Assim como você
Assim como você
 

Xaxau, Felipinho...

Pensei demais, demais para decidir se dividiria isso com todos vocês. Como esse diário virou uma união seja na alegria, seja na tristeza, uma comunidade de gente do bem, conclui que sim.

 

Ademais, quando se apagam as grandes estrelas, todo o universo a rende homenagens diversas. E esse menininho sorridente foi uma grande estrela deste blog!

 

Ele foi o primeiro “hominho cadeirantinho” a desfilar pelado com seu peniquinho verdinho por aqui. Além de dar um sorriso inesquecível de uma alegria de viver que encantou centenas de leitores....

 

 

“Olá Jairo, tudo bem?
 
Estou aqui cheia de saudades. Felipe partiu desse mundo terça-feira, decorrente de uma parada cardiorespiratória por conta de uma pneumonia.

 

Foi tudo muito rápido. Passamos um final de semana maravilhoso em João Pessoa. Ele brincou muito, foi à praia... tudo que gostava.

 

Na segunda à noite, foi internado com uma infecção respiratória leve. Durante a madrugada teve uma crise de asma muito forte, enfim... tô te escrevendo pra te informar.

 

Quero que saibas que você me ajudou muito com suas histórias, com as histórias das pessoas que você nos apresentava em seu blog. Estarei sempre lá, lendo você todos os dias ou pelo menos de segunda a sexta. Porque é um vício ao chegar no trabalho, a primeira coisa a fazer é ler as notícias e o seu blog.


Felipe cumpriu sua missão aqui. Ele foi rápido, mas conseguiu mudar o pensamento de muitas pessoas. Nos mostrou outros valores, nos fez amadurecer demais.
 
Fique com Deus.
 
Xaxau, bjos! Aline Silva”

 

Sem qualquer tipo de sensacionalismo, afirmo a vocês que eu era um grande fã do blog do Felipinho, que acabara de completar cinco aninhos. Aline, a mamãe, descrevia diversos momentos da superação dele diante da mielomeningocele com muito humor, com diversas lições de vida.

 

E o Felipinho era totalmente “Assim como Você” porque era um cadeirantinho que fazia a diferença quando encarava o mundo, quando batalhava para ter uma vida como qualquer criança, quando queria uma cidade, um país mais pleno para todo mundo.

 

Para mim, esse molequinho falante, tão falante que parecia o burrinho do filme Srek, como se dizia em sua família, era ainda mais especial porque acompanhou o meu trabalho desde o primeiro texto.

 

Como você dizia em todos os seus vitoriosos posts, xaxau... xaxau, querido Felipinho... 

 

 

* Imagem do arquivo pessoal de Aline Silva

Escrito por Jairo Marques às 07h38

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Coisas do esporte

Futebol

 

Quando eu digo pra vo6 que esse povo torto da Matrix de quem tem alguma deficiência física está próximo de dominar o mundo ninguém acredita, mas vejam só a “novidadchi” que trago hoje.

 

Sabem quem aderiu à causa da acessibilidade? Um cabra desconhecido, tá certo, mas que, digamos assim, é um símbolo de perfeição... então, é o... Pelé!!!

 

Povo, o Conade (Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência), que fica lá em Brasília, aquela cidade que deu um pau danado nos coments do último post , tá com uma campanha “maraviwonderful” total full.

 

Eles estão chamando atletas de grandes clubes, eu falei grandes, né? Como os do Santooos, êo, êo êo, do Grêmio, do Botafogo, do Fluminense, do Cruzeiro, do Atlético Mineiro, do Villa Nova e do América (os últimos dois também de MG) para apoiarem a revolução para o mundo mais pleno pra todo mundo!

 

E o último a aderir foi justamente o Pelé. Eu acho a idéia “fantásmica” porque o futebol agrega milhares de pessoas e seguidores. Então, se cada vez mais jogadores entrarem no time da acessibilidade, a gente toma conta de tuuudo rapidinho!

 

 

 

O objetivo da campanha é conscientizar todo mundo para eliminar as barreiras de atitude, física, de informação e arquitetônicas que nos empurram a viver num mundo paralelo, né, não?!

 

Os jogadores estão falando do tema ao final das partidas ou usando camisas com o símbolo universal, que nem esse que coloco aqui embaixo. Pô, gostei!

 

 

Fórmula- 1

 

No final de semana vai haver o GP Brasil de Fórmula-1 aqui na city de “Sum Paulo”, né? Para os malacabados que forem até o autódromo, o Serviço de Atendimento Especial, o Atende, da Prefeitura de São Paulo, vai disponibilizar suas vans para esse povo que dá um trabaaaaaalho.

 

 

O lance será assim: as Vans, que são equipadas com elevadores e “quetais”, vão sair de algumas estações de metrô levando os cadeirudos até Interlagos. Para saber quais serão clique aqui e veja os telefones dos postos de atendimento em toda a cidade. Tomara que funcione bem, porque pra outros tipos de atendimento a fila para conseguir uma vaga é quilométrica! O telefone geral de informações é o 0800-155234.

 

Natação, musculação, e outros çãos

 

Gente, a Ana Estela, que já falei algumas vezes aqui, editora de treinamento da Folha e madrinha desse blog porque foi ela quem incentivou demais o tio a escrever esse monte de piada, está "fazendo" uma turna de trainees totalmente “Assim como Você” .

 

Afora o Leózim, que é malacabado, ela botou os meninos no tronco  e eles têm feito uma série de reportagens sobre a Matrix. Uma delas é um serviço inédito sobre academias e esportes para deficientes.

 

Todas as matérias estão abertas para leitura na Folha Online. Porém, gente, o que é mais incrível é que os futuros fazedores de jornal descobriram que há vagas SOBRANDO em academias, de GRATIS, é, assim, sem pagar NADA, para diversas atividades desportivas, exclusivas para deficientes.

 

Quer saber mais? Coloco os links da série primorosa que eles fizeram aqui no final pra todo mundo.  Deixem de preguiça e vamo malha!!!

 

1. Folha Online - Equilíbrio - Paraolimpíada eleva procura, mas sobram vagas para deficientes atletas - 24/10/2008
... modalidades para deficientes. A 700 metros dali, a sede central da AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente) utiliza o esporte como parte do processo de tratamento do ...
http://www1.folha.uol.com.br/fo...io/noticias/ult263u459778.shtml

2. Folha Online - Equilíbrio - Esporte dá a deficiente autonomia, além de força - 24/10/2008
... 24/10/2008 11h34 Esporte dá a deficiente autonomia, além de força da editoria de treinamento da Folha de S.Paulo Após três anos de exercícios de reabilitação,Thiago de Oliveira, 31, ... atleta profissional e até representou o Brasil na Paraolimpíada de Atenas. Mesmo que no primeiro momento o deficiente procure o exercício físico por recreação ou como complemento a ...
http://www1.folha.uol.com.br/fo...io/noticias/ult263u459777.shtml

3. Folha Online - Equilíbrio - Deficientes usam academias improvisadas - 24/10/2008
... estima. O aluno da Bio Ritmo Rafael de França, no entanto, faz um alerta: "A sociedade enxerga o deficiente ou como o coitadinho, que precisa de tudo, ou como o super-herói que ...
http://www1.folha.uol.com.br/fo...io/noticias/ult263u459517.shtml

* Imagens do Google Imagens

Escrito por Jairo Marques às 07h47

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Camisa estampada e calça com elástico

- Oi, eu queria ver umas camisas e umas camisetas. Mas de manga curta, assim, fresquinha pro verão, né? Mas quero só lisas, tá? No máximo com listrinhas.

 

- Magiiiina, vou te mostrar umas com estampas que são a sua caaaara!

 

- Brigado, eu quero lisas, mesmo. Não curto estampa....

 

- Prova essa, vai. Olha que estampa mais linda, mais na moda. Vai te deixar um luxo!

 

- Moço, eu não gosto. Não combina, né?

 

- Claaaaro que combina!!!! Pelo menos veste pra ver o caimento no seu corpo, vai.

 

De tanto aquele infeliz insistir, acabei me rendendo e colocando a encardida camiseta com um daqueles desenhos nas COSTAS que só por gzuis pra saber o que significam.

 

Ai eu perguntei, bem irônico, com aquela cara de vingança, escorrendo baba da boca!!!

 

- Ficou bom? Ficou bonito? Caiu bem?

 

O cidadão, então, se tocou que não adianta querer empurrar camisa estampada pra cadeirante, né? O desenho nas costas não vai aparecer!

 

Mas ele ainda resistiu soltando aquelas pérolas de vendedor:

 

- Ah, mas o que importa é você se sentir bem usando uma roupa, não se vão ver, né?

 

 

Para experimentar camisas, pros “homis esgualepado” não tem muito problema se não couber no provador. Ainda mais para quem é sarado, lavado e bem passado que nem “ingual” o tio.

 

A gente tira a roupa ali no meio da loja mesmo. Agora, e as “minina”? E os peitos de fora?

 

É porque vocês já viram provador acessível? Dono de loja acha que o povo da Matrix “anda” tudo pelado, na certa. Ou que a gente num tem dinheiro pra ir ao “xópim” comprar trapo pra forrar a bunda. Ou ainda que a gente usa aquelas roupas de doente, sacam? Aquelas camisolas de tamanho único?!

 

Bem, mas vamos voltar às compras....

 

- Não quer ver umas calças também? Tão na promoção. Você compra cinco e ganha um par de meias.

 

Tentado pela bagatela, eu encaro experimentar as calças.

 

- Gostei dessas três. Vou no provador ver como ficam, belê? ... Ixi, num cabe a cadeira, não.

 

- Caaaaabe, meniiiino... com jeitinho cabe até um elefante aqui!

 

Claro que não coube, né, povo?! Provadores são minúsculos e cabem, em geral, uma pessoa em pé... no máximo duas, com jeitinho, ui! Quem é tetra e precisa de se trocar com ajuda, então, totalmente impossível. Cadeira “elétrica”? Nem por decreto!

 

 

 Mas, fazendo um aparte , até os meus 15, 16 anos eu só usava calça de elástico na cintura e que fosse feita de tecidos fininhos. Culpa de quem????

 

Éééééeé... minha mãe dizia que calças jeans iam apertar demais a minha cintura e que o tecido ia esquentar muito as minhas perninhas, os meus cambitos. ... Ai, ai, como criança sofre, né? Mas, voltando à loja.

 

- Não rola, não, viu?! Eu não posso ir experimentar no banheiro ali de fora da loja?

