Jairo Marques

Assim como você

 

Na "rádia"

"Pessoais", graças à dica do Leandrão, fui atrás e achei o link das própria entrevista do tio para a CBN. Quem quiser ouvir uma voz aveludada, mais gostosa do que pudim de padaria , abram o "escutador de novela" e ouçam aqui esse "minino bão".

Escrito por Jairo Marques às 16h07

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Hoje é dia de "Fototerapia"

“Zimininos”, o que vocês fazem naqueles dias em que acordam com um gosto de cabo de guarda-chuva na boca? Com aquela cara de “óh céus, óh vida”, odiando suas pernocas finas, seus cabelos “engastaiados”? Choram? Procuram uma ponte? Chamam a “puliça”? Entram no meu blog?

 

Poi zé... tem gente que quando precisa se firmar melhor dentro da Matrix de quem tem alguma deficiência e reconhecer sua beleza “diferentchi”, seu potencial de ser atrativo para o outro ... tira foooota!!!!

 

“Para mim, cadeira de rodas, bengalas, próteses, órteses, enfim, os aparelhos ortopédicos, nada mais são do que acessórios de moda nas minhas fotos”.

 

Tão entendendo, nada? Eu só explico porque sou “minino bão”, como vocês sabem. A frase acima é da fotógrafa Kika de Castro, que trabalha exclusivamente com modelos que possuem deficiência.

 

 

Essa é a Diolice da Silva Barbosa, 19, tetraplégica. Êh, lá em casa...

 

“Tenho uma amiga psicóloga que me ajuda na questão de auto estima dos modelos. Muito empresário ainda tem o preconceito de colocar uma pessoa com deficiência nos anúncios, acham que isso choca, mas esquecem que essas pessoas são tão consumidoras, ou até mais, que as pessoas ditas como símbolos de beleza”.

 

A Kika, pela experiência que tem fazendo o trabalho com esse povo da Matrix, avalia que a fotografia pode ter efeito terapêutico bem importante para o resgate da vaidade, da valorização dos aspectos físicos dos “malacabados”, no que ela chama de “Fototerapia”.

 

 

Thiago Caro Cenjor, 25, que tem paraplegia. Bom pra levantar laje

 

 “Procuro  fotografar a estética de cada modelo afinal, a beleza existe em diversas formas”.

 

 

Márcia Jordão, 36,“Gzuis”, que cabelão “bão” de puxar

 

 “Em 2003, tive a oportunidade de desenvolver a fototerapia, uma forma que encontrei de ajudar as pessoas com o meu trabalho. As meninas amaram e me deram forças para a cada dia continuar. Aos poucos, os meninos foram se aproximando”

 

 

 Silvio César Carvalho da Silva, 26, tem seqüelas da pólio,

 que nem “ingual” ao tio. Passa de ano, né? 

 

 “O desafio é diário. Tenho que estudar as patologias para poder abusar e ousar nas poses e ângulos. Conto com a ajuda de uma amiga fisioterapeuta”.

 

 

Cleia Patrícia Araújo, 26. Essa é “casa, comida e um milhão por mês”, né?

 

Eu pedi pra Kika fazer os próprio book meu, mas ela disse que não ainda não tá “operando milagre”. Que será que ela quis dizer, heim?

 

Michael Correia, 26, paraplégico. Essa penteada de cabelo,

sei não. Ta, é inveja, é inveja minha

 

“O que começo como uma ‘brincadeira’ virou coisa séria. Em meados de 2005, comecei a apresentar as fotos para amigos que tinham pequenos comércios e consegui fazer colocar as meninas em anúncios, sem remuneração”.

 

 

Juliana da Costa,12, paraplégica. Uma florzinha, uma florzinha. Se eu fizer

uma pose dessas na minha cadeira eu fico entrevado uma semana

 

“Tínhamos na mão tudo: talento, beleza e profissionalismo. Então, em 2007, tomei a decisão de montar a agência de modelos, onde o casting e 100% com pessoas deficientes, homens e mulheres, várias patologias, entre 4 a 58 anos. O espaço é para todos”.

 

 

Daiane Lopes, 26, que tem paralisia cerebral. Eu vou dizer o quê? Uma deusa, né, não?

 

Todas as fotas que ilustram o post são da Kika de Castro. Se quiserem saber mais, o email dela é o kicadecastro@gmail.com e o fone é o  (11) 8131-0154

 

Em tempo: “Zente”, amanhã vai ter “Assim como você” na “rádia” CBN. O tio dará uma entrevista e conta umas mentiras , às 13h30, ao vivo (óóóóia). Quem não for de São Paulo, pode acompanhar também pelo www.cbn.com.br  . Bom findi e beijo nas crianças

Escrito por Jairo Marques às 00h17

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Longe, lá de longe

Ontem eu fiquei pensando se me acham muito “inzibido” por publicar cartas de gente que aderiu ao blog e a causa que ele pretende explicitar. Ai, não cheguei à conclusão nenhuma e, sendo assim, eu publico.

