Tá aí o que a gente queria!
Meu povo, “bora” rumo ao domínio do mundo?! Me aguardem no sábado lá naquela feira dos "estropiados" que vai acontecer no Centro de Convenções Imigrantes, aqui em São Paulo, a partir de quinta-feira, dia 2 de abril. ![]()
Ontem, oficialmente, a Cipa, órgão responsável pelo babado, me respondeu, depois de uma leve pressãozinha minha e de uns "mano" que eu conheço
, dizendo que haverá manobristas para estacionar o carro e ajudar esses “malacabados” que dão um trabaaaaalho, danado.
Pra quem tá mais perdido do que pedaço de carne em sopa de pobre
, clica no bozo e entenda o início disso tudo. ![]()

Quem me respondeu foi José Roberto Savieri, um dos responsáveis pelo evento. Ele afirmou que nunca foi procurado para responder sobre o estacionamento e que tudo não passou de um mal entendido já solucionado.
Bem, ele foi procurado, sim. Mandei emails (tenho todos guardados) e fiz contatos não só com a Cipa, mas também com outras entidades da organização da feira, inclusive com a assessoria de imprensa, pra saber:
“E ai, quem for sozinho lá pra feira, de carro, e não conseguir tirar a cadeira de rodas do porta-malas, for tetrão ou molão, como eu, faz o quê: Chora? Chama a polícia?”
Até ontem à tarde, os meus pedidos de informação e esclarecimento foram solenimente ignorados. Mas tudo bem (deixa eu limpar aqui o canto da boca
), o que importa é que eles irão colocar à disposição de motoristas matrixianos que precisarem um serviço de manobrista.

Quem necessitar do apoio, tem de dizer na cabine de entrada do estacionamento que quer um manobrista para dar aquela “hand” e embicar o carro em uma vaga, além de ajuda para tirar o cavalo de dentro da “charanga”.
Claro, claro que nem tudo são flores, “6” tão achando que isso aqui é a Suíça? Quem optar pelo serviço com manobrista, em vez de pagar os 20 “roiais” de estacionamento vai ter de deixar 30 contos. (Tooooooma
)
Concordo, concordo com quem tá pensando que trinta “renais”, com os atuais preços dos carros, dá pra dar entrada numa kombi nova, mas aí a conversa é outra, né? Depois a gente encaminha o caso para o Procon. 
E eu já expliquei pra todos que deficiente é tudo rico, né? Num lembra? Clica no bozo! ![]()

Sobre eu ter escrito que há empresários gananciosos que tão pouco se lixando com as necessidades específicas dos “malacabados”, o senhor Savieri escreveu:
“Termos ingressos gratuitos, mostra que não temos ganância e, sim, preocupação com a inclusão. Complementando, as entidades que expõem na feira recebem o estande de graça, incluindo a montagem, que é paga pela nossa empresa. Definitivamente não é atitude de gente com ganância, não somos assim.”
Com certeza, as entidades estão muito gratas com os cantinhos que lhes foram reservados e também as grandes montadoras de carro, as grandes lojas de equipamentos que estarão todas por lá, vão vibrar com a capacidade de atração dessas instituições que trabalham muito pela inclusão!
Por fim, “zente”, quero dizer que não fiz birra e nem considero radical ter tomado uma atitude de condicionar a minha ida a essa feira a condições dignas para todos.
Fiz isso em respeito aos meus dois ou três leitores
e em respeito a mim mesmo.
Sem atitude, um mundo mais pleno para todos vai demorar demais para ser alcançado. E eu quero muito poder ter o gosto de viver nesse local aonde a minha condição física não vai se sobrepor aos meus direitos de ser cidadão.
Vou pra feira no dia 4, à tarde! Antes, eu preciso fazer as própria “maquilagem”, arrancar os cascão, passar desinfetante...
. Encontro vocês por lá!
* Imagens retiradas do Google Imagens
Escrito por Jairo Marques às 00h18
Depois do céu, vem o mar
Ôh povo, faz pouquinho tempo eu contei aqui uma aventura de uma “malacabada” que todo mundo ficou bege de ver.
Foi a história da Micheli Oliveira, que saiu voando de paraglider por ai
. Lembra, não? Clica no bozo que eu te conto. ![]()

Pois bem, num é que agora a espevitada da menina foi pros próprio fundo do mar? A Micheli, “zente”, que tem distrofia muscular, ou seja, dá um trabaaaaaaalho danado,
fez um mergulho!!! Pera, pera, um não... foram dois!!!

“Fiz o chamado mergulho autônomo, e um dia antes do mergulho no mar, fizemos uma preparação na piscina para que eu me adaptasse com os equipamentos de mergulho. Também fizemos algumas manobras de emergências, caso acontecesse algo inesperado no mar.”
Que cara é essa? Ta achando que a Matrix de quem tem alguma deficiência esqueceu de abrir uma frente de batalha para a dominação do mundo no oceano? Que nada, bobo, já temos até um instrutor para ensinar a gente a soltar as bolhas na água!
O mergulho da Micheli só foi possível graças ao empenho de um “infiltrado” que quer mais que a gente tome logo as rédeas da humanidade , o César Gentile.
Conversei com o cabra, que é muito gente boa e tem uma escola de mergulho em Caraguatatuba (já repararam que muita coisa acessível rola por lá?). Ele contou um pouco o “como foi”.
“A entrada na água é diferente do tradicional passo de gigante. A gente precisou colocá-la no mar. O equipamento e a quantidade de lastro tiveram de ser bem trabalhados. Foi importantíssimo que o local tivesse pouca profundidade, no início.
O staff (equipe de apoio) que levamos no dia foi um pouco maior que o normal. Mas a principal diferença é o cuidado para não colocar a pessoal em situações em que a dificuldade de propulsão com as pernas seja muito exigida. Cada pessoa especial (matrixiano), tem um procedimento específico.”

Até eu que não sou muito chegado em água
, fiquei com vontade de ver o que rola lá no fundo do marzão. Já imaginou o tio lá pertinho do Bob Esponja, do Patrick, do seu Sirgueirjo? ![]()
Se dá medo mergulhar? Se não é melhor um deficiente se contentar em ficar quietinho ali na janela vendo o bonde passar? Se o fato de não ter os plenos movimentos num dá vontade de só ficar em casa fazendo tricô?
Leiam ai o que a essa mulher sem limites me disse:
“Confesso que senti medo, sim. Quando fui fazer o teste na piscina, pensei: ‘nossa, voar é muito mais fácil’,até porque eu não sei nadar. ![]()
Mas a vida é tão tranquila embaixo d'agua e essa tranquilidade toda me trouxe uma paz que meu medo logo foi embora.
A inspiração veio de vários fatores: do meu espírito de aventureira, de superar as minhas limitações, da minha paixão pelo mar, do fato de poder quebrar paradigmas que ainda existem com relação a nós ‘deficientes’, de mostrar às pessoas que tudo é possível.”

“Arrupiou”? Então agora, toma um pouco de fôlego e vamos voltar pro fundo do mar. As pessoas que fazem a diferença têm sempre frases “maraviwonderful” para esse blog.
Leiam o que pensa o Cesar sobre “mamulengos” quererem desafiar o mar.
“Nestes casos, a grande diferença se faz na determinação, coragem e confiança do candidato. A Micheli realmente superou todas as adversidades e confiou bastante em mim, o instrutor. O mérito é muito maior dela.

Minha dica para quem é deficiente é quer mergulhar é a pessoa estar certa de querer experimentar este mundo novo, ter bastante coragem e confiança, e procurar treinamento e profissionais adequados.”

A Micheli desceu 20 metros pelo fundo do mar. A primeira vez foi na Ilha de Vitória, em Ilha Bela (SP) e a segunda na Ilha Anchieta, em Ubatuba (SP), em fevereiro deste ano.

Segundo o Cesar, quase todos os deficientes podem fazer o mergulho. Quem tiver interesse e quiser entrar em contato com ele para saber mais sobre como dominar o mar
, o site é o http://www.cesardiveteam.com.br/
Escrito por Jairo Marques às 00h11
Conto contigo?
“Zente”, não consegui fechar o post do dia... Tô muito "apetrechado"* . ![]()
Mas, eu queria propor um desafio a todos! (Uuuuia)
Em uma batalha pelo domínio do mundo é preciso ter pessoas atuando em todas as área, ajudando a empurrar a kombi “veia” de todas as maneiras para termos êxito.
Então, eu pergunto: nessa empreitada, o que você pode fazer?

Servir o cafezinho? Ajudar a entender as leis para facilitar o acesso das frentes de batalha?
Fazer um projeto ou ajudar a entender as normas de acessibilidade? Conhece tudo sobre exercícios de reabilitação? É borracheiro e pode consertar o pneu dos cavalos? ![]()
Pense em algo que você tem como contribuir para tornar o mundo mais pleno pra todos e ajudar a Matrix de quem tem alguma deficiência física a se integrar e ter uma vida mais “maraviwonderful”.
Pra que isso? É que recebo muitos pedidos de informação e com um “banco de dados” das áreas de atuação ou mesmo talentos ou sei lá o que de vocês
, fica mais fácil para dar fluxo nisso.
E não se acanhe, meu povo. As formas de tentar fazer a diferença não são necessariamente complexas.
Você pode colaborar, por exemplo, explicando como praticar esportes na cadeira de rodas, dando dicas de locais novos para compra de equipamentos, enfim... pensem ai... e coloquem nos “coments”, fecho?
Bom final de semana!
* Valeu, Silvia!
Escrito por Jairo Marques às 08h48
Canta comigo!
Eu devia ter uns sete ou oito anos (isso mesmo, no tempo das cavernas
), quando fui escalado para fazer uma daquelas apresentações durante as festas caipiras da escola.
Não sei porque no interior ainda se insiste em fazer festa caipira, né, não? A gente é caipira o ano todo por lá, uai
. Bem, mas lá fui eu preparar o meu número.
Ai que vergonha
. Mas eu vou contar, afinal eu sou um “minino bão”. O tio ia cantar. É, cantar uma música que todo mundo, duvido que não, todo mundo sabe cantar um pedacinho pelo menos.
Vou ter de contar, né? É..... aquela “Fio de cabelo”, sacam?
Gente, eu acho que ensaie tanto aquilo que só de castigo hoje tô ficando careca. ![]()
Lembro que o meu “número” seria no ginásio de esportes do colégio, lugar onde eu nunca ia devido uma escadaria que havia por ali. Ah, mas em dia de festa e para fazer uma criancinha linda passar vergonha pros outros rirem não faltam voluntários, né? ![]()
Ai, ai... ainda bem que naquela época (isso mesmo, no período mesozóico
) , não havia celular com câmera para guardar aquilo pra sempre!
Não lembro ao certo qual foi o tamanho do meu sucesso. Só sei que até hoje eu sei cantar a maldita música brega de trás para frente.
Mas eu contei isso porque acho que cantar montado num cavalo, vulgo cadeira de rodas, não é das tarefas mais fáceis. Quem entende, diz que o diafragma (nem sei o que é isso direito
) fica comprimido quando se está sentado e limita um pouco o poder da voz.
Não conheço nenhum cadeirante que cante profissionalmente aqui no Brasil. Digo alguém que tenha iniciado a carreira já “malacabado”, num vale quem já tinha sucesso antes de se estropiar.
Alguém se “alembra” de alguém? Sabe de algum caso de gente talentosa da Matrix que ta por ai tentando galgar o sucesso? Nesses programas de novos talentos eu já vi muletantes cantando bem demais da conta, mas nunca alguém de cavalo.
E é um desafio imenso, né? Subir num palco e ser observado com curiosidade. (eu me lembro da emoção lá do ginásio
). É um desafio imenso fazer com que o talento se sobreponha à deficiência, mas é possível.
Uma leitora minha de Londres, a Roberta Ramos, me passou uma dica “maraviwonderful” de um grupo francês chamado Fugitifs (Fugitivos para os mortais
), que faz um baita sucesso na “Zoropa” e é todo, todinho, formado por matrixianos cadeirantes.
E mais, eles usam “cadeira elétrica”, quase todos. Os caras têm página nos próprio Myspace e cantam rap. O estilo não faz muito a minha cabeça e achei a música deles muito doida, mas é inevitável não tirar o chapéu pra eles.
A minha assistente para tudo e para qualquer coisa
, a querida Silvia Dutra, lá dos “Estadosunidos”, fez a tradução de uma participação do grupo numa espécie de Teleton lá da França.
Coloco então para vocês conhecerem e curtirem os “Fugitifs"!
Escrito por Jairo Marques às 08h23
O poder da palavra e a resposta do silêncio
Alguém aqui assiste aquela série “maraviwonderful” chamada Heroes? O tio é viciado naquilo. ![]()
Basicamente, é uma espécie de fábula de pessoas comuns que descobrem que tem poderes “doidivanos” do tipo fazer o tempo parar, voar, se regenerar, ler a mente, conversar com máquinas, aprender coisas difíceis em segundos... (uuuia!)
Mas, nenhum dos Heroes tem um poder que quase todo mundo já, algum dia, sonhou em ter: o poder de fazer a palavra dita voltar para dentro da boca! 
A palavra quando sai da gente e chega ao outro pode agredir, pode ferir, pode desagradar, pode ser interpretada de uma forma que a gente jamais quis... ou que quis, mas não tinha noção da consequência (agora sem trema!).

