nas discussões de quem manda e também nas de quem obedece.
Criou-se, com este espaço, uma grande rede de gente que toma atitudes diárias para garantir que a pessoa com deficiência possa ser vista de uma forma diferente, rompendo velhos estigmas, velhos conceitos, velhos olhares... porque, afinal, “véio” nessa história é só...? ![]()
Também por “acaso do destino”, justamente hoje, uma penca de prefeitos do interior de São Paulo vão assinar um pacto, um documento oficial com o governo de Estado, com o compromisso de tornarem suas cidades plenamente acessíveis.
É com muita alegria e com um uma reverência de agradecimento aos seguidores dessa causa (com a incrível e adorável adesão de milhares de ‘infiltrados’), que comemoro esse primeiro ano, quando o bebê não mais titubeia e já consegue dar alguns passos com firmeza.
Para celebrar esse momento, nada melhor do que uma homenagem aos pioneiros, aos colaboradores que atuam nos bastidores dessa longa viagem à bordo de uma Kombi “véia”, mas que segue firme rumo ao propósito de tornar todos os lugares mais plenos para todas as pessoas.

Abaixo, vocês poderão apreciar uma “sinfonia inacabada”. Sim, porque mais e mais convidados chegam todos os dias e a música, então, nunca acaba.
Os que chegaram por agora, aos “antigos” que por ventura eu tenha me esquecido, peço desculpas e peço para que não fiquem “bicudos”
, outras festas ainda faremos juntos!!!
Aumente o som, amplie a tela, arraste os móveis e dê espaço para comemorar comigo um ano de um espaço que é “Assim como Você”!
Escrito por Jairo Marques às 00h04
O Fura filas
- Passa aqui pra frente, fio.
- Aqui tá bom, brodi. É que eu tô com meus...
- Magiiiina, ocê tem ‘prioridadchi’. Pode passar na frente. Você já sofreu tanto na vida, né? Olha essas canelas secas...
- Sofri, né, mano?!
E lá vai eu deixar todos os meus amigos na fila da baladinha porque, afinal, eu não tenho o direito de decisão se quero ou não passar à frente e entrar primeiro na casa da luz azul (pensaram que eu ia escrever vermelha, né?
).
Há casos em que a gente é arrancado da fila, literalmente, pelo segurança. Ninguém pergunta nada, não pede o telefone, nem o email, não deixa rolar um clima
porque, afinal, “matrixiano” fala?
Pô, mas tem hora que eu quero ficar ali, curtindo a pinga com o grupo de colegas que também tão esperando. Quer conversa mole melhor do que as de filas? “Óia aquela nega ali que tetéia (essa eu arranquei do baú!
)”; “Rapaz, e esse ano que num acaba nunca, heim?”. “O campeonato mundial do Curintia só ele acha que ganhou, né?”

Ou seja, fila socializa. Na fila rola o esquenta da night (essa também é do tempo do ‘chicrete bubbaloo’
), rola a paquera, rola piadas insanas, rola falar mal da vida dos outros...
Uma vez um grande amigo meu perguntou assim: "Ôh Jairão, por que raios que você pode furar a fila? Você tá ai sentado, num tá se cansando, não tá doente e nem precisa ser atendido rápido... então...?". No que eu tenti responder: "É que..... é...."
Calma, “zente”, eu não sou contra esse povo sem perna, sem braço, de bengala de cadeira de rodas poder entrar nos lugares (ui) antes de todo mundo. Mas, há casos que, sinceramente, eu queria que entendessem que a fila não tá me maltratando e não irá me deixar mais “malacado” por esperar. Se quiser optar por esperar, beleza, uai.

Tem vez que eu fico vendo umas pessoas que tão com cara mais de morta do que viva na fila do banco e eu, todo pimpão, sarado, lavado e bem passado, passo na frente porque praticamente sou obrigado pelos outros a fazer isso.
Contudo, há explicações, sim, para que os “deficientchis” tenham prioridade em filas. “Perezempe”, nos casos em que o fulano fica em pé com auxílio de muleta, de um pedaço de pau e afins
, mas ele se cansa muito rapidamente, se desgasta e, por isso, quando antes ele se acomodar, melhor.
Dar prioridade também é bacana por uma questão de segurança. “Uai, véio, como assim?”. Pensem comigo: Caso esteja lá o cadeirante na fila pra ver aquele show do Benito de Paula, lotaaaaado de jovens, de gente moderna, descolada e histérica.
Bem, há possibilidade de haver muvuca, empurra-empurra, pequenas confusões a qualquer momento, afinal, o Benito é o Benito, né, não
. Nessa hora, o lascado do “matrixiano” poderá ser alvo de uma chuva de gente caindo em cima dele, sem conseguir se desvencilhar.

