Jairo Marques

Assim como você

 

Conto contigo?

“Zente”, não consegui fechar o post do dia... Tô muito "apetrechado"* . Carente

 

Mas, eu queria propor um desafio a todos! (Uuuuia)

 

Em uma batalha pelo domínio do mundo é preciso ter pessoas atuando em todas as área, ajudando a empurrar a kombi “veia” de todas as maneiras para termos êxito.

 

Então, eu pergunto: nessa empreitada, o que você pode fazer?

 

 

Servir o cafezinho? Ajudar a entender as leis para facilitar o acesso das frentes de batalha?

 

Fazer um projeto ou ajudar a entender as normas de acessibilidade? Conhece tudo sobre exercícios de reabilitação? É borracheiro e pode consertar o pneu dos cavalos? Muito triste

 

Pense em algo que você tem como contribuir para tornar o mundo mais pleno pra todos e ajudar a Matrix de quem tem alguma deficiência física a se integrar e ter uma vida mais “maraviwonderful”.

 

Pra que isso? É que recebo muitos pedidos de informação e com um “banco de dados” das áreas de atuação ou mesmo talentos ou sei lá o que de vocês Rindo a toa , fica mais fácil para dar fluxo nisso.

 

E não se acanhe, meu povo. As formas de tentar fazer a diferença não são necessariamente complexas.

 

Você pode colaborar, por exemplo, explicando como praticar esportes na cadeira de rodas, dando dicas de locais novos para compra de equipamentos, enfim... pensem ai... e coloquem nos “coments”, fecho?

 

Bom final de semana!

 

* Valeu, Silvia!

Escrito por Jairo Marques às 08h48

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Canta comigo!

Eu devia ter uns sete ou oito anos (isso mesmo, no tempo das cavernas Sem jeito), quando fui escalado para fazer uma daquelas apresentações durante as festas caipiras da escola.

 

Não sei porque no interior ainda se insiste em fazer festa caipira, né, não? A gente é caipira o ano todo por lá, uai Rindo a toa. Bem, mas lá fui eu preparar o meu número.

 

Ai que vergonha Com vergonha. Mas eu vou contar, afinal eu sou um “minino bão”. O tio ia cantar. É, cantar uma música que todo mundo, duvido que não, todo mundo sabe cantar um pedacinho pelo menos.

 

Vou ter de contar, né? É..... aquela “Fio de cabelo”, sacam? Muito triste Gente, eu acho que ensaie tanto aquilo que só de castigo hoje tô ficando careca. Muito triste

 

Lembro que o meu “número” seria no ginásio de esportes do colégio, lugar onde eu nunca ia devido uma escadaria que havia por ali. Ah, mas em dia de festa e para fazer uma criancinha linda passar vergonha pros outros rirem não faltam voluntários, né? Rindo a toa

 

Ai, ai... ainda bem que naquela época (isso mesmo, no período mesozóico Sem jeito) , não havia celular com câmera para guardar aquilo pra sempre!

 

Não lembro ao certo qual foi o tamanho do meu sucesso. Só sei que até hoje eu sei cantar a maldita música brega de trás para frente.

 

Mas eu contei isso porque acho que cantar montado num cavalo, vulgo cadeira de rodas, não é das tarefas mais fáceis. Quem entende, diz que o diafragma (nem sei o que é isso direito Muito triste) fica comprimido quando se está sentado e limita um pouco o poder da voz.

 

Não conheço nenhum cadeirante que cante profissionalmente aqui no Brasil. Digo alguém que tenha iniciado a carreira já “malacabado”, num vale quem já tinha sucesso antes de se estropiar.

 

Alguém se “alembra” de alguém? Sabe de algum caso de gente talentosa da Matrix que ta por ai tentando galgar o sucesso? Nesses programas de novos talentos eu já vi muletantes cantando bem demais da conta, mas nunca alguém de cavalo.

 

E é um desafio imenso, né? Subir num palco e ser observado com curiosidade. (eu me lembro da emoção lá do ginásio Convencido). É um desafio imenso fazer com que o talento se sobreponha à deficiência, mas é possível.

 

Uma leitora minha de Londres, a Roberta Ramos, me passou uma dica “maraviwonderful” de um grupo francês chamado Fugitifs (Fugitivos para os mortais Rindo a toa), que faz um baita sucesso na “Zoropa” e é todo, todinho, formado por matrixianos cadeirantes.