Minha querida leitora Lak Lobato hoje é novamente a dona do post (Aêêêê). Matrixiana por ter deficiência na audição, ela conta uma história de tirar o fôlego que é exatamente sobre o tal poder da palavra em confronto com a resposta do silêncio ou do quase silêncio.
Ahhh, sim, tem uma profunda reflexão sobre a Matrix, como não poderia deixar de ser, né?!
Fato é: antes de dizer algo a alguém, sobretudo se você desconhece esse alguém, tente pensar antes de reagir de forma grosseira ou intempestiva caso não seja compreendido. Se errou o tom, se errou as palavras, peça desculpas, respire fundo e tente explicar de outra maneira.
Ser entendido de forma plena é uma arte. Ser entendido em uma situação adversária é mais desafiador ainda!
As gracinhas entre parênteses, em itálico, ao longo do texto, são desse “véio” doido aqui. ![]()
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Quando eu estava no segundo colegial (ensino médio), mudei de escola, pra estudar com minha melhor amiga de infância, que morava numa cidade do litoral fluminense. Passei uns meses morando com ela.
Na escola onde eu iria estudar, havia um professor de matemática que tinha uma fama de ser muito durão, rígido, que dava provas dificílimas, mas que todo mundo adorava e, por conta disso, o apelidaram de Paulo Diabo (sai de retro!!
).

No primeiro dia de aula (começou bem
), eu estava parada na porta da sala, no rápido espaço de tempo entre aulas, quando o tal professor se aproximou de mim, sem que eu percebesse, e falou alguma coisa que eu ouvi, mas não entendi e tive que pedir pra ele repetir.
Ele falou comigo de novo e eu continuei não entendendo - talvez porque tenha me assustado ou porque estivesse distraída - até que ele achou que era pouco caso da minha parte e me disse algo bem irônico do tipo:
“Se eu mandar você se **** (tradução, se foder
), você me entende?”
Arregalei os olhos, sem saber se ria ou chorava, mas minha amiga, que tinha ouvido ele falar comigo do outro lado da sala, foi correndo explicar que não era má vontade da minha parte, eu apenas não tinha audição boa o suficiente pra entendê-lo tão facilmente.
A expressão do professor mudou quase imediatamente e ele me fez o mais sincero pedido de desculpas que eu já “ouvi” na minha vida. Sabe aqueles pedidos que vêm do fundo do coração? (ai que lindo!)
Achei que fosse ficar só nisso, mas, antes de começar a aula, quando já estávamos sentados e ele, de pé sobre o tablado, ele pôs-se a contar o que havia acontecido:
“Hoje eu cometi uma gafe. Fui falar com uma aluna nova, sem saber que ela era surda, e fui infeliz ao tentar me comunicar com ela. Já pedi desculpas, mas quero que todos vocês ouçam também esse pedido de desculpas, porque eu tenho comigo a promessa de jamais destratar uma pessoa com qualquer deficiência que seja. (aqui já começa um nó na ‘guela’, né?)

Não porque eu seja uma pessoa caridosa, vocês sabem que eu não sou assim. Mas porque sei que deficiência não torna as pessoas piores ou menos dignas do meu respeito.
Quando eu estava iniciando a carreira, dei aula num curso de matemática avançada pra uma turma. Um dos meus alunos era cego, mas ele era tão inteligente, que não demandava nenhuma necessidade especial de atenção.
Ele simplesmente pedia pra eu verbalizar tudo e qualquer coisa que escrevesse na lousa. Números, sinais, letras, dissesse quando mudasse de linha, de coluna, para que ele pudesse copiar em seu caderno.
Eu tinha admiração por esse aluno, porque ele era esforçado e dedicado, dava prazer de ensinar pra ele, tanto quanto para qualquer outro aluno que estivesse interessado em aprender o que eu tinha pra ensinar.
Um dia, eu estava em frente a lousa, naquela 'ditação' necessária, ensinando uma equação muito complexa, que já vinha ocupando a lousa quase toda, até que eu me dei conta que eu tinha cometido algum erro e o resultado não batia com o que deveria ser.
Fiquei parado em frente à lousa, tentando identificar o erro que nem eu nem ninguém conseguíamos achar. Até que eu me cansei e decidi sentar um pouco, em silêncio, procurando pelo erro.
O aluno cego me perguntou:
- Qual o problema, professor?
E eu expliquei que a equação estava errada, porque o resultado não era o esperado, mas eu não conseguia saber onde tinha errado.

No que ele respondeu:
- Eu posso te ajudar. Fique de frente pra lousa. Volte tantas colunas, suba tantas linhas. Verifique se o erro não está ali.
E realmente, o erro era exatamente aquele. O rapaz era cego, mas foi a única pessoa capaz de enxergar aquele erro.
A partir desse dia, eu passei a respeitar de verdade as limitações de cada pessoa, porque percebi que uma deficiência física ou sensorial não significa uma mácula na essência do ser humano que ele é.
Por isso, Lak, mais uma vez, me desculpe. Eu não sabia que você não ouvia, mas tenho certeza que você é capaz de escutar meu pedido de desculpas, agora.”
Gosto dessa história não porque o professor durão me pediu desculpas, afinal essa situação acontece comigo sempre, mas gostei porque ela mostra a qualidades primordiais de dois seres humanos.
Um que, mesmo incapaz de ver, era capaz de enxergar coisas que nem quem via perfeitamente bem enxergava. E outro, porque não se deixou cegar pelo preconceito.
E é justamente esse tipo de história que mantém a minha fé de que tudo é possível.
* Imagens retiradas do Google Imagens
Escrito por Jairo Marques às 00h03
Fazendo um papel importante
Meu povo, e essa semana que não acaba, heim? ![]()
O post de hoje é bem “diferentchi”. Fui fazer um test drive (uuuia) de acessibilidade em uma fábrica.
Mas num foi em qualquer biboca, não, foi na fábrica projetada para ser a maior produtora de celulose (produto que gera o papel e outros troços) do mundo!
A instalação é da VCP (Votorantim Celulose e Papel) e fica onde? Em “Trelagoa”! Aêêê
. A inauguração oficial deve ser agora em abril.
Pra quem não sabe, o “homi” que é o dono de lá é o doutor Antônio Ermírio de Moraes, esse mesmo que você ta pensando, rico de um tanto que pode comprar “nóis” tudo e levar pra fazer sabão.![]()
O que eu achei “maraviwondeful” no projeto é que ele foi pensado e elaborado antecipadamente para ser acessível.
Normalmente, as empresas só pensam nisso depois da estrutura pronta e por meio da reivindicação de algum funcionário “malacabado”.
Por trás desse avanço exemplar (não, num tô puxando saco, juro. O doutor Antônio já tem milhares de puxadores
), está a arquiteta Maiara Garcia, que planejou todos os detalhes para que o povo da Matrix de quem tem alguma deficiência física pudesse trabalhar por lá!
“Defendi desde o projeto na planta que a fábrica fosse totalmente acessível em todos os seus setores. Não foi simples aprovar tudo por causa dos custos, mas, no final, consegui mostrar para a direção da empresa que aquilo era dar condições iguais a todos”.
A minha visita na fábrica foi em novembro do ano passado (sou muito “trapaiado”, por isso só estou falando disso agora) e eu reprovei dois quesitos: a vaga reservada no estacionamento, que estava muito pequena, e a falta de piso tátil, para auxiliar os “pessoais” cegos a se orientarem.
Maiara afirmou que iria providenciar as adequações. Depois eu conto pra vocês como ficou.
Mas, vamos ao que achei de positivo por lá:
Todos os corredores, passagens, espaço entre as baias de trabalho foram projetados para dar amplo movimento a uma cadeira de rodas, mesmo para as “elétricas”, transitarem e se movimentarem sem transtorno.

As mesas, as bancadas, as maçanetas das portas, as barras de proteção antipânico possuem altura ideal para acionamento na cadeira de rodas ou mesmo para quem é gente pequena!



Eu nunca tinha entrado em tantos banheiros num curto espaço de tempo.
Lá na fábrica são dezenas deles. Em tooodos os setores, há um acessível com válvula que facilita a vida dos “tetrões”, dos “mamulengões” e todos com ducha higiênica, pra mode a gente lavar as partes. ![]()
Em um dos setores que entrei fiz uma pergunta provocativa pra um diretor: “Num é um desperdício de dinheiro tornar tudo acessível se ainda não tem nenhum ‘matrixiano’ trabalhando aqui”?
No que ele rebateu, só pra me agradar, né?
“É muito melhor ter as condições ideais para que qualquer pessoa possa trabalhar aqui mesmo antes de haver um funcionário que necessite de condições especiais porque isso acaba atraindo as pessoas”.
Por lá as calçadas também são todas bacanas e há rampas pra todo lado, mesmo na área que fica a peãozada que é quem trabalha de verdade, né, não? ![]()


Bate o olho na largura dessa porta. É “praticamentchi” uma porteira!

