Jairo Marques

Assim como você

 

Um amor cadeirante

Boa parte das mensagens que recebo tem como tema um assunto que ainda é preciso escrever muito para que fique claro, para que se rompam os estigmas, para que entendam de vez que ser deficiente não quer dizer ser um “morto-vivo”. Cansado

Qualé o tal tema? Eu digo porque eu sou “minino bão”, só por isso. Me perguntam demais “como é namorar um cadeirante”.

De fato, ser da Matrix pode envolver algumas rotinas incomuns para os “normais”, para os andantes. xiste o aspecto de sempre planejar os momentos a dois em ambientes que não sejam o topo do Everest Muito triste, entender que, em alguns casos, rotinas básicas como fazer aquele “xixo” pode ser diferente (com sonda).

E tem também a questão da sensibilidade “das partes”, a forma de agir na hora do sexo, se é preciso ou não dar aquela ajudinha para dar uma voltinha na praça... Porém, ao mesmo tempo, o gostar, o amar, o se apaixonar .... são iguais!!!!!

Meninas cadeirantes costumam ter labuta maior do que os homens para reorganizarem ou mesmo dar rumo à vida amorosa. Por quê? Porque homem, muitas vezes, avalia a pessoa pela bunda, pelo rebolado, pela facilidade de “traçar” a vítima surpreso, pelo comodismo de enxergar a “mulher perfeita” sobretudo pela forma física.

Defendo o direito das pessoas de se atraírem ou não pelas outras de acordo com as características que elas expõem, o que pra mim nada tem a ver com preconceito. Contudo, quando você vir um casal com uma andante e uma cadeirante ou vice-versa, não se surpreenda ou comente baixinho “ahhhh, que gracinha”.

A força que une a mantém as pessoas vai muito além do que os olhos podem ver. E pode apostar alto que casais que misturam o comum com o “incomum” costumam viver histórias tórridas de sentimento, de atração e de querer-bem.

Mas chega de papo, encerro a semana com um relato brilhante e irretocável do meu grande colega e talentoso fotógrafo Rapha Bathe, que namora uma cadeirante e nos conta um pouco sobre o “como que é”?!?! E o cara tem sorte, viu? Conquistou uma daquelas lindas, daquelas que o queixo cai quando se vê em cena (tem um trocadilho aqui que não vou explicar Rindo a toa).

Tenho certeza ue o texto do Rapha é mais um daqueles que vão entrar para a história da revolução de idéias propagadas por um lugar chamado “Assim como Você” (“inzibiiiiido”!!! Convencido)

Sorte

Uma coisa que eu sempre soube é que o amor é bonito em todas as formas. E no caso da Matrix é a mesma coisa! Não é?!

Juro que não entendo porque isso pode ser diferente, para mim, é simplesmente amor. Quando conheci minha namorada, ela já era cadeirante, o que não fez diferença para mim.  Me apaixonei pelos seus olhos, seu sorriso e a maneira de falar sobre a vida.

Não cheguei nem a pensar de imediato como é o relacionamento com uma pessoa com deficiência, essa curiosidade foi vindo com o tempo, e aí eu pesquisava na internet, perguntava para ela ou simplesmente aprendia “na marra”. Rindo a toa

Na realidade, eu não posso relatar como um guia a forma de namorar uma pessoa com deficiência, pois cada caso é um caso. Cada pessoa tem o seu nível de independência (tenha ela deficiência ou não!).

A minha namorada, por exemplo, é mais independente do que muita gente que anda com as próprias pernas, mas é claro que a gente passa por situações que apenas um casal da Matrix  pode passar, e muitas delas são bem engraçadas.

Uma vez estávamos andando no shopping, de mãos dadas, quando, de repente, uma mulher nos para e diz: Ai gente, me desculpa, mas vocês dois formam um casal tão lindo! Parabéns!

Hahaaha, tudo bem que a gente realmente é lindo, mas ninguém diz essas coisas hoje em dia, muito menos aqui em São Paulo, para alguém que nunca viu na vida!