 

E mais, eles usam “cadeira elétrica”, quase todos. Os caras têm página nos próprio Myspace e cantam rap. O estilo não faz muito a minha cabeça e achei a música deles muito doida, mas é inevitável não tirar o chapéu pra eles.

 

A minha assistente para tudo e para qualquer coisa Muito triste, a querida Silvia Dutra, lá dos “Estadosunidos”, fez a tradução de uma participação do grupo numa espécie de Teleton lá da França.

 

Coloco então para vocês conhecerem e curtirem os “Fugitifs"!

  

Escrito por Jairo Marques às 08h23

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

O poder da palavra e a resposta do silêncio

Alguém aqui assiste aquela série “maraviwonderful” chamada Heroes? O tio é viciado naquilo. Convencido

 

Basicamente, é uma espécie de fábula de pessoas comuns que descobrem que tem poderes “doidivanos” do tipo fazer o tempo parar, voar, se regenerar, ler a mente, conversar com máquinas, aprender coisas difíceis em segundos... (uuuia!)

 

Mas, nenhum dos Heroes tem um poder que quase todo mundo já, algum dia, sonhou em ter: o poder de fazer a palavra dita voltar para dentro da boca! Bico calado

 

A palavra quando sai da gente e chega ao outro pode agredir, pode ferir, pode desagradar, pode ser interpretada de uma forma que a gente jamais quis... ou que quis, mas não tinha noção da consequência (agora sem trema!).

 

 

Minha querida leitora Lak Lobato hoje é novamente a dona do post (Aêêêê). Matrixiana por ter deficiência na audição, ela conta uma história de tirar o fôlego que é exatamente sobre o tal poder da palavra em confronto com a resposta do silêncio ou do quase silêncio.

 

Ahhh, sim, tem uma profunda reflexão sobre a Matrix, como não poderia deixar de ser, né?!

 

Fato é: antes de dizer algo a alguém, sobretudo se você desconhece esse alguém, tente pensar antes de reagir de forma grosseira ou intempestiva caso não seja compreendido. Se errou o tom, se errou as palavras, peça desculpas, respire fundo e tente explicar de outra maneira.

 

Ser entendido de forma plena é uma arte. Ser entendido em uma situação adversária é mais desafiador ainda!

 

As gracinhas entre parênteses, em itálico, ao longo do texto, são desse “véio” doido aqui. Entorpecido

 

  Sorte

 

 

Quando eu estava no segundo colegial (ensino médio), mudei de escola, pra estudar com minha melhor amiga de infância, que morava numa cidade do litoral fluminense. Passei uns meses morando com ela.

 

Na escola onde eu iria estudar, havia um professor de matemática que tinha uma fama de ser muito durão, rígido, que dava provas dificílimas, mas que todo mundo adorava e, por conta disso, o apelidaram de Paulo Diabo (sai de retro!! Muito triste).

 

 

No primeiro dia de aula (começou bem Rindo a toa), eu estava parada na porta da sala, no rápido espaço de tempo entre aulas, quando o tal professor se aproximou de mim, sem que eu percebesse, e falou alguma coisa que eu ouvi, mas não entendi e tive que pedir pra ele repetir.

 

Ele falou comigo de novo e eu continuei não entendendo - talvez porque tenha me assustado ou porque estivesse distraída - até que ele achou que era pouco caso da minha parte e me disse algo bem irônico do tipo:

 

“Se eu mandar você se **** (tradução, se foder surpreso), você me entende?”

 

Arregalei os olhos, sem saber se ria ou chorava, mas minha amiga, que tinha ouvido ele falar comigo do outro lado da sala, foi correndo explicar que não era má vontade da minha parte, eu apenas não tinha audição boa o suficiente pra entendê-lo tão facilmente.

 

A expressão do professor mudou quase imediatamente e ele me fez o mais sincero pedido de desculpas que eu já “ouvi” na minha vida. Sabe aqueles pedidos que vêm do fundo do coração? (ai que lindo!)

