Assim como você
Assim como você
 

Pra vocês saberem...

Peguei uma marinete, bem de madrugadinha, e "deitei" o cabelo" pras "Trelagoa". Muito triste

Se ontem eu e dezenas de vocês já abalamos as emoções da minha "véia", hoje quase que a matei do coração... Carente

Mas vale demais a pena!!! (Quem num entendeu nada, tem de ler o post ai de baixo!)

Escrito por Jairo Marques às 14h05

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Só você sabe...

Mãe,

 

Por aqui, tudo na mesma. Aos finais de tarde cai aquele toró que alaga a cidade e faz o trânsito ficar caótico.

 

Mas chover sempre não é de todo ruim porque ai eu acabo tomando banho todo dia, algo que você tentou muito para que eu aprendesse. Rindo a toa

 

Mas eu resolvi te escrever este bilhete porque, infelizmente, mais uma vez, não vou conseguir estar contigo no seu aniversário, assim como foi no Natal, na virada do ano, no Carnaval...

 

É, “minha santa”, as asas que você tirou de si mesma para me dar ficaram frondosas e cada vez mais aquele menino tagarela das “Trelagoa” voa mais alto e fica longe, longe.

 

Porém, não esqueço jamais do meu ninho que é guardado ai contigo, porque o sentido de planar lá pertinho das nuvens, para quem nem fica em pé, como eu, só você sabe.

 

Só você sabe e entende com perfeição a minha alegria boba e nervosa daquele dia em que, juntos, ao som de “dias doídos, adeus” pegamos o canudo da faculdade.

 

O povo todo se levantou eufórico para nos aplaudir.

 

Também, quem diria que eu conseguiria vencer, dia após dia, por quatro anos, tocando uma cadeira de rodas, aquele caminho escuro, esburacado e deserto para chegar à sala de aula?

 

O que me movia, heim, mãe? Ah, o que movia só você sabe.

 

Eram aquelas suas frases firmes: “Você tem que conseguir!” “Pode ir tranquilo que fico aqui de longe rezando por você”.  “Não desista porque estudar é o que vai abrir as portas pro seu futuro”.

 

Só você sabe, mãe, a angustia de me “libertar” pra o mundo depois de ter me carregado no colo não meses, como todo bebê tem o privilégio, mas por anos.

 

E não foi apenas o aconchego do seu corpo a mim doado, foi a força para me empurrar naquelas ruas de areia fofa, o “areião”, foi a coragem de encarar comigo, com firmeza, a negativa de oportunidades básicas de me integrar o mundo pela simples razão de ser diferente.

 

 

Foi o peso físico, pesado, pesado, de viajar comigo, só eu e você, muitas vezes, em ônibus lotados pelo Brasil afora usando esse “minino bão” gesso dos pés a cabeça.

 

Só você sabe, mãe, a angustia de me deixar ir depois que você abriu mão da sua juventude.

 

Abriu mão de novos amores com a partida prematura do pai.  Abriu mão de planos pessoais de crescer profissionalmente, de não se dar nenhum luxo para que eu pudesse ter o básico, a chance de reabilitar da pólio e aprender a viver como qualquer pessoa.

 

Abriu mão, inclusive, de dar o sagrado direito do tratamento igual aos meus outros irmãos, todos “certinhos”, para que ficasse o máximo possível “certinho” também.

 

Não sei se te alivia, mãe, mas o sabor das minhas conquistas, sejam as mais simples, sejam as mais representativas é como se as suas asas, hoje comigo, pudessem conduzir nossos dois corpos rumo à realização.

 

E pensar, mãe, que mal sabe aquele “homem muito importante” que elogiou o blog, mal sabem os meus três ou quatro leitores que tenho todos os dias Rindo a toa que os trejeitos engraçados, os “causos” que conto, os relatos que deito palavras vêm de inspirações em você.

 

Acho que é talvez por isso que recebo tantas cartas de outras “mães” pelo trabalho no “Assim como Você”. É um barato, não é, mãe?

 

Só você sabe a minha realização em poder servir, mesmo que de forma breve, como um guia para quem está perdido diante das “dificuldades” impostas por essa tal de deficiência.

 

Ah, mãe, mas tem uma coisa que você não sabe ou talvez, no fundo saiba.

 

Pra mim, mesmo agora bem grandinho, é fundamental aquele seu apoio diante de cada vez que eu ensaio uma nova aventura, a cada vez que eu quero, de novo, desafiar os limites que os outros colocam em mim.

 

E aí é gostoso demais ouvir você dobrando seu próprio instinto de proteção e dizer: “Vai, Jairo, vai que você dá conta”.

 

Mas esse feliz aniversário já ficou longo demais! Tomara que, no domingo, o Nero* esteja animado pra dar uma voltinha contigo. Ou que pelo menos ele te faça companhia para tomar a “fresca” na varanda.

 

 

Estar ao seu lado, mãe, talvez isso você não saiba, pra mim, é menos importante do que estar sempre contigo na cabeça, no coração e na alma...

 

* Nero é o cachorro labrador atentado que dei de presente a minha mãe há dois anos e meio.

Escrito por Jairo Marques às 08h34

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Os bichos

Sou um pouco resistente a colocar aqui no blog histórias de superação que envolvam bichos. Não, não, nada contra.

Eu adoro cachorro, papaio, tartaruga, bicho da seda. Rindo a toa Acontece que a minha prioridade é o bicho homem mesmo!

Porém, é inegável que a medicina de reabilitação para os animais também evolui de forma "surpeendetchi" e que a dedicação de alguns donos para dar qualidade de vida a seus animais de estimação que tenham se estropiado é "maraviwonderful".

Quem ainda não viu as imagens de um cachorrinho que, após perder as patinhas dianteiras, reaprendeu a andar apenas com as traseiras?

Quem ainda não viu um jaboti que ganhou uma carriolinha acoplada ao casco depois de ter sido ferido por caçadores e ficar sem as perninhas de trás?

Bem, o que eu acredito que muito gente ainda viu foi um golfinho... um golfinho que.... ah, não vou estragar a supresa... assistam ao vídeo!

 Agora, me digam, "vo6" avaliam que o sentido de superação para os animais é o mesmo que para os humanos?  Carente

* Mais uma vez, aquele agradecimento "demais da conta" a minha querida Sílvia Dutra, produtora, realizadora, tradutora e "empurradora" desse blog. Muito triste

 

Escrito por Jairo Marques às 08h26

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Saindo da Matrix (Repost)

Meu povo, o ano tá começando agora e já estou só o "quimba" Muito triste. Ai, ai, mas vamo que vamo!

Na semana passada, cometi uma falha técnica (é a idade avançada Rindo a toa) e acabei apagando um post importante, sobre os táxis acessíveis aqui de São Paulo.

Infelizmente, não consegui recuperar os comentários de vocês e peço desculpas a quem deixou sua contribuição sempre bem-vinda.

O texto e as "fotas" eu consegui recuperar e publico novamente.


O post de hoje (na verdade, do dia 18 de fevereiro) tem um sabor especial para mim, e, quem sabe, também tenha para quem acompanha esse diário há algum tempo.

Isso porque esta história começou com um comentário deixado em um texto logo no início do "Assim como Você".

O que ele dizia? Relatava como muitos outros, a labuta que é a vida de quem tem algum tipo de deficiência. Lamentava condições de acesso nas ruas, as oportunidades restritas de emprego, os receios de encarar o mundo.

Bem, hoje, aquele menino que parecia abatido pelo guerra Rindo a toa, me enche de orgulho.