Me chamou muito a atenção essa parte da empresa, oh:

Num sabe o que é, né? Eu explico porque eu sou “minino bão”. Aqui é uma parte onde os caminhoneiros que chegam para levar a produção pros portos, pros mercados consumidores tem para descansar.
Ali tem cama para descansar, tem cantina, tem banheiro com chuveiro. Sim, é tudo acessível. ![]()

Aí “vo6” me perguntam: “Uai, mas tem caminheiro cadeirante?”
Olha, a intenção da Maiara foi facilitar na situação de algum viajante que leve a família tenha um “estropiado” na família, mas, tem cadeirante que é caminheiro, sim.
“Excrusível”, tem um caminhoneiro cadeirante que até escreveu um livro e tal... um dia eu conto aqui.
Por fim, vejam só (sorry, Miguelzinho, Vivi e os "pessoais" que não enxergam) a placa que encontrei por lá:
"Fazer diferente é o que faz a difrença". Gostei demais da conta disso!
"Zente", eu acho, sim, que a VCP não fez mais que a obrigação dela em ter um ambiente pleno para todos, mas, também acho louvável que ela faça algo pelo nosso domínio do mundo...
* Imagens de divulgação realizadas pelas Assessoria de Imprensa da Votorantim Papel e Celulose.
* Agracecimento especial ao modelo das fotas, no "causo", eu. ![]()
Escrito por Jairo Marques às 00h29
Delicie-se
Hoje eu mostro pra vocês um pedacinho de um “escândalo” que vou publicar aqui no blog em breve...
Qual o tema? Corpos, expressões, misturas entre o que é supostamente normal com o que parece ser... diferente.
Esta felina de nome Any Marques te parece da Matrix de quem tem alguma deficiência?
Não? Por quê? Por que ela é sensual e tem um olhar de “me taca na parede” ou... “cala a boca que eu te arranho”?
Esse diário vai tentar sempre contrapor a visão comum estabelecida de que deficiente é um ser inocente e em cuja mente não pairam os institutos de qualquer ser humano....
Entre eles a nata vontade e o nato desejo que temos de... caçar

Esse casal quase que se devorando é de gente da Matrix ou é tudo gente “normal”?
Ahhhh, a muleta denuncia.... não sei, não sei... pode ser fetiche....
Importa? O que importa pra mim é a atração... a vontade de unir o dois e tornar um só...
Olhares, gestos, movimentos da boca. Sensualidade é algo muito além de um corpo esculpido, de ausência de cicatrizes, da presença do óbvio.
Daiane, essa morena de embasbacar, arrepia sem nem sequer tocar, provoca sem nem sequer ter de rebolar, se insinuar.... a hipnose vem dela mesma. Ela quer, ela pode, ela faz valer...
Mas essa deusa parece tão... tão... “certinha”...até ...paralisa o pensamento. Daiane, o que será, afinal, essa tal de ... paralisia??

Tá tudo muito confuso? Confunda, mesmo.
Confunda pernas, confunda braços, confunda cheiros, confunda gostos, se confunda quando pensar que tudo tem um padrão, que tudo é óbvio, que tudo que foge ao normal desperta receio....
Tem algo de... “estranho” nesse casal? Eu não vejo absolutamente nenhum estranhamento... Só percebo que eles despertam é muito....

É mentira... essa mulher com ares de ninfa não pertence a esse mundo paralelo. É perfeita, estou vendo os detalhes, é toda perfeita....
Mas o que importa, quando há um encontro de almas, um encontro de atrações intensas, um encontro da fome com a vontade de.... comer... está presente?
Se tiver a sorte de encontrar Any por ai, não perca a chance de perguntar a ela se faz parte da Matrix das pessoas que tem algum tipo de deficiência...
Uma dica: gatas como ela precisam que você diga tudo olhando para os olhos dela, de forma calma e clara...
Isso foi só um aperitivo.... o banquete ainda virá....
* Ensaios inéditos e exclusivos para o “Assim como Você” realizados pela incrível e cada vez mais incrível parceira a fotógrafa Kica de Castro kicadecastro@gmail.com .
Para saber mais sobre o trabalho dela, clique aqui
* Agradecimento especial para os modelos Any Marques, Daiane Lopes e Marcio Toscanini
Escrito por Jairo Marques às 00h11
Coiserada
“Zimininos”, o tio encheu a lata de chá de cidreira e agora já tá bem levinho, ta bão?
Hoje eu quero falar de várias coisas (coiseirada, né?) importantes para o esse mundo da Matrix de quem tem alguma deficiência física.
Então, vamos lá. Ah, mas eu num vou esquecer a Reatech, não... A novidade até agora é que não tem novidade
. Ninguém entrou em contato, nem da organização, nem do patrocínio.
Vamos esperar! Vou informando vocês
Tá estressado? Vai fazer teatro, oras...
Todo mundo sabe que eu sou puxa saco mesmo dos meus amigos e das iniciativas que eu acredito, né? ![]()
A Cia Oficina dos Menestréis, aquele grupo que faz apresentações “maraviwonderfuls” abriu inscrições para a nova turma dos “Menestréis Cadeirantes”.
“Ocê” é cego? É surdo? É “mamulengo”? É “tetrão”? Num tem perna? Num tem braço? É “mei” paralisado cerebral?
Vai, nego... vai fazer teatro!

Quem já viu alguma apresentação do grupo sabe o nível de profissionalismo e o quanto é emocionante acompanhar uma peça daqueles matrixianos. Imagine, então, poder fazer parte da trupe?!
Quem colocou essa tranqueira aqui?
Meu povo, bate o “zói” nessa fota ai debaixo.
Sacaram que, no caixa eletrônico destinado aos “malacabados”, um gênio enfiou uma cadeira convencional atrapalhando o posicionamento de um cadeirante?
Ai alguém pode estar pensando: “Aff, tio, que raivoso! A cadeira pode servir pros muletantes, pra alguém usando um gesso na perna, um idoso.”
Como diz minha repórter nordestina mais cosmopolita do mundo, Renata Baptista, “aloooouuu”?! ![]()
Se fosse em um país onde tudo funciona de acordo, que as pessoas respeitam os direitos dos outros, eu até concordaria, mas o que acontece aqui no Brasil?
Aêêêêê ... os "deficientes morais" sentam ali, na maior cara de pau, e usam o nosso caixa prioritário super de boa, todos pimpões e relaxados e danem-se os cadeirantes!
O flagrante foi feito numa agência do Banco do Brasil (óia o “guverno” fazendo mais uma) de “Florianópis” (êh cidade boa demais da conta), tá, ta... Florianópolis
, pela minha queridíssima “special plus” (ui) Karen.
Ela me relatou que viu a situação de pessoas sem nenhuma deficiência usando a cadeira e, consequentemente, o caixa eletrônico especial, por diversas vezes e que fez a reclamação à gerência do banco que??? Nem “tchum”.... então, manda pro blog!
Avalio, não sei todos estão de acordo, que quem necessitasse de uma cadeira para fazer a operação no caixa tinha de pedir à segurança ou a quem de direito o “sentador”.
Agora, como o mundo é do avesso, chego eu lá com o meu cavalo e faço o quê? Choro? Arrasto a cadeira que ocupa o lugar onde eu deveria me posicionar até o “ferro véio” mais próximo?
Livros para ouvir
Foi inaugurada aqui em São Paulo uma livraria especializada em vender audiolivros! Achei legalpracaramba.com.br porque a cidade não tinha ainda algo assim.
O livro falado é muito útil pro povo que não enxerga ou com baixa visão, pra pessoas que tem restrições severas nos movimentos das mãos, pra quem não foi alfabetizado, pros preguiçosos... ![]()
O lance fica na rua Bom sucesso, n. 247, no Tatuapé, zona lost
. A audiolivraria vai oferecer todos os títulos à disposição no Brasil e, em breve, também vai ter narrativas em inglês.
Quem quiser ir lá e só “surrupiar” uma cópia, pode também. Há 80 títulos disponíveis para download.
É só levar o próprio aparelho de MP3 que eles baixam o audiolivro no seu equipamento com custo mais reduzido do que o do exemplar propriamente dito. Para saber mais, “vo6” já sabe, é só clicar no bozo.
Ai, que inveja...
Tão lembrando de um post que o tio falava que a Matrix precisava de um ícone e que tais? Não? Eu ajudo. Clica no...![]()
Sim, claro, dei uma leve espinafrada
no Herbert Viana que havia dado uma entrevista para revista Sentidos e nunca atendeu aos meus pedido para falar com “Assim como Você”.
Bem, um leitor bem, raivoso, babando, mesmo
, deixou o seguinte comentário:
[Pedro H.] [Campinas]
Jairão Costumo concordar contigo, mas realmente percebi que vc está se achando. Pq vc acha que é melhor do que a Sentidos? Concordo que precisamos de um símbolo, mas a revista é conceituada pacas no meio e tô achando que vc está com uma big dor de cotovelo. Abraços, meu chapa e cuidado para o nariz não empinar muito!
O rapaz nunca mais apareceu por aqui, nem mandou carta, nem uma caixa de bombons envenenados.
Mas, como eu sou um escorpiano vingativo (ui), vamos aos fatos (olha a baba escorrendo no canto da minha boca..
)
Eu já havia divulgado, antes desse episódio, o blog da Sentidos e o prêmio da Sentidos. E nunca, nunca mesmo, vi a revista como rival, muito pelo contrário. Ela é pioneira como mídia de divulgação dos “malacabados”.
Pois bem, por um acaso, o editor da publicação, o Paulo Kehdi, que não tinha conhecimento do fato, dias depois do post me convidou pra uma entrevista para a Sentidos...
E, pra quem comprar a edição deste mês, vai poder ler o tio contando umas mentiras, umas piadas, além de se deliciar com fotas que... aff.. ![]()

Achei que eu, como “inzibido” que sou, deveria ter ganhado um destaquezinho na capa, né, não? (guente, guenta eu
), mas num tem, não.
Em compensação, o “véio” empurrador da kombi abre a edição e fala, fala, fala em quatro páginas! Aêêêê. Tá nas bancas de todo o Brasil, sil, sil!
Escrito por Jairo Marques às 07h34
Me ajuda, seu manobrista!
“Zente”, pra mim num tem coisa melhor do quer ir num boteco, num “xopis”, numa balada (baile da terceira idade, no meu caso
) que tenha serviço de manobrista para estacionar a kombi “veia” pra mim.
E não é só pela questão do comodismo de ter alguém para encontrar uma vaga, coisa que rareia demais aqui na cidade “grandchi”, mas também porque o caboclo sempre dá aquela “hand”, aquela ajudinha, pra sacar a cadeira do porta-malas, para colocar os arreios no cavalo, pra entrar no boteco.
Boa parte dos “malacabos” tem muita autonomia e se vira de boa nessa função de colocar e tirar a cadeira do carro, mas há casos, como o meu, que ter uma ajudinha é fundamental. Como eu já falei pra vocês, a guerra me fez ficar com as duas pernas arriadas e também um pouco do braço esquerdo lascado.
Claro, claro que eu sou sarado, assado e bem passado e consigo fazer tudo sozinho, mas quando alguém pode me dar essa ajudinha básica é muito melhor. Poupo energia, ganho tempo e é mais cômodo, mais prático, uai.