Então, muito melhor que a gente, pra nossa integridade física e pela dos outros também, entremos primeiro nos recintos (palavra horrorosa, né?
) e possamos nos acomodar antes de todo mundo! (Uhrúúú). Percebam que eu não estou falando de atendimento diferenciado (caixas com passagem mais larga no supermercado, guichês de atendimento rebaixado em bancos, rodoviária, aeroporto), tô falando só de fila!
Particularmente, me incomoda esse lance de passar a frente. Às vezes, a ideia das pessoas é que como estamos “doentes”, temos de ser atendido logo pra não morrer ali na espera. O mais doido é que em hospital não tem "prioridadchi" de "malacabado" porque ali tá todo mundo na roça, né, não?! ![]()
Ter deficiência não é ter doença, não. É ter necessidade de algumas condições especiais, “diferençadas”, para viver de forma plena. De novo, eu digo que não sou contra a prioridade. O que eu quero é poder decidir, sem me acharem um revoltado (sim, quando eu não quero furar a fila é porque eu sou um revoltado
), quando eu preciso ter atendimento antes dos outros.
Em tempo: Então, povão, segunda-feira, quero todo mundo de camisa engomada, cabelo penteado com glostora, vulgo gel, as “menina” com reboco na cara e todo mundo, todo mundo, prontos pra uma festa. Será um dia especial para o nosso blog e, cada um de vocês, tenho muita certeza, precisa erguer comigo uma taça para brindar um feito (tem que ter pinga, se não num sou eu, né?
).
Beijos nas crianças e bom final de semana!
Escrito por Jairo Marques às 00h25
Saiba onde você tá pisando!
Povão, acreditam que eu já cheguei perto de “xorar” na rua, juro, de brotar água no “zóio” desse menino lindo que eu sou
porque a cadeira de rodas atolou num buraco da calçada? É sério, “zente”, para os matrixianos que usam cavalos, enfrentar esses passeios beira o desafio de abrir vinte latas de azeitonas por dia. ![]()
É desnível de um lado, é falta de padrão de todo lado, é buraco, é obra (obra de cachorro, “excrusível”
), é remendo mal feito, é carro tomando o espaço, é falta de espaço.
Pra gente sair de casa, “zimininos”, temos mesmo de pedir os poderes de ‘Greiscon’ e virar He-Man, virar She-Ra (mais o meu caso, né? ) porque calçada da maioria absoluta das cidades do nosso país é um desafio a nossa dignidade.

Ahhhh, sim, o cegos também tão lascados nessa. Caem em várias armadilhas dos passeios. Sem falar que eles precisam de um troço chamado piso tátil, que dá orientação para que eles caminhem com segurança. Já viu ai perto da sua goma? Não? São poucos lugares mesmo que possuem.
Bem, pra falar um pouco sobre a “calçada dos sonhos”, pra explicar pra todo mundo o que são as demarcações no piso para orientar o povo que não vê... tchanammmm... pedi ajuda! Aêêêê ![]()
A Bianca, minha querida arquiteta Bibi, que é pau, tijolo, cimento e concreto pra toda obra
, fez um texto explicativo que é impecável. Se eu um dia eu conseguir comprar umas telhas pra armar um barraco, o projeto quem vai fazer é a Bibi, “di certeza”!
Tem muita coisa curiosa que ela explica. Tá “mara” (totalmente biba isso, né?
). Então, fiquem com a aula de calçada e de pisos táteis dada pela Bibi! Ah, sim, pra variar, tem as minhas gracinhas em itálico ao longgo do texto. Ui!
![]()
Com certeza, a calçada dos “sonhos” seria bem diferente das que vimos por nossas cidades, principalmente as mais antigas, que são muito estreitas. Pela legislação, as calçadas ideais seriam bem maiores, e, obrigatoriamente, deveriam ter uma faixa de serviços - onde ficariam os postes, placas, lixeiras, orelhões e também as árvores e vegetações.
Uma faixa livre, para o trânsito dos pedestres, e ainda uma faixa de acesso aos imóveis, assim, as pessoas poderiam parar na vitrine sem atrapalhar a passagem de ninguém, bem como, aquele barzinho, colocar suas mesinhas do lado de fora (ai, se fosse tudo assim... eu num queria nem morrer, viu?
)

Como arquiteta, sempre observei o desenho das cidades e das construções com outros olhos, mas com certeza, depois da escolha do meu tema para a minha especialização - acessibilidade e desenho universal - a acessibilidade (seja ela externa ou interna) passou a ser como um filtro da minha visão:
É a primeira coisa que observo nas edificações e nas ruas, tanto para os bons quanto para - o mais usual - os péssimos exemplos. E a acessibilidade não está somente ligada às rampas e nivelamentos de piso, mas também, na implantação dos pisos táteis ou podotáteis.
A utilização dos pisos táteis visa atender não somente a orientação espacial das pessoas com algum tipo de deficiência visual, mas a todos os indivíduos que circulam pelos espaços, criando percursos seguros que indiquem as direções a seguir e alertar sobre barreiras ou perigos potenciais existentes ao longo deste percurso. (Uuuuuia!)
No caso das pessoas com restrição visual total, a obtenção destas informações se dará por meio dos contrastes de sonoridade, textura e resistência nos pisos especiais em relação aos pisos adjacentes. Para as pessoas com baixa visão, além destas características, devem-se considerar os tipos de contraste de cor perceptíveis e a eliminação de reflexos.
Os pisos táteis são classificados em dois tipos: os de alerta e os direcionais.
A sinalização de alerta deve ser utilizada quando há risco de segurança, como na identificação de obstáculos suspensos, rampas, escadas fixas, degraus isolados, frente a elevadores e em desníveis. (Aí, 'zente', o cego percebe que, à frente, terá um trem que ele vai precisar ter cuidado pra não bater o chifre, não cair, não escorregar, saco?
). O piso tátil de alerta deve ser cromo-diferenciado (de outra cor) ou deve estar associado à faixa de cor contrastante com o piso adjacente.

