Jairo Marques

Assim como você

 

Café pequeno

Se um dia você quiser me agradar é só me chamar pra tomar um cafezinho. "Aff" como eu adoro.

E gosto também do clima das cafeterias. Aquelas mesinhas de madeira, que invariavelmente não cabem a cadeira embaixo, mas tudo bem , gente concentrada ou batendo papo, aquele cheirinho bom no ar... tudo "dilícia".

Quando eu fui pras "Zoropa", passava tardes inteiras em cafés escutando o povo falar enrolado para ver se eu aprendia logo outras línguas Embaraçado.

Durante as minhas férias de novembro, conheci um café novo, lá em Três Lagoas, cidade onde fui ver a minha criação de galinha, de porco, de bicho de pé.

Ah, claro, como todo mundo sabe, também visitei as terras que o povo lá de casa tem embaixo das unhas, né?

Tá, eu sei que já to desviando do assunto, acho que é esse clima natalino que me deixa levinho (Ôh Alexandre e Amauri, num sacaneiem que eu ando sensível).

O café lá da city era bem pequeno (tipo sala de casa de pobre ), mas aconchegante, gostoso e o mais importante, o cafezinho era bom demais da conta.

E qual não foi a minha surpresa ao ir notando, aos poucos, que o ambiente era plenamente acessível, dá pra acreditar? Lá no interior? Uma cafeteria bem pequena onde as pessoas passam rapidinho?

Pensaram em tudo: Uma rampa que liga a calçada em frente ao café à rua e, melhor, com uma inclinação que é possível subir com "facilidadchi".

 

Foi eliminado um pequeno degrau que havia para entrar no interior da loja e colocaram antiderrapante.

 

E o que mais me surpreendeu, haja vista que o local é pequeno e as pessoas não ficam ali por mais de meia hora: o banheiro tem porta larga, barras de apoio, espelho rebaixado e válvula de fácil acionamento.

 

Quando eu me dei conta daquilo na hora eu pensei. "Meu povo do blog vai curtir isso também!". Claro, gente, claro que eu sei que isso deveria ser a regra e não uma exceção, mas é uma exceção.

Cafés metidos a chiques aqui de São Paulo mal servem os "malacados" porque acham que eles não vão ter dinheiro pra pagar a conta. Indeciso Eu achei um exemplo, achei que a guerra para que os matrixianos dominem o mundo está espalhada por todos os cantos!

Claro que voltei ao local por várias vezes e até convenci meu amigo "mamulengo" Netão a ir também.  Agora, vem a cereja do bolo (é o post de sexta, né? Tem que ter uma emoção).

Eu tive a seguinte conversa com a dona do local, uma mulher bonita e simpática chamada Sandra:

"A senhora fez o café totalmente acessível porque a prefeitura mandou?"

"Hum?"

"É, porque tá tudo tão certinho e aqui no interior demora mais pra essas coisas acontecerem, né, não?"

"Não, não. A prefeitura não me obrigou a nada. Está tudo acessível porque estou apenas fazendo a minha parte para que todo mundo consiga viver melhor. Todos têm o direito de vir aqui e tomar seu cafezinho, concorda?"

E a Sandra nem sabia que eu tinha um blog, que eu gostava de café e que eu tenho um plano, junto com outra meia dúzia de doidos, de dominar o mundo....

Bom final de semana pra vocês... beijos nas crianças.

Escrito por Jairo Marques às 07h49

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Entrevista

Vocês vivem me pedindo pra colocar "fotas" minhas, pra eu contar mais detalhes das história que narro, pra eu "olhar pra lente da verdadchi", né, não?! Beijo

Hoje, quem tiver "curiosidadchi", pode conhecer um pouco mais sobre as minhas idéias revolucionárias de dominar o mundo lendo uma entrevista que dei ao blog da minha querida leitora Ana Jardim, o "Bastidores de uma mente insana" (ui que "meda"!)