 

- Não costumamos adotar esse procedimento, viu? Mas vou falar com o gerente pra ver se ele abre uma exceção.

 

- Puxa, muito agradecido, viu? Quer que eu fique de joelhos?

 

E lá fomos eu e o vendedor, desses franguinhos, sabem? É, franguinho magrinho, com o cabelo “arrupiado”, usando roupas totalmente IN, jeitão “descolado”.

 

Eu achando que ia entrar no banheiro sozinho, né, pô? Mas o cara entrou junto pra me “auxiliar”. Naquele momento em temi pela minha virgindade.

 

Depois de uns quiiiinze minutinhos, é porque é uma missão enfiar uma calça jeans num “malacabado”, experimentei três, mas gostei só de uma.

 

-Ahhhh, mas você tem que olhar direito essa aqui. Esse detalhe no bolso é muito lindo. Olha esse zíper. Olha esse corte... Vai ficar lindo demais no seu corpo.

 

- Moço, o bolso não aparece. Eu fico sentado o dia inteiro encima da bunda, né?

 

- É... verdadchi! Mas o que importa é tá na moda!!!!

 

 

Roupas e deficientes, sobretudo os cadeirantes, rendem vários posts. Imaginem o sacrifício de botar um terno? O paletó fica enroscando nas rodas, o tecido é muito molinho e fica dançando no corpo a cada vez que a gente se movimenta, a gravata fica sempre no meio das pernas. Óia, é um trem (aêêê Minas!!!)

 

Para as “malacabadas”, usar vestido é um capítulo à parte!!! Alguém pode contar melhor lá nos coments???

 

Em tempo: Cada vez mais os deficientes estão tendo poder de compra. Eu, por exemplo, tô com uma nota de dois contos na carteira agora! . É importante que seja garantido o nosso direito de entrar nas lojas, experimentar as roupas como qualquer pessoa.

 

Quando o local não tem um provador acessível ou quando o vendedor nos trata como um doente ou como um cliente que não tem suas especificidades, ele está perdendo dinheiro. E para ter uma loja “universal” nem é preciso muita coisa, sobretudo as que funcionam dentro de shoppings. Um local um pouco mais ampliando para experimentar as roupas, ajuda um bocado!

 

* Imagens do Google Imagens

Escrito por Jairo Marques às 22h37

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A vingança do labrador

“Zimininos”, eu adoro cachorro. Não sei se isso acontece com outros “malacabados” desse mundão, mas meus cachorros sempre adoram ficar embaixo da minha cadeira, como se tivessem de guarda, à minha disposição.

 

Faz três anos, depois de ler e ouvir que labradores são cães de companhia, dóceis e amigos, comprei um _ o Nero_ e dei de presente pra minha mãe. Óia, gente, o bicho tem parte com o demo.

 

Agora ele está um pouco mais calmo, mas, nos primeiros dois anos, ele comia os móveis da casa, as roupas, as paredes... Mas, não dá pra deixar de achá-lo um queridão.

 

Os labradores, quando treinados, se transformam em um “instrumento” que pode mudar muito a vida de quem tem deficiência visual, se transformam em cães-guia. Escrevi um texto lááááá atrás sobre isso. Quem quiser, pode ler aqui.

 

O processo de educar um cachorro e fazê-lo um cão-guia é bem caro e demorado. Então, se vocês tiverem oportunidade de ajudar um cego que esteja arrecadando fundos, de forma legítima, para ter um desses companheiros, vai estar fazendo uma grande ação!

 

Hoje, coloco um videozinho bem “curtim”, que divulga o trabalho de uma associação de cegos, lá dos "Estadosunidos", que auxilia na conquista dos cães-guias. Vale demais a pena a ver e dar boas risadas..

 

 

As únicas frases em inglês são: "Escola de cão-guia", na fachada de um prédio e "Dê uma chance a um cachorrinho para se tornar um cão guia", no final.

 

Escrito por Jairo Marques às 07h57

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Bela, Poderosa e da Matrix

“Pessoais”, quero informar todo mundo que o povo da Matrix  já começou o processo de dominar o mundo . Nas últimas eleições, um monte de gente cadeiruda, sem perna, sem braço, mamulenga, que não vê, que não ouve, mas é exatamente “Assim como Você” ganhou de lavada nas urnas!

 

Dois repórteres que vivem sob a minha chibata , a Sílvia Freire e José Eduardo Rondon, fizeram um levantamento, publicado na Folha faz duas semanas (para ler, clique aqui, mas só rola pra assinantes do jornal e do Uol), mostrando que as Câmaras Municipais de diversos pontos do país vão ter de entrar em obras para receber os futuros vereadores “malacabos” (pessoa com deficiência, pra ficar mais bonito).

 

Na reportagem, vocês poderão conhecer também um pouco sobre os matrixianos que foram eleitos e irão tentar ajudar a tornar o mundo, ou pelo menos suas respectivas cidades , num lugar mais pleno e acessível para todos.

 

Mas, honrando o meu compromisso de ser um “minino bão”, trago hoje, fechando a semana, a bela, a poderosa e a matrixiana Mara Gabrilli, que não foi só eleita aqui em São Paulo, como foi a mulher mais votada para vereadora, em termos absolutos, em todo o Brasil sil sil!!!

 

Para conhecer sobre a história da Mara, que é tetraplégica (daquelas que dá um trabaaaalho ), clique aqui. (Vale muito a pena ver!)

 

Bati um papo com a vereadora como se tivéssemos num boteco no décimo quinto chope  .  Ela tem uma alegria na voz que pouca gente tem. Ela tem charme, tem compromisso, tem leveza e não me “vendeu” nenhuma demagogia, muito pelo contrário, me passou confiança.

 

Atendendo ao pedido de vários leitores, leiam a conversa que tive com ela. Os gracejos entre parênteses, em itálico, são do tio.

 

 

 

Blog - Você passou algum aperto durante a campanha, alguma situação que pensou: “Ai, ‘gzuis’, como eu faço agora com essa escadaria, com essa calçada esburada?”

 

Mara Gabrilli - Vivi uma cena inesquecível no Tatuapé (Zona Leste de São Paulo, a ZL). Fiz um panfleto incentivando as lojas menores a terem acessibilidade para ganharem um grande público que também quer e pode comprar. Então, eu estava fazendo campanha em uma rua do bairro e parei na porta de uma pequena loja que tinha um degrau muito grande e eu não conseguia entrar. Logo, entrou uma pessoa que tava comigo e entregou o panfleto para a gerente.

 

Ela ficou muito irritada! Começou a xingar e falar: “Acessibilidade? Que acessibilidade? Tem assuntos tão mais importantes. Eu tenho um monte de coisas pra fazer. Acha que tenho tempo pra isso?”. E eu lá na porta, vendo a mulher totalmente descompensada, gritei assim: “Escuta, ninguém da sua família é idoso? Você não conhece nenhum cadeirante? Você acha que isso é um mundo tão distante do seu?” (óia a Matrix, 'zente')

 

Ai ela se deu conta que eu estava ali. Colocou a mão no rosto, começou a tremer e a gritar pedindo desculpas dizendo que ela tinha um sobrinho cadeirante, que não havia entendido a intenção do panfleto, que estava nervosa... (acho que a Mara deve ter ganhado o voto da mulé e da família toda, né, não?)

 

 

 

Blog – O equivalente a uma cidade toda, cerca de 80 mil pessoas, te carregou nos braços, quase literalmente, para o poder. A que você atribui isso?

 

Mara – Aiiii, Jairo. O que eu noto que acontece é que muita gente que eu nem conhecia pegava meu material e saia fazendo campanha. Acho que passo algo para as pessoas que elas gostam. O fato de eu ser uma cadeirante que não se mexe do pescoço pra baixo e me dedicar a uma causa que a gente sabe o quanto importante ela é, a acessibilidade, me favorece. Quem votou em mim sabe que eu realmente faço o que me proponho. Sabe que a minha própria situação me impulsiona a ajudar as outras pessoas que estão na mesma situação. Muitas vezes, as pessoas se sentem fortes trabalhando também por essa causa. É aquele efeito de jogar a pedrinha na água, que vai formando ondinhas, ondinhas.

 

Blog – O que um vereador deficiente pode influenciar na conquista de uma cidade mais acessível?

 

Mara – Ele tem conhecimento de causa, tem uma contribuição importantíssima para dar. Muita gente tem boa vontade para fazer, mas não conhece. Uma pessoa que vive a deficiência na pele tem legitimidade para fazer. Tudo com relação a quem tem deficiência ou não é de acordo com a postura que a pessoa tem diante da vida. Nunca fui do tipo que só reclama. Tenho a compreensão e a tolerância em saber que, infelizmente, a nossa cidade não foi planejada pensando em universalidade, tenho a urgência de saber do que tem de ser feito, mas também penso em como fazer, como conseguir fazer. Realizo muitas palestras para divulgar como promover a acessibilidade, como derrubar barreiras de atitudes e levar informação para as pessoas.

 

Blog – E o que o povo da Matrix pode esperar de você pros próximos quatro anos e quais serão as suas grandes batalhas?

 

Mara – Uma grande batalha, que comecei no primeiro mandato (ela é reeleita), é a calçada. As calçadas de São Paulo, onde já existe uma lei (dela ‘mema’) que obriga a prefeitura a fazer acessos em rotas estratégicas por toda a cidade, agora, o próximo passo, é incentivar isso para outros locais, chegar nos bairros, nos lugares mais distantes. Não adianta ter um ônibus com acesso se as pessoas não conseguem sair de casa por causa dos buracos. Falando nisso, estou com um projeto de lei que vai obrigar os ônibus a ter aviso sonoro dentro e fora, o que poderá dar mais autonomia pros deficientes visuais. Preciso que as pessoas me tragam suas demandas, mas eu vou trabalhar para todos, não só para o deficiente.

 

 

 

Blog - A imagem do deficiente, às vezes, está ligada a falta de capacidade intelectual, de dificuldades para fazer qualquer coisa, de desconfiança sobre as habilidades. No seu caso, sua imagem passa algo totalmente contrário, não é?

 

Mara – Aiiiii, tomara, Jairo! Percebo que não adianta entrar nessa viagem de inclusão se a gente não for inclusivo com a gente mesmo. É preciso ter autenticidade para incluir o outro. Tenho o sentimento de inclusão.

 

 

Blog – Independentemente de quem for o prefeito eleito no domingo, qual é a sua expectativa em relação a ele e os temas que envolvam a causa da deficiência?