A sinalização tátil direcional deve ser utilizada quando da ausência ou descontinuidade de linha-guia/guia de balizamento identificável, como guia de caminhamento em ambientes internos ou externos, ou quando houver caminhos preferenciais de circulação.

Atualmente, existem propostas para a criação de um terceiro piso tátil, ainda sem nenhuma normativa aplicada (somente baseada na norma e nos pisos existentes), como um novo signo, auxiliando em tomadas de decisão, que seria o piso tátil de decisão.

O piso tátil de decisão deverá ser instalado sempre associado ao percurso do piso guia ou tátil direcional, tendo a função de informar ao usuário sobre a presença de pontos de tomada de decisão relativas a mudanças de direção de escolha de novas rotas. (Tipo assim, a partir desse ponto o cabra pode ir pro boteco, à direita, pode atravessar a rua ou pode ir pra casa da luz vermelha, à esqueda
). Assim com a criação da nova tipologia proposta, a aplicação seria da seguinte forma:
Com a exigência da aplicação da legislação na execução ou adequação, o que vemos, em vez de projetos, são “barbaridades” na tentativa de se “burlar” a lei.
Essa é a calçada existente na Rua Pedro de Toledo, em frente ao Hospital do Servidor e da AACD, aqui em São Paulo.
A trilha tátil não abrange a calçada inteira e nos trechos em que existem, além do emprego errado das peças (foi utilizado somente o piso de alerta), falta de manutenção, a trilha leva do nada ao lugar nenhum, ou melhor, leva aos postes, árvores... um absurdo...
* Imagens do Google Imagens e www.anpedesign.org.br
Escrito por Jairo Marques às 00h00
Reforço no fronte
“Zimininos”, tenho percebido que uma das frentes da batalha rumo à conquista do mundo por parte desse povo sem braço, sem perna, cadeirante, ‘cegueta’ e de muleta (rimooou
) não tem avançado com muito êxito.
“Uai, mai o que qui é, tiozão doido?” ![]()
A insensibilidade para que algun respeitem as vagas reservadas aos “malacabados” continua bombando e a gente segue se lascando. Esse front da guerra precisa ser reforçado.
Concordo que diante de tantos perrengues que a gente passa e sobretudo quem nem ximbica véia tem, isso não representa muita coisa.
Porém, gente, a sensação de chegar a um local e ter alguém ocupando, sem necessidade, um espaço que é fundamental pra quem deficiência é comparado assim ... hummmm... ‘dexo’ pensar... comparado a quando a gente lê que os deputados de Brasília tão “se lixando” pro eleitor, se “lixando” pra quem o sustenta lá nas mordomias. Saca um nó na ‘guela’? ![]()

Multinha moral, criada pela minha querida arquiteta Bianca, a Bibi, especialmente pro blog!
Num final de semana desses, fui ao fatídico supermercado comprar aquelas coisas básicas para minha sobrevivência (bolacha cream cracker, ‘sarsicha’ pra fazer ‘rotdog’, toddynho e ‘chocolacthi’
).
Quando estou imbicando na vaga reservada, vem lá um cabra com um daqueles carros de quem se acha a última fatia de “mortandela” da bandeja
e enfia aquela carro na minha frente.
“Espera um pouquinho que eu vou só telefonar ali e volto”.
“Espera o que, nego? Ocê tira esse estrupício desse carro daí que você não tem necessidade da vaga.”
Ele tirou... mas, e se não tivesse tirado? Nessa hora, a falta da condição física para descer da minha kombi véia e ir lá dar um cascudo nele bate forte no coraçãozinho. ![]()
Mas, atitudes hostis não vão fazer a gente sair da Matrix. Temos de nos agarrar às leis, aos direitos adquiridos e forçar autoridades e responsáveis a agir.
Por isso, eu entrevistei o meu colega aqui na Folha, o competentíssimo repórter Alencar Izidoro, para ele nos explicar mais sobre os limites da legislação de trânsito que nos ampara no caso das vagas reservadas.
O Alencar é um dos maiores conhecedores de trânsito da mídia brasileira e falou com muita propriedade. Usem as informações dele para cobrar atitudes desse povo que fica parado que nem água de poça e não faz nada para que nossa vida seja um bocadinho melhor!
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Escrito por Jairo Marques às 00h04
Blog - Quando alguém vir um carro sem identificação de "malacabado" (símbolo universal de deficientes físicos) numa vaga reservada, o cidadão deve fazer o quê? Sentar e chorar? Chamar a "puliça"? É possível haver punição? Alencar - É possível, pela lei de trânsito, punir quem desrespeita as vagas reservadas _embora da teoria para a prática a coisa seja um tanto diferente. A base legal para multar esse cara está no artigo 181, inciso17, do código de trânsito, que considera infração leve, com multa de R$ 53,20 e possibilidade de remoção do veículo, estacionar “em desacordo com as condições regulamentadas especificamente pela sinalização”. Se essa infração ocorrer na via pública, é menos difícil a punição. Daí a sugestão é chamar um guarda de trânsito ( em São Paulo, pelo telefone 1188). Os PMs também podem multar, mas desde que estejam credenciados pelo órgão de trânsito (não são todos).
Agora, se for numa área privada (onde, aliás, é mais comum), como shoppings e supermercados, hoje em dia é difícil imaginar uma punição real. Até é possível, por meio de um convênio do estabelecimento com a autoridade de trânsito, mas isso tem sido completamente ignorado. A minha sugestão é que a pessoa encha a paciência do responsável pelo estabelecimento. Procure a gerência, reclame, ligue pra CET também, tire foto, denuncie ao Ministério Público, ao conselho da pessoa deficiente (manda pro blog do tio!
).
A resposta básica que você vai ouvir é a de que "nosso estabelecimento, infelizmente, não pode fazer nada". O mesmo da CET: "infelizmente, não podemos ir até lá multar". Mas a realidade é que se eles considerarem esse problema como preocupação real, eles têm como tomar providências _mesmo que futuras. Reclamar e denunciar, nesse caso, ajuda tanto a pressioná-los para começar a agir como a deixar os infratores constrangidos.