E de tanto acionar os manobristas para me ajudarem, vários ficaram meus amigos. Um deles é de um bar famoso que frequento lá nas vila Madalena. Destaco que o boteco não tem banheiro acessível e ainda vou convocar um “mijaço” lá na frente pra ver se o dono toma vergonha na cara. ![]()
Mas vou conter a “reiva” e falar do manobrista. O desse pé sujo é um negão que deve ter uns dois metros e meio de altura por um de largura.
Ele é gente boa demais da conta.
Eu aponto com a kombi lá em Sorocaba e ele já vai se ajeitando pra me ajudar aqui em São Paulo.
Certa vez, aconteceu um troço hilário:
Parei com a charanga em frente do boteco, que fica numa rua muito estreita e, sim, atrapalha ligeiramente o trânsito. Ah, mas até ai tudo bem, né? O Papa estacionou a cidade por horas porque eu num posso parar uma rua por alguns minutos?
Povo, no que eu parei, dez segundos depois já havia um tiozão taxista espremendo a buzina. E ele era daqueles histéricos, sabe? Manja dondoca fazenda birra porque quebro o salto? Poi, zé. “Ingual, que nem”.
Nisso surge o meu amigo manobrista guarda roupas tamanho king size
e cola direto no carro da taxista:
“O senhor é doido? A mãe do senhor tá passando mal? Não? Então, você espera ai que vou tirar a cadeira do meu amigo do porta-malas, ele vai se sentar... se ajeitar e só então nós vamos tirar o carro, belê?”.
Ai, gzuis... vai, me leva, me leva que eu to pronto.
A Barbie driver poderia ter saído de lado, mas ficou quietinha ali, calminha, sem dar um pio. Depois que eu já estava devidamente montado, ele saiu devagarzinho, deu um sorrizinho amarelo pra mim e um tchauzinho simpático pro meu amigo manobrista negão.
Aqui em “Sum Paulo”, vários “xopins” já oferecem um serviço para os matrixianos (vulgo deficiente físico) que considero perfeito: a gente que é “mamulengo” se dirige para o estacionamento vip (não, não... nesse caso num é Vim do Interior do Paraná... é o dos ricos, mesmo
).
Lá, o manobrista te ajuda com a cadeira... estaciona seu carro... e..... ocê num paga naaaaada, nego!!! Ahhhhh falai.... “maraviwonderfulllllll”!
E tem mais, eles oferecem uma “cadeira elétrica” procê passear, meu rei!!!

Pelo que conheço, é assim dos shoppings da rede Brascan (Paulista, Higienópolis, West Plaza entre outros. Mas não tenho certeza que fora de São Paulo também é “de grátis”). Em outros centros comerciais, o manobrista cuida da kombi, ajuda com a cadeira, mas não é de graça, mas ai você paga o preço convencional, não o valor dos grã finos, sacam?!
Para os shoppings, isso é benefício para a imagem e custa uma merreca diante do que arrecadam todos os dias com o mundaréu de gente que num pára de comprar nunca. Aff, eu tô com o discurso meio "nelvoso" hoje, né? Será que a cueca tava apertada de noite e nem percebi? ![]()
Bom, mas falei disso hoje por uma razão bem objetiva: ao contrário de algumas pessoas, eu não perco os meus amigos por causa de uma piada, jamais. Não sei se todo mundo acompanhou o “flight” que rolou nos “coments” do post “Bora pra feira?”...
A minha leitora “top ten” Bete Araki questionou o fato de a organização da Reatech não colocar manobrista neste ano para ajudar a gente “malacabado” que vai sozinho de carro passear por lá e, “excrusível”, gastar nosso dinheiro com as “novidadchis” expostas, a tirar as cadeiras do porta-malas e encontrar vagas naquele lugar enorme (ui).

A organização do evento não me passou resposta clara e objetiva sobre isso. É o típico “embromation”. A informação dada até agora é vaga: “vai haver um grupo de pessoas para ajudar”. Ajudar como? Quantas são essas pessoas? São manobristas? Podemos ficar susu que é chegar lá, pedir pra estacionar o carro porque tenho uma situação especial que tá tudo resolvido? Ou é nas coxas?
Oras, meu povo, uma feira que se vende como a terceira maior do mundo, voltada para o publico com deficiência, não vai dar condições plenas pra todos conseguirem chegar até lá e curtir? Na boa, eu considero absurdo pra mais de metro. “Ah, mas é de graça, tio Jairo”. De graça é a feira, o estacionamento a gente morre em vinte contos. Em qualquer biboca eu pago doze “renais” e tem um manobrista que me ajuda com a cadeira e estaciona o meu carro.
Fiquei muito irritado com isso, meu povo. E eu sou radical em alguns aspectos. Decidi que se não houver manobrista, se não houver condições para que quem precise possa ter um mínimo de conforto num evento que deveria servir de exemplo, eu num vô. ![]()
A Betinha decidiu o mesmo primeiro que eu e tô com ela. Ou a gente se une na luta pelo domínio do mundo e exige que as coisas funcionem (pelo menos as básicas) de uma forma ideal ou a gente cede à ganância de empresários que só querem tirar o nosso couro com serviços medianos.
Eu sei que pra organização da Reatech eu falando e um cachorro vira lata abanando o rabo (noooossa mas que “maxeza”, heim?!
) pode ser a mesma coisa, mas a minha vida é e sempre vai ser assim: de atitude.
Sei, sei bem que diversos leitores vão expor por lá, e veem a feira como uma chance de bons negócios, mas eu não posso abrir mão, num evento que arrecada muito, muito dinheiro, de exigir que a gente tenha condições razoáveis de tratamento.
*Imagens do Google Imagens
Escrito por Jairo Marques às 00h10
Dez dicas para não pagar de bobo com PCs
Um dos “pessoais” da Matrix de quem tem algum tipo de deficiência que mais se lasca é o povo que tem PC.
Não, “zente”, não é o povo que tem os próprio computador
, é o povo que tem Paralisia Cerebral.
Esse “matrixianos” são, muita vezes, vistos como eternas crianças ou mesmo como pessoas que não tem vontade própria ou mesmo como sendo bocós. E não é naaaaada disso, não!
Os PCs podem possuir manifestações bem diferentes da “mamulenguice”. ![]()
Alguns têm dificuldade no andar, outros no falar, outros tem de tudo mesmo
... mas todos, todos são capazes de interagir, de tocar suas vidas, de ser feliz.... cada um a sua maneira, cada um com suas necessidades!
Os casos de PCs que vencem os preconceitos e atingem o sucesso se multiplicam. Temos advogados, jornalistas, modelos, artistas...
Mas muita gente ainda apanha ou faz papel de bobo na frente de uma pessoa que tem paralisia cerebral.
Por isso, o tio, um “minino bão” demais da conta, planejou mais um capítulo da séria dez dicas! (Aêêê)
Esse post seria impossível sem a ajuda das minhas queridas leitoras Denise Crispim, aqui de São Paulo, e da Adriana Moraes, lá do Goiás! ![]()
Como show a parte, tem as ilustras do parceirão total Marcio Baraldi que tão “maraviwonderful”!
Para ver as outras série das dez dicas, basta ir clicando nos bozos!
![]()
1- Antes de ir chegando em alguém que te pareça “malacabado”, procure saber qual é a deficiência. Isso é importante especialmente no caso da paralisia cerebral, já que ela pode assumir várias formas.
O que parece, pode não ser. É comum que os mortais pensem que o tal que está numa cadeira - ou que tem limitações motoras - não entende nadica de nada do que está sendo dito e por isso se permitem fazer os comentários mais “inacreditíveis”:
“Coooitadinho!!!”. “Qual que é problema dele?”. “O que ela tem?”. “Ele nasceu assim?”. “Ela entende alguma coisa?”
2- Não trate a pessoa com PC como se ela fosse doente! Paralisia Cerebral não é doença! Isso vale até para médicos, acredite!
Paralisia Cerebral é uma desordem neurológica, um distúrbio do movimento e da postura causado por lesão cerebral ocorrida na gravidez ou nos primeiros meses de vida, normalmente causada por falta de oxigênio (hipoxia).
Perguntas como “ela é doentinha?” ou “qual é o problema dela”, são antipáticas e demonstram falta de sensibilidade. Pense bem, antes de fazer papel de “ridicolomen”.. rimou! ![]()
3- Diante de um PC não ignore sua presença nem menospreze sua capacidade intelectual! Paralisia Cerebral não é doença mental, nego!!!!
Algumas pessoas apresentam déficit cognitivo (de entendimento, saca?) associado ao quadro motor, mas o que define a paralisia cerebral é uma disfunção motora e não intelectual.

4- Tente descobrir o melhor meio de se comunicar com um PC! Muitos deles apresentam prejuízos na fala o que evidentemente não significa que ele não possa se expressar.
Ainda que o matrixiano não fale, isso não quer dizer que ele não entenda. Se estiver interessado, tente se comunicar e observe a expressão da pessoa que tem meios muito eficientes de comunicação: sorrisos, olhares (ui), acenos.
Basta você querer e ter paciência que a conversa vai rolar.
5- Nem todo PC é cadeirante e nem todo cadeirante tem paralisia cerebral.
Algumas crianças com PC conseguem andar antes dos sete anos e outros nunca andarão. Depende da extensão da lesão, do tratamento etc.
Se a pessoa diz que tem PC e não usa cadeira de rodas, não diga: “ah, mas nem parece”, como se a lesão fosse algo a ser estampado no rosto de alguém.