A Ana é minha leitora desde o primeiro post  e já trocamos muitas idéias. Eu estava enrolando a moça pra contar umas mentiras pra ela Inocente havia tempos. Então, agora paguei a promessa.

 Lá no blog, vocês poderão ver fotas do tio, que tá mais bonito do que filho de barbeiro!

Coloco aqui só um trechinho, ai vo6 cliquem aqui e leiam o resto lá, fecho?!

Entrevista com Jairo Marques, ele é Assim Como Você!

Enfim... Depois de tempos prometendo, aqui está ela... A entrevista com meu amigo e Chefe de Reportagem da Agência Folha, Jairo Marques.

Ele é jornalista, formado pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, tem 34 anos, é cadeirante desde a infância e tem um dos blogs mais acessados da Internet, o Assim Como Você. Jairo trabalha em um dos maiores e melhores jornais do país, e nos conta nessa entrevista, sua trajetória de vida, o trabalho, alegrias, superações e principalmente sobre sua garra para chegar até aqui!

Ana Jardim: Como e quando você percebeu que tinha o dom para o Jornalismo?

Jairo Marques: Certa vez, quando eu estava no colégio, fiz uma redação sobre a importância de se ter amigo. Na correção, o professor respondeu assim: "Brilhante, como você". Aquilo, além de me deixar "metido demais da conta" (sic) [risos] me fez pensar que eu pudesse ter algum talento para a escrita. Sempre curti 'deitar' palavras fossem elas em cartas, em papel de pão. E também gostava de comunicação. Passava horas ao redor de amigos jogando papo fora. Esse conjunto de informações me levaram naturalmente ao jornalismo.

 Tá eu facilito, clica no bozo, vai!

Escrito por Jairo Marques às 07h41

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Andantes

No último sábado eu tentei ver a estréia de um amigo meu no teatro. A apresentação era em uma sala que fica em uma travessa de uma rua muito movimentada aqui em São Paulo, a rua dos Pinheiros.

E lá fui eu. Pedi pro Josiéu (um dos porteiros chapas do meu prédio) colocar a cadeira no porta-mala da Kombi e lá me fui. Povo, mas quem diz que eu encontrava um estacionamento perto do teatro? Ira

Rodei, rodei e naaaada. "Tavafu", né? É, porque com a cadeira montada, no porta-mala, eu não conseguiria parar na rua, retirar e sair de boa. E quem diz que passava um cristo com cara de amigo de matrixiano pra eu pedir uma mãozinha?

Liguei pro amigo, e, como era óbvio, o telefone tava desligado, afinal, ele iria apenas estrear nos palcos em questão de minutos, sacam?

Resolvi, então, dar mais uma volta e acabei parando o carro num estacionamento a umas cinco quadras do teatro. O tiozinho que trabalhava no local me ajudou com a cadeira e tudo bem. Rodas na estrada!

"Zente", eu tava desacostumado, uma vez que sempre tô de carro, a "andar" ou pelo menos tentar andar, pela calçada. E é buraco por todo lado, caminhão descarregando carga e impedindo a passagem, desnível, obras inacabadas, rampa pegadinha (aquela que só tem no começo do quarteirão e não no final), enfim, um sufoco.

Em alguns trechos, tive mesmo de disputar a rua com os bumbas, com os carros desesperados, com as motas... Fazendo o percurso, fiquei imaginando: Como passar um pouco daquela sensação para quem anda "normalmentchi"? Indeciso 

Imagine você que é andante (depois, "pessoais", por curiosidade, vejam um dos significados dessa palavra dicionário "Orélio". Vão se surpreender e dar boas risadas), ter de passar um perrengue desses a cada vez que quiser apenas... se divertir?! Num tem como não pensar: "Gzuis, me leva que eu tô pronto!" Inocente

 Enfim, com um pouco de sorte, encontrei esse vídeo, chamado "A hora do almoço", que, garanto, vale muito a pena ver até o final. Ele dá um pouquinho da dimensão do que passa um cadeirante nas ruas, mas, nesse caso, tudo acontece com um andante!