Olha que exemplo, que fineza teve esse policial em um mercado. Com tanta vaga, ele escolhe uma de matrixino
Blog – Então, quando a situação acontece em recintos privados do tipo shopping e supermercados, a casa caiu?
Alencar - Em estabelecimentos particulares a situação é mais complicada porque shoppings e supermercados costumam dizer que não têm poder de polícia. Esse argumento é verdadeiro, mas só em partes. Eles realmente não podem multar os infratores. Mas, na prática, se quiserem, podem tomar iniciativas no mínimo para diminuir esse problema. O presidente do Contran (Conselho Nacional de Trânsito), Alfredo Peres da Silva, já declarou que esses estabelecimentos podem firmar convênios com os órgãos públicos de trânsito para punir quem desobedece a vaga reservada mesmo dentro de áreas privadas.
Ou seja, na prática, significaria que, ao ver um carro de não-deficiente estacionado na vaga de deficiente, os funcionários do shopping poderiam chamar um guarda de trânsito para aplicar a multa. Lógico que, para dar certo, depende também da colaboração e da concordância do órgão de trânsito. Mas, de fato, já há parecer jurídico e aval do órgão federal de trânsito para essa prática.
Blog - Em outros países, carros de deficiente possuem placas especiais. Aqui, o cabra só precisa colocar um adesivo no para-brisa. Isso pode mudar?
Alencar - Realmente a identificação dos carros de deficientes no Brasil é bastante frágil. Os adesivos são vendidos até pela internet e bancas de jornal _ou seja, na prática, qualquer um consegue comprar e colocar no vidro para se passar por deficiente. Acho que pode mudar sim, mas vai depender muito da disposição dos órgãos de trânsito de fiscalizar. No final de 2008, foi aprovada uma resolução do Contran (de número 304) que tenta uniformizar as regras por meio de um cartão de identificação de deficiente a ser emitido pelo órgão de trânsito de cada município, mas com validade nacional. No modelo dessa credencial há informações como número de registro, validade e órgão expedidor. Só terá direito ao benefício da vaga quem tiver esse cartão. A exigência é que ele seja colocado diante do painel do veículo.
O prazo para que os órgãos de trânsito se adaptem a esse modelo é de 360 dias a contar da publicação _ou seja, vence no final deste ano. A minha sensação é a de que esse cartão parece um pouco mais difícil de ser falsificado, embora, para que haja alguma eficácia, vá depender muito tanto da iniciativa das prefeituras para fornecer as credenciais como para fiscalizá-las.

