Jairo Marques

Assim como você

 

O tempo não para...

Há meses eu me coloquei um grande desafio: Tentar trazer para vocês, meus incríveis leitores e “soldados” rumo à árdua missão de dominar o mundo, uma história que conseguisse ultrapassar a emotividade daquele video mostrando uma inigualável mãe que luta para dar dignidade ao filho adotivo, deficiente.

Nesta semana, que temos uma fabulosa avalanche de novos leitores nesta Matrix, neste mundo paralelo onde vive a pessoa com deficiência, arrisco dizer que consegui ao menos igualar aquele ápice emocional (quem não viu, respire fundo, prepare o coração, e clique no sorriso Muito feliz ).

Na realidade, eu não tenho história nenhuma, quem brilha hoje aqui em mais um capítulo imperdível do “Assim como Você” é um talentoso poeta, um poeta e sua formidável mãe. Fábio e Marli Cassiano.

Meu povo, vá lá pegar aquele copo de água, dê logo esse “preistatichion” pra esses “minino”, diz pro chefe que descobriu um caminho de fazer a empresa ficar mais rica, e, sobretudo, se dê uma oportunidade de refletir sobre como você está levando sua vida.

Encontro vocês, mais uma vez, lá no final do post, com um recado meu, e nos comentários, como os mais fortes aplausos para essa dupla que, aposto, pode transformar a realidade de muita gente, a partir de hoje.

Em azul, estão os dizeres do poeta Fábio, em vermelho, da graciosa Marli... logo Marli... nome da minha amada mãe.

Tomem fôlego e boa viagem:

Sorte

Escrito por Jairo Marques às 00h12

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Dezenove de abril de 2009 e acabo de fazer 20 anos. Olhando minhas fotos antigas, veio um filme na cabeça. Cada um dos dias da minha vida, considero uma vitória. O tempo passou rápido. Estou no terceiro ano da faculdade (Propaganda e Marketing), gosto de escrever e consegui publicar meu primeiro livro, juntando minhas poesias.

Há 20 anos nascia meu terceiro filho, Fábio. No instante do nascimento, um detalhe, uma demora para a primeira respiração e a recomendação dos médicos para uma atenção especial a partir dali, com o desenvolvimento do bebê.

Sempre curti música, dava aula de pintura, bancária,, pedi demissão e comecei minha carreira como corretora de imóveis. Trabalhava muito, adorava dirigir, dançar.

Ainda na infância, aproveitei cada momento brincando, andando, correndo de um lado para outro, fazendo bagunças, pulando, como toda criança. Aos três anos, a pré-escola.

Corretora, minha vida ficou bem agitada, correndo para lá e para cá levando os filhos na escola, ficando o dia todo no trabalho, mas aproveitando cada momento da infância deles. Jogávamos vídeo game, montávamos Lego, desenhávamos juntos. Cada um dos meus filhos com um estilo diferente.

Fábio, ainda bebê, no colo da mãe, marli

Aos sete, a vida me reservou um imprevisto: passei a sentir dificuldades de movimento nas pernas e não conseguia mais andar, correr e subir escadas com facilidade.

Quedas se tornaram frequentes e era um esforço imenso me levantar do chão. Vivenciei o termo “cair e se levantar”. Em qualquer atividade estava sujeito a tropeçar ou cair – minha mãe, na maioria das vezes, me ajudava e incentivava a continuar caminhando, com confiança. (Aparte do tio, aqui, eu já não agüentei)

Como nem sempre ela estava por perto, tive que aprender a me virar, a encontrar força e ânimo para me recompor e seguir em frente. Na época, pude perceber o isolamento provocado pelo preconceito inconsciente das outras crianças e com três amigos, um deles cadeirante, segui até a oitava série.

Fábio fazia natação e era acompanhado por uma terapeuta ocupacional quando começamos a discutir se ele teria apenas uma disfunção cerebral que ocasionava as dificuldades motoras ou outra coisa que o estava deixando cada vez ... mais fraco.

O pai, Rui, Fábio no colo da mãe e os irmãos Bruno e Caio

Começamos a investigar qual era minha doença e depois de alguns exames inconclusivos fizeram, com a equipe da doutora Mayana Zatz na USP, a pesquisa no DNA. O diagnóstico foi Distrofia Muscular de Duchenne (DMD), uma doença genética caracterizada pela degeneração progressiva do tecido muscular.