 

Gente, pra mim ainda é muito louco quando alguém me pára e quer comentar um post, dizer que achou “maraviwonderful” as histórias de vocês e as minhas, os vídeos e tudo mais.

 

Certo dia, aqui na redação do jornal, eu tava bebendo água e o editor de um dos principais cadernos do matutino disse assim: “Jairo, leio muito seu blog. Leio mesmo. É muito legal. Parabéns”.

 

Eu não imagino ele lendo aquele monte de piada e conhecendo o mundo paralelo da Matrix, mas tá valendo, né? É alguém “importanchi” envolvido, de alguma maneira, com a discussão de um mundo mais acessível a todos. Talvez até ele impeça que alguém pare em vaga reservada, né, não?

 

Bem, mas minha surpresa também é ser lido em vários países, lá longe, bem longe. Depois do Brasil, evidente, nos próprio Estadosunidos a gente “bomba”. E é de lá que vem a carta que divido com vocês hoje.

 

Quem escreve é a brasileira Sílvia Dutra, que já me ajudou muito contando um pouco da realidade norte-americana dos deficientes físicos, me enviando fotos, me dando sugestões.

 

E ela também me enviou um presente! O que eu e ela chamamos de “mãozinha tabajara estiqueitor”... é um acessório que auxilia o cadeirante a pegar objetos que estejam no alto ou em locais onde a cadeira não chega.... é mega ultra bom.

 

 

 

Bem, então, fiquem com a letter da Silvets.

 

 

 

“A verdade nada mais que a verdade”

 

Leio a Folha e outros jornais todos os dias e por curiosidade com esse nome do seu blog cheguei ao “Assim como você”.

 

Pensei a principio que fosse blog feminino (uuuuia), desses que tenta explicar porque as mulheres são como são. Com quase 50 anos nas costas ainda não estou bem certa de quem eu sou e quis descobrir se havia outras assim como eu.

 

Apesar de não ser da Matrix, acabei fisgada pelo assunto e pelo seu estilo franco, autêntico, leve, engraçado de escrever.

 

 Acho muito cativante ver um homem se expondo dessa maneira verdadeira como você faz, falando das suas dificuldades, dos preconceitos e situações desrespeitosas que você tem enfrentado ao longo da vida, dos seus projetos, sonhos, emoções, trabalho, amigos, da sua relação com sua mãe, que a gente percebe ser muito forte e bonita.

 

E escrevendo com tanta propriedade, sabendo do que está falando, tocando em assuntos essencialmente dolorosos e espinhosos, mas mantendo o astral lá em cima, sem cair na pieguice.

 

Sinto uma inveja limpa e reverente quando vejo alguém fazendo um trabalho lindo assim como o seu, tocando a vida de tanta gente, forçando a mudanca, fazendo as coisas acontecerem.

 

Há blogs que a gente visita uma vez e já viu dezenas iguais. Outros nada acrescentam, soam falsos, outros ainda tem uma aura ruim, mal humorada.

 

O seu, não. Sempre tem conteúdo, histórias inspiradoras que nos aquecem a alma e instigam a reflexão, ou tem uma informação importante, uma dica educativa, uma crítica bem fundamentada . Hoje sou uma viciada assumida desse blog e recuso tratamento.  

 

 

 

Leio todos os dias, e pra mim tem sido uma experiência bastante enriquecedora. Até descobrir o “Assim como você” eu não prestava atenção em nenhuma dessas questões que você aborda.

 

Não fazia idéia da quantidade de obstáculos que o pessoal da Matrix tem que enfrentar pra fazer as coisas cotidianas, que quem não é deficiente assume como garantidas.

 

Seu blog me ensinou tanta coisa que eu sequer imaginava, ampliou minha visão do mundo e sinto que me tornei uma pessoa um pouco melhor por conta disso.

 

E por isso lhe sou grata. Sou grata também à Folha por abrir espaço pra discussão dessas questões tão importantes para a conquista da cidadania plena dos deficientes no nosso Brasil.

 

Botar a boca no trombone já conseguiu melhorar o banheiro do posto la na estrada não foi? Agora faltam as calçadas esburacadas, a ausência de rampa nos prédios públicos, maior respeito e espaço no mercado de trabalho, o cumprimento das leis que já existem, mas não são aplicadas...  etc etc etc....água mole em pedra dura, por que não? Mudar o mundo não é fácil, mas é possível, sim. E que prazer isso dá não é mesmo?