Outra situação diferente é quando vamos ver um filminho no cinema.  Enquanto todo mundo chega na hora do trailler, a gente precisa chegar bem cedo e entrar antes de todo mundo para ter tempo de guardar a cadeira, pegar a minha namorada no colo e subir para um lugar decente, já que o lugar reservado para deficiente é mais conhecido como “gargarejo”.  Às vezes, a gente se atrasa, e aí só mesmo uma massagem no pescoço pra resolver! Bem humorado

Jairo, sei que tá todo mundo louco para ler sobre sexo… mas muita calma nessa hora! Eu já chego lá!

A gente adora sair, e … Meu Deus… como as pessoas adoram escadas!! Por isso se você não quiser voltar pra casa mais cedo ou não gostar de ver sua namorada sendo carregada por um cara fortão, é importantíssimo que você consiga carregá-la no colo!

Apesar do transtorno e da falta de comodidade para ela, eu não me incomodo nem um pouco e adoro tê-la em meus braços. O único problema é que, se um dia a gente se casar, ela nem vai achar tanta graça em entrar no quarto em meus braços na lua de mel. Com vergonha

Viajar também requer alguns cuidados diferenciados. Sempre que vamos a algum lugar novo, verificamos antes se onde vamos nos hospedar tem acesso. Entramos no site, ligamos, nos informamos tintim por tintim. Será que tem escada? O quarto é acessível? E o banheiro?? Ai ai ai... o banheiro é fundamental!!!

Nesse Crnaval nós ganhamos uma promoção e fomos para uma pousada em Maresias. Alguém tem alguma dúvida de que o banheiro não era acessível? Mas fazer o que!? Nós ganhamos!! Então nada melhor do que aproveitar a chance!

Toca ficar nós dois fazendo malabarismos para entrar no banheiro, transferir para o vaso, para o Box, para a cadeira. Ai “Gzuis”, mais um pouquinho a gente já saia suado do banho!

Dá vontade de andar com uma marreta para alargar todas as malditas portinhas estreitas de banheiros. Muito triste Mas curtimos cada momento, fomos para o mar, pra balada, encontramos amigos, passeamos, cantamos... ah! Viajar sempre é bom!

Depois de passear, ver filminho e jantar, chegou a hora de fazer amor.  Então vamos falar do sexo! (Aposto que tem gente que vai ler só essa parte!) Muito triste Gente, esse tabu, na verdade, não existe.  O sexo e o amor são coisas que acontecem entre o casal e que não tem segredo.

Eu acho que independentemente de ter uma namorada com deficiência física ou não, você precisa entender o que acontece com o corpo dela, quais os pontos erógenos, o que agrada a ela, o que agrada a você e o que agrada aos dois.

É importante saber que o prazer é um conjunto de sensações que podem ser transmitidas e criadas por seis sentidos! (Tem um a mais que os usados no dia a dia). O toque, o cheiro, o gosto, a audição, a visão e principalmente a imaginação.  Tudo deve ser explorado, e se a sua namorada é paraplégica, isso não quer dizer que ela não goste que você beije e acaricie a sua perna, isso depende de cada um. 

As preliminares também são essenciais em qualquer relação! E aí, meu filho, tem que deixar a imaginação e o tesão fluírem soltos! O mais importante de tudo é ter uma relação saudável! Ser diferente é normal. Ninguém se apaixona por um espelho de si mesmo, seja físico ou psicológico.

A gente se apaixona por pessoas que completam a gente, e quando isso acontece, a deficiência é apenas um detalhe. O amor simplesmente acontece, cabe a você aceitar ou não! Eu aceitei!!!

* Ilustrações montada por Rapha Bathe

Escrito por Jairo Marques às 08h35

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O grito para um mundo melhor

Certamente, a forma mais dolorosa e difícil para ser superada por um caboclo ou cabocla que entra para esse mundo paralelo de quem tem uma deficiência é a violência em suas diversas formas de manifestação.

 

É gente que leva tiro, gente que é atropelada, gente que apanha... e, de uma hora para outra, fica sem andar, fica em coma, vira “mamulengo”, “malacabado” e tem de dar um jeito de reinventar a vida carregando na “guela” a angústia do: “Putz, se o mundo fosse diferente”.

 

E ai, o que faz parte dessas vítimas? Se trancafia em casa, vira a bunda contra o mundo, fica com receio de enfrentar a rua sobretudo agora que conta com “detalhes” a mais no seu ornamento: seja uma cadeira de rodas, uma muleta, uma prótese...