Lembro de estar na USP, dois meses depois do exame de DNA para ter o resultado oficial (apesar do meu coração já ter me dado a resposta) e enquanto esperava pela doutora vi muitos meninos já em estágio avançado da doença, com o corpo deformado pela escoliose e encurtamento dos músculos (a maioria deles, carentes, que usavam as instalações para fazer fisio e hidro). Confesso que fiquei chocada. Estava ali esperando uma resposta que não queria ouvir. Não podia imaginar a existência de uma doença tão terrível e sem nenhuma perspectiva de tratamento. (A partir de agora, queridos leitores, respirem fundo e não teimem em evitar as reações naturais da emoção).

Um ano depois, o improvável aconteceu: comecei a perceber certas dificuldades em carregar peso e a digitar no computador...

Aos 38 anos, descobri que eu também tinha uma doença degenerativa, após muitos exames, uma hipótese seria a ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica).

A partir daí a vida da minha família realmente mudou. Comecei a fazer terapia e uma busca desorientada para saber a razão de tudo. Para saber “por que eu?”. Em seguida, é claro, vieram todas as indicações de boa vontade de todos os conhecidos em nos levar para curas milagrosas, que obviamente não aconteciam.

Chega a hora em que você precisa assumir seu destino, encarar de frente e aí somente Deus pode entender sua dor e orientar seu caminho.

Aos 12, já era impossível me locomover sem ajuda e passei a usar cadeira de rodas. Foi um momento difícil me transformar em cadeirante, mas senti que as quedas não aconteceriam mais, além do incômodo de ser carregado. Passados dois anos, meus braços também ficaram comprometidos, não permitindo que eu me movimentasse sozinho na cadeira...

Quando Fábio começou a usar a cadeira de rodas, eu estava em plena busca interior. Os porquês começavam a ser respondidos por mim mesma. Apesar de imperceptível para as pessoas, meu corpo já estava totalmente diferente. Perdi oito quilos de massa muscular e já dirigia com dificuldade.

Foi quando comecei um tratamento com quimioterapia, indicado pelo chefe de neurologia do Hospital São Paulo e pelo que me disse, após algumas aplicações, eu já sentiria melhoras – tive até um breve momento de esperança. Oito meses depois, o resultado não aparecia. Enfim, dei adeus para o médico e nunca mais voltei.

Parei de dirigir (uma das coisas que mais senti em perder) e, em 2003, depois de muitos tombaços de cabeça e perna para cima, comecei, também a usar cadeira de rodas.

 

Marli e Fábio, em festa à fantasia

Em 2004, iniciei fisioterapia respiratória, para combater a diminuição da minha capacidade pulmonar. Fui à Campinas em busca de adaptações para segurar a postura da minha coluna e me sentar na posição correta. A escoliose (é um desvio na coluna isso, eu também tenho, mas foi amenizado com uma cirurgia de colocação de platina) afeta terrivelmente os portadores de distrofia.

Adaptação! Palavra simples com significado complexo. Não é apenas o fato de adaptar-se à cadeira, mas o fato que a partir dali ela faz parte do seu corpo. Que você é deficiente, dependente até mesmo para tomar pequenas decisões. Quando se tem uma doença progressiva, a cada dia, aos poucos, você deixa de fazer o que até ontem conseguia. Vai perdendo sua própria identidade.

Fiquei dois anos sem ir a shoppings ou lugares públicos para não encontrar com pessoas conhecidas, ia apenas de casa para o trabalho. Sair junto com o Fábio então – dois cadeirantes!!! – foi mais difícil para mim do que para ele.

 No trabalho, sentava numa cadeira normal e me disfarçava atrás da mesa. Com isso, muita gente não percebia que eu já tinha perdido até movimentos dos braços e mãos.

Desde pequeno sempre contei com a ajuda da minha família. Em cada aniversário, Natal e Páscoa, minha mãe escondia os presentes para que eu andasse pela casa procurando-os e eu adorava, ficava com os olhos brilhando de alegria. Confesso que era paparicado muitas vezes, talvez por ser o caçula. Acho que tentava compensar o fato de eu ficar mais em casa e meus irmãos saírem para atividades que não poderia participar.