6- A Paralisia Cerebral não é contagiosa, portanto não perca a oportunidade de conviver e aprender com a diferença.
Ensine as crianças que estão à sua volta que o simples fato de estar numa cadeira de rodas ou ter expressões diferentes daquelas com as quais se costuma conviver, não faz de um PC um ser com o qual não é possível brincar, conversar, se relacionar.
7- Não infantilize as pessoas com paralisia cerebral. Não se esqueça que na maioria das vezes a PC não acarreta comprometimento cognitivo (fica “ruizim” das idéias
) .
Todos crescem, amadurecem, envelhecem. O “malacabado” não se mantém crianças indefinidamente. É comum ver pessoas mal informadas sobre a deficiência quase fazendo bilu-tetéia com homens e mulheres de 20, 30 ou 40 anos. Alguém merece isso? Aff

8- Não olhe alguém com PC como um ser exótico. Estima-se que surjam de 30 mil a 40 mil novos casos de paralisia cerebral por ano no Brasil. Então, eles não são raridade nem bicho de sete cabeças.
9- Não tenha medo de se aproximar de alguém com uma órtese (vulgo aparelho ortopédico, bengalinha, etc). Algumas pessoas com PC usam aparelhos para corrigir posturas, evitar deformidades e melhorar funções.
Esses aparelhos não tornam seus usuários agressivos ou marcianos (apenas matrixianos emotion). Assim como algumas pessoas usam sapatos especiais, outras usam cadeira de rodas, umas usam próteses e outras usam órteses.
E não vá mexendo, tirando ou tocando sem pedir autorização, mesmo das crianças! Se estiver curioso, pesquise e converse “de boa” com o “malacabado”.
10- Sempre vale o bom senso: nada de piedade, mas condições iguais, companheirismo! Normalmente, a pessoa com PC não precisa de tantos cuidados especiais. Aliás, a maioria precisa mesmo é de boas condições de acessibilidade.
Assim, não fiquei cheio de dedos em convidá-los para festas. PCs também fazem aniversário, vão ao cinema, viajam, estudam, namoram, compram e fazem tudo o mais que todo mundo faz.

* Para saber mais sobre paralisia cerebral acesse: www.apcb.org.br , http://www.schwartzman.com.br
* Já tenho outras "dez dicas" no forno, mas preciso da ajuda de vocês para novas ideias. Sugiram nos "coments", fechô?!
Escrito por Jairo Marques às 00h46
Bora pra feira?
"Zimininos", faltam exatos "vintidia"... num sacaram, né? Ta, eu explico porque eu sou "minino bão" e até apareci nas própria televisão. ![]()
Faltam vinte dias (Aêêê) pra esse povo da Matrix de quem tem alguma deficiência física poder se esbaldar em "novidadchis" numa das maiores feira de reabilitação do mundo (ai, como é grande
).
A 8º edição da Reatch começa no dia 2 de abril aqui em São Paulo. Dá tempo, então, pra quem mora longe (tipo o povo VIP: Vim do Interior do Paraná emotion) se organizar e deixar o cavalo gordo pra aguentar o galope da viagem.
O legal desse evento é que tem de tudo.
Tem "mulé" bonita, tem cadeira de rodas do último tipo (e caras até o nosso último real
) e "excrusível", neste ano, vai ter por lá uma pista de test drive, povão! A gente vai poder montar nos "cavalos" e saber se sobem rampas direitinho, se passam pela buraqueira certinho...
Por lá também vai ter novas soluções em acessibilidade, tem "charanga pra dar um role" (vulgo carros pra dar uma voltinha
), tem seminários de temas que envolvem o mundo matrixiano, tem empresas que oferecem vagas no mercado de trabalho...
E tem também uma oportunidade de conhecer iniciativas inclusivas espalhadas pelo país, de curtir apresentações artístícas, de se integrar em grupos esportivos ou organizações sociais.
Quanto que o tio tá levando nessa? Ai, gzuis... só você salva
. "Vo6" sabem que eu só divulgo o que eu acredito, né, não? A feira é realmente bacana. Claro que, em anos anteriores, rolaram comigo várias situações dignas de post.
Tinham rampas mal feitas nos stands, tinham uma pessoas que me abordavam assim: "Olha, causo de quê você não trabalha, nego? A nossa empresa tem vagas pra gente do seu tipo"...
Mas eu acho que há mais aspectos positivos do que negativos e os organizadores já conseguiram tornar o evento no terceiro maior do mundo (olha a "chancha" da gente abrir uma frente de batalha
) sobre a tematica da reabilitação/assessibilidade/matrix
Vejam só mais alguns lances que terão por lá:
Para os "zovidos"
Empresa que representa um grupo canadense vai divulgar aparelhos auditivos ultra mega blaster modernos que auxiliam os "malacabados" que não ouvem direito (Lak tá na hora de você ir lá pechinchar) e outros que acacacacacabam com a gagagagueira! (Aêêêê) ![]()
Bichoterapia e Ecoterapia (uuuuia)
Vai ter lá uma fazendinha de ovelhas e outro bichos que ajudam a dar um tapa na estima da pessoa, que auxiliam no processo de adquirir equilíbrio, confiança e também ajudam na reabilitação!
Não, não, Amauri, eles não levarão cervos, nem veadinhos, nem o bambi estará por lá ![]()
Vai ter demostração de como os cachorros são treinados pra servir de guia para o cegos e doação de cãezinhos (de todo tipo). Ahhh, é legalpracaramba.com.br
Velocidade!!
Vai ter um espaço lá pra quem gosta de sentir "frio na espinha" (Cê num sente, fio? Ôh, pai amado, então relaxa e sente o vento na cara!!!
). Uma pista de Kart Adaptado e até um campeonato vai ter!
Tá podendo? Compra um carro!
As principais montadoras vão estar lá e, nessa feira, podem apostar, vão te tratar muito bem. ![]()
Elas tão todas em crise financeira e loucas pra vender. Então, teste o carro, entre nos bichos, paquere as demonstradoras
.. e conheça tudo sobre os modelos que servem ao mundo da Matrix.
Tire dúvidas sobre como ter as isenções fiscais e, se tiver podendo, já encaminhe a compra da sua "charanga". Será eu consigo trocar a kombi "véia"? 
Mexa esse corpinho
Vai ter torneio de tenis de mesa adaptado (lá em "Trelagoa" a gente fala é ping pong, mesmo
), torneio de basquete sobre quatro rodas e demostração de rapel adpatado (esse eu vou. Magina esse meu corpinho rapelando por ai??)
Que mais?
Onde que é o trem? No Centro de Exposição Imigrantes, que fica na Rodovia dos Imigrantes, km 1,5, no sentido São Paulo. Leva "malmita", matula porque lá é longe de tudo e você vai ficar muito tempo lá dentro! ![]()
Que dia e que hora mesmo que é? De 2 a 5 de abril das 13h às 21h, sábado e domingo das 10h às 19h
Morre em quanto, heim? É de graça!!! Saca "fri"? É "fri"!
Mas se for deixar o carro no estacionamento é R$ 20... isso mesmo, vinte contos
Tem carro não? (Poooobre!
) Vai ter transporte gratuito (ida e volta), todos os dias saindo da estação Jabaquara do Metrô
Ainda tá com dúvida? Clica no bozo ou liga no (11) 5585-4355 para informações ![]()
Que mais? Vai ter eu, uai,
. Devo ir no sábado, dia 4, à tarde. Se mudar eu aviso!
Tem mais alguma coisa legal? Diz ali nos "coments"! Bom final de semana e beijos nas crianças
* Imagens de divulgação - Assessoria de imprensa Reatech/Revista Reação
Escrito por Jairo Marques às 08h13
Uma fã
É estranho pra quem adora arroz, feijão, carne moída e ovo frito, do dia para a noite, reconhecer que tem fãs. ![]()
E mais maluco ainda é ter "conquistado" fãs apenas com o uso de palavras, contando histórias e mostrando gente totalmente fora dos padrões do que é supostamente "bonito", do que tem "gramur". ![]()
Seguramente, a primeira pessoa que eu reconheci mesmo como "fã" foi a Gabi Couto, de Cascavél, no Paraná.
A guria, que estuda jornalismo, acompanha o blog desde o primeiro dia e já fez declarações mais do que apaixonadas pelo "Assim como Você".
Porém, o que me convenceu mesmo que o meu trabalho tinha admiradores que até rasgam a roupa
, foi no dia que a mocinha paranaense veio fazer uma visita aqui na redação da Folha.
Quando a Gabi me viu (ela havia mandado mensagem antes pedindo pra ter "anguns minutos" comigo), ela vibrou, deu risada, me abraçou, pediu pra tirar foto.
Demorou para que eu e os meus repórteres entendesse-mos que aquilo era... carinho de fã! 
Eu juro que não divido essas coisas com vocês pra contar dinheiro na frente de pobre
, conto porque muita gente que tem algum tipo de deficiência ainda lamenta o fato de ter dificuldade de ser admirado ou reconhecido.
Depois da Gabi, fiquei convencido que "fãs" não procuram necessariamente em seus "ídolos" uma beleza física, uma perfeição, uma maneira de ganhar projeção.
Fãs podem procuram causas a serem seguidas, podem procurar novas visões de verem a vida, podem ... querer ajudar na dominação do mundo! ![]()
Com carinho, então, o texto da Gabi Couto...
![]()
O "Assim como Você" surgiu na minha vida por curiosidade.
O nome muito sugestivo foi a isca perfeita para eu ser uma das primeiras leitoras do blog e que continua viciada nele até hoje. É muito saboroso acordar e ler as vidas e histórias do Jairo que passam por aqui.
Faço a leitura religiosamente e o carinho com que ele trata os leitores faz com que "este "mininu bão pra chuchu" continue nos reconquistando a cada dia e sendo ícone de "famosidade" no mundo cibernético. Então retribuo isso de coração participando da missão de "dominar o mundo" com vocês.
Fico chocada com os pensamentos que ainda existem no mundo. Esses dias minha amiga disse que achava que gente feia, só andava com gente feia, e assim por diante. E olha que ela não é ignorante, mas o pensamento foi pequeno demais para minha pessoinha.
Pensando nisto, uso do meu trabalho – sou estagiária de um jornal e curso o 3º ano de Jornalismo – para divulgar a tocar as pessoas. Não quero que elas tenham dó das pessoas com alguma deficiência, mas faço de tudo nas matérias para que vejam que somos todos iguais, "Assim como Você"!
Mesmo não fazendo parte da Matrix (sofro só de uma má audição no ouvido direito e faltam alguns parafusos e sobram outros na minha cabeça, mas no mais a caixa externa está "normal"), tenho aprendido muito nesta trajetória do blog, consegui amadurecer bastante com vocês.
Este "malacabado" aí é meu ídolo e pode me mostrar um mundo novo. A força que as pessoas Assim como Você demonstram é fundamental para que possamos dar uma chacoalhada na vida.
São pessoas que lutam e que estão quebrando barreiras. Fico feliz de saber que onde eu moro, no INTERIOR do Paraná, 98% dos ônibus de transporte coletivos são acessíveis. E olha que "Cascacity" tem menos que 300 mil habitantes.
Enfim, sou viciada em você Jairo!!! Porque só você consegue nos fazer rir e chorar dentro de poucos parágrafos. Fora que me fez ver a vida com olhos diferentes.
Hoje se eu fosse acometida de qualquer acidente que me deixasse deficiente, seria muito mais fácil lidar com a situação do que antes, graças às inúmeras vidas que o Jairo soube tocar e que foram tocadas em nós.
É muito bom saber que sempre teremos o porto seguro que é o "Assim como Você".
Escrito por Jairo Marques às 08h28
Agora ninguém segura!
“Pessoais”, quero informar a todo mundo que abrimos uma frente de batalha pelo domínio do mundo por parte dos ‘matrixianos’ nas “própria” televisão! (Aêêêê)
Na quinta-feira (dia 12 de março), a TV Brasil (aquela do “guverrrnu”
), vai exibir um programa especial só de gente sem perna, sem braço, que não enxerga, que não escuta, que usa cadeira de rodas...
Isso, isso mesmo, só desses povo que dá um trabaaaaalho lascado! 
E chutem ai quem vai tá lá todo “formozurento”, todo de camisa “vremelha” contando umas mentira?! O tio, o Jairo do Blog, o presidente nomeado à força desse mundo paralelo de quem tem deficiência....Eu! ![]()
O programa se chama Caminhos da Reportagem, especial “Vida Adaptada”. E sabem quem fez as entrevistas? A Carlinha Maia, uma “mamulenga” que já contei a história por aqui. Num se lembra? Clica no bozo, clica no bozo que eu te conto tudo. ![]()
Eu não sei ao certo que apito vai tocar o especial. De qualquer forma, a gente tem que assistir pra saber se traçaram direitinho os planos da nossa tão esperada conquista do universo, né? (tá, tá... vou me acalmar, do mundo apenas
).
O “Vida Adaptada” vai contar um monte de histórias de gente que driblou essa tal de limitação, que deu um chapéu no rótulo de “deficientchi”, que reorganizou a lógica da existência.
Quer saber mais? Quer ver uma palhinha do tio e do programa? É só rodar o vídeo ai debaixo!
Quando que é, heim? Na quinta-feira, dia 12 de março
Mai.... que hora que é, heim? A partir das 22h, vulgo “deizhora” da noite ![]()
Mai... em qual canal que é, heim? Vá no www.tvbrasil.org.br e escolha a opção “sintonizar”, que fica na barra inferior da tela. Ali, você descobre como achar a emissora na sua cidade, na sua televisão.
Dá pra assistir pelas “internets”? Ai tem de ter uma velocidade de navegação nervosa, né? No www.tvbrasil.org.br tem a opção “TV ao vivo”. Eu até testei, mas num rolou, não... ![]()
* A chamada do programa foi cedida para divulgação pela assessoria de imprensa da TV Brasil
Escrito por Jairo Marques às 00h26
O professor
A primeira sala de aula que me lembro que entrei como professor foi debaixo de um pé de abacate, no fundo do quintal de casa. Eu devia ter uns catorze anos, mais ou menos (é, eu sei, no período jurássico
).
Acho que pelo fato de a gente viver sentadinho, ser supostamente quietinho, é senso comum achar que cadeirante estuda mais e é “inteligentchi”, mas vamos combinar que tem um monte de burraldo também, né?
Bom, mas eu tinha a fama de ser cabeçudo e logo comecei a tentar ensinar o povo. A minha primeira aluna se chamava Sandra. Ela queria conseguir passar nas provas do supletivo... ainda existe supletivo? Madureza? Existe madureza? ![]()
Pois bem, fui ensinando a Sandra, em meio a abacatadas na cabeça
, e ela foi passando nos testes. Fez o supletivo para o ginásio (ciclo básico), para o segundo grau (ensino médio), fez vestibular.... e hoje é professora de história lá nas “Trelagoa”.
E dei muita aula pros colegas de escola. Lá em casa tinha uma mesa grande que era pra caber todo mundo nos dias de véspera de prova, quando o quorum era altíssimo!