Exemplo de cartão enviado pelo leitor Walmor Truppel
Blog - Existe em normas de trânsito quem, de fato, pode usar a vaga reservada?
Alencar - Embora possa haver uma ou outra divergência pelo país, já existe uma posição mais consolidada de quem tem direito à vaga reservada. Em primeiro lugar, os deficientes têm direito a ela tanto na condição de motorista como na de passageiro. Ou seja, não precisa estar ao volante.
O entendimento foi consolidado pelo Contran no ano passado. Além disso, mesmo quem tiver uma restrição de movimento temporária pode ter direito às vagas. A diferença poderá ser fixada no próprio tempo de validade da credencial. E não precisa estar em cadeira de rodas para ter direito à vaga reservada. Por exemplo, alguém que esteja passando por algum tratamento que prejudique sua locomoção pode requisitar esse benefício.
Pelo meu entendimento, as vagas, considerando a norma federal, também valem para os cegos. A resolução do Contran que regulamentou a utilização delas toma por base a lei federal 10.098/00, regulamentada pelo decreto 5.296, de 02 de dezembro de 2004.
O decreto, em seu artigo 25, cita explicitamente a necessidade de reserva de 2% do total de vagas “para veículos que transportem pessoa com deficiência física ou visual”. Mas é bem provável que haja confusão pelo país. Aliás, a própria placa de sinalização regulamentada pelo Contran só cita a palavra “exclusivo deficiente físico”.
Escrito por Jairo Marques às 00h03
Viver é muito mais
A dica de vídeo de hoje recebi do meu amigo Leandrão Kdeira. É uma forma ótima pra começar a semana, a meu ver, uma vez que mostra exatamente como a gente deixa de curtir a vida por simples bobagens como um cabelo desarranjado, uma olheira, uma barriga de tio Jairo
.
A publicidade pode fazer muito pela dominação do mundo por parte da Matrix uma vez que esse pessoal tem umas ideias "maraviwonderful", né, não?
. Às vezes, eles fazem umas bobagens, mas, no geral, tem coisa muita “bacanuda”.
Neste comercial, em especial, fiquei em dúvida se a mocinha cadeirante é "malacabada" mesmo. Reparem como ela toca a cadeira meio desengonçadamente e o jeitinnho das pernocas... mas, tá valendo!
Há duas frases em inglês, apenas, que eu ajudo vocês porque eu sou um “minino bão”, num é ‘verdadchi’? 
A primeira, na abertura do vídeo, diz: “Katie demorou três horas, nesta manhã, para se aprontar.”
A segunda, no celular, diz assim: “Oi, Jess, desculpe, mas não vai rolar."
Em tempo: Povão, ocês já mandaram passar aquela roupa de festa que tá até com cheiro de naftalina porque a última vez que usaram foi no batizado daquele seu primo capeta, no tempo do "Epa"? ![]()
É que estamos há exatamente uma semana de uma grande festa que vai rolar aqui, heim?! Espero todo mundo, vulgo “everybody”, pra curtir comigo!
Escrito por Jairo Marques às 07h56
Um orgulho de mãe
A primeira vez que vi uma mãe cadeirante carregando seu rebento no colo tive aquele fatídico frio que arrepia a espinha e o pensamento imediato: “Mas como é possível?”
Hoje, mais velhinho e com um projeto sutil de conquistar o mundo e sair desse universo paralelo em que foram colocadas as pessoa com deficiência, a minha pergunta mudou: “Me diz o que é impossível?”
O “Assim como Você” rende homenagem às mães que enfrentam e enfrentaram os tabus do “será tudo tão difícil para ela”. Rende homenagem às mães que deram as costas aos limites que apenas os outros enxergam, mas que qualquer alma materna apaga.
Para as mães “matrixianas”, digo que seus filhos terão a chance ímpar de crescer em um ambiente onde o silêncio pode ser cheio de palavras, onde um suposto breu da cegueira se transforma em uma visão inédita de todas as coisas, onde o não caminhar pode ser substituído facilmente pelo....voar!
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Patricia Lopes, 26, e o filho Jhonatan, de 1 ano
Mãe, o que me importam hoje os seus passos se, com seu cavalo alado, poderei voar por todo o meu futuro com conforto e segurança? O que me importa a sua ausência do andar se sua presença me conduz com firmeza e exemplo para encarar o mundo?

Jucilene Braga, 28, o filho Gianluca, de 5 anos, e o cão-guia Charlie
E não se preocupe minha mãe querida, com o “olhar” cuidadoso para o meu caminho na tentativa que eu siga sem cair nos empecilhos ao longo da minha jornada. Sua luz intensa de viver irá, com certeza, fazer isso muito melhor do que qualquer visão apurada do mundo


Carolina Ignara, 30, e a filha Clara, de 3 anos
É meu prazer te acolher quando necessário for, mãe. Que filho poderia ter um privilégio maior que eu, uma dádiva tão bem ornada como a que eu tenho, de ser amparado e também amparar, de ter aprendido a andar contigo, mas também poder abrir o seu caminho?

Flávia Moraes, 28, e a filha Luana, de 6 anos
A sua diferença só me orgulha, mãe. Não ser igual a todas te faz forte e me faz muito forte por consequência. Estamos juntas nessa batalha por um mundo melhor para todos. Te ajudo no quer for preciso em retribuição ao seu cuidado e à formação do meu caráter. Estou contigo, sempre, minha mãe!