 

 

 

Só tem uma coisa que eu não gosto no seu blog, vou te confessar, correndo o risco da Gisele ficar brava comigo: é quando você se chama de “malacabado”.  Entendo que é brincadeira, mas sei lá, me machuca, não gosto dessa palavra aplicada a você e a toda essa gente linda que é retratada nesse espaço.

 

E como tenho filhos imagino que a sua mãe também não deva gostar de ver o baby dela se referindo a si próprio dessa maneira. “Malacabado” é quem não respeita os direitos dos outros, sejam eles da Matrix ou não. Pra mim você é um “homi bão”, fazendo um trabalho lindo e da maior importância.  

Escrito por Jairo Marques às 00h20

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Sem palavras...

Ah, nem sei o que dizer... Assistam o vídeo ai de baixo que depois a gente conversa um pouco, porque eu sei que vocês ficam carentes das palavrinhas do tio.

 

Em tempo: Este comercial foi enviado de presente pela minha leitora “arretada e porreta” Vera Serra, de Salvador (BA). Eu já assisti umas cinqüenta vezes. Bonito demais da conta, num é, povo?

 

A Vivi Garcia, que é deficiente visual e freqüentadora do nosso diário desde o começo, me explicou que nem todo cego compreende o alfabeto tradicional, mas que parte desse grupo de "matrixiano" consegue, sim, entender as letras convencionais e não somente o Braile. 

 

“Para mim, que já enxerguei, ou seja, tenho memória visual, é normal o meu conhecimento das letras. Fui alfabetizada enxergando, então, tenho em minhas memórias todas as letrinhas da cartilha ‘Caminho Suave’... Lembro até das letras pontilhadas. Bem, mas para alguém que nunca viu, as letrinhas pouco importam, já que não são muito utilizadas e não fazem parte da memória de algumas pessoas. Se elas tiverem interesse podem conhecer as letras por relevo”, me disse a Vivi.

 

Em tempo, de novo: Eu sou bem puxa-saco dos meus amigos e das pessoas que gosto. Porém, como a Tabata é unanimidade por aqui, não tem muito problema de babar ovo pra essa belezura, né?

 

Quem quiser ver ela gravando uma das cenas da novela Água na Boca e dando uma entrevista pra um programa da própria Band (a loira tava bem nervosa ), basta clicar aqui (é que num deu pra ‘cupia’ o vídeo, que demoooora pra carregar).

 

Escrito por Jairo Marques às 08h00

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Você conhece a língua do "Tê"?

Zente”, é muito comum quando se conhece alguém da Matrix de quem tem alguma deficiência que o caboclo ou cabocla, na hora de te explicar como ele entrou pra essa “comudidadchi”, diga assim:

“Eu ‘tavo’ nadando no brejo, dei um mergulho atravessado, bati as costas, lesionei a ‘T7’ e fiquei 'malacabado' da cintura para baixo.”

 Isso é o que eu chamo de língua do “Tê”, muito usada por médicos e por deficientes que sofreram lesões traumáticas, sobretudo (acidentes).

Pra provar, mais uma vez, que o “Assim como você” é um “brogue” feito por um “minino inteligentchi”, como sempre diz a minha mãe, hoje “nóis tamo” científico.

Pedi para a minha médica particular  (clica no ‘médica’ que você descobre quem é) tentar explicar um pouco esse lance da língua “diferentchi” usada pelos esgualepados. Acho legal falar sobre isso porque tem muita gente nova entendendo agora como funciona esse nosso mundo paralelo.

Ela “escrevinhou” o texto tudo certinho e eu passei o batom e a 'maquilagem'  pra mode ele fica mais sexy.

 

As “Ts” são vértebras torácicas que, quando ferradas , podem levar à paraplegia. A coluna é formada pelo arranjo de, em média, 33 vértebras.

São sete cervicais (C), doze torácicas (T), cinco lombares (L), cinco sacrais e quatro ou cinco coccígeas, que são responsáveis pela nossa sustentação e movimento.  

 Por isso, às vezes, a gente escuta também a língua do “Cê”:

“Fui saltar de pára-quedas que sobrou da guerra, tava furado, e lesionei a C6. Virei ‘mamulengo’ ou, com dizem os mortais, tetraplético

Dentro da coluna existe um canal por onde passa a medula espinhal, é ela que faz a condução das informações sensitivas e motoras entre o cérebro e o corpo.