 

PS: Quando cheguei na porta do teatro havia dois degraus. Até ai, a vida é dura, né? Pedi ajuda. O lance é que eu percebi que havia deixado cair o meu telefone "celulaire" no meio do caminho. Voltei todo o percurso (de novo buracos, obras, calçada interditada) para ver se encontrava e nada. Porém, no dia seguinte, a pessoa que achou me devolveu! (o mundo tem solução, né? Riso).  

Escrito por Jairo Marques às 07h39

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E tem mais coisas de Natal!

Papai Noel para todos os mundos!

Na fachada de um grande banco aqui de São Paulo, em plena avenida Paulista, foram colocadas diversas "fotas" de Papai Noel, em diferentes estilos, para diferentes mundos, "exclusível" o da Matrix! Aêêê Riso

Para quem ainda não viu ou não é aqui da city, o "minino bão" traz pra vocês o retrato feito pela queridíssima Renata Lambertini.

 

O "rapaizim", pelo que apurei, num é matrixiano de "verdadchi", não. Ele só sentou na cadeira e fez  a pose. Legal  (LEIAM O "ERREI", NO PÉ DO POST)! Num tenho muito boas referências de bancos em relação ao tratamento dado pra esse povo "malacabado", não, mas, preciso admitir que ficou bem inclusivo, né, não?!

 

Pense em um Natal ... diferente!

Meu "brodi" e camarada Evandro Bonochi, que já desfilou o corpinho algumas vezes por aqui, me mandou uma ilustração natalina à moda "Assim como Você".

Reparem nos detalhes... caraca... achei legal demais da conta! E ele pediu pra dizer o seguinte pra vo6:

"O essencial é invisível aos olhos...Feliz Natal para todos", Evandro

 E ela continua cada vez mais.... fantástica!

Até hoje o post que fiz sobre a doutora Natália Inocente recebe comentários. E lá se vão meses, heim? Ela mandou essas fotinhas pro tio. Reparem que o "véio do saco" tá babando na moça.  Um colírio. Êh, lá em casa.

 

  

"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial!  Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano  se cansar e entregar os pontos. Aí entra a mágica da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para diante vai ser diferente"  Carlos Drummond de Andrade

 

"A todos leitores do blog, um excelente fim de ano. Deseje... Ame... Sorria....Mas, principalmente, continue a sonhar...sempre!!! Feliz Natal e um Ano Novo cheio realizações, paz e felicidades!", Natália

Errei: O "rapaizim" é cadeirante, sim. Chama-se Flavio Cecere e é funcionário do banco. Ele também curte disputar corridas de kart. Obrigado à leitora Lu, que me deu o toque!

Escrito por Jairo Marques às 00h09

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O concurseiro

Parte das minhas férias eu passei em Brasília. Aquela cidade onde já defenderam aqui no blog que é o paraíso pra esse povo estrupiado que nem eu.  

 Eu tava lá, sem fazer naaaada, e pensei: "Pô, vou fazer um concurso público"!    

Gente, para quem não sabe, de 5% a 20% das vagas para as carreiras do "guverno", em qualquer nível (federal, estadual ou municipal), são reservadas para o povo da Matrix de quem tem algum tipo de deficiência.

O caderno Empregos, publicado ontem na Folha (clica aqui e leia, mas só pra assinantes, né?) trouxe uma ampla discussão sobre o tema.

Em síntese, o lance é: concurso público é uma grande chance para os matrixianos entrarem no mercado de trabalho, mas, mesmo assim, sobram vagas porque falta qualicação, pode? Chorão

Eu fico "revolts" quando começam com esse discurso de que deficiente é tudo "burraldo". Eu sou "inteligentchi", pô!  

Mas vamos voltar a Brasília. Me inscrevi no concurso na cota dos "malacabados" (ai a disputa é só entre os "malacabados", saca?, Mas você tem que acertar um mínimo de questões para não ser eliminado).