Éramos unidos. Dávamos voltas no parquinho, tirávamos fotos e minha mãe demonstrava um imenso amor por mim. Em troca, eu fazia surpresas, entregando-lhe cartões feitos à mão, dizendo o que eu sentia ela.

De repente, percebi a dificuldade da minha mãe em se movimentar. Fiquei preocupado e ela continuava falando que estava tudo bem. Talvez para me proteger e eu entendia, mas sentia medo do que poderia lhe acontecer. Sabia que ela estava passando por problemas e queria ajudar, mas não podia fazer nada. Ao mesmo tempo, a gente continuava unidos.

 Quando, enfim, ela se tornou cadeirante, passamos a ficar ainda mais próximos e podíamos entender as limitações um do outro. Com o tempo, ela foi se acostumando com a nova situação e como eu, a aceitar sem desistir. Sempre que preciso, ela me dá importantes conselhos e exemplos por meio de suas atitudes e conquistas.

Sou um grande fã da minha mãe, pois apesar de todos os problemas, ela sempre pensou positivo, lutou nos momentos mais difíceis compartilhando tudo comigo, me orientando a viver da melhor forma possível.

Escrito por Jairo Marques às 00h07

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Passado o momento doloroso para meus filhos e meu marido, a gente procurou uma forma de continuar nossas vidas independentemente do que estava acontecendo. Eu e o Fábio passamos a conversar e nos preparar ao que vinha pela frente. Esse envolvimento ficou mais emocional, quase espiritual já que não podemos sequer nos abraçar. (bebe água, bebe água)

Sempre batemos longos papos e procuro responder com sinceridade tudo o que me pergunta. E ele sempre me fez perguntas difíceis de responder. Já adolescente e romântico, via que tinha um carinho muito especial por uma amiga e é claro que um dia ele me perguntou o que eu achava da possibilidade de falar para a garota que gostava dela, como ela encararia isso. Pensei e repensei e lhe falei: “quer uma resposta sincera? Imagine o seu irmão, bonitão, chegando aqui em casa com uma namorada, cadeirante e com um problema progressivo. O que você sentiria com isso? Para nós não seria tão complicado – precisaria de um tempo para encarar. Agora imagine para uma família “normal” como a dela, qual seria a reação. Não é preconceito, é apenas o padrão que nos foi ensinado. Acho que você perderia sua amiga. Um dia, talvez daqui há uns anos, conheça alguém com um amor de alma que esteja a altura de receber seu amor incondicional”.

O bom é que o Fábio percebeu que pode e vai sentir isso por muitas pessoas e muitas vezes e o melhor é ir curtindo essas amizades e paixões de adolescência com naturalidade.

Aos fins de semana, acabamos por ficar juntos. Os irmãos saem e já passamos muito sufoco por isso – tipo o braço cai fora da cadeira e eu ajudo puxando o com os dentes.

Hoje, somos totalmente dependentes. Quando uso o computador, geralmente é o Fábio que está digitando. No trabalho, tenho um fone conectado e uma pessoa para me ajudar em tudo, dando aquela ajeitada nas pernas e braços, fazendo maquiagem antes das reuniões de venda, coisa que consigo fazer com tranqüilidade

 O dinheiro das contas ainda vem com o trabalho na imobiliária (eu e meu filho mais velho). Ainda não posso parar de trabalhar, pois estou preparando o Caio, que só tem 23 anos, para tocar sozinho o escritório quando eu não puder mais.

No final do ano passado, uma amiga decidiu nos presentear com novas adaptações e cadeiras, para melhorar nosso cotidiano. Foi um maravilhoso gesto da parte dela, uma benção de Deus. Para mim, fizeram importantes mudanças na cadeira; a principal foi um colete que envolve o meu tronco na frente e atrás, me segurando numa melhor postura, reduzindo a ação da escoliose e lordose da coluna, sem o qual não conseguiria nem sentar. Foi um upgrade total!