 

Mas (como é bom, como é bom ter o mas), tem também o povo que arranca de si o desejo profundo de fazer a existência valer a pena sob qualquer condição... e aí, aí, meu povo, tem o Billy.

 

“Fiquei com paraplegia, seguida de uma amputação do membro inferior direito, devido um grave acidente de moto causado por um carro da PM, conduzida por um PM com a carta vencida, que passou no farol vermelho e me atropelou na Rua da Consolação (não me consolo...Carente).”

 

Depois de um longo processo de recuperação, incentivado inicialmente pelo brilho do olhar do sobrinho Nilo (“é o que me fez ressurgir das cinzas naqueles dias onde tudo parecia não ter mais sentido”), Willian Coelho, “internacionalmentchi” conhecido como Billy Convencido, cria o um dos movimentos pela tomada das rédeas da humanidade por parte da Matrix mais importantes do mundo: o Movimento SuperAção.

 

Exagero meu? Pois passo a noite toda num boteco com qualquer leitor argumentando que uma associação que consegue organizar uma passeata com gente que nem andar anda em plena avenida Paulista é coisa de cravar na história.

 

“Cresci numa família humilde, na periferia de SP. Hoje moro só na Vila Mariana, mas sempre que posso, estou com meus pais na mesma casa que passei toda a minha infância. Meus pais são guerreiros que sempre me apoiaram e estiveram ao meu lado.”

 

O Billy também faz parte de um grupo de teatro, a Oficina dos Menestréis, “é um trabalho incrível onde aprendi muita coisa importante para a minha vida. Quero expressar aqui toda a minha gratidão ao diretor Deto Montenegro pela sua ousadia e principalmente por sua sensibilidade com a arte”.

 

O Billy canta: “tenho um projeto musical intitulado Saga. Essa será a minha nova ferramenta de sensibilização social. Acredito que a arte, principalmente a música, tem um poder mágico de transformação e fomento de mudanças nos valores humanos. Esse ano sai o CD”.

 

O Billy trabalha: “há um ano e meio, em uma grande seguradora na área de responsabilidade social”

 

E o Billy concedeu a este blog uma das entrevistas que considero, até aqui, mais marcantes, mais firmes e mais motivadoras.

 

Convido você, meu caro leitor, a se ajeitar na cadeira, a aguçar os sentidos, a investir no seu conhecimento, a se emocionar e a viajar na cabeça e nos dreadlooks Rindo a toa do homem que bota a mão, as rodas e a alma na batalha para uma vida melhor para todos os deficientes físicos do Brasil.

 

 

 

Foto de Lara Miranda

 

 Sorte

Escrito por Jairo Marques às 01h53

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Blog - Como um dos principais estrategistas da nossa "guerra", você avalia que, quando, afinal, esse povo sem perna, sem braço, de cadeira de rodas, de muleta irá dominar o mundo?

 

Willian Coelho, o Billy - Sinceramente, só dominaremos o mundo quando realmente enxergarmos que as nossas diferenças são apenas peculiaridades nossas e que “neguin” só nos oferece melhorias com foco na contrapartida de pagar de bonzinho. Uma coisa é fato, o homem é movido pelo poder, nem que seja o poder momentâneo de pagar de bonzinho.

 

“Churumelas” à parte, muitos me questionarão sobre isso dizendo: “tá bom, mas vai dizer que não há pessoas boas, que querem ajudar nesse processo de melhorias” e eu digo, sim! Há! Mas a grande maioria só dá esmola no farol quando está com a namorada nova no banco do passageiro (não que dar esmola seja a melhor saída para a miséria das megalópoles), mas a real é que estou sinceramente cansado de marketing social.

 

Ou o segmento das pessoas com deficiência realmente se une e faz barulho ou as mudanças serão ínfimas. Criei o Movimento SuperAção achando, utopicamente que todas as pessoas com deficiência iriam se unir a nós e buscar melhorias, mas não, ainda tem “neguim” que questiona, reclama e não faz p.... nenhuma pra mudar.

 

Na primeira passeata só tinha eu, um cara do basquete que eu “seqüestrei” no farol da Rebouças um indigente amputado, junto com 14 amigos andantes e várias faixas com as Leis da Matrix.

