Jairo Marques

Assim como você

 

Dolores

"Pessoais", fecho a semana com uma imagem que faz meses que queria trazer aqui para o blog.

Quando vi pela primeira vez, fiquei embasbacado demais da conta tanto por eu adorar cachorro quanto pelo aspecto de cumplicidade, de amizade, de aceitação que ela emana.

Na foto, o meu amigo Evandro Bonocchi e a cadela Dolores...

Dizem as más línguas que ele usou de um pequeno truque (olhem a mostarda na mesa) para hiponotizar a bichinha... surpreso

Pode até ser, mas que o resultado ficou uma pintura, ahhhh, isso ficou.

O Bob (costumo chamar o Evandro de Bob Rindo a toa), que me autorizou a usar a fota, está com uma campanha super interessante para divulgar o mundo dos "malacabados".

Vale a pena visitar o blog Tocando a Vida Sobre Rodas para saber do que se trata!

Bom final de semana e beijo nas crianças!

* Foto do arquivo pessoal de Evandro Bonocchi

Escrito por Jairo Marques às 08h20

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Rápidas

Mais uma chance

Povo, hoje começa mais uma temporada do musical zoom, realizado pela Cia dos Menestréis Cadeirantes, que só tem "malacabado"!

Quem quiser saber sobre como é o lance, clica no bozo que eu explico! Brincalhão

Quem ainda não viu nenhuma apresentação do grupo, garanto que vale muito!

O serviço tá ai no quadradinho azul (tô com preguiça de escrever!)

Quem comprar ingresso direto com o elenco do espetáculo (liga no 11- 5575-7472) paga 15zão! Rindo a toa Na hora, é 40tão! Tonto


Copia e Cola

Gente, fui ver uma dica de um leitor que havia me dito que um blog tava copiando "ipisliteres" dos posts do "Assim como Você", mas não estava dando crédito nenhum.

Beleza, eu sou super favorável que as informações que eu publico sejam mesmo divulgadas, mas acho que não custa dar o crédito pro tio ou pra quem quer seja, né?

Fazer um texto, às vezes, dar um trabalho danado. Antes de dar um control c + control v, pense que a divulgação da "marca" do nosso blog é um ganho para um causa (a de dominar o mundo Muito triste), não pra mim!

Acho um barato quando eu leio expressões ou trejeitos que uso aqui em outros blogs, é legalpracaramba.com.br, mas ver um post completinho, com fotos, links de referência ou ilustrações sem nenhum crédito é pra ficar mais "brabo" do que cachorro de japonês, né?

 

Escrito por Jairo Marques às 08h28

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O voo da conquista

É meio piegas isso que vou escrever, mas posso garantir a quem não é da Matrix de quem tem alguma deficiência que quando nos é levado o movimento, a visão, a audição, ao mesmo tempo, nos é dado uma inquietude profunda de viver.

Muitos me perguntam: "Mas como você consegue levar sua vida com tanta intensidade?"

A minha resposta é invariavelmente dizer que tenho uma alma irriquieta, que é algo além de mim, que eu apenas estou seguindo os meus instintos.

Pessoal, sei que nem todo munto tem uma velocidade de internet que permite ver os videos que coloco aqui. Mas, apostem, vale a pena perder (ou seria ganhar?) um tempinho e deixar a imagem carregando para entenderem do que estou falando.

A história que consta hoje nesse vídeo é algo absolutamente inédito para mim e tenho certeza, para 90% de vocês.

Se remexa na cadeira, pegue um copo com água, alivie um pouco a mente dos problemas e afazeres do dia e se permita voar... voar bem alto com Aaron.

  * Mais uma vez, meu agradecimento especial para minha querida amiga Silvia Dutra, que fez a tradução e as legendas!

Escrito por Jairo Marques às 08h07

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A música e o sonho

Acreditam que quando eu era um "mininim bãozim" eu tentei aprender a tocar piano? surpreso 

Tenho dedos muito longos (ui) e isso, segundo quem entende da arte, seria uma grande vantagem para dedilhar as notas. Mas olha que pelejei, pelejei e só aprendi mesmo onde fica o dó. Muito triste

A complexidade desse instrumento musical não é pra qualquer um, não. Agora, imaginem fazer isso, sem a visão. É, sem visão, sendo cego. Pensou no Stevie Wonder? Bem lembrado, mas agora temos o também extraordinário André Vicente da Silva, 20.