Família na formatura do terceiro colegial de Fábio

Hoje, quase 10 anos depois, fiz uma biópsia muscular a pedido de um médico e se definiu o meu diagnóstico em Atrofia Muscular Espinhal tipo IV (não muda muita coisa). Apenas fiquei esse tempo todo achando que tinha outra coisa, fiz até quimioterapia e foi indicada por um médico famoso. Como voltar atrás e brigar com ele? Para quê? Talvez tudo tenha um sentido – será que eu perdi esse tempo?

Às vezes, fico achando que não vou dar conta, que vou parar de trabalhar. Sempre que penso assim, o universo me responde com surpresas maravilhosas, como essa proporcionada por amigas - a edição das coletâneas de poesias do Fábio, transformando no livro “Amores em Alguém”, é para uma mãe ficar cheia de orgulho.

Queria passar para as pessoas que existem sempre duas escolhas e em cada uma delas um campo de possibilidades. E como é difícil correr na contramão e vencer todas as barreiras colocadas dia a dia na sua frente. Não somente físicas, mas de acessibilidade, confiança, pré-conceito ou de provar mais que qualquer um sua capacidade de fazer ou realizar a atividade pretendida.

Para isso, tive que aprender a me aceitar como estou, porque isso não muda o que eu sou, não tira minha força nem minha coragem. Escolhi viver!

Muito disso tirei das posturas do Fábio, que teve sua vida sempre torneada pelas dificuldades físicas, por deixar de fazer o que os meninos da sua idade faziam, jogar bola, ir para balada, enfim, tudo o que normalmente transformaria uma pessoa em pura tristeza ou revolta. Ao contrário, ele se tornou um jovem alegre, carinhoso, que ama sua vida como ninguém, que faz projetos, alheio aos prognósticos escritos pela medicina.

Como mulher, tive que aceitar as transformações do meu corpo, minhas perdas pessoais, coisas que curto ainda fazer (como nossas festas de aniversário que são sempre dançantes), abraços que deixei de dar, amigos que deixei de ver. Como mãe, sei que estamos vivendo uma pequena parte desse roteiro que Deus escreveu para nos transformar em seres humanos melhores. (Aqui, eu desabei de uma vez...abaixo, eles escrevem juntos...)

 

Sabemos que o tempo corre, que muita gente como nós espera aquele milagre, aquela cura, a célula-tronco, o transplante e só depois disso vai pensar em viver.

Sabemos quão maravilhoso seria tomar um comprimido e sair andando, mas a única certeza que temos é que se pararmos de sentir, de querer, de sonhar, projetar, escrever, a gente está simplesmente “gastando vida”. Tem gente que prefere ficar dormindo com um tremendo dia de sol...

Quando um médico me falou erroneamente, há 12 anos, que eu tinha ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica) e parei o tratamento, ele não me deu mais de dois anos de vida. Continuo aqui na área. Os médicos do Fábio sempre determinaram que “daqui a cinco anos” (já faz quinze) vai aparecer uma cura, um tratamento, uma coisa qualquer. Já pensou se tivéssemos aceitado o tempo que nos deram?

Ninguém é dono do tempo. Quem espera a perfeição para poder se realizar já está perdendo tempo. Ele simplesmente passa por nós, não temos controle, o relógio é o próprio universo, o próprio Deus. É o tempo que existe para nós... O tempo que nunca para.

Sorte

           

O poeta Fábio e a mãe dele, Marli, não me pediram NADA, absolutamente nada. Ele apenas fez um convite carinhoso para que eu fosse ao lançamento de seu livro, TERÇA-FEIRA, DIA 28, em São José dos Campos (SP). Resolvi, então, fazer algo muito melhor do que a minha simples presença...

Por curiosidade, comecei a ler tudo sobre ele e encontrei o que é, até agora, com todo respeito as meus magníficos personagens que já me emprestaram seus carismas, o símbolo máximo de superação que consegui mostrar, até aqui neste diário.

Pessoal, repito, eles não pediram nada, mas eu quero pedir a todos vocês algo que nunca fiz e não faço em qualquer situação: deixem de comer uma pizza hoje e comprem o livro desse incrível poeta. O custo é de R$ 19,90 + frete. Enviem um email para fabiocof@hotmail.com e sigam as orientações dele para o pagamento. Vou tentar uma outra forma, mais ágil, para que vocês possam ter o livro.