A medula é feita de células nervosas, os neurônios; e seus prolongamentos, os axônios. Eles vão determinar a nossa “sensibilidadchi” (sabe quando tocam na sua perna e você diz, “ai, uiui”, então), e também determinam os movimentos.

Os nervos estão por toda parte, músculos, pele, órgãos, e são responsáveis por todas nossas sensações (frio, calor, dor, pressão) e pelo andar, pular, correr, dançar...

 

Um acidente pode deixar a gente “malacabado” porque uma lesão pode afetar algum nível da coluna (as T, C e L) interrompendo o trajeto dos nervos.

Quando esse rompimento se dá próximo ao “célebro”, diz-se que a lesão foi alta, quanto mais longe...advinha??? Aêêê: lesão baixa  . E quanto mais “em riba” também, mais bamba a pessoa fica, porque vai comprometer mais o equilíbrio.

Se o bombardeio  atingir a coluna cervical (falai? As “Cs”), o cabra pode ficar tetraplégico, com braços e pernas ‘malacabados’ e também podem rolar problemas respiratórios.

Ou seja, se ferrar as “C”, o 'matrixiano' (essa é novidadchi, heim) vai dar um trabaaaaalho.

Quando a guerra ferrar a coluna torácica, as “Ts”, o sujeito pode ficar que nem “ingual” ao tio, paraplégico: mamulengo da cintura para baixo.

Como na região da coluna sacral (que fica bem embaixo) estão as inervações responsáveis pelos próprio órgão sexual (ai que delícia), bexiga e intestino, tuuudo isso pode ficar comprometido quando se ferra uma vértebra láááá de cima, sacaram? Sejam as Cs, sejam as Ts.

 

Cada nervo tem um caminho, originado na medula e que passa pelas vértebras, e é responsável por uma área do nosso corpinho.

Mas não há uma regra, uma lógica perfeita que diga: lesionou aqui, logo, o sujeito vai ficar assim ou assado. A lesão pode ser completa, afetando tooodas as comunicações dos nervos abaixo da vértebra atingida, ou incompleta, quando alguma ligação, mesmo com o trauma, fica funcionando, sacaram?

 

 

O mapinha ai de cima com as vértebras e as regiões do corpo que representam é apenas para dar  uma noção. E, não necessariamente, quando se lesiona uma região demarcada vai-se ter como conseqüência a perda das habilidades em tal região.

O corpo tem seus enigmas e, duas pessoas que tiveram lesões na T4, por exemplo, podem ter reflexos diferentes em suas vidas.

Fato é que sempre vai sobrar (ufa ) uma área preservada e que, muito provavelmente, o corpo irá rearranjar sensibilidade e sensações.

Povo, este post é só para todo mundo ter uma idéia do que estou falando quando digo paraplegia, tetraplegia e mais ainda para vocês poderem entenderem um pouco sobre vértebras, medula e nervos, o que é tão falando por gente da Matrix.

Tudo o que escrevi aqui não tem valor acadêmico e, claro, há impropriedade no texto. Facilitei as palavras para que vocês pudessem ter uma idéia mais próxima do dia a dia e menos “linguagem de médico”, valeu?!

Escrito por Jairo Marques às 08h07

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Um motel pra chamar de meu

“Alô?! Oi, boa tarde. Queria saber se vocês têm alguma suíte acessível?! Segundos de silêncio do outro lado da linha...

 

“Olha, a mais ‘aquicessível’ que a gente ‘temos’ é 150 reaus”.

 

“Não, moça, eu quero saber se tem alguma suíte acessível para cadeirante”

 

“Cadeirante como assim, você fala?” “Que usa cadeira de rodas, sabe?!”

 

“Ahhhh.. ‘minutinho’, tá”... “Ixi, tem, não, viu?!”, diz a atendente do décimo motel que ligo naquela tarde para ver se consigo entrar com o meu cavalo em algum.

 

Povo, é sério. Dono de motel acha que cadeirante ou pessoas com mobilidade reduzida, definitivamente, não transam. Apesar que já ouvi muita história de gente que vai ao motel pra fazer qualquer coisa, menos ir às vias de fato, né?

 

O tal do “gramur” faz os arquitetos desses “antros do prazer” projetarem sempre uma escada nas tais suítes. Tem quem adore dar aquele amasso nos degraus, né, não? Nada contra, mas, toooodos os quartos serem inacessíveis pra quem não pode subir já é demais.

 

Mas, a minha luta não foi inglória e encontrei um Motel que a atendente havia garantido que era térreo, “suuuper tranqüilo”... o nome do chalé era algo do tipo “Planeta Distante”.  