 

Mara – A minha expectativa, tanto pensando na inclusão quanto pensando na acessibilidade ou no desenho universal, é que isso tudo esteja na agenda da cidade. Não adianta fazer programas que incluam, se não houver divulgação por parte da Secretaria da Comunicação. Não adianta colocar 3.000 ônibus acessíveis se na periferia as pessoas não sabem que ele existe e não saem de casa por falta de informação. É preciso colocar a causa na agenda da cidade em todas as dimensões, secretárias, técnicos, subprefeitos, secretários, a funcionária que serve o cafezinho e o próprio prefeito.  

 

* Imagens de divulgação

Escrito por Jairo Marques às 06h42

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E lá vêm as cartas...

 Como vocês sabem, não respondi a nenhum dos comentários de um post meio “sangue nos zóio” que escrevi na semana passada.

 

Os motivos foram diversos: não queria passar a impressão de estar fazendo manhã para ganhar um abraço de vocês, não queria aumentar o xororô ou ser apelativo e também porque aquela não é a tônica que norteia esse trabalho, esse ponto de encontro, né, não?

 

O que guia mesmo este diário são textos “dilícias” como esse que recebi da minha querida amiga Fabiana Fares, que me lê todo dia, de verdade , desde o primeiro dia.

 

Nem vou gastar muito o tempo de vocês e viagem nas palavras da Fabi, que valem como um gostoso afago para todos que aparecem aqui no blog. Boa leitura!

   

Eu tenho um amigo Assim Como Você

 

É, isso é a mais pura verdade...

 

Eu tenho um AMIGO Assim Como Você. E esse amigo apareceu onde? Adivinha???? Aqui no Blog do Jairo, lógico.

 

Não, eu não sou da Matrix. Aqui em mim tudo, teoricamente, funciona nos padrões ditos “normais”. Com exceção do ouvido direito, que é fechado por conta de um defeitinho da fábrica. Não tenho o conduto auditivo do ouvido direito.

 

 

Minha orelha é “fechada”, o que me dá um décit de 30% da audição desse lado. O resultado é que, se você e eu formos caminhar e conversar, vou pedir para você ficar do meu lado esquerdo – assim te escuto melhor... Mas se eu não disser isso, ninguém descobre.

 

Mas, voltando ao tema... Conheci meu amigo Assim Como Você logo no primeiro dia, na estréia do Blog do Jairo. Tinha chamada na capa da Folha Online, o nome do Blog me chamou atenção, o primeiro texto e a proposta do Jairo me encantaram. Foi assim que conheci meu amigo.

No começo, eu mais escutava do que falava com ele... Afinal, essas coisas da Matrix eram novidades para mim. Ver o mundo sob nova ótica, do ângulo de uma cadeira de rodas, ou através das mãos, dos ouvidos...

 

Ele ia me contando coisas, “causos”, passagens da vida dele... E isso foi nos aproximando. Eu comecei a me sentir próxima dele. Comecei a imaginar como seria a vida, o dia-a-dia dele montado no seu cavalo... Até que comecei a falar também, e até a contar segredos da minha vida para ele.

 

 

 

Ele também me apresentou muita gente Assim Como Você. Uma galera bacana da Matrix, com suas histórias, suas vitórias, suas conquistas e dificuldades. Gente que eu ainda quero conhecer pessoalmente.

 

Hoje, pode até ser que ele seja mais meu amigo do que eu amiga dele. Mas isso não tem importância para mim. O importante é que eu gosto pra caramba desse meu amigo “malacabado”.

 

Ele me faz rolar de rir com suas histórias. Me faz chorar com os achados que encontra e me apresenta. Me mostra, a cada dia, que a vida é muito mais do que simplesmente trabalhar, ganhar dinheiro, fazer o jantar, dar banho nas crianças, correr atrás do tempo...

 

Ele me mostra que a vida tem um valor imenso, que é para ser vivida com todas as forças, de todas as maneiras, com toda a intensidade possível, INDEPENDENTE das condições que você tem para isso.

 

 

Será que vocês têm um amigo assim, tão bom, uma amizade que te trás tantas coisas boas?

 

...

 

Acho que sim. Mesmo que você nunca tenha se dado conta.

 

Você tem um amigo Assim Como Você. E esse SEU amigo é o mesmo que o MEU amigo. É o Jairo. Uma pessoa linda, incrivewondefull, que eu conheci, pessoalmente, durante a Bienal do Livro, onde trabalhei. Enchi tanto a paciência dele para ir – e eu poder conhecê-lo pessoalmente – que ele acabou indo para eu parar de torrar a paciência dele...

 

O Jairo dispensa apresentações, né? Afinal, esse blog é dele!

Obrigada, Jairo, por cada lição de vida que nos dá.

Beijinhos

 

* Imagens do Google Imagens

Escrito por Jairo Marques às 08h15

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O Youtube dos cegos

Povo, olha que “novidadchi” mais “bacanuda” . Acaba de ser lançado na rede o Blindtube, uma página de vídeos de entretenimento que são totalmente acessíveis para deficientes visuais, auditivos e também “praqueles” “mamulengos” que têm “dificulidade” de mexer com o mouse!

 

 

O portal , que tem apoio da Lavoro Produções, da Audiodescrição e da Educs, apresenta, semelhante ao tradicional Youtube, gravações diversas como filmes, entrevistas, colunas e diversão!

 

Todo o conteúdo tem narração para cegos, legendas caption e pode ser manuseado sem o auxílio do mouse. Assim, quem não vê consegue entender o que está se passando na tela, quem não ouve pode ler o conteúdo e quem tem restrição de movimento com as mãos, navega só com o teclado

 

Num é “Maraviwonderful”? Para acessar o conteúdo, basta clicar no bozo

 


 

Banheiro de balada

 

A minha leitora Carina Silva, de Salvador, mandou essa dica que achei sensacional. Agora, nas “própria” balada forte, já é possível encontrar banheiros exclusivos pros malacabos!

 

“Jairo, há alguns dias fui ao Sauípe Folia). É uma festa num complexo hoteleiro, o Costa do Sauípe, aqui na Bahia e pra minha surpresa encontrei banheiro químico acessível. Não sei se é novidade pra você, mas aqui em Salvador nem no Carnaval havia visto um igual.”

 

Isso até me animou em ir rasgara a fantasia no ano que vem em algum carnaval de rua por ai, o que vocês acham?

 

 

 

O banheiro químico acessível é mais largo, para caber a cadeira (mesmo assim é meio espremido, né, não?! ) e tem o símbolo do deficiente na porta.

 

 

 

Mas, óia, “zente”, pra ser realmente útil pra quem é “esgualepado”, é fundamental que ele seja EXCLUSIVO! Como muitos cadeirantes usam sonda pra poder.... mija... ficamos muito expostos à contaminação.

 

Então, o ideal é que, os “normais”, mesmo os bem limpinhos  não utilizem, sob qualquer hipótese, fechô?

Escrito por Jairo Marques às 07h44

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Me dá uma carona porque táxi é broca

“Pessoais”, eu tenho certeza que a nota de cinco contos que tenho na minha carteira agora (sim, porque eu gosto de “andar” com muito dinheiro, né? ) é a “mema”, “ingualzinha”, aquela que você tem nos cofres ai da sua goma.

 

É “ingual”, dinheiro é tudo “ingual”, mas, para alguns taxistas do Brasil, não é bem assim, não! O dinheiro da gente da Matrix, às vezes, num vale naaaaada pra esses atropela cachorro!

 

Num tão entendendo? Eu explico.. eu explico porque sou um “minino bão” e cortei o cabelo... Tô mais bonito do que frango de padaria.

 

Taxistas, não falo de uma regra, mas falo de muuuitos casos, não curtem muito transportar cadeirantes. O cara quando pára o carro, o que já é uma vitória, te mede de cima a baixo e dos lados e sempre solta frases assim:

 

“Ih, ‘rapai’, o bagageiro tem ‘gaize. Coloquei pra economizá’, ó. Num cabe a sua cadeirinha”

 

“Olha, eu tô fechado já. Tô indo buscar um cliente lá na zona lost”

 

“Num é táxi, não. É um carro normal que tá ido pra festa à fantasia”

 

Aí, a gente que é bobo, porque a gente estudou pouco (no ‘causo’ eu, né?),  insiste:

 

“Eu desmonto a cadeira. Fica pequenininha e o senhor coloca no banco de trás. Vamaê, tiozão?”

 

 

 

Nesse momento o taxista já começa a morder os beiços, certamente pensando em coisas absurdas do tipo: “Ah, se eu atropelo ele, ele num vai andar nunca mais” 

 

“Xuja os banco, viu, rapai. O carro é novo, sabe como é, né?”

 

Eu já andei, ou pelo menos tentei andar, um bocado de táxi. E é sempre uma maravilha. Quando o cara te “aceita”, assim, como se tivesse fazendo uma caridade, uma boa ação para ir pro céu, ele liga o taxímetro quando a gente ainda tá dando com mão na rua.

 

E o “comedor de dinheiro” só desliga depois que a cadeira já está devidamente montada ou o cavalo selado, como preferirem.

 

 

 

Quando a gente chama radio-táxi nunca é rápido porque é uma disputa ao contrário. Uma disputa pra ver quem se livra da corrida do “malacado” primeiro.

 

Eu precisava muito de táxi quando eu viajava pelo o jornal, a trabalho. Ai, a gente tem mesmo é que passar óleo de peroba na cara e encarar uma recusa, duas... fazer cara de Maria Madalena até conseguir que alguém cumpra seu oficio de prestação de serviço e “aceite” te levar.

 

Quando eu tava na “Zoropa”, vivi uma situação muito incrível em relação a táxi. Eu visitava o sul da Espanha, uma cidade linda demais da conta chamada Granada. O programa da noite era ver um show de flamenco em um das “cuevas” da city.

 

 

 

E lá fui eu, todo pimpão, pra ver as “mina” com aqueles olhares de “me pega, meu bem”, saracuteando no tablado. “Dilícia” total. Mas, eis que chego ao local e o dono do estabelecimento diz que antes do espetáculo, todos tinham que, por tradição, apreciar a vista noturna do Castelo de Alhambra.

 

Mas, povo, pra chegar ao lugar de onde se olhava o castelo, era preciso cruzar uma espécie de morro, cheio de “escaleras”. “Impossivi” pra um cadeirante.

 

“Sin mirar Alhambra no se puede ver el espetáculo”, dizia o espanhol com traços árabes.

 

Bem, sabe como ele resolveu? Chamou um táxi, totalmente adaptado, que a gente entra com a cadeira e tudo! E o taxista rodeou o morro e me levou até aquela inesquecível vista.

