Jairo Marques

Assim como você

 

Pra vocês saberem...

Peguei uma marinete, bem de madrugadinha, e "deitei" o cabelo" pras "Trelagoa". Muito triste

Se ontem eu e dezenas de vocês já abalamos as emoções da minha "véia", hoje quase que a matei do coração... Carente

Mas vale demais a pena!!! (Quem num entendeu nada, tem de ler o post ai de baixo!)

Escrito por Jairo Marques às 14h05

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Só você sabe...

Mãe,

 

Por aqui, tudo na mesma. Aos finais de tarde cai aquele toró que alaga a cidade e faz o trânsito ficar caótico.

 

Mas chover sempre não é de todo ruim porque ai eu acabo tomando banho todo dia, algo que você tentou muito para que eu aprendesse. Rindo a toa

 

Mas eu resolvi te escrever este bilhete porque, infelizmente, mais uma vez, não vou conseguir estar contigo no seu aniversário, assim como foi no Natal, na virada do ano, no Carnaval...

 

É, “minha santa”, as asas que você tirou de si mesma para me dar ficaram frondosas e cada vez mais aquele menino tagarela das “Trelagoa” voa mais alto e fica longe, longe.

 

Porém, não esqueço jamais do meu ninho que é guardado ai contigo, porque o sentido de planar lá pertinho das nuvens, para quem nem fica em pé, como eu, só você sabe.

 

Só você sabe e entende com perfeição a minha alegria boba e nervosa daquele dia em que, juntos, ao som de “dias doídos, adeus” pegamos o canudo da faculdade.

 

O povo todo se levantou eufórico para nos aplaudir.

 

Também, quem diria que eu conseguiria vencer, dia após dia, por quatro anos, tocando uma cadeira de rodas, aquele caminho escuro, esburacado e deserto para chegar à sala de aula?

 

O que me movia, heim, mãe? Ah, o que movia só você sabe.

 

Eram aquelas suas frases firmes: “Você tem que conseguir!” “Pode ir tranquilo que fico aqui de longe rezando por você”.  “Não desista porque estudar é o que vai abrir as portas pro seu futuro”.

 

Só você sabe, mãe, a angustia de me “libertar” pra o mundo depois de ter me carregado no colo não meses, como todo bebê tem o privilégio, mas por anos.

 

E não foi apenas o aconchego do seu corpo a mim doado, foi a força para me empurrar naquelas ruas de areia fofa, o “areião”, foi a coragem de encarar comigo, com firmeza, a negativa de oportunidades básicas de me integrar o mundo pela simples razão de ser diferente.

 

 

Foi o peso físico, pesado, pesado, de viajar comigo, só eu e você, muitas vezes, em ônibus lotados pelo Brasil afora usando esse “minino bão” gesso dos pés a cabeça.

 

Só você sabe, mãe, a angustia de me deixar ir depois que você abriu mão da sua juventude.

 

Abriu mão de novos amores com a partida prematura do pai.  Abriu mão de planos pessoais de crescer profissionalmente, de não se dar nenhum luxo para que eu pudesse ter o básico, a chance de reabilitar da pólio e aprender a viver como qualquer pessoa.

 

Abriu mão, inclusive, de dar o sagrado direito do tratamento igual aos meus outros irmãos, todos “certinhos”, para que ficasse o máximo possível “certinho” também.

 

Não sei se te alivia, mãe, mas o sabor das minhas conquistas, sejam as mais simples, sejam as mais representativas é como se as suas asas, hoje comigo, pudessem conduzir nossos dois corpos rumo à realização.

 

E pensar, mãe, que mal sabe aquele “homem muito importante” que elogiou o blog, mal sabem os meus três ou quatro leitores que tenho todos os dias Rindo a toa que os trejeitos engraçados, os “causos” que conto, os relatos que deito palavras vêm de inspirações em você.

 

Acho que é talvez por isso que recebo tantas cartas de outras “mães” pelo trabalho no “Assim como Você”. É um barato, não é, mãe?

 

Só você sabe a minha realização em poder servir, mesmo que de forma breve, como um guia para quem está perdido diante das “dificuldades” impostas por essa tal de deficiência.

 

Ah, mãe, mas tem uma coisa que você não sabe ou talvez, no fundo saiba.

 

Pra mim, mesmo agora bem grandinho, é fundamental aquele seu apoio diante de cada vez que eu ensaio uma nova aventura, a cada vez que eu quero, de novo, desafiar os limites que os outros colocam em mim.

 

E aí é gostoso demais ouvir você dobrando seu próprio instinto de proteção e dizer: “Vai, Jairo, vai que você dá conta”.

