Jairo Marques

Assim como você

 

Post das meninas (ou não)

Depois de ter sido gentilmente chamado de machista, de "homi ruim" por só colocar mulher bonita neste diário, resolvi mostrar que, sim, eu sou um "minino bão"! Legal  

Peço licença aos meus "brodi", mas esse post é para as meninas (ou para os cabras que, como se diz lá na minha terra, tem o sebo do rim derretido ). Graças ao trabalho da minha cada vez mais parceira Kica de Castro (kicadecastro@gmail.com), trago hoje uma série de ensaios de marmajos da Matrix.

Na real, eu acho que esses caras tinham mesmo de estar por aqui. Onde é que há espaço para que o deficiente mostre que é bonito, bom da boca, "pegador", como qualquer modelo? Aqui, né, não?

Já discuti um bocado com a Kica, que tem uma agência exclusiva para os "malacabados", se não estamos "gramurizando" a Matrix demais.

Chegamos a conclusão que... não! Riso Porque a gente pode mancar, pode andar de jegue, pode ter a cara torta, pode ter a canela seca, mas a gente também tem o direito de ser admirado, desejado.... (ui, tô biba, né?)

Só pra provocar as gurias, lembro que "As Belas da Matrix" fez mais sucesso do que pastel encharcado de óleo vendido na feiraBeijo ... mulher bonita sempre vende mais jornal, né?    Mas o que vocês não me pedem chorando que eu não faço sorrindo? (Admito que eu ainda tô no espírito do Waldick Soriano).

Celestino Luciano, 30, São Paulo (SP)

- Por que que você se acha, heim?

"Eu me acho porque luto pelo que acho justo"

 Avaliação do  : É bonito?

 "Gente fina"

* amputação de membro inferior

Michael Alves, 26, Sorocaba (SP)

Na sua cadeira você é capaz do quê?

"Na minha cadeira eu faço coisas que até Deus dúvida e você não imagina, quer experimentar?" 

Avaliação do : É bonito?

"Coração bom"

* Paraplegia

 Marcos Alves Camilo, 35, Telemaco Borba (PR)

Você se acha por quê?

"Eu me acho porque sou um cara que não se entrega por coisas pequenas nessa vida"

Avaliação do  : É bonito?

"Dizem que não fala mal de ninguém"

* Paraplegia

Eduardo Martins (Dudé), 36, São Paulo (SP)

Com a sua prótese você...?

 "Sou dono do meu próprio destino, faço minha própria história, traço o meu próprio caminho."

Avaliação do   : É bonito?

"Passa uma roupa que é uma beleza"

*Má formação congênita

 Marcelo Pierro Cruz, 27, São Paulo (SP)

Você se acha, né?

"Eu me acho porque procuro conquistar todos os meus objetivos."

Avaliação do : É bonito?

"Oi?"

* Paraplegia

Diego Lucas Madeira, 25, Cricúma (SC)

Ser 'malacado' não quer dizer que...?

"A vida acabou. Quer dizer que ela ficou mais divertida! Ser diferente é massa!"

Avaliação do  : É bonito?

"Apaga a 'luiz, gzuis'!"

* Mielomeningoncele

Chega, né? Bom final de semana pra todo mundo!

Escrito por Jairo Marques às 00h54

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Olhe bem de perto!

Quem ainda não viu nenhuma apresentação da Oficina  dos Menestréis, que entre seus grupos teatrais há um formado só com matrixianos, semana que vem haverá outra "oportunidadchi"!

Na próxima segunda e terça-feira (dias 15 e 16 de dezembro), vai rolar  um espetáculo novo envolvendo a trupe de "malacados", o musical Zoom.

Eu, como sou um "rapaizim astuto", já fui conferir. Piscadela O elenco é um verdadeiro samba do crioulo doido: são 30 pessoas entre cadeirantes, muletantes,  cegos e surdos (na real,  há apenas uma moça surda) e o grupo de vozes que, como diz o Gavião Doendo: "haaaaaaja coração".

O que é garantido? Quem nunca viu uma apresentação dos Menestréis se encanta com toda certeza com um show de movimentos, de luzes, de ritmos, de talentos e de poesia. Outra: é impossível não dar boas gargalhadas.

Pra mim, o Zoom é um olhar bem de perto sobre várias questões cotidianas, entre elas o mundo dos deficientes, "oficorse", mas não apenas isso.

A peça não é tão impactante e emocionante como a "Noturno Cadeirante", que tanto divulguei aqui, né, não? Eu puxo o saco, mas num arranco!

Achei que foram feitas, sem necessidade, algumas repetições de fórmulas de momentos de sucessos de espetáculos passados, de coreografias e de pontos emocionais, por isso, num vou dar nota 10. ("Minino ruim", né? Embaraçado). Mas, sem nenhuma dúvida, vale muito a pena assistir e refletir.