 

 

 

Detalhe: a corrida ficou mais cara que a entrada do show, mas o taxista disse que o valor já estava pago pela casa de flamenco... Pô, me senti tão “serumano”. Pra compensar tanta generosidade, tive que me afundar nas sangrias, né?

 

Em tempo: Um táxi é um serviço público, “ingual que nem” um bumba, o metrô. O taxista não pode recusar uma corrida seja para um cadeirante, um idoso, um obeso. Ele que se vire pra ajudar . A concessão do serviço pertence à prefeitura dos municípios. O taxímetro tem que ser ligado na hora que o carro for partir e ser desligado quando o carro chegar ao destino final. Caso você se sinta prejudicado, ligue nos órgãos de fiscalização (os números estão no próprio táxi) e reclame!

 

Há três semanas, peguei um motorista muito camarada que me disse que essa realidade está mudando. Que os atuais taxistas estão com muito mais consciência social. Fiquei feliz com isso! Ah, também não posso deixar de dizer que sou “brodi” de todos os taxistas que servem a Folha e já me carregaram pra todo lado!

 

 

Em tempo, Elvis não morreu: Se você for dar carona para um cadeirante, tenha em mente que a boa parte das cadeiras desmontam e, com jeitinho, cabem até em porta-malas de fusca . O “malacabado” tem domínio sobre seu veículo e irá desmontar a cadeira sozinho.Se ele não conseguir, irá te ensinar como fazer.

 

É importante você não ficar cercando o cadeirante igual galinha choca no ninho . Deixe ele entrar no carro sozinho, deixe ele desmontar a cadeira. Se ele precisar de ajudar, irá te falar. Pergunte ao “serumano” ser ele sabe a melhor forma de acomodar a cadeira no bagageiro. Se não couber, coloque no banco traseiro. “Nóis” é trabalhoso, mas “nóis” é limpinho. Dá pra acondicionar o “cavalo” sem sujar nada!

 

Só ofereça carona se você tiver alguma paciência.Caso contrário, a gente tenta parar um táxi, mesmo.

 

* Imagens: Blog Mão na Roda, do meu "brodi" Eduardo Camara, e google imagens

Escrito por Jairo Marques às 07h43

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As belas da Matrix

Vamo que vamo, né, “Zente”? Para começar bem a semana hoje eu vou fazer a festa da rapaziada . Trago pra vocês um monte de mulher bonita, de diversas partes do país, todas matrixianas.

 

A vaidade é algo que pode ficar meio “baquiado” quando a gente se torna “malacabado”. Isso porque a gente pensa que vão nos olhar torno, que até pentear os cabelos vai ser complicado, que a cadeira irá enfeiar as curvas, as retas e os becos da gente: Aquelas de “óh vida, óh céus”.

 

Mas isso tem mudado muito a cada dia. A beleza se sobressai a qualquer adversidade quando a gente acredita que irradiar felicidade, irradiar simpatia, irradiar sedução é algo muuuito além de estar sentado ou em pé! Leiam o que elas dizem sobre "O que é ser bonita"?!

 

Hoje, eu trago a primeira série das belas da Matrix (vou dividir as fotos em algumas séries porque eu num sou bobo, né? Dá audiência ).

 

Será a gente faz um concurso da cadeirante mais “maraviwonderful”?  Todas as garotas entraram ou estão entrando para o casting da Kica de Castro (kicadecastro@gmail.com), depois da divulgação da agência dela aqui no blog. ÓÓÓÓÓIA!!!!

 

 

 

Fernanda Willeman de Souza, 16, de Mato Grosso do Sul (óia, do meu Estado!  ). Paraplégica

 

“Ser bonita pra mim é se aceitar do jeito que é. Ser bonita, é, acima de tudo, ser feliz, porque a felicidade faz a diferença na vida e na beleza”

 

 

Letícia Luca Ferreira, 26, de Minas Gerais. Paraplégica

 

“Ser bonita para mim é saber que um sorriso tem poder de transformação maior do que imaginamos. Se não há beleza no coração a vida não tem graça”

Carina Queiroz Gomes da Silva, 29, da Bahia. Paraplégica

 

“Ser bonita é estar de bem com a vida. É saber aceitar o corpo do jeito que é e entender que mesmo numa cadeira de rodas posso ser uma mulher bonita, uma mulher sensual”

 

Caroline Krieger, 31, de Santa Catarina. Tetraplégica

“Ser bonita não é só ter um rosto e um corpo belos. A verdadeira beleza é aquela que com o tempo não acaba".

Caroline Marques Paiva, 27, de São Paulo. Paraplégica.

 

“As pessoas podem ser bonitas apenas pelos seu jeito de ser, pela sua educação, pelo seu carisma”

 

Mari Sabel, 36, Santa Catarina. Tetraplégica

 

“Uma pessoa bonita é, acima de tudo, alguém que se aceita como é, acima de qualquer problema físico ou dos padrões de beleza impostos. Ser bonita é se sentir sexy, atraente, admirada. As pessoas mais belas são aquelas que transparecem auto-estima e honestidade consigo mesmas”

Marina Cardoso Anchises, 19, de Brasília. Paralisia Cerebral

 

“Ser bonita para mim é estar de bem com a vida, ter muitos amigos, fazer as coisas que eu gosto, estar apaixonada, ter uma família, ser feliz

Camila Mancini, 19, de São Paulo. Paralisia Cerebral,

 

“Ser bonita não é só um rosto, um peito e uma bunda, mas principalmente uma alma. A beleza da mulher está nas qualidades, no caráter e sua personalidade”

 

* Fotos do arquivo pessoal das modelos com montagem de Kica de Castro

 

Escrito por Jairo Marques às 22h50

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Sem graça

 

Se você veio aqui hoje atrás de um texto emotivo ou engraçado, sugiro que dê meia volta na página para não perder seu tempo. É que hoje eu tô puto (dane-se se não pode usar essa palavra, é como eu me sinto e isso aqui, acima de qualquer coisa, é um diário).

 

Sabe pessoal, certamente esse desabafo (não pretendo tomar muito tempo de quem se aventurar e tiver saco de ler), é uma recaída. É um desbotado na maquilagem do Bozo.

 

Ontem, voltando do trabalho para casa, fui observando ao longo de uma das principais avenidas aqui de São Paulo, a Rebouças, que estão reformando todas as calçadas, padronizando tudo, colocando rampas que não nos derrubam da cadeira.

 

Mas daí eu pensei no tempo que isso demorou...décadas. E pensei em quantas pessoas não saíram de suas casas por causa de um buraco, por causa de uma guia não rebaixada. Não estudaram, não foram para a balada, não viveram.

 

Pensei que foi preciso juntar gente na avenida paulista dizendo que são seres humanos e que, até consertarem os passeios, vai-se mesmo é andar no meio da rua porque o poder público é ineficiente para garantir um direito básico que é o de transitar livremente seja para onde e como for.

 

Pensei que para a calçada bonita e ajeitadinha chegue aos bairros mais distantes, chegue à periferia, talvez demore mais alguns ... séculos.

 

Queria que, em alguns momentos, pelo menos alguns, as coisas fossem menos complicadas. Queria não ter de ficar propagando, de forma “criativa”, que há uma massa de milhões de pessoas ofuscadas da vida, num mundo paralelo, porque muita gente não está afim de pensar que elas existem e muito menos de fazer com que elas possam existir.

 

No meio do meu trajeto, paro no fatídico supermercado de sempre onde a mocinha da guarita, a de sempre, nunca entende, como sempre, que preciso que um segurança retire a cadeira de rodas do porta-malas do carro.

 

Paro na vaga reservada e, também como sempre, e fico esperando por um longo tempo que um dos vários seguranças entendam que não estou com o pisca alerta ligado porque estou treinando para o Carnaval.

 

E nesse ínterim, vejo o escárnio das pessoas parando sem nenhuma necessidade em vagas que estão devidamente marcadas com um símbolo imenso no chão, nas placas. E são diversas as pessoas: Uma senhora sarada com a filha adolescente, um playboy, um taxista, um senhor que tem cara de gerente de qualquer coisa...

 

Nessa espera, que como sempre não resulta em êxito porque sempre preciso pedir para que alguém que está passando por perto me ajude, foi me dando um nó na garganta. Um certo desconsolo, uma desesperança.

 

Não consigo aceitar que aqueles seres que pararam nas vagas não saibam que existam pessoas com deficiência que precisam daquele “luxo” de botar seus carros num lugar de mais fácil acesso. Acho que elas sabem sim. Fazem isso, porque um deficiente supostamente não faz compras, né? Ele tá hospital, tá em casa jogando dominó, tá num abrigo de assistência social.

 

Senti que minha bateria do otimismo deu uma bela descarregada. Pensei em quantas pessoas, de fato, eu expor diariamente a minha e outras dezenas de história, podem “conscientizar”, podem virar um aliado para a inclusão.

 

Pensei em quantas vezes vou ter que descobrir histórias EXTRAORDINÁRIAS para que a Folha Online, o Uol nos reserve um cantinho camarada em suas páginas principais e, assim,  “atrair” mais leitores a ingressarem num mundo chamado “Assim como Você”.

 

Será que estou no caminho certo? Será que não estou transformando um tema duro em um exotismo? Sei lá...sei lá. 

 

O ápice dessa minha angustia, que sei que é temporária, mas não acho legítimo não dividi-la com quem se dá ao trabalho de visitar o blog todo dia, foi chegando em casa.

 

Vi na minha caixa de email que foi firmado ontem um acordo extra-judicial entre o Ministério Público e os bancos em que as instituições financeiras se COMPROMETEM a tornar suas agências plenamente acessíveis dentro de UM ANO.

 

Me diga, qual a graça de ter de haver um compromisso legal para que os bancos garantam o meu direito de usar o MEU dinheiro que ganho trabalhando igual a todo mundo? Ou mesmo para eu conseguir chegar a um caixa para poder pagar os meus IMPOSTOS?

 

Enfim, em batalhas há altos e há baixos. Ontem, me senti atingido, caros leitores. Me senti angustiado pelas coisas não serem mais simples e mais lógicas. Quem vai à luta, leva soco na cara, na barriga, na linha da cintura.... cai... levanta... cai... levanta.

 

Sou e procuro sempre ser compromissado com meus ideais. Mas isso não é característica de todos: o compromisso. E vamos que vamos...

 

Me desculpem pelo xororô. No findi tomo umas pingas e tudo passa. Até uva passa, não é?

 

Bom final de semana.