 

Ou as Ongs param de cultivar seus egos e juntam se pra mudar isso que ta aí, ou ficaremos nessa injustiça sem fim. Em relação à minoria, todos os meus votos de gratidão aos que, como você, divulgam, aderem à causa, comparecem nos eventos ou aportam verba para realizá-lo, como as empresas que nos ajudam.

 

 

 

Foto de Aline Baker

 

Blog - Pode-se afirmar que você é da "zelite" da Matrix de quem tem alguma deficiência física afinal você canta, dança, tem um bom trabalho, dirige, pega a mulherada... Acha que o sucesso montado na cadeira de rodas tem segredo?

 

Billy - Não sei se buscar a felicidade significa ter sucesso. Também não acho que sou da “zelite” porque faço tudo isso. Faço o que faço porque tenho anseios e sonhos que me dão força pra encarar toda essa barra que quem tem alguma deficiência tem que encarar, porque além de todas as dificuldades que as pessoas de bem, trabalhadoras, tem de passar, as pessoas com deficiência recebem um adicional no fardo das injustiças cometidas pela sociedade, porque ainda encaram as barreiras arquitetônicas e de atitudes.

 

Acho que sou da “zelite” porque tenho a oportunidade de ter uma boa cadeira, um carro adaptado, isso sim...mas o resto, se não tiver sangue nos “zóio”, não rola. Se eu não fosse deficiente, também teria meus problemas e mesmo assim, iria cantar, trabalhar, atuar, dirigir e principalmente...pegar a mulherada...Rindo a toa porque, modéstia à parte, sou mais eu. É fato que ser uma pessoa ativa, chama atenção quando se tem alguma deficiência, mas isso porque a sociedade acha que eu devia estar chorando e pedindo esmola. Não vou vestir essa carapuça.

 

Foto de Lara Miranda

 

Blog - Muitos que seguem o movimento "SuperAção" propagam que "superar é o esquema pros problemas solucionar". O que é mais difícil engolir nesse processo de se "refazer" diante da deficiência?

 

Billy - Pó “véi”...é um processo diário de “engulição” de sapo. Acho que o mais difícil é engolir a ignorância alheia. “Neguin” te ferra diariamente e faz vista grossa e quando ensaiam um olhar mais apurado e cuidadoso, ele vem temperado com todo o sensacionalismo e assistencialismo possível.

 

Por exemplo, achei um absurdo a atitude do nosso, Excelentíssimo (pra não usar uma palavra de baixo calão) Prefeito Kassab, que indeferiu um projeto de Lei da vereadora Mara, que pedia sinal sonoro nos ônibus municipais para facilitar a vida das pessoas com deficiência visual, dando a justificativa de que tais sinais, atrapalhariam o público sem deficiência, estressariam os motoristas e cobradores e poluiriam sonoramente (como se a cidade fosse um templo zen) São Paulo.

 

Ao tomar tal decisão, em pleno século 21, ele cuspiu na cidadania das pessoas com deficiência deixando a seguinte mensagem: “Vamos cuidar das pessoas sem deficiência, e os cegos que se f....... e continuem pedindo ajuda e dependendo da boa vontade alheia.”

 

Espero que ele só não ache que não sabemos que a questão envolve lobbies, politicagem e toda essa “podreira” que impede o progresso da nação. E abra os olhos, Kassab, pois você ainda os tem e as ruas, mesmo cegas, estão olhando.

 

Blog - Muita gente que entra para esse mundo paralelo de quem tem deficiência tende a mudar de personalidade num misto de comodismo, com medo e falta de oportunidade. Quando você era do mundo dos infiltrados (pessoas que não são da Matrix), seu estilo era o mesmo que o de agora? O que mudou?

 

Billy - Jairão, quando se adquire uma deficiência, não é só o seu corpo que muda, mas milhões de valores são afetados ...positivamente ou não. Sempre fui contra as patifarias do sistema. O problema é que mudanças drásticas, seguidas de sequelas, deixam marcas e consequências. Cabe à pessoa que adquire uma deficiência, saber usar dessa experiência.

 

O sistema não ajuda em nada. A mídia, maior formadora de opinião, principalmente a televisiva, muito menos. Eles passam a imagem de que os cadeirantes não podem ter uma vida digna, não podem trabalhar, não beijam, não transam, não podem ter filhos... “Bull shitagem” geral...