 

Confio no potencial desse blog para que esse menino se torne um Best seller. Impossível pensar que ele não mereça e não tenha talento para tanto. Conto com vocês!

Bom final de semana.

Escrito por Jairo Marques às 00h05

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Promoção e pramocinha!

Se existe um trem que num apruma na gente que é “malacabado” são as “própria” mochila, as pochetes, as bolsas e seus derivados, as “borsinhas”, as “borsolas”, as borce...ops... Muito triste

 Pode botar reparo em mochila de “mamulengo”, a bicha fica “garrando” nos pneus, quando o cadeirante a acomoda na parte de trás da cadeira. Com isso, a cor é sempre a mesma, para todos os “esgualepados”, marrom sujeira. Rindo a toa

Pior do que mochila só mesmo mala. Num conseguiram inventar, ainda, uma mala que a gente consiga “amarrar” nos cavalos e conseguir puxar com certa desenvoltura.

Ai o jeito é ir arrastando as tralhas que nem porco laçado pelas “radoviára” ou nos “zoroportos”. Coisa fina de ser ver e dar risada, viu? Muito triste

Eu já contei aqui a nossa peleja para comprar roupas, né, não? Lembra não? Tá chegando agora, nego? Então clica no bozo que eu te conto as aventuras de usar calça de elástico. Brincalhão

Com as meninas, o problema com os acessórios é mais “complicoso”. As bolsas modernas são grandooonas, né? Ai a mulherada leva tudo ali dentro é pente, é computador, é maquilagem, é o carnê do baú...Muito feliz

Mas vai você tocar a cadeira e equilibrar uma bolsa, vai. A “malacabada” num sabe se se segura, se ampara os dinheiro da bolsa, se toca a cadeira, se chama “gzuis” pra levar logo... Muito triste

Falando nos dinheiro, diz ai, meu povo, como é que eu faço com a carteira? Tá certo que no meu caso a carteira num tem muita importância porque só carrego calendário de borracharia e conta atrasada dentro, né? Rindo a toa

Você mete a carteira no bolso e tá de boa, e eu, coloco onde? Óóóóóia que eu lavo essa sua boca com sabão! A bunda fica colada na cadeira, num tem jeito. Sem jeito 

Já sei, já sei... pensou naquelas pochetes que amarram na cintura, né? Aquilo é um luxo, né? Ai o “malacabado” fica parecendo o "homi medidor" de luz, juro. Já viram os homens que fazem a medição de luz? Todos usam uma pochetinha preta. Convencido

Mas, a dominação do mundo tá chegando e, agora, tem bolsinha “pa nóis”!!!! Aêêêêê

Umas “minina” doida que nem eu criaram uma marca de acessórios “excrusivos”, vou repetir, “excrusivo”, pra esse povo sem perna, sem braço, que não vê, que não anda!!!!

“Fizemos uma pesquisa aplicada a cerca de cem cadeirantes sobre moda, comportamento, auto-estima. Fizemos um trabalho denso, com muita seriedade antes de entrar no mercado.”

Isso ai quem me contou foi a Janaina Passos, uma das sócias da Modus Ateliê, que... tchanannnnnn fez uma promoção pro nosso blog!!!! Uhrúúúúú

Eu explico tudo porque eu sou um “minino bão” demais da conta. Quer ganhar um dos acessórios “deferençados”, como falam lá no Goiás?  Então, “prestenção”:

Até o dia 10 de maio, “zimininos”, mandem uma frase de DUAS LINHAS pro email do tio (jairo.marques@grupofolha.com.br) explicando: “O que você faz para que a Matrix domine o mundo?”

Coloquem como título do email: “Promoção e pramocinha”, tá bem? Porque se não eu fico todo “atrapaiado” aqui com as mensagens. Tonto 

Todo mundo pode participar: matrixiano, infiltrado (que vai dar o prêmio pra um matrixiano, é claro Rindo a toa), e os nádios...(huft)

As duas frases mais “maraviwonderful”, que serão escolhidas pelos jurados apontados democraticamente por mim Carente, vão ganhar uns trem lá do Modus Ateliê, tudo coisa fina e bacanuda (tem pra "homi" e pra "muler"). O resultado será divulgado no dia 19 de maio aqui e lá.