Escrito por Jairo Marques às 07h31

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Um pouco de arte

Lá no comecinho do blog eu falei sobre dançar. E acho sensacional como alguns malacabados se dedicam a essa arte de forma tão intensa. E eu não acho algo "exótico", acho realmente bonito, emocionante. Não conheço os bailarinos dessa apresentação: Viviane Macedo e Luiz Claudio, mas sem dúvida esses dois balançam a Matrix.

Se eu fizer a metade desses movimentos no meu cavalo, amanhã eu fecho o blog por estar todo entrevado... 

Escrito por Jairo Marques às 08h05

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Aos Mestres...

Seguindo a dica da Adriana, de Goiânia, hoje trago um post em homenagem aos professores que tive e que marcaram a minha vida de “minino bão”.

 

E foram muitos os “empurrões” que recebi durante a trajetória de estudante: da tia Olga, da tia Olguinha, do Paulão, do Pagá, do Jorge e de diversos outros professores. Mas, um deles, em especial, se tornou meu amigo para a vida toda, o professor Mauro.

 

Mauro é um daqueles jornalistas que faz a gente ter orgulho da profissão. Me ensinou muito, me chacoalhou, me formou. Mesmo depois de eu deixar a faculdade, não perdemos contato e continuamos “tomando remédio” para os rins  , como ele mesmo diz, sempre que é possível.

 

Nossa amizade culminou com um encontro bem emocionante em Lisboa, em Portugal. Mas isso é história para outro post. Bem, mas, como é Dia do Professor, nada mais justo que.... o Mauro escreva um texto.

 

Pedi a ele pra traçar algumas linhas sobre o que foi ser professor de um cadeirante. E ele deitou essas palavras que acabaram virando uma homenagem a mim mesmo.   Porém, como sempre digo a ele e outros professores que encontro, o meu “sucesso” é apenas um reflexo do trabalho deles mesmos.

 

 

 Eu e meu amigo Mauro atravessando o rio Tejo, em Lisboa. Xiqui, né?

 

 

UM REPÓRTER EM SALA DE AULA

O céu estrelado daquela noite não amenizava o forte calor que abafava o campus da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul).


Era o ano de 1996 e, depois de mais uma aula de Redação Jornalística, já na rua, fui alcançado pelo mais inquieto dos dois cadeirantes do curso de Jornalismo, que estava ansioso para falar comigo.

 

Não parecia ser apenas mais uma das estimulantes conversas de corredor, que ele e seus colegas de turma costumavam provocar. E não era. Havia algo mais pairando naquele ar sufocante: os olhos de Jairo Marques brilhavam, denunciando o irrefreável desejo de uma grande decisão a ser tomada.


”Decidi ser repórter”, anunciou, com entusiasmo. “O que você acha?” Busquei refúgio em alguma estrela, respirei fundo e respondi:

 

“Se você tiver consciência que vai se deparar com dois grandes obstáculos, um de ordem física e outro, talvez pior, o do preconceito, e ainda assim prevalecer a vontade de ser repórter, siga em frente.”

 

 A manifestação imediata, sem titubear, da disposição para enfrentar as precárias condições de acessibilidade do Brasil, as primeiras e improvisadas rampas da cidade universitária, em Campo Grande, se devem à batalha do Jairo _uma das tantas que empreendeu na sua passagem por lá_ e encarar posturas discriminatórias tão refratárias no país, reafirmavam sua alma jornalística.

 

 

Com os amigos "portugas"

 

Na verdade, ele sempre foi repórter. No primeiro ano do curso, essa vocação sobressaía no jornal mural “El Paredón”. E sua participação em sala de aula sempre era marcada pelo olhar ferino, pelo tom crítico e pela visão aguçada de quem tem os atributos essenciais para o exercício profissional.

 

Alguns anos mais  tarde, como um destino quase natural, aportaria nas páginas da Folha de S.Paulo, produzindo desafiadoras matérias investigativas, como a da prostituição infantil em Manaus.

 

Esteja onde estiver, dentro ou fora da redação, no ônibus, no táxi ou na mesa de um bar _ depois de superar as habituais dificuldades de acesso _, Jairo é, antes de tudo, um repórter. Um grande repórter. Para orgulho dos colegas, como eu.

Mauro César Silveira, Jornalista e Professor do Curso de Jornalismo da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina)

Escrito por Jairo Marques às 07h43

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Lambanças da acessibilidade

Povo, fico pensando se é melhor não ter uma rampa em determinado local do que ter um troço que chamam de rampa, feito nas coxas, para dizer que o estabelecimento é acessível.

É porque se tem uma rampa totalmente íngreme, não vou conseguir subir do mesmo jeito e, pior, o dono do ponto que fez a “adaptação” vai achar que o dever tá cumprido com a Matrix.

Claro que, às vezes, um cimentinho que eliminada um degrau pode resolver, mas o ideal para quem for fazer um ambiente acessível é contratar um arquiteto ou se informar sobre as normas técnicas. O profissional vai saber as inclinações exatas para as rampas, a altura das barras no banheiro, a dimensão perfeita para as portas, entre outros.

A arquiteta Thais Frota, “ledera” deste blog e especialista em acessibilidade (arquiteta.thais@gmail.com) fez um trabalho maraviwonderful. Flagrou diversas lambanças arquitetônicas pelas ruas de São Paulo.

Vou então mostrar algumas das trapalhadas que ela registrou e, depois, encaminhou para que os órgãos competentes tomassem uma atitude. Essas imagens são tão absurdas me remetem a uma frase muito boa que aprendi ontem e já tô usando: “Gzuis, me leva que eu tô pronto”!

Essa lixeira suspensa no meio da calçada é tudo, né?! Pra quem é cadeirante e passa o nariz rente. É uma beleza. E os cegos? É topar na lixarada na certa 

 

Essa catraca é para acessar uma biblioteca de uma famosa universidade aqui de São Paulo. Quem é cadeirante que se lasque, seu burrão!

 

E o que vocês acharam dessas duas barras que impedem a gente a ter pleno acesso à rampa? Um luxo total... esse amarelo diarréia, aff. Isso ai é num cartório. Então, tamo livre de acertar as contas no cartório, né, não?

 

Nego, sobe essa rampa. Sobe que eu quero ver. Nem eu que sou parente do rambo e tenho braços sarados, passados e amolados consigo. Também é num cartório. Nem vem querer protestar “nóis” que “nóis” num entra lá.   

 

Esse banheiro me dá até uma emoção, uma verdadeira vontade de ... de... xá pra lá . Olhem onde está colocado o espelho. É demais. Um cara que faz uma coisa dessas não tem mãe viva, não . Sem falar que a casinha serve também de depósito de tralhas. É dentro de um banco do “guverno”

Esse outro mictório também é um requinte puro. Vejam as barras de apoio onde estão: uma no inferno e a outra no purgatório . Atentem-se para o detalhe de onde foi acondicionado o papel higiênico. Ah, sim, a válvula está a quase dois metros de altura, bom pra gente que fica em pé, né? O melhor é que este banheiro fica num lugar onde há poucos malacabados ... num hospital

 

Você chega pra estacionar seu carro na vaga reservada e tem uma corrente. Ai é simples, você desliga o carro, monta a cadeira, retira a corrente. Volta pro carro, desmonta a cadeira, guarda no carro (cansou?), estaciona ali ao lado do lixo. Abre a porta, monta a cadeira

 

Até a atendente do outro lado ver que há um cadeirante esperando no balcão o expediente já terminou, né? EMOTTION . Essa também é num hospital. Setor de marcação de consulta. Ainda bem que tenho médica particular (ui)

 

Alguém consegue me dizer que raios é esse troço bem no meio da calçada? Fica numa das avenidas mais movimentadas aqui da city.

Escrito por Jairo Marques às 07h33

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Dias de chuva (Molhação)

Semana passada choveu todos os dias aqui em “Sum Paulo”. Num é brincadeira, não, toooodo dia. Eu já tô até criando bolor.  Vou aproveitar, então, para responder uma mensagem que a leitora Ana Luiza Lima, de Brasília, me enviou dizendo assim:

 

“Acompanho seu blog todos os dias e gosto demais! Como você escreve de uma maneira muito amistosa, tomei a liberdade para retribuir e sugerir um tema para um post.

É que ontem, ao sair do trabalho, caía uma chuva torrencial, com tanto vento que molhava de cima para baixo, nem adiantava o guarda-chuva.

 

Enquanto esperava minha carona sob a marquise do prédio, fiquei pensando na dificuldade que seria se eu fosse cadeirante e resolvi escrever para perguntar:

 

Como fazer para se proteger? Como movimentar a cadeira e segurar o guarda-chuva? Existe roupa protetora própria, como dos motoqueiros? A cadeira quando molha deve ficar bem desconfortável, não?”

 

Coisa querida do tio, a resposta é “simpres”: A maioria de “nóis” toma chuuuuuuva no lombo mesmo!!! “Móia” tuuuudo!  Desde que eu me entendo por gente eu me molho até a alma quando rola a chuvarada. O pior nem é a gente se molhar e ficar que nem um “pinto calçudo”, o pior é ter de responder ao povo que passa pela gente e diz assim:

 

“Ei, cadê o guarda-chuva? Você tá se molhando, rapai. Se ‘potrege’!”

 

Eu tenho muita vontade de dizer onde tá o guarda-chuva, mas me contenho. Imaginem vocês a cena do estropiado do cadeirante tocando as rodas da cadeira e segurando o cabo do trem? “Impossivi” de acontecer. A não ser que a gente tivesse três ou mais braços, assim, que nem o Lula Molusco.

 

 

Eu até já vi uma cadeira que inventaram que vem com um guarda-chuva embutido. Pô, mas ai o meu cavalo vira um carrinho de picolé, né, não?  Sem falar que, se bater um vento mais forte, vai cadeira, com “malacabado”, com tudo pra trás. Aí, além de molhado a gente vai tá é na roça.

 

 

Outra solução é a gente pedir para alguém nos conduzir enquanto seguramos o guarda-chuva!!! Tchanannnnnn! Aêêêêê... “Zente”, nem rola, não.  Eu explico pro6 porque eu sou um “minino bão”. Pensem na “situaça”: O tio Zairo tentando se equilibrar no cavalo ao mesmo tempo em que segura o guarda-chuva bem alto. É porque tem que ficar alto pra proteger o “empurrador” também.

 

Acontece que, como já expliquei pra todo mundo, os malacabados são estragados meeeesmo   e temos problemas sérios de equilíbrio. Aí num dá. O guarda-chuva num vai parar lá em cima e periga de a gente colocar mais um na Matrix: é, mais um, um cego porque a gente pode acabar furando o olho do nego um com as pontinhas do guarda-chuva.