Como vocês sabem, sou muito sério , inibido, tímido
... e acho que essas características me fizeram ter certa facilidade pra passar conhecimento (tô me achando, né?)
Nunca tive métodos pra estudar e muito menos pra ensinar. Sou bagunçado das ideais e transformo tudo em bate papo. Talvez seja daí que as coisas davam certo.
Quando eu ensinava alguém, era o meu momento de estrela (biba, é biba essa frase). Era uma chance preciosa de mostrar que o fato de eu ser deficiente não tinha nenhuma relação de eu ser menos que ninguém.
A segunda fase minha como mestre foi durante a faculdade. Como eu vendia o meu almoço pra compra a janta
, precisava de arranjar um meio pra ganhar uns “real”. E a oportunidade veio logo: dar aulas em cursinho pré-vestibular.
Povo, ali eu me realizava, heim? Uma verdadeira Priscila no deserto. ![]()
Para espanto de alguns que acham que uso uma linguagem indigente, toda “malacabada” (afinal, o tema do blog é tão certinho, né, não?), me tornei professor de língua portuguesa e redação.
Imaginem vocês, um “rapaizim” franzino, montado numa cadeira de rodas entrando numa sala de aula lotada de adolescentes cheios de hormônios (ui) e ávidos pra aprender logo e entrar na faculdade?

Como eu digo sempre, eu não pensava muito no efeito e no impacto invisível das minhas ações. Eu só pensava que precisava de grana pra comprar meu pão com “mortandela”, comprar os livros da minha faculdade, me manter.
Nunca aventei a possibilidade de ser hostilizado, ser visto com a impressão de “ihhhh, isso ai é professor”? Acho que o fato de eu ser muito consciente do meu próprio conhecimento e da minha capacidade de comunicação, pensava que isso seria suficiente pra dominar uma classe.
E, pra minha sorte, sempre foi! Em pouco tempo, eu dava aulas (prefiro dizer que eu vendia emotion) para diversas turmas. E a molecada me curtia, e a molecada me parava no corredor e outros cursinhos me convidavam para assumir mais turmas.
Esse batidão durou quase três anos. É engraçado pensar que meus ex-alunos hoje são engenheiros, médicos, jornalistas, advogados, professores...
Os desafios de encarar uma sala de aula sendo da Matrix de quem tem alguma deficiência são muitos, muitos.
O primeiro e talvez mais complicado, claro, falando no caso de um cadeirante, é que eu sempre ficava na mesma altura que os alunos.
A autoridade muitas vezes vem de cima para baixo, já repararam? Eu tive de subverter essa ordem e, numa situação de igual patamar de altura (isso com o aluno sentado, né?), me impor.
E para escrever no quadro? Na maioria das aulas, eu até esquecia que aquilo existia.
. Botava tudo mesmo no gogó. Rodava pela sala, alterava a voz, rodopiava em círculos, e, evidentemente, contava muuuita piada.
Mas vocês devem estar perguntando o porquê de eu estar contando essa história, né? É que, neste ano, comecei a minha terceira fase como professor (Aêêêêêê)!
Fui convidado a dar aulas numa das mais importantes faculdades de jornalismo do Brasil numa universidade da Grande São Paulo (Tô podendo, heim?
).

Claro que eu não conto essas coisas pra me gabar, não. Conto porque avalio que quanto mais a gente estiver inserido em todos os setores sociais, mais fácil vai ser dar o “fatalit” para o domínio do mundo. ![]()
E o tio vai lá, todo pimpão, tentar ensinar um pouco sobre a profissão que fabrica parágrafos para estudantes já mais crescidinhos do que eu estava habituado.
Pra botar autoridade, preciso ser mais “brabo” do que cachorro de japonês em alguns momentos, mas também viro o povo do avesso com as minhas acaipiradas e “doideras”.
O engraçado é que alguns alunos já descobriram o blog e sabem que eu já dormi bêbado e pelado no chão, que já ganhei moeda na porta do supermercado, que já “garrei” ódio de quem explora os deficientes...
Nas primeiras aulas, demorou um pouco até que eles se convencessem que eu era mesmo o professor, trabalhava num grande jornal e tinha algumas histórias profissionais que poderiam ajudá-los a trilhar uma carreira com mais conhecimento.
Ainda não sei qual a impressão que eles estão tendo de mim, mas eu precisava encarar mais esse desafio na minha vidinha “marromenos”.
Aos poucos, vou contando pra todo mundo como tem rolado, como são as condições de acessibilidade por lá, enfim.
O que posso adiantar é muito pessoal. Toda vez que saio da faculdade, à noite, penso que ser deficiente hoje em dia está mais fácil do que foi no passado.
E penso ainda que ninguém pode sobrepor ninguém se você estiver munido de segurança do que você é, munido de preparo, munido de garra de conseguir, munido de vontade de ir em frente, munido de muita vontade de fazer o mundo ser diferente.
* Imagens do Google Imagens
Escrito por Jairo Marques às 08h11
Um amor cadeirante
Boa parte das mensagens que recebo tem como tema um assunto que ainda é preciso escrever muito para que fique claro, para que se rompam os estigmas, para que entendam de vez que ser deficiente não quer dizer ser um “morto-vivo”. ![]()
Qualé o tal tema? Eu digo porque eu sou “minino bão”, só por isso. Me perguntam demais “como é namorar um cadeirante”.
De fato, ser da Matrix pode envolver algumas rotinas incomuns para os “normais”, para os andantes. xiste o aspecto de sempre planejar os momentos a dois em ambientes que não sejam o topo do Everest
, entender que, em alguns casos, rotinas básicas como fazer aquele “xixo” pode ser diferente (com sonda).
E tem também a questão da sensibilidade “das partes”, a forma de agir na hora do sexo, se é preciso ou não dar aquela ajudinha para dar uma voltinha na praça... Porém, ao mesmo tempo, o gostar, o amar, o se apaixonar .... são iguais!!!!!
Meninas cadeirantes costumam ter labuta maior do que os homens para reorganizarem ou mesmo dar rumo à vida amorosa. Por quê? Porque homem, muitas vezes, avalia a pessoa pela bunda, pelo rebolado, pela facilidade de “traçar” a vítima
, pelo comodismo de enxergar a “mulher perfeita” sobretudo pela forma física.
Defendo o direito das pessoas de se atraírem ou não pelas outras de acordo com as características que elas expõem, o que pra mim nada tem a ver com preconceito. Contudo, quando você vir um casal com uma andante e uma cadeirante ou vice-versa, não se surpreenda ou comente baixinho “ahhhh, que gracinha”.
A força que une a mantém as pessoas vai muito além do que os olhos podem ver. E pode apostar alto que casais que misturam o comum com o “incomum” costumam viver histórias tórridas de sentimento, de atração e de querer-bem.
Mas chega de papo, encerro a semana com um relato brilhante e irretocável do meu grande colega e talentoso fotógrafo Rapha Bathe, que namora uma cadeirante e nos conta um pouco sobre o “como que é”?!?! E o cara tem sorte, viu? Conquistou uma daquelas lindas, daquelas que o queixo cai quando se vê em cena (tem um trocadilho aqui que não vou explicar
).
Tenho certeza ue o texto do Rapha é mais um daqueles que vão entrar para a história da revolução de idéias propagadas por um lugar chamado “Assim como Você” (“inzibiiiiido”!!!
)
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Uma coisa que eu sempre soube é que o amor é bonito em todas as formas. E no caso da Matrix é a mesma coisa! Não é?!
Juro que não entendo porque isso pode ser diferente, para mim, é simplesmente amor. Quando conheci minha namorada, ela já era cadeirante, o que não fez diferença para mim. Me apaixonei pelos seus olhos, seu sorriso e a maneira de falar sobre a vida.