Para entrar na cota, é preciso provar que é deficiente mandando um atestado à organização do troço! Fiz isso. E ai, me enfiei nos.... churrascos, passeios, nas pingas, nas cervejas para me preparar.

E lá fui eu, acompanhado daquela minha assessoria para assuntos de saúde porque, como vocês sabem, sou um menino que gripa fácil Embaraçado, fazer a prova.

"Uai, num pode colocar o carro lá dentro do pátio? 'Mai' que raio de lugar acessível é esse?"

Deixamos o carro na rua mesmo....

A escola onde eu faria a prova parecia uma enfermaria de guerra: gente de cadeira de rodas, de muleta, de bengala, sem braço, sem perna.  

E também tinha muita gente que, em situações cotidianas, não se declara deficiente, não, viu? Com o dedo mindinho meio torto, com um braço mais comprido que o outro, com um óculos mais fortificado. Indeciso 

Claro, claro que há deficiências não aparente, como muitos já disseram ter por aqui,  a minha ligeira crítica é quando usam o fato de ser da Matrix apenas para ter alguma vantagem e deixam o ônus pra gente que é para, tetra, cego, surdo... (tô brabo, né?!)

Na escola onde aconteceria a prova, sem problemas. Rampas, portas largas, belê. E havia também uma equipe de homens e mulheres vestindo uma roupa amarela, bem amarela mesmo, sabe o sol? Então...

Essa equipe era "especialmente treinada para TRATAR com os deficientes", segundo os próprios integrantes. Fiquei até com medo. Me senti um vírus, um objeto cheio de tensão nuclear, de "radioativadchi"! Surpresa

E lá fui eu pra sala, "totalmente preparada" para me receber!!! Aêêêê

"Preciso de uma mesa. Eu tinha pedido uma mesa na inscrição" (que morri em 80 contos).

"Ah é?", perguntou o mocinho que parecia que a única cadeira de rodas que havia visto na vida era na televisão, aquela da vovó dinossauro, lembram da família dinossauro? Do baby, então?

A minha mesa ele arrumou. O problema é que não paravam de chegar cadeirantes na sala. E cadê as mesas??? Foi um tal de improvisar mesa de cantina, mesa do diretor, mesa de boteco...

Caraca, eles acham que cadeirante consegue ficar naquelas carteiras de braço? Quando eu era criança, na escola, minha mãe mandava fazer minha própria carteira (é, porque a escola num tava nem ai, né?). Era uma mesona, de madeira, muito show!

Resumo da ópera, uma menina que chegou por último teve mesmo de se sentar numa cadeira de braço porque não havia mais mesas.

A sala não tinha ninguém que falasse em libras, mesmo tendo um candidato com baixa audição. Também não tinha ninguém pra ajudar um tetraplégico com a caneta, por exemplo. Não tinha espaço amplo, não tinha patavinas nenhuma...

No meio da prova, fui refrescar as idéias dando aquela urinaaaaada.

O banheiro? Pequeno, sem o trinco de fácil manuseio, sem pias rebaixadas, sem espelho rebaixado, sem papel rebaixado e a válvula não tinha aquele mecanismo que facilita quem tem movimentos restritos na mão a acioná-la.

E olha que o lugar era "exclusivo" pra prova de deficientes. Só posso chegar a uma conclusão. É tudo feito nas COXAS mesmo. Ira

Gente, mas, falando sério. Quem estivar na lama , a carreira pública é um caminho interessante para se colocar no mercado de trabalho. Há cargos muito bem remunerados e as concorrências são bem menores do que na iniciativa privada. Mas tem que estudar.

Se eu passei? Óia, por causa de uma questão eu rodei. Mas eu num fiz nenhum esforço pra entrar, né, não? E era mais um teste de conhecimentos, uma experiência pro blog Legal.  Curto demais essa minha vida louca de jornalista da Folha!

* Imagens do Google Imagens

Escrito por Jairo Marques às 07h45

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PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 37, jornalista pela UFMS e pós-graduado em jornalismo social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999. É colunista do caderno "Cotidiano".
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