Caroline Marques, 27, e o filho Enzo de 5 anos
Mãe, como é bom poder sorrir contigo. Um sorriso de satisfação pela minha completude de ser humano. Sorrir por aprender contigo, dia após dia, os valores da igualdade, do respeito ao próximo, ao diferente, àquele que precisa de um pouco dessa energia intensa que você me doou
* Ensaios exclusivos para o blog realizados pela brilhante fotógrafa e parceira Kica de Castro (kicadecastro@gmail.com), que, em breve, parte para a “Zoropa” para uma temporada de trabalhos com modelos “matrixianas” brasileiras!! Aêêêê
* Para saber mais sobre o trabalho dela, clique aqui
* Domingo é o último dia da Promoção e Promocinha!
Escrito por Jairo Marques às 00h45
Carta de uma mãe
Logo que botei a kombi “véia” na rua, até então com o objetivo modesto de dominar apenas alguns quarteirões perto de casa
, surgiram as primeiras voluntárias para me ajudar a empurrar essa ideia para a frente e, para a minha surpresa, eram todas ... mães.
Mães de malacabadinhos, de cadeirantinhos de mamulenguinhos, de estropiadinhos e também mães de crianças serelepes sem nenhum prejuízo da guerra. ![]()
Muitas vezes, o blog foi descoberto pela mãe que atormentoooou o filho matrixiano e os vizinhos e os parentes, e os desconhecidos da rua para conhecerem e ajudarem na dominação do mundo (num é, dona Cleide?!
);
Outras vezes, foram os filhos que não deixaram as mães em paz até que elas ficassem tronxinhas de vontade de saber dia após dia as maluquices do tio e desse povo que me acompanha (num é, dona Cida?
).

Fato é que muitas mães são minhas leitores (umas duuuas ou três
). A razão eu não sei dizer ao certo. Talvez pelo fato de eu ter uma grande ligação com a minha “santa” e externar isso vez ou outra, talvez porque queiram evitar que os filhos fiquem desaprumados que nem eu.
E, para a minha surpresa ser maior ainda, as mães são as grande “mandadeiras” de cartas para o “Assim como Você”. Uma das primeiras a acionar o meu “correio” foi a Aline Silve, de Recife, que botou o nosso anjo Felipe, o Felipinho, no mundo. Xodadis deles...
Hoje, então, nada melhor do que publicar uma carta de mãe nesta semana especial para elas. E é uma daquelas mães que deixam a gente “bege”
com a dedicação, com o amor e com vontade de dar ao filho o melhor.
Fiquem então, com a Maria do Carmo, minha querida leitora de Brasília, que me fez dar uma choradinha insistente ao longo de mais uma noite trabalhando, agora, pelo domínio do mundo...
Jairo, leio seu blog esporadicamente, não é todo dia que arrumo um tempo para entrar na internet. Sei que nunca comento.
Hoje senti vontade de te escrever. Minha família sofreu um trágico acidente de carro e me restou meu sobrinho como presente.
Meu sobrinho teve graves traumatismos e hoje tem cegueira e um déficit cognitivo importante, vive com cuidados diários de enfermagem. Ele me foi o melhor presente de Deus.
Vinícius que me faz rir e sentir o prazer da vida a cada dia. É por meio de Vinícius que pessoas abençoadas aparecem no meu caminho, como você.

Cheguei ao seu blog pela condição dele e admiro sua atitude e sua garra. Você foi uma benção, hoje me faz ler boas experiências e valorizar sempre meu "filho".
Outra grande benção que recebi nos últimos meses, é a nova médica dele. Linda, cuidadosa, competente, me jogou na cara que conquistar um futuro independe de sua condição.
A médica de Vinícius é cadeirante, pouco convencional no mundo dos deuses (era a doutora Natália, que já passou por aqui, né, não? Atualmente, ele é atendido por outro médico).
À primeira vista, travei, questionei, duvidei e quebrei a cara. Cada visita que recebo vem em troca carinho dedicação e uma baita competência. Tem um sorriso no rosto incomparável acalmando todos os anseios.
Hoje posso dizer: meus horizontes se ampliaram e enxergo em vocês capacidades além das naturais. Meu filho não pode traçar o mesmo caminho pelas limitações próprias. Em contrapartida, cada vitória dos outros me faz vibrar demais.
Só tenho a agradecer a Deus por essas duas pessoas que surgiram nos últimos meses em nossas vidas. Pelo cantinho que você dedica a nós e me faz sentir melhor.
Obrigada, Jairo
Abraço carinhoso
Maria do Carmo
* Imagens retiradas do Google Imagens
Escrito por Jairo Marques às 00h00
Ele pode dar esperanças
"Pessoais", hoje coloco a segunda parte do video do Nick Vujicic. Quem não viu a primeira, é só clicar no bozo! ![]()
Agora, ele fala sobre como uma pessoa supostamente cheia de limitações pode representar esperança ao mundo e sobre a necessidade de se valorizar seja qual for a sua situação de vida.
Tô "apetrechado" hoje, por isso escrevo pouquinho, tá?! ![]()
Os créditos das legendas são da Silvetz Dutra, "ofi corsi"!
Escrito por Jairo Marques às 08h16
Telefone pré-pago
Desde moleque eu tenho a mania besta de beber água durante a noite. E se eu inventar de dar uma manguaçada, ai é coisa de um dois litros pra mais durante a madrugada inteira.
Agora, já ‘véio’, eu coloco uma garrafa (quase um tonel) ao lado da cama, mas quando era criança, o lance era mesmo berrar “ôhhhhhhhh mãeeeeee quero áááááguaaaaa”.
E eram todas as noites, todas. Às vezes, minha mãe até deixava um copinho ao lado do bercinho
, mas nunca resolvia, não. E toca chamar a dona Marli. Que tire a primeira peça de roupa (mudei um pouquinho o ditado pra ficar mais "emocionantchi") o “esgualepado” que não tenha preguiça de pular da cama pra cadeira de rodas no meio da noite.
“Zente”, na cabeça dos “matrixianos”, pedir pequenos favores do dia a dia funciona mais ou menos como gastar créditos do telefone pré-pago, juro!
É um troço que um infiltrado vai ter um pouco de “dificulidade” para entender e aqueles que “não se diz o nome”
jamais vão juntar “cré com lé”. Mas o tio é um “minino bão” e vai tentar explicar. Uhrúúú! Saca quando você tá rico e tem lá seus cinco “renais” de crédito nos próprio cartão do telefone? Ocê num fica se controlando pra saber a melhor hora de torrar essa fortuna em ligações?
Aquela ligadinha pro seu amigão pra pedir um dinheirinho emprestado (pra colocar crédito
) ou aquela pro seu namorado pra dizer pra ele: “Tô com poko crédito, liga pra mim?!”. Ou ainda pro seu chefe pra dizer: “Olha, hoje eu num posso ir trabalhar causo de que... ih, num vai dar tempo de explicar, ta acabando o ...” tútútútú.