 

Se a pessoa é fraca, ela abraça o que lhe enfiam “guela” abaixo e se acomoda. Como diz meu pai: “Temos que pegar a laranja podre e achar um gomo bom, onde possamos tirar ao menos um golezinho de suco.” Na hora da adversidade, se te dão limão, faça limonada. Como disse Antônio Cassio, meu chefe, eu fiz uma Marguerita...Muito triste  (CONTINUA) 

Escrito por Jairo Marques às 01h53

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Blog - A passeata do SuperAção em São Paulo já está consagrada. Agora também tem os “malacabados” que tomam conta das ruas no Rio, em Buenos Aires. O que você pode dizer para os inquietos de Minas, do Rio Grande do Sul, da Bahia...?

 

O que tenho pra dizer é bem simples. Não sei porque essas “merdas” todas acontecem com as pessoas. Budistas dizem que é karma, cristãos que é provação de Deus, espíritas dizem que nós escolhemos pra evoluir e até os cientistas arriscam dizer que é tudo fruto das nossas emoções e pensamentos. Não sei ao certo, só sei que nesse processo todo, com tudo o que me aconteceu, vi a chance de quebrar um paradigma que existe desde a Roma antiga, quando os deficientes eram assassinados na maternidade.

 

Quando me tornei deficiente, vi que não nos assassinavam mais na maternidade, mas continuam assassinando os nossos sonhos e anseios, nossa dignidade e nossa moral.

 

Homem que sou, não vou ficar calado. Enquanto houver sangue em minha veia, lutarei até as últimas consequências, nem que pra isso o Movimento SuperAção tenha que se transformar numa FARC (Força Anômala Revolucionária dos Cadeirantes), nem que eu tenha que me tornar um cadeirante-bomba. É lógico que ainda, veja bem, AINDA não cheguei a esse extremo. Tenho fé que a união fará a força. Hoje estamos em SP, RJ e Santa Fé (Argentina). Outro pólo do Movimento SuperAção está sendo criado em Córdoba (também na Argentina). Já temos propostas pra Porto Alegre, e Guarujá.

 

Se tiverem sangue nos “zóio” e apetite, juntem-se a nós. Como disse Albert Einstein: “No centro da dificuldade repousa a oportunidade”.

 

 

 

Foto de Paula Peloso

 

Blog - Quando você sobe de elevador em um trio-elétrico, pega o microfone e grita ao mundo que deficiente existe e uma legião de pessoas quer ter direitos iguais, o que te inspira? De onde vem aquela voz contestadora, aquela vontade de fazer tudo virar do avesso de imediato?

 

 Billy -Acho que aquela voz vem expulsar todas as dores, todos os olhares preconceituosos e generalizadores, todos os sentimentos de indignação ao não poder entrar em uma balada, um restaurante, um hospital , uma escola, todo o sofrimento que minha família sentiu quando me tornei deficiente;

 

toda a falta de escrúpulo de um soldado da PM que atravessou o farol vermelho com a carta vencida, me tornou deficiente e não teve coragem de olhar nos meus olhos enquanto mentia na audiência de protesto que movo contra o Estado;

 

todas as abordagens sensacionalistas da TV, todo a corrupção, toda a falta de bom senso do nosso secretário da saúde, que distribuí produtos de baixíssima qualidade para as pessoas com deficiência, todos os oportunistas, toda a passividade das empresas de transporte público para se tornarem acessíveis;

 

toda a fila de doação de cadeiras que o Estado não elimina, todas as empresas que não cumprem a cota de vagas reservadas de emprego e principalmente toda pessoa com deficiência que exterioriza a responsabilidade de sua felicidade, vivendo a deriva, num mar de sofrimento.

 

 

 

Foto Iso 25 

  

Em contra ponto, essa mesma voz vem expor um devido orgulho por todos que juntam se a nós nessa mudança, pela alegria das pessoas que vão à passeata, pelas pessoas do bem que se agregam a nós;

 

pelo olhar da minha família que por mais que quisesse que fosse diferente, vê nessa luta uma forma positiva de encarar a realidade, pelo cartão postal de São Paulo hoje ser totalmente acessível às pessoas com deficiência;

 

pela construção de um mundo melhor para a próxima geração, pela tentativa de constante evolução, pela criatividade, pela cor, pela música, pela festa, pelo prazer, pela beleza, pela fluência das rodas no asfalto;