Não cheguei nem a pensar de imediato como é o relacionamento com uma pessoa com deficiência, essa curiosidade foi vindo com o tempo, e aí eu pesquisava na internet, perguntava para ela ou simplesmente aprendia “na marra”. ![]()
Na realidade, eu não posso relatar como um guia a forma de namorar uma pessoa com deficiência, pois cada caso é um caso. Cada pessoa tem o seu nível de independência (tenha ela deficiência ou não!).
A minha namorada, por exemplo, é mais independente do que muita gente que anda com as próprias pernas, mas é claro que a gente passa por situações que apenas um casal da Matrix pode passar, e muitas delas são bem engraçadas.
Uma vez estávamos andando no shopping, de mãos dadas, quando, de repente, uma mulher nos para e diz: Ai gente, me desculpa, mas vocês dois formam um casal tão lindo! Parabéns!
Hahaaha, tudo bem que a gente realmente é lindo, mas ninguém diz essas coisas hoje em dia, muito menos aqui em São Paulo, para alguém que nunca viu na vida!
Outra situação diferente é quando vamos ver um filminho no cinema. Enquanto todo mundo chega na hora do trailler, a gente precisa chegar bem cedo e entrar antes de todo mundo para ter tempo de guardar a cadeira, pegar a minha namorada no colo e subir para um lugar decente, já que o lugar reservado para deficiente é mais conhecido como “gargarejo”. Às vezes, a gente se atrasa, e aí só mesmo uma massagem no pescoço pra resolver! ![]()
Jairo, sei que tá todo mundo louco para ler sobre sexo… mas muita calma nessa hora! Eu já chego lá!

A gente adora sair, e … Meu Deus… como as pessoas adoram escadas!! Por isso se você não quiser voltar pra casa mais cedo ou não gostar de ver sua namorada sendo carregada por um cara fortão, é importantíssimo que você consiga carregá-la no colo!
Apesar do transtorno e da falta de comodidade para ela, eu não me incomodo nem um pouco e adoro tê-la em meus braços. O único problema é que, se um dia a gente se casar, ela nem vai achar tanta graça em entrar no quarto em meus braços na lua de mel. ![]()
Viajar também requer alguns cuidados diferenciados. Sempre que vamos a algum lugar novo, verificamos antes se onde vamos nos hospedar tem acesso. Entramos no site, ligamos, nos informamos tintim por tintim. Será que tem escada? O quarto é acessível? E o banheiro?? Ai ai ai... o banheiro é fundamental!!!
Nesse Crnaval nós ganhamos uma promoção e fomos para uma pousada em Maresias. Alguém tem alguma dúvida de que o banheiro não era acessível? Mas fazer o que!? Nós ganhamos!! Então nada melhor do que aproveitar a chance!
Toca ficar nós dois fazendo malabarismos para entrar no banheiro, transferir para o vaso, para o Box, para a cadeira. Ai “Gzuis”, mais um pouquinho a gente já saia suado do banho!
Dá vontade de andar com uma marreta para alargar todas as malditas portinhas estreitas de banheiros.
Mas curtimos cada momento, fomos para o mar, pra balada, encontramos amigos, passeamos, cantamos... ah! Viajar sempre é bom!
Depois de passear, ver filminho e jantar, chegou a hora de fazer amor. Então vamos falar do sexo! (Aposto que tem gente que vai ler só essa parte!)
Gente, esse tabu, na verdade, não existe. O sexo e o amor são coisas que acontecem entre o casal e que não tem segredo.
Eu acho que independentemente de ter uma namorada com deficiência física ou não, você precisa entender o que acontece com o corpo dela, quais os pontos erógenos, o que agrada a ela, o que agrada a você e o que agrada aos dois.

É importante saber que o prazer é um conjunto de sensações que podem ser transmitidas e criadas por seis sentidos! (Tem um a mais que os usados no dia a dia). O toque, o cheiro, o gosto, a audição, a visão e principalmente a imaginação. Tudo deve ser explorado, e se a sua namorada é paraplégica, isso não quer dizer que ela não goste que você beije e acaricie a sua perna, isso depende de cada um.
As preliminares também são essenciais em qualquer relação! E aí, meu filho, tem que deixar a imaginação e o tesão fluírem soltos! O mais importante de tudo é ter uma relação saudável! Ser diferente é normal. Ninguém se apaixona por um espelho de si mesmo, seja físico ou psicológico.
A gente se apaixona por pessoas que completam a gente, e quando isso acontece, a deficiência é apenas um detalhe. O amor simplesmente acontece, cabe a você aceitar ou não! Eu aceitei!!!
* Ilustrações montada por Rapha Bathe
Escrito por Jairo Marques às 08h35
O grito para um mundo melhor
Certamente, a forma mais dolorosa e difícil para ser superada por um caboclo ou cabocla que entra para esse mundo paralelo de quem tem uma deficiência é a violência em suas diversas formas de manifestação.
É gente que leva tiro, gente que é atropelada, gente que apanha... e, de uma hora para outra, fica sem andar, fica em coma, vira “mamulengo”, “malacabado” e tem de dar um jeito de reinventar a vida carregando na “guela” a angústia do: “Putz, se o mundo fosse diferente”.
E ai, o que faz parte dessas vítimas? Se trancafia em casa, vira a bunda contra o mundo, fica com receio de enfrentar a rua sobretudo agora que conta com “detalhes” a mais no seu ornamento: seja uma cadeira de rodas, uma muleta, uma prótese...
Mas (como é bom, como é bom ter o mas), tem também o povo que arranca de si o desejo profundo de fazer a existência valer a pena sob qualquer condição... e aí, aí, meu povo, tem o Billy.
“Fiquei com paraplegia, seguida de uma amputação do membro inferior direito, devido um grave acidente de moto causado por um carro da PM, conduzida por um PM com a carta vencida, que passou no farol vermelho e me atropelou na Rua da Consolação (não me consolo...
).”
Depois de um longo processo de recuperação, incentivado inicialmente pelo brilho do olhar do sobrinho Nilo (“é o que me fez ressurgir das cinzas naqueles dias onde tudo parecia não ter mais sentido”), Willian Coelho, “internacionalmentchi” conhecido como Billy
, cria o um dos movimentos pela tomada das rédeas da humanidade por parte da Matrix mais importantes do mundo: o Movimento SuperAção.
Exagero meu? Pois passo a noite toda num boteco com qualquer leitor argumentando que uma associação que consegue organizar uma passeata com gente que nem andar anda em plena avenida Paulista é coisa de cravar na história.
“Cresci numa família humilde, na periferia de SP. Hoje moro só na Vila Mariana, mas sempre que posso, estou com meus pais na mesma casa que passei toda a minha infância. Meus pais são guerreiros que sempre me apoiaram e estiveram ao meu lado.”
O Billy também faz parte de um grupo de teatro, a Oficina dos Menestréis, “é um trabalho incrível onde aprendi muita coisa importante para a minha vida. Quero expressar aqui toda a minha gratidão ao diretor Deto Montenegro pela sua ousadia e principalmente por sua sensibilidade com a arte”.
O Billy canta: “tenho um projeto musical intitulado Saga. Essa será a minha nova ferramenta de sensibilização social. Acredito que a arte, principalmente a música, tem um poder mágico de transformação e fomento de mudanças nos valores humanos. Esse ano sai o CD”.
O Billy trabalha: “há um ano e meio, em uma grande seguradora na área de responsabilidade social”
E o Billy concedeu a este blog uma das entrevistas que considero, até aqui, mais marcantes, mais firmes e mais motivadoras.
Convido você, meu caro leitor, a se ajeitar na cadeira, a aguçar os sentidos, a investir no seu conhecimento, a se emocionar e a viajar na cabeça e nos dreadlooks
do homem que bota a mão, as rodas e a alma na batalha para uma vida melhor para todos os deficientes físicos do Brasil.

Foto de Lara Miranda
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Escrito por Jairo Marques às 01h53
Blog - Como um dos principais estrategistas da nossa "guerra", você avalia que, quando, afinal, esse povo sem perna, sem braço, de cadeira de rodas, de muleta irá dominar o mundo?
Willian Coelho, o Billy - Sinceramente, só dominaremos o mundo quando realmente enxergarmos que as nossas diferenças são apenas peculiaridades nossas e que “neguin” só nos oferece melhorias com foco na contrapartida de pagar de bonzinho. Uma coisa é fato, o homem é movido pelo poder, nem que seja o poder momentâneo de pagar de bonzinho.
“Churumelas” à parte, muitos me questionarão sobre isso dizendo: “tá bom, mas vai dizer que não há pessoas boas, que querem ajudar nesse processo de melhorias” e eu digo, sim! Há! Mas a grande maioria só dá esmola no farol quando está com a namorada nova no banco do passageiro (não que dar esmola seja a melhor saída para a miséria das megalópoles), mas a real é que estou sinceramente cansado de marketing social.
Ou o segmento das pessoas com deficiência realmente se une e faz barulho ou as mudanças serão ínfimas. Criei o Movimento SuperAção achando, utopicamente que todas as pessoas com deficiência iriam se unir a nós e buscar melhorias, mas não, ainda tem “neguim” que questiona, reclama e não faz p.... nenhuma pra mudar.
Na primeira passeata só tinha eu, um cara do basquete que eu “seqüestrei” no farol da Rebouças um indigente amputado, junto com 14 amigos andantes e várias faixas com as Leis da Matrix.
Ou as Ongs param de cultivar seus egos e juntam se pra mudar isso que ta aí, ou ficaremos nessa injustiça sem fim. Em relação à minoria, todos os meus votos de gratidão aos que, como você, divulgam, aderem à causa, comparecem nos eventos ou aportam verba para realizá-lo, como as empresas que nos ajudam.

Foto de Aline Baker
Blog - Pode-se afirmar que você é da "zelite" da Matrix de quem tem alguma deficiência física afinal você canta, dança, tem um bom trabalho, dirige, pega a mulherada... Acha que o sucesso montado na cadeira de rodas tem segredo?
Billy - Não sei se buscar a felicidade significa ter sucesso. Também não acho que sou da “zelite” porque faço tudo isso. Faço o que faço porque tenho anseios e sonhos que me dão força pra encarar toda essa barra que quem tem alguma deficiência tem que encarar, porque além de todas as dificuldades que as pessoas de bem, trabalhadoras, tem de passar, as pessoas com deficiência recebem um adicional no fardo das injustiças cometidas pela sociedade, porque ainda encaram as barreiras arquitetônicas e de atitudes.
Acho que sou da “zelite” porque tenho a oportunidade de ter uma boa cadeira, um carro adaptado, isso sim...mas o resto, se não tiver sangue nos “zóio”, não rola. Se eu não fosse deficiente, também teria meus problemas e mesmo assim, iria cantar, trabalhar, atuar, dirigir e principalmente...pegar a mulherada...
porque, modéstia à parte, sou mais eu. É fato que ser uma pessoa ativa, chama atenção quando se tem alguma deficiência, mas isso porque a sociedade acha que eu devia estar chorando e pedindo esmola. Não vou vestir essa carapuça.

