Jairo Marques

Assim como você

 

Reprovado

Povo, me desculpem por desapontá-los, mas hoje vou cabular o post de novo. Sei que tem dois ou três que ficam na expectativa, mas num consegui fechar a história do dia (era sobre o meu love por São Paulo, que faz aniversário no domingo Embaraçado).

Eu resisto muito em publicar um texto que eu não acredite que "passe de ano", pelo menos. Nem precisa ser nota dez, mas tem que passar de ano.

Bom final de semana!

Escrito por Jairo Marques às 08h06

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

E essa tal de Matrix?

A leitora Gislaine, de Campinas (Êh Campinas!), perguntou em um comentário o que é essa tal de "Matrix" que eu tanto falo aqui no blog.

Como eu sou aquele "minino bão" e vocês são "ruim" porque ninguém respondeu para a moça  Chorão, eu vou falar um pouco sobre e depois todo mundo ajuda, fechou?

Ai, esse post fica como referência pra quem for iniciante aqui na viagem nesse caminhão "véi" que a gente empurra quase todo dia!

O tio começou a usar o termo "Matrix" de quem tem alguma deficiência física porque muita gente, muita gente mesmo, acha que esse povo "malacabado", esse povo sem perna, sem braço, de cadeira de rodas, de aparelho no ouvido, de cão-guia ... não existe no mundo real. Indeciso

Sem falar dos anões, né? Que há quem pense que eles vivam nas florestas, mas não vivem, não, eles vivem na "Matrix" também. 

Quantas vezes eu não escutei assim: "Ah, eu não faço uma rampa aqui porque nunca vem ninguém de cadeira de rodas, não. Nunca nem vejo passando na rua".

 Ai eu olho pra mim mesmo e penso: "Seu ninguém!"

 Ou algo do tipo: "Banheiro acessível pra quê? Deficiente quase não sai de casa e quando sai num faz xixi, não".

Mal esses lazarentos sabem que a gente não sai de casa porque não tem a rampa e a gente não dá aquela urinaaaada porque a gente não entra nos banheiros estreitos. A lógica é exatamente a inversa.

Vivemos na Matrix não porque queremos, não, a gente vive porque nos colocam nela à medida que muitos nos veem como seres que não transam, não tem vida social, não trabalham, não tomam banho (isso tem um fundo de 'verdadchi' )

Comecei a usar o termo e esses doidos que me acompanham curtiram e se identificaram, ai pegou, né, não?  E vieram os derivativos "matrixianos", "presidente da matrix", etc.

Já recebi centenas de emails (sou "inzibido", sim Beijo) que começam assim: "Jairo, eu também sou da Matrix"... ou assim "Jairo, eu não faço parte da Matrix, mas...."

Mas, nesse nosso universo paralelo, a gente também tem poderes pra fazer muita coisa! A gente consegue superar olhares, rótulos, consegue sobrepor obstáculos, consegue reinventar caminhos, vidas, realidades.

O objetivo dos "matrixianos", porém, é deixar de viver nesse mundo oculto e se integrar aos "mortais" de forma plena.

Em segredo, por favor, quem ler não conta pra ninguém, a gente tá bolando dominar o mundo, "di certeza".

O mais "maraviwonderful" é que, para isso, já conseguimos adeptos para a grande batalha entre os próprios "normais".

Um batalhão de gente "certinha" já aderiu ou está aderindo à causa da acessibilidade, à causa de tratar o "diferente" com dignidade, com igualdade de oportunidade. 

Pode apostar, Gislaine, ser da "Matrix", no fundo é ser exatamente "Assim como Você"!

Em tempo: Juro que não usei ácido pra escrever esse texto nem fumei o cigarrinho do capeta. À noite, apenas comi torrada com um patê de atum que, pelo rótulo, não tinha cogumelo alucinógeno.

Escrito por Jairo Marques às 00h01

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Presidente

Perguntei pro danado do Google se já houve na história da humanidade algum presidente da República que fizesse parte da Matrix de quem tem alguma deficiência física. Ele num respondeu naaaada que prestasse.

Me lembro vagamente, bem vagamente mesmo, afinal a idade avançada atrapalha nas ideias (agora sem acento ), que na antiga Ioguslávia houve um presidente "malacabado", cadeirante. Mas, num encontrei nada que firmasse isso, não.

O nosso presidente Lula num tem um dedo, mas nem pega nada, né? No máximo ele precisa de uma luva especial para passear nas "Zoropa", continente que ele adora dar uma viajadinha!

Alguém que tenha estudado mais que o tio (quaaase todo mundo Inocente) se lembra de algum matrixiano que tenha dirigido um país?