 

pela troca de experiências, pela sensação de não estarmos sós, pela boa vontade, pela sustentabilidade, pela sinceridade, pela coragem de encarar o novo, pela diversidade, por ver um pai chorar de alegria ao caminhar com sua pequena filha cadeirante e ver que não está só,

 

pela gratidão de uma mãe de uma moça com down, pela diferente forma, não vitimada, de buscarmos nossos direitos, pela aprovação de desconhecidos que entendem que a superação não é por ibope e sim por amor e necessidade, pelo perdão a quem não percebe tudo isso, da pacífica forma de protesto, ou seja, do espírito de Dragão.


Escrito por Jairo Marques às 01h52

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Ausente

"Zente", estou atrapalhado demais nesta semana.

Com a viagenzinha louca do findi, ai que fiquei todo perdido, mesmo. Tonto

Garanto a vocês que muita coisa bem "interessanchti" está por vir.... mas, vão ter de ter um pouquinho de paciência...

Tá, tá bem... vou ajoelhar no milho como penitência por não estar sendo um "minino bão" (não consigo ajoelhar mesmo Rindo a toa)

Mas amanhã eu não furo, tá bem?

 

Escrito por Jairo Marques às 08h17

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Pra quando o Carnaval passar

Meu povo, sei que o post de hoje é ligeiramente extemporâneo, Indeciso mas eu não poderia deixar de publicar as contribuições carnavalescas que muita gente mandou!

 

A primeira imagem quem enviou é o meu grande amigo Marcelo Diego, um dos mais competentes jornalistas que conheço.

 

Ele estava na Marquês de Sapucaí, no Rio, e flagrou uma ala inteirinha formada por gente da matrix de quem tem alguma deficiência.

 

 

 Legal demais da conta, né, não? A escola em questão é a Portela que ficou em terceiro lugar.

 

Sabem o tema que ela explorou, “zente”? “E por falar em Amor, onde anda você”?

 

 

O presidente da escola, Nilo Figueiredo, deu a seguinte declaração, que achei “maraviwonderful”:

 

“O amor, que esteve tão bem representado em nosso enredo, foi o propulsor desta conquista, pois pudemos contar com pessoas extremamente capazes no que fazem e que amam a Portela.

 

Verdadeiros especialistas que, em meio a um mar de dificuldades, souberam superá-las para concretizar o carnaval maravilhoso que levamos à Sapucaí.”

 

A segunda contribuição foi da minha querida leitora Adriana, mãe do João Lucas.

 

Esse moleque sensacional ainda vai voltar aqui, em breve, então, por enquanto, curtam só o "visu" dele arrebentando no salão! Rindo a toa

 

 

Mais uma. Essa é da minha “top reader” (tô ou num tô mais “xiqui” do pantufa verde? Muito triste) Bianca, a Bibi..

 

Ele foi rasgar a fantasia Rindo a toa em São Luis do Paraitinga (SP) e flagrou esse “banheiro acessível”.

 

 

Novamente, o “serumano” que organizou a festa simplesmente jogou a casinha especial em qualquer lugar... qualquer lugar, mesmo.. sobre a calçada, impossível de chegar nele.

 

Nesse caso, acho que vale mijar na rua, mesmo, num é, não?

 

Por último, eu trouxe fotos que, originalmente, estou no blog do Jr. Holanda, de Barueri.

 

Ele fez um post muito bom e tirou as fotas de um bloco carnavalesco puxado pelo empresário Ibraim Abou Jock, que desfilou em Santana de Parnaíba (SP).

 

Os integrantes? Tudo gente sem perna, sem braço, cadeirante, muletante... enfim... esse povo que dá um trabaaaalho!

Rolou uma grande expectativa de que a escola Gaviões da Fiel, que tinha como tema a "Roda", fosse promover algo relativo aos "estropiados", mas, num teve nada, não.

Vi apenas algumas cadeirantes desfilando, o que já é bem bacana, claro!

* Imagens na sequência: Marcelo Diego/arquivo pessoal; Adriana/arquivo pessoal; Bianca/arquivo pessoal e Jr. Holanda

Escrito por Jairo Marques às 00h03

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PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 37, jornalista pela UFMS e pós-graduado em jornalismo social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999. É colunista do caderno "Cotidiano".
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