Estão convocados para jurados e, então, não vão poder participar! Ahhhhhhh: Silvia Dutra, lá dos “Estadusunidos”, a Leilinha Mestre, da cidade do futuro campeão Paulista -Saaaantoooos-, a Paulinha Pavan, de “Sum Paulo”, o Rogério Veloso, do Goiás, o Rodrigão Almeida, de São José dos Campos, e a Luciene Isabel, de “Divinópis" (MG).

 

Em tempo: Hoje à noite, a partir das 19h30, o tio vai estar contando mentira na TV Cultura, no programa Balanço Social, que repete no sábado, às 10h. No dia da gravação eu tava tão cansadinho Sem jeito...Num consegui render muito, "zente". Mas vamo que vamo...  

* Fotos do queridão Rapha Bathe

Escrito por Jairo Marques às 00h17

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Os "nádios"

Povão (agora que somos quatro ou cinco já é povão Rindo a toa), muitos de vocês já me conhecem mais do que o caminho da roça e sabem que eu sou um “minino bão”, mas eu sou encardido, né, não?

Quero sugerir hoje, caso haja aprovação razoável (apesar que quem dita as regras dessa democracia aqui sou eu, que tenho o cajado do poder Muito triste), a adoção de mais um termo para essa Matrix onde já habitam os “malacabados” diversos (esse pessoal que usa cadeira de rodas, que não tem perna, não tem braço, não enxerga, não ouve, que é meio torto ou é gente pequena, vulgo anão) e os infiltrados.

Agora, acho que é hora de assumirmos a existência dos “nádios”. Calma que eu explico! Os “nádios” são as pessoas que não toleram o avanço do nosso domínio do mundo. É o cara que não reconhece os nossos direitos, de forma consciente, a viver em igualdade.

Para entender um pouco mais as origens do termo, é preciso que, quem não acompanhou o “furdúncio”, retorne aos comentários do post indicado pelo bozo. Brincalhão

Durante toda a minha vida, e não somente agora que eu sou mais conhecido do que as bolachas Maria, surpreso, eu tive de encarar os “nádios” ... calado.

O “nádio” que se preza não pensa duas vezes em falar assim: “Ocê é revoltado. Ocê é mal amado porque não pode andar. Ocê é bravo assim porque sua mãe te deixou cair do berço e ficou todo bagunçado. Ocê devia era ficar em casa em vez de querer melhorar os acessos da rua. Ocê é magoado com mundo porque tem as canela seca”.

Que falta faz um estilingue certas horas, né? Convencido

O “nádio” não tá nem ai e mija no banheiro de quem, por lei, conseguiu o direito básico de uma privada em um lugar um pouco mais largo e, supostamente, com mais cuidado na higienização.

O “nádio” fica fulo da vida por não poder usar os lugares reservados no “busão”, mesmo não tendo ali nenhum malacabado. E olha que não é assim que funciona, né? Usam mesmo vendo o pobre do muletante se ferrando pra se equilibrar.

Funciona, na vida real, é assim: Chega uma mãe no bumba, carregando o filho “lascadinho” no colo, e ainda tem que se aproximar do “nádio” e baixar um pouquinho mais a cabeça.

“Seu nádio, o senhor poderia arrancar sua bunda sadia e ‘rebolativa’ daí pra eu poder derramar meu fio nesse banco que, por lei, é dele?”

 

“Zimininos”, super de boa, me expliquem por que eu tenho de ser “diplomatchico” com os “nádios”? Por que eu não posso ficar furioso e defender com unhas e dentes que o meu DIREITO seja respeitado? Por que eu tenho de ser o boi sonso sempre?

Que fique bem claro que o “nádio” não é os “pessoais” que tem desconhecimento da causa. Os “pessoais” que agem de forma realmente sem a intenção de afetar a vida dos outros e que, apenas, não tem informação. Esses são potenciais “infiltrados” os quais a gente deve conquistar porque, seguramente, eles vão nos ajudar a subir e a descer ladeiras. E esses são a maioria, ainda bem! Muito feliz

“Vo6” se lembram que eu contei que quando eu estudava num colégio de rico, mesmo sendo um dos melhores alunos (afinal eu colava Muito triste), fui humilhado na hora de fazer a matrícula para o último ano, o mais decisivo, para vestibular?