Esse povo tetrão, “mamulengão”, meio abatido pela guerra que nem eu, necessita de uma hand para tarefas, às vezes, bem simples, como suspender as calças que tão batendo no joelho
ou com um pouco mais de complexidade, como entrar e sair de uma xaranga.
Eu fico com lâmpadas da minha “goma” queimada por diiiiias seguidos. É que eu não posso desperdiçar créditos com os meninos do prédio por isso (eu moro sozinho, já contei aqui? Assim, não soziiinho, com uma tartaruga chamada Cecília. Hummmm). Na minha cabeça, eu posso ir quebrando um galho com uma luminária, uma velinha (uuuia) e não ter de pedir esse favor. Ai, quando o bicho pega, algo do tipo a porta do guarda-roupa cai em cima de mim, aciono o Roberto (porteiro amigo) e ele já apruma a porta, já troca a luz, já faz um carinho... ![]()
É muito raro um “matrixiano” folgado que nem colarinho de palhaço. A gente evita ao máximo ficar pedindo coisas porque, inevitavelmente, a gente já precisa de um tiquinho de auxílio durante todo o dia. Os “pessoais” que precisam de muita ajuda (pra tomar banho, pra comer, pra ser transferido da cama pro cavalo, ‘perezempe’), aqueles que dão um trabaaaaalho danado, são os que mais economizam seus créditos.
Como eu sempre digo, nenhum “malacabado” que se preze quer caridade. Ele quer é ter um mínimo de condições iguais para poder atuar como cidadão, para viver como qualquer “serumano”. Por isso eu que sempre digo a “vo6” que são infiltrados, clareou na área, chuta pro gol (isso ainda é resquício do final de semana). Calma, vou falar em português.
Quando for possível, ofereça você ajuda!
Vai na “padoca” tomar aquele cafezinho gostoso com pão na chapa bem seboso? Pergunte pro “mamulengo” que trabalha contigo se ele quer um copinho! Muitas vezes, atravessar uma rua pra um cadeirante pode ser uma tarefa complexa. Vai lá na cozinha pegar uma pinga pra tomar junto com a pipoca?
Olhe pro seu irmão estropiadinho e pergunta se ele quer algo. Quando a “mãozinha” é oferecida, pra gente, funciona como bônus e não gastamos os créditos na hora que o bicho pega e realmente vamos precisar acionar alguém.
Mas esse movo “esgualepado” é esperto também! (Aêêêê). Geralmente, quando a gente vai queimar um crédito a gente aproveita e faz logo ligação pros exterior.
“Vai no “xopis? Então trás pra mim uma calça de elástico das lojas ‘Martiriza’, passa nos ‘Amor aos bagaço’ e compra um daqueles bombom de cachaça também na papelaria e compra um cartão lindo pra eu mandar pra um blogueiro bonitão”. Assim, mesmo, tudo de uma vez.
Em tempo: “Ziminos”, a inspiração deste post e os “CRÉDITOS” dele são todos para uma das figuras mais incríveis que já conheci na vida, e foi no final de semana, a Marli Cassiano. Tem gente que paga uma nota violenta pra “se encontrar” indo pra Santiago de Compostela ficar caminhando numa estrada esburacada, eu fui mesmo ali pra São José dos Campos, comprar o livro do poeta Fábio Cassiano e também ter um dedo de prosa com a mãe dele, com o pai, com os irmãos (e filar uma bóia, porque eu também sou "genchti"
).
Não consigo evitar a pieguice de dizer que Fábio e Marli e toda a família deles estão a anos luz de entendimento da vida que eu e muitos que conheço temos. Eles vão além de qualquer análise sem graça de supostos líderes espirituais. Eles são reais, eles provocam uma reação imediata na existência de qualquer pessoa que tenha o privilégio de passar meia hora ao lado deles.
“Ah, tio, cê é exagerado!” Posso até ser, mas toda vez que olho o meu exemplar de “Amores em Alguém” (ele já conseguiu se organizar! Manda email pro homi e bora dominar o mundo), me recordo de uma impressão forte, muito forte: Qual sensação? De ter tido a oportunidade de olhar, mesmo que num relance, a expressão divina que sustenta a vida. A força que fica nos nossos ouvidos diante dos perrengues mais "compricosos" dizendo: "vai em frente, você consegue... vai em frente".
Escrito por Jairo Marques às 00h05
Uma pintura
É incrível como a arte auxilia o povo que fica “malacabado”, de repente, a resgatar sua estima, sua capacidade de produção, e, sobretudo, a vontade de voltar a interagir com o mundo. Talvez seja “causo de que” a expressão artística não exija de ninguém, necessariamente, a perfeição para que seja manifestada. Pode-se fazer uma lambancinha aqui, outra aculá e pronto... é arte! ![]()
Começo a semana das “Mães” (ainda vem coisa por ai
) com essa bela pintura nomeada Mari Sabel, que já se dedicava às telas e tintas mesmo antes de entrar para a Matrix, mas que explorou ao máximo sua capacidade de criação (já tem cerca de 500 trabalhos) após um acidente de carro, ocorrido há 19 anos.