Na semana passada, a Folha publicou a história do gaúcho (aêêê Rio Grande!) André, que acaba de começar as aulas da faculdade de música da Univesidade Federal do Rio Grande do Sul, cego desde o nascimento. Para ler, clique aqui.

O repórter que fez a matéria é o meu amigo Graciliano Rocha, que vive aqui no jornal sob a minha chibata. Rindo a toa 

Ele aproveitou e também fez uma entrevista exclusiva com esse talentoso garoto para o blog.

  

Sorte

Como você descobriu a música?

André - Eu sempre gostei de música desde pequeno. Sempre acompanhei o ritmo batendo nas coisas. Ouvia Raul Seixas e adorava batucar. Com 11 anos, fui estudar no Instituto Santa Luzia (escola referência para cegos em Porto Alegre), comecei a fazer aula de teclado.

Aí comecei a estudar a parte prática da música, a tocar de ouvido. Estudei com um professor também cego e me ensinou muito, foi a minha iniciação musical. Com 17 anos, eu pensei que minha vocação era a música e comecei a estudar a teoria, aprendi a ler partitura.

Eu tardo, mas não falho! Tá ai, o André. Gente fina, né?

É difícil encontrar material pra estudar em Braille?

André- Bastante. Para o vestibular, estudei uns livros de teoria da música que não eram os mais indicados para a UFRGS porque não havia a bibliografia em Braille. A parte de partituras é muito complicado porque também não tem em Braille.

Como você faz para resolver o problema da falta de partitura?

Eu tenho que pegar a partitura normal e pedir para me ditar, nota por nota, e eu reescrevo em Braille e decoro. O diferencial da partitura em Braille é que você não tem como ler enquanto toca, não dá pra parar de tocar para conferir a partitura. Na verdade a pessoa podia me ditar e eu ir tocando, mas se eu esquecesse depois, onde é que eu iria consultar? Ainda mais a música erudita.

Decorar partitura deve exigir uma memória e tanto.

 Eu até que sou bem desmemoriado Rindo a toa. No início, é um pouquinho complicado, mas depois que você começa a tocar várias vezes, você nem pensa mais porque a música já entrou na sua cabeça.

Você ouve a música e esquece da partitura, mas até ela entrar você tem que ficar ali repetindo, várias vezes. Partituras grandes, como uma “Invenção” de Bach [peça que executou na seleção da UFRGS], são mais difíceis. A diferença básica é que, enquanto as outras pessoas leem e tocam, eu tenho que escrever, ler, decorar e tocar.

Quanto tempo leva esse processo? Teve alguma composição que você considere mais difícil que as demais?

Acho que a peça do [compositor gaúcho] Dimitri Servo, que foi pedida no vestibular, foi a mais complicada. Entre converter a partitura, que tinha sete páginas, e conseguir tocar foram uns dois meses. A Sonata no 2 do Beethoven foi bem menos, um mês.

 Como foi a sua preparação para o vestibular e como é sua vida agora?

 Antes do vestibular, eu estudava umas duas ou três horas por dia. Agora que não estou me preparando para prova nenhuma, estou mais tranquilo, agora estou tirando aquelas músicas que sempre tive vontade e não dava tempo.

Também gosto muito de música popular.. Esses dias tirei “Vento no Litoral” (Legião Urbana), que sempre quis e nunca deu. Na verdade, a música me relaxa. Além da faculdade este ano, também comecei a trabalhar. Fui chamado em janeiro num concurso da secretaria municipal de Educação de Canoas, sou auxiliar administrativo.

O que representa entrar na faculdade?

É um sonho que venho alimentando desde os 17, foi quando eu descobri o que eu queria fazer da minha vida. Eu disse para mim mesmo: “Não adianta, eu nasci pra isso e não vou fazer outra coisa”.