 

Achei que fosse ficar só nisso, mas, antes de começar a aula, quando já estávamos sentados e ele, de pé sobre o tablado, ele pôs-se a contar o que havia acontecido:

 

“Hoje eu cometi uma gafe. Fui falar com uma aluna nova, sem saber que ela era surda, e fui infeliz ao tentar me comunicar com ela. Já pedi desculpas, mas quero que todos vocês ouçam também esse pedido de desculpas, porque eu tenho comigo a promessa de jamais destratar uma pessoa com qualquer deficiência que seja. (aqui já começa um nó na ‘guela’, né?)

 

 

Não porque eu seja uma pessoa caridosa, vocês sabem que eu não sou assim. Mas porque sei que deficiência não torna as pessoas piores ou menos dignas do meu respeito.

 

Quando eu estava iniciando a carreira, dei aula num curso de matemática avançada pra uma turma. Um dos meus alunos era cego, mas ele era tão inteligente, que não demandava nenhuma necessidade especial de atenção.

 

Ele simplesmente pedia pra eu verbalizar tudo e qualquer coisa que escrevesse na lousa. Números, sinais, letras, dissesse quando mudasse de linha, de coluna, para que ele pudesse copiar em seu caderno.

 

Eu tinha admiração por esse aluno, porque ele era esforçado e dedicado, dava prazer de ensinar pra ele, tanto quanto para qualquer outro aluno que estivesse interessado em aprender o que eu tinha pra ensinar.

 

Um dia, eu estava em frente a lousa, naquela 'ditação' necessária, ensinando uma equação muito complexa, que já vinha ocupando a lousa quase toda, até que eu me dei conta que eu tinha cometido algum erro e o resultado não batia com o que deveria ser.

 

Fiquei parado em frente à lousa, tentando identificar o erro que nem eu nem ninguém conseguíamos achar. Até que eu me cansei e decidi sentar um pouco, em silêncio, procurando pelo erro.

 

O aluno cego me perguntou:

 

- Qual o problema, professor?

 

E eu expliquei que a equação estava errada, porque o resultado não era o esperado, mas eu não conseguia saber onde tinha errado.

 

 

No que ele respondeu:

 

- Eu posso te ajudar. Fique de frente pra lousa. Volte tantas colunas, suba tantas linhas. Verifique se o erro não está ali.

 

E realmente, o erro era exatamente aquele. O rapaz era cego, mas foi a única pessoa capaz de enxergar aquele erro.

 

A partir desse dia, eu passei a respeitar de verdade as limitações de cada pessoa, porque percebi que uma deficiência física ou sensorial não significa uma mácula na essência do ser humano que ele é.

 

Por isso, Lak, mais uma vez, me desculpe. Eu não sabia que você não ouvia, mas tenho certeza que você é capaz de escutar meu pedido de desculpas, agora.”

 

Gosto dessa história não porque o professor durão me pediu desculpas, afinal essa situação acontece comigo sempre, mas gostei porque ela mostra a qualidades primordiais de dois seres humanos.

 

Um que, mesmo incapaz de ver, era capaz de enxergar coisas que nem quem via perfeitamente bem enxergava. E outro, porque não se deixou cegar pelo preconceito.

 

E é justamente esse tipo de história que mantém a minha fé de que tudo é possível.

 

* Imagens retiradas do Google Imagens

Escrito por Jairo Marques às 00h03

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Fazendo um papel importante

Meu povo, e essa semana que não acaba, heim? Rindo a toa

 

O post de hoje é bem “diferentchi”. Fui fazer um test drive (uuuia) de acessibilidade em uma fábrica.

 

Mas num foi em qualquer biboca, não, foi na fábrica projetada para ser a maior produtora de celulose (produto que gera o papel e outros troços) do mundo! 

 

A instalação é da VCP (Votorantim Celulose e Papel) e fica onde? Em “Trelagoa”! Aêêê Legal. A inauguração oficial deve ser agora em abril.

 

Pra quem não sabe, o “homi” que é o dono de lá é o doutor Antônio Ermírio de Moraes, esse mesmo que você ta pensando, rico de um tanto que pode comprar “nóis” tudo e levar pra fazer sabão.Muito triste

 

 

 

O que eu achei “maraviwondeful” no projeto é que ele foi pensado e elaborado antecipadamente para ser acessível.

 

Normalmente, as empresas só pensam nisso depois da estrutura pronta e por meio da reivindicação de algum funcionário “malacabado”.