Foto de Lara Miranda
Blog - Muitos que seguem o movimento "SuperAção" propagam que "superar é o esquema pros problemas solucionar". O que é mais difícil engolir nesse processo de se "refazer" diante da deficiência?
Billy - Pó “véi”...é um processo diário de “engulição” de sapo. Acho que o mais difícil é engolir a ignorância alheia. “Neguin” te ferra diariamente e faz vista grossa e quando ensaiam um olhar mais apurado e cuidadoso, ele vem temperado com todo o sensacionalismo e assistencialismo possível.
Por exemplo, achei um absurdo a atitude do nosso, Excelentíssimo (pra não usar uma palavra de baixo calão) Prefeito Kassab, que indeferiu um projeto de Lei da vereadora Mara, que pedia sinal sonoro nos ônibus municipais para facilitar a vida das pessoas com deficiência visual, dando a justificativa de que tais sinais, atrapalhariam o público sem deficiência, estressariam os motoristas e cobradores e poluiriam sonoramente (como se a cidade fosse um templo zen) São Paulo.
Ao tomar tal decisão, em pleno século 21, ele cuspiu na cidadania das pessoas com deficiência deixando a seguinte mensagem: “Vamos cuidar das pessoas sem deficiência, e os cegos que se f....... e continuem pedindo ajuda e dependendo da boa vontade alheia.”
Espero que ele só não ache que não sabemos que a questão envolve lobbies, politicagem e toda essa “podreira” que impede o progresso da nação. E abra os olhos, Kassab, pois você ainda os tem e as ruas, mesmo cegas, estão olhando.
Blog - Muita gente que entra para esse mundo paralelo de quem tem deficiência tende a mudar de personalidade num misto de comodismo, com medo e falta de oportunidade. Quando você era do mundo dos infiltrados (pessoas que não são da Matrix), seu estilo era o mesmo que o de agora? O que mudou?
Billy - Jairão, quando se adquire uma deficiência, não é só o seu corpo que muda, mas milhões de valores são afetados ...positivamente ou não. Sempre fui contra as patifarias do sistema. O problema é que mudanças drásticas, seguidas de sequelas, deixam marcas e consequências. Cabe à pessoa que adquire uma deficiência, saber usar dessa experiência.
O sistema não ajuda em nada. A mídia, maior formadora de opinião, principalmente a televisiva, muito menos. Eles passam a imagem de que os cadeirantes não podem ter uma vida digna, não podem trabalhar, não beijam, não transam, não podem ter filhos... “Bull shitagem” geral...
Se a pessoa é fraca, ela abraça o que lhe enfiam “guela” abaixo e se acomoda. Como diz meu pai: “Temos que pegar a laranja podre e achar um gomo bom, onde possamos tirar ao menos um golezinho de suco.” Na hora da adversidade, se te dão limão, faça limonada. Como disse Antônio Cassio, meu chefe, eu fiz uma Marguerita...
(CONTINUA)
Escrito por Jairo Marques às 01h53
Blog - A passeata do SuperAção em São Paulo já está consagrada. Agora também tem os “malacabados” que tomam conta das ruas no Rio, em Buenos Aires. O que você pode dizer para os inquietos de Minas, do Rio Grande do Sul, da Bahia...?
O que tenho pra dizer é bem simples. Não sei porque essas “merdas” todas acontecem com as pessoas. Budistas dizem que é karma, cristãos que é provação de Deus, espíritas dizem que nós escolhemos pra evoluir e até os cientistas arriscam dizer que é tudo fruto das nossas emoções e pensamentos. Não sei ao certo, só sei que nesse processo todo, com tudo o que me aconteceu, vi a chance de quebrar um paradigma que existe desde a Roma antiga, quando os deficientes eram assassinados na maternidade.
Quando me tornei deficiente, vi que não nos assassinavam mais na maternidade, mas continuam assassinando os nossos sonhos e anseios, nossa dignidade e nossa moral.
Homem que sou, não vou ficar calado. Enquanto houver sangue em minha veia, lutarei até as últimas consequências, nem que pra isso o Movimento SuperAção tenha que se transformar numa FARC (Força Anômala Revolucionária dos Cadeirantes), nem que eu tenha que me tornar um cadeirante-bomba. É lógico que ainda, veja bem, AINDA não cheguei a esse extremo. Tenho fé que a união fará a força. Hoje estamos em SP, RJ e Santa Fé (Argentina). Outro pólo do Movimento SuperAção está sendo criado em Córdoba (também na Argentina). Já temos propostas pra Porto Alegre, e Guarujá.
Se tiverem sangue nos “zóio” e apetite, juntem-se a nós. Como disse Albert Einstein: “No centro da dificuldade repousa a oportunidade”.
Foto de Paula Peloso
Blog - Quando você sobe de elevador em um trio-elétrico, pega o microfone e grita ao mundo que deficiente existe e uma legião de pessoas quer ter direitos iguais, o que te inspira? De onde vem aquela voz contestadora, aquela vontade de fazer tudo virar do avesso de imediato?
Billy -Acho que aquela voz vem expulsar todas as dores, todos os olhares preconceituosos e generalizadores, todos os sentimentos de indignação ao não poder entrar em uma balada, um restaurante, um hospital , uma escola, todo o sofrimento que minha família sentiu quando me tornei deficiente;
toda a falta de escrúpulo de um soldado da PM que atravessou o farol vermelho com a carta vencida, me tornou deficiente e não teve coragem de olhar nos meus olhos enquanto mentia na audiência de protesto que movo contra o Estado;
todas as abordagens sensacionalistas da TV, todo a corrupção, toda a falta de bom senso do nosso secretário da saúde, que distribuí produtos de baixíssima qualidade para as pessoas com deficiência, todos os oportunistas, toda a passividade das empresas de transporte público para se tornarem acessíveis;
toda a fila de doação de cadeiras que o Estado não elimina, todas as empresas que não cumprem a cota de vagas reservadas de emprego e principalmente toda pessoa com deficiência que exterioriza a responsabilidade de sua felicidade, vivendo a deriva, num mar de sofrimento.
Foto Iso 25
Em contra ponto, essa mesma voz vem expor um devido orgulho por todos que juntam se a nós nessa mudança, pela alegria das pessoas que vão à passeata, pelas pessoas do bem que se agregam a nós;
pelo olhar da minha família que por mais que quisesse que fosse diferente, vê nessa luta uma forma positiva de encarar a realidade, pelo cartão postal de São Paulo hoje ser totalmente acessível às pessoas com deficiência;
pela construção de um mundo melhor para a próxima geração, pela tentativa de constante evolução, pela criatividade, pela cor, pela música, pela festa, pelo prazer, pela beleza, pela fluência das rodas no asfalto;
pela troca de experiências, pela sensação de não estarmos sós, pela boa vontade, pela sustentabilidade, pela sinceridade, pela coragem de encarar o novo, pela diversidade, por ver um pai chorar de alegria ao caminhar com sua pequena filha cadeirante e ver que não está só,
pela gratidão de uma mãe de uma moça com down, pela diferente forma, não vitimada, de buscarmos nossos direitos, pela aprovação de desconhecidos que entendem que a superação não é por ibope e sim por amor e necessidade, pelo perdão a quem não percebe tudo isso, da pacífica forma de protesto, ou seja, do espírito de Dragão. |
Escrito por Jairo Marques às 01h52
Ausente
"Zente", estou atrapalhado demais nesta semana.
Com a viagenzinha louca do findi, ai que fiquei todo perdido, mesmo. ![]()
Garanto a vocês que muita coisa bem "interessanchti" está por vir.... mas, vão ter de ter um pouquinho de paciência...
Tá, tá bem... vou ajoelhar no milho como penitência por não estar sendo um "minino bão" (não consigo ajoelhar mesmo
)
Mas amanhã eu não furo, tá bem?

Escrito por Jairo Marques às 08h17
Pra quando o Carnaval passar
Meu povo, sei que o post de hoje é ligeiramente extemporâneo,
mas eu não poderia deixar de publicar as contribuições carnavalescas que muita gente mandou!
A primeira imagem quem enviou é o meu grande amigo Marcelo Diego, um dos mais competentes jornalistas que conheço.
Ele estava na Marquês de Sapucaí, no Rio, e flagrou uma ala inteirinha formada por gente da matrix de quem tem alguma deficiência.

Legal demais da conta, né, não? A escola em questão é a Portela que ficou em terceiro lugar.
Sabem o tema que ela explorou, “zente”? “E por falar em Amor, onde anda você”?
O presidente da escola, Nilo Figueiredo, deu a seguinte declaração, que achei “maraviwonderful”:
“O amor, que esteve tão bem representado em nosso enredo, foi o propulsor desta conquista, pois pudemos contar com pessoas extremamente capazes no que fazem e que amam a Portela.
Verdadeiros especialistas que, em meio a um mar de dificuldades, souberam superá-las para concretizar o carnaval maravilhoso que levamos à Sapucaí.”
A segunda contribuição foi da minha querida leitora Adriana, mãe do João Lucas.
Esse moleque sensacional ainda vai voltar aqui, em breve, então, por enquanto, curtam só o "visu" dele arrebentando no salão! ![]()

Mais uma. Essa é da minha “top reader” (tô ou num tô mais “xiqui” do pantufa verde?
) Bianca, a Bibi..
Ele foi rasgar a fantasia
em São Luis do Paraitinga (SP) e flagrou esse “banheiro acessível”.

Novamente, o “serumano” que organizou a festa simplesmente jogou a casinha especial em qualquer lugar... qualquer lugar, mesmo.. sobre a calçada, impossível de chegar nele.
Nesse caso, acho que vale mijar na rua, mesmo, num é, não?
Por último, eu trouxe fotos que, originalmente, estou no blog do Jr. Holanda, de Barueri.
Ele fez um post muito bom e tirou as fotas de um bloco carnavalesco puxado pelo empresário Ibraim Abou Jock, que desfilou em Santana de Parnaíba (SP).

Os integrantes? Tudo gente sem perna, sem braço, cadeirante, muletante... enfim... esse povo que dá um trabaaaalho!

Rolou uma grande expectativa de que a escola Gaviões da Fiel, que tinha como tema a "Roda", fosse promover algo relativo aos "estropiados", mas, num teve nada, não.
Vi apenas algumas cadeirantes desfilando, o que já é bem bacana, claro!
* Imagens na sequência: Marcelo Diego/arquivo pessoal; Adriana/arquivo pessoal; Bianca/arquivo pessoal e Jr. Holanda
Escrito por Jairo Marques às 00h03