As meninas cegas dão um show à parte. Há diversas gaaaatas Legal e os 75 minutos passam voando. Há momentos da apresentação que você pensa consigo mesmo: "Eu num acrediiiito!"

O que é, heim? Musical Zoom

Quem que fez? Deto Montenegro e Tchello Palma

Mai quando que é? Dias 15 e 16 de dezembro (segunda e terça-feira)

Morre em quanto? R$ 40 (quarenta contos). Estudantes, idosos e quem é da Matrix de quem tem alguma deficiência paga metade, ou seja??? VINTÃO!!! Legal

Mai onde é? No Teatro Dias Gomes, que fica na rua Domingos de Morais, 348, perto da estação Paraíso do Metrô, em São Paulo

E que mais? Ah, sei lá... liga lá 5575-7472 (de segunda a sexta das 10h às 18h)

Escrito por Jairo Marques às 00h07

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Muita calma nesta hora...

Se tem algo que deixa a gente da Matrix de quem tem alguma deficiência com muita "reiva", verde de vontade de virar do avesso, é quando alguém estaciona em vaga reservada, tema que a gente já quebrou muito o pau aqui, né, não? Indeciso

A sensação é mais ou menos aquela de quando o governo anuncia um novo imposto, quando alguém fura a fila no banco em dia de pagamento, quando acaba o papel higiênico na hora da disenteria....

 

Muitos leitores me perguntam, porém, se quando um reles "normal" está assim, como a farofa do churrasco, só acompanhando o "malacabado", ou quando há uma imobilidade temporária da pessoa, se ela pode utilizar a vaga especial.  

 

Sim, pode, sim! E deve, né, não?!

 

Alguns esgualepados são "xikis" e precisam de motoristas (mas hoje a tecnologia já permite até aqueles "mamulengões" Piscadela, com lesões altíssimas, a dirigir viu?). Pode acontecer também de o deficiente estar de carona ou ser "dimenor", etc

 

Um cadeirante, estando ele como condutor ou sendo conduzido (falei bonito, falai?), necessita de mais espaço para manobrar seu cavalo e, logo, da vaga demarcada. Quem quebrou uma perna, vai se deslocar com um pouco mais de dificuldade e também precisa de uma condição especial de estacionamento.

 

Se você estiver numa situação com essa e seu carro não tiver um adesivo indicativo, o ideal é que deixe um bilhete no pára-brisas da "xaranga".

Algo mais ou menos assim: "Óia, eu tô usando a vaga porque tô junto com um malacabado que precisa.... Tô com a perna véia lascada e num to andando direito", e por ai vai.

 

Escrevi tudo isso porque o meu leitor e camarada João Vicente, que tem um blog dos bons, me encaminhou um vídeo, que é um trechinho de um filme, que me fez "xorar" de rir e refletir sobre essas idéias...

 

Vejam e vão entender o porquê o título do post, "Muita calma nesta hora"...

Escrito por Jairo Marques às 00h18

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Coisas do Natal

"Zente", como os próprio Natal tá chegando, vamos entrar no clima, né, não? Diferentemente de outras crianças, eu nunca sentei no colo do Papai Noel (ui). É, mas eu explico, num era medo de assédio por parte do véio barbudo, não.   

Não sei porque raios, mas, "antigantichi", para chegar ao trono do homem do saco vermelho era quase impossível para um cadeirantinho.

Por causa do "gramour", ele ficava em locais altos, cheios de escadas, de árvores, de renas, de presentes! Quando não, os "promoteres" socavam o véio em casinhas que nem ele passava na porta direito.

Outra chance de topar com o Papai Noel era quando ele passava na rua de casa jogando bala de cima de um caminhão. Bem, ai era mais complicado ainda ganhar um colinho. Embaraçado

A molecada, ávida por aqueles doces que provocam cárie só de ver a embalagem, avançavam no véio, no caminhão, nas balas, no saco... e o tio, um molequinho "bãozinho", num conseguia chegar perto, não. Indeciso

Hoje a coisa mudou!!! Numa decoração de Natal que vi num "xopim" neste final de semana, a casa do homem do saco vermelho tinha rampas de acesso, era ampla, num tinha escada e havia muito espaço! Aêêê

Outro sinal dos tempos de que o Natal tá mais inclusivo, foi enviado pelo meu "brodi" e leitor querido Leandro Kdeira. Valeu, Leandrão!!!

Em Barueri, na Grande São Paulo, um empresário montou uma árvore de Natal ornamentada com.... cadeiras de rodas!!

Gente, falaserio.com.br , num é legal demais? E num ficou bonito? Mas o tiozão louco que bolou a idéia, o Ibraim Antonio, foi muito além de fazer um enfeite que chama a atenção.

Ele, que é dono de uma concessionária de veículos, está fazendo uma campanha para doar 300 cadeiras de rodas para os "pessoal" mais "carentichi".