 

Bem, sobram aquelas roupas de borracha! Gostooooso!!! Povo, até a gente conseguir vestir aquele negócio, colocar os nossos cambitos dentro daquelas calças, não só já passou a chuva como também mudou a estação do ano...

 

Quando eu era menino, mesmo em dias de chuva intensa, eu não matava aula. Isso porque minha mãe não deixava, é claro. E ai a gente sai em baixo do aguaceiro, mesmo. Sabe aquelas de “vamo que afinou?”. Mas sempre é pegadinha. Virava a esquina e caia o toró. E me lembro que a minha mãe sempre usava duas frases pra quem oferecia carona pra gente:

 

“Não precisa, obrigada, a gente tá acostumado (acostumado a tomar chuva é broca, né? )”. E a outra era assim: “Não, obrigada, demora demais pra desmontar a cadeira dele e vai alagar seu carro”.

 

 Êh, tempo “bão”. No verão, quando chovia muito, a vontade que eu tinha era ser plastificado. O negócio, então, é tomar chuva, mesmo. Lavar a alma, o cabelo, as cueca, as meia  . E andar no aguaceiro pra gente também é uma aventura. A cadeira desliza, a roda patina e os freios num funcionam. Sem falar que, quando se toma chuva sentado, se molha muuuito mais de acordo do que em pé, pois a exposição é “mais maior”.

 

Atualmente, como virei diretor-geral, o “Quiano Rives” da Matrix (vocês que falaram, heim?! ), comprei até uma kombi e tomo bem menos chuva.

 

Quando chego ou quando saio de casa, os presidentes (os porteiros que só andam de terno e eu chamo de presidentes) vêm logo com um baita guarda-chuva para me auxiliar. Vida boa demais, aff...

 

Em tempo: Você pode ajudar o “pinto molhado” do cadeirante em diversas situações. Auxiliar a ele a retirar ou colocar a cadeira no carro, por exemplo. Dar uma carona, desde que não se importe que seu carro fique levemente... digamos, alagado e não irá se estressar com a demora de desmontar a cadeira .   Se estiver a pé, não peça para o malacabado segurar o guarda-chuva. Segure você sobre os dois e deixe que ele mesmo toque a cadeira, vai ser num ritmo mais lento, mas vai ajudar a molhar menos!

 

 

Em tempo, a revanche: Esse post  se chama também “Molhação”, em homenagem à série da “Grobo”, Malhação, que tem um cadeirante de mentirinha. O cabra, acho que se chama Bruno, já voltou a sentir as perninhas, num verdadeiro milagre da ciência!  Tá certo que novela é ficção, mas, a cada vez que fazem isso, mas as pessoas criam lendas sobre quem vive na Matrix. A série tem um público adolescente e jovem muito forte, e é justamente esse povo que precisa de se aliar gente, entender o que é ser deficiente para ser um adulto consciente. O que me anima é que, pelo que consigo reparar, tem muitos teens que lêem o nosso diário, né, não?

 

* Imagens do google imagens

Escrito por Jairo Marques às 02h53

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Ser cadeirantinho é...

 

 

Ana Laura Cotrin Rebouças, 6

ter um carrinho de bonecas e bichinhos beeem maior do que o de todo mundo. E melhor, ser a própria boneca!

 

João Lucas Dutra Takaqui, 5

 

fazer uma careta bem “loka” praqueles bobos que olham pra gente é pensam “ôh dó”. Que dó que nada, a gente é feliz “ingual” qualquer criança! Para de lamentar e me dá uma “hand” para subir essa calçada aqui, vai....

 

Nyckoli  Melo, 8

não sair correndo doida quando bate o sinal do recreio. Ser mais zen, mas ser a mais queridona da professora, da diretora, da.... merendeira  

 

 

José Felipe Silva, 5

 

ser tão queridão da mamãe que ela cria um blog pra contar todas as nossas aventuras, histórias e conquistas em cima do nosso pônei (é, porque os cavalos são só pros “malacabadões” mais véios) 

 

Amanda Macedo, 12

 

sorrir ao mundo para que ele se encante e nos carregue nos braços quando preciso for. Rir para a vida que é minha chance de mostrar que ser diferente não é ser menos que ninguém (“aveiz” a gente é mais... mais espaçoso, mais “inteligentchi”) 

 

 

Luquinha

 

ser de “boa” com as nossas limitações e aprender formas diferentes de fazer o que toooodo mundo faz com um pouquinho de jeitinho e boa vontade do outro!

 

 

Ingrid Marfil, 7

 

encantar o tio “véio”, que é dono do blog, deixar ele babando, e assim ter muuuitas fotos publicadas pra todo mundo ver

 

Lipe

não ter sossego nem na hora das nossas “própria” reflexão no banheiro . Porque a gente da Matrix baby tem mãe e pai que grudam... aff... se grudam... Mas a gente adoooora!

 

Aninha

e então?? O que é ser cadeirantinho??? Diz lá nos coments?

“Pessoais”, os ensaios da Aninha, Luquinha, Nickoli e Amanda foram feitos pela brilhante fotógrafa e parceria do blog, Kica de Castro kicadecastro@gmail.com , que, como já contei aqui, tem uma agência de modelos exclusiva para gente da Matrix.

 

As fotos de Felipinho, de Recife (PE) e da Ingrid, de Campinas (SP), são do arquivo pessoal dos dois.

 

Fica ai para você curtirem no findi do Dia da Criança esse monte de rostinhos “dilícios” e cheios de infância e amor pela vida. “Bora” fazer um mundo mais acessível para eles agora e no futuro?

Escrito por Jairo Marques às 06h05

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Quatro letras que mudam a vida

“Zente”, não posso deixar de lembrar na nossa Semana da Criança da Matrix sobre a AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente), que faz um trabalho realmente “maraviwonderful” com os “malacabadinhos”, com os cadeirantinhos.

 

Eu mesmo, quando criança, usei da estrutura da associação aqui de São Paulo, quando era molequinho. Eles dão aquele tapa na nossa funilaria, toda trumbicada.  

 

Felizmente, a rede tem crescido, graças ao incentivo financeiro de milhares de pessoas Brasil afora. Tenho muito carinho e muito respeito por essas quatro letras: AACD que mudam a vida de quem tem alguma deficiência.

 

A minha homenagem, então, é mostrar a vocês três filminhos, bem curtinhos, mas de fazer a gente vibrar e se emocionar, que conscientizam sobre a necessidade de dar aquele apoio ao trabalho! Dois deles são da AACD do Rio Grande do Sul.

 

Criança é tuuuudo “ingual”

 

 

Pequeno gesto, grande sorriso

 

 

Para dar adeus à carriola

 

Em tempo: Para quem quiser entrar em contato com a ACCD e saber como ajudar, como entrar em contato com as unidades espalhadas pelo país, clica no bozo 

Escrito por Jairo Marques às 08h00

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O segredo do "Alecrim Dourado"

Não sei ao certo qual foi o encanto que essa garotinha jogou sobre mim e sobre outras centenas de pessoas que a viram dançando balé, a viram cantando “Alecrim, Alecrim dourado que nasceu no campo sem ser semeado.”

 

Talvez não haja apenas uma explicação, mas várias, para justificar porque quando bati os olhos naquele rostinho de princesa, sem saber absolutamente nada sobre ela, algo me dizia que ali morava um ser humano da mais alta “qualidadchi”.

 

Um dos meus maiores colegas de trabalho, logo cedinho, após a postagem do vídeo, deu a versão dele sobre o encanto, sem saber também nada da incrível “balalina”.

 

“Para quem tem filha pequena como eu, assistir ao vídeo desta bailarina no seu blog faz repensar a vida toda. Como somos felizes, como o mundo pode ser bom. Pode soar como frescura (a gente tem liberdade para estas brincadeiras um com o outro), mas é verdade. Filho é “soda”. No fundo, o que a gente mais quer (e nunca sabe se vai conseguir) é que ele sorria como esta linda menina. O resto é resto”

 

Pois bem, como esse diário tem sido presenteado com ventos de sorte, olha só quem apareceu para a nossa Semana da Criança na Matrix Baby: apresento a vocês, queridos leitores, Ingrid, a nossa "balalina"!

 

 

 

Mas ai vocês podem estar pensando: “Ela é uma criança como outra qualquer”. Não, meu povo, não é não. A Ingrid é daquelas pessoinhas que gritam para o mundo, que gritam para todos aqueles que desanimam ao ver uma estria na bunda, umas entradas aparecendo na testa: “Eeeei, eu sou feliz e dá pra todo mundo ser feliz quando cada um faz sua parte para que todos vivam de uma forma melhor”.

 

Essa princesa de sete aninhos, do signo de virgem, “cadeirantinha”, campineira (Óia Campinas ai!) precisa conviver com uma válvula na cabecinha. Foi vitimada pela mielomeningocele, ainda no útero da mãe, Paula, e teve também hidrocefalia.

 

 

“Sonhar, brincar, imaginar. Tudo isso eu posso fazer. Acima de tudo, sou uma criança como qualquer outra. Tenho minhas limitações e sei conviver com isso. Mas não me peça pra ficar quieta ou esquecida em um canto... Ahhhh não!!! Isso eu não faço!!!”

 

Há pouco, Ingrid começou a freqüentar a escola, o Objetivo lá de Barão Geraldo (ela quer ficar logo perto da Unicamp, né, não? ). A escola, que realmente se mostrou como uma escola digna de qualquer brasileiro, se preparou totalmente para receber a sua princesa: eliminou degraus, facilitou acessos, ampliou os banheiros e mais do que isso: abriu os braços e os corações de todos para recebê-la.

 

 

"Estou por toda parte. Na minha escola, sou conhecida como princesinha. Faço teatro com a tia Amanda, jogo capoeira com o tio Cris, mas o que eu mais gosto são minhas aulas de balett com a tia Luana.  Adoro dançar. Sem contar meus amigos de dia a dia. Amigos de sala, amigos professores..”

“Na família sou carinhosamente chamada de Bigo. Culpa do meu irmãozão que não conseguia falar Ingrid. A cabeça-de-pudim me chama de cabeça-dura...eu adoro minha avó. Adoro passar a semana na casa dela"

 

A briga de Ingrid para estar viva e hoje dançar para todos nós, envolveu nove cirurgias, meses de internação e a recuperação também de uma meningite.

 “As vitórias são todas dela mesma. Foi ela quem lutou pra passar por tudo e sempre com um sorriso. "Ela nunca desistiu, portanto quem sou eu pra desistir ou ter dó da minha filha?", me contou a Paula.