Ele foi selecionado pelo Pprograma de Treinamento da Folha, ficou três meses em "terapia intensiva" para saber mais como fazer o "maior jornal do Brasil" e atualmente já compartilha o prédio comigo como um profissional de imprensa.

O Léozinho não só está atuando como repórter/redador da Folha Online como também está fazendo reportagens sobre... acessibidade! (Entre outros assuntos, né? Pensa que é fácil?!) Muito feliz

Meu colega de profissão, mais um grande símbolo deste blog e membro ativo da causa para a dominação do mundo Convencido, fez um resumo sobre seu último trabalho especialmente aqui para o blog, que reproduzo abaixo!

Sorte

A convite do querido Jairo, venho contar a vocês sobre três matérias que publiquei na Folha Online, na última sexta-feira (13), sobre serviços que fazem o transporte de cadeirantes e comentar a novidade que 20 táxis acessíveis já começaram a circular em São Paulo desde terça-feira (17).

 

Resolvi apurar esse assunto, por três motivos:

 

·  queria saber como estava a questão dos 80 alvarás que a Prefeitura de SP sorteou entre 299 motoristas em agosto de 2008 para autorizar a circulação de táxis adaptados.

 

·    antes de começar a trabalhar na Folha Online, em 5/1, participei da 46ª turma de treinamento da Folha por três meses - fui o segundo cadeirante, depois do Jairo. Durante esse período, tive que descobrir que empresas realizavam esses serviços de transporte - pois sou cadeirante e não dirijo -, e, até à faculdade, meus pais me levavam.

 

 ·   os motoristas que já circulavam em SP com táxis adaptados antes da inauguração de ontem, cerca de três, costumavam reclamar para mim da falta de isenção fiscal, e descobri, na viagem que fiz com a turma durante o treinamento ao RJ, que lá, onde 20 táxis circulam, é a mesma reclamação.

 

 Poucos táxis

A Prefeitura de SP apresentou vinte táxis adaptados na semana passada; Estiveram presentes o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, o secretário municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, Marcos Belizário, e o secretário dos Transportes, Alexandre de Moraes. 

 

Circulam, a partir de agora, 16 carros da Adetax (Associação das Empresas de Táxi de Frota), empresa que congrega outros grupos, e quatro de autônomos ou de outras empresas.

No Rio de Janeiro, outros dois táxis vão se juntar aos 20 existentes para começar a fazer o serviço de transporte até o final de fevereiro.

 

O que explica o fato de que somente 20 carros acessíveis estão circulando em SP e no RJ, se, na primeira cidade, 80 licenças foram sorteadas, e, na segunda, 70 concedidas pelas respectivas prefeituras, nas gestões de Gilberto Kassab e Cesar Maia?

 

Sem isenção

Para compreender a questão. entrevistei dois motoristas da empresa Fuji Táxi - não vinculada à Adetax - que já começaram a circular em São Paulo com táxis acessíveis desde o final de 2008, Jorge Morishita, 38, e Josuel Alexandre Castilho Dias, 22.

 

Eles reclamam que, por serem filiados a uma empresa (assim, pessoas jurídicas), não têm direito à isenção fiscal para a compra do carro (ICMS, impostos estaduais, e IPI, tributo federal), como os taxistas de carro comum têm.

 

Assim, tiveram que gastar por conta própria cerca de R$ 54 mil para comprar o Fiat Doblô -- carro que a prefeitura instituiu para o serviço -- e R$ 26 mil para adaptar o veículo em duas empresas especializadas, a Technobrás e a Cavenaghi. Hoje, o valor de adaptação está em R$ 33 mil.

 

No Rio de Janeiro, mesmo os taxistas que são pessoas físicas -- embora afiliados a uma cooperativa --  não têm isenção fiscal.

 

Isso porque, segundo Antonio de Carvalho Amaral, idealizador do serviço no Rio, os táxis foram colocados na categoria "fretamento a taxímetro" na gestão de Cesar Maia -- anterior a de Eduardo Paes --, pois o prefeito que o antecedeu, Luiz Paulo Conde, aprovou uma lei que proibia que novas licenças de táxis fossem concedidas até 2010.

 

Os taxistas, da única empresa que se candidatou ao serviço, a Especial Coop Táxi, ainda lidam com o problema de que as empresas que fazem a adaptação do carro segundo as normas técnicas não têm unidades no Rio.

 

Assim, devem mandar seus carros, por caminhões, a Betim (MG), onde fica a Technobrás, ou a São Paulo, no caso da Cavenaghi.

 

Idealismo

Com todas esses desestímulos, o que explica a adesão dos motoristas ao serviço é a perspectiva de clientes futuros e o idealismo, segundo explica Ricardo Auriemma, presidente da Adetax (Associação das Empresas de Táxi).

 

Nas matérias publicadas (ver links abaixo), além de contar a história dos primeiros taxistas que circularam em SP com carros acessíveis, menciono a atuação de dois motoristas que já trabalhavam com serviços –- particulares -- de transporte para cadeirantes, também sem incentivo fiscal: Heloísio Ribeiro Neves, 52, da empresa Gaivota, e Valter Pedoni, 44, da Happy Life.

 

Serviço

Os táxis acessíveis da Adetax, filiados à empresa Alô Táxi, atendem pelo telefone (11) 3229-7688. O telefone dos taxistas autônomos é o (11) 6740-0916A orientação é para que a corrida seja agendada com antecedência.  

 

Cadeirantes podem acessar o site www.taxiacessivel.com e se cadastrar até o dia 28 de fevereiro para ganhar um Vale Táxi, com validade de 30 dias, que permite ir a qualquer local dentro da cidade de São Paulo.

 

A viagem poderá ser acompanhada por até duas pessoas.

 

Links

Os leitores do blog que quiserem conhecer essas histórias podem acessar os links:

 

Associação lança táxis adaptados para deficientes em SP; taxistas reclamam da falta de isenção

 

Motoristas que transportam cadeirantes justificam a entrada no serviço por "idealismo"

 

No Rio, 20 taxistas fazem o transporte para cadeirantes sem isenção fiscal

 

* Imagens de divulgação / assessoria de imprensa da Prfeitura de São Paulo

Escrito por Jairo Marques às 11h09

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O folião

“No Carnaval, a chuuuuva não cai, não cai do céu... a gente joga confete e cai chuva de papel.” Esportista

 

Adoro essa marchinha. Num conhece? Quem entoa são os bonecos do Cocoricó.  É boa demais.

 

Eu já gastei muito a borracha do pneu do meu cavalo em bailes carnavalesco. Participei por muitos anos de um bloco, lá nas “Treslagoa”, que se chamava “Tamoatôa”.

 

Um amigo que atendia pelo nome de “Vicentão” ia me buscar em casa com uma pick up "véia" para ir pro salão.

 

O detalhe é que ele já vinha de um “esquenta” e, na época, não havia nada de lei seca e todo mundo era bem molhado nos dias de festa ou melhor, era “mangaçado". Muito triste

 

E o Vicentão jogava minha cadeira na caçamba do carro e saia pela rua fazendo zig ziga ao ritmo de:

 

 

“Ala laô ô ô ô ... mas que calô  ô ô ô. Atravessei o deserto do Saara, o sol estava quente que queimou a nossa cara”

 

 

 

 

 

Tudo muito divertido, não fosse o fato de a cadeira ir sambando também lá atrás da capota e a gente ter de parar vez ou outra para recolher os pedaços dela que ia se soltando pelo caminho. Rindo a toa

 

 Até hoje eu me pego pensando que coragem que me dava para me enroscar naquela muvuca de encarar um salão lotado com gente bêbada te cercando por todos os lados.