 

Mas esse feliz aniversário já ficou longo demais! Tomara que, no domingo, o Nero* esteja animado pra dar uma voltinha contigo. Ou que pelo menos ele te faça companhia para tomar a “fresca” na varanda.

 

 

Estar ao seu lado, mãe, talvez isso você não saiba, pra mim, é menos importante do que estar sempre contigo na cabeça, no coração e na alma...

 

* Nero é o cachorro labrador atentado que dei de presente a minha mãe há dois anos e meio.

Escrito por Jairo Marques às 08h34

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Os bichos

Sou um pouco resistente a colocar aqui no blog histórias de superação que envolvam bichos. Não, não, nada contra.

Eu adoro cachorro, papaio, tartaruga, bicho da seda. Rindo a toa Acontece que a minha prioridade é o bicho homem mesmo!

Porém, é inegável que a medicina de reabilitação para os animais também evolui de forma "surpeendetchi" e que a dedicação de alguns donos para dar qualidade de vida a seus animais de estimação que tenham se estropiado é "maraviwonderful".

Quem ainda não viu as imagens de um cachorrinho que, após perder as patinhas dianteiras, reaprendeu a andar apenas com as traseiras?

Quem ainda não viu um jaboti que ganhou uma carriolinha acoplada ao casco depois de ter sido ferido por caçadores e ficar sem as perninhas de trás?

Bem, o que eu acredito que muito gente ainda viu foi um golfinho... um golfinho que.... ah, não vou estragar a supresa... assistam ao vídeo!

 Agora, me digam, "vo6" avaliam que o sentido de superação para os animais é o mesmo que para os humanos?  Carente

* Mais uma vez, aquele agradecimento "demais da conta" a minha querida Sílvia Dutra, produtora, realizadora, tradutora e "empurradora" desse blog. Muito triste

 

Escrito por Jairo Marques às 08h26

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Saindo da Matrix (Repost)

Meu povo, o ano tá começando agora e já estou só o "quimba" Muito triste. Ai, ai, mas vamo que vamo!

Na semana passada, cometi uma falha técnica (é a idade avançada Rindo a toa) e acabei apagando um post importante, sobre os táxis acessíveis aqui de São Paulo.

Infelizmente, não consegui recuperar os comentários de vocês e peço desculpas a quem deixou sua contribuição sempre bem-vinda.

O texto e as "fotas" eu consegui recuperar e publico novamente.


O post de hoje (na verdade, do dia 18 de fevereiro) tem um sabor especial para mim, e, quem sabe, também tenha para quem acompanha esse diário há algum tempo.

Isso porque esta história começou com um comentário deixado em um texto logo no início do "Assim como Você".

O que ele dizia? Relatava como muitos outros, a labuta que é a vida de quem tem algum tipo de deficiência. Lamentava condições de acesso nas ruas, as oportunidades restritas de emprego, os receios de encarar o mundo.

Bem, hoje, aquele menino que parecia abatido pelo guerra Rindo a toa, me enche de orgulho.

Ele foi selecionado pelo Pprograma de Treinamento da Folha, ficou três meses em "terapia intensiva" para saber mais como fazer o "maior jornal do Brasil" e atualmente já compartilha o prédio comigo como um profissional de imprensa.

O Léozinho não só está atuando como repórter/redador da Folha Online como também está fazendo reportagens sobre... acessibidade! (Entre outros assuntos, né? Pensa que é fácil?!) Muito feliz

Meu colega de profissão, mais um grande símbolo deste blog e membro ativo da causa para a dominação do mundo Convencido, fez um resumo sobre seu último trabalho especialmente aqui para o blog, que reproduzo abaixo!

Sorte

A convite do querido Jairo, venho contar a vocês sobre três matérias que publiquei na Folha Online, na última sexta-feira (13), sobre serviços que fazem o transporte de cadeirantes e comentar a novidade que 20 táxis acessíveis já começaram a circular em São Paulo desde terça-feira (17).

 

Resolvi apurar esse assunto, por três motivos:

 

·  queria saber como estava a questão dos 80 alvarás que a Prefeitura de SP sorteou entre 299 motoristas em agosto de 2008 para autorizar a circulação de táxis adaptados.

 

·    antes de começar a trabalhar na Folha Online, em 5/1, participei da 46ª turma de treinamento da Folha por três meses - fui o segundo cadeirante, depois do Jairo. Durante esse período, tive que descobrir que empresas realizavam esses serviços de transporte - pois sou cadeirante e não dirijo -, e, até à faculdade, meus pais me levavam.

 

 ·   os motoristas que já circulavam em SP com táxis adaptados antes da inauguração de ontem, cerca de três, costumavam reclamar para mim da falta de isenção fiscal, e descobri, na viagem que fiz com a turma durante o treinamento ao RJ, que lá, onde 20 táxis circulam, é a mesma reclamação.