"No início a arte era uma terapia, passatempo mesmo, mas tão logo me apaixonei e ela tomou uma proporção gigantesca; despertando para a idéia de poder ter como fonte de renda. Pintando, me sinto ilimitada, podendo percorrer lugares infinitos. A arte jamais impõe barreiras! Posso dizer com todas as letras que a arte hoje é a expressão viva da vida que há em mim! Tendo os movimentos das mãos limitados, pinto com a ajuda de manguitos (adaptações para as mãos), pois só recuperei parte dos movimentos dos braços".
Ôh, povo, e fala sério, né? Vai ser bonita assim lá em casa, né, não?!
Apesar de todo o profissionalismo do trabalho da Mari, o artista deficiente ainda é visto muito com benevolência. É comum ouvir “ai que bonitinho aquele ceguinho cantando”, “óia que quadrinho ‘frorido’ aquele cadeirante desenhou”. Mas essa fase da arte do giz de cera, do solzinho, casinha com chaminé e montanha vendida por aquele “mamulengo” suuujo nas feiras livres já era, meu povo.


"Pelo receio de errar que muitos deficientes físicos têm medo de fazer alguma tentativa ao se deparar com o desconhecido em seu cotidiano, pois acham que são leigos diante do novo, colocando a obra como algo intocável e inatingível. A arte está aí, e juntamente com ela transpasso qualquer olhar de piedade que possa existir. Somos nós mesmos que temos que quebrar esses paradigmas... quem melhor para mostrar o quão capazes somos?"
Aos meus olhos de leigo, as telas da Mari parecem de um sabor daqueles que alegram a alma, encantam a mente. Contudo, a pintura de maior vigor realizada por essa loira catarinense é um guri de 12 anos.


“Minha gravidez aconteceu aos 25 anos. Já estava havia sete anos cadeirante. Ser mãe foi a maior dádiva que poderia ter recebido... sabia que a vida havia me presenteado! O milagre da vida está presente no nosso dia-a-dia! Mostrar a todos que gerei uma nova vida sempre foi meu orgulho! Com todas as letras posso dizer que ter um filho é a melhor e maior obra de arte que uma mulher pode realizar, quanto mais uma cadeirante!!”
Mas é claro que eu tive de perguntar pra essa deusa sobre aquela velha discussão desse diário que é a: mulher deficiente bonitona? Como assim, heim, nega? ![]()

"Acredito que, cadeirante ou não, todos temos momentos de fragilidade, de se achar feia ou bonita, gorda ou magra, sensual a ponto de atrair olhares ou não. A beleza e a deficiência física não são necessariamente opostas. Porque não podemos ser ou nos sentir sensuais, belas, charmosas, desejadas? Isso tudo também vem muito do interior de cada um. Da vaidade, da auto-estima e da capacidade de compreender que a vida não se limita ao que vemos, vai muito mais além. Acima de tudo, ou de qualquer problema físico, a beleza está mais dentro do que fora de cada um. Há muito mais num ser humano do que a perfeição física.”
E a Mari, para dar aquele “tapa no visu”, tem adaptações para quase tudo: para passar o rímel, delineador, blush, escovas... Para conhecer mais do trabalho dela, clique aqui!

Em tempo: Povão, entramos na última semana do "Promoção e Pramocinha". Num vão me perder a 'chancha' de ganhar as 'borsas', heim? E tem pra 'homi'!
*Fotos de Susana Pabst e do arquivo pessoal de Mari Sabel
Escrito por Jairo Marques às 00h02