 

Quem que não quer dar uma namoradinha num lugar “diferençado”? E lá fui eu com a namorada pra ter o nosso momento sábado de romance no motel.

 

“Oi, eu queria a suíte 'Planeta Distante', por favor?! É térreo, né?” (sempre confirmo, pra ter a margem de erro mais restrita possível)

 

Paro o carro na garagem e, neste momento, como qualquer “minino bão”, já tô mais feliz do que porco na lama pra dar aquela namoraaaada.

 

Gente, num preciso nem descer do carro pra ver, logo na porta da “Planeta Distante”, dois degraus gigantes pra acessar a suíte.

 

Aí a felicidade já vai murchando aos poucos, né?!  Mas namorada de cadeirante é guerreira (apesar que eu acho que a vontade dela de... de... conversar   era maior.)

 

“Eu consigo te puxar de costas com a cadeira. Vai dar certo!”

 

 

E vai daqui, tenta dali... e eu morrendo de medo de cair. Porque ai o prazer ia descambar pro masoquismo, falai?!

 

“E se a gente pedir ajuda pra alguém?!”, disse a moça.... “Pô, mais ai vira suruba”, respondi.

 

Mas, conseguimos depois de algum esforço e muito jeitinho... não tinha rolado nada, mas a gente já tava suado .

Valeu a dedicação! A “Planeta Distante” era “bacanuda”, decoração legal, luzes inspiradoras, espelhos, aquela festa!

 

Vo6 podem não acreditar, mas acho que aquela tensão de vai dar pra subir, num vai dar pra subir me deixou meio tenso e eu precisava, claro, ir ao banheiro! Olha, juro que não era motel de dez real, daqueles com néon cor de rosa, era bom o lugar... mas o banheiro era microscópio.

 

E lá vai a moça me ajudar a passar da minha cadeira pra uma cadeira estreitinha que tinha na suíte... ai, ai... lembrando, nem eu acredito nas roubadas que eu me coloco.

 

Marcelo Justo / Folha Imagem

 

Resolvido os problemas “emocionais” era a hora de se entregar ao ...lazer! “Pessoais”, cama redonda é massa, né? Mas, pensem comigo: como é que a cadeira encosta?

Tudo bem, deu certo pra fazer a transferência para o ninho de amor (uuui) sem novas fortes emoções e dá-lhe viagem pelo “Planeta Distante”!

Ralou, rolou, brincou, passou gelol , era hora de curtir o quê?! A banheira!!! Aêêêêê!!!!!

 

Linda, fumegante, aconchegante, borbulhante, mas.... eu fiquei do lado de fora, mesmo . Para entrar na banheira era preciso vencer três degraus e a gente num tava mais em condições físicas, digamos assim, para novas escalas.

 

Fiquei dando um de voyer enquanto ela jogava espuma pro alto. Mas é claro que fiquei chateado, né?! Na água, os movimentos de um deficiente ficam mais fáceis e a gente consegue ficar mais, digamos... hummm soltinho!

 

 Marcelo Justo / Folha Imagem

 

Mas, gente, nem tudo está perdido!! As duas fotos que ilustram o post são de um motel de verdade, daqui de São Paulo, que tem uma suíte totalmente acessível há CINCO anos!

 

Vejam na “fota” da banheira que a cadeira de rodas fica na altura exata para fazer a transferência e, além disso, há barras que ajudam a entrar e a sair (óóóia).... da água.

 

Além disso, o banheiro também tem barras de apoio e não há escadas! Os acessos possuem rampas. O único senão, apontado pelo meu colega Marcelo Justo, que fez as fotos, é que, caso o casal seja de cadeirantes, a garagem fica um pouco apertada para abrir as duas portas do carro de forma completa e reitrar as cadeiras... nem tudo é perfeito, né?!

 

O gerente do motel, que foi descoberto pelo caderno Negócios, da Folha, que publicou reportagem ontem sobre o assunto (assinante UOL e do jornal clique aqui e leia a íntegra), disse que pouquíssimas pessoas usam a suíte.

 

Capaz! Eu nunca tinha lido nem ouvido falar desse motel. E, olha só, povo, que ironia do destino, ele fica pertinho da minha casa, no mesmo bairro!

 

Fica ai a opção para todo mundo. Quem quiser saber mais detalhes sobre o motel com suíte acessível, basta apertar no bozo!

 

O fone eu passo: (11) 3758-3324

Escrito por Jairo Marques às 00h28

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PERFIL

Jairo Marques Jairo Marques, 37, jornalista pela UFMS e pós-graduado em jornalismo social pela PUC-SP. Trabalha na Folha desde 1999. É colunista do caderno "Cotidiano".
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