Nessa época, que comecei a estudar partitura, houve uma revolução da minha vida, também comecei a tocar acordeon numa banda tradicionalista gaúcha.

O fato de ser cego já o fez pensar em desistir da música?

Sempre pensei que o pior é quando a gente não tem um sonho, uma coisa pra buscar. Quando tu tens, pelo menos a esperança ainda resta. Um dia tu consegues ou não consegues, mas tu tens alguma coisa pra acreditar.

Foi o que a música fez na minha vida, me abriu muitas portas. A música é a coisa que mais une as pessoas no mundo. No mínimo tanto quanto o esporte, mas não há competição, porque é difícil fazer alguma coisa sozinho na música. No esporte é até possível. Para sair alguma coisa boa na música, tem que haver mais de um. 

* Imagens do Google Imagens

** Foto de Raphael Capella/divulgação

Escrito por Jairo Marques às 08h24

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Já temos os combustíveis!

Meu povo, vocês sabem que dominar a produção dos combustíveis, seja lá a gasolina, o diesel ou a pinga Rindo a toa, é fundamental para um projeto de tomada das rédeas do mundo, né, não?

 

E quero informar que esse povo da Matrix de quem tem alguma deficiência física já avançou nesse sentido e temos um posto de “digolina” totalmente dominado. Aêêêê Entorpecido

 

Ai, ai, tenho certeza que muitos devem estar pensando que eu "ando" exagerando na dose de suco de caju, me acabando nas bolinhas de  “confette”, mas nem é!

 

Aqui no litoral de São Paulo, na praia das Cigarras, em São Sebastião (SP), o posto de combustíveis Ecobrasil tem em seu quadro de funcionários 99% de “malacabados”!

 

Segundo a Tuka Contri, irmã daquela outra famoooosa que tá sempre aqui no blog, o posto é completamente acessível e tem de tudo: anão, cadeirante, muletante, gente que num enxerga direito, gente sem juízo... Rindo a toa

 

Bota reparo no nipe do tiozionho que é frentista, lá. Dá um look na pinta, no tamanho dele!

 

“Mas e daí, tio?”. Daí que os donos do pico têm um lema que eu achei bem “maraviwonderful”:

 

“O que nos sustenta?” Amor, verdade, justiça, perseverança, temperança, união e humildade.

 

O que queremos? Despertar pessoas para a vida, através do nosso serviço ao próximo, transformando a forma de abastecimento.

 

Abasteça essa causa”

 

Fizeram rampas pra todo lado do posto. Acessos plenos pra cadeirantes

 

Você é um "tetrão" e tem "dificulidade" de fazer movimentos mais específicos como abrir um catchup? Liga não, bobo, lá no posto tem tesourinha!

 

Ahhhh, falai se não é legalpracaramba.com.br. Muito feliz

 

Num tá convencido que trata-se de um ponto estratégico para os planos do domínio do mundo? Vou tentar dar o “fatalit”, então. Muito triste

 

A "casinha" tá meio afetada pela guerra, mas tá ai, com barras de apoio, espaço, tudo certinho

 

Os donos do posto doam parte do que arrecadam nos abastecimentos mensamente para a Associação dos Portadores de Necessidades Especiais de São Sebastião.

 

Alguns leitores já haviam me mandado a dica de frentistas cadeirantes, mas, de um posto completamente dominado, eu ainda não tinha ouvido falar.

 

 

Quer mandar um rango, mas você é cego? Pede o cardápio em braille, nego!

 

Gostei demais disso. Uma ação inclusiva de ponta a ponta. E tá achando que o dono é da Matrix? Nem é, não. É do mundo dos "normais".

 

 

 

Como dizia o finado Renato Russo, "quando tudo está perdido, sempre existe um caminho" (o da roça, o do achados e perdidos, o do posto!Muito triste)

 

* “Zente”, nesta semana, começo a me empenhar em um novo projeto e, talvez, eu atrapalhe bastante para conseguir postar alguma coisa. Em breve, conto pra todo mundo do que se trata, fecho?!

Escrito por Jairo Marques às 08h21

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PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 37, jornalista pela UFMS e pós-graduado em jornalismo social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999. É colunista do caderno "Cotidiano".
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