Estou falando disso porque hoje assume os próprio Barack Obama lá nos "Estadusunidos", um feito inédito e histórico para os negros que conseguiram dominar o centro do mundo! Uuuuuia

Como todos, espero que ele tome mesmo as rédeas da humidade e consiga mudar muita coisa. "Excrusível" que ele avance também nas questões de acessibilidade, mesmo que nos EUA eles estejam ligeiramente mais adiantados que nós aqui.

Meu colega e cada vez mais brother Daniel Bergamasco, ex-correspondente da Folha em Nova York e enviado especial do jornal a Washington para acompanhar a posse, enviou a fota abaixo pro blog.

 

Ele tirou esse retrato lá no local onde será a muvuca, no olho do furacão, onde o sósia do Cirilo do Carossel, se lembram dessa novelinha , irá discursar.

A organização da posse colocou nas ruas 5.000 banheiros químicos (se forem 2 milhões de pessoas, a coisa vai ser feia) e, a cada dez deles, um é para "deficientchi". Gostei! "É nozes nas fritas", mesmo, Daniel!!!

Nem acho que a gente precise de colocar um "mamulengo" no poder, basta que os andantes tenham verdadeira consciência que somos todos iguais, mas com algumas "adiferençadas", né, não?

Escrito por Jairo Marques às 07h46

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Dez dicas para não atrapalhar a vida de um cego

"Qualé" meu povo (essa é pra ver se mais cariocas aderem ao blog Legal), hoje apresento a vocês um novo parceiro do nosso diário! Aêêê

Passa a me ajudar a empurrar esse caminhão "véio" o ilustrador Marcio Baraldi, que dará aquele help pro tio em alguns posts. Ele tem um site "maraviwonderful". Se quiser conhecer, clique no bozo.

Acho que vão concordar, os quadrilhos dele casam demais com o estilo do "Assim como Você"! Agradeço à jornalista Thaís Naldoni que intermediou as negociações com o Marcio, que implicaram em milhões de dólares furados.

A estréia do Baraldi aqui é com a continuidade da série "dez dicas". Com a orientação da minha querida leitora Viviane Garcia, que é deficiente visual, dou uns toques pra ninguém pagar mico ao tentar ajudar um cego.

 

1 - Pode acreditar, um cego consegue te ouvir . Então, quando quiser alguma informação de um, fale diretamente com ele e não com seus acompanhantes.

2 - Quando quiser dar uma mãozinha, ofereça! Mas espere a ajuda ser aceita antes de sair puxando o pobre do cego pelo braço no meio da rua . Pergunte a melhor maneira de ser útil. Agora, num fique fulo da vida caso a ajuda seja recusada. Nem sempre a pessoa precisa de auxílio.

 

3 - Sabe aquela expressão: "Tô mais perdido que cego em tiroteio?" . Ela faz algum sentido, sim. Quando vir que um deficiente visual está com dificuldade, identifique-se e faça a pessoa perceber que você está falando com ela.

4 - Beleza, o "malacabado" topou sua ajuda como guia. Coloque a mão da pessoa no seu cotovelo dobrado. Ele irá acompanhar o movimento do seu "corpicho" enquanto você anda.

5 - Avise o cego, antes, é claro, que há um degrau, piso escorregadio, buraco e obstáculos à frente do trajeto. Em um corredor estreito, coloque seu braço para trás e deixe o deficiente segui-lo, "de boa"!.

6 - Na hora de dar uma sentadinha (ui), você deve guiar o cego até a cadeira e colocar a mão dele sobre o encosto da cadeira dizendo se ela tem ou não braço. Deixe o "matrixiano" sentar-se sozinho!

7 - Quando você for explicar um rumo ao cego, seja claro e específico. Num adianta falar, "ali depois daquele cavalo azul" . Use informações que indiquem distância, de preferência: "A uns vinte metros a sua frente".

8 - A menos que o cego seja realmente meio ruim dos "zovidos" Surpresa, não precisa gritar com ele, nem falar alto. Fale normalmente. Cego é cego, surdo é surdo, mamulengo é mamulengo, saca?

9 - Cegos ou pessoas com visão subnormal são como você, "que nem igual", mesmo. Então, não as exclua de atividades do convívio social (uma "birita", por exemplo, Riso) ou profissional. Deixe que elas decidam como podem ou se querem participar. Proporcione a elas a mesma chance que você tem de ter sucesso ou de falhar.

10 - Palavras são palavras. Pode dizer "veja", "olhe", "bizóia" quando estiver conversando com uma pessoa cega. Elas também as usam. Mas, quando você for embora, AVISE o deficiente visual. Assim, você não vai deixar o caboclo falando sozinho, né? Legal

 

Escrito por Jairo Marques às 07h33

Comentários () | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Ver mensagens anteriores

PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 37, jornalista pela UFMS e pós-graduado em jornalismo social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999. É colunista do caderno "Cotidiano".
Twitter Twitter RSS

BUSCA NO BLOG


ARQUIVO


Ver mensagens anteriores
 

Copyright Folha.com. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha.com.