 

Uma das explicações que encontro é que o ritmo me fascinava. Gostava da vibração das marchinhas, gostava de jogar confete, gostava de me sentir folião.

 

E também porque fazer parte do bloco era me sentir incluindo como um jovenzinho. Sentia que aquilo dava gosto à vida.

 

O duro é que naquela época, nos tempos das cavernas Muito feliz, um cadeirante num baile de carnaval era algo exótico demais, ainda mais numa cidade pequena.

 

Parte da minha curtição sempre virava chateação porque os “infiltrados” adoram “agitar” com a gente.  Podem reparar.

 

Querem sair empurrando a cadeira desembestadamente, dar rodopios, nos “integrar” ao baile... na marra!!!. Isso quanto não te tratam como um imbecil completo, né?

 

“Toma uma cervejinha. É Carnaval, agora você pode, né!”

 

“Zente”, deixa o “malacabado” curtir à maneira dele a folia.

 

 

 

 

Podem apostar, a gente fica feliz ali do ladinho, vislumbrando a festa, vislumbrando as meninas com pouca roupa Convencido, curtindo a música, agitando os dedinhos!

 

Se o cadeirante tiver vontade de participar dos trenzinhos ou mesmo das rodas de agito, que seja algo que parta dele. Não forcem a amizade, fechô?

 

Claro que você pode convidar, pode pedir para dar uma “voltinha” pelo salão, mas num insista e nem faça algo forçado, nego!

 

Como Carnaval sempre tem muita gente, quando inventamos de circular a cadeira sai batendo em canela pra todo lado.

 

E ai cai de tudo por cima: é tiozão louco de pinga na cabeça, é mulher louca sem nada na cabeça, é menino alegre... Muito triste 

 

Em clubes, de forma geral, por terem estruturas antigas, a acessibilidade passa longe. Então não estranhe se ver um “mamulengo” dando aquela urinaaada pelos cantos. Carente

 

E tem doido pra tudo. Uma “conhecida” minha, digamos que um pouco mais que conhecida Com vergonha, já encarou a folia em Salvador montada na cadeirinha de rodas dela.

 

Se ela ficou no camarote? Se ela subiu no trio-elétrico? Que naaaaada, meu povo. Ele foi é no meio da multidão. E ela jura que não há tumulto.. ou quase.

 

Quem for encarar o desafio neste ano, manda foto pro blog que o tio publica. Na folia de rua, também não saia empurrando o cadeirante sem ele te pedir.

 

A gente “garra um ódio” que vocês não fazem idéia! Rindo a toa Mas é legal se você puder ajudar a ir abrindo caminho pra mode a gente desfilar, sambar!

 

 

 

 

A Prefeitura de Salvador garantiu que neste ano as condições de acessibilidade vão ser boas para os matrixianos. Tomara que sejam mesmo.

 

Sei também que haverá muita gente “malacaba” nos desfiles das grandes escolas do Rio e São Paulo.

 

Tive uma informação, que não consegui confirmar, infelizmente, que uma das maiores agremiações aqui de São Paulo deve trazer uma ultra surpresa, um “fatalit” para a nossa conquista do mundo.

 

É esperar e ver.. pra crer.

 

Por fim, digo que todo mundo, independentemente de sua condição física, tem vontade de curtir a vida, tem o direito de se divertir e de rasgar a fantasia! Bem humorado

 

Bom Carnaval pra todo mundo e beijo nas crianças!

Escrito por Jairo Marques às 12h15

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Vou me atrasar muito hoje! Mas eu venho... talvez bem tardão, tá bão?!  Riso

 

Escrito por Jairo Marques às 08h06

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O hotel da Glória

Falai, meu povo, esse título ficou bonito demais da conta, né, não? Muito feliz

 

A dica de hoje é para quem não vai rasgar a fantasia (êlaia Muito triste) nos salões, na avenida, ou pelas ruas, mesmo.

 

A Gloria Prado de Negreiros,, certamente uma leitora top ten (tô gastando o inglês) do blog, foi com o maridão “mamulengo” e a molecada deles passar uns dias em um hotel fazenda aqui no interior de São Paulo.

 

Povo, quando eu ouço “fazenda” me dá até “arrepi” porque já vejo as minhas rodas empacando na areia.

 

Porém, para a minha surpresa, Glorinha disse que o passeio deles foi... “maraviwonderful”! Aêêê

 

Pensem comigo, já dominamos parte da praia, já dominamos parte da cidade e agora já estamos nas “própria” “comunidadchi” rural! Ahhhhh, seguuuura essa gente!

 

O pico se chama “Campo dos Sonhos” (sugestivo, né?) e fica no município de Socorro, pertinho aqui da capital.

 

“Jairo, foi um sonho mesmo. Pois, afinal, estamos tão acostumados a pesadelos, Tonto...

 

Banheiros com portas estreitas, muitas escadas, lugares sem acesso, funcionários com má vontade...mas lá foi tudo diferente”, me contou a Glorinha.

 

Dá até vontade de tomar banho num banheirão desses...

 

Para os infiltrados na Matrix de quem tem alguma deficiência, eu explico de novo isso.

 

Toda viagem de lazer que esse povo “estropiado” faz é tensa. A gente nunca sabe ao certo o que nos aguarda. Por isso, a gente sempre se prepara para encarar a bucha! Insatisfeito

 

Bem, mas o caso do “hotel da Gloria” foi bem diferente e, por isso, ele tá aqui!

 

Quando ela me contou que ia, eu pensei comigo mesmo: “Deuzulivre... o coitado do Adjair (o “homi” dela emotion) vai passar mais aperto do que pé de pobre em sapato novo.” Muito triste

 

Contudo, o mundo está realmente mudando e o passeio deles foi inesquecível.

 

“A área do hotel é enorme, com muitas ladeiras, tudo espalhado. Mas eles pensaram em tudo.

 

Nos emprestaram uma cadeira de rodas elétrica e um triciclo, acredita? O banheiro do chalé era bem acessível, melhor que o daqui de casa. Rindo a toa ”

 

Olha o tiozinho dando uma mãozinha pro Adjair

 

E o mais legal, meu povo, o Adjair não deixou de fazer nada que qualquer hóspede do local tinha direito.

 

Isso inclui andar de charrete, andar de trator, fazer tirolesa (isso eu não encaro, não, porque minha idade não permite Carente)

 

Há também por lá placas com informações em Braille e pisto com revelo para orientação dos matrixianos cegos!

 

Só por "gzuis" que eu "dipindurava" nisso ai

 

 

Êh, mundão "véi" sem porteira!

 

Igual à pousada que fui lá no litoral, a Glorinha destacou, acima de qualquer condições estrutural do local, que as pessoas tem prazer em atender, que são prestativas, que estão dispostas a incluir.

 

Sim, “zimininos”, não é baratinho, não. Também não é uma fortuna. Sacam meia margaritha, meia calabresa? Então.. Convencido

 

Eu nesse balanço ia me acabar. Até virar o "zóio"

 

A piscina tem degrauzinho "procê" relaxar, nego!

 

Fica a opção para quem quiser amarrar o burro na sombra durante o Carna. Gostei demais. Tô querendo ir.... será que os cavalos num vão estranhar meu pangaré? Tonto 

 

Quem quiser saber mais sobre o hotel fazenda, é só clicar no bozo! Brincalhão

 

* Fotos do arquivo pessoal de Gloria Ferrari

Escrito por Jairo Marques às 08h04

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Essa minha vida de “rico”

 - Essa ai tá de sete. O modelo básico, né?!...