 

 Poucos táxis

A Prefeitura de SP apresentou vinte táxis adaptados na semana passada; Estiveram presentes o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, o secretário municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, Marcos Belizário, e o secretário dos Transportes, Alexandre de Moraes. 

 

Circulam, a partir de agora, 16 carros da Adetax (Associação das Empresas de Táxi de Frota), empresa que congrega outros grupos, e quatro de autônomos ou de outras empresas.

No Rio de Janeiro, outros dois táxis vão se juntar aos 20 existentes para começar a fazer o serviço de transporte até o final de fevereiro.

 

O que explica o fato de que somente 20 carros acessíveis estão circulando em SP e no RJ, se, na primeira cidade, 80 licenças foram sorteadas, e, na segunda, 70 concedidas pelas respectivas prefeituras, nas gestões de Gilberto Kassab e Cesar Maia?

 

Sem isenção

Para compreender a questão. entrevistei dois motoristas da empresa Fuji Táxi - não vinculada à Adetax - que já começaram a circular em São Paulo com táxis acessíveis desde o final de 2008, Jorge Morishita, 38, e Josuel Alexandre Castilho Dias, 22.

 

Eles reclamam que, por serem filiados a uma empresa (assim, pessoas jurídicas), não têm direito à isenção fiscal para a compra do carro (ICMS, impostos estaduais, e IPI, tributo federal), como os taxistas de carro comum têm.

 

Assim, tiveram que gastar por conta própria cerca de R$ 54 mil para comprar o Fiat Doblô -- carro que a prefeitura instituiu para o serviço -- e R$ 26 mil para adaptar o veículo em duas empresas especializadas, a Technobrás e a Cavenaghi. Hoje, o valor de adaptação está em R$ 33 mil.

 

No Rio de Janeiro, mesmo os taxistas que são pessoas físicas -- embora afiliados a uma cooperativa --  não têm isenção fiscal.

 

Isso porque, segundo Antonio de Carvalho Amaral, idealizador do serviço no Rio, os táxis foram colocados na categoria "fretamento a taxímetro" na gestão de Cesar Maia -- anterior a de Eduardo Paes --, pois o prefeito que o antecedeu, Luiz Paulo Conde, aprovou uma lei que proibia que novas licenças de táxis fossem concedidas até 2010.

 

Os taxistas, da única empresa que se candidatou ao serviço, a Especial Coop Táxi, ainda lidam com o problema de que as empresas que fazem a adaptação do carro segundo as normas técnicas não têm unidades no Rio.

 

Assim, devem mandar seus carros, por caminhões, a Betim (MG), onde fica a Technobrás, ou a São Paulo, no caso da Cavenaghi.

 

Idealismo

Com todas esses desestímulos, o que explica a adesão dos motoristas ao serviço é a perspectiva de clientes futuros e o idealismo, segundo explica Ricardo Auriemma, presidente da Adetax (Associação das Empresas de Táxi).

 

Nas matérias publicadas (ver links abaixo), além de contar a história dos primeiros taxistas que circularam em SP com carros acessíveis, menciono a atuação de dois motoristas que já trabalhavam com serviços –- particulares -- de transporte para cadeirantes, também sem incentivo fiscal: Heloísio Ribeiro Neves, 52, da empresa Gaivota, e Valter Pedoni, 44, da Happy Life.

 

Serviço

Os táxis acessíveis da Adetax, filiados à empresa Alô Táxi, atendem pelo telefone (11) 3229-7688. O telefone dos taxistas autônomos é o (11) 6740-0916A orientação é para que a corrida seja agendada com antecedência.  

 

Cadeirantes podem acessar o site www.taxiacessivel.com e se cadastrar até o dia 28 de fevereiro para ganhar um Vale Táxi, com validade de 30 dias, que permite ir a qualquer local dentro da cidade de São Paulo.

 

A viagem poderá ser acompanhada por até duas pessoas.

 

Links

Os leitores do blog que quiserem conhecer essas histórias podem acessar os links:

 

Associação lança táxis adaptados para deficientes em SP; taxistas reclamam da falta de isenção

 

Motoristas que transportam cadeirantes justificam a entrada no serviço por "idealismo"

 

No Rio, 20 taxistas fazem o transporte para cadeirantes sem isenção fiscal

 

* Imagens de divulgação / assessoria de imprensa da Prfeitura de São Paulo

Escrito por Jairo Marques às 11h09

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ver mensagens anteriores

PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 37, jornalista pela UFMS e pós-graduado em jornalismo social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999. É colunista do caderno "Cotidiano".
Twitter Twitter RSS

BUSCA NO BLOG


ARQUIVO


Ver mensagens anteriores
 

Copyright Folha.com. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha.com.