A diretora falou assim: “Se sobrar um cantinho na sala de aula pra sua cadeira, você estuda, se não, você procura outro colégio”. E quantos são os “nádios” a gente tem de engolir a seco uma vez que a força física nem sempre nos é favorável, nem a econômica, nem a política.

Os negros não conseguiram a lei antirracismo tolerando que os xingassem  na rua, eles protestaram, eles não aceitaram, eles foram lá e tomaram parte do poder;

As “muleres” conseguiram direitos iguais aos “homi” rasgando a roupa em praça pública (diliiiicia Carente), denunciando os maus-tratos, tomando parte do poder;

Os gays (ui, eu num agüento, preciso dar um ui! Rindo a toa) se uniram com vigor (uhrú) e fazem passeatas gigantes ao redor do mundo para defenderem seus direitos e sua liberdade de expressão, tudo ainda em curso em boa parte dos países, mas, em curso e com ótimos resultados.

E por que raios os “matrixianos” têm de ouvir calados, resignados esses estrupícios que, se pudessem, nos jogariam na fogueira com a justificativa de sermos “inválidos” e de atrapalharmos o trânsito?

 Por que eu vou deixar esse nosso diário todo limpinho, afinal toma banho uma vez por semana Muito triste, ser palco de manifestações cheias de uma mentalidade egoísta em que o que vale é somente o que o dito “normal” pode e acredita?

Eu até permito que me lasquem a porrada dizendo que eu sou radical, que eu sou um “aleijado inzibido” por ter cinco ou seis leitores, beleza, mas eu reajo. Hoje, eu reajo.

Reajo, pois, uma vez que entramos na “guerra” para dominar o mundo, os inimigos precisam sucumbir e sumir pra sempre sejam eles os “nádios”, a falta de acessibilidade, a falta de oportunidade, a falta condições iguais para estudar, trabalhar e viver socialmente.

Sou grande defensor da tolerância e quem LÊ o blog sabe disso. Nunca falei em olho por olho e fui contra atitudes assim, sempre. Sou defensor da discussão até a “guela” ficar seca e do respeito à Justiça, mas sangue de barata e bunda exposta na janela pra passar a mão nela (Uuuuia), eu não tenho mais não.

Os “nádios” existem e estão por ai, mas o meu grande alento, o meu motivo de insistir num plano singelo de dominar o mundo Inocente, é que existem também as “Giseles”, os” Amauris”, as “Laks”, as “Glorias”, os “Elias”, as “Maysas”, os “Rogérios”, os “Carlões”,  as “Silvetz”...

Bem, caso a assembleia decida, por meio dos comentários que, juro, muuuito raramente eu não aceito surpreso, está incorporado a esse mundo paralelo o termo: “nádio”! E “teje” dito (totalmente Rainha do deserto, isso Muito triste).

Em tempo: Como eu já adiantei na segunda-feira, esta semana o “Assim como Você” ainda vai ter o "sutil" objetivo de mudar a sua vida. De fazer você repensar a sua existência. "Guenta" ai, povo... e confia. Terão uma ultra, mega, blaster power titaniun história para ler e se emocionar.

Escrito por Jairo Marques às 00h00

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Gente estranha

Durante toda a minha vida eu tive de suportar me verem, num primeiro momento, como um “cara estranho” que usa cadeira de rodas. Estranho por ter uma postura meio torta, os cambitos meio finos, um braço menos forte (de Rambo, mas menos forte Muito feliz) que o outro e, além disso tudo, por ousar a encarar o mundo mesmo ele sendo tão hostil a mim e a todos os “matrixianos”.

 

Tentar mudar o olhar do outro sobre a pessoa com deficiência, para mim, é o maior desafio rumo ao domínio do mundo e eu, confesso, não sei muito como fazer, como agir.