 - Sete cruzeiro?

 

- Não, não, sete mil dinheiros.

 

Meu povo, esse é o preço que uma vendedora me informou quando fui ver uma cadeira de rodas nova numa loja famosa aqui de São Paulo.

 

É isso mesmo, sete mil contos. Abismado

 

Acho que poucos “infiltrados” (bora popularizar o termo) na Matrix de quem tem alguma deficiência física sabem, mas ser malacabado, além de dar um trabaaaaalho danado, é caro, caro pra chuchu.

 

Uma cadeira de rodas nacional mediana custa no mínimo R$ 2.000. Parece piada, mas num é, não.

 

E os cavalos, gente, não são todos iguais.

 

Uma cadeira boa, “diferençada”, tem de ser feita sob medida para evitar dores nas costas, para promover boa postura, para que o esforço de impulsão para tocá-la seja pequeno.

 

Vender produto pra esse povo sem perna, sem braço, cadeirante, muletante é o caminho mais fácil pra ficar rico, mais fácil do que o show do milhão do Sílvio Santos. Rindo a toa

 

 

Digo isso porque uma loja daqui de São Paulo, que até pouquíssimo tempo funcionava numa casinha “véia”, agora tem uma sede nova que parece shopping.

 

Se ela dá muito emprego pra malacado? Bem, sempre que vou lá, só vejo uma .... invariavelmente mal-humorada (alguém tem soro antiofídico ai? Muito triste).

 

O dono de uma das poucas fábricas brasileiras de cadeira também tá muito rico, assim, que nem eu... Com vergonha

 

Claro, mérito deles, não é? Ofereceram serviços de forma razoável e se deram bem... e azaro... azaro... meu, que fico mais pobre a cada vez que tenho de dar um tapa no meu veículo...

 

E por que é tão caro? Primeiro porque a concorrência no Brasil é muito pequena.

 

Se não tem disputa, ganha mesmo aqueles empresários mais pimpões, né, não?

 

E, com conhecimento de causa, digo que é tudo “marromenos” e o tratamento que nos dão é quase abaixo da crítica (gzuis, será que dormi com a cueca apertada? Convencido)

 

Segundo, porque tudo que a gente precisa comprar incide imposto normalmente. Aqui se livram as pessoas de pagar parte do imposto pro governo pra comprar carro, mas lascam a  facada em quem precisa de algo básico para ir e vir, como uma cadeira de roda.

 

 

Ahhhh, sim, “deficientchi” tem isenção de IPI e ICMS (nomes de impostos) pra comprar carro. Beleza, é verdade, mas eu ainda conto a peleja que é pra conseguir isso e quanto que custa para, depois, adaptar os veículos.

 

A gente até pode declarar os gastos com material ortopédico ou clínico no Imposto de Renda, mas boa parte dos brasileiros nem renda tem, quanto mais faz declaração.

 

Esse cavalo de sete mil contos que falo no início do texto é importado. Importou, nego? Então manda bala em pagar mais e mais impostos.

 

A mesma cadeira, comprada nos “Estadusunidos” custaria menos da metade do preço. É isso mesmo, menos da metade.

 

Sabem quando pode custar uma almofada pra aliviar um pouco a bunda do risco de contrair um pereba ?

 

Algo em torno de mil e quinhentos “renais”. Falai, meu povo, pra ter uma bunda básica, nem é a bunda da mulher “malancia”, Carente a gente tem de pagar e pagar caro.

 

 

Nessa mesma loja, onde o meu blog ninguém lê  Nervoso (tô mona raivosa hoje, eu sei), fui fazer um troca de pneus. Manutenção básica.

 

- Olha, o par tá saindo por R$ 268.

 

“Zimininos”, num tô brincando, não. É isso mesmo. Arrancam o nosso couro na cara dura. Eu vou fazer o quê? Tenho de comprar, ué.

 

E muitos dos matrixianos tem gastos com sonda, com material de esterilização das “partes”, com enfermeiros “pra mode” ajudar a mandar o rango pro bucho. Muito triste

 

A gente gasta mais com transporte porque nem sempre (ou seria quase nunca?) tem ônibus acessível para as rotas que precisamos ir e, assim, temos de pagar táxi, que podem dar aquela exploradinha básica, como já contei.

 

Certa vez aqui na Folha fizeram algo que me surpreendeu muito.

 

Descobriram que eu ia trocar de cadeira (isso a gente tem de fazer de uns três em três anos, porque a bicha se acaba toda) e, na “miúda”, passaram uma lista e arrecadaram grana que deu pra pagar boa parte do meu novo veículo...

 

Aquilo me emocionou demais não pelo dinheiro, mas pelo espírito que fizeram a ação: justiça. Se eu preciso de algo a mais para ser igual a todo mundo, é legítimo que eu seja ajudado para isso.

 

Eu até ganho um salário mínimo Convencido e sou um “minino rico”, né? Mas, e quem não ganha? Faz o que, gente? Chora? Chama a polícia? Espera ganhar na megassena?

 

Talvez alguém se lembre daquelas cadeiras que os políticos costumam distribuir em bairros pobres durantes as eleições.

 

“Aquelas são baratinhas, tio”.

 

São, mas não valem nada. São cadeiras para transporte imediato, para uso restrito, não para uso contínuo.

 

E o que a gente pode fazer para tentar mudar isso?

 

Pode cobrar dos nossos dirigentes que concedam liberação de impostos já na origem da compra e isentar a importação de produtos ortopédicos ou afins.

 

Pode estimular a concorrência procurando diversificar os lugares de compra (essa é difícil, eu sei).

 

Pode tentar sensibilizar os colegas de trabalho, de escola, de faculdade a dar aquele help para gente poder ter um cavalo decente e ter condições iguais de estudar, de concorrer, de ser cidadão.

 

Por que não? Parece algo meio humilhante? Parece. Mas vocês já conhecem o meu modo de ver a vida.

 

Ser da matrix necessariamente envolve ter de usar óleo de peroba na cara. É isso ou aceitar viver isolado num mundo paralelo...

 

* Imagens do Google Imagens

Escrito por Jairo Marques às 08h32

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Sugestões

"Zente", meu final de semana foi meio nervoso Rindo a toa. Tô só o pó da goiabeira e não consegui blogar.

Queria, então, que esse post ficasse como espaço para vocês darem sugestões de idéias de abordagens, críticas, pagamento de promessas. Muito triste

Nada de ficar escrevendo que o tio é preguiçoso, que tão até com dor de cabeça porque não hoje tem história, que isso, que aquilo. Carente

 

Escrito por Jairo Marques às 08h04

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Dolores

"Pessoais", fecho a semana com uma imagem que faz meses que queria trazer aqui para o blog.

Quando vi pela primeira vez, fiquei embasbacado demais da conta tanto por eu adorar cachorro quanto pelo aspecto de cumplicidade, de amizade, de aceitação que ela emana.

Na foto, o meu amigo Evandro Bonocchi e a cadela Dolores...

Dizem as más línguas que ele usou de um pequeno truque (olhem a mostarda na mesa) para hiponotizar a bichinha... surpreso

Pode até ser, mas que o resultado ficou uma pintura, ahhhh, isso ficou.

O Bob (costumo chamar o Evandro de Bob Rindo a toa), que me autorizou a usar a fota, está com uma campanha super interessante para divulgar o mundo dos "malacabados".

Vale a pena visitar o blog Tocando a Vida Sobre Rodas para saber do que se trata!

Bom final de semana e beijo nas crianças!