 

"Minha mãe e eu passamos horas no shopping, andamos muito e gastamos o dinheiro que o papai trabalha pra ganhar. Estamos sempre juntas. Apesar de eu não precisar muito dela. Eu sei me virar sozinha e quando preciso de ajuda, eu grito"

"Meu pai é bravo. Ele sempre briga quando eu faço coisa errada. Mas toda noite é ele que me da os meus remédios. Ele briga com o Gi, também. Porque o Gi faz mais coisa errada do que eu. Ele fala que o Gi tem que tirar nota boa. Mas o Gi é bonzinho. Ele cuida de mim"

 

Ingrid não só faz aulas de Balé, não. Como “ela mesma” contou lá em cima, nas fotos. Ela também está fazendo teatro e anda jogando capoeira. Deve mudar de estágio em breve...

 

“Às vezes, a gente briga mas eu adoro ele. Ele sempre me espera pra gente ir dormir. Ele faz coisas pra eu comer, me ajuda com os brinquedos... Dou muita risada com ele. Dou muita risada com tudo"

 

Obrigado, princesa, por doar o seu charme, a sua garra, o seu jeitinho de jogar os ombros, o seu olhar de doçura, o seu sorriso de encantamento para o tio e para esse povo “malacabado” ou não que visitam esse diário. Obrigado por ter aparecido por aqui e desvendado com tanto carisma o segredo do “Alecrim Dourado”. Não tenho mais muito o que falar, você tem?

 

"Mas o que eu mais faço, é falar. Eu falo o tempo todo e com todo mundo. A tia vive dizendo pra eu parar de falar e fazer minha lição, mas eu não me aguento. Se você me ver na rua e quiser conversar comigo, eu vou adorar  É só falar "oi" pra mim. O resto, deixa comigo. Tenho um monte de coisas pra dizer e histórias pra contar. Assim sou eu. Assim é minha vida. Assim como você"

 

* Textos que acompanham as fotos são de Marcelo Martinelli Marfil, o pai da princesa, que tem como irmão o Djiovane Rocha Marfil. A mãe de Ingrid é a Paula Cristine Rocha e a avó materna, mais conhecida como cabeça de pudim EMOTION, Suely Pedrozo Rocha
** Fotos do Arquivo pessoal da família de Ingrid

Escrito por Jairo Marques às 07h54

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O dia que roubei a bandeirinha

Foi a graças a uma infância completa, em todos os sentidos, que hoje eu sou um “minino bão” e cheio de histórias para contar, não tenho dúvidas disso.

 

Eu era bem atentado . Daqueles que brincavam na terra, pegava piolho, tinha estilingue, soltava pipa ao relento até os beiços ficarem rachados.

 

Chegava da escola, almoçava correndo como que se tivesse um compromisso “urgente”. E claro que era urgente: Ir para a casa de “Crô”, meu melhor amigo da época, disputar as “finais” do campeonato de futebol de botão.

 

 

 

Povo, vou contar para vocês, mas não tirem sarro, vai . Eu me esquecia de voltar pra casa perdido nas imaginações da infância, dos gols do meu time!

 

Assim, às 15h em ponto, estivesse eu onde estivesse a minha mãe chegava com um copão cheio de leite com toddy . “Minino como você não vai pra casa, pelo menos come alguma coisa.”

 

Até hoje ela me chama de “guaxo” (um bezerro sem pai nem pai) e meus amigos me atormentam por causa da mania que ela tinha de querer que.... eu me alimentasse! Ahhhh, sim, sigo tomando muito leite com toddy.

 

Quando moleque, me lembro que todas as brincadeiras tinham suas regras naturalmente modificadas para que pudesse também participar, para que eu pudesse ser criança como todo mundo da minha rua.

 

Dessa forma, o pique-esconde, para mim, tinha tempo maior para eu “sumir”, no pula cordas, eu era sempre o que girava, no futebol eu era o técnico (conto isso no futuro), nos bailinhos eu era o DJ, no andar em cima dos muros eu distraia os cachorros . Mas uma das brincadeiras adaptadas jamais sairá da minha memória: a disputa pelas bandeirinhas.

 

Bandeirinha era um jogo em que se formavam dois times, cada um de um lado, separados por uma risca e com a missão de defender seus respectivos símbolos, fosse um pedaço de pau “véio”, fosse uma lata de óleo enferrujada, fosse mesmo uma bandeira.

 

 

 

Por mais incrível que possa parecer, eu não era o último a ser escolhido, mesmo não tendo como correr. Isso porque eu era bom estrategista e gritava pra burro para incentivar os corredores de “elite” a resgatar a bandeira do adversário.

 

Me lembro que certa vez,  em uma disputa muito acirrada, ficou eu de um lado e apenas um garoto de outro e se formou um impasse. Como resolver?

 

Eu estava próximo à bandeira e dali num saia nem por decreto, porém eu também não conseguiria resgatar a bandeira do meu adversário!

 

Eis que então, em comum acordo com os rivais, ficou acertado que um amigo do meu time iria me carregar no colo para tentar roubar a bandeirinha do outro lado da risca.

 

E assim foi aceito. Meu amigo, que era magrinho, franzino, mas esperto, me ajeitou nos braços e só disse: “Segura firme que nós vamos correr”.

 

E corremos... e ríamos... e disparamos naquele chão batido de areia vermelha. O sabor da minha infância nos braços do meu amigo.

E, ao mesmo tempo em que invadíamos o território inimigo, o rival também entrava em nosso campo de batalha atrás, com ansiedade, de apanhar o nosso símbolo e voltar o seu território com a vitória.

 

E “usando” o corpo do meu amigo, minhas pernas sacolejavam e o meu coração disparava. Ele vôo rumo à bandeirinha e, num reflexo, apanhei o motivo da nossa cobiça!

 

E como nas belas histórias de vida, nós ganhamos o jogo ao cruzar a linha antes do rival, o que foi motivo para muitas e muitas gargalhadas, de ambos os times e por semanas e semanas o assunto só era: “O Jairo roubou a bandeirinha”.

 

Não sei dizer se criança tem senso de justiça e de igualdade, mas jamais eu fui rejeitado pelos moleques da minha rua, da minha escola. Muito pelo contrário, eu sempre fui o amigo “disputado”.

 

 

 

Acho que se toda criança deficiente tiver a sorte de ter como amigos pessoas parecidas com as que habitaram a minha infância, teremos mais e mais bom humor, otimismo, garra e vontade de fazer e ser melhor a cada dia.

 

Bem, esse texto abre a Semana da Criança da nossa Matrix. A Matrix Baby, como batizou uma colega, a Matrix dos cadeirantinhos, a Matrix de crianças que são como outras quaisquer, mas que só precisam de condições um pouco especiais, um pouco diferentes para serem felizes.

 

Amanhã, parafraseando o nosso querido “Gavião Bueno”, “PREPAREM OS SEUS CORAÇÕES”, tenho certeza que esse blog vai novamente balançar as “idéias” de muita gente e mostrar que, sim, somos exatamente “Assim como você”. Vai valer a pena visitar de novo!

 

Em tempo: Alguém se recorda do professor Nuna, que me ensinou a nadar? "Poi zé", foi eleito vereador de Três Lagoas.

 

* Imagens do google imagens

Escrito por Jairo Marques às 08h02

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Aonde que o vovô tá?

Acabou ontem o horário político, aquela chatice sem fim, mas eu vou encher a paciência de vocês falando de eleições. Sacaram o duplo sentido do título do post? Quer que desenha? Leiam “rapidim” que irão sacar.

 

Por força da minha profissão, tive de ler muitas das ladainhas dos candidatos nos jornais, ver muita gente beijando criancinha na televisão e ouvir no rádio quilômetros de promessas desde aquela de dar leite “gostoso” pros “minino” pobre, passando pela construção de um viaduto que liga a terra até lá no Deus e finalizando com uma que diz que vai ter internet de grátis até pras galinhas dos sítios da cidade.

 

 

 

 Não, povo, eu num bebi. Esse blog ainda é de assuntos relacionamentos à Matrix de quem tem alguma deficiência física. É que nenhum dos candidatos a prefeito aqui de São Paulo, pelo que eu tenha acompanhado, falou com ênfase ou como prioridade sobre acessibilidade da cidade.

 

Bem, e daí, né? Daí que “nóis tamo” na roça, pelados e perto de uma caixa de marimbondos se depender do futuro prefeito ou prefeita da maior cidade do país, será?

 

É o prefeito que comanda a política urbana de uma goma.  Ou seja, é ele quem vai chamar a “puliça” caso a calçada esteja toda “estrumbicada”.

 

É ele quem vai mandar prender e mandar soltar os donos de estabelecimento que não fizerem banheiros acessíveis pra mode a gente poder fazer algo básico para um “serumano” qualquer: mijar com dignidade.

 

E mais, o prefeito cuida do transporte. Quem depende de ônibus, precisa de piso rebaixado e precisa de um espacinho reservado. Se mal cabe quem pode ficar em pé, espremido, imaginem quem precisa entrar no bumba com um cavalo?

 

Não vi nem ouvi nenhum candidato dizer: “Vou trazer o povo da Matrix para o mundo dos mortais pra mode todo mundo ficar junto”.

 

Tamo tudo perdido? Não, claro que não. Mas é importante a gente mostrar que precisamos estar entre as prioridades dos dirigentes porque, se não, muita gente vai continuar dentro das cavernas porque não consegue sair à rua por uma simples questão: os buracos da calçada.

 

 

 

Pra mim, quem não pode viver de forma plena em uma cidade padece de um mal social gravíssimo. Não sei se todo mundo concorda. Se eu não tenho como sair de casa, não tenho como estudar, como trabalhar, como comer, como ser cidadão.

 

Se nenhum candidato tem entre suas prioridade uma política inclusiva, mais a gente precisa ficar “tudujunto” nesse blog e em outros fóruns até melhores do que este pra mostrar que: Sim, há um mundo paralelo querendo seu espaço no mundo real e há gente, há votos, ha impostos recolhidos que exigem o cumprimento deste direito.

 

Queria que vocês contassem como foi a campanha para prefeito, dentro deste aspecto, em suas cidades. Em algum lugar o candidato colocou a acessibilidade como uma questão primordial? Não precisam fazer campanha, é só dizer das propostas, “belê”?!   Em "Belzonte", "perezempi", onde esse blog tá mais pop do que o Clóvis Bornay , falaram algo sobre os matrixianos de forma séria?