Quem quiser ajudar, tem que abrir o bolso e gastar R$ 153 contos para garantir uma doação. Os contatos são  (011) 4195-0600 / 4195-0505 email: rionegroveiculos@gmail.com

Pra finalizar esse post com gosto de "dingo ou bel", publico a primeira surpresa que os personagens e colaboradores que passaram por aqui neste ano fizeram pra os leitores do Assim Como Você!

  

"Desejo a todas as pessoas que frequentam o blog:

Um feliz natal e que o ano que vem seja um ano que estaremos realizando todas nossas lutas e conquistas!"

Claudinho Castro

* Imagem do Papai Noel: Google Imagens; Fotos da árvore: Jr. Holanda; Foto do Claudinho, arquivo pessoal

Escrito por Jairo Marques às 00h10

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Crônica de uma invasão à Paulista

"Vamo que vamo", meu povo. As férias terminaram e agora esse blog precisa retomar o pique. Como eu engordei muito, tô parecendo aquela hipopotamo do filme Madagascar , talvez a coisa demore um pouco para decolar de novo!

Para dar o "start", então, conto um pouco de como foi a minha participação na passeata do Movimento Superação, no último sábado, na avenida Paulista, em São Paulo.

Como eu sou um "minino intelingentchi", levei uma "dotora", pra me socorrer se eu passasse mal com o calorão, e a dona Cleide, para dar uma empurradinha no meu cavalo em caso de despressurização das minhas forças.

Logo na concentração do evento, aquela festa com cachorro guia de cegos, anões, "minino" chorando, cadeira de roda pra cá, cadeira "elétrica" pra cá, muleta daqui, apitos dali, já senti que o caldo poderia entornar:

"Queria uma camiseta G."

"Xô procurar.... Num serve uma M?"

"Serve, não, tô gordo demais, tem que ser G."

"Cabô a G. Só tem baby look da grande..."

 

E tive de ficar com a.... M, que ficou praticamente uma baby look em mim, né? ...  Mas a moça da organização disse que era minha leitora assídua e fez a filha dela jurar que também leria a partir de hoje, ai eu nem fiquei brabo!

Pô, mas foi bonito demais ver monte de "malacados" reunidos, se esforçando pra não derreter com o calorão, unidos num objetivo único: dominar o mundo.

E havia também uma penca de gente "normal" por ali dizendo que aceitava compartilhar o mundo com esse povo torto e que estava disposta a acabar com a Matrix pra que todos vivam juntos.

"Você é o Jairo do blog? Nossa, dou muita risada com suas histórias, viu?! Suas férias já acabaram, né?"

"Jairo!!!! Olha o que eu trouxe pra você!!" E era um elefante indiano da sorte e uma caixa de "chocolatchi xiqui".

"Jairão, eu vim!!!", me disse contente o rapaz de Sorocaba...

Caraca, me senti o Waldick Soriano com tanto assédio!!!

 

E lá vai "nóis" tudo atrás de um trio-elétrico que tinha um elevador e que suspendeu o Billy, o líder do Movimento, e seus dreadlooks, para o alto.

O duro nem era tocar a cadeira com o sol a pino, o duro era segurar as toneladas de papeizinhos que alguns divulgadores insistiam em nos dar. Beleza, eu pego o jornal, pego o apito, pego o panfleto do CVV , pego a bexiga e quem é que é me empurra?

 Não consegui entender direito, mas uma das bandas que tocariam durante a passeata não pôde se apresentar porque o tio de não sei quem resolveu morrer. Ai os matrixianos e os "normais" tiveram de escutar o Billy mais vezes dizendo: "Vamo lá galeraaaaa!!!"

 

Dando tchauzinho da calçada, tinham vendedores de telefone celular, velhinhas com óculos escuros, seguranças de banco, cachorros e até o Marcelo Rubens Paiva.

Rapidinho chegamos ao vão livre do Masp. Uns disseram que éramos menos do que no ano passado. Vai ver o povo ficou com medo do crise nos "estadusunidos", né?

Mas eu fiquei muito feliz de participar, mesmo tendo ganhado uma mancha vermelha na testa, fruto de um bloqueador solar mal passado.

 

Mostrei que eu quero um mundo mais acessível. Mostrei que eu existo e que não fico dentro de casa, não! Fiquei feliz por um monte de sorriso, um monte de gente unida por um causa que tenho convicção, é justa!

Bem, tenho muita coisa bacana pra compartilhar com vocês nos próximos dias. E obrigado demais por quem pode compartilhar comigo um passinho na Paulista ou uma rodadinha, tanto faz, né?! 

* Fotos de Rapha Bathe, Fabricio Antunes e Renata Lambertini

Escrito por Jairo Marques às 01h28

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PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 37, jornalista pela UFMS e pós-graduado em jornalismo social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999. É colunista do caderno "Cotidiano".
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