* Foto do arquivo pessoal de Evandro Bonocchi

Escrito por Jairo Marques às 08h20

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Rápidas

Mais uma chance

Povo, hoje começa mais uma temporada do musical zoom, realizado pela Cia dos Menestréis Cadeirantes, que só tem "malacabado"!

Quem quiser saber sobre como é o lance, clica no bozo que eu explico! Brincalhão

Quem ainda não viu nenhuma apresentação do grupo, garanto que vale muito!

O serviço tá ai no quadradinho azul (tô com preguiça de escrever!)

Quem comprar ingresso direto com o elenco do espetáculo (liga no 11- 5575-7472) paga 15zão! Rindo a toa Na hora, é 40tão! Tonto


Copia e Cola

Gente, fui ver uma dica de um leitor que havia me dito que um blog tava copiando "ipisliteres" dos posts do "Assim como Você", mas não estava dando crédito nenhum.

Beleza, eu sou super favorável que as informações que eu publico sejam mesmo divulgadas, mas acho que não custa dar o crédito pro tio ou pra quem quer seja, né?

Fazer um texto, às vezes, dar um trabalho danado. Antes de dar um control c + control v, pense que a divulgação da "marca" do nosso blog é um ganho para um causa (a de dominar o mundo Muito triste), não pra mim!

Acho um barato quando eu leio expressões ou trejeitos que uso aqui em outros blogs, é legalpracaramba.com.br, mas ver um post completinho, com fotos, links de referência ou ilustrações sem nenhum crédito é pra ficar mais "brabo" do que cachorro de japonês, né?

 

Escrito por Jairo Marques às 08h28

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O voo da conquista

É meio piegas isso que vou escrever, mas posso garantir a quem não é da Matrix de quem tem alguma deficiência que quando nos é levado o movimento, a visão, a audição, ao mesmo tempo, nos é dado uma inquietude profunda de viver.

Muitos me perguntam: "Mas como você consegue levar sua vida com tanta intensidade?"

A minha resposta é invariavelmente dizer que tenho uma alma irriquieta, que é algo além de mim, que eu apenas estou seguindo os meus instintos.

Pessoal, sei que nem todo munto tem uma velocidade de internet que permite ver os videos que coloco aqui. Mas, apostem, vale a pena perder (ou seria ganhar?) um tempinho e deixar a imagem carregando para entenderem do que estou falando.

A história que consta hoje nesse vídeo é algo absolutamente inédito para mim e tenho certeza, para 90% de vocês.

Se remexa na cadeira, pegue um copo com água, alivie um pouco a mente dos problemas e afazeres do dia e se permita voar... voar bem alto com Aaron.

  * Mais uma vez, meu agradecimento especial para minha querida amiga Silvia Dutra, que fez a tradução e as legendas!

Escrito por Jairo Marques às 08h07

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A música e o sonho

Acreditam que quando eu era um "mininim bãozim" eu tentei aprender a tocar piano? surpreso 

Tenho dedos muito longos (ui) e isso, segundo quem entende da arte, seria uma grande vantagem para dedilhar as notas. Mas olha que pelejei, pelejei e só aprendi mesmo onde fica o dó. Muito triste

A complexidade desse instrumento musical não é pra qualquer um, não. Agora, imaginem fazer isso, sem a visão. É, sem visão, sendo cego. Pensou no Stevie Wonder? Bem lembrado, mas agora temos o também extraordinário André Vicente da Silva, 20.

Na semana passada, a Folha publicou a história do gaúcho (aêêê Rio Grande!) André, que acaba de começar as aulas da faculdade de música da Univesidade Federal do Rio Grande do Sul, cego desde o nascimento. Para ler, clique aqui.

O repórter que fez a matéria é o meu amigo Graciliano Rocha, que vive aqui no jornal sob a minha chibata. Rindo a toa 

Ele aproveitou e também fez uma entrevista exclusiva com esse talentoso garoto para o blog.

  

Sorte

Como você descobriu a música?

André - Eu sempre gostei de música desde pequeno. Sempre acompanhei o ritmo batendo nas coisas. Ouvia Raul Seixas e adorava batucar. Com 11 anos, fui estudar no Instituto Santa Luzia (escola referência para cegos em Porto Alegre), comecei a fazer aula de teclado.

Aí comecei a estudar a parte prática da música, a tocar de ouvido. Estudei com um professor também cego e me ensinou muito, foi a minha iniciação musical. Com 17 anos, eu pensei que minha vocação era a música e comecei a estudar a teoria, aprendi a ler partitura.

Eu tardo, mas não falho! Tá ai, o André. Gente fina, né?

É difícil encontrar material pra estudar em Braille?

André- Bastante. Para o vestibular, estudei uns livros de teoria da música que não eram os mais indicados para a UFRGS porque não havia a bibliografia em Braille. A parte de partituras é muito complicado porque também não tem em Braille.

Como você faz para resolver o problema da falta de partitura?

Eu tenho que pegar a partitura normal e pedir para me ditar, nota por nota, e eu reescrevo em Braille e decoro. O diferencial da partitura em Braille é que você não tem como ler enquanto toca, não dá pra parar de tocar para conferir a partitura. Na verdade a pessoa podia me ditar e eu ir tocando, mas se eu esquecesse depois, onde é que eu iria consultar? Ainda mais a música erudita.

Decorar partitura deve exigir uma memória e tanto.

 Eu até que sou bem desmemoriado Rindo a toa. No início, é um pouquinho complicado, mas depois que você começa a tocar várias vezes, você nem pensa mais porque a música já entrou na sua cabeça.

Você ouve a música e esquece da partitura, mas até ela entrar você tem que ficar ali repetindo, várias vezes. Partituras grandes, como uma “Invenção” de Bach [peça que executou na seleção da UFRGS], são mais difíceis. A diferença básica é que, enquanto as outras pessoas leem e tocam, eu tenho que escrever, ler, decorar e tocar.

Quanto tempo leva esse processo? Teve alguma composição que você considere mais difícil que as demais?

Acho que a peça do [compositor gaúcho] Dimitri Servo, que foi pedida no vestibular, foi a mais complicada. Entre converter a partitura, que tinha sete páginas, e conseguir tocar foram uns dois meses. A Sonata no 2 do Beethoven foi bem menos, um mês.

 Como foi a sua preparação para o vestibular e como é sua vida agora?

 Antes do vestibular, eu estudava umas duas ou três horas por dia. Agora que não estou me preparando para prova nenhuma, estou mais tranquilo, agora estou tirando aquelas músicas que sempre tive vontade e não dava tempo.

Também gosto muito de música popular.. Esses dias tirei “Vento no Litoral” (Legião Urbana), que sempre quis e nunca deu. Na verdade, a música me relaxa. Além da faculdade este ano, também comecei a trabalhar. Fui chamado em janeiro num concurso da secretaria municipal de Educação de Canoas, sou auxiliar administrativo.

O que representa entrar na faculdade?

É um sonho que venho alimentando desde os 17, foi quando eu descobri o que eu queria fazer da minha vida. Eu disse para mim mesmo: “Não adianta, eu nasci pra isso e não vou fazer outra coisa”.

Nessa época, que comecei a estudar partitura, houve uma revolução da minha vida, também comecei a tocar acordeon numa banda tradicionalista gaúcha.

O fato de ser cego já o fez pensar em desistir da música?

Sempre pensei que o pior é quando a gente não tem um sonho, uma coisa pra buscar. Quando tu tens, pelo menos a esperança ainda resta. Um dia tu consegues ou não consegues, mas tu tens alguma coisa pra acreditar.