 

Aí vocês podem me dizer: “Mas rolam uns postulantes ao cargo de vereador que são “malacabados” e poderão cumprir esse papel?". Bem, o fato de ser cego, ser cadeirante, ser mudo não credencia ninguém a ter competência política, né, povo?

 

Claro que reconheço que, talvez, alguns não sejam corrompiveis e assumam seus papéis diante do mandato que lhes foi entregue, o que até acontece! Mas peço encarecido para que vocês não entreguem seus votos a alguém da Matrix pelo simples fato de ele ou ela serem “esforçados” e serem “exemplos” de vida.

 

A gente tem é que apostar em competência, em compromisso sério, em vontade de fazer, de mudar, de agir e de... ser honesto! E isso não necessariamente está embutido em alguém que tenha “uma história bonita”.

 

Nessas eleições, tivemos uma grande conquista. A Justiça Eleitoral se preocupou em tentar evitar que a “Grobo”, a Folha e outras mídias tirassem fotos e fizessem imagens de cadeirantes em frente a uma escadaria danada dizendo assim:

 

“Mas aonde ‘queu vô votá’? Lá em riba? Ôh pai amado, mas como eu vou chegar até lá?”

 

Houve um cadastro antecipado de todos os deficientes que precisavam de condições especiais para exercer seu direito ao voto e tentar evitar essas situações que são péssimas para todo mundo.

 

 

Óbvio que a Justiça só fez isso depois de muitos esgualepados aparecem na TV e nos jornais pagando mico ao serem carregados nos braços, né, não?!

 

 

Quem não fez o cadastro, terá de contar com a sorte. A gente não vive num mundo ideal, ainda, e temos de fazer nossa parte para que ele melhore.

 

Bom, me desculpem se o tema de hoje deu dor de barriga, náuseas e mal estar em vocês , mas, escolher quem vai andar de carro oficial pra cima e para baixo, entrar de graça nos lugares, ganhar um bom salário e muito prestígio, ficar quatro anos dizendo o que é certo e o que é errado e, em alguns casos, trabalhando duas vezes por semana, para uma city é muita, muita “responsa”.

 

Então, pensem bem e escolham aquele que possam nos dar uma “mãozinha” para atravessar a rua, uma empurradinha numa rampa íngreme, uma cidade que possibilite um convívio mais pleno em seus espaços para todo mundo!

 

Beijos nas crianças, votem certinho e até segunda!

 

*Imagens do google imagens

Escrito por Jairo Marques às 23h23

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Um festival de cores

Um dos primeiros personagens a passear por esse blog e deixar um rastro de coisas boas para todos nós foi um procurador da república que é cego desde a juventude.

 

Mas o doutor Ricardo Tadeu Marques da Fonseca não encontra dentro da ausência de luz que toma conta de suas vistas a escuridão; ele vê caleidoscópios, se “alembram”? Não... ai, ai... “minino bão” que sou eu ajudo. Clica aqui e “lêlá”.

 

Na cegueira, nem sempre haverá cores. Isso vai depender se ainda restar algum resquício de retina, memória visual, entre outros fatores. Mas as cores, tais como quem vê plenamente conhece, também podem ser sentidas, podem ser tocadas.

 

Você, por exemplo, já tomou um banho de azul? Já se deliciou numa piscina de amarelo? Já se esbaldou no vermelho? Porém, como explicar o que são as cores para quem nunca viu??

 

Então, coloco hoje um comercial indiano de um “Banco de Olhos”, dica de primeira “qualidadchi” da minha querida leitora Maria Carolina, que irá te mostrar com isso é possível...  

 

Embaixo, coloco as traduções das poucas palavras em inglês que aparecem!

 

 

Primeira frase: Uma música ligada ao Holil (um Festival de Cores) começa

 

Segunda frase: A música continua

 

Na placa que é lavada está escrito: Smt. Kamila Mehta Dadar, escola para cegos

 

Na caixa está escrito: Caixa de doações, e o endereço mais o telefone da escola

 

O menino pergunta: “Tio Warden, quantas cores existem?”

 

Tio Warden responde: “Vermelho, azul, amarelo, verde...”

 

O menino volta a perguntar: “Com o que o verde se parece?”

 

E o tio Warden responde: Eu gostaria de poder explicar para você...

 

Mensagem: Sessenta e sete pessoas, incluindo os criadores deste vídeo, doaram suas córneas depois de verem este filme

 

Para saber como se tornar um doador, clique aqui e saiba mais!

Escrito por Jairo Marques às 07h55

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As pingas que bebi e os tombos que levei...

Na segunda-feira eu trouxe um pequeno “manuel” de instruções para vocês não jogarem os cadeirantes no meio da rua , mas, “temveiz” que não rola... ou melhor.. rola, rola o “malacabado” de cara no chão, embolado na calçada!

 

Meu grande amigo Thiago Reis, uns dos jovens jornalistas mais talentosos da nova geração da Folha, vive me perguntando: “Jairo, você cai muito da cadeira? Contai pra gente como é!”.

 

Então, atendendo ao anseio do meu “brodi”, conto alguns dos meus tombos mais mega blasters power full (caraca, vocês sabem cada vez mais de mim, só faltam saber a cor das minhas calçolas ).

 

Acho que o capote mais show que levei foi um quando eu ainda era menino, em um supermercado. Eu era encapetado demais da conta e andava desembestado com meus amigos pelas ruas de Três Lagoas montado em cadeiras de rodas que eram verdadeiros museus, de tão veias e exóticas.

 

 

Fui com o meu amigo “Crô” ou “Crodô”, como preferirem, comprar chocolate nas “Casas Moreira”, o supermercado top da city. Ele, como era meu melhor amigo, era uns dos melhores condutores do meu cavalo, eu confiava plenamente que ele num ia derramar um “minino” lindo como eu no chão.

 

Mas, lá estavam eu e Crô encantados com as gôndolas cheias de doces, de salgadinhos e chocolates de toda “qualidadchi” e gostosura.

 

“Êh, beleza, heim Crô, quem dera ter dinheiro pra comprar tudo!”, dizia eu que, jurava, estava o meu “amigão” me conduzindo, enquanto as prateleiras iam passando, passando, passando pelos meus olhos.

 

Povo, e a cadeira foi andando, andando, ganhando velocidade, passou pelos caixas do supermercado, passou pela porta de entrada, ganhou a calçada e “catapum”: fui eu com cadeira, com chocolate, com tudo pro chão, pro meio da rua, de cara....

 

Crô, distraído com o festival de doces, me largou e não avisou nada e, como o local era inclinado, a cadeira começou a andar sozinha e não me dei conta de nada.

 

“Que você tá fazendo ai, rapaz?”. Me lembro até hoje da frase cretina do meu amigo, que em instantes estava me ajudando a montar no cavalo de novo.

 

Dispensável dizer que ele achou que eu estava errado, né? “Tem que prestar atenção, Jairo”.

 

Não me “alembro” se me machuquei, mas o tombaço eu jamais esqueci.

 

Um outro capote maneiro que levei nem faz muito tempo, acho que uns seis meses, talvez. Logo, já era “véio”. “Zente”, e o mais ridículo, cai sozinho .

 

Eu havia levado uma cadeira nova que havia comprado pra fazer uns ajustes na loja. Na realidade, pra praticamente fazer outra porque ela veio de fábrica toda esculachada. Para quem não sabe, as melhores cadeiras são feitas sob medida e tal, mas isso eu conto mais adiante.

 

Na loja me deram um cavalo reserva, o que até que os reparos fossem feitos. Pense você usando uma calça 46 sendo a sua bunda do tamanho 38, rola? É mais ou menos assim que funciona quando a gente tem de usar qualquer cadeira.

 

Bem, mas não tinha remédio e fiquei com aquele troço mesmo, a calça 46 para o meu bumbum sarado 38 . Nessa situação, o cadeirante perde a noção do impulso que pode dar para subir uma calçada, por exemplo, ou da força que tem de fazer para girar para os lados, da própria força de condução para ir daqui para acolá.

 

Uma noite, chego em casa “breaco”, chamando o cachorro de meu loro, achando a Zezé Macedo uma deusa, abro a porta e vou ligeiro pro banheiro pra dar aquela urinaaaaaada (afinal, botecos com banheiros acessíveis vocês sabem, é raridade).

 

Nisso eu já tinha arrancado as “carças”, os sapatos, as meias, tava quase pelado.

 

Mas, sabem aquela salieciazinha que tem nas portas? Como chama mesmo? Soleira? Deve ser isso, soleira. Para vencer a maldita soleira da porta do meu banheiro, que nem é alta, é de boa, o véio bebum deu um impulso meio de he-man.

 

E vai a cadeira empinar “loka” seguir caminho com tudo para trás, sem me dar tempo nem pra gritar “gzuis me acode”.

 

“Óia”, foi ridículo total. Eu “bebido”, pelado, sozinho, largado no chão e com um calombão na cabeça. E pra sair do chão? Pra voltar pra cadeira com a bunda pesada que tenho?

 

Vo6 acham que eu ia chamar os porteiros? Chamar a “puliça”? Nem, né!? “Oi, seu “puliça, é que eu caí da cadeira, ‘bebido’, salva eu”?

 

 

 Resolvi dormi ali no chão, mesmo. No dia seguinte, apenas, eu resgatei forças, apesar da ressaca, para montar de novo na cadeira.....

 

Conto outros tombos no futuro. Mas, como diz a minha mãe, que nunca me deixou cair , “quem não cai não aprende a levantar”.

 

Em tempo: Não é o fim do mundo um cadeirante cair no chão. Se você vir uma cena dessas ou mesmo estiver conduzindo um “mamulengo” que se esborrachou na calçada, não adianta se desesperar porque a vida é dura, mesmo.

 

É importante você não agir instintivamente e pegar o cadeirante de qualquer jeito, como se fosse um saco de feijão, e colocá-lo de volta no cavalo. Isso pode machucar mais do que a queda. Dê um tempinho para o “esgualepado” se recompor e pergunte qual a melhor forma de ajudar. Os nossos “ossinhos” são mais frágeis devido à falta de esforço físico, contudo, eles não costumam quebrar que nem palito de fósforo.

 

Porém, é sempre bom dar uma examinada se não há hematomas ou ferimentos, ainda mais nos casos em que o cadeirante não tem sensibilidade nas pernas. Ele pode ter se ferido, mas, não percebeu!

 

* Imagens do google imagens

Escrito por Jairo Marques às 08h18

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PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 35, é formado em jornalismo pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e pós-graduado em jornalismo-social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999 e é cadeirante.

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