 

 

Resolvi escrever sobre isso hoje por duas razões:

 

Na semana passada, ouvi de alguém mais importante do que a porca para parafuso Rindo a toa, que é “normal” alguns empresários não darem emprego para deficiente porque os “malacabados” têm mesmo uma imagem estranha e demora um pouco a ser assimilada. Juro que quis “gumitar” na hora, dar uma estilingada na cara, mas eu preciso do meu emprego pra comprar amendoim com sal e comida congelada, né, não?! Entorpecido

 

O segundo momento, foi na gravação do Programa do Jô. Acho que falando isso, talvez nunca mais eu volte na “Grobo”, mas tudo bem, num tem problema, prefiro mostrar minhas ideias. Senti que o gordo me achou meio estranho, em princípio. Algo do tipo: “Ai, gzuis, ele vai babar na minha caneca, será?” Rindo a toa

 

Reconheço muuuito que o programa alavancou a minha “figura” (ui) e o blog (que não tive abertura nenhuma de falar o nome), mas confesso a vocês que esperava que o gordo iria me ajudar a quebrar um monte de paradigmas. Resolvi gravar no sofá porque eu vivo dizendo que quero um mundo igual para todos, não é mesmo? Então, por que raios eu não iria botar meu corpicho ali?

 

Eu queria que o cara tivesse se levantado daquela cadeirona dele. Ido lá me dar um abraço, me recebido como alguém que era bem-vindo e não como um ser estranho que conta piada de motel.

 

No mundo real, eu sabia que ia rolar exatamente o que rolou. Ser cadeirante ali era ser estranho. Tanto é que fui cercado por dezenas de bombeiros pra, simplesmente, sentar em um sofá.... não me perguntaram nada se eu precisava, se não precisava de apoio.

 

 

Revendo a entrevista, teve até um momento de carinho, eu acho, quando ele disse: “parabéns, mesmo”. E no final, ele apertou a minha mão e disse: “foi ótimo”. Eu preferiria que ele tivesse dito: “você é sem graça, mas eu sou a favor da dominação do mundo”. Muito triste

 

O “serumano” é assim mesmo, né, “zente”?! Não dá pra querer que todo mundo aja de uma forma perfeita. Mas cá com os meus pneus eu fico matutando:

 

“Como alguém pode achar estranho o balé ‘maraviwonderful’ da Alecrim Dourado? Como alguém pode achar o meu leitor top cinco, o Leandrão Kdera, que é um bocadinho mais “mamulengo” e torto que eu Muito triste, estranho, com aquele sorriso e carisma que extravasam pelos poros e encantam?

 

 

Estranho pra mim é deputado malandro metido a paquito que saqueia os cofres públicos pagando passagem aérea, com o meu dinheiro, para atrizes dadas a gostosonas.

 

Estranho pra mim é alguém pensar que a Susan Boyle, de 47 anos, não podia ter um vozerão e emocionar metade do mundo cantando brilhantemente, mesmo com seu jeitão meio desengonçado e meio doidão. (Pra quem ainda não viu, não pense duas vezes e clica no bozo. Vai valer demais a pena, garanto! Brincalhão)

 

Certa vez, sai com uma garota (acho que já contei isso aqui, mas a idade tá acabando com a minha memória Tonto) e, quando fui entrar no carro, na hora de ir embora, ela ficou me olhando com uma baita atenção e com uma certa admiração.

 

Tá me achando estranho”, perguntei. Não, nem um pouco estranho. É apenas diferente”, ela retrucou.

 

Tornar o mundo mais acessível para que todos vivam de forma plena, para mim, passa necessariamente por uma mudança profunda, também de valores. Não quero apenas ter uma rampa para que eu possa entrar numa balada, quero ser bem-vindo e bem quisto na festa.

 

“Zimininos”, desculpem começar a semana com um post meio “sangue no zóio”, mesmo o Santos tendo ido pra final do Paulista (Tooooma Amauri! Convencido), mas eu sou assim, né?! Amanhã é feriado, posso cabular? E vão se preparando. Esta semana a emoção vai bater forte nos seus coraçõezinhos. (uuuuia!).

 

Em tempo: A minha parceira de sempre, a fotógrafa Kica de Castro, vai estar hoje no programa “Imprensa na TV, na AllTV, ao vivo, nas “internets”. Acompanhada de modelos (dilííííícia!!), a Kica vai falar sobre o trabalho dela em entrevista para a jornalista Thaís Naldoni, a partir das 15h. Bora ver?!

Escrito por Jairo Marques às 00h25

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Jairo Marques Jairo Marques, 37, jornalista pela UFMS e pós-graduado em jornalismo social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999. É colunista do caderno "Cotidiano".
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