Foi o que a música fez na minha vida, me abriu muitas portas. A música é a coisa que mais une as pessoas no mundo. No mínimo tanto quanto o esporte, mas não há competição, porque é difícil fazer alguma coisa sozinho na música. No esporte é até possível. Para sair alguma coisa boa na música, tem que haver mais de um. 

* Imagens do Google Imagens

** Foto de Raphael Capella/divulgação

Escrito por Jairo Marques às 08h24

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Já temos os combustíveis!

Meu povo, vocês sabem que dominar a produção dos combustíveis, seja lá a gasolina, o diesel ou a pinga Rindo a toa, é fundamental para um projeto de tomada das rédeas do mundo, né, não?

 

E quero informar que esse povo da Matrix de quem tem alguma deficiência física já avançou nesse sentido e temos um posto de “digolina” totalmente dominado. Aêêêê Entorpecido

 

Ai, ai, tenho certeza que muitos devem estar pensando que eu "ando" exagerando na dose de suco de caju, me acabando nas bolinhas de  “confette”, mas nem é!

 

Aqui no litoral de São Paulo, na praia das Cigarras, em São Sebastião (SP), o posto de combustíveis Ecobrasil tem em seu quadro de funcionários 99% de “malacabados”!

 

Segundo a Tuka Contri, irmã daquela outra famoooosa que tá sempre aqui no blog, o posto é completamente acessível e tem de tudo: anão, cadeirante, muletante, gente que num enxerga direito, gente sem juízo... Rindo a toa

 

Bota reparo no nipe do tiozionho que é frentista, lá. Dá um look na pinta, no tamanho dele!

 

“Mas e daí, tio?”. Daí que os donos do pico têm um lema que eu achei bem “maraviwonderful”:

 

“O que nos sustenta?” Amor, verdade, justiça, perseverança, temperança, união e humildade.

 

O que queremos? Despertar pessoas para a vida, através do nosso serviço ao próximo, transformando a forma de abastecimento.

 

Abasteça essa causa”

 

Fizeram rampas pra todo lado do posto. Acessos plenos pra cadeirantes

 

Você é um "tetrão" e tem "dificulidade" de fazer movimentos mais específicos como abrir um catchup? Liga não, bobo, lá no posto tem tesourinha!

 

Ahhhh, falai se não é legalpracaramba.com.br. Muito feliz

 

Num tá convencido que trata-se de um ponto estratégico para os planos do domínio do mundo? Vou tentar dar o “fatalit”, então. Muito triste

 

A "casinha" tá meio afetada pela guerra, mas tá ai, com barras de apoio, espaço, tudo certinho

 

Os donos do posto doam parte do que arrecadam nos abastecimentos mensamente para a Associação dos Portadores de Necessidades Especiais de São Sebastião.

 

Alguns leitores já haviam me mandado a dica de frentistas cadeirantes, mas, de um posto completamente dominado, eu ainda não tinha ouvido falar.

 

 

Quer mandar um rango, mas você é cego? Pede o cardápio em braille, nego!

 

Gostei demais disso. Uma ação inclusiva de ponta a ponta. E tá achando que o dono é da Matrix? Nem é, não. É do mundo dos "normais".

 

 

 

Como dizia o finado Renato Russo, "quando tudo está perdido, sempre existe um caminho" (o da roça, o do achados e perdidos, o do posto!Muito triste)

 

* “Zente”, nesta semana, começo a me empenhar em um novo projeto e, talvez, eu atrapalhe bastante para conseguir postar alguma coisa. Em breve, conto pra todo mundo do que se trata, fecho?!

Escrito por Jairo Marques às 08h21

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Carteira de motorista

“Zente”, e esse ano que não termina, heim?* Rindo a toa E por falar em ano, no finalzinho de 2008 tive de viver aquela maratona deliciosa e básica de renovar a minha carteira de motorista.

 

Tá certo que minha kombi “veia” anda “praticamentchi” sozinha, mas tem que ficar com os “dicumentos” em dia, né, não? Vencido eu só uso remédio.  Aprendi com a minha mãe que diz que “potencializa” o efeito Muito triste (Crianças, não façam isso em casa).

 

Meu povo, quase todos os deficientes físicos podem dirigir, sabiam? “Verdadchi”! A tecnologia ajuda até aqueles “tetrões”, aqueles “mamulengões” que conseguem mexer apenas um pouco os braços e o pescoço a conduzir uma charanga.

 

E dirigir dá uma independência danada pra gente. Eu sei que um carro no Brasil ainda é muito caro e que as adaptações, em alguns casos, custam quase a metade do valor do próprio veículo (isso é outro post, ta?), mas a gente tem um salto na qualidade de vida conduzindo aquele fuscão preto, aquela Brasília verde, aquele Fiat 147. Muito feliz

 

 

Prometo que em breve conto um pouco sobre comprar um veículo, sobre como são as adaptações, sobre isenções de impostos, mas deixa eu voltar para a CNH.

 

Primeiro, o tio liga numa autoescola que, segundo a propaganda, é “absolutamentchi” acessível para o povo da Matrix, e marca o exame médico.

 

Beleza, toca pra fazer o exame, que é realizado na própria autoescola (agora é tudujunto, mesmo, viu?) Bem humorado , após morrer em 80 contos.

 

Como o pão de pobre cai sempre com a manteiga pra baixo Beijo, caia uma chuva torrencial no dia. Paro na porta do local, cheio de vagas reservadas “devidamente” ocupadas por carros sem a identificação de deficientes.

 

Espero um pouco e uma perua (uma mulher e não um  carro Muito triste) desocupa um local. E lá vai eu tirar a cadeira do banco do passageiro e montá-la, com a parta aberta, na chuva.

 

Um cidadão olhava a cena como se pensasse: “Por que esse infeliz num fica em casa nem quando chove?”

 

Depois de eu estar devidamente molhadinho (ai que delícia), o cabra se comove ou se irrita, não sei, e vem me ajudar a agilizar o processo. Ah, sim, detalhe bobo, o rapaz trabalhava na autoescola totalmente preparada pra receber o povo da Matrix. Abismado

 

Gente, pra chegar até o consultório do médico, tem de descer uma rampa dentro do prédio. Conhecem Piracicaba? Sacam ladeira? Um troço assim, bem íngreme? Era isso que tinha lá.

 

Mas ai me ajudaram rapidinho porque deve haver, certamente, um histórico grande de paraplégicos que ficaram tetraplégicos naquela rampa.... ou sei lá, tetraplégicos que ficaram... é... ficaram.... Muito triste

 

“Senta aqui na recepção que logo o médico te chama”, disse a mocinha. (eu juro que já estava sentado, juro!).

 

Quis beber uma aguinha para me recuperar de tantas emoções. O bebedouro era alto e ficava num canto que a minha cadeira quase que num chegava. Beber água pra quê com tanta chuva lá fora, né?

 

O médico era uma simpatia. Um tiozinho do alto dos seus 70 anos com ares de tirador de sarro. Como eu sou muito sério, a gente quase brigou. Rindo a toa

 

Vê se você consegue colocar o queixo aqui nesse instrumento pra eu examinar sua vista”, apontou o médico pra um troço que nem sei descrever como era.

 

Num dá, não, é alto demais.”

 

Você não consegue ficar em pé nem um pouquinho”. (As pessoas adoram perguntar isso pra cadeirante Embaraçado)

 

“Não”.

 

“Ah, então deixa pra lá.”