 

Por trás desse avanço exemplar (não, num tô puxando saco, juro. O doutor Antônio já tem milhares de puxadores Abismado), está a arquiteta Maiara Garcia, que planejou todos os detalhes para que o povo da Matrix de quem tem alguma deficiência física pudesse trabalhar por lá!

 

“Defendi desde o projeto na planta que a fábrica fosse totalmente acessível em todos os seus setores. Não foi simples aprovar tudo por causa dos custos, mas, no final, consegui mostrar para a direção da empresa que aquilo era dar condições iguais a todos”.

 

A minha visita na fábrica foi em novembro do ano passado (sou muito “trapaiado”, por isso só estou falando disso agora) e eu reprovei dois quesitos: a vaga reservada no estacionamento, que estava muito pequena, e a falta de piso tátil, para auxiliar os “pessoais” cegos a se orientarem.

 

Maiara afirmou que iria providenciar as adequações. Depois eu conto pra vocês como ficou.

 

Mas, vamos ao que achei de positivo por lá:

  

Todos os corredores, passagens, espaço entre as baias de trabalho foram projetados para dar amplo movimento a uma cadeira de rodas, mesmo para as “elétricas”, transitarem e se movimentarem sem transtorno.

 

 

 

 

As mesas, as bancadas, as maçanetas das portas, as barras de proteção antipânico possuem altura ideal para acionamento na cadeira de rodas ou mesmo para quem é gente pequena!

 

 

 

 

Eu nunca tinha entrado em tantos banheiros num curto espaço de tempo. Tonto

 

Lá na fábrica são dezenas deles. Em tooodos os setores, há um acessível com válvula que facilita a vida dos “tetrões”, dos “mamulengões” e todos com ducha higiênica, pra mode a gente lavar as partes.  Com vergonha

 

 

 

Em um dos setores que entrei fiz uma pergunta provocativa pra um diretor: “Num é um desperdício de dinheiro tornar tudo acessível se ainda não tem nenhum ‘matrixiano’ trabalhando aqui”?

 

No que ele rebateu, só pra me agradar, né? Carente “É muito melhor ter as condições ideais para que qualquer pessoa possa trabalhar aqui mesmo antes de haver um funcionário que necessite de condições especiais porque isso acaba atraindo as pessoas”.

 

 

Por lá as calçadas também são todas bacanas e há rampas pra todo lado, mesmo na área que fica a peãozada que é quem trabalha de verdade, né, não? Convencido

 

 

 

 

Bate o olho na largura dessa porta. É “praticamentchi” uma porteira!

 

 

Me chamou muito a atenção essa parte da empresa, oh:

 

 

 

Num sabe o que é, né? Eu explico porque eu sou “minino bão”. Aqui é uma parte onde os caminhoneiros que chegam para levar a produção pros portos, pros mercados consumidores tem para descansar.

 

Ali tem cama para descansar, tem cantina, tem banheiro com chuveiro. Sim, é tudo acessível. surpreso

 

 

Aí “vo6” me perguntam: “Uai, mas tem caminheiro cadeirante?”

 

Olha, a intenção da Maiara foi facilitar na situação de algum viajante que leve a família tenha um “estropiado” na família, mas, tem cadeirante que é caminheiro, sim.

 

“Excrusível”, tem um caminhoneiro cadeirante que até escreveu um livro e tal... um dia eu conto aqui.

 

Por fim, vejam só (sorry, Miguelzinho, Vivi e os "pessoais" que não enxergam) a placa que encontrei por lá:

 

  

 

"Fazer diferente é o que faz a difrença". Gostei demais da conta disso!

 

"Zente", eu acho, sim, que a VCP não fez mais que a obrigação dela em ter um ambiente pleno para todos, mas, também acho louvável que ela faça algo pelo nosso domínio do mundo...

 

 

* Imagens de divulgação realizadas pelas Assessoria de Imprensa da Votorantim Papel e Celulose.

* Agracecimento especial ao modelo das fotas, no "causo", eu. Muito triste

Escrito por Jairo Marques às 00h29

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ver mensagens anteriores

PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 37, jornalista pela UFMS e pós-graduado em jornalismo social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999. É colunista do caderno "Cotidiano".
Twitter Twitter RSS

BUSCA NO BLOG


ARQUIVO


Ver mensagens anteriores
 

Copyright Folha.com. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha.com.