 

Depois ele pediu pra eu colocar os “zóios” numa espécie de binóculos e dizer umas letrinhas. Errei várias, mas ele sentenciou:

 

Sua visão é ótima”! Em dúvida

 

 

Agora vem aquela parte, o tcham, tcham, tcham... Se eu tivesse um estilingue na hora, eu faria miséria naquele lugar. Carente

 

Com o resultado do exame na mão, uma mocinha da autoescola vem sutilmente querer arrancar dinheiro de mim.

 

“Olha, se você quiser, pagando uma taxa de R$ 60 (vulgo sessenta roial), a gente pode estar entregando a documentação no Detran.”

 

Deixa eu explicar pra vocês. O Detran fica do outro lado da rua. É preciso ir lá, pagar mais uma taxa de vinte e poucos contos e entregar tudo num balcão. Coisa de meia hora.

 

“Uai, mas por que vocês cobram tão caro?”, perguntei.

 

“Ah, você sabe, né? Tem todo o trabalho de ficar na fila.”

 

Olha, “pessoais” me senti ofendido demais com aquilo. Acho legítimo cobrar para que a gente tenha a comodidade de que alguém tire a documentação pra gente, mas, abusar da condição física dos outros é de chorar pelado.

 

Naquela local, onde quase não havia cadeira e quem chegava de muleta, de andador tinha de ficar em pé, eles simplesmente se aproveitam da dificuldade de locomoção do povo da Matrix para achacar oferecendo um “serviço”.

 

Detalhe, os sessenta contos não incluem o envio da CNH para a casa do motorista. “Aí é a parte, né?”.

 

Não topei e dois dias depois fui eu mesmo ao Detran, onde há diversas vagas reservadas para “malacabos” e como há seguranças pra todo lado, ninguém se atreve a ocupá-las sem necessidade.

 

Demorei no máximo uns 20 minutos para pagar a taxa e entregar tudo no balcão. A fila era mínima. O funcionário perguntou se eu queria levar no mesmo dia a carteira. Respondi que sim e ai foi só esperar uma hora.

 

Em tempo: Tenho outras histórias de gente que queria tirar vantagem da dificuldade de deslocamento que tenho pelo uso do cavalo que conto em outra oportunidade.

 

Oferecer um serviço de comunidade para quem é deficiente, é legítimo, mas de forma clara e honesta. Tirar vantagem, poderia até ser considerado crime. Se é que já não é, né, não?!

 

Nunca faça propaganda de um serviço como "acessível" se ele não é plenamente preparado para receber gente com todo tipo de deficiencia. Pra mim, isso é quase um estelionato.

 

* Valeu, Pichonelli!

** Imagens do Google Imagens

Escrito por Jairo Marques às 08h08

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Sobre leitores e universitários

Uma seção que eu gosto muito neste diário, e há tempos eu não a realizo, é a de cartas dos leitores.

 

Claro, né? É pura rasgação de seda pro tio Abismado. Mas num acho que seja só isso, não! E quero mais é que vocês escrevam!

 

As mensagens mostram tomadas de atitude, mostram como o mundo da Matrix de quem tem alguma deficiência tem ganhado adeptos pelo Brasil todo e pelo mundo (ai, falem, "inzibido", vai Convencido) .

 

“Cês” acreditam que eu já recebi críticas por dar muita atenção aos leitores? Sim, a você ai, seu "ledero" de blog. Muito triste 

 

Ai, ai, apaga a “luiz gzuis”. Pra mim, vocês, como sempre digo, dão o combustível que leva pra à frente esse caminhão “véi”.

 

 

Leio tudo o que me escrevem, de verdade. Respondo os e-mails, os pedidos e, à medida do possível, vou filar bóia na casa de quem me convida (isso é mentira, só alguns ‘causos' Muito triste).

 

Dia desses, me falaram algo que eu não soube interpretar direito. “Seu blog tem muitos comentários porque já tem um grupo cativo. São sempre as mesmas pessoas”.

 

Uai, e isso não é ótimo? A gente só “compra” um produto mais de uma vez quando a gente gosta dele, né, não? E gosto mesmo dessa turma que prestigia o blog semanalmente me dando ideias, fazendo críticas, sugestões e dizendo que eu sou lindo. Muito feliz

 

Mas, fato é que a taxa de renovação de leitores é altíssima. Passa de 50% de um dia para o outro. E, quem acompanha mesmo os "coments", sabe que a cada post vai chegando mais gente nova.

 

Bom, mas a carta de hoje é de uma leitora que me acompanha desde os primeiros post, lááá da época dos próprio dinossauro Muito triste, a Vanessa Vilela, estudante de medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

 

Vanessinha não tem nenhuma deficiência, é uma belezura de moça e vai ao encontro daquilo que a gente precisa: envolver esse povo que ta nas universidades, nas escolas, esse povo que vai construir o mundo futuro.

 

Fico bem contente quando vejo que temos agentes infiltrados na USP, na PUC, nas universidades gaúchas, nas universidades de Minas, na Unicamp, gente que ta fazendo pós-graduação, gente pra todo canto!

 

Enfim, tenho muito orgulho de ter todos os dias tantos comentaristas e também por estarmos entrando com força (ui delícia), no meio (ta ficando pornô) do público estudantil.

 

Curtam a carta da Vanessinha!

 

Sorte

 

Difícil tarefa essa de escrever, tenho pouca habilidade com as palavras, ao contrário do meu amigo Jairo.

 

Aliás, foi por causa dessa sua habilidade com as palavras e pela causa que defende que comecei a ler quase que diariamente seu blog.

 

Nem lembro ao certo como achei o "Assim como Você", só sei que foi num dos meus raros momentos de folga, quando me deparei com um blog que contava de maneira bem humorada histórias de pessoas que, mesmo com várias limitações, queriam dominar o mundo ou pelo menos fazer dele um lugar mais acessível e digno de se viver.

 

Foi o suficiente para chamar a minha atenção e me deixar curiosa para ler novas dessas histórias a cada dia.

 

 

Eu não tinha noção da quantidade de obstáculos que os 'matrixianos' enfrentavam no dia-a-dia num país que desrespeita tanto a acessibilidade como o Brasil.

 

É realmente um desafio fazer com que todos percebam que independente de se estar em pé ou sentado, enxergando, escutando ou não, todos têm os mesmos direitos.

 

Não faço parte da matrix, mas aderi a essa causa! Estou cursando o 4º ano de medicina na UFRN, e ficar por dentro dessa realidade tem sido válido até mesmo para minha formação.

 

Agora presto muito mais atenção à acessibilidade dos locais que freqüento. Minha universidade, por exemplo, vem fazendo algumas mudanças para se adequar. Espero que essa consciência seja plantada em muitas outras pessoas.

 

Não fique 'se achando' não Jairo (tá, vou ficar perdidão Rindo a toa), mas você tem ajudado bastante a espalhar essas sementes.

 

Vanessa Vilela

Escrito por Jairo Marques às 08h20

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O poder... dos pés!

Faz alguns meses, contei aqui um pouco da história da artista plástica Verônica Teles, de Brasília, que faz tudo, tudo mesmo, usando apenas os pézinhos, que fez um sucesso danado! surpreso

Hoje, com a ajuda da minha querida amiga e "correspondente" do "Assim como Você" nos "Estadusunidos" Rindo a toa, Silvia Dutra, que fez as legendas,  publico um video interessantíssimo sobre uma norte-americana que também tem total independência vivendo sem os dois braços.

É simplesmente "inacreditível" ver como ela cuida de seu bebê utilizando apenas os pés, esses que vc só usa pra botar o chinelo. Muito triste

Pra quem já viu nas "internetes", vale ver mais uma vez, com as legendas, para entender tudo. Quem não viu, pegue o babador. É demais!

 

Escrito por Jairo Marques às 08h07

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Tudo do avesso

O cabra abre uma loja novinha. Para ser "politicamentchi" correto chama um pintor para fazer a marcação da vaga reservada aos "malacabados".

- Ôh seu pintô, faz ai no chão aquele desenhinho da cadeirinha de rodas, saca?

- Sei comé, sim senhor! Xá comigo! (sabe, sim.... num sabe é naaaada Muito triste)

Ai, ai... Me leva, vai, gzuis.. me leva que eu já até tomei banho. Rindo a toa

A imagem quem flagrou foi meu colega Fabiano Severo. Não viu nada de estranho?

Percebam que o símbolo universal tá meio.... de revestrés!!!! O que representaria a roda de uma cadeira, mas parece uma bunda... seus bundão!!! Muito triste

Vejam o símbolo correto, e comparem.

Calma, meu povo, calma que a gente arruma esse mundão "véi sem porteira". Mas, vai dá um trabaaaaalho.

Vejam esse outro flagrante fotografado pela minha querida leitora Silvia Montovani, daqui de São Paulo.

Ela fez o retrato na festa do Ano Novo chinês, no bairro da Liberdade, famoso pela quantidade de japas.

Como a própria "Silvetz" fala, quem fez isso ali, deve tá com "deficiência de neurônio". Insatisfeito

Fala pra mim, please, fala ai. Como que eu vou dar aquela urninaaaada nessa casinha jogada ali no cantinho, junto ao lixo, com essa guia dessa altura?

Vai ver o tiozinho que trabalha como gari tá ali no cantinho de plantão para dar aquela "hand", né? Tonto

Em tempo: Antes de fazer uma demarcação de uma vaga reservada, procure orientação com um arquiteto, com um engenheiro sobre as especificações!

Nas "internets" também é possível encontrar as regras do Imnetro para garantir uma acessibilidade seja de vagas, banheiros e rampas de qualidade! Convencido

Tá, tá bem, eu ajudo porque eu sou um "minino bão". Clica no bozo! Brincalhão

Escrito por Jairo Marques às 08h14

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Um líder da batalha

Um dos perrengues mais complicados para um garoto cadeirante é quando a molecada inventa de brincar no mato.

 

É porque ai o terreno é mais acidentado ainda do que as calçadas das cidades e as cadeiras de rodas invariavelmente não agüenta o tranco.

 

Mas, a minha inquietude de moleque sempre vencia a prudência e toca o, na época “Jairinho”, se enfiar no meio dos espinhos, das “braquiara”, dos capim para brincar fosse de desbravadores da América, fosse pra procurar “frutas exóticas”.

 

O que eu nunca realizei, porém sempre imaginei como seria, foi enfrentar um acampamento! Ficar um período longo vivendo numa situação rústica, aprendendo com a natureza era demais para aquele "minino bãozinho" uia! Carente

 

Acho que muitos dos “malacabados” ou não que por ventura lerem esse post vão pensar: “Ah, mas para um cadeirante é 'impossíve' enfrentar uma situação como essa, mesmo."

 

Meu povo, é nada!!! Muito triste Para provar, apresento a vocês um pouco da história desse membro da Matrix que não só domina as táticas de fazer um bom acampamento como lidera um grupo... um grupo de escoteiros!

 

O Giorgio Gustavo Batalha Suares, 33, o meu querido Gugu Batalha, é chefe de um grupo de escoteiros de Ilha Solteira, no interior de São Paulo, bem perto da minha “trelagoa”! Aêêêê

 

O que tem de mais nisso? O Gustavo nasceu com mielomeningocele e, para se locomover, depende de um cavalo, que nem igual ao tio!

 

“Quis entrar pro movimento escoteiro porque achava que eu poderia ser um pouco mais útil ao meu país. Parece meio bôbo, mas é verdade. Queria ajudar as pessoas. Com dez anos no movimento, percebo que ajudei muita criança por ai a se tornar melhores cidadãos.”

 

 

Sei lá, muita gente me acha meio doido por ter optado pelo jornalismo, que é uma profissão muito dinâmica, para ganhar o meu pão com “mortandela”, mas pensem na escolha do Gugu?

 

Caraca, escoteiro está diretamente ligado à ação física, ao explorar terrenos, a um estilo de vida. Ele ter passado óleo de peroba na cara e ter seguido com esse desejo à frente, é de tirar o chapéu, as meias, o paletó. surpreso

 

 

“Nunca liguei para que os outros pensam de mim. Os garotos do escotismo sempre me viram como mais um. Ele veem a cadeira como se fosse minhas pernas. Lembro que quando eu era assistente de Chefe de lobinhos (crianças iniciantes), e certa vez eu tava com eles sozinho num bosque e precisávamos vencer uma parte difícil do terreno, pelo menos pra mim, pois a grama estava muito alta.

Então, os pequenos, em vez de ficarem correndo de um lado para outro, formaram um círculo em volta de mim e iam devagar me ajudando a sair da grama alta. Algo inesquecível pra mim."

 

 

 

 

Talvez algum leitor esteja pensando que o Gustavo seja uma espécie de “café com leite” no movimento. Um membro que só vai nas “paradas” mais tranquilas e que evite situações mais  “sangue no zóio”, né, não? DesanimadoLeiam o que ele diz sobre isso:

 

“Pra mim, qualquer clima é clima seja tempestade, sol, secura. O fundador do Movimento Escoteiro, Lord Baden-Powell ,dizia ‘qualquer tonto pode ser escoteiro com bom tempo!!’. E eu sigo à risca o ensinamento.

 

Pra mim, num tem terreno ou tempo ruim. Eu encaro tudo.. Vários acampamentos eu fui embaixo de chuva, passava três dias molhados. Já fui em lugares em que os outros diziam ‘meu gzuis’ o que você tá fazendo aqui no meio desse mato???’

 

Todas as situações foram ótimas para mim e aprendi a enfrentar desafios, a não ter medo de qualquer coisinha”

 

 

Seguramente, quando eu for eleito democraticamente (eu mesmo contarei os votos Muito triste ) presidente desse mundo paralelo onde vivem os deficientes físicos e for escolher os líderes para a batalha rumo ao domínio do mundo Convencido , um deles, certamente, será o Gugu.

 

O Gustavo é formado em história e tem dois irmãos, Maurício e Raquel. A mãe, Sônia, é daquelas que os exemplos se amontoam neste blog.

 

“Ela sempre me deu força pra tudo, sempre me estimulou a tentar desafios novos. Quando eu era guri, lembro que morávamos perto da escola e um dia ela me levou pra lá e trouxe de volta.

Depois ela perguntou: ‘você aprendeu o caminho?’ E daquele dia em diante, a aventura de cruzar quatro quarteirões com calçadas sem nenhuma adaptação eram de minha responsabilidade.”

 

Fico muito eufórico quando encontro um personagem como o Gustavo. Ele é mais uma prova cabal de que o poder da dedicação, da vontade, do desejo de fazer torna a “dificuldade” um detalhe.

 

 

Avalio que um dos segredos para que a gente da Matrix consiga cada vez mais garantir nosso espaço entre os “normais” é mostrando nossa capacidade de fazer tudo, mesmo que esse tudo exija algumas adaptações.

 

Insisto que enfrentar o buraco da rua, enfrentar o mato alto, por mais que nos cause algum desconforto, que nos gere olhares de desaprovação, é o caminho mais fácil para que a gente consiga garantir nosso espaço como cidadão.

Escrito por Jairo Marques às 07h40

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PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 35, é formado em jornalismo pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e pós-graduado em jornalismo-social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999 